sexta-feira, 27 de março de 2020

SACOS DE RETALHOS – O meu trabalho em tempos de clausura


A propósito do excelente tema trazido por Lisete de Matos a este Blogue, Manuela Vieira Santos, associada da UPF Colmeal, enviou-nos esta foto. Como não a podemos inserir como comentário, levamo-la, deste modo, ao vosso conhecimento. 

“Aqui vai o meu trabalho em tempos de clausura”…, que aproveitamos para titular este pequeno apontamento. Uma sugestão que Lisete apresentava no texto “BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA. FORMAS DE ENCONOMIA CIRCULAR”, que sugerimos o leiam de novo «Sacos de retalhosPor razões de uso e durabilidade, estes produtos devem ser feitos com retalhos novos ou com as partes mais poupadas da roupa. A confeção dos sacos pode e deve manter-se, associando a tradição à funcionalidade, agora que o plástico promete desaparecer, espera-se que tão rapidamente quanto se banalizou e instalou. Dão uns excelentes e muito invejados sacos do pão ou das compras!»


A. Domingos Santos
Foto de Manuela Vieira Santos


terça-feira, 24 de março de 2020

UNIÃO PROGRESSIVA ADIA INICIATIVAS


A União Progressiva no momento difícil que atravessamos face à COVID-19 e de acordo com as recomendações e restrições que vêm sendo tomadas, informa os seus amigos e associados do adiamento das iniciativas que estavam previstas. Estamos a equacionar novas datas que dependerão, naturalmente, da evolução da situação.

De momento, é extremamente importante respeitar e seguir as orientações que a todos vão sendo transmitidas, para se conseguir ultrapassar e vencer tão grande batalha.

Nós vamos continuar a trabalhar neste ano em que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal completa 89 anos de existência.

A Direcção

Suspensão processo migração da TDT devido ao Covid-19



A União Progressiva da Freguesia do Colmeal recebeu ontem do Município de Góis, para conhecimento, o email seguinte, que entendemos por conveniente divulgar aos nossos associados.



Exmo. Senhor Presidente,

O processo de migração da rede de TDT está suspenso devido aos constrangimentos associados ao COVID-19. A suspensão do processo decorre da prévia articulação entre a ANACOM e a MEO, operador da rede de TDT, e mereceu a necessária concordância do Governo.
Na sequência desta decisão, os emissores que iriam ser alterados a partir de dia 16 de março de 2020 já não mudam de frequência na data prevista. O processo será retomado assim que as condições associadas à pandemia o permitam. Nessa altura voltaremos ao vosso contacto.
Esta decisão justifica-se por um conjunto de dificuldades referidas pela MEO, devido ao impacto das medidas de proteção civil e de saúde pública adotadas ou a adotar, em face das recomendações da Direção Geral de Saúde para o COVID-19. Neste contexto, a empresa refere ainda o recurso a equipas técnicas de fornecedores estrangeiros.
No que respeita ao apoio ao utilizador de TDT, assegurado diretamente pela ANACOM através da linha de atendimento gratuita e das equipas técnicas de proximidade que estavam no terreno para apoio às populações, também importava avaliar o impacto das medidas de contingência no seu normal funcionamento. Releve-se que a deslocação destas equipas às residências da população já estava a ser feita com todas as precauções para prevenção de contaminação, mas ainda assim estavam sujeitas a uma probabilidade de contágio cada vez mais elevada, podendo contribuir inclusivamente para a disseminação do vírus.
Em face dos vários riscos e da elevada incerteza sobre a concretização do processo de migração nos termos planeados, a sua suspensão imediata afigura-se prudente.
Agradecemos que divulguem esta informação às Câmaras Municipais qjue integram esta CIM.

Para mais informações poderão contactar:
Ilda Matos
96 806 52 82

Melhores cumprimentos
João Cadete de Matos
(Presidente do Conselho de Administração)

quinta-feira, 12 de março de 2020

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA. FORMAS DE ECONOMIA CIRCULAR


Espalhados, os botões reguilas faziam no chão uma mancha multicolor de feitios e cores simultaneamente iguais e diferentes. Ainda sentada no sítio de onde a caixa dos botões se deixou cair, observei que se limasse umas arestas ficaria com um coração. Boa ideia! Bem precisaria de vários! 

A pensar numa pessoa doente, pouco a pouco, o coração foi tomando forma e batendo forte de afeto, pincelado de tons e sons que os sentidos viam e a memória lembrava. Enviado o coração (oh, maravilha das tecnologias!), preparava-me para devolver os botões à clausura da casa comunitária que os aperta, quando fui tomada de uma certa nostalgia. Afinal, os botões correspondiam a cerca de metade dos muitos que fui recolhendo, melhor dizendo, que a família foi abotoando, ao longo do tempo. Eram ao todo setecentos e vinte e sete, entre pequenos, médios e grandes. Maioritariamente, eram botões redondos e chatos, muito poucos, reboludos, quadrados ou enfeitados. Os brancos predominavam (276), seguidos dos cinzentos e afins (230), castanhos e afins (84), vermelhos (52, alguns novos), dourados (46) e azúis (24). Apenas seis eram amarelos, oito prateados e um verde. 

Fantástico, aquele meu coração efémero de botões e afeições! E muito indiscreto do ponto de vista das lembranças, emoções e reflexões que suscitava. Apesar de os botões servirem, precisamente, para fechar e ocultar! E desabrochar, quando de rosa ou outra flor, mas esses são outros! 


Desde logo, o coração era uma manifestação perfeita do classicismo e neutralidade do vestir português. Tristonho, como o parque automóvel, não obstante o gosto por estilos mais garridos, e a internacionalidade da moda e do próprio vestuário. Esta evidência resultava da desproporção entre o branco e escuro e as restantes cores, que traduziriam posturas e estados de espírito mais alegres, calorosos e otimistas. 

Uma outra faceta que o coração refletia é o espírito de poupança que caraterizava as populações rurais. “Quem não aproveita o que não presta, não tem o que lhe é preciso”. Tantas vezes se ouviu esta máxima, que recolher botões continua tão compulsivo como tirar os agrafes ao papel antes de o depositar no papelão. No caso, não vá alguma máquina engasgar-se ou partir os dentes com eles, nas operações de reciclagem! Mas praticamente não guardo fechos-éclair, o que não deixa de ser curioso! 

De observação em observação, já não conseguindo situar a maior parte dos botões, dei comigo a magicar sobre a sua origem. A raridade de alguns sugeria tratar-se de botões sobresselentes, a abundancia de outros, que foram cuidadosamente recuperados, quando a roupa foi inutilizada ou reciclada. Sim, porque à doada ou reutilizada não se ia retirar os botões! 

Grosso modo, pelo aspeto, eram botões provenientes da mais diversa roupa feminina e masculina, muitos de fronhas, do tempo que estas os tinham. Com algumas surpresas e mistérios indecifráveis. Por exemplo, o número significativo de botões de pijama, ainda que cada um possua ou possuísse vários. Ou de botões dourados, quarenta e seis, num universo tão pequeno quanto o do meu coração! De diferentes tamanhos e formas, ali estavam eles, luzidios e atraentes, a lembrar o ouro cujo pote alguém encontrou, depois de ter sonhado com o sítio onde os mouros o tinham escondido. O ouro moeda, metal precioso e símbolo de prestígio e estatuto social, ainda a exercer a sua sedução? Parecendo botões de blazer, está fora de questão terem pertencido a fardas, embora eu tenha usado uma durante anos. Bem bonita, por sinal: era azul-escura! 

Por fim, disse para com os meus botões, os reais e os metafóricos: e a roupa, o que terá sido feito dela? A maior parte foi “reciclada” e reutilizada. No campo do que chamo reciclagem [1] - uma reciclagem doméstica que configura mais uma reutilização - ocorrem-me várias práticas, umas em vigor mais ou menos transformadas, outras desaparecidas por desuso. 

Mantas de fitas e roupa. Na minha juventude, ainda se tecia no Açor. Neste contexto, as partes menos gastas da roupa eram cortadas em fitas que, depois de bem torcidas com o fuso, constituíam a matéria-prima que incorporava as cobertas de fitas ou trapos. Apenas iludiam o frio, mas eram novas e vistosas, consubstanciando a multivalência das pessoas, a economia de autossuficiência e o espírito de poupança associado à redução do consumo e do desperdício. Mais tarde, estas mantas passaram a ser tecidas na Cabreira. 

(…) Olha as colchas tecidas de farrapos 
por enrugadas mãos de alguma avó 
que para se entreter, vivendo só, 
fazia mantas com montões de trapos. 
(…) 
Essas coisas sem préstimo hoje em dia 
têm alma própria e guardo-as a preceito 
como se fossem joias de valia! [2]


Outro aproveitamento possível das mesmas partes da roupa ou da que deixava de servir a alguém era confecionar peças novas, nomeadamente para crianças. Sem estilistas conceituados e preocupações de reciclagem criativa, esta prática foi precursora, a décadas e décadas de avanço, dos modernos processos de transformação e renovação de vestuário. Existem inúmeros vídeos de apoio à modalidade. 

Rodilhas. Também eram em tecido usado, sendo mais ou menos acabadas e airosas, conforme a matéria-prima disponível, o gosto e o jeito da artesã. Serviam para equilibrar o cântaro ou a cesta à cabeça, função que perderam, pelo que passaram a revestir-se de objetivos decorativos. 


Sacos de retalhos e rolos tapa-frinchas. Por razões de uso e durabilidade, estes produtos devem ser feitos com retalhos novos ou com as partes mais poupadas da roupa. A confeção dos sacos pode e deve manter-se, associando a tradição à funcionalidade, agora que o plástico promete desaparecer, espera-se que tão rapidamente quanto se banalizou e instalou. Dão uns excelentes e muito invejados sacos do pão ou das compras! O mesmo em relação aos chouriços tapa-frinchas, cheios de serradura ou areia fina. 



Bonecas de trapo e bolas. Com as rosas do jardim, as bonecas faziam de filhas e comadres das meninas, de professoras e bruxas. Tudo no feminino, repare-se, o que também é elucidativo! Ao tempo, pouco se jogava à bola, mas, a jogar-se, ela seria de trapos. Tendo ganho estatuto artesanal e ecológico, os artigos em pano abundam no mercado. Alguns modelos são tão estilizados, que resultam mais decorativos do que lúdicos. Há vídeos que apoiam a confeção neste domínio. 



Mechas e Tufos. As mechas faziam-se com algodão branco ou estopa. Eram tiras revestidas de uma papa seca de enxofre. Queimavam-se dentro dos pipos do vinho para os desinfetar. Existe um produto semelhante no mercado, tal como existem os fumigadores, que vieram substituir os tufos, rolos de algodão cujo fumo afugentava as abelhas quando da cresta. 


Panos do pó e da loiça. Dependendo da matéria-prima de que o vestuário é feito, há sempre a possibilidade de o transformar em panos do pó, da loiça, quem sabe se em pedaços descartáveis que podem ser usados em substituição do papel de cozinha ou do pano lavável, implicando poluição e consumos acrescidos. 

Embora mais esporadicamente, a roupa menos apropriada a reciclagens domésticas, como os casacos, era (é) reutilizada na confeção de espantalhos, disfarces de carnaval e tornadoiros. Depois de terem visado assustar os pássaros, os espantalhos procuram hoje – que os campos estão incultos - atrai-los, pela beleza e musicalidade que conferem ao ambiente. Juro que já vi um com o ninho de um casal de chapins nas costas! Para efeitos de disfarce, as roupas velhas eram simplesmente combinadas e vestidas do modo mais surpreendente e protetor do anonimato. Atualmente, parece verificar-se o contrário: no carnaval, os foliões vestem (e despem) bonitas fatiotas novas, no dia-a-dia, alguns usam calças rotas caríssimas, devido ao trabalho extra de as esburacar! É a criatividade a exercer-se de modo mais ou menos ambiental ou consumista! Os tornadoiros serviam para desviar/orientar a água de rega nas levadas e regos. Tradicionalmente, eram constituídos por torrões de terra que as raízes de ervas prendiam. Quando as pessoas deixaram de os poder ir buscar e a roupa se tornou mais abundante, algumas peças passaram a tornadoiro. Ou a tapa-gateiras das portas! 




Finalmente, na minha juventude, ainda existiam os farrapeiros/as, profissionais que andavam de terra em terra a comprar por “dez réis de mel coado” roupa e outros objetos usados. A atividade cessou nos finais nos sessenta, por razões relacionadas com as migrações e a evolução económica do país. Porém, nos centros urbanos, persistem atividades algo semelhantes, com fins lucrativos ou solidários. 


Olh’ó farrapeiro. Trapo, garrafas, papel …Olh’ó farrapeiro … 

(…) Ó minha farrapeirinha, 
ó minha troca farrapos. 
Tenho uma camisa nova, 
toda cheia de buracos. (…) [3]

Eram, são formas de economia circular a funcionar, no campo do vestuário como em outros. A mesma economia de que atualmente tanto se fala, enquanto conceito e modelo de produção e consumo que envolve, entre outras dimensões, a redução, a partilha, a reutilização e a reciclagem, estendendo a vida dos materiais e bens, e fazendo-os reentrar nos ciclos de produção. Tendo implícita a chamada política dos 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar. Como nas práticas supramencionadas. 

Até onde me levou o desatino de um simples coração de botões! 

Lisete de Matos 

Açor, Colmeal, 6 de Fevereiro 2020 

___________________________________

[1] Em termos concetuais, a reciclagem consiste na transformação de um material noutro com as mesmas caraterísticas, a reutilização, na transformação num material com características diferentes. De algum modo, neste texto, mais do que o material está em causa a função. 
[2] João de Castro Nunes, Mantas de Trapos. A propósito do livro Dos Objetos para as Pessoas, 1997, de Lisete de Matos. 
[3] Da tradição popular.

COLMEAL – UNIÃO PROGRESSIVA

V PASSEIO TURÍSTICO – ROTA DAS COLMEIAS


A União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizou, no passado dia 16 de Fevereiro, o V Passeio Turístico – Rota das Colmeias com enorme afluência de participantes, muitos quais se faziam acompanhar de familiares e amigos. O itinerário delineado era magnífico em termos de paisagem, todo ele dentro do território da freguesia de Cadafaz e Colmeal. Algumas dificuldades aqui e ali que os mais afoitos ou melhor preparados ultrapassavam sem dificuldades de maior e/ou com a ajuda dos companheiros. O espírito de companheirismo e entreajuda esteve sempre presente o que é muito significativo e de louvar.
No Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano foram dadas as boas vindas e as recomendações a ter em conta.


Como se constatou durante o passeio turístico, verificou-se sempre por parte dos intervenientes o máximo cuidado na preservação da envolvente. No dia seguinte, a Organização procedeu à retirada de toda a sinalética colocada ao longo do percurso, à semelhança do que se fez nas edições anteriores.

O itinerário percorrido pelos participantes começou no Colmeal, no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano e prosseguiu pelo Asseiro do Soladinho, Relva do Meio, Fonte da Corte, Portela, Foz d’Ádela, Gaeiras, Vale da Lobeira, Assentada do Cabeço do Gato, Panasqueira, Mimosa, Candosa, de regresso ao Colmeal. Pelo meio houve a habitual paragem para reforço alimentar e convívio dos participantes.
Face o elevado número de participantes, que tem aumentado de ano para ano, o almoço foi preparado e servido por uma equipa de voluntários no Parque “Os Pioneiros”, numa tenda cedida pela Câmara Municipal de Góis.


Convívio excelente e comentários simpáticos pela organização e pela ementa, o que muito nos agrada e nos leva a encarar com optimismo, a realização do VI Passeio Turístico, no próximo ano.

Depois do almoço e tomada a bica, as atenções viraram-se todas para a pista de obstáculos, à Quinta. Enchente do costume e muita curiosidade para ver como passar/ultrapassar os diversos obstáculos. Tudo na máxima segurança.
Foram mais três/quatro horas de são convívio, que só parou ao cair da noite. O tempo esteve, mais uma vez, solidário com a Organização. Há quem diga que a União tem um pacto com S. Pedro.


A União Progressiva da Freguesia do Colmeal agradece, muito sensibilizada, aos voluntários que colaboraram graciosamente e aos patrocinadores que tornaram possível a realização deste V Passeio Turístico – Rota das Colmeias.
A Câmara Municipal de Góis, Junta da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal, Góis Moto Clube, Bombeiros Voluntários de Góis, Guarda Nacional Republicana, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e O Varzeense, mais uma vez foram fundamentais para o sucesso da iniciativa.
Vamos continuar a trabalhar com afinco e entusiasmo para divulgar e dar a conhecer o concelho de Góis e as nossas aldeias. As potencialidades da nossa região, em termos paisagísticos e gastronómicos, são enormes.

Está já no ar a preparação do próximo…

A Direcção  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Regional TV - 5º Passeio TT do Colmeal (Facebook)




✅ Góis __ • Aldeia do Colmeal foi palco do 5º Passeio TT Rota das Colmeias
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A União Progressiva da Freguesia do Colmeal, no dia 16 de Fevereiro, organizou a 5ª edição do passeio turistico todo o terreno no qual estiveram presentes 50 motos e cerca de 80 jipes.
à Regional TV, alguns responsáveis de tal evento não conseguiram evitar de demonstrar alguma emoção pelo carinho e pela amizade demonstrada por alguns dos participantes que já fez deste evento um convívio em familia e que a cada edição ganha novas presenças.

Regional TV

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Tarde cultural na Casa do Concelho de Góis

No dia 25 de janeiro, à hora marcada e com lotação esgotada, a Casa do Concelho de Góis, na Rua de Santa Marta, em Lisboa, dava as boas-vindas aos colmealenses, para uma animada tarde cultural, tal como fora anunciado.



Ao longo da tarde, um vasto repertório do cancioneiro popular, do Minho aos Açores, passou e ecoou por aquela sala – começou no palco e contagiou o público com a sua alegria.

Animando toda assistência, com temas populares acompanhados à viola, ferrinhos e pandeireta, ao jeito tradicional, o Grupo de Cantares da ANAC (Associação Nacional dos Aposentados da Caixa) foi percorrendo, a cantar, um extenso programa de “modinhas” que ficam no ouvido (algumas estavam lá desde a nossa infância) e, ao recordá-las, apetece levá-las connosco para a semana, para o nosso dia-a-dia, em surdina no trabalho ou no trânsito – porque dispõem bem, porque nos fazem sorrir, porque são doces e ingénuas, porque… porque apetece bater palmas a compasso e cantá-las!

E foi o que aconteceu – o público cantou, bateu palmas, dançou sem sair da cadeira (se houvesse espaço, decerto alguns dançavam!)




No início da segunda parte, o nosso Presidente da Direção, António Domingos Santos, recordou que há pouco mais de 10 anos, a 31 de janeiro de 2009, a Casa do Concelho de Góis acolheu os colmealenses num encontro memorável, celebrando o “Dia da freguesia do Colmeal”, no âmbito das comemorações dos 80 anos de regionalismo.

Nesse dia, tal como então foi noticiado, a Casa do Concelho de Góis foi «pequena demais para receber tantos Colmealenses. Dois autocarros vieram da sede da freguesia. (…) José Dias Santos, presidente da casa concelhia, nunca tinha visto a “sua casa” tão cheia. Mesmo a transbordar. Salão, salas de entrada, corredor, piso inferior, escadas de acesso e também na rua os Colmealenses acotovelavam-se para conseguir um lugar.»

Vale a pena reler a notícia na altura publicada no Blog da UPFC : https://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/2009/02/dia-da-freguesia-do-colmeal_08.html , pois como ali é referido «Foi um dia memorável que nunca mais ninguém vai esquecer» e, sobretudo, como refere Arménio Neves (Cepos), no seu comentário à notícia, tratou-se de «Mais uma demonstração do trabalho em equipa na prestação de um verdadeiro serviço público.» (os destaques são nossos)

Em memória desse dia, António Domingos Santos, em nome da UPFC, entregou ao senhor presidente da Casa concelhia uma fotografia do Colmeal. 


Foi logo colocada junto das demais, ficando completa a galeria de imagens do concelho. 


A fotografia escolhida representa, propositadamente, não o Colmeal verdejante que muitos de nós recordamos com saudade, mas um Colmeal sofrido, rodeado de troncos carbonizados e de terra calcinada… para lembrar!  – Porque esquecer nos condena a repetir os erros.


A associada Mariete Cristóvão que, enquanto membro do grupo coral, incentivou a realização desta Tarde Cultural, mereceu um agradecimento especial do Presidente da Direção e do público.


O agradecimento foi extensivo ao responsável e ensaiador do Grupo de Cantares da ANAC, José Pires, a quem foi entregue uma lembrança, em nome da UPFC.


A Drª Lisete Matos, presidente da Assembleia-Geral da UPFC, decerto ficaria encantada com a atuação deste grupo de cantares, que nos proporcionou uma tarde tão bem-disposta, tão agradável.  “Certa de que constituirá mais um sucesso” e, não lhe sendo possível estar presente, manifestou o seu “agradecimento e mais sincero apreço pela realização deste evento, que constituirá mais uma excelente oportunidade de usufruto cultural, reencontro e reforço da ligação às origens”, como dizia em email enviado ao Presidente da Direção e que foi partilhado com os presentes.
  
Também a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Góis, Drª Maria de Lurdes Castanheira, impossibilitada de participar devido a compromisso anteriormente assumido, enviou mensagem de agradecimento pelo convite e desejando o maior sucesso para o evento.

O convívio continuou num agradável lanche, que desde o início se antecipava, por aquele cheirinho tentador de pasteis acabados de fritar, que nos chegava através da porta de acesso.

Mas esse… ficou apenas para quem lá esteve - não cabe nesta notícia!  Por aqui, fica apenas a imagem.


Nesse fim de tarde, o convívio, as conversas animadas, continuaram … à volta das mesas, pelo corredor de acesso, pelo salão, até às despedidas «Então, até à próxima!», porque esse era o espírito do encontro de colmealenses, promovido pela União. 

Deonilde Almeida

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

V PASSEIO TURÍSTICO – ROTA DAS COLMEIAS



A União Progressiva da Freguesia do Colmeal preparara a realização do V Passeio Turístico para o domingo, 16 de Fevereiro de 2020, possibilitando assim aos participantes, familiares e acompanhantes, percorrer um magnífico itinerário no território da freguesia de Cadafaz e Colmeal.


Como o próprio nome indica, trata-se de um PASSEIO, havendo sempre da nossa parte o máximo cuidado na preservação da envolvente, na recolha de quaisquer resíduos e as placas e fitas indicadoras no final do percurso.


Em linhas gerais o itinerário a ser percorrido pelos participantes será o seguinte:

De manhã: Colmeal (Largo), Asseiro do Soladinho, Relva do Meio, Fonte da Corte, Portela, Foz d’Ádela, Gaeiras, Vale da Lobeira (paragem para reforço alimentar), Assentada do Cabeço do Gato, Panasqueira, Mimosa, Candosa, Colmeal (Largo). Após o almoço, e para quem o desejar, estará disponível à “Quinta”, uma pista de obstáculos.


Contamos, uma vez mais, com os indispensáveis apoios da Câmara Municipal de Góis, Junta da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal e muitos outros patrocinadores.


Pretendemos com este Passeio Turístico, mostrar as potencialidades da nossa região, em termos paisagísticos e gastronómicos, privilegiando ao mesmo tempo o contacto com as populações locais.


Informações: Tiago – 965344190; Carlos – 966249981

Inscrições: Ricardo Pinto – 917839763 ou rotadascolmeias@gmail.com

Até 10 de Fevereiro: 25 Rodas; no próprio dia: 30 Rodas


No dia 16 de Fevereiro contamos consigo! Venha, porque vai valer a pena!



A Direcção 

Magusto - Colmeal 2019




2 de Novembro de 2019. Céu tristonho, prometendo chuva – tão desejada… mas que venha só mais tarde!

Renova-se a tradição do Magusto. 

As castanhas enormes, lindas, bem aconchegadas na caruma, vão assando.  O fumo espalha-se no ar, bem alto.  O Álvaro e o Tiago, vão revolvendo insistentemente a fogueira, com grandes varapaus. Pai e filho, lado a lado no esforço solidário.

«Já estalam!» gritava alguém.  Uma criança corre à volta da fogueira – que alegria!

As mãos enfarruscadas vão descascando, gulosas, aquelas castanhas ainda a saltar – «cuidado que elas queimam!» alerta uma voz amiga e logo outra, brincalhona, «a mim só me interessam as que estão descascadas!»

Que cheirinho tentador vem daquela porta… são os torresmos “à moda antiga”, que o Artur e a Bela de novo prepararam! Costumam estar cá fora, mas um espaço amigo deu-lhes abrigo da chuva, as portas abertas de par em par, como se dissessem «Entrem, são bem-vindos!».  Também lá estão o vinho e a jeropiga… e o pão que há-de mergulhar na gulodice do molho. Nada falta. Nem a conversa amiga, o reencontro - «Ainda bem que vieram!»
Ano após ano, a tradição renova-se. Que bom que é voltar!


Deonilde Almeida

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

V PASSEIO TURISTICO "ROTA DAS COLMEIAS"




"Para os amantes da natureza, da aventura e do todo terreno, aproxima-se o V Passeio Turístico, Rota das Colmeias, organizado pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal.

Não perca tempo, faça a sua inscrição é já no dia 16 de Fevereiro!

Participe, venha divertir-se e conviver! Contamos consigo! "

Catarina Domingos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NATAL N0 COLMEAL, 2019


Celebrou-se, no dia 15 do corrente, o Natal no Colmeal. Como constava do convite da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (UPFC), a festinha visa os mais pequenos e os mais idosos, proporcionando “o (re)encontro de gerações, uns aguardando com expetativa o seu brinquedo, outros recordando tempos idos”. Na véspera, a UPFC esteve na Unidade Residencial Sagrada Família, na Cabreira, “para levar uma palavra de carinho e entregar uma prendinha aos seus utentes, alguns dos quais nossos associados.”




Acompanhados pelos pais e outros familiares, aguardavam e receberam brinquedos: a Margarida, a Sofia, o Tiago, o Miguel, o Mikael, o Salomon, a Maya, o Diniz, a Ambar, o Ulisses, o André, o Loan, a Frida, o Iúri, o Kiva e o Martim. Lindos, os mais pequenos parecendo anjos benfazejos, todos expressando a magia do Natal. Qual Menino Jesus, no berço, dormia tranquilo o Francisquinho, vigiado pela família atenta e carinhosa.










No que aos adultos se refere, havia gente de todas as idades e de várias localidades da freguesia. Falando apenas dos octogenários, uma emoção, a rijeza e a disponibilidade para estar junto de Carlos de Almeida e José Domingos (Ádela), Conceição de Jesus (Sobral), José H. Santos (Soito), Júlio Barata (Aldeia Velha), Maria Luísa Almeida, Maria Augusta e Jaime F. Almeida (Colmeal). A comparência – que agradecemos – de um grupo do Góis Moto Clube, que também presenteou as crianças, acrescentou partilha, juventude e garridice pai-natalícia ao evento.




Presentes, apoiando a iniciativa e a todos desejando boas-festas, o vereador municipal Dr. José Rodrigues, os membros do executivo da Junta da União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal Sofia S. Oliveira e Jorge de Almeida, o Dr. António Duarte, em representação dos Compartes do Colmeal e da Comissão de Melhoramentos do Soito. Associando pessoas às respetivas coletividades, ocorrem-me, ainda, a participação da Associação Amigos do Açor, do Grupo de Amigos de Sobral, Saião e Salgado e da Liga de Amigos de Aldeia Velha e Casais, representados, respetivamente, por Amilcar Almeida, Carlos de Jesus e José Brás Vitor.



Enfim, um convívio transgeracional, cultural, institucional e territorial notável! Assim fora em tantas outras circunstâncias em que a inclusão, a interação e a complementaridade são necessárias e fariam a diferença!

Sentiram-se faltas? Sem dúvida. Desde logo, dos que não vieram, por impossibilidade ou outra razão justificável. Quanto a outras, o Dr. António Domingos Santos, presidente da UPFC, mencionou algumas, a todos nós ocorreram várias que assim se tornaram presentes, no íntimo dos corações e no devir incessante do tempo e da vida.

Como já terei dito noutras ocasiões, a tradicional festa de Natal da UPFC é uma celebração de que gosto particularmente. Pela multidimensionalidade convivial a que já aludi, mas também por se tratar de uma iniciativa solidária - agora adaptada à realidade social e demográfica da freguesia - que a UPFC organiza desde os finais dos anos quarenta, início dos cinquenta do século passado. As razões explica-as a Dr.ª Deonilde no assinalável trabalho com que acaba de nos presentear. Espalhados um pouco por toda a parte, quantos jovens, adultos e agora pais, incorporarão nas suas memórias o fascínio deste dia diferente?! Como eu, a lembrança dos livros que a UPFC me fez chegar, quando há mais de sessenta anos fiz a 4ª classe e a admissão ao liceu. Os livros desapareceram porque alguém precisou deles para os ler, a emoção e o contentamento persistem indeléveis. Possivelmente, devido à então raridade das prendas, da própria literatura infantojuvenil e dos conceitos de prémio e reforço positivo!

Depois desta divagação própria da idade pelas memórias distantes, volto às recentes para fazer dois agradecimentos muito sentidos, pessoalmente e em nome da mesa da assembleia geral da UPFC: a todas e todos pela participação, à direção da UPFC pela organização do evento, ambas expressão do espírito natalício que anima e do afeto que une.

No terceiro domingo do advento, em que a liturgia nos propõe um certo alívio no rigor da preparação para a Natividade, o celebrante chamou-lhe domingo da alegria e sublinhou a importância da mesma, sentida e proporcionada, para a concretização do mandamento maior do amor a Deus e ao próximo. No aconchego do calor humano e ardente da lareira, foi de alegria, amor e partilha que se tratou na tradicional de Natal da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.


Desejo a todos um Natal muito feliz e um ano novo repleto do melhor.

Texto: Lisete de Matos
Fotografias: Leonor Martins e António Santos

sábado, 14 de dezembro de 2019

Mais "Fragmentos da História do Colmeal"


Eram moços…

         Lembro-me de os ver, em criança, nas esquinas da baixa de Lisboa. Eram muitos, em grupos de dois ou três, muito empertigados, grande rolo de corda ao ombro e boné de pala brilhante, encimada com uma chapa metálica.

         Eram moços, “moços de fretes”, moços de nome, mas de idade… nem tanto! Também havia quem lhes chamasse “moços de esquina” ou até mesmo “galegos”.

         De tempos a tempos, lembrava-me deles, bem como de outras figuras da Lisboa da minha infância. Varinas, ardinas e tantos, tantos outros… vendiam sardinha “vivinha da costa”, carapau “de gato”, “figuinho da capa rota”, jornais com notícias frescas “Sécl’ó Diário e Bola!!!”, ainda a cheirar à tinta que sujava os dedos … vendiam alimentos, do corpo e do espírito.  Porém, os tais “moços” eram figuras intrigantes, pois não entendia o que eles tinham para vender. Pois se eles não apregoavam, que venderiam? Porque andavam em grupos?

Tantas perguntas sem resposta, até que, há tempos, por acaso, um dos seus descendentes – Artur da Fonte – me mostrou uma curiosidade documental, que desencantara numa antiga mala, que por lá andava esquecida: a caderneta profissional do “Moço” Manuel da Fonte, seu pai e, com ela, a chapa numerada que terá usado no boné e ainda um cartão, um “cartão de visita”, que o apresentava aos seus clientes, com uma certa elegância profissional. Objetos resgatados do esquecimento e que agora estavam expostos, amorosamente preservados, no seu museu de memória familiar e comunitária, que generosamente partilha com quem o visita, no Colmeal.




          Caderneta Profissional, crachá, cartão de visita… Moços de Fretes… ou seria “de esquina”? mas também lhes chamavam “galegos” … Aquela curiosidade antiga despertava de novo – tinha de procurar, tinha de descobrir mais sobre a vida daqueles homens, muitos (muitos mesmo!) nascidos na freguesia do Colmeal.

         Até ao início do século passado, quem lá nascia, tinha como certa uma vida de trabalho duro, numa agricultura muito pobre, que mal dava para sobreviver. As condições de vida eram de uma dureza atroz. Uma nova criança, mais do que uma bênção, era uma boca a mais para alimentar.

         Por volta dos seis anos, já poderia ser enviado para servir, como pastor, em casa de alguém mais abastado, provavelmente noutra aldeia. «O meu pai, o “Ti Hermano”, como era conhecido, contava que foi enviado para servir, com a idade de 6 anos, para Vale de Asna. Foi lá que teve o acidente que depois o deixou inválido, por isso depois foi moleiro»[1].
  
         A escola era privilégio de alguns. «Gostaria de ter estudado, ser alguém. Mas vim da província sem instrução” seria o desabafo de Alfredo Marques da Costa, um dos últimos “Moços de Fretes” colmealenses, em notícia publicada na imprensa da capital[2]. “Estudar” e “ser alguém” era o sonho que todos acalentavam…

         Sem estradas, sem telefone, sem posto de correio, o isolamento era quase total. Bem o recorda António Lopes Machado, nas suas “Crónicas e Memórias”[3], «pertencemos à Beira Litoral, mas o mar fica-nos longe, na Figueira da Foz e havia muita gente que nascia e morria de velho sem nunca ter visto o mar e andado de comboio».

A imensidão da “beira-serra” e do seu isolamento, captada pela objetiva do fotógrafo Jorge Barros [4]

As coisas só começaram a mudar com a nova Lei do Recrutamento Militar [5], sobretudo a partir de 1916, quando são chamados a prestar serviço militar todos cidadãos entre 20 e 45 anos. Esta saída forçada das suas aldeias, privou as regiões de grande parte da mão-de-obra ativa, mas mostrou aos homens que havia muito mais mundo do que imaginavam, para lá daquela barreira natural de montanhas que era o seu mundo. A partir daí, recusaram-se a continuar uma vida de sobrevivência e isolamento, a que pareciam condenados. E partiram[6]. A maioria rumo a Lisboa «em colónias, que é o grande tipo de emigração beiroa, o irmão a chamar o irmão, e o primo a chamar o primo, não há sítio no mundo onde não chegue o seu braço. Qualquer trabalho lhe serve»[7].

         Manuel da Fonte, com 22 anos, foi um desses migrantes do início do século XX. Seria “Moço”, Moço de Fretes, mas muitas vezes lhe chamariam “Galego”. A vila de Góis tem hoje um acordo de geminação com o município de Oroso, na Galiza, mas, naquele tempo, nenhuma ligação havia! O apodo de “Galego”, que lhes era atirado em tom provocatório, depreciativo, tinha origem antiga, associada à profissão.

Os primeiros galegos, fugindo da fome e da miséria, chegaram a Lisboa, no início do século XVIII, para trabalhar na construção do Aqueduto das Águas Livres. Terminada a construção, foram-se ocupando de todos os trabalhos pesados que ninguém queria fazer. A Câmara de Lisboa concedia-lhes licença para serem aguadeiros e Lisboa não vivia sem eles. Enchiam os seus barris de água nos chafarizes e iam apregoando pelas ruas da cidade – os clientes chamavam-nos e eles subiam as escadas dos prédios, para despejar o barril nos recipientes existentes nas cozinhas.


A falta de água em Lisboa era frequente e, com o século XX quase a chegar, ainda era motivo de caricatura de Raphael Bordallo Pinheiro[8] - os galegos são o amparo de uma Lisboa a desfalecer, enquanto o deputado e fundador da Companhia das Águas de Lisboa, Carlos Seferino Pinto Coelho, lhe apresenta a “Falta de Água”.

           Em troca da licença concedida pelo Município, os aguadeiros comprometiam-se a acudir imediatamente aos incêndios, com os seus barris cheios, reforçando a ação dos Bombeiros. 
 
         Mas seriam todos galegos? Em 27 de Abril de 1884, encontramos António Antão das Neves, “aguadeiro em Lisboa”, a testemunhar, como padrinho, o batismo, no Colmeal, da menina Maria da Piedade Gaspar das Neves, que há-de crescer, casar e, aos 19 anos, ser mãe do nosso “Moço” Manuel da Fonte[9].

Até ao início do século XX, muitos aguadeiros também eram moços de fretes – Joshua Benoliel, fotógrafo da “Ilustração Portuguesa”, regista a sua imagem[10], de corda ao ombro, enchendo os barris. Eram galegos, na sua maioria, eram aguadeiros e moços de fretes.


A regularização do abastecimento de água canalizada deixou-os sem clientes. Uns, regressaram à Galiza com as suas poupanças; outros, bons cozinheiros que eram, abriram os seus negócios, desde a tasca/carvoaria até aos restaurantes mais chiques. Poucos terão continuado na “arte” – as “esquinas” de Lisboa ficaram ao cuidado dos homens da Beira-Serra.

         Aguadeiros e Moços, eram profissões duras, dos que não podiam fazer mais nada, por não terem habilitações, mas que queriam ganhar o seu sustento com dignidade.

         Num dos contos de Vergílio Ferreira[11], deparamos com a seguinte passagem: «(…) Tirou um bilhete de terceira e veio para Lisboa. (…) Como tinha sido já moço de fretes, pareceu-lhe útil arranjar uma boina, com uma chapa e um número (…)». Dito assim, parecia ser coisa simples, mas não o era!

         O Governo Civil de Lisboa, onde se iniciava o processo de inscrição, era a garantia da idoneidade do candidato. Quantos valores lhe seriam confiados? quantos documentos importantes lhe passariam pelas mãos, fazendo-os chegar ao seu destino? O “peso da responsabilidade” nem sempre se media em quilos transportados às costas… O cliente podia confiar nestes homens!

A caderneta profissional do “Moço” Manuel da Fonte comprova a sua inscrição no Governo Civil de Lisboa em 31 de julho de 1935 e, com a garantia de cadastro limpo, iria agora inscrever-se na Câmara Municipal. Pagava uma licença, e recebia a sua placa numerada[12], que prenderia ao boné.


          Umas boas braçadas de corda resistente e um chinguiço, completavam o equipamento do “Moço” que se estreava na “arte”, como eles próprios designavam o seu trabalho. O chinguiço, iria fazê-lo com trapos velhos, enrolados, como uma rodilha bem amarrada, mas aberta, como uma ferradura.

Moços de Fretes em 1908 . Fotografia de
Joshua Benoliel (Arquivo Municipal de Lisboa)

           Se a carga fosse muito grande ou muito pesada, o frete era dividido entre dois ou quatro “Moços”, com carga suspensa num pau, ou mesmo em padiola - o chinguiço seria a almofada de proteção, dos ombros e do pescoço, naquele transporte “a pau e corda”.
 
          Muito cuidado teria de ter pois, em caso de acidente, ficaria por sua conta! Não havia seguro nem segurança social, não havia subsídio de doença nem de acidente, nem reforma[13]… apenas o regresso à terra, à família, na esperança de poder voltar à “arte”, quando (e se) recuperasse.

                                              
         O “Moço nº 2716”, devidamente licenciado, já poderia agora mandar imprimir os “cartões de visita”[14], exigidos pelo Regulamento. Seria a sua apresentação aos clientes.

O telefone era ainda pouco mais que novidade. Era um luxo reservado aos hotéis, aos ministérios e às casas comerciais, bem como às famílias mais abastadas. O contacto era a “esquina” que a Câmara lhe atribuíra, por isso também eram conhecidos como “moços de esquina”. A sua, seria a esquina da Rua da Conceição com a Calçada de S. Francisco, ali à na Rua Nova do Almada, tal como ficara averbado na sua licença profissional. O Regulamento era nisso muito claro, proibindo “Estacionar fora dos locais para que tenham obtido a respetiva licença”.



Aí ficaria, todos os dias, com o seu boné de pala e molho de corda ao ombro, atento ao freguês que aparecesse. Por agora, ao calor abrasador do verão de Lisboa, mais tarde seria ao frio, ao vento, à chuva…
         No ano anterior, o Governo tinha reafirmado a jornada de oito horas de trabalho e viria mesmo a autorizar, uns anos depois (1942), o aumento da jornada, com horas extraordinárias pagas a 50%[15] . Nada disso lhe dizia respeito – era patrão de si próprio, não tinha horário – se não trabalhava não ganhava. Eram contas simples de fazer!

         Sem horário de trabalho, sem abrigo que não fosse, por gentileza e caridade, o umbral da porta mais próxima, aquela seria a “sua esquina”. Zona de casas bancárias, o próprio Banco de Portugal ali ao lado – a sua esquina ficava entre a Lisboa chique do Chiado e o coração empresarial e bancário de Lisboa.

         Na véspera, a 4 de agosto de 1935, tinha sido inaugurada a Emissora Nacional – talvez tenha ficado à escuta, para ouvir essa maravilha, junto de algum estabelecimento comercial… Apesar da novidade, o aparelho custava 300 escudos pois, percebendo o seu potencial de comunicação, o governo pretendia que, mesmo as famílias com menos recursos, tivessem acesso à rádio[16]. Um dia… quem sabe? Mas muito teria de suar, até juntar tanto dinheiro!

         Da sua esquina, talvez tenha visto passar Fernando Pessoa, poeta solitário e plural, já muito fragilizado pela doença[17], descendo do Chiado, a caminho do Terreiro do Paço. Não era cliente… que interesse tinha?

Como terá sido o seu primeiro dia de trabalho? Bem sabia que os “Moços” faziam de tudo.  «(…) Desde levarem malas de viajantes com coleções[18], colchões à cabeça, máquinas de costura às costas, armários ao ombro, latas com produtos químicos, sacas com géneros alimentícios, até mudanças de mobiliário, transportada a pé, em carroças e, mais tarde, em camionetas, sempre com a preocupação de não partirem os espelhos, não riscarem o verniz ou a pintura dos móveis. Igualmente tinham, previamente, de desmontar as mobílias, caso de camas, guarda-fatos, etc. que depois, com esmero e paciência, voltavam a montar no diferente endereço. Eram especialistas no transporte de pianos de cauda e mais pequenos, cofres, despachos marítimos e terrestres de mercadorias.

(…) Também era usual verem-se os «moços de esquina» nos jardins dos palacetes a «baterem» carpetes, ou, quando o freguês não possuía tais condições, as levarem para fora de portas, aí, suspensas com a corda que usavam, entre duas árvores, e, um de cada lado, aquilo é que era bater! (…) No entanto, também lhes apareciam serviços leves, que por vezes eram de extrema responsabilidade ou mesmo confidenciais. A estes homens, nossos conterrâneos e não só, confiavam as mais valiosas peças de arte, ouro ou prata para irem empenhar e, depois de conseguirem em qualquer penhorista o empréstimo desejado (indicado previamente e aproximadamente pelo interessado), lá iam levar o dinheiro e a cautela de prego ao «enrascado» freguês. (…)»[19]

Tabela que fazia parte da caderneta profissional dos “Moços”

          O trabalho de que ninguém gostava era o transporte dos mortos, do Banco do Hospital de S. José para a Morgue, ou da rua, onde quer que estivessem. A Polícia ia chamar dois “Moços” para transportarem a maca, ao custo da tabela. E não podiam recusar, pois perdiam a licença – estava no Regulamento.
 
Naquele tempo, em que ter telefone era um luxo, havia um “frete” que todos os “Moços” cobiçavam – obrigava a grande discrição e era, por esse motivo, especialmente bem pago: entregar cartas confidenciais.

Os “Moços” eram homens de rosto erguido, sérios. Os clientes é que nem sempre… «Sabe como nos defendemos?», dizia um deles ao jornalista, no final dos anos 60[20] «Quando, por qualquer razão, desconfiamos de um freguês, retira-se do frete uma peça que valha pouco mais ou menos o preço do nosso trabalho. Entregamo-la depois numa esquadra de polícia. Guardá-la nós é que não, podia pensar-se que roubávamos. Então o freguês vai lá, paga o serviço e fica com o que é dele. É justo, não acha?» 
 
Era a escola da vida… em que o “Moço” Manuel da Fonte era caloiro.
Do outro lado da “baixa”, noutra esquina um pouco mais longe, da Rua da Prata com a Rua de S. Nicolau, estacionava o Moço nº 787, seu pai, também Manuel da Fonte, veterano da primeira leva de registos que a Câmara fez, em 1922. Talvez tenha entrado na “arte” pela mão do padrinho da sua esposa, o tal aguadeiro António Antão das Neves. Era comum encontrar pai e filho a trabalhar juntos, por vezes na mesma esquina[21].


Terá sido o pai quem descobriu o lugar vago e lhe recomendou a mudança? O certo é que, no final desse mês, passou a estacionar na esquina da Rua dos Douradores com a Rua da Assunção[22], uma ativa zona comercial, menos cosmopolita, mas com mais garantia de trabalho – que ele não estava ali para ver passar as meninas do Chiado, nem poetas melancólicos ou cavalheiros da finança! Além do mais, ficava mais perto de casa, da “casa da malta” onde morava com o pai, no 16 da Rua João do Outeiro, ali à Mouraria.


No final do dia, depois de uma jornada de 12 ou 14 horas em pé, quantas vezes num esforço desmedido, iria saber bem chegar mais depressa a casa – as pernas agradeciam. Felizmente, era no 2º andar do prédio, podia ser pior… que os havia por lá bem altos! Precisava de se lavar, mas não queria ir aos balneários públicos da Mouraria (que saudades do rio lá da terra!). Talvez ainda tivesse de “ir à água”, ao chafariz, e subir de novo com o cântaro, mas todos tinham de contribuir para as tarefas da casa – eram as normas das “casas da malta”.

Um chafariz… isso é dava jeito lá na terra, em vez daqueles charcos, aquelas “fontes de chafurdo” onde mergulhavam os cântaros! A União bem andava a lutar por isso…[23]
 
Já havia muitas casas com água canalizada, mas não nos bairros pobres, como a Mouraria. Lá para meados da década seguinte, já alguns prédios teriam esse luxo – uma torneira no patamar da escada e uma pia para despejos. Todos os despejos! O saneamento básico ficava à porta, no patamar de cada andar, sob uma janela que faria o arejamento[24].

Paul Descamps, descreve-as, nesse mesmo ano de 1935: «as casas operárias são com demasiada frequência mal iluminadas; há uma simples pia no pátio, onde se despejam as águas sujas e o resto». E, regista ainda, que embora nas principais cidades já houvesse água canalizada, «os bairros populares frequentemente só são servidos por chafarizes»[25] 
 
A casa onde vivia com o pai, era partilhada com mais homens “lá da terra”. Era normal naquela época – um alugava a casa e nela viviam todos os que lá coubessem, dividindo as despesas, cumprindo as regras e partilhando tarefas. Por isso eram conhecidas como “casas da malta”. O pai já ali morava, quando se registou como “Moço” e, com ele, moravam mais oito, todos “Moços de Fretes”[26]. Lá na Mouraria havia várias dessas casas: na mesma rua, João do Outeiro, no 1º andar do nº 27, moravam 18 Moços!
E, mais acima, no 52, só no 2º andar moravam 17!

Nesse mesmo prédio da Rua João do Outeiro, nasceu por essa altura uma menina – Maria Argentina. Talvez a tenham visto brincar na rua ou mesmo, por alturas de junho, armar o seu altar e pedir, com outras crianças «um tostãozinho para o Stº António…»  O fado corria pelas ruas, tão natural como os pregões e aquela menina, que por ali viram brincar, viria a ser uma grande fadista!

Logo ali ao lado, no 16 do Beco do Jasmim, viviam seis Moços – outra “casa da malta”. Esta mais pequena, à dimensão do espaço. O “dono da casa” (que não era proprietário) era o “Moço nº 981”, o Senhor João Almeida. E muitas, muitas outras, espalhadas pelos bairros populares de Lisboa. Tudo gente lá da freguesia – do Colmeal, do Carvalhal, do Soito, da Aldeia Velha…

Beco do Jasmim, 16 (em 2019)

           Assim, gastando pouco, todos poupavam dinheiro. Uns sonhavam comprar mais uns palmos de terra, umas oliveiras, uns castanheiros… ou melhorar a casa da família, para seu descanso na velhice; outros, ir ao mato e à lenha, voltar para a enxada… nem pensar! O seu sonho morava em Lisboa – haviam de alugar uma parte de casa, ou talvez mesmo uma casa, e trazer a mulher e os filhos, que tinham ficado na terra.

 
Em Lisboa teriam vida melhor – aqui ninguém andava descalço! Havia alguns anos já que o Governador Civil o proibira. E como, de repente, os muitos pobres de Lisboa se viam, por Lei, obrigados a andar calçados, as atrizes do Parque Mayer costuraram e ofereceram alpercatas à população[27]

Voltariam à terra no verão, claro! todos os anos, pela festa! Se tudo corresse bem, talvez conseguissem ir lá também pelos Santos e pelo Natal…. Voltar de vez? Só na velhice!

As diversões eram poucas, pois havia que poupar – saíram da terra para lutar por uma vida melhor, para eles e para a família! Não podiam perder o rumo… Um jogo de sueca, uma visita aos conterrâneos e o domingo estava passado.

Os ensaios para as “Marchas dos Bairros de Lisboa” [28] animavam a Mouraria. Será que o bailarico atraiu os “Moços” mais jovens? Ou as pernas, cansadas, pediam tréguas?

Nas “Casas da Malta” as refeições eram simples – talvez umas batatas cozidas com uma posta de bacalhau, que compraram já demolhado e que, naquele tempo, era comida de pobre. Quando fossem à terra, ajudar nos trabalhos agrícolas, haviam de trazer alguns mimos - uns enchidos, uns queijitos…


Teriam já trocado o velho fogareiro a carvão, pelo outro, muito moderno, que a propaganda da revista “Ilustração Portuguesa” garantia que cozinhava “um jantar completo em menos de duas horas, gastando apenas meio litro de petróleo”?

A ideia era bem atraente, mas viviam-se tempos muito conturbados.

No ano seguinte, começava a Guerra Civil Espanhola e as nuvens da 2ª Grande Guerra formavam-se já no horizonte… Portugal, não participando diretamente, sofreria o efeito da “onde de choque” de ambas – haveria racionamento de bens alimentares e de combustíveis líquidos.

As filas imensas que se formavam, para a obtenção de senhas de racionamento[29], tornaram-se focos de descontentamento e protesto da população mais pobre.

Pensando melhor… nem sempre as novidades são boas! Afinal, o velho fogareiro, a lenha ou a carvão, não os deixaria sem jantar!

Com a acalmia do fim da Guerra, a vida ia retomando a normalidade, mas, com ela, vinha também o princípio do fim, da carreira dos “Moços”.

Quando os bagageiros terrestres pediram a revisão do seu Regulamento (comum aos Moços de Fretes), nomeadamente da Tabela de Preços, o parecer do Ministério do Interior[30] (1945) apontava já para o fim da “arte” , prevendo que “quando se normalizarem as condições de vida na cidade, (…) o transporte de bagagens deverá fazer-se, provavelmente, por forma diferente da prevista na aludida proposta, dado que o fácil uso de transportes automóveis deverá pôr de parte o sistema actualmente usado.”

Atentos aos ventos de mudança, três “Moços” colmealenses aventuraram-se arrojadamente no mundo empresarial dos transportes de mercadorias e mudanças, com camionetas. Ao longo dos anos 60, foram desaparecendo das ruas as mudanças “a pau e corda”. No início dos anos 70, as esquinas foram ficando mais e mais vazias, até deles só restar a memória.



Publicidade inserida no “Boletim do Colmeal”, Julho/1971 e Julho/1981


O “Moço” Manuel da Fonte (filho) não ficou muito tempo “à esquina” … – se o sonho era mudar de vida, ele lutou e conseguiu! A memória da esquina e das cordas ficariam guardadas, junto com a sua caderneta profissional, a chapa metálica e o resto dos cartões de visita, numa mala que por lá andava e que foi ficando antiga…

Eram “Moços”, naquele tempo que parece tão longínquo.

Parece coisa de outro tempo… mas não é – era o tempo dos pais e dos avôs, dos homens que hoje são, eles próprios avôs. Homens que não renegam as suas origens humildes, as suas raízes. Não as branqueiam nem douram, antes as alimentam e homenageiam, na sua verdade, reconhecendo que foi a determinação e os valores, desses pais e avôs, que lhes moldou o caráter e lhes permitiu ser quem são.
 
Deonilde Almeida


[1] Testemunho de Anibal Santos
[3] I vol, Ed.Autor,Arganil,2008,pp.29-31
[4] Rocha-Trindade, Maria Beatriz, “A Serra e a Cidade – o triângulo dourado do regionalismo”, 2009, Ed.Âncora
[5] A Lei do Recrutamento Militar (1911), estabelecia o princípio do serviço militar obrigatório e, com ela, termina o sistema da remissão (pagamento de um substituto)
[6] Começava assim a grande “sangria” demográfica da região: só em 25 anos (meados da década de 40 e final dos anos 60), o concelho de Góis perdeu 60,5% da sua população
[7] Miguel Torga, “Portugal” (1986), p.78
[9] Caetano, Fernando Pinto, “Gentes e Famílias da Freguesia do Colmeal”, 2ª edição, 2016, edição de autor
[10] Fonte de imagem: Arquivo Municipal de Lisboa
[11] Contos, Quetzal Editores, 2018, p. 114
[12] Imagem de António Domingos Santos
[13] Em 1935, o Estado Novo fizera aprovar o chamado «Regime Geral de Previdência». (…) A criação das caixas sindicais de previdência dependia da «vontade dos interessados», ou seja, da celebração de contratos coletivos de trabalho, e o patronato opunha-se, denodadamente, à sua assinatura. (…) Não há, como regime geral, pensões de sobrevivência, de desemprego, assistência clínica ou médica completa ou assistência materno-infantil, (…). Para o geral dos trabalhadores desse tempo, o desemprego, a doença prolongada ou a velhice significavam morte e miséria.
Rosas, Fernando, “História de Portugal” (dir. José Mattoso), VII vol., Círculo de Leitores, 1994,p.98-99

[14] Imagem de António Domingos Santos
[15] Rosas, Fernando, “História de Portugal” (dir. José Mattoso), VII vol., Círculo de Leitores, 1994,p.97
[16] Em 1940, segundo dados oficiais, estão registados em Portugal 100.000 aparelhos de rádio, em 1957 serão já 534.063. “Os Anos de Salazar – O que se contava e se ocultava durante o estado Novo” (Vol.2), António Simões do Paço (Editor-coordenador), Centro Editor PDA, 2008, p.119
[17] Fernando Pessoa faleceu em Lisboa, no final desse ano (30 de novembro de 1935), vítima de cirrose hepática.
[18] Os armazéns reuniam, em pesadas malas, uma amostra de cada artigo (por ex. se o negócio eram tecidos, amostras de cortinados, estofos, confeção de vestuário, etc) – eram as “coleções” - e os seus “caixeiros viajantes” iriam de terra em terra, junto dos comerciantes a retalho, mostrar as novidades e receber as encomendas
[19] Extrato da descrição, primorosa e muito bem informada, do cronista “DANIEL”,  in Boletim “O Colmeal, nº 184, Maio de 1982, republicado em https://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/2009/09/figuras-e-factos-3.html
[20] “Restam poucos moços-de-fretes em Lisboa”, Reportagem de Carlos Plantier, Século Ilustrado, 19/10/1968
[21] O “Moço Daniel” (Marques da Costa), a quem o cronista homenageia, tomando-o como pseudónimo, também trabalhou com seu filho Alfredo Marques da Costa.
[22] Imagem de António Domingos Santos
[23] Dois anos depois, em 1937, o tão desejado abastecimento de água potável, chegava ao Colmeal, através de chafariz, ao Largo da Fonte e à Cruz da Rua
[24] Testemunho do Senhor Joaquim Luis Pinto, profundo conhecedor da Mouraria, onde vive
[25] P.Descamps, 1935, pp.376 e 467, citado por Rosas, Fernando, “História de Portugal” (dir. José Mattoso), VII vol., Círculo de Leitores, 1994,p.99

[26] Livro de Inscrição de Moços de Fretes, livros I e II, 1922-1936, Arquivo Municipal de Lisboa
[28] “Em 1932, Leitão de Barros propôs pela primeira vez a realização de um concurso de ranchos folclóricos dos bairros antigos de Lisboa. A ideia das Marchas dos Bairros de Lisboa surgiu como resposta a um desafio que lhe foi lançado por Campos Figueira, na altura diretor do Parque Mayer”.  António Simões do Paço (Editor-coordenador), “Os Anos de Salazar – O que se contava e se ocultava durante o estado Novo” (Vol.2),Centro Editor PDA, 2008, p.165
[30] Arquivo histórico do Ministério da Administração Interna, ANTT