Em setembro de 1966, na primeira página do número 73 do jornal “O Colmeal”, na coluna intitulada “Para quem não assistiu…”, “uma pequena síntese das nossas festas”, destacava-se a do Senhor da Amargura: “Muita gente de Lisboa participou na festa. Missa campal virada para a assembleia, em frente da porta da capela. Aos lados do altar, lindamente arquitectado, sentavam-se os diversos andores com as imagens. Estreou-se uma carpete. A Filarmónica de Góis agradou. O leilão das ofertas foi nas Seladas.”

1. Capela do Senhor da Amargura em meados de 1960
Seis décadas passadas, a tradição foi cumprida, apenas com algumas adaptações aos tempos atuais. Com efeito, no primeiro fim de semana de agosto, muitos filhos e amigos do Colmeal, vindos de diversos locais do Portugal e do estrangeiro, aqui se deslocaram para, mais uma vez, participar na festa em honra do Senhor da Amargura, que teve início ao fim da tarde de sábado, dia 1, quando a imagem do Senhor da Amargura foi levada em procissão, da capela das Seladas para a igreja matriz do Colmeal.

2. Capela do Senhor da Amargura
De manhã, o Largo da Fonte já tinha sido palco de um bonito reencontro de gerações colmealenses, quando o Lar da Sagrada Família, respondendo a um repto da UPFC, possibilitou que as suas utentes octogenárias Maria do Carmo e Maria Eugénia e a centenária Maria Manuela matassem saudades da terra do seu coração, num ambiente de grande emoção para todos.

3. Largo D. Josefa Alves Caetano, Colmeal
À tarde, após a procissão, deu-se a abertura da quermesse, de novo com prémios especiais para a pequenada, do já célebre Mordafoca Bar, que ofereceu uma vasta gama de bebidas, de sangria a gin, e do habitual serviço de petiscos, com caldo verde, bifanas e, pela primeira vez, caracóis, com procura acima das expectativas.
A parte musical foi
brilhantemente assegurada pelo multi-instrumentista Carlos Nogueira, que, com a
sua voz segura e repertório variado, animou os colmealenses e os muitos forasteiros
presentes.

4. Largo D. Josefa Alves Caetano, Colmeal
Na manhã de domingo, dia 2 de agosto, tal como há sessenta anos referia “O Colmeal”, “a [Banda] Filarmónica [da Associação Educativa e Recreativa] de Góis agradou”, com o seu habitual desfile pelas ruas do Colmeal e o acompanhamento da santa missa, celebrada pelo Padre Orlando, em honra do Senhor da Amargura.

5. Igreja Matriz do Colmeal 
6. Igreja Matriz do Colmeal
Na procissão realizada após a celebração, tal como é tradição, a imagem do Mártir S. Sebastião, padroeiro da paróquia desde a sua criação, em 16 de novembro de 1560, seguia à frente, seguida pelas de Nª. Senhora de Fátima, Santo António, Sagrado Coração de Jesus, Nª. Senhora das Necessidades e, culminando o cortejo, a do Senhor da Amargura, cumprindo o percurso habitual pelas sinuosas ruas da aldeia, com o acompanhamento de numerosos fiéis que quiseram marcar presença.

7. Procissão na passagem pela Eira, Colmeal)
E se, há seis décadas, o pároco dava conta da estreia de “uma carpete”, este ano também houve uma, mas a das opas novas dos acólitos do andor de Santo António, com uma cor mais de acordo com a do hábito franciscano do santo lisboeta.
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| 8. Procissão na passagem pelo Largo da Fonte, Colmeal |
À noite, dando continuidade à
feliz experiência dos dois últimos anos, foi tempo de dar palco e tempo aos que
quiseram partilhar a sua voz no concerto de karaoke, desta vez com a
supervisão de DJ Pax Ferrera, o nome artístico do amigo Paulo Ferreira que,
graciosamente, conduziu com brilhantismo uma noite muito agradável de música e
confraternização.

9. Largo D. Josefa Alves Caetano, Colmeal
No último dia da festa, iniciado com a procissão da imagem do Senhor da Amargura, da igreja matriz para a sua capela, nas Seladas, presidida pelo Padre Orlando, decorreu o já tradicional churrasco oferecido pela UPFC, assegurado pelo Zé Nunes e pela Ana, servido a cerca de 130 pessoas que se quiseram associar, no Centro de Cultura e Convívio, a mais um momento importante de reencontro e confraternização da família colmealense.

10. Centro de Cultura e Convívio, Colmeal
Um momento muito esperado do convívio foi o da revelação dos vencedores do concurso da melhor sobremesa, onde, para além do delicioso pudim abade de Priscos que alcançou o primeiro prémio, confecionado por uma bracarense com costela colmealense, saíram a ganhar todos os que se deliciaram com os magníficos doces a concurso.
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| 11. Centro de Cultura e Convívio, Colmeal |
E assim, embora sem “leilão das ofertas […] nas Seladas”, como há sessenta anos, mas de coração cheio, terminaram as festas, onde não faltou afeto nem vontade de preservar as tradições do Colmeal, mantendo a UPFC a firme vontade de salvaguardar a identidade partilhada — unindo passado e futuro em nome da terra onde tudo começou. O concurso de fotografia “Colmeal através da lente” (cf. https://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/2026/07/1) e o almoço comemorativo dos 95 anos da coletividade (cf. https://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/2026/08) aí estão para o demonstrar.
Porque nada se faz sem união, agradecemos reconhecidamente a todos os que tornaram possível a realização da festa deste ano, dando-nos o seu apoio de diferentes formas, em particular à Junta da União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, à Câmara Municipal de Góis, ao Góis Moto Clube, ao Paulo Ferreira, ao José e à Ana Nunes e aos supermercados Rui & Dinora.
A Direção








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