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14 dezembro 2021

UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL, NATAL DE 2021

 

O Natal celebra o nascimento de Jesus, para os crentes, Deus feito menino e depois homem por amor e para salvação dos homens. Celebração do amor por excelência, é a festa, que deveria ser todos os dias, da reaproximação das famílias e amigos, da partilha, da solidariedade e da generosidade.

Foi Natal ontem no Colmeal, por iniciativa da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (UPFC). Conforme anunciado, dado o agravamento da crise sanitária, por precaução e com muita pena, voltou a não ser possível à União a realização da habitual festa de Natal. Um convívio que alguns tanto prezam, pela sua abrangência social e pelo acolhimento caloroso dos anfitriões. Tal como no ano passado, o Natal traduziu-se na visita às crianças nas suas comunidades e pela entrega das lembranças natalícias nesse contexto. Para minimizar o risco, sempre em espaço aberto, à boa maneira de antigamente, quando o convívio se fazia no largo das povoações, no adro das capelas e igrejas ou simplesmente à porta das casas.



Nas terras, aguardavam-nos crianças expetantes, que os pais e alguns adultos acompanhavam. Ao conforto do sol que brilhava resplandecente, juntava-se o calor aconchegante do reencontro e do espírito natalício.

Começou-se pelo Carvalhal. Na imensidão da serra circundante, esperavam-nos o Tiago, o Miguel, o Mikael, o Ulisses, a Frida e a Ester, os últimos residentes na Ribeira do Carvalhal. Agora que a Ester já tem um ano, conhecê-la foi um privilégio. Uma lindeza e um encanto, as crianças! Como os pais e vizinhos presentes.









Seguimos para a Quinta das Águias. Não pensávamos que fosse tão longe, por uma estrada de terra batida, a precisar de manutenção. Valeu a pena, porém, para revermos a Sofia, a Maria e a sua mãe. De cestinho na mão e sisuda, a Maria distribuía nozes, sorridente, a Sofia fazia balões festivos de sabão, que se desfaziam a dar-nos as boas vindas. Um encontro mágico, ali no meio da natureza, a lembrar duendes misteriosos, anjos da guarda protetores, promessa de futuro auspicioso. As melhoras do Tomás.







No Soito, encontrámos o André, o Loan e o Salomão, que vieram da Foz da Cova. Todos impecáveis e inexcedíveis em simpatia, à-vontade e loquacidade! O António Duarte tinha feito um pão de ló delicioso e havia café e bebidas. Pessoalmente, gostei muito de rever todos os presentes e, muito especialmente, o Iuri, e a Cristiana, que já não via há anos.







No Colmeal, finalmente, a Maia e o Dinis, saudaram-nos com cordialidade e grande desenvoltura. Não fora um cliché, e diríamos: “Como estão grandes e enquanto o tempo passa!” Repetindo-me, não deixou de entristecer a falta de mais crianças e adultos, a sugerirem a revitalização social e a retoma demográfica de que carecemos.





A Frida e o Loan, que no próximo ano terão excedido a idade para serem contemplados, receberam um livro de António Domingos dos Santos, com o convite para continuarem a comparecer nas festas de Natal da UPFC. Um gesto duplamente simbólico, de transição e estímulo à leitura, a voz embargada e lágrimas teimosas a toldarem o olhar afetuoso!




Uma manhã repleta de emoção e significado natalício. Sentimos a falta do convívio mais alargado dos tempos anteriores à pandemia, mas o nosso coração rejubilou com o ambiente de expetativa, partilha e contentamento com que fomos acolhidos. De modo muito adaptado aos tempos difíceis que vivemos, antecipando-se, o Menino Jesus, para uns, e o pai natal, para outros, concretizaram o desígnio de descer pelas chaminés, para preencher o vazio dos sapatinhos e alegrar os corações. Chegando o pai natal de carro puxado a cavalos, por impedimento à circulação das renas e trenós! Também poderia falar-se de “Takeaway”!

Em nome da mesa da assembleia geral da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, agradeço à direção, presidida por António Domingos Santos, e aos elementos da sua delegação local que estiveram presentes – Anabela Domingos, José Álvaro Domingos e Tiago Domingos. Nunca será de mais sublinhar a disponibilidade, a generosidade e a dedicação inerentes à organização do evento. Muitos parabéns pela persistência no contributo para um Natal mais pleno dos residentes do Lar da Sagrada Família, que não serão esquecidos. Ao presidente da União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, senhor Carlos de Jesus, agradecemos a presença e o estímulo.

Desejo a todos, associados, membros de órgãos sociais, amigos e conterrâneos um feliz Natal e um Ano novo repleto do melhor.


Açor, Colmeal, 13 de dezembro de 2021.

Lisete de Matos

FOTOGRAFIAS: António Domingos Santos e outros.


01 dezembro 2021

COLMEAL – União Progressiva

 Estamos em Dezembro, no mês em que a União nos habituou ao já tradicional convívio da sua festinha de Natal no Colmeal, reunindo não só os mais jovens mas também a população em geral.


Tal como aconteceu no ano passado, a situação de pandemia que vivemos e se encontra agora numa nova fase preocupante, levam-nos, prudentemente, e com grande pena nossa, a evitar a reunião em espaço fechado, de elevado número de pessoas, respeitando as recomendações das autoridades de saúde.


Na manhã do próximo dia 12 (domingo), os nossos colegas da Delegação da União no Colmeal, farão entrega de um brinquedo e de um miminho aos mais pequenos, percorrendo as várias aldeias e casais da antiga freguesia.

Os nossos associados, que se encontram na Cabreira, na Unidade Residencial Sagrada Família, bem como os restantes utentes, não serão esquecidos e a acção de solidariedade será feita de acordo com as restrições em vigor.

Como em anos anteriores, contaremos naturalmente com a generosidade dos nossos associados e das entidades que habitualmente nos têm acarinhado.

UPFC


26 janeiro 2017

COLMEAL. BODO 2017



Celebrou-se uma vez mais o Bodo, no Colmeal. Teve lugar a 21 do corrente, com organização das localidades de Colmeal, Sobral, Saião e Salgado.

Para não me repetir em relação ao que disse em anos anteriores, recordo apenas que o Bodo é uma celebração em louvor do mártir S. Sebastião, santo protetor da fome, da peste e da guerra. Data de tempos idos, quando as populações prometeram todos os anos dar um bodo aos pobres se o santo as protegesse e livrasse da peste, que as dizimava. Concretizado o milagre, a celebração realiza-se em várias localidades do país, envolvendo rituais e a partilha de géneros distintos, o que aponta para a transversalidade da epidemia.

Tratando-se de um evento que evoluiu de religioso para profano-religioso, as duas vertentes decorreram de modo muito harmonioso e consistente. Mais cheia do que habitualmente, a i(I)greja refulgia de contentamento e os cânticos soavam mais densos e cativantes. Já na procissão, descendo e subindo pela rua central, era a fantástica tessitura vocal da D. Ilda que sobressaia.





A elevada participação de residentes e naturais ou oriundos de diferentes localidades reflete o apego de muitos à tradição, por nostalgia ou apreço pelas funções de afirmação e convívio que foi adquirindo. A propósito, devido à importância de que se reveste, nomeadamente com vista à continuidade da tradição, é de assinalar a presença das coletividades, representadas por membros dos seus órgãos sociais. Igualmente de assinalar, é a presença no convívio do padre Carlos Cardoso, uma honra e um sinal de disponibilidade interessante, por parte de um pároco tão sobre ocupado.

Do alto do seu andor, S. Sebastião presidia à festa, regozijando-se com a abundância de hoje, e observando, compreensivo, a atração que a mesa farta exercia sobre os convivas. Pudera! Àquela hora e com aquele frio! As filhós estavam ótimas, tudo o resto também, dizem-me.






Entretanto, na escada de onde assistia, valia ao Santo a companhia das crianças e jovens para quem, felizmente, o Bodo configurará um estranho gosto e imperativo dos mais velhos.





Para alegria dos apreciadores do seu gesto, a D. Silvina lá estava a distribuir simpatia, café quente e bolos, alvos de grande adesão e merecido agrado. Um encanto, agora ajudada pela Maria Cecília, sua filha! Que o possam fazer por muitos, muitos anos!


O Bodo corporiza e reflete muitos dos traços que distinguem a Beira Serra, na dualidade da sua formação por populações residentes mas essencialmente móveis, na existência dividida das gerações mais velhas entre a cidade e a aldeia, o presente e o passado, modos de vida e realidades sociais diferentes. É, assim, uma tradição cuja evolução importa acompanhar.


Uma vez que no Colmeal o Bodo é rotativamente oferecido pelas diferentes localidades, individualmente ou por grupos (Colmeal, Sobral, Saião e Salgado; Ádela e Açor; Soito; Malhada e Carrimá; Aldeia Velha; Carvalhal) no próximo ano, o mesmo será organizado por Ádela e Açor. Até lá, repetindo-me, que S. Sebastião nos guarde das novas e mortíferas formas de peste e guerra, das fomes de pão e de todas as outras.

Para mais informação sobre o Bodo no Colmeal poder-se-ão reler os artigos de 2012 e 2015 em: http://upfc-colmeal-gois.blogspot. com, 11 de fevereiro de 2012; A Comarca de Arganil, 23 de Fevereiro de 2012; http://goismemorias.weebly.com/o-bodo.html; http://upfc-colmeal-gois.blogspot.pt/2015/01/o-bodo-no-colmeal-2015.html, 24 de janeiro de 2015; O Varzeense, 30 de janeiro de 2015.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 25 de janeiro de 2017


26 maio 2016

Livro sobre as Gentes e Famílias da Freguesia do Colmeal-2016




Está disponível a 2a edição do livro " Gentes e famílias da Freguesia do Colmeal"- Edição de 2016 , a  qual tem mais 4000 pessoas que a anterior (num total de cerca de 15000) e a descrição da totalidade dos batizados na freguesia do Colmeal de 1739 até 1915, além de muitas mais, quer antes quer depois até à atualidade. Quem estiver interessado pode contatar-me. Com amizade.

Fernando Pinto Caetano

04 agosto 2014

"GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL - CONCELHO DE GÓIS"



INTRODUÇÃO


Avô como se chamavam os seus avós? E os pais deles? O avô ainda os conheceu? E quando e onde é que eles nasceram? 

Foi com perguntas como estas que há quase cinquenta anos comecei as minhas recolhas de informação e de motivação sobre uma temática de investigação de quem eram os meus antepassados. 

Inicialmente apenas recolhi informação transmitida verbalmente, socorrendo-me também de alguns elementos que o meu avô Alfredo tinha registado ao longo dos anos, posteriormente fui recolhendo elementos de conversas que fui mantendo sobre o tema quer com familiares, quer com outros amigos, e mais recentemente recolhendo elementos nos Arquivos Distritais, nomeadamente no de Leiria e no da Universidade de Coimbra. 

Com o decorrer dos anos, o “bicho” da investigação genealógica, foi-se aperfeiçoando e alargando, depois considerando que para o estudo dos meus antecedentes, as investigações me levavam a conhecer muitos dos nascimentos/batismos realizados na freguesia do Colmeal, pensei e porque não registar numa publicação, os elementos de que dispunha, para que os possíveis interessados noutras famílias da freguesia do Colmeal os possam mais facilmente consultar. 

Foi assim que nasceu a presente publicação que apresenta a Totalidade dos nascidos/batizados na Freguesia do Colmeal, desde 1739, até ao ano de 1896 (ano até ao qual os elementos já se encontram no Arquivo Distrital de Coimbra). 

Constam ainda desta publicação muitos dos ascendentes anteriores a 1739 ou seus descendentes, especialmente dos meus familiares diretos. Faltarão certamente alguns dos filhos dos casais descritos, nascidos após 1896, bem como os seus descendentes. 

Do total de nascimentos/batismos consultados e descritos, verifica-se que na freguesia do Colmeal, 23% são do Colmeal, 16% do Carvalhal, 14% do Soito, 13% da Malhada, 12% de Ádela, 8% de Aldeia Velha, 5% do Sobral, 2% de Carrimá, 2% do Roçaio, 2% do Açor, 1% da Foz da Cova, 1% do Saião e os restantes do Salgado e Vale de Asna. São ainda referidos como locais de nascimento Belide, Casal da Fonte do Bispo, Coiços, Cortada, Foz de Carrimá, Loural, Ponte, Portal da Malhada, Porto Dão do Carvalhal, Ribeira de Ádela, Safredo, Vale de Égua, Vale do Safredo e Vergadinha da Malhada, da freguesia do Colmeal. Por uma questão de investigação de antecedentes, são ainda referidas muitos nascimentos ocorridos nas mais diversas localidades, quer das restantes freguesias do concelho de Góis, quer dos concelhos de Pampilhosa da Serra, Arganil, Figueiró dos Vinhos, Lisboa, Almada, etc.

Introdução de ajuda técnica ao leitor na interpretação da presente publicação.
Para facilidade de leitura, interpretação e organização escrita, agruparam-se os diversos indivíduos constantes nesta publicação, em grupos, que se designaram por famílias, num total de 152.
A designação da família, em geral refere-se ao apelido da primeira pessoa com que se iniciou a descrição da família.
Cada família será composta por um gráfico, a que se segue uma descrição individual de cada indivíduo, mais ou menos completa, função do conhecimento que o autor teve das referências biográficas e relações familiares desse indivíduo.
Tem o autor a noção que um trabalho desta envergadura, que engloba mais de 10.500 indivíduos (dos quais 1040 na condição de padrinhos) está sujeito às mais diversas incorreções, quer devidas ao facto de parte da recolha de dados ter sido verbal, quer devido à dificuldade de interpretação/leitura dos livros consultados, livros esses escritos em caligrafia manual, com as inerentes dificuldades de interpretação, resultantes do facto de muitas vezes se escreverem os registos de batismo com as mais diversas e estranhas abreviaturas. São exemplo os apelidos Domingues e Domingos, bem como Francisco e Fernandes.
Sugere-se assim que os eventuais leitores desta publicação que queiram conhecer os seus antepassados dentro do período temporal estudado, desde 1739 até 1896 ou em certas famílias até à atualidade, comecem por procurar no índice, os indivíduos mais antigos de que conheçam a identidade, ( por exemplo os avós ou os bisavós ) e a partir daí tentarem navegar na publicação descobrindo como aconteceu ao autor, que nos seus conhecidos ou na porta ao lado havia familiares mais ou menos afastados com que nem sonhava.
Boas descobertas e alegre-se quando descobrir mais um familiar que nunca pensou que existia.
Julho de 2014

O autor 

Fernando Pinto Caetano 


Prefácio


Costumava falar de genealogia a propósito da utilização dos métodos qualitativos em ciências sociais. Mas, com exceção para “ A História genealógica da Casa Real Portuguesa”, em quinze volumes, nunca me tinha confrontado com uma obra genealógica que reconstitui cerca de cento e cinquenta e duas famílias, e integra mais de dez mil e quinhentos indivíduos. É o caso de “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, da autoria de Fernando Pinto Caetano. Conforme consta da introdução, o livro refere-se à totalidade dos nascidos/batizados, e a alguns dos seus ascendentes e descendentes, na antiga freguesia do Colmeal (Góis), de 1739 a 1896. Surpreendida perante uma tão extraordinária narrativa, aceitei com agrado o convite com que me honrou para sobre ela escrever algumas palavras. 

Acontece, porém, que a obra e os seus protagonistas falam por si próprios, não carecendo de apresentação. Falam os nossos mais antigos, deambulando lestos ou cansados, conforme a idade e os motivos da deslocação, pelos caminhos inóspitos da serra, e pelas terras próximas ou distantes onde casam. Mais recentemente, falam os seus descendentes, nascendo e casando um pouco por toda a parte, na diáspora interna e externa. A todo o tempo, falam o autor e o livro, deambulando por arquivos e fontes, revivendo de terra em terra as vidas que antecederam e fundam as nossas, antecedendo e fundando as dos vindouros. 

A genealogia é uma ciência que estuda a origem, a evolução e a reprodução das famílias, e dos respetivos apelidos. Por essa razão, também é conhecida como História da Família, podendo ocupar-se apenas do levantamento dos antepassados e descendentes ou abranger as suas trajetórias e biografias. De qualquer modo, evocando componentes da memória familiar ou individual, acaba sempre por revelar, como a obra em apreço demonstra, singularidades e regularidades sociais, logo dimensões da vida coletiva. Neste registo, é uma ciência próxima e complementar da História, da Sociologia e da Demografia, resultando da articulação entre todas importantes sinergias. 

Num outro registo de natureza mais afetiva e identitária, a genealogia é uma forma de preservação da memória familiar, de reatamento e alargamento dos laços de parentesco que o tempo, a mobilidade geográfica e o quotidiano apressado fazem descurar. Neste sentido, tornando presentes os ausentes e facilitando a sua aproximação, a genealogia promove o enriquecimento relacional e o reforço da identidade das pessoas e comunidades. E como só se ama o que se conhece, é também um modo de intensificação dos afetos que nos prendem aos outros e aos lugares. 

Pessoalmente, ainda expectante de muitas outras descobertas, gostei de saber que os meus antepassados “Almeida” eram de Malhô (Cabril) e Fajão, no vizinho concelho da Pampilhosa da Serra; ou que a minha antepassada Maria Rosa, a quem remonta o sobrenome “Martins”, que o meu pai ainda tinha, atravessou o Ceira descendo do Carvalhal para casar subindo no Sobral. Como gostei de saber que na minha família de Ádela, de onde me vem o sobrenome “Paula”, há ascendentes de Soito, Roçaio, Boiças e Caratão de Celavisa. Ato contínuo, senti-me logo muito mais próxima dessas terras e curiosa em relação às que não conheço. Foi assim como se o livro me trouxesse notícias de familiares distantes, exatamente como fazia o avô do autor, que recordo a chegar, e a ver-se rodeado de mulheres impacientes de saudade e solidão:

- “Ó primo … Ó “ti” Alfredo, trás carta do meu homem …, do meu filho …, do meu pai …, do meu namorado … do meu irmão?” Umas vezes trazia, e era uma alegria se as novas eram boas, outras não, e ficavam ambos tristes. Até a mim o primo Alfredo trouxe notícias que então considerei boas e más, avultando entre as últimas a ordem expressa do meu pai para fazer a admissão ao liceu. Muitas cartas foram precisas para resolver o assunto! Cartas que iam e vinham embaladas no bornal farto do primo Alfredo, enquanto ele caminhava pela serra. Decorriam os anos cinquenta do século passado.

Depois de esta incursão pela memória pessoal, que também é suposto a genealogia suscitar, resta-me mencioná-la como forma de autoconhecimento, uma vez que a família é o nosso primeiro contexto de socialização, dependendo dessa experiência muito dos adultos que somos. Por outro lado, ao individualismo, à globalidade e à efemeridade, que informam os tempos de hoje potenciados pela internete e pelas redes sociais, a genealogia contrapõe a coletividade, a proximidade, a localidade e a continuidade que são próprias das relações familiares e grupais. A uma certa estandardização e homogeneidade contrapõe singularidade. 

Serve este discurso sobre genealogia para contextualizar e salientar a importância do trabalho de Fernando Pinto Caetano, a quem ficamos a dever o conhecimento dos nossos antepassados, mas também a honra e o orgulho de sermos das poucas comunidades que gozam desse privilégio. O autor está de parabéns pela qualidade e pela monumentalidade da sua obra, os colmealenses igualmente, pelo que a mesma representa para a visibilidade das suas terras, para a solidariedade acrescida, e para a valorização do seu património cultural, um legado que os nossos descendentes agradecerão. 

A obra de Fernando Pinto Caetano, engenheiro de formação e profissão, historiador e genealogista por devoção e dedicação, é ainda um contributo muito importante para a democratização da genealogia, um género que, durante séculos, apenas foi cultivado nos meios aristocráticos, por razões de linhagem, sucessão e herança. Sendo certo que a genealogia tem vindo a ganhar terreno como meio de apropriação da palavra e de inclusão na história, Fernando Pinto Caetano tem, neste contexto já de si proativo e emancipatório, o mérito da amplitude do seu trabalho e da generosidade com que o partilha. 

Aliás, não deixa de ser uma coincidência interessante que “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS” venha a lume no ano em que se comemoram os novecentos anos do concelho de Góis. Nada mais oportuno do que, a propósito e a par com a evocação das grandes figuras e feitos da rica história de Góis, se lembrem também os cidadãos maioritariamente anónimos que contribuíram para a formação dessa mesma história, povoando e habitando o concelho, partindo e honrando longe o seu nome, voltando sempre. 

Sem ser capaz de imaginar a imensidão do trabalho de pesquisa e escrita – a escrita usada como poder e, formalmente, como utensílio organizador do pensamento e da informação – no que toca à leitura, posso dizer que é muito estimulante e socialmente discursiva. 

Será que Malhô ainda existe? E Caratão de Celavisa? Com ou sem residentes permanentes? Por que é que esta ou aquela pessoa, que conheci ou de que tanto ouvi falar, não consta? Já sei …, está na família tal ou tal. Não, nasceu depois de 1896, e os nascidos depois desta data só constam em algumas famílias. Possivelmente é isso! E este César, quem seria? Ah!, se era gémeo do Alfredo, então deve ter falecido de tenra idade, numa época em que a mortalidade infantil era grande. E os nomes?! Note-se como evoluem de repetitivos e clássicos, em sintonia com as normas de patronímio então vigentes, para diversificados e urbanizados, em consequência dos processos migratórios que cedo envolveram a freguesia. E que dizer da irregularidade dos apelidos, que podem ser diferentes de filho para filho, as raparigas não os terem ou a mesma pessoa adotar e usar vários? O que isto deve ter complexificado a investigação! 

Reparando nas muitas terras que são mencionadas, penso, por um lado que o casamento era geograficamente endogâmico, verificando-se dentro da localidade de residência ou entre localidades próximas, mas também exogâmico entre distantes, o que aponta para uma mobilidade regional significativa. E os casamentos?! Seriam por enamoramento ou haveria endogamia social, com vista ao reforço dos minipatrimónios possuídos ou da força de trabalho das unidades de produção familiares? E os nascimentos?! Se as casas que restam dos finais do século dezanove e princípios do vinte tendem para ser pequenas, como seriam as anteriores para nelas caberem tantos filhos? E do que é que viviam, se os terrenos cultiváveis ainda hoje são tão exíguos e pouco férteis? Para além dos habitualmente referidos, que fatores e métodos terão contribuído para a progressiva e drástica redução da natalidade? Olha!, nascimentos na Ribeira de Ádela e outros sítios recônditos?! Afinal, os atuais recém-chegados só estão a retomar uma dispersão do povoamento que já existiu. Muito curioso! Quem sabe se promissor?

Enfim, insisto, uma leitura muito estimulante, a confirmar a relevância da genealogia para a compreensão do Homem e das suas raízes, e para o entrelaçamento do presente com o passado na senda do futuro.

“GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, é uma obra notável, cujo valor e interesse os leitores e, muito especialmente, os colmealenses, saberão reconhecer. Por mim, visualizando-me ponto minúsculo na teia infinda da existência e raminho frágil das árvores e universos em que me insiro, agradeço a emoção renovada da pertença a um devir intemporal, que acolhe e atribui sentido à minha temporalidade. Na esperança do reencontro! 

Açor, 3 de julho de 2014.

Lisete de Matos



22 janeiro 2014

Curiosidades


É sem dúvida interessante saber quantos habitamos na freguesia do Colmeal e qual o índice de alfabetização. Um inquérito feito durante o mês de Maio permite-nos apresentar aos nossos leitores alguns dados.

Vivem na freguesia do Colmeal 535 pessoas, incluindo crianças com menos de sete anos. Estão habitados 216 fogos.

As povoações com mais habitantes são: Colmeal com 102; Carvalhal com 101; Aldeia Velha com 65; Malhada com 55; Ádela com 44; Soito com 44 e Sobral com 32.

Nesta estatística apurámos que apenas 280 pessoas sabem ler. Um dado curioso foi a constatação de que o número de habitantes que ultrapassa os sessenta anos é de 217. Entre os 7 e os 20 anos temos 41 rapazes e 68 raparigas. Entre os 20 e os 40 temos apenas 51. 

Este último dado leva-nos à constatação de que o índice de potência laboral é muito reduzido.

Farei diligências para obter dados semelhantes dos Colmealenses emigrantes. Para já estima-se que o seu número ultrapassa os 1500.

Padre Pinto

in Boletim “O Colmeal” Nº 140 Junho-Julho 1977

29 novembro 2013

Notícia de há 40 anos


64 Crianças inscritas na catequese paroquial” era o título da notícia que encimava a primeira página do Boletim “O Colmeal”, de Novembro de 1973.

“A paróquia do Colmeal tem 64 crianças matriculadas na catequese, e que frequentarão o 1º ano (49) e o 2º ano (15) de iniciação catequística. As idades das crianças variam entre os 7 e os 12 anos, e serão acompanhadas por 17 catequistas em centros dispersos pela freguesia (Colmeal, Carvalhal, Aldeia Velha, Soito, Malhada, Quinta de Belide, Ádela e Sobral).

Dentro das idades mencionadas, poderiam ter-se matriculado mais duas ou três crianças, mas alguns pais ainda pensam que a catequese serve apenas para fazer a primeira comunhão…”

Depois de algumas considerações sobre os benefícios da catequese vem a lista das sessenta e quatro crianças, que aqui reproduzimos na íntegra. E a pergunta que aqui deixamos é esta “Por onde andarão e o que farão hoje estas crianças de há 40 anos?”

“As crianças matriculadas são as seguintes:

Ádela: Ana Maria, Maria dos Anjos, José Augusto e António Santos Firmino.

Aldeia Velha: Gracinda de Jesus das Neves, Maria Aurora Brás Lopes, Armando Brás Neves, João Manuel de Almeida Neves, Lucinda Fernanda Lopes, Amorim Santos de Almeida e Maria Isabel Santos de Almeida.

Carvalhal: Clementina Martins dos Santos, Esmeralda de Almeida Vicente, Alzira Fernandes Moreira, Fernanda de Almeida Vicente, Amadeu de Almeida Santos, Alzira Fernandes Martins, Maria Cidália Nunes Baptista, Filomena Martins dos Santos, Acácio Fernandes Martins, Artur de Almeida Vicente, João de Almeida Gonçalves, João de Jesus Marques, Ramiro Martins dos Santos, Rui Nunes Baptista, Arminda de Jesus Marques, Victor Manuel de Almeida, António Fernandes Martins e Fernando Manuel de Almeida Lopes.

Colmeal: José Álvaro de Almeida Domingos, Luísa Maria de Almeida Domingos, Paula Maria de Almeida Domingos, Maria Manuela Gaspar Vicente, José Bernardino Gaspar Vicente, Ana Maria Alves Nunes, Maria do Céu de Jesus Geraldes, Maria Helena de Almeida Martins, Fátima Fontes de Almeida e Carminda Fontes de Almeida.

Malhada e casais: Maria de Lurdes Casimiro, Aida dos Anjos Maria, Maria Helena Vicente, António Casimiro Vicente, Maria Irene de Almeida e João Armando Ramos Alexandre.

Sobral e casais: José Manuel Ferreira da Silva, Luís Almeida Rosa, Maria Lucinda Ferreira da Silva, Guilhermina Vicente de Almeida, Lurdes Vicente de Almeida, Maria Alice Vicente de Almeida, Helena Maria Vicente de Almeida, Manuel Vicente de Almeida, Maria da Graça Vicente, Fernando Manuel de Almeida Henriques, José Manuel de Almeida Henriques, Henrique Manuel de Almeida Henriques e Maria de Fátima de Almeida Henriques.

Soito: Fernando Manuel de Almeida Santos, Vítor Manuel da Costa Almeida, Lucinda Maria de Almeida Santos, Maria de Fátima Costa Almeida, Maria Júlia Nunes de Almeida Brás e Isabel Maria Nunes de Almeida Brás.”

E repetimos a nossa pergunta “Por onde andarão e o que farão hoje estas crianças de há 40 anos?”

in Boletim “O Colmeal” Nº 121, de Novembro de 1973