12 janeiro 2009

Recantos

Moinho à Ponte. Num recanto escondido, com a água que ia passando por dentro de si, moía, moía, sem descanso. Até que um dia se reformou. Agora, ali está ele olhando para nós, que de fronte o contemplamos e no silêncio tentamos ouvir o som característico da sua enorme mó, girando, girando. E em que recordamos com saudade todos aqueles que por ali passavam para moer o seu milho e o seu trigo, durante tantos anos, durante tantas vidas. Foto de Artur da Fonte

Aldeia Velha - Bodo de S. Sebastião

Na freguesia do Colmeal vai reviver-se a tradição da distribuição do “Bodo de S. Sebastião”. Com base na lenda, que atribui poderes curativos de terríveis e epidémicas maleitas ao Mártir S. Sebastião, a distribuição de um pequeno pão de trigo servia como agradecimento pela intervenção de S. Sebastião, e a origem do que hoje é o “Bodo”. Actualmente, essa distribuição não se restringe apenas a um pão de trigo, constituindo agora uma verdadeira festa comunitária na freguesia. Com este objectivo, no dia 18 de Janeiro, domingo, caberá a Aldeia Velha, através da sua Liga dos Amigos, a distribuição do mesmo. Na véspera será feito um jantar para todos quantos se queiram juntar, na Casa de Convívio. Para isso, deverão os interessados confirmar a sua presença junto de qualquer elemento directivo ou da Delegação.
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Receitas da Freguesia do Colmeal

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Sardinhas com nabos de farinha
- 500 gr. de sardinhas - Farinha q.b. - 800 gr. de nabos - 0,5 dl. de azeite - Sal q.b.
Amanhe as sardinhas e tempere-as com sal. Passe as sardinhas por farinha e frite-as em óleo. À parte corte os nabos e passe-os por água até ficarem bem lavados. Coloque um tacho ao lume com água temperada com sal, e quando estiver a ferver, acrescente os nabos. Depois de cozidos, escorra os nabos e coloque-os num recipiente à parte, acrescente aos poucos a farinha, até ficar seco e posteriormente regue com azeite. Sirva as sardinhas acompanhadas com os nabos de farinha. A receita apresentada (sardinhas com nabos) foi disponibilizada por Maria Nunes Martins, residente em Carvalhal
Tigelada
- 12 ovos - 1 L. de leite - 2 paus de canela - 12 colheres (de sopa) de açúcar Bata os ovos com o açúcar até dobrar o tamanho. Posteriormente misture o leite e os paus de canela e vá mexendo. Coloque o preparado num tacho de barro e leve ao forno, de preferência num forno de lenha, cerca de 1 hora, até ficar tostado. A receita apresentada (Tigelada) foi disponibilizada por Anabela Cerejeira Domingos, residente em Colmeal

Minha terra…

Minha terra é o Colmeal, Não nego a freguesia, aonde eu fui baptizada naquele sagrado dia. Adeus terra do Colmeal, no meio tens um chorão, por causa das raparigas é que os rapazes lá vão. Assim começa Lisete de Matos um dos capítulos do seu livro “Gente da Serra Do seu Quotidiano e Costumes”. (Edição da Autora, 1990) A freguesia do Colmeal é uma das freguesias do concelho de Góis, no distrito de Coimbra. O tipo beirão desta zona serrana distingue-se sensivelmente do do resto da Beira. É alto, enxuto, claro ou moreno, às vezes citrino, de olhos castanhos ou azuis, aparecendo também o gordo simpático e bonacheirão que parece ter acabado de chegar da orla pirenaica francesa e falando todos um português nítido, sem converter os ss em x, como é jeito da pronúncia das gentes das duas Beiras interiores. Este tipo aparece entre Pampilhosa da Serra e Arganil, mas é no Vale do Ceira, de Góis ao Piódão, pela Cabreira, Sandinha, Colmeal, Fajão e Porto da Balsa, descendo sobre a vertente norte das serras sobre o Alva, desde a nascente deste rio até Arganil e daqui outra vez a Góis – que ele é mais acentuado. …À mulher, forte, esbelta, rústica e naturalmente elegante, corresponde tipo idêntico… (Guias de Portugal – Beira I. Beira Litoral, 3º vol. – F.C. Gulbenkian. Lisboa, 1984, 2ª Ed., pág. 395). Um pouco por toda a região, a população jovem abalou, a partir dos anos cinquenta, à procura de melhores condições de vida em Lisboa e também no estrangeiro. População por demais apegada ao torrão natal, ao seu esforço se ficou a dever, durante décadas, a abertura de estradas, mais tarde o seu alcatroamento, a construção de lavadouros e fontenários, a existência de telefone, água e luz nas aldeias. Organizada em Comissões de Melhoramentos, Ligas de Melhoramentos, Ligas de Amigos, Uniões Progressivas, etc., e estas, por sua vez, filiadas na Casa do Concelho de Góis, Casa da Comarca de Arganil, Casa das Beiras e outras agremiações regionalistas. … Esses têm sido os lutadores incansáveis pela implantação daquele sublime ideal (o regionalismo) e do seu enraizamento popular, numa acção conjugada com as populações dos diversos aglomerados e, mais recentemente, através duma colaboração estreita e profícua com as autarquias, sempre norteados por dois objectivos que poderemos considerar principais. Por um lado a criação dum espírito de entreajuda e de sã convivência entre as várias comunidades serranas que se encontram dispersas e, por outro, a unificação de esforços e a congregação de boas vontades no sentido dum contributo eficaz para o desenvolvimento dessas tão genuínas povoações do Centro-Interior do País, até há pouco tempo condenadas ao abandono por parte dos poderes instituídos e onde a vida, sendo ainda difícil, constituía permanente sacrifício para toda a população… – (Pacheco, Aníbal – Regionalismo Serrano (XC): um tema inesgotável e sempre actual. In “A Comarca de Arganil”, de 1 de Agosto de 1989.) … A freguesia é hoje constituída por cerca de onze lugares ainda habitados. Entre esses lugares conta-se o do Açor, a 6 km da sede da freguesia por estrada de terra batida que, seguindo por Ádela, vai ligar à estrada que vem de Arganil para os Cepos ou Teixeira. Aliás, olhando para o mapa, percebe-se que as localidades de Açor e Ádela se encontram incrustadas no concelho de Arganil, com o qual sempre mantiveram uma grande ligação, por razões de maior proximidade e outras. O Açor são dezasseis casas alinhadas de um outeiro ao outro da serra. De um lado a Avesseira, do outro a Soalheira. … Como diz Lisete de Matos na Introdução, “Gente da Serra – Do seu Quotidiano e Costumes”, é um trabalho de grande singeleza que concebeu como uma homenagem às pessoas, e onde procurou, sobretudo, falar das vivências, ressaltando a interdependência entre o homem e a natureza, o dia-a-dia longo, pesado e difícil. E só para finalizar: “Toda a gente ia à fonte, mas as mulheres mais do que os homens. Ia-se ao fim da tarde, depois do Sol-posto, quando já se podia dispor de algum tempo para conversar pelo caminho ou enquanto se esperava que a bica desse vazão aos cântaros todos. Nos tempos em que havia mocidade, também se namorava.” Com este apontamento para aguçar a sua curiosidade e o levar a procurar este interessante livro nas estantes da nossa Biblioteca da União, terminamos este pequeno contributo a uma preciosa autora da nossa freguesia do Colmeal. A. Domingos Santos

Muito fumo...

Nas Seladas, com muito fumo e também com muito boa disposição, recordamos Rui Domingues. Zé Nunes e o filho (meio encoberto) apreciam a ajuda sempre bem vinda de quem está disponível para colaborar. E o Rui parece que se preparava para "esfregar as costas" ao que restava do porco... Foto cedida por A. Domingos Santos

09 janeiro 2009

Os nossos autores

No recentemente publicado “Dicionário de Autores da Beira-Serra” de João Alves das Neves, encontramos alguns nomes de filhos da nossa freguesia do Colmeal, o que muito nos orgulha. António Duarte de Almeida (Colmeal), Josefina de Almeida (Açor), Manuel Nunes de Almeida (Foz da Cova), Fernando Costa (Colmeal) e Lisete de Matos (Açor), já foram por nós aqui referidos neste espaço. Hoje, da citada obra e dos nossos autores, vamos transcrever os seus currículos. Almeida, António Duarte de (n. Colmeal, Góis, 22 de Abril de 1929 – f. Coimbra, 29 de Abril de 1999) Frequentou os seminários da Diocese de Coimbra, onde se ordenou presbítero em 1951. Professor do Seminário da Figueira da Foz, exerceu ao mesmo tempo o múnus sacerdotal em várias paróquias. Estudou Teologia na Universidade de Camillas (Espanha) e, de regresso, seguindo um desígnio interior, partiu para Moçambique em 1954, fixando-se em Lourenço Marques. Seguiu depois para a Beira, onde missionou durante vários anos e desenvolveu acção notável em diversos campos de apostolado. Foi professor, director espiritual e vigário geral do bispo da diocese. Mas notabilizou-se, sobretudo, como director do Diário de Moçambique. Pressionado pelo regime político de então, regressou à Diocese de Coimbra em 1973 e voltou a paroquiar em diversas localidades. Foi chefe de redacção do semanário Nova Terra (Lisboa). Em Coimbra, para onde se deslocou definitivamente, foi ecónomo da Diocese, capelão do Carmelo de Santa Teresa e director do Correio de Coimbra. Era um homem de acção e um intelectual de inteligência viva e acutilante. De grande profundidade teológica e filosófica, legou-nos obras que ainda hoje não perderam a sua actualidade. Livros principais: Cursos de Cristandade em Renovação (Gráfica de Coimbra); O Erguer das Nossas Mãos Vazias (Gráfica de Coimbra); Senhor Não Te Canses (Gráfica de Coimbra); Leigos Segundo o Espírito (Gráfica de Coimbra); No Alvor do Quarto Dia (Gráfica de Coimbra). Almeida, Josefina (n. Açor, Colmeal, 28 de Dezembro de 1937) Artista plástica, com incursões que vão desde a pintura a óleo, mas que se tem destacado igualmente nos bordados a matiz sobre linho, cujos princípios se dividem entre o artesanato e as obras plásticas. Dedica-se igualmente à poesia e já participou nas Antologias de Poesia Contemporânea (volumes de 1988, 1989), além de haver sido incluída na Antologia de Poesia Erótica Contemporânea (1989) e nas Antologias de Poesia Portuguesa Contemporânea (1990 e 1991), lançadas pelas Edições Orpheu. Realizou exposições de bordados, em 2004, em Arganil e em Góis, mantendo uma mostra permanente no Hotel de Arganil, ponderando alguns críticos que os trabalhos de Josefina Almeida sobre linho – que sugerem a tradição de Castelo Branco – são «de grande sensibilidade», destacando-se os motivos de flores e árvores. Quanto às pinturas a óleo podem ser consideradas de inclinação naïf. Almeida, Manuel Nunes de (n. Foz da Cova, Colmeal, Góis, 23 de Maio de 1917) Só pôde aprender a ler aos 19 anos, mas passados seis meses, fez o exame da quarta classe. Depois do serviço militar, trabalhou na indústria hoteleira, fez o curso do liceu e, depois, a admissão à Faculdade de Direito, desistindo por ter de trabalhar, quando estava já no terceiro ano. Colaborador de várias publicações, é autor dos livros, em prosa e verso: O Homem e a Montanha (1971), Levante-se o Réu (1973), Missão de Mãe (1997) e O Homem Procura-se (2005). Tem 4 livros para editar. Costa, Fernando (n. Colmeal, Góis, 2 de Setembro de 1939 – f. Lagoa de Albufeira, 23 de Março de 2003) Colaborador da Imprensa Regional, publicou também trabalhos sobre História na Revista Arganília, mas foi principalmente como pintor naïf que se projectou, sobretudo por meio de exposições colectivas do género em numerosos salões de artes plásticas, em Portugal e até no estrangeiro. Uma observação especial merece ser feita: deu relevo muito especial na sua pintura às pessoas, paisagens e casas da Beira-Serra. Matos, Lisete de (n. Açor, freguesia do Colmeal, 3 de Junho de 1945) Lisete de Matos frequentou a escola de Cepos (Arganil), e estudou em Lisboa. No plano profissional, exerceu funções técnicas e dirigentes no Ministério da Educação, desempenhando ultimamente as funções de coordenadora da Unidade Regional do centro da Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos (Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade), com sede em Arganil. É autora de múltiplos artigos sobre educação de adultos e co-autora de monografias. Sobre a região, publicou Gente da Serra, Do seu Quotidiano e Costumes (1990), enquanto aguarda publicação da sua dissertação de mestrado em Sociologia, Gente da Serra. Modos de Vida na Cidade (2000). Escreve pontualmente para A Comarca de Arganil e Jornal de Arganil. Às notas insertas na breve antologia organizada pela Biblioteca Municipal de Arganil acrescentaremos que o livro Gente da Serra é uma recolha muito oportuna de coisas e loisas da Beira-Serra, recordando também certos provérbios que começam a ficar esquecidos. E a soma de informações, que vão desde a demografia até aos vocábulos e usos de antigamente, continua encerrando um profundo saber: há quanto tempo não os líamos e muito mais raramente os ouvíamos? E as histórias que os nossos avós nos contavam foram reconstituídas por Lisete de Matos – e ainda bem! De resto, um outro dos costumes ora reescritos ainda aparecem desgarrados, de vez em quando, nas conversas dos mais velhos das aldeias da nossa terra. E para quem não conhece a povoação de Açor a leitura desta Gente da Serra aqui se faz um convite, porque a autora nos conduz a um passado que podemos reviver, graças às páginas deste belo livro. A. Domingos Santos

Colmeal à noite

Aldeia Velha - Jovens habituados ao frio

No interior há mais hábito de lidar com temperaturas baixas. E há quem, desde muito novo, saia mais cedo para as aulas como se nada fosse. in rtp.pt Veja o vídeo da notícia RTP clicando aqui.
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06 janeiro 2009

Manuel Pinto Caetano

“Em Outubro de 1976 veio para o nosso meio o Padre Pinto. Desde o início nos surpreendeu o seu empenhamento na solução dos problemas sociais da região. Viemos depois a saber que já nos cinco anos que passou em Angola a sua acção na formação sócio-cultural do povo foi notável. Também na imprensa muito trabalhou para a solução dos problemas do bairro onde vivia, pois foi ali o responsável pelo jornal «Em Família». A sua acção na nossa freguesia não se tem limitado ao aspecto pastoral. Sabemos que visita com regularidade todas as povoações e dialoga com naturalidade e à vontade com o povo simples. O jornal «O Colmeal» sob a sua direcção converteu-se numa imprensa por vezes cheia de controvérsia mas ao mesmo tempo verdadeiramente útil ao povo que serve. Fundando o Rancho Folclórico «Serra do Ceira», deu um sentido cultural à ocupação dos tempos livres e promoveu a união da juventude da freguesia e não só. … Quando cheguei aqui apercebi-me que este povo estava isolado e simultaneamente havia-se criado a psicose do isolamento. As pessoas não conviviam. … Primeiramente pôs-se a funcionar o Centro Paroquial e criaram-se passatempos para juntar as pessoas. Faziam-se inclusive bailes nas tardes de domingo, bailes sãos note-se. Para criar um à vontade e um espírito sadio nestes divertimentos, eu próprio participei neles… … Embora eu gostasse de folclore, a verdade é que eu não percebia nada de folclore. Porém, verifiquei que nas festas anuais, quando se tocava uma moda do folclore, todos dançavam, novos e velhos. Aí pus-me a pensar: talvez seja um meio de juntar as pessoas. Começaram as trocas de impressões… Lança-se a campanha e o rancho aparece em público no dia 14-8-77. A partir daí nunca mais parou. Conheceram-se momentos difíceis, mas tudo se venceu e o Serra do Ceira hoje faz história. … Fazem-se projectos, calcula-se, sonha-se e o 1º Festival de Folclore Beirão, com a presença de seis ranchos, foi uma realidade que causou impacto. Nunca afluiu ao Colmeal tanta gente! O 1º Festival marca também o início de uma viragem dentro do Serra do Ceira. Há que converter o Serra do Ceira num valor cultural dentro da região. … Desde a sua fundação contámos com o apoio da União e com a simpatia dos seus dirigentes. Dentro das limitações da U.P.F.C., recebemos da mesma algum apoio económico, valeu-nos sobretudo em momentos difíceis. Cremos porém que caminhando o regionalismo para outra visão, num futuro próximo os movimentos regionalistas da freguesia deverão dar ainda maior apoio a este agrupamento. Ele será um promotor sócio-cultural inegável.” Foram excertos de uma longa entrevista que Fernando Costa fez ao Padre Pinto e que veio publicada no Boletim Paroquial “O Colmeal”, número 175, de Julho/Agosto de 1981, comemorativo dos 50 anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Fernando Costa terminava assim: “Esperamos que os regionalistas, os verdadeiros regionalistas, cheguem finalmente à conclusão que regionalismo não é unicamente empreendimentos de ordem material mas também promoção sócio-cultural.” Sabemos que o Rancho Serra do Ceira está a ser reactivado e que já foi feito um primeiro ensaio. Sabemos que a sua Tocata vai estar presente em Lisboa, na Casa do Concelho de Góis, em 31 de Janeiro, no Dia da Freguesia do Colmeal. Sabemos que quando se quer nada nos pára, nada nos demove. Acreditamos que o Rancho Serra do Ceira vai voltar a viver dias grandes como há anos atrás e que voltará a ser um valor cultural dentro da freguesia e da região. A. Domingos Santos

Vale do Ceira – Aqui Colmeal

Um poema O rio Ceira nasce na Serra do Açor e, entre serranias, as suas águas «correm de mansinho» – como dizia a canção – por diversos concelhos e freguesias. O rio Ceira é uma atracção para os veraneantes e tem sido, igualmente, fonte de inspiração para jornalistas, artistas e poetas… Da autoria do nosso conterrâneo José Fernandes Almeida, segue-se poema intitulado «RIO CEIRA»: Sua capela gelada Nasce nas escarpas heróicas Da Estrela de Viriato, Faz-se à vida e vai abrindo Sulcos de profunda dor Nos sopés das altanias, Vai regando e vai sorrindo… Serpenteando, beija os pés De Cepos e de Fajão Enlaça a Ribeira de Ádela Banha, doce, o Colmeal E, sobre um trilho arenoso De desgaste, de beleza, Corre para a sua princesa Para a linda vila de Góis… Corre corre o Rio Ceira Para os braços dos seus irmãos E com eles (unos) em Coimbra Beija as tricanas lavando, Canta o Fado dos doutores E segue mais pachorrento Rumo à cidade Figueira Rumo ao seu Atlântico Rumo aos Descobrimentos!... Ai Ceira do meu Mondego, No teu percurso peregrino Quantas ribeiras abraçaste Quantas lágrimas bebeste Do rosto das lavadeiras Da fronte das enxadas. Eu sei que viste, meu Ceira Quando lento ias passando, Lavradores em penhascos Nas falésias tecedeiras Fusos feitos nas encostas Lagares moendo sem água Vinho pouco nas ladeiras… Eu sei que viste, meu Ceira Mulheres e homens crispados No brejo da interioridade, Viste peitos radiantes De Viriatos e Infantes Chamados de Lusitanos!... Obrigado “Zé” Fernandes e continua a tua epopeia poética. 28 de Julho de 1999 FERNANDO COSTA In “O Varzeense”, de Agosto de 1999

Presépio

Visão de uma parte do Colmeal, qual presépio montado na encosta sobranceira ao Largo D. Josefa. O lavadouro, obra que tem a marca dos regionalistas, ainda resiste passados todos estes anos e está perfeitamente integrado no casario envolvente. Casas de pedra à vista, poucas, mas que ainda nos lembram tempos de outrora. Foto de Artur da Fonte

A preto e branco

... Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria... Há quanto tempo a não via! E que saudades, Deus meu! ... Augusto Gil (1873/1929), Balada da Neve

Regionalismo… e regionalismo

Regionalismo é a ideia, a causa, o sistema ou a doutrina política e social dos que procuram superar as carências ou defender os interesses de uma região, geralmente a sua. Esta a definição circunstanciada dos dicionários. Do que eles não falam, é das dificuldades, da dedicação e labuta, da grandeza fraterna e do conteúdo humanístico inerente à Causa Regionalista. Vamos hoje focar alguns aspectos desta causa, que como todas, poderá ser avaliada de diferentes vértices ou pontos de vista, analisada de diversos parâmetros, sem que uns se sobrelevem aos outros ou os subestimem. Se não… vejamos. Um jovem, recentemente «apanhado» nas andanças do Regionalismo, dificilmente poderá imaginar o que foram os tempos primórdios dessa bela ideia; dificilmente poderá avaliar quanto esforço, quanta luta, quanta canseira, vividas na concretização de cada um dos melhoramentos alcançados. Por cada um deles; a obtenção do telefone ou da corrente eléctrica, a concessão de valores declarados ou encomendas postais, a abertura de uma escola encerrada por falta de regentes escolares, a construção de lavadouros, marcos fontanários e caminhos; quantas solicitações e quantas voltas, entrevistas, quantos passos repetidos, quantos desesperos, quantas incompreensões!... Nesses tempos, até lutar era mais duro. Por outro lado, poucos serão os melhoramentos da Freguesia, se é que existem, em que a actuação do Regionalismo e dos regionalistas, não andasse neles empenhada e envolvida. Consideremos um exemplo: Durante anos e anos, a estrada Rolão-Colmeal, a única via de comunicação então viável, foi o «quebra-cabeças» de Direcções consecutivas. Ora, um jovem regionalista, dificilmente poderá conceber as dificuldades a superar, os desânimos, a tenacidade, por cada quilómetro conseguido. Foi incontestavelmente uma luta de gigantes, dadas as dificuldades a vencer, as parcas posses disponíveis e os exíguos recursos da época, luta a que muitos deram denodadamente e durante os seus dias, o melhor de si próprios. Os tempos tornaram-se entretanto mais fáceis. Mudam-se os tempos… mudam-se as virtudes! Se o narrado é uma verdade, teremos igualmente de tomar em conta que um homem de hoje, em plena maturidade e com toda uma existência virada para o Regionalismo, tenha também ele algumas dificuldades em aceitar e compreender os argumentos dos regionalistas mais jovens, quando estes, tocados por uma nova realidade e ambiciosos de horizontes mais vastos, entendem que os melhoramentos deveriam ser confinados aos organismos oficiais, ao poder executivo e autárquico, e o regionalismo teria para si que ambicionar preocupações sociais mais profundas. Não se trata de negar o Regionalismo e os seus valores de sempre, mas sim a preocupação de senti-lo numa nova dimensão. Ao fim e ao cabo todos têm razão… e quando todos a têm é o mesmo que não tê-la ninguém; ou ninguém ter pelo menos o seu exclusivo. Tudo isto impõe um momento de reflexão. As divergências que possam eventualmente surgir, deverão ser aceites como caracterizadas pela subjectividade pessoal de cada um de nós, sem que o sentido colectivista da Grande Família Regionalista seja afectado. Assim também, a aparente rivalidade entre localidades da mesma freguesia e o aparecimento de blocos, deverão ser entendidos como a natural competição ou tendência dos que procuram alguma coisa mais para a sua terra, sem que o sentido de Unidade Regional mais vasta se perca. Todos seremos ainda muito poucos e estará sempre ao alcance de todos nós algo a fazer, por manter essa Coesão Regional. A diversidade de conclusões e pontos de vista numa análise ou discussão, devem ser consideradas razões da inteligência humana e não fruto de intolerância. As dificuldades de uma família devem contribuir para a aproximação dos seus membros e não o contrário. Cremos que isto, ainda e sempre, será também FAZER REGIONALISMO.
JOÃO LISBOA
In Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 154, de Setembro de 1979 Quando se estão a comemorar os 80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis e se prepara o Dia da Freguesia do Colmeal para 31 de Janeiro, esta análise de”João Lisboa” parece manter toda a actualidade e oportunidade, quase trinta anos depois. A. Domingos Santos

04 janeiro 2009

DIA DA FREGUESIA DO COLMEAL

(clicar nas imagens para ver o nosso convite e programa)
31 de Janeiro de 2009
Vai ficar na nossa memória como sendo uma data ímpar na História do Regionalismo. Quando se comemoram os 80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis, a União Progressiva e as restantes colectividades regionalistas da freguesia do Colmeal, têm o grato prazer de vos convidar a estarem presentes na Casa do Concelho de Góis, Rua de Santa Marta, 47 R/C Dtº em Lisboa. O programa que se apresenta em anexo e que esperamos venham partilhar connosco, é simples e despretensioso. Queremos privilegiar o que de melhor temos na região, que são as pessoas, mostrar o que elas sabem fazer nos vários domínios e como não podia deixar de ser, recordar e falar um pouco do regionalismo, dos seus intérpretes e da obra que nos deixaram. A vossa presença e dos vossos familiares será determinante para o sucesso desta iniciativa. UPFC

As tabernas: tertúlias do passado

“As tabernas foram, ao longo de séculos, as tertúlias dos nossos idosos. Local de relevo onde, nas tardinhas de Verão ou nas longas noites de Inverno, se ouvia o trinar de uma guitarra e de uma viola, assim como a voz, por vezes já cansada, do aldeão, recitando com nostalgia o Fado Chorado, Corrido ou Mouraria. Tínhamos também o fado cantado ao desafio que por vezes terminava até com mal entendidos. Era nas Tabernas/Mercearias, que o cidadão se abastecia dos produtos de primeira necessidade, havendo alguns que deixavam atrás de si elevados calotes; era nestes estabelecimentos que se divulgavam todas as notícias das aldeias, uma verdadeiras, outras por vezes falseadas. Hoje, as tabernas estão em vias de extinção nas nossas aldeias serranas. A primeira causa é a desertificação das mesmas. A segunda, é o seu abandono pelos nossos idosos que ao atingirem uma certa idade, vão passar os seus últimos anos de vida num Lar, levando consigo apenas a saudade dos que vão partindo, e dos amigos com quem conviviam e repartiam os seus tempos de veraneio. Em Carvalhal do Sapo, o Sr. Moreira, com a bonita idade de 87 anos, já encerrou as portas da sua velhinha Taberna/Mercearia, que foi ao longo de muitas gerações local por excelência de cavaqueira entre o cidadão comum, assim como ponto de encontro de tocadores de concertina, guitarra e viola, acompanhados de vozes castiças, por vezes magoadas que, com mestria, cantavam o Fado Chorado. Segundo os critérios dos senhores da ASAE, este estabelecimento não possuía as condições que a Lei exige para se manter de portas abertas ao público. Portanto ao Sr. Moreira, que não pode suportar o custo das obras que a Lei exige, restou-lhe apenas uma alternativa – encerrar definitivamente as suas portas. Nesta tarde de Verão, ao passar pelo Carvalhal do Sapo, não podia deixar de visitar este velho e simpático Amigo. Verifiquei a sua tristeza, o seu desalento, por ter que encerrar as portas da sua Taberna /Mercearia, estabelecimento que manteve aberto ao público durante cerca de 54 anos.” Com a devida vénia transcrevemos parte da Crónica de Férias publicada em 24 de Julho de 2008, no Jornal de Arganil e de autoria de Victor de Jesus Almeida. Ao trazermos este apontamento ao nosso blogue, fazemo-lo por nos ter chegado a notícia do falecimento inesperado do Sr. Moreira. Este Homem, que conhecemos desde os nossos tempos de miúdo, era um marco e uma figura inquestionável e respeitada na aldeia do Carvalhal e na nossa freguesia. Todos ficamos mais pobres sem a sua presença. A. Domingos Santos

Figuras e factos

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“O ano que decorreu, o do 40º aniversário do regionalismo colmealense, pareceu apostado em se mostrar deveras simpatizante com a nossa terra, caso da electrificação – a maior benesse que nos podia ser dada como brinde de Natal – e outros empreendimentos estão encaminhados de forma a revelar novos rumos a este escondido e desconhecido recanto do Vale do Ceira. Nesta parcela do «Portugal Desconhecido» com cheirinho a serra, que tem o acolhedor Colmeal, terra onde têm nascido inúmeros homens de vontade indomável e rija têmpera, os quais através do regionalismo têm assegurado um futuro melhor e mais risonho aos que, por circunstâncias várias, militam e ao qual vão transmitindo alguma vida. Entre aqueles nossos conterrâneos de vontade férrea encontra-se João de Deus Duarte, um colmealense que honra a sua terra e é credor de grande estima entre a numerosa colónia na capital. Durante vários anos foi tesoureiro da União Progressiva e pela forma como exerceu o cargo, com competência, zelo e honestidade – sem esquecer que foi na sua época que as depauperadas finanças da colectividade foram equilibradas – é merecedor da nossa admiração. É um dos baluartes do regionalismo colmealense. E, por uma questão de justiça, não podemos deixar de referir que quando das inúmeras deslocações efectuadas à nossa sede de freguesia durante a sua gerência, a casa dos seus pais, foi sempre colocada à disposição das gentes que a este movimento se encontram ligadas através da colectividade que representa a aldeia. Ao seu espírito arrojado de homem decidido e de excepcionais qualidades de trabalho, se deve a sua óptima situação industrial. À custa de uma perseverança e tenacidade admiráveis, conseguiu João de Deus Duarte uma posição prestigiosa no meio em que exerce a sua extraordinária actividade – uma actividade metódica e constante que começou sempre de baixo para cima, pelos alicerces, cuidando sempre de consolidar o princípio antes de chegar ao meio e revigorando este antes de atingir o fim. A par das suas invulgares qualidades de trabalho e de exemplar chefe de família, como regionalista é sempre dos da primeira linha e vários cargos tem ocupado na direcção, conselho fiscal e Assembleia-Geral da União Progressiva, porque João de Deus Duarte já faz parte da «mobília» da colectividade. Desde os primeiros anos da sua vida lisboeta, até ao presente, é um exemplo edificante de quanto pode realizar, com dignidade, esforço metódico, tenacidade, inteligência e critério – a vontade forte duma alma nobre admirada por toda a gente de bem. É natural que o vamos ferir na sua modéstia e simplicidade, mas, embora ligeiramente, não podíamos deixar de, nesta secção, fazermos referência a quem ao longo de mais de vinte anos tem sido um trabalhador indómito e dedicado a tudo quanto diga respeito ao progresso do Colmeal.” in Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 114, de Março de 1972 João de Deus Duarte é eleito pela primeira vez na Assembleia-Geral de 25 de Janeiro de 1952 (dia em que morre um grande Homem da União, António Domingos Neves) para o lugar de Vogal no Conselho Fiscal. Integra a Comissão de Assistência de Abril de 1954 a Março de 1958, quando passa a Tesoureiro e onde se mantém até Março de 64. Passa então a Primeiro Vogal na Direcção de António Santos Almeida (Fontes). Em 23 de Abril de 1967 passa a Segundo Secretário da Assembleia-Geral, voltando à Direcção, como Vogal Suplente na eleição seguinte. Assume a Vice-Presidência da Direcção com Armando Nunes dos Reis, em 9 de Março de 1969 e até 21 de Março de 1971. Regressa à Assembleia-Geral como Primeiro Secretário e assume este cargo até 9 de Março de 75, quando assume a Vice-Presidência do mesmo órgão. Preside à Assembleia-Geral realizada em 21 de Julho de 1976, secretariado por António Domingos Santos e Maria Cecília Oliveira Barata. Terá sido esta a sua última participação a nível regionalista. A morte, num brutal acidente de viação, ficou assim registada na imprensa regional. JOÃO DE DEUS DUARTE – Um colmealense, um amigo Faleceu João de Deus Duarte. A notícia, que nos surgiu seca, cerca das 19:15 horas do passado dia 16, surpreendeu-nos, surpreendeu especialmente todos os colmealenses, e nomeadamente os conterrâneos que durante determinado período com ele trabalharam na direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, em cujas reuniões semanais cimentaram e ampliaram a amizade que os unia desde a mais tenra idade. João de Deus Duarte, um regionalista, um amigo pessoal, um amigo da terra, faleceu ainda jovem aos 52 anos de idade. Ficam, pois, o Colmeal e o regionalismo mais pobres. FERNANDO COSTA in "Jornal de Arganil", 23 de Setembro de 1976 do espólio de Fernando Costa O seu nome está perpetuado numa rua do Colmeal. Recolha de A. Domingos Santos Foto cedida por Lurdes Iria

31 dezembro 2008

Mensagem de Ano Novo

Quando apenas algumas horas nos separam do Novo Ano, queremos aqui deixar-lhe uma pequena e última mensagem. Uma mensagem de esperança para que 2009 continue a permitir-nos poder contar com a sua inestimável presença nos eventos que iremos levar a cabo. Uma mensagem de muita solidariedade para os que se viram obrigados a partir para terras distantes e que não nos esquecem nem esquecem a sua terra. Uma mensagem de grande agradecimento a todos quantos connosco colaboraram nas várias iniciativas e que tornaram possível o nível de realização atingido. Uma palavra de muito apreço e regozijo para com as colectividades congéneres da freguesia com quem temos vindo a trabalhar em sintonia para que o DIA DA FREGUESIA DO COLMEAL seja um êxito. Que 2009 nos traga, a todos, grandes sucessos no campo regionalista! UPFC
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COLMEAL - A União Progressiva vai a Santiago de Compostela

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal anunciou há pouco mais de mês e meio a intenção de realizar uma excursão a esta bela região e em particular a esta cidade tão rica em motivos religiosos e arquitectónicos. O primeiro grupo de 40 participantes esgotou de imediato e assim, vimo-nos obrigados (mas satisfeitos) a negociar com a Agência um segundo grupo de cinquenta. Neste momento apenas estão disponíveis quatro lugares. Recordamos que o passeio se efectuará no fim-de-semana alargado de 1, 2 e 3 de Maio de 2009. Com partida e chegada a Lisboa, haverá uma paragem em Coimbra para receber os participantes do Colmeal. Se ainda não se inscreveu… de que está à espera? Venha! …mas despache-se!... Já sabe que viajar com a União do Colmeal vale a pena. Para que fique a saber um pouco mais do que iremos encontrar, aqui lhe deixamos este pequeno apontamento. Santiago de Compostela é uma cidade espanhola considerada a capital cultural da Galiza. A Galiza, comunidade autónoma da vizinha Espanha ocupa a parte Noroeste da Península Ibérica, fazendo fronteira com Portugal através do rio Minho. Engloba as províncias de La Coruña, Lugo, Orense e Pontevedra. As terras galegas são as mais antigas da Península, sendo o Maciço Galaico caracterizado por numerosas montanhas pouco elevadas. Os seus rios são curtos, regulares e rápidos e tem uma costa muito recortada, com numerosas rias e cabos. A pesca constitui uma das maiores riquezas da região, para além do turismo.
A catedral de Santiago de Compostela (séculos XI e XII) ostenta o célebre Pórtico da Glória, uma obra-prima da escultura românica e encerra o túmulo do apóstolo S. Tiago Maior, padroeiro de Espanha (sob o altar na parte Leste). Com a descoberta do túmulo do apóstolo São Tiago no ano de 813, Santiago de Compostela tornou-se um dos centros de peregrinação mais importantes do mundo. Foi, juntamente com Roma e Jerusalém, um dos mais famosos centros de peregrinação da Idade Média. As numerosas vias que conduziam a Compostela, os Caminhos de Santiago, foram extraordinários agentes de intercâmbio cultural e nelas se fundaram grandes igrejas para apoio dos peregrinos A maioria dos peregrinos utiliza o Caminho Francês que começa em Roncesvalles ou em Sain Pied de Port, passando através de Espanha, em direcção a Santiago de Compostela, como ainda muito recentemente António Lopes Machado referia nas suas crónicas semanalmente publicadas em “A Comarca de Arganil”. São vários os motivos que levam a empreender a viagem pelo Caminho Francês em direcção a Compostela. A busca da santificação ou o maravilhoso caminho já não são actualmente as únicas intenções dos viajantes. A procura de si próprio, a arte ou a ideia de chegar a pé ao fim do mundo são as razões que levam o peregrino a percorrer um caminho tão longo. É uma tradição que remonta a tempos imemoriais e que os nossos antepassados cumpriram, transmitindo-nos sabedoria, crenças, ideias e imaginação.
Santiago de Compostela é muito justamente considerado um dos pilares do cristianismo, pois alberga 46 igrejas, 114 campanários, 288 altares e 36 congregações. Revela-nos uma arquitectura religiosa e muito antiga. Existem exemplares excepcionais que podem ser admirados, como, por exemplo, dois anjos do século XIV com óculos, integrados num alto-relevo ou uma Virgem Maria grávida, na entrada de uma igreja. Merecem ainda referência a Universidade, fundada em 1532, e o Hospital Real (hoje transformado em hotel), construído pelos Reis Católicos (1501-1511). A Universidade de Compostela tem mais de 500 anos. Propõe mais de sete dezenas de licenciaturas, meia centena de doutoramentos e inicialmente tinha cerca de meio milhar de alunos. Hoje, esse número rondará os 35 mil. Muitas bibliotecas e edifícios modernos estão agora à disposição dos alunos, para além de todos os que, de origem religiosa, foram remodelados de forma a poderem cumprir o seu papel como instituições universitárias. Refira-se, a título de curiosidade, que a biblioteca principal dispõe de um milhão de livros. O primeiro edifício universitário construído remonta ao século XIV. É onde funciona a Faculdade de Geografia e História, na Plaza de Mazarelos e aí, na sua biblioteca, poderemos encontrar o livro mais antigo da Galiza, “De las horas”, escrito em 1055. Há pouco mais de vinte anos, em 1985, a catedral de Santiago de Compostela foi declarada Património Mundial da Cultura pela UNESCO. A sua fachada principal é conhecida como Obradoiro, ou seja, “trabalho de ourives”, porque foi trabalhada de forma muito artística e detalhada por pedreiros em princípios do século XVIII. A construção da actual catedral iniciou-se em 1077, durante o reinado de Afonso VII. A superfície da catedral ronda os 23 mil metros quadrados. A sua primeira construção, entre os anos de 791 e 842 foi uma capela, durante o reinado de Afonso II. Mais tarde foi destruída pelas lutas contra os Mouros e pelos levantamentos dos camponeses.
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UPFC

ALDEIA VELHA

. Eu tenho por ela uma certa afeição, Sinto tremer o coração Cheinho de emoção. Sempre que me falam nela Eu pareço um barco à vela. Gosto dela de verdade, Por ela sinto a saudade, O amor que me prende a ela, O amor de um filho amado Que não desperdiça um bocado. Para mim não há no mundo Com um amor mais profundo, Terra de que possa gostar mais, Pois é lá que estão meus pais. Foi lá que eu nasci e cresci, Foi lá que eu vivi A minha pouca mocidade, Foi lá que vi a liberdade, O amor por cada qual Onde tudo é igual. É por isso que eu gosto da serra É lá que é a minha terra, Essa aldeia pequenina Moça como uma menina Com pouco tecto de telha, Ah!... minha Aldeia Velha!... Av. 28/12/969 H. B. M. In Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 102, de Fevereiro de 1970. .

O nosso rio...

Não é bem nosso. É de todos e para todos. Dos locais mais belos da nossa freguesia do Colmeal e talvez o mais fotografado. O caudal revela-nos que o Inverno terá chegado. Os balneários recordam-nos o trabalho que foi desenvolvido há quase quarenta anos. "Quando a ideia da construção dos balneários foi lançada, havia a dúvida quanto a aceitação da mesma e quanto à possibilidade de angariar dinheiro suficiente para os trabalhos já que esta é mais uma das muitas obras que não têm o patrocínio de entidades oficiais, e a única fonte de receita é o povo." in Boletim Paroquial "O Colmeal", Nº 112, de Julho de 1971 Foto de Fernando Neves

Lendo aos poucos... (VII)

“memórias e esperanças” De autoria do Eng.º João Nogueira Ramos e publicado por ocasião do cinquentenário da Casa do Concelho de Góis, este livro, autêntica Bíblia do Regionalismo, tem sido um precioso auxiliar para todas as colectividades numa altura em que se comemoram os 80 anos de regionalismo no concelho. Tem sido uma fonte inesgotável onde todos temos ido beber. É um livro que devemos ter na nossa biblioteca e de leitura obrigatória para todos quantos andam envolvidos nas suas Comissões de Melhoramentos, Ligas, Uniões ou Grupos. Imperdível a sua leitura. Como diz Carlos Alberto Poiares na introdução “… é sabido que o associativismo tem nascido, em larga medida, de colónias de migrantes, deslocados das suas terras para a capital, em busca de melhores condições de vida, em particular ao longo da segunda metade do século XX. Dessas transferências de populações têm emergido dinâmicas relacionais coesas e cúmplices, ancoradas na partilha de ansiedades, angústias e expectativas. Mas estes percursos colectivos em prol da defesa e promoção dos povos do interior apresentam também, com frequência, intencionalidades de contestação, de irreverência e de inconformismo face aos poderes – central e, por vezes, local – que iam deixando abandonadas essas terras e as suas gentes. O regionalismo pode ter como elemento contribuinte do seu desenvolvimento – e também da sua longevidade – esse entrecruzamento de relações grupais, geradas como mecanismo de defesa, alicerçando-se em objectivos comuns e imperecíveis, repartindo-se pelas aldeias e vilas que coabitam na Grande Lisboa.” Como refere um pouco mais à frente “muito do que se pode – e deve – fazer na vida é apenas por paixão, desinteressadamente, quando convertemos ideias e princípios em objectos de investimento afectivo.” De acordo com João Nogueira Ramos “… De características serranas, com escassos recursos naturais, de vida assente primordialmente numa agricultura feita em terrenos poucos férteis, os autóctones partiam à procura de melhores condições de vida, muitas das vezes inseridos numa estratégia para a sua própria sobrevivência. … Outros procuravam a região de Lisboa, onde seria mais fácil encontrar emprego duradouro, para restabelecerem a sua vida, num movimento que se iria realizar em cadeia, muitos deles mandando vir os seus conterrâneos, familiares ou amigos, através de redes informais… … Como outros mais seriam estivadores, aguadeiros, limpa-chaminés, “almeidas” ou moços de esquina, aqueles que, com uma corda ao ombro, nos cruzamentos das artérias mais movimentadas da capital, estavam prontos para todo o trabalho pesado que lhes fosse solicitado. Ficam com uma ligação muito estreita aos seus locais de partida, onde normalmente deixaram casa e outros bens e, muitas vezes, parte do seu agregado familiar. Por isso, ali retornam com frequência, para conviver com a família e com os amigos, passar férias, ou participar em festas e acontecimentos locais, nomeadamente em fins-de-semana. A este movimento, vai estar ligado um associativismo, sui generis em relação a movimentos migratórios de outras zonas do país. Vindo de um interior rural, aparentemente rudes e com poucas preparações académicas, sujeitando-se aos serviços mais duros, não se apresentava fácil a sua inserção em meio urbano. Tendo deixado na terra natal a família, é no associativismo que encontram um meio de estabelecer contactos com os conterrâneos, não apenas para convivência e solidariedade, mas também para defesa dos seus bens locais. E a intenção do regresso, quando as condições o permitissem, estará sempre presente. Rapidamente se juntam em pequenas comunidades de sentimento, sonhando e projectando em conjunto. Cada associação diz respeito a uma aldeia, a partir de um sentimento de pertença à sua comunidade de origem, o que lhe transmite grande força para a sua actividade. Formaram-se no início, é certo, associações cobrindo o espaço da freguesia, em zonas onde, na época, a pertença a esse nível espacial era forte, mas vieram com o tempo a desactivar-se, quando esse sentimento foi preterido pelo da aldeia natal. O regionalismo é uma estrutura de sentimento, um estado de espírito, imbuído em práticas inter-culturais, num espaço de exteriorização colectiva das ligações dos emigrantes às suas origens, com as quais se identificam social e culturalmente. Para se ser regionalista não basta gostar da sua terra natal e colaborar, por solidariedade ou por prazer, no seu progresso. Ser-se regionalista é, para além disso, ser-se emigrante e, simultaneamente, fazer parte da sociedade de origem. É um “ausente-presente” no dizer de Rocha-Trindade, “com um pé cá e outro lá”. Neste movimento, sobressaiu, desde o início, a sua voz reivindicativa junto do poder público, para a concretização de obras, geralmente infra-estruturas e equipamentos de base mais prementes. Deixava, deste modo, transparecer uma das suas principais preocupações, a melhoria das condições de vida das gentes que lá ficaram e o engrandecimento da terra natal. Essa fase praticamente terminou, mas pelo facto de as autarquias hoje possuírem outros poderes e outros meios de as realizar. Agora parece prevalecer a opinião de que a sua acção deve ser orientada de preferência para as áreas da cultura, de guardião do património e do ambiente, de preservação da memória, das tradições e identidades locais, na base de uma inovação de atitudes e de valores, para além da promoção de solidariedade e convívio que, desde sempre, as caracterizaram. As Comissões de Melhoramentos constituem a guarda avançada de uma cultura popular que teima em não se perder, uma cultura rural com as suas formas próprias de interacção, e que pode constituir uma barreira à nova cultura igualadora trazida pela globalização. Cada uma das aldeias, as “micropátrias” de Rocha-Trindade, contém em si uma microcultura popular, cujo somatório constitui um valor inestimável para a identidade cultural do concelho. Para além do movimento servir de base para uma estratégia de revalorização do concelho e de elo de ligação ao global, do rural ao urbano, pressente-se um entusiasmo, nomeadamente dentro das novas gerações, de querer levar por diante novas realizações, ainda que numa vivência cultural diferente da de um passado não muito distante, agora na base de outros padrões de cultura.” A União Progressiva da Freguesia do Colmeal agradece ao Eng. João Nogueira Ramos o grande contributo que com esta obra veio dar para um melhor conhecimento e compreensão do regionalismo no concelho de Góis. E terminamos citando mais uma das suas frases “… as Comissões de Melhoramentos, tal como no passado, continuam a ser depositárias de grandes esperanças para o desenvolvimento do concelho.” A. Domingos Santos

COLMEAL - Um testemunho e uma história

Se nos fosse permitido comparar a situação geográfica das aldeias da Serra de hoje com esses pontos minúsculos e negros como castanhas defumadas, que foram os povos de há dois ou três séculos, certamente que nos perguntaríamos como era possível a esses povos realizar a sua vida e suportar a sua existência numa zona alcantilada, inóspita e deserta como a nossa. Porque, enquanto no litoral ou na planície o homem se cruzava atraído pela pesca ou pelo comércio, na montanha ele só podia manter-se aliciado por três factores: exploração do minério, a guerra e a caça. Sabe-se, porém, que a fauna da velha província lusitana não era rica em produtos. Em regra, o habitante das montanhas não lhe aproveitava mais do que a carne para se alimentar e a pele para se cobrir. Nada mais tinha a pedir ao veado, ao porco-bravo, à cabra selvagem ou ao coelho do mato. Se o montanhês caçava, não o podia fazer em nome de uma profissão, mas pela necessidade de amparar a sua pequena economia, servida por outros produtos de fraca escala. Mas, também não se pode considerar a guerra como causa da fixação das populações serranas. As montanhas eram de acesso difícil, sem várzeas férteis de agricultura rentável. Por isso, nem castelos, nem fortalezas, nem redutos. As vertentes da Beira-Serra nunca foram mais do que um labirinto aberto, recortado por veredas íngremes, escondidas nos matos por onde o caminhante mal se lobrigava. Não há vestígios duma estrada romana ou duma povoação mourisca. O seu dorso, eriçado de tojo, estevas e urze, assemelhava-se ao lombo dum rebanho de porcos selvagens adormecidos num redil de muitas léguas. Nunca ali houve um torrão que chegasse para premiar algum nobre que se tivesse notabilizado nas campanhas do reino. Os seus retalhos de campo arável não chegavam para neles assentar um brasão e uma legenda. Por isso, nem duques, nem marqueses, nem barões. Donde se conclui logicamente que só o minério poderia ser a causa única e capaz de se deslocarem para aqui os obreiros que tiveram a dita de desbravar os primeiros palmos de terra. A confirmá-lo vem o facto de as nossas montanhas estarem perfuradas de lés a lés, sem contudo se conseguir hoje determinar a maior parte das entradas e saídas das suas minas, o seu rumo e profundidade. O Colmeal está numa das zonas mais exploradas. Quer a margem direita quer a margem esquerda do Ceira foram cantos que o romano explorou com arte e sabedoria. Há mesmo povoados escondidos na Serra de hoje que não podiam ter outra génese senão um arroio de água e uma boca de mina ou então um ponto estratégico para viver uma vida rudimentar sem andar exposto às feras. Veio depois a idade da agricultura, da plantação da oliveira, do sobreiro, do castanheiro, da vinha e cereais. Muitos locais antigos foram aproveitados e alguns aterros utilizados para as primeiras hortas. É então que as povoações nascem verdadeiramente e se começa a conhecer o seu nome. É então que nascem os Soutos, os Colmeais, os Sobrais, Carvalhos, Cabreiras, Malhadas, Matas, Azinhais, Vales Verdes, Várzeas, Castanheiras, Salgueirais e tantas outras terras pelas quais hoje damos tudo a fim de que, embora nascendo em regiões sáfaras, subam ao nível de tantas bafejadas pela sorte. É o caso do Colmeal. Embora seja ainda hoje uma povoação modesta, não podemos dizer que seja recente. Na Serra, são poucos os casos de povoações que se fizeram em cem anos. A falta de comunicações e o separatismo que até há pouco vigorou entre ricos e pobres não davam margem a casamentos precoces e fáceis. Por isso, embora o casal dispusesse de dois ou três elementos capazes de se multiplicarem, nem sempre isso era fácil ou a tempo de serem tronco de famílias numerosas. O que nos leva a concluir que o desenvolvimento humano das nossas aldeias levou algumas centenas de anos a realizar-se e, desse movimento a passo curto, redundaram atrasos que ainda hoje sentimos. Não nos admiremos, pois, se ainda nos falta muita coisa. Mesmo assim poderemos considerar-nos felizes, pois que, precisamente esta estagnação de pessoal e coisas, levou os filhos da Serra a entrar num clima de aventura, clima onde depois, mais tarde, haveria de nascer o regionalismo, o grande movimento que levou uma profunda transformação a todos os cantos da Beira-Serra. É esta uma das facetas mais importantes da gente do nosso tempo, que se nota em linha apreciável, no Colmeal e sua freguesia. O que o progresso aí conseguiu realizar bem se pode classificar de prodigiosa renovação, devida, em grande cota, ao bairrismo dos seus filhos, perfeitamente sintetizado no labor dos militantes da sua Comissão regionalista e no desejo dos seus primeiros homens em verem o Colmeal actualizado e bem servido. É o que nos parece revelar a sua estrada da Serra, os seus calcetamentos, a sua casa Paroquial, o Centro e as diligências feitas para a construção duma nova Igreja. Por tudo isto, merece o Colmeal e a sua gente os nossos parabéns e o jornal que divulga as suas necessidades e as suas belezas uma palavra de alento. Trabalhar para viver e viver para trabalhar. C. BORGES DAS NEVES in Boletim Paroquial “O Colmeal”, número comemorativo do 40º aniversário da U.P.F.C., Julho de 1971 A pouco mais de um mês da realização em Lisboa, na Casa do Concelho de Góis, do nosso Dia da Freguesia do Colmeal, no âmbito das comemorações dos 80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis, nunca será demais recordar o que ao longo dos anos se foi escrevendo na imprensa regional e neste caso particular, no extinto Boletim Paroquial “O Colmeal”, sobre as nossas colectividades e o regionalismo. A. Domingos Santos

Sorridentes e apanhadas...

As duas manas, sorridentes como sempre e em amena cavaqueira, nem deram pela objectiva do fotógrafo. Foi há pouco mais de um ano, no dia seguinte ao magnífico Magusto que se realizou no Parque de Merendas das Seladas. Maria Eugénia e Josefina, sempre presentes nas acções desenvolvidas pela União Progressiva. Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal – as nossas colectividades

Grupo de Amigos do Sobral, Saião e Salgado
“A colectividade engloba as aldeias de Sobral, Saião e Salgado, entre as quais sempre houve uma grande aproximação, bem como o casal Vale de Asna. Antes da sua constituição, em 4 de Outubro de 1977, já havia um grupo de trabalho informal, promovendo algumas realizações nas povoações. Tem-se notícia de, nos anos 60, terem adquirido um posto público de telefone e, em colaboração com os serviços florestais, abrirem a estrada Sobral-Mimosa. Nos anos 70 seria a construção do adro da capela; a abertura e construção das estradas Selada da Cova e Sobral-Primendes; a mina na Panasqueira, para abastecimento de água ao Sobral, com as canalizações e depósito de água; e a elaboração do projecto para fornecimento de energia eléctrica às três aldeias. Seria só em 1982 que os seus estatutos eram oficialmente aprovados e registados, tendo sido eleitos os primeiros corpos sociais. Foram eles: na Direcção, Maria Leonor Nunes (presidente), Joaquim Ventura, Manuel António, Carlos de Jesus e Américo Vicente; e nas presidências da Assembleia-Geral e Conselho Fiscal, respectivamente, Artur Augusto e Carlos Navarro. Nessa década de 80, procedeu-se à melhoria da estrada do Sobral até ao rio Ceira e seria aberta a estrada a partir da municipal 543 até ao Saião e Salgado, que viria a ser alcatroada em 1996. Em 1990 é adquirida a Casa de Convívio do Sobral, onde, em anos seguintes, se fariam obras de beneficiação e ampliação, com instalação de equipamento. Em 1999, é a vez da Casa do Salgado, com terrenos anexos, na qual seriam levadas a efeito obras de recuperação, para servir esta aldeia e Saião. A colectividade ficaria assim com duas casas de convívio, uma delas posta à disposição da Assistência Social, gratuitamente, ali tendo funcionado um Centro de Dia. Em 2000, a iluminação pública seria ampliada às três aldeias. De registar que, recentemente, foi atribuído o diploma de sócio benemérito a Manuel Zacarias Teixeira Rego. Com cerca de 140 sócios, a Direcção actual, jovem e cheia de entusiasmo, está empenhada no melhoramento das condições de vida local. Com uma página na Internet, presta constantes informações sobre a colectividade e as aldeias. Em Sobral residem doze pessoas, em Saião nove e em Salgado sete, mas em Lisboa a sua comunidade ultrapassa, segundo se pensa, quatro centenas de pessoas, muitas delas com grande desejo de regressar às suas origens. Querem terminar a Casa de Salgado e prosseguir os esforços de convívio, de modo a aumentar o espírito de solidariedade e união no seio da sua comunidade.” In “memórias e esperanças”, de João Nogueira Ramos, edição da Casa do Concelho de Góis, 2004

27 dezembro 2008

A FREGUESIA DO COLMEAL MAIS UNIDA

No passado dia 15 de Novembro, realizou-se em Lisboa, o primeiro ENCONTRO-CONVÍVIO, de todas as colectividades regionalistas da freguesia. União Progressiva da Freguesia do Colmeal; Comissão de Melhoramentos de Ádela; Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais; União e Progresso do Carvalhal; Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais e Comissão de Melhoramentos do Soito – organizando este encontro, realizaram em plenitude o aforismo que diz: «a união faz a força». Com efeito, a desagregação das pessoas gera a dispersão de energias. Disso se aperceberam as direcções das várias colectividades da nossa freguesia. Em anos anteriores tivemos tantos almoços, quantas comissões. Este ano tudo se modificou. O encontro-convívio foi pensado de longe para que à última da hora não houvesse o recurso ao improviso. Uma Comissão constituída pelos presidentes das várias direcções tomou a seu cuidado a organização do programa. Ele foi pensado de tal maneira que o corpo e o espírito, Deus e o homem se encontraram. Às 11.30 horas, na igreja de S. Nicolau, foi celebrada Missa por intenção de todos os Colmealenses, … e de tarde, teve lugar, em Cacilhas, no Restaurante Gonçalves – GINJAL, o almoço de confraternização, presidido pelo ilustre Colmealense, deputado Dr. Manuel Martins da Cruz, tendo à sua direita os Padres Américo Brás da Costa e Anselmo Ramos Dias Gaspar, Dr. João da Silva Campos, Alfredo de Oliveira e António Joaquim Moreira, da Casa da Comarca de Arganil; António Gonçalves Nunes, da Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra e da Comissão de Melhoramentos dos Cepos e António Lopes Machado, redactor em Lisboa de «A Comarca de Arganil»; e à esquerda os Srs. Armando Gualter campos Nogueira e Joaquim de Brito Ribeiro, da Casa do Concelho de Góis; Eng. António dos santos Almeida (Fontes), esposa e filha. Presentes todos os elementos directivos das várias colectividades da freguesia, pessoas de todas as idades e posições sociais, sendo de realçar a presença, em massa, das senhoras e meninas, a ponto de igualarem, se não mesmo ultrapassarem, as presenças masculinas. Aos brindes, várias foram as intervenções, valiosas umas, dispensáveis outras – pela repetição de ideias expostas, mas todas vividas e profundamente sentidas pelos oradores. Todas as colectividades defenderam os interesses da respectiva povoação pela boca do seu representante. Assim, Colmeal através do Sr. Armando Nunes dos Reis martelou a tecla, infelizmente já tradicional, da falta de electricidade e de professora; Ádela, pelo seu presidente Manuel Simões Nunes, pretende muito justamente uma estrada que ligue esta povoação à sede de freguesia, passando pelo Açor. Em breves palavras felicitaram a realização deste encontro, José Nunes de Almeida, pelo Soito; Manuel Martins Barata, pelo Carvalhal; Henrique Brás Mendes, pela Aldeia Velha, e de novo, Armando Nunes dos Reis, pela Malhada. O Sr. Joaquim Francisco Neves, agradeceu comovido a manifestação de apreço que lhe foi tributada, em calorosa salva de palmas, como sócio fundador da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Em voz pausada, mas segura, os 87 anos não contam, dirigiu aos jovens palavras de estímulo e incitamento, a seguirem confiantes o exemplo de colmealenses já falecidos. As senhoras presentes neste convívio, foram brindadas com um lindo ramo de cravos. Para agradecer a gentileza, em nome de todas as contempladas, falou a Sr.ª D. Prazeres Olivença Brás. Usaram ainda da palavra os representantes da Casa da Comarca de Arganil, Casa do Concelho de Góis e Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra; António Lopes Machado, pelo jornal «A Comarca de Arganil»; e ainda Dr. João da Silva Campos; Padre Anselmo Ramos Dias Gaspar, transmitindo a todos os colmealenses palavras de saudação, em nome do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr. Rui Manuel Nogueira Ramos, impossibilitado de estar presente, pelas inúmeras tarefas municipais que de momento o absorvem. Foi também lançada a ideia de construção dumas barracas à ponte, para uso exclusivo dos banhistas veraneantes. O pároco agradeceu ainda a colaboração que lhe foi dada pela freguesia, na consecução do Centro Paroquial. A longa série de discursos terminou com as palavras do Rev. Padre Américo Brás da Costa e Dr. Manuel Martins da Cruz a encerrar. Tomaram parte neste encontro mais de cento e cinquenta pessoas. Isto diz bem do interesse e dedicação postos na organização dos mesmo e correspondência do povo – tendo-se deslocado, do Colmeal a Lisboa – cinco pessoas. Parabéns organizadores – parabéns colmealenses. Iniciativas destas merecem ser continuadas. Todos unidos, lutaremos por uma freguesia do Colmeal mais progressiva e próspera nos planos cultural, intelectual, material, moral e espiritual. In Boletim Paroquial “O Colmeal”, Nº 107, de Novembro de 1970

Vamos ler mais

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A Câmara Municipal de Góis (CMG) e a Comissão do Plano Nacional de Leitura, com o objectivo de elevar os níveis de literacia no concelho, celebraram no passado dia 4 deste mês, um protocolo de cooperação. A Comissão terá a responsabilidade de assegurar a execução dos diversos programas visando a promoção da leitura, envolvendo famílias e a comunidade, e tentará agregar mecenas e patrocinadores. A edilidade terá que dar apoio técnico aos programas do Plano e divulgar as suas iniciativas, apoiar o desenvolvimento da Rede de Bibliotecas Escolares e promover e financiar eventos destinados à promoção da leitura. Helena Moniz, Vereadora da Cultura na CMG, considerou a assinatura deste protocolo como "um passo importante na formação de leitores e na promoção de hábitos de leitura" porque em seu entender "as bibliotecas desempenham um papel muito importante na educação e na formação cívica". O novo serviço de biblioteca itinerante, organizado pela Biblioteca Escolar e pela Biblioteca Municipal, permitirá aos alunos mais afastados da sede do concelho ter uma melhor acessibilidade aos livros, maximizando o potencial de leitura. O papel da família é fundamental, pelo que os pais devem incentivar a leitura aos seus filhos. De notícia publicada em "O Varzeense" de 15 de Dezembro de 2008

Senhor da Amargura

A preto e branco ou a cores, não teremos dúvidas de que se trata do Senhor da Amargura, Santo em que os Colmealenses têm grande devoção. Acontece, no entanto, em diversas publicações e promoções turísticas do concelho e da região, fazer-se referência a "Nossa Senhora da Amargura". Confiamos que futuramente seja prestada uma informação mais cuidada. Fotos do espólio de Fernando Costa

Colmeal - História e curiosidades (5)

Continuando a recorrer ao interessante trabalho de pesquisa efectuado pelo Movimento Cidadãos por Góis, ficamos a saber que: No ano de 1864 é realizado o primeiro censo em Portugal a nível oficial. O concelho de Góis tem 10305 habitantes. Por freguesias: Alvares - 3136; Cadafaz - 1099; Colmeal - 1259; Góis - 3553 e Vila Nova do Ceira - 1258. Para comparação, temos nos concelhos limítrofes: Arganil - 18806, Pampilhosa da Serra - 9359 e Lousã - 9635 habitantes. No dia 20 de Julho de 1864, é enterrado o primeiro defunto no cemitério do Colmeal, recentemente construído (ver ano de 1853). Anteriormente, era usual enterrarem-se os defuntos das aldeias da freguesia no interior da Igreja Matriz ou no adro. A 4 de Maio de 1876, a Junta da Paróquia do Colmeal delibera proceder à reconstrução, desde os alicerces, da Capela de São Sebastião, que se encontra em completa ruína. Em 1884, prosseguem as obras da reconstrução da Capela de São Sebastião, no Colmeal (ver ano de 1876). UPFC

23 dezembro 2008

BOAS FESTAS

(clicar na imagem para ampliar)

Prendas de Natal

Neste Natal ofereça produtos da nossa freguesia aos seus familiares e amigos. Mel, medronho, queijo, enchidos, broa, pequenas casas em xisto, artigos em lã, bijutarias, para além de outros produtos, poderão ser algumas das sugestões para ofertas nesta quadra que atravessamos. Seria uma interessante oportunidade para darmos a conhecer aos nossos amigos o que de melhor se faz nas nossas aldeias. E para os nossos familiares se deliciarem com o que já conhecem e que muitos deles também fizeram noutros tempos. Vamos promover os nossos produtores e o trabalho dos nossos artesãos! Um produto da nossa região... é uma excelente prenda! .
UPFC

Freguesia do Colmeal – as nossas colectividades

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União e Progresso do Carvalhal
De acordo com memórias do passado, cerca de 1935 terá sido constituída uma comissão de melhoramentos, com a mesma denominação da actual, que não chegou a ser legalizada e teria duração efémera. Foram seus fundadores, entre outros, João Gonçalves Patrício, Manuel de Almeida Santos, António de Almeida e Manuel Martins do Rego, sendo este último o presidente da Direcção. A essa primitiva colectividade se deve as minas das Carvalhas, que ainda hoje abastecem a povoação. Mais tarde, seria formada a actual Comissão. De acordo com uma entrevista dada por Manuel Martins Barata em Janeiro de 1966, ao Boletim Paroquial “O Colmeal”, que aqui já recordámos e em parte reproduzimos, “A ideia de um nova colectividade já vem de longe, mas este movimento só tomou vulto quando da nossa festa pelo S. João. A rapaziada, em alegre convívio, deliberou levar essa ideia avante, dando disso conhecimento verbal a todos os nossos conterrâneos de forma a conseguir-se o desejado e imprescindível apoio.” Só quatro depois, em 20 de Janeiro de 1970, foram aprovados os Estatutos, tendo sido seus fundadores Acácio Fernandes de Almeida, Álvaro Alves de Almeida, António Fernandes de Almeida, António Lopes, Fernando Almeida, João Martins, José Joaquim Almeida Santos, Manuel Almeida Lopes, Manuel Fernandes de Almeida e Manuel Martins Barata. Este último foi o seu principal impulsionador, que, com grande dinamismo e perseverança, estaria na concretização da maior parte dos melhoramentos. Presidiu à Direcção desde o início até 1998, ao longo de 28 anos, tendo-lhe sucedido o actual presidente. Das obras realizadas, são de destacar o beneficiamento da fonte que antigamente abastecia a povoação; os arruamentos, tendo a Comissão suportado o projecto e contribuído para o seu financiamento; a electrificação, igualmente mandando executar o respectivo projecto e pressionando para a concretização da obra, que seria inaugurada no dia 4 de Agosto de 1979; o cemitério, para servir sobretudo as aldeias de Carvalhal e Aldeia Velha, inaugurado em 31 de Outubro de 1982; projecto e financiamento da rede de águas, construída pela Câmara Municipal de Góis. Também a rua “Volta da Procissão”, para a qual a população cederia alguns terrenos, tendo a União comparticipado com mão-de-obra e a Câmara Municipal fornecido materiais e, mais tarde, feito o alcatroamento. No início da década de 80, seria nomeada uma Comissão Angariadora de Fundos, que, pelo trabalho desenvolvido, muito viria ajudar a colectividade na resolução dos seus problemas financeiros. Na toponímia local são homenageados algumas das suas figuras: Rua Manuel de Almeida Santos, sócio número um e vice-presidente da Assembleia-Geral; Rua Acácio Fernandes de Almeida, sócio fundador e primeiro vogal; Largo Manuel Vicente, primeiro secretário da Delegação local e Rua Manuel da Silva Moreira, secretário da Direcção. Nas esperanças do presente, existe a preocupação com a capela que necessita de grandes obras. Foi constituída, para o efeito, uma comissão de trabalho. Ainda se chegou a adquirir um terreno destinado a um templo novo, mas veio a optar-se pelo restauro do actual. A festa de São João, em tempos a melhor festa religiosa da freguesia, ainda hoje continua a atrair os seus emigrantes e forasteiros. Outra preocupação da direcção é o convívio. Residentes permanentes são apenas 26, mas a colónia lisboeta é grande e ligada à sua terra. No Verão junta-se muita gente, trazendo animação à povoação, sentindo-se no entanto a falta de algumas estruturas de apoio, que não tem sido fácil implantar. A registar o facto de os jovens terem criado a sua própria associação, independente da colectividade, o que terá provavelmente contribuído para alguma dispersão de esforços. Com os seus 180 sócios, a população aguarda com esperança o início de uma nova fase de actividade da União, para que Carvalhal, aldeia com grandes possibilidades turísticas, possa ressurgir e poder proporcionar melhores condições de bem-estar. Adaptado de “memórias e esperanças”, de João Nogueira Ramos, Edição da C.do Concelho de Góis, 2004

É preciso salvar as nossas aldeias

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As aldeias do interior do País, sobretudo as da Beira Interior, foram ao longo destas últimas cinco décadas despovoadas por aqueles que nelas nasceram, mas que nelas não encontraram o sustento que precisavam para viver. Portugal, em meados deste século, era um país pobre e eminentemente rural, que apesar de não ter participado na II Guerra Mundial sofreu as suas consequências indirectas. Salazar continuou a defender a tese “orgulhosamente sós”, negando qualquer ajuda económica do estrangeiro, nem mesmo a ajuda económica que os norte-americanos ofereceram à Europa destruída pela guerra em 1947, o célebre Plano Marshall. A solução para muitos portugueses foi deixar a sua terra natal e partir, emigrar para os grandes centros urbanos do País ou para outros países como a Alemanha, França, Brasil, Venezuela, Austrália, entre outros, de forma a encontrar mais facilmente o sustento de cada dia que a sua aldeia lhe parecia negar. Este êxodo na busca de melhores condições de vida generalizou-se um pouco por todo o País. O litoral aos poucos tornou-se cada vez mais povoado, invertendo-se a tendência que se vinha verificando até ao início deste século, em que a grande maioria da população vivia no campo. Esta população, muitas vezes pobre, oriunda do interior do País onde as condições de vida eram miseráveis e as vias de comunicação precárias ou praticamente não existiam, deu a sua força de trabalho nos portos, nas fábricas, no comércio e nos serviços, contribuindo para o desenvolvimento de todo o litoral português e para o desenvolvimento do País em geral. Assim, rapidamente no litoral as aldeias se transformaram em vilas, as vilas em cidades, e as grandes cidades como Lisboa e Porto, transformaram-se em grandes metrópoles. O campo foi, assim, o alfobre da mão-de-obra que proporcionou o desenvolvimento e crescimento económico do País que hoje vivemos e usufruímos. Perdeu a sua melhor riqueza, a sua população, e até hoje ainda não foi devidamente compensado por isso. Está agora, na sua maioria, abandonado ao desprezo da maioria dos nossos políticos e da nossa população, que não vê nele perspectivas de futuro para a sua vida. Só os mais idosos, com ajuda de uma magra reforma, continuam teimosamente a resistir, ali vivendo o resto dos seus dias. Hoje, em muitas das nossas aldeias, podemos dizer em milhares delas, a média de idade dos seus habitantes cifra-se entre os 60 e os 70 anos, nalguns casos entre os 65 e os 75 anos, o que dá uma esperança de vida para essas aldeias de 10 a 15 anos, quando muito de 20 anos. Ainda nalguns casos o número de casas de habitação é bastante superior ao número de habitantes, no dobro ou no triplo, o que é uma situação paradoxal quando comparada com a falta de habitação e com a habitação precária que afecta gravemente os grandes centros urbanos do país. Prevejo, assim, nas próximas duas décadas o desaparecimento de milhares de aldeias, se entretanto nada continuar a ser feito para debelar esta situação. É preciso compensar o campo. É preciso agir de imediato porque a situação é bastante grave. É preciso fazer renascer as nossas aldeias, sob pena que o desequilíbrio entre o litoral e o interior, que é já agora bastante grande, se torne abissal, levando progressivamente à criação de vastas áreas desertas da presença humana. O que proponho a todos os políticos e autarcas, com estas modestas linhas, é a criação de um plano, a nível nacional, que revitalize as nossas aldeias, onde as zonas do interior no nosso país possam ser locais apetecíveis para viver e trabalhar.
Pedro Freire (Cacém)
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Publicado no Correio da Manhã de 10/1/98, secção “Correio dos leitores”. Recolhido no espólio de Fernando Costa

21 dezembro 2008

GÓIS ENTRE O RIO E A MONTANHA

É o título de um livro publicado em 1997 e de autoria de Ana Filomena Leite Amaral, que é dedicado “a todos aqueles que amam verdadeiramente a sua terra e pugnam pelo seu desenvolvimento.” José Cabeças, ao tempo Presidente da Câmara Municipal de Góis, admitindo a perda de “muitas memórias” em oito séculos de existência, considera que a publicação do presente livro “partindo das raízes do passado, actualiza-as num presente em mudança e visa, sobretudo, garantir a continuidade escrita de toda a história e riqueza patrimonial e cultural de Góis”. Também Armando Gualter de Campos Nogueira diz, no que considera a sua “modesta contribuição”, que “Todo o vasto concelho, durante largos anos votado ao ostracismo, caminha desde há tempos a esta parte, a passos largos, rumo ao futuro a que tem direito e os seus habitantes ambicionam. …É que não bastam as belezas naturais, o pitoresco das típicas aldeias, com as casinhas em xisto e de xisto cobertas, é necessário muito mais, e isso vai-se conseguindo graças ao esforço das autarquias, das colectividades regionalistas e, fundamentalmente, do crer e da vontade deste povo.” No Prefácio, Lisete de Matos considera que este livro “fala das múltiplas iniciativas empreendidas no quadro do processo de desenvolvimento emergente no concelho, das gentes, da história, do património cultural nas suas diferentes expressões, dos recursos endógenos” e também “de potencialidades que os góienses saberão aproveitar e de constrangimentos que saberão ultrapassar.” “O associativismo e o regionalismo sempre foram realidades marcantes no concelho. Basta verificar que toda e qualquer pequena aldeia conta com uma ou mais comissões de melhoramentos. Estas associações são absolutamente fundamentais para o desenvolvimento local, contribuindo para a formação e participação activa dos cidadãos na vida da sua terra, enraizando-os e comprometendo-os com ela”, afirma a autora a páginas 47. Um pouco mais à frente (páginas 65 a 67) historia o nascimento da freguesia do Colmeal – 16 de Novembro de 1560, a sua localização e o seu património. “Os habitantes desta freguesia são na maioria reformados, que vivem da sua pensão e duma agricultura e pastorícia de subsistência. Também aqui, as várias Comissões de Melhoramentos promovem a melhoria das condições de vida nos seus lugares. Destacamos nesta freguesia, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Muitas das pessoas que dinamizam estas comissões encontram-se a viver em Lisboa, para onde migraram na busca de melhor futuro, sobretudo em meados do século. Existe hoje, na capital, uma autêntica colónia de guardas-nocturnos oriundos do Colmeal e também de Cadafaz. Para evitar a desertificação e atrair população jovem, a Junta tem vários projectos em curso. Nomeadamente no âmbito do turismo, como seja o embelezamento das praias fluviais, que constituem um grande atractivo da zona, o restauro e a reactivação dum moinho de água comunitário do século XVII, para testemunhar como funcionava, a limpeza da Levada dos Mouros e a divulgação da sua lenda, a exploração da Mina da Alfândega como pólo turístico, bem como do Poço da Cortada, onde o rio foi cortado a meio, e a respiração de quem lá vai se suspende com o espectáculo de tão rara e imponente beleza.” Depois de se referir aos Projectos de Florestação e de Beneficiação, a autora considera que “A acção social também merece atenção por parte da Junta de Freguesia, através do Projecto de Luta Contra a Pobreza, subsidiado pelo Estado, que contempla todo o tipo de assistência, sobretudo às mulheres e jovens na procura de emprego, de forma a criar condições para que as pessoas não abandonem a sua terra e as que já o fizeram mantenham as suas habitações e regressem, pelo menos na idade da reforma.” Ana Filomena Leite Amaral termina dizendo que “Esta freguesia distribui todos os anos um importante bodo de remota origem, a que as sucessivas gerações têm dado cumprimento, o qual corresponde a uma promessa feita a S. Sebastião para que intercedesse a favor das gentes da freguesia dizimadas por uma epidemia. E mais uma vez o sagrado se funde com o profano, numa espécie de aliança que ultrapassa quaisquer especulações teóricas, pois esta é a genuína religiosidade do povo.” Nas “últimas palavras”, a autora e “porque estas palavras devem ser breves”, expressa a sua “vontade de que todos os leitores deste livro, goienses ou não, se apaixonem por esta terra, entre o rio e a montanha, que os deuses quiseram coroada com o Penedo e povoada de todas as maravilhas que só um acto de amor pode criar e outro acto de amor, maior, fazer crescer.” Góis, entre o Rio e a Montanha visa contribuir para a afirmação da identidade de uma terra cuja origem é anterior à formação de Portugal. Para que fique a saber mais sobre o nosso concelho, aconselhamos a leitura deste pequeno livro que poderá solicitar na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos