02 novembro 2008

Saudade

Não só nesta época, mas em todos os dias, recordamos os que passaram pela União e nela deixaram um pouco de si. Nesta flor, a nossa gratidão e a nossa saudade. UPFC

24 outubro 2008

Lendo... aos poucos (II)

"Para sobreviverem na serra agreste e xistosa, as gentes reinventaram-na, dominando as fragas, o mato, a floresta e os animais bravios. Abriram algares e minas, à procura de ouro e outros minérios. Disputaram a terra e a água, e partilharam-nas mais ou menos amigavelmente. Construíram "combaros" nas encostas escarpadas e lameiros junto às ribeiras fundas, trazendo a terra de longe, e amparando-a com paredes ou paredões grandiosos e pacientes. Encaminharam cursos de água, construíram poços, levadas e barrocos, atravessaram-nos com pontões. Recorrendo ao xisto miudinho ou à pedra ferrenha que existia nos sítios, construíram casas, currais, moinhos e lagares. Abriram estradas de bois e caminhos estreitos e pedregosos, trilharam veredas íngremes, longas e sinuosas. Mais tarde, cavaram a serra, plantaram árvores que os incêndios já dizimaram, rasgaram as estradas serpenteantes por onde circulamos ou apenas a água chovida corre, arrastando consigo o suor e as lágrimas das pessoas e do património perdido. Incansáveis, fizeram tudo à mão, usando a força física e ferramentas muito pesadas, abusando do esforço e do espírito de sacrifício, trabalhando de sol a sol, calcorreando léguas pela serra, com os pés descalços ou mal calçados, quantas vezes com fome. Devido à estreiteza dos caminhos e à insuficiência da terra para os sustentar, os animais de grande porte eram raros, pelo que tudo era transportado, através dos tais caminhos que mal o eram, à cabeça pelas mulheres, maioritariamente às costas pelos homens." in "Dos Objectos para as Pessoas" Lisete de Matos, edição da autora, 2008

Magusto no Soito

Moinho do “curtinhal” – um espaço na aldeia do Soito que em breve passará a integrar o património colectivo do Soito, complementando o Espaço Museológico já existente.

Contrariando a tradição, a Comissão de Melhoramentos do Soito fará este ano o seu convívio dos “Santos”, no fim-de-semana seguinte ao habitual, mais concretamente no dia 8 de Novembro, Sábado, o qual, para além do tradicional magusto, às 16H30, incluirá também um almoço, às 13H00, com menu regional ainda a definir.
A participação no almoço deverá ser confirmada até ao próximo dia 4 de Novembro (Terça – Feira), para os seguintes contactos: cm_soito@hotmail.com; António Duarte: 933496796/217937915; Alfredo Campos: 218864403/934631441 ou Armando Braz 235761122/217963652 e implica o pagamento de 10,00€ por pessoa e 5,00€ para crianças até aos 12 anos, sendo que o magusto é grátis e aberto a todos os que nele queiram participar.
Para além do natural convívio e da união de todos, este encontro visa uma maior mobilização das gentes do Soito para a prossecução dos projectos em curso (recuperação do espaço da Eira e moinho do “curtinhal”) e fornecer alguns esclarecimentos sobre as eventuais possibilidades de recurso ao QREN para financiamento de projectos colectivos ou individuais, que poderão ser essenciais ao futuro da nossa aldeia.
A sua presença e empenho constituem um contributo indispensável para a sobrevivência do Soito e, consequentemente, da freguesia do Colmeal. Não falte!
António Duarte – CMS

O poste... que fazia chi-chi

Poderá muito bem ser o título de uma nova história para crianças. Não para os pais lerem aos filhos antes de adormecer, mas para os filhos lerem aos pais diversas vezes ao dia. Curiosamente, nota-se que entre os mais pequenos começa a haver uma maior consciencialização e preocupação com o meio ambiente. São eles que por vezes alertam os pais para situações com que se deparam no dia a dia e ficam tristes por nem sempre serem ouvidos e compreendidos. Numa altura em que tanto se fala no aquecimento global, na qualidade do ar que respiramos ou na escassez de bens essenciais como é o caso da água, ainda nos deparamos com situações como a que a foto documenta.

Colmeal em Foco

Regionalismo está cada vez mais altivo, quer nas sedes concelhias quer nas suas povoações, nesta vasta zona serrana. É um mote evoluído com raízes no coração, de personalidades que expressam com sentimento o valor de cada região, fortalecendo o querer viver em parceria social, obtendo frutos, como é o facto a considerar da comemoração dos 77 anos de vida da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, uma festa de grande sumptuosidade, realizada no passado dia 21 de Setembro. O Colmeal é um berço embalado pelo vale do Ceira, cheio de relíquias e recordações que o tempo não apaga, merecendo o carinho de quem nele nasceu. A vida difícil forçou a deitar mão à emigração e embora mais estagnada a ausência de habitantes, o progresso do Colmeal não declinou, porque as gerações renascem através de eventos que dão calor humano aos ausentes e presentes. Agrada registar o grande timoneiro "Boletim mensal da paróquia", que se hoje estivesse a circular, estava a comemorar 50 anos de existência e o tempo da sua vida era uma carta de família para todos os colmealenses, que guiou o destino de muitas obras, a dar notícias da freguesia com clareza e objectividade, sendo beneficiadas as povoações: Sobral, Açor, Adela, Soito, Carrimá, Malhada, Carvalhal, Aldeia Velha, Quinta de Belide, Saião, Salgado, Vale d'Asna, etc.. A Junta de Freguesia sempre atenta em dar solução aos problemas mais prementes, com o esforço dos responsáveis, consegue dinamizar planos em prol das povoações, de acordo com os rendimentos obtidos e outras receitas, a serem geridas convenientemente, não faltando o apoio a outras organizações da freguesia, tendo como palco de honra a sua "UNIÃO PROGRESSIVA". Ela é o baluarte do regionalismo e desenvolvimento, que próximo de terminar o mandato doa actuais dirigentes, é digno destacar o seu presidente, regionalista e mentor, dr, António Domingos dos Santos, sempre apto na divulgação dos acontecimentos, em especial nos Jornais (O Varzeense e Jornal de Arganil), é digno realçar os escritos que endereçou ao êxito alcançado na festa comemorativa, seguido de outro acérrimo regionalista e redactor do Jornal "A Comarca de Arganil", lançando a sua crónica bem pautada do acontecimento, com a sabedoria habitual, do nosso bom amigo António Lopes Machado, louvores a registar, também, aos exímios jornalistas dos jornais já citados em muitos eventos da região. Esta introdução vai ao encontro de outro aspecto muito relevante e que vamos dar vida à caminhada que se segue: o autocarro do Colmeal, ligado à conceituada Empresa Luís Filipe, de Coimbra, sendo responsável o simpático motorista, Pedro Santos, saiu às 7,30 h, e bem coordenado pelo dirigente Álvaro e sua esposa, desde a saída até á chegada. Houve uma pequena paragem, próximo do Carvalhal e Aldeia Velha, sendo notada com satisfação a entrada, de 14 passageiros, ficando a viatura devidamente em ordem a caminho de Alvares, tendo prosseguido a viagem até ao (Café Restaurante Marques - Cabaços) local escolhido para o pequeno-almoço e que o seu proprietário José Dias Marques e seu filho Paulo, acolheram os visitantes com simpatia, que para paragem e interesse turístico, tem capacidade para mais de 750 pessoas, digno de ser considerado. O novo percurso foi acarinhado pela paisagem agrícola, cheia de cor e de vida a área de Tomar e via Torres Novas, rica na colheita do milho e o aumento progressivo de boas vinhas, já a atravessar a ponte do rio Tejo-Chamusca, uma vila situada na margem esquerda, com características culturais da região e quem viaja, pode apreciar o igreja matriz do século XVI, o Museu Municipal, o núcleo arqueológico romano e outros, deixando este apontamento para continuarmos até ao local de encontro, outra relíquia ribatejana, a bela vila de Alpiarça, que dos quatro autocarros vindos de Lisboa e o nosso, após reunidos os colmealenses e amigos, pelas 10,30, foi iniciado o programa com visita ao museu dos Patudos, bastante concorrida pela UNIÃO, a ultrapassar as 160 pessoas. Dar expansão à grandeza da Casa, um dos Grupos teve o privilégio de ter como guia a simpática D. Laurinda, arquivista do Museu, com dotes especiais em dar conhecimento da biografia do seu fundador, José Mascarenhas Relvas (1858-1929), que embalados na sua voz, vamos recordar apenas o título de cada Sala, cheia de pergaminhos dessa figura notável, com grandes qualidades de dirigente associativo, administrador agrícola bem sucedido, promotor sensível do bom gosto artístico, amante da música, viticultor exímio, político e conspirador contemplativo. Abel da Silva Gonçalves in Jornal de Arganil, de 23/10/2008
in http://goisvive.blogspot.com/

23 outubro 2008

União e Progresso do Carvalhal

O Carvalhal, uma das aldeias da nossa freguesia e com a maior população e grande colónia na capital, já em tempos idos, teve a sua colectividade regionalista que infelizmente se extinguiu. Foi com verdadeiro carinho que entre os seus naturais começou a constar e afirmar-se ir surgir nova agremiação. Tal acontecimento parece-nos digno de nota e de relevo. No intuito de algo podermos dizer aos nossos leitores, em especial aos do Carvalhal, procuramos o Sr. Manuel Martins Barata, um dos iniciadores do movimento, que amavelmente se colocou à nossa disposição. Manuel Barata é um jovem dinâmico e activo, sempre interessado em tudo que diga respeito ao prestígio e progresso do Carvalhal e da nossa freguesia. Comerciante no ramo de representações, tem sempre um pouco de tempo livre para se dedicar aos assuntos regionalistas. Daqui a amizade e relações de simpatia que desfruta entre a colónia da nossa freguesia.
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À nossa primeira pergunta, de como tinha surgido a ideia da nova colectividade e qual o seu título, Manuel Barata responde: - A ideia já vem de longe, mas este movimento só tomou vulto quando da nossa festa pelo S. João. A rapaziada, em alegre convívio, deliberou levar essa ideia avante, dando disso conhecimento verbal a todos os nossos conterrâneos de forma a conseguir-se o desejado e imprescindível apoio. - E esse apoio tem existido? - Sim, até talvez em maior escala do que o esperado. Estamos crentes que de princípio conseguiremos um número de sócios da ordem dos cem – o que, para iniciar, seria óptimo. Sobre o título a adoptar será talvez: União e Progresso do Carvalhal. - Qual a direcção prevista para a nova agremiação? - Salvo motivo imprevisto será composta pelos seguintes senhores: Manuel Almeida Santos, Álvaro Marques, Manuel Fernandes, João Martins, Fernando de Almeida, Agostinho de Almeida, Carlos dos Santos e Manuel Lopes, respectivamente, presidente, secretário, tesoureiro e vogais e possivelmente eu como vice-presidente. - Depois de fundada e logo que haja possibilidades financeiras, existe algum empreendimento em perspectiva? - Eles são vários: em especial o calcetamento das ruas, mais um fontanário, reparar o lavadouro e inclusivamente o Largo da Eira ao qual se pensa dar o nome do seu iniciador, António Marques de Almeida. - Não será prejudicial a criação de mais uma agremiação visto poder resultar um desmembramento de associados das já existentes? - Estou certo que não, até porque os naturais do Carvalhal muito consideram a União Progressiva a quem muito devem. A direcção a ser eleita tudo fará para que os interesses da colectividade mãe não sejam afectados. Com um aperto de mão nos despedimos e aqui fica expresso o desejo de felicidades, esperando que os naturais do Carvalhal não faltem a esta chamada de colaboração e apoio à futura União e Progresso. in Boletim “O Colmeal”, Ano VI, N.º 65, Janeiro de 1966 E foi assim que há quase quarenta e três anos, Fernando Costa entrevistava o também jovem Manuel Martins Barata. Repare-se na sua simplicidade e humildade, aqui bem patentes, nas suas respostas. A sua preocupação em relação à colectividade mãe da freguesia, a mais antiga, a União, para que não fosse beliscada com o aparecimento da sua União e Progresso. E também o entusiasmo visível e que sempre lhe conhecemos ao longo dos anos, em que trilhámos os caminhos nem sempre fáceis do regionalismo. Vivia os problemas do Carvalhal como ninguém. O seu esforço, tenacidade e empenho podem ainda hoje ser comprovados nas melhorias que encontramos quando percorremos as ruas da sua aldeia, a aldeia para onde voltou para sempre, cedo demais, com apenas setenta e cinco anos. O seu nome ficará para sempre ligado ao abastecimento de água, electrificação, calcetamento das ruas, construção do cemitério, entre outras coisas. Como em tudo na vida e em qualquer lugar isso acontece, nem sempre Manuel Martins Barata foi bem compreendido ao longo dos vinte e oito anos em que esforçadamente dirigiu a União e Progresso do Carvalhal. Acontece aos melhores e Martins Barata está e estará sempre entre os melhores. Na União Progressiva da Freguesia do Colmeal desempenhou durante cerca de trinta anos vários cargos na Direcção, Conselho Fiscal e na Comissão Regional. Estando a comemorar-se os 80 Anos do Regionalismo no Concelho de Góis, confiamos que a União e Progresso do Carvalhal saberá dizer presente e, conjuntamente com as restantes colectividades da freguesia do Colmeal, ajudará a mostrar e a dignificar o trabalho que foi feito ao longo dos anos nas nossas aldeias e pelas nossas gentes. A. Domingos Santos

Em breve... novas "estórias"...

Olá! Obrigada pelas notícias. Espero que já tenham "recuperado" dos eventos... Têm sido muitos. Bem organizados, e como sempre, fruto de muito trabalho da UPFC, seus dirigentes e colaboradores. Parabéns mais uma vez. Eu tenho acompanhado pelo blogue e tenho recebido as circulares, sempre a tempo. Muito Obrigada. Surgem-me sempre, na mente, comentários, textos, recordações, estórias enfim... sobre o "nosso" querido Colmeal, suas terras, suas gentes. Até "frequentei" recentemente um pequeno curso sobre "Escrita, suas técnicas e normas"!!! Mas...há que ter talento para escrever e... esse não se aprende. Ou se tem ou não se tem. Daí a razão para a minha "inibição" em enviar os meus "escritos" (secretamente guardados na minha gaveta, baú e... mente...), para o blogue da UPFC, tão sabiamente organizado e com uma frequência de elogiar. Tenho acompanhado os "relatórios de visitas" ao blogue. Mais uma vez: Parabéns pelo trabalho da UPFC nesta área. As "visitas" passaram a ser também um motivo para a minha "inibição". O que se escreve é lido por muita gente. Será analizado e criticado. Daí a minha decisão em "frequentar" um curso sobre "Escrita"!!! A minha autocrítica tem sido muito severa. O que tenho enviado para o blogue tem sido sempre, tímidamente, na qualidade de "pseudónimo"!!! Muitas "estórias" tenho guardadas na gaveta. Até aqui, elas eram apenas minhas. Partilhá-las com tão ilustres leitores - muitos deles: meus bons companheiros (no Colmeal) de infância... adolescência e já em idade adulta também, sempre recordados com muito carinho e saudade - começou a tornar-me a tarefa "escrever" - até agora para mim, fluente e fácil (pensava eu) - cada vez mais difícil. Abraços e Saudades. Ana, badana, rabeca, susana.

21 outubro 2008

Magusto e Mostra - cancelamento

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A Direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal informa todos os associados e amigos, que face ao falecimento do nosso sócio Manuel Brás de Almeida, verificado hoje, decidiu cancelar as actividades programadas para o dia 2 de Novembro - Magusto e Mostra/Venda de artesanato. À Belmira Fontes de Almeida, nossa colega na Delegação no Colmeal e a todos os restantes familiares, apresentamos os mais sentidos pêsames.
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A Direcção da UPFC

COLMEAL, terra de abelhas e de homens

Quem deu o nome de Colmeal à terra onde existem colmeias foi feliz e profundo. Na realidade, ainda hoje se encontram numa das típicas varandas da povoação, e será esse o sinal evidente da felicidade da designação. Quanto à profundeza do acerto, não sabemos se se deverá pensar na fertilidade que embeleza montes e vales ou se nos devemos referir à franca e acolhedora hospitalidade de cada colmeia, de cada casa. Do colorido leito do rio Ceira, meigo e fresco a quebrar ardências solares, até à repousante e sobranceira Ermida do Senhor da Amargura, os caminhos tortuosos, mas limpos, deixam ver uma vegetação variada e sente-se a protecção segura das florestas que culminam essa encosta e a que se lhe opõe. Até os terrenos abandonados, com vergonha da nudez, se cobrem de espontânea relva, sorriso irónico da fecundidade do solo. Repousa-se a vista e, quando nos decidimos à escalada, a máquina respiratória, pouco habituada a esforços, recompõe-se em curta paragem. Ali se reconhece então o verdadeiro significado do «ir a ares». Solo rico em beleza panorâmica e ambiente tonificante, o amanho de pequenas courelas não consente, por si só, a subsistência de elevada proliferação e os filhos numerosos abandonam o seu querido Colmeal em busca de novos recursos. Apesar disso, não o esquecem. Ainda que à custa de enormes sacrifícios, longe da terra natal, os seus naturais preocupam-se em converter suores no arranjo ou na construção de habitações quase sempre desabitadas. Porém, quando se abrem, as suas portas ficam franqueadas, lhana maneira de suavizar a míngua da terra encantadora, excelsa prova de que não esqueceram a lição ministrada pelas simpáticas abelhas que só gostam de viver em sociedade. VITOR COELHO In Boletim “O Colmeal”, Ano X, N.º 106, Outubro de 1970

Lendo... aos poucos

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"Há trinta anos, todas as casas estavam habitadas e, ausentes alguns maridos e filhos, os residentes rondavam os trinta. Os mais novos continuaram a partir e, dos que ficaram, muitos repousam já na paz do Senhor. Sente-se a sua ausência na relva que cobre os bocados, nos silvados que proliferam, no desgaste das próprias casas, enfim, num certo ar de abandono que paira um pouco por toda a parte. Encontram-se, porém, a todo o momento: a descansar do carrego nos poisos dos caminhos que trilharam, nos marcos que puseram a separar as sortes, nas paredes que suportam os cômoros e cuja terra e pedra acartaram de longe, nas lajes, ao alto, a segurar a terra, nas levadas e poços que construíram, nos objectos que utilizaram, nas referências que se lhes fazem para recordar factos que aconteceram no ano em que fulano nasceu, casou ou morreu." in "Gente da Serra - Do seu Quotidiano e Costumes" Lisete P. Almeida de Matos, Edição de 1990

20 outubro 2008

António Ferreira Ramos

Ainda recentemente estivemos juntos em mais um almoço de aniversário da União, a sua União Progressiva. É um nome que lhe diz muito e que ele se habituou a pronunciar e a servir ao longo de mais de meio século. Veio de propósito para comemorar com a família e os amigos os setenta e sete anos da colectividade, quase tantos como quase os que já viu passar por si. Depois de um dia de alegrias e emoções, regressou ao Colmeal desfazendo as curvas feitas pela manhã. Estava ainda a passar férias com a sua Ilda, na sua "nova" casa ao Canto, ao que se diz o bairro mais antigo do Colmeal. E tudo corria bem até que... querendo trabalhar... "se meteu em trabalhos". O amor à terra e a recordação do que se fazia e de como se fazia antigamente foram mais fortes do que as recomendações e o nosso António teve mesmo que ir "fazer a queimada". Só que as chamas foram mais lestas e matreiras que as suas pernas com oitenta e um anos e o pior aconteceu. Sabemos que o António é forte e que vai encarar estoicamente os próximos tempos, que não vão ser fáceis. Rodeado dos maiores e melhores cuidados, António Ferreira Ramos, o "Barrocas" para os amigos antigos e dos tempos da sua União Progressiva, vai aproveitar o tempo de imobilismo para certamente recordar tempos idos, em que privou e trabalhou com tantos homens bons que ajudaram a modificar a sua terra. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal está com ele nesta fase difícil e todos lhe desejamos, muito sinceramente, o seu completo restabelecimento. Um grande abraço. Força António! UPFC

17 outubro 2008

Colmeal - História e curiosidades (3)

Continuando a utilizar o excelente trabalho de pesquisa levado a efeito pelo Movimento Cidadãos por Góis, ficamos a saber que no ano de 1799 e em 19 de Agosto – Foi feito o reconhecimento dos limites dos Lugares de Souto, Malhada, Foz da Cova, Foz de Carrimá e Portal, da freguesia do Colmeal. Os Lugares de Boiças e Vale Sobreiro, igualmente reconhecidos como pertença de Góis, não estão na freguesia do Colmeal, mas sim na de Fajão. 2 de Setembo – Foi feito o reconhecimento dos limites dos Lugares do Colmeal, Carvalhal do Sapo, Aldeia Velha, Reçaio e Revelia, da freguesia do Colmeal. 22 de Setembro - Foi feito o reconhecimento, pelos habitantes do Lugar de Sobral, da vila de Celaviza e seu termo, e do seu donatário, Marquês de Abrantes. UPFC

15 outubro 2008

80 Anos de Regionalismo no Concelho de Góis

Na passada quinta-feira, 9 de Outubro, a Direcção da União Progressiva respondeu afirmativamente a uma solicitação do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis, e esteve numa primeira reunião de trabalho para que a presença da freguesia do Colmeal em Lisboa seja uma realidade. Já anteriormente e numa nota enviada à comunicação social da região – imprensa e rádio, o Conselho Regional garantia a representação da freguesia do Colmeal, nos termos que a seguir se transcrevem: A representação da Freguesia do Colmeal está assegurada pela União Progressiva da Freguesia do Colmeal que, tanto quanto se sabe, irá fazer uma aproximação junto de outras colectividades para que em conjunto, possam ter o sucesso pretendido. Estamos a estudar uma hipótese para que a freguesia do Colmeal se mostre em Lisboa durante o mês de Janeiro de 2009. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal, convidada na qualidade de colectividade mais antiga da freguesia, fica honrada com esta escolha que é ao mesmo tempo um grande desafio. Como atrás se diz, a União irá promover uma aproximação junto das outras colectividades da freguesia, o que já tem vindo a fazer informalmente. Entretanto, já remeteu uma carta a todas elas, pois que só trabalhando, pensando e agindo em conjunto se conseguirá fazer algo que dignifique o regionalismo e a freguesia do Colmeal. A freguesia do Colmeal existe e terá que estar presente nas comemorações dos 80 anos do Regionalismo no Concelho de Góis. Todas as colectividades deverão estar sensibilizadas e envolver-se com entusiasmo no sentido de se conseguir um trabalho conjunto que a todos dignifique. E também a nossa Junta de Freguesia que recentemente mostrou disponibilidade para colaborar. A data previsível para o Dia da Freguesia do Colmeal será a de 31 de Janeiro de 2009. Entretanto estão já calendarizadas as datas de 25 de Outubro para o Dia da Freguesia de Vila Nova do Ceira e depois a 15 de Novembro, o Dia da Freguesia de Alvares. Enquanto não agendamos uma reunião com as colectividades e a Junta, para se analisar a forma de trabalhar em conjunto, sugerimos que se vá pensando no que de melhor podemos trazer das nossas aldeias, para que tenhamos uma representação digna. Haverá necessariamente uma pequena sessão de abertura alusiva ao acontecimento que se comemora. A nossa freguesia tem valores humanos incalculáveis. Tem escritores e pintores, que poderão apresentar e expor as suas obras. Ou fazer o lançamento de um livro ou a sua apresentação em Lisboa. Temos artesãos que poderão vir mostrar os seus produtos e os seus trabalhos. Há fotografias antigas e outras mais recentes que permitirão ver as diferenças operadas ao longo dos anos nas nossas terras. Por que não trazer concertinas, guitarras e violas e relembrar os bailes de antigamente? Estas são algumas sugestões do que se poderá apresentar neste Dia da Freguesia do Colmeal em Lisboa, na Casa do Concelho de Góis. Certamente irão surgir outras. Para isso solicitamos a melhor colaboração de todos os Colmealenses – sócios, naturais e oriundos da freguesia do Colmeal – que nos apresentem ideias para que na reunião possamos avançar com passos concretos. Obrigado pela colaboração que, antecipadamente, sabemos nos irá chegar. UPFC

13 outubro 2008

Mostra/Venda de artesanato e produtos locais

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Todos ficámos conscientes e muito agradados com o sucesso de que se revestiu a experiência com a primeira “Mostra/Venda de artesanato e outros produtos locais” realizada no fim-de-semana da última Páscoa, no Colmeal. A União Progressiva vai realizar de novo o tradicional magusto, no próximo dia 2 de Novembro, no Parque de Merendas das Seladas. E, tal como no ano passado, pretende levar ao Colmeal muitos visitantes, entre sócios e amigos da colectividade, que querem conhecer a nossa aldeia, a região e conviver com as gentes da serra. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal formulou um convite aos artesãos e produtores que estiveram presentes na primeira Mostra, para que aproveitando este afluxo anormal de visitas no dia do magusto, 2 de Novembro, repitam a experiência e possam voltar a expor, divulgar e apresentar os seus produtos, agora no Parque de Merendas das Seladas, durante o convívio que aí se vai processar. É para todos muito gratificante continuar a verificar que ainda há pessoas interessadas e com entusiasmo, que vão produzindo mel, queijo, enchidos, broa, medronho, pequenas construções em xisto e trabalhos em madeira, artigos em lã, bijutarias, para além de outros produtos, que as vão mantendo fixadas numa tentativa louvável de contrariar o abandono, o isolamento e a desertificação. O nosso envolvimento pessoal e das Comissões de Melhoramentos que dirigimos é fundamental para a sensibilização dos nossos associados para a compra e divulgação destes produtos. Por outro lado, o entusiasmo que colocarmos nestas realizações terá um efeito imediato no encorajamento tão necessário aos nossos artesãos e na dinamização da sua produção. Temos que ser nós, devemos ser todos nós e com os meios que estão ao nosso alcance, a divulgar, a dar a conhecer o que de bom temos nas nossas terras, nas nossas aldeias e que se não apoiarmos, corre o risco de desaparecer. Contamos com a compreensão, colaboração e dinamismo de todos os nossos artesãos e produtores para que esta realização seja de novo coroada de êxito. UPFC

Manuel Nunes de Almeida

(Clicar na imagem para ampliar)
Faz hoje precisamente um ano que no mensário "Voz de Fátima", N.º 1021, surgia uma pequena notícia relacionada com um nosso sócio e amigo, acompanhada da sua fotografia. Nela se dizia que "Manuel Nunes de Almeida deslocou-se em mais uma peregrinação familiar a Fátima, acompanhado da filha, onde se deu a conhecer como mais uma pessoa nascida em 13 de Maio de 1917. Nascido no concelho de Góis, na freguesia do Colmeal, acabou por fazer a sua vida em Lisboa, onde ainda reside e para onde foi viver com 12 anos. Trabalhou como barbeiro, como enfermeiro, e depois na área de hotelaria. Na breve conversa tida com este homem, actualmente com 90 anos, de imediato salta à vista a sua grande vontade de viver e de aprender. Com vários cursos de línguas estrangeiras, tem também o 3.º ano do curso de Direito. Manuel Nunes de Almeida publicou, e ainda continua a escrever, vários livros, alguns de poesia, outros de prosa. Um dos livros "Missão de Mãe" mostra, na dedicatória, a devoção de Manuel de Almeida a Nossa Senhora. « Dedico este livro a todas as mulheres do mundo, com um veemente apelo: Enquanto mulher, nunca assumas a desgraça como uma fatalidade irreversível; enquanto mãe tem a humilde coragem de, como Maria da Nazaré, aceitares ser instrumento da vontade do criador.» " Este e outros livros de sua autoria, como "Levante-se o Réu", "O Homem e a Montanha", e "Por entre as torres, e os fundões da vida, o homem procura-se" foram-nos simpaticamente oferecidos e encontram-se à disposição de todos na Biblioteca da União, no Colmeal. Durante muitos anos dedicou parte da sua vida a um grande projecto - a "Quinta das Águias".
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Recordamos a sua presença no almoço comemorativo dos 75 anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, realizado em Setembro de 2006, junto de sua esposa e filha.
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Foi um dos que, face à sua antiguidade de mais de cinquenta anos como associado, foi atribuída uma placa comemorativa, aqui entregue pelo Eng.º Fernando Pinto Caetano, Presidente da Assembleia-Geral da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. UPFC

10 outubro 2008

E tudo começou assim...

Foi com este cartaz das Festas de Verão no Colmeal que em 2007 iniciámos o nosso percurso pelas novas estradas da informação ao volante de um carrito que mal sabíamos conduzir. E com velocidade moderada temos seguido o nosso caminho numa tentativa de levar a União Progressiva, o Colmeal, a freguesia e o concelho de Góis a casa de cada um, em qualquer parte do mundo onde se encontrem. Seis meses atrás, em 18 de Abril, atingíamos as 10 mil visitas. Hoje, dobrámos e chegámos às 20 mil. Estamos contentes. Estamos satisfeitos. Mas, naturalmente, queremos melhorar e em cada dia que passa tentamos fazê-lo. Mas não o poderemos fazer sozinhos. A sua colaboração, a sua participação, uma fotografia recente ou antiga esquecida lá por casa, uma pequena nota para publicação, um seu comentário, tudo isso nos dará alento para continuar, manter e se possível melhorar o nível atingido. Temos recebido muitas mensagens de felicitações, algumas das quais vindas de pessoas que não conhecemos nem nos conhecem. Temos sido visitados em todos os continentes e em países onde nunca pensámos que o Colmeal chegasse. São alguns dos benefícios das novas estradas da informação. A nossa postura, manifestada logo de início, para este espaço que se pretendia aberto a todos e a todas as ideias, tem sido seguida e felizmente compreendida pela grande maioria dos nossos visitantes. Não estando activados mecanismos de controlo impeditivos da recepção de comentários, acontece que por vezes surge um ou outro, que poderá ser menos simpático ou mais cáustico para quem se considere como alvo. Num blogue como o nosso, com educação, civismo e elevação, haverá sempre lugar para quem queira participar e partilhar as suas ideias. Sabemos que nem sempre é fácil entender e lidar com a democracia, mas desde que não haja ataques pessoais ou insultuosos, o nosso blogue estará sempre disponível. Para além da "Página Principal" que hoje atingiu os vinte mil visitantes, apraz-nos registar os números alcançados nas outras. No "Cantinho da Saudade" mais de 3850, no "Especial Açores" ultrapassados os 1770 e em "A União no Presente", 6550 visitantes. Para um blogue de uma colectividade regionalista, com a pequena dimensão que sabemos ter, ficamos contentes com os números alcançados. Milhares de fotografias relativas às últimas realizações da União Progressiva da Freguesia do Colmeal foram sendo colocadas, assim como muitas outras que nos chegaram, vindas das mais diversas proveniências, para nos ajudarem a recordar um pouco do passado que não podemos nem devemos renegar. Vamos aguardar pelo reforço da sua colaboração. A nossa região precisa de si para ser mais conhecida. As nossas aldeias necessitam das suas palavras e das suas fotografias para que não sejam esquecidas. Tudo faremos para recordar e trazer à luz do dia o passado de uma colectividade regionalista, pioneira na freguesia e uma das primeiras do concelho de Góis, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Um OBRIGADO GRANDE ao Francisco Silva pela ideia de criar este blogue e a todos quantos ao longo deste ano foram colaborando connosco. A. Domingos Santos

09 outubro 2008

Colmeal à noite

Estas fotografias não teriam sido possíveis antes de 19 de Dezembro de 1971, dia em que foi inaugurada a rede eléctrica no Colmeal. "A noite fez-se dia e o Colmeal delirou. Em ecos de alvorada vivemos um dia cheio, um dia longo, um dia feliz. Na escuridão da noite acende-se uma luz, transforma-se a esperança de anos em certeza de um dia." in Boletim "O Colmeal", Ano XI, nº 114 Março de 1972 .
UPFC

07 outubro 2008

MAGUSTO no COLMEAL

No próximo dia 2 de Novembro, vamos de novo fazer o tradicional MAGUSTO no Colmeal. Estamos a preparar uma excursão – um autocarro, pelo preço único de 26 euros com almoço incluído, que sairá de Lisboa às 7 horas, do local habitual (Sete Rios – frente ao Jardim Zoológico). O regresso terá início cerca das 18 horas. Se estiver no Colmeal e quiser associar-se, pagará apenas 8 euros pela refeição. O almoço com ementa de cariz regional será no agradável Parque de Merendas das Seladas. Se o tempo não o permitir, estamos a encarar utilizar como alternativa, um recinto coberto. Esperamos poder ter a habitual gentileza das senhoras do Colmeal para a preparação das sobremesas, mas se quiser trazer e partilhar um bolo ou um doce, teremos muito gosto. Cerca das 16 horas iniciaremos o tradicional magusto com castanhas, água-pé e jeropiga. Como nos anos anteriores o magusto é grátis e é uma oferta da União. Solicitamos o favor de efectuar a inscrição (excursão ou almoço), se possível até dia 24 de Outubro, para os seguintes contactos: Colmeal – José Álvaro/Bela – 235 761 490 Lisboa – António Santos – 21 7153174 / 96 2372866 Lisboa – Maria Lucília – 21 8122331 / 91 4815132 Venha passar connosco um dia diferente e reviver esta tradição do MAGUSTO. E não perca a MOSTRA/VENDA DE ARTESANATO E PRODUTOS LOCAIS que os nossos artesãos, com muito gosto e entusiasmo, estão a preparar para si. Vai ver que vale a pena. A Direcção 7/Outubro/2008

03 outubro 2008

Livros no Colmeal

Ao passar os olhos num dos últimos números da Revista Única, fiquei agradavelmente surpreendido por uma pequena nota relacionada com uma escolha de livros feita pelo ex-presidente da República Mário Soares. Dizia ele "Gosto de livros pelos seus conteúdos, como gosto deles como objectos de arte. Nos portugueses, ponho acima de todos Os Maias, de Eça de Queirós. Mas tenho muitos outros escritores de quem gosto, de Lobo Antunes a Saramago, para falar dos contemporâneos. Na poesia tenho de mencionar Fernando Pessoa. Mas também não esqueço grandes poetas como Guerra Junqueiro, Bocage e Camões, sobretudo da sua lírica. De livros estrangeiros cito Tolstoi e Guerra e Paz, Os Thibaullt, de Roger Martin du Gard, mas também O Estrangeiro, de Camus, ou A Montanha Mágica, de Thomas Mann." Como referia no princípio, fiquei agradavelmente surpreendido porque a Biblioteca da União no Colmeal, também tem estes autores e estes títulos, o que quer dizer que os nossos leitores têm à sua disposição um acervo de grande qualidade e variedade. Brevemente estarão disponíveis mais duas colecções, do tipo "livro de bolso". De fácil manuseamento e agradável leitura. Autores portugueses como Alexandre Herculano, Florbela Espanca, Trindade Coelho, Eça de Queirós, Júlio Dinis ou mais modernamente Miguel Sousa Tavares. A Cidade e as Serras, um livro que é publicado após a morte de Eça e trata da tensão que vive o homem da cidade, refém das necessidades surgidas com a civilização. A Queda de um Anjo, uma das mais célebres novelas de Camilo, em que faz uma caricatura da vida política política portuguesa. O Sermão de Santo António aos Peixes, proferido em 1654, pelo Padre António Vieira, em que os peixes são a personificação dos homens e símbolos dos vícios dos colonos portugueses no Brasil. Trindade Coelho e o seu livro de finais do século XIX, Os Meus Amores, em que homens, crianças e animais convivem na fraterniddae duma comunhão de sonhos, de dramas e sentimentos comoventes passados em cenários rurais. E muitos outros, de variados autores, como por exemplo, Fialho de Almeida, Raúl Brandão ou Bernardim Ribeiro. Ou escritores estrangeiros consagrados como Máximo Gorki, Franz Kafka, Dostoiévski, Jack London ou Thomas Hardy. Não perca mais esta oportunidade de usufruir de bons autores e de boa leitura. A. Domingos Santos

30 setembro 2008

Vistas do Colmeal

Foto de F.S.

A nossa velhice

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Assim como nós vamos envelhecendo também o país vai ficando mais velho. No ano de 2007 foram mais os que morreram do que os que nasceram. A continuar assim, podemos desaparecer tal como muitas outras espécies têm desaparecido da face do nosso planeta. Os números são preocupantes e foram apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda muito recentemente. Pior que 2007 só aquele ano, já longínquo de 1918, em que a pneumónica devastou a Europa e em Portugal causou mais de sessenta mil mortes. Em todo o mundo terão sido mais de vinte milhões as suas vítimas. Segundo o INE haverá crescimento demográfico até ao fim da primeira década deste século mas quanto ao futuro, as perspectivas não serão animadoras e tudo indica que se entrará em queda, o que para os especialistas já não será grande novidade. Tem-se verificado uma descida continuada no índice de fecundidade da mulher portuguesa ao mesmo tempo que se assiste a uma ligeira subida na esperança de vida, o que nos vai conduzindo para uma sociedade envelhecida. O mesmo se vai verificando por essa Europa fora e por esse mundo, especialmente nos países industrializados e em desenvolvimento, enquanto em África e em países menos desenvolvidos ainda se vai passando o inverso, por enquanto. Daqui a meio século as pessoas com mais de oitenta anos serão o triplo das de hoje. E como será na nossa região? No nosso concelho? Na nossa freguesia? Na nossa aldeia, em que muito raramente se nasce e apenas se vai morrendo?... .

26 setembro 2008

Crónicas e Memórias

“Crónicas e Memórias” foi a última obra, em dois volumes, do grande jornalista António Lopes Machado, publicado recentemente e que teve a amabilidade e a gentileza de nos fazer chegar com uma dedicatória muito simpática e de apreço pela acção regionalista que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem vindo a desenvolver. Colectânea de textos que, segundo ele, foram surgindo e reunidos sem grande preocupação de lhe dar um sentido cronológico. Nasceu na freguesia de Pombeiro da Beira em 1927 e recorda que por altura dos quinze anos andava “nas suas aventuras no volfrâmio”, como tantos outros da sua idade. Chegou a Lisboa “na manhã cedo do primeiro dia de Janeiro de 1945” onde conclui o Curso Complementar do Comércio, já como trabalhador-estudante, em 1951. Em 1959 foi nomeado redactor de A Comarca de Arganil em Lisboa, em substituição de outro grande nome do jornalismo beirão – Luís Ferreira, relacionando-se nessa qualidade com a colónia da Beira-Serra residente na capital, acompanhando o seu Movimento Regionalista através das suas colectividades e iniciativas. Recorda a sua primeira crónica que foi logo publicada em 16 de Junho e que comentava a visita oficial a Lisboa da Princesa Margarida, de Inglaterra. Meio século depois, continua semanalmente a abordar assuntos diversos, quer sejam sobre a vida lisboeta, movimento regionalista ou de interesse histórico. Vem à sua memória neste livro, um convite do Dr. Mário Neves e de ter desperdiçado a carreira de jornalista. Encontra-o mais tarde num almoço da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, com Fernando Costa “que pintava e gostava de escrever” e “recordámos o episódio.” O Colmeal e a União não são esquecidos neste seu trabalho. “Encontro em Óbidos de Colmealenses ” recorda a páginas 115/119 que “Foi aqui que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, ao comemorar os seus 75 anos de vida, marcou encontro entre os colmealenses que foram de Lisboa com aqueles que vieram de Góis e do Colmeal… local apropriado para tão significativo Encontro, ligando o Regionalismo à Cultura, caminho recomendado às colectividades do género.” António Lopes Machado durante longos anos viajou pelo mundo, e dessas viagens, das suas andanças, foi escrevendo crónicas que reuniu em cinco volumes de Rotas do Universo. Crónicas que fazem parte do acervo da Biblioteca da União e que os colmealenses podem e devem ler. Como dizíamos no almoço comemorativo dos 77 anos da União Progressiva, António Lopes Machado é uma lenda viva e um grande mestre no Regionalismo. Ficamos à espera do seu próximo livro. A. Domingos Santos

22 setembro 2008

A CAMINHO DO ALMOÇO COMEMORATIVO DOS 77 ANOS DA U.P.F.C.

Ainda o lusco-fusco pairava e já o Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano, no Colmeal, fervilhava de gente bem e mal acordada que aguardava a hora da partida.
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Pouco depois, enquanto o José Álvaro procedia ao embarque dos passageiros, dentro do autocarro, a Bela hospedeira exímia e simpática encaminhava-os para os seus lugares.
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Com o embarque da última viajante e as boas-vindas do condutor senhor Pedro Santos, o cantor de serviço desatou a proclamar, primeiro que lhe chamam pinga-amor, depois, que "quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré"!
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Entretanto, umas tantas curvas e quilómetros acima pela estrada desamparada, o Carvalhal e Aldeia Velha juntavam-se à aventura prometida. Para trás ficava o Colmeal envolto em neblina.
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Atravessando a paisagem agora também feita de torres gigantescas e rodopiantes, um arco-íris desejava-nos boa sorte e viagem. Como o senhor Carlos de Jesus, com o vinho do Porto mata-bicho que trouxe consigo com copos e tudo!
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Mais adiante, promovido a cobrador sem fraque, o José Álvaro passou à necessária recolha de fundos. Quem vai ao mar...
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Em Cabaços, parou-se para uma pausa revigorante. Por ali, o mundo já se adivinhava outro, como depois se veio a confirmar, nomeadamente através da visita à Casa-Museu dos Patudos! A iniciativa constituiu um excelente e emocionante tempo e espaço de reencontro. Parabéns à organização e aos participantes. Açor, Colmeal, 22 de Setembro de 2008 Lisete de Matos

16 setembro 2008

Almoço da União

Esta fotografia reporta-nos aos primeiros anos da década de sessenta. Almoço comemorativo de um aniversário da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Reconhecemos Horácio Nunes dos Reis, (?), Manuel Francisco Braz, Armando Nunes dos Reis, Abel dos Santos, Fernando Henriques da Costa, Alfredo Marques da Costa, Manuel Martins Barata e António Marques da Costa. Arminda Neves Domingos Santos, Maria do Carmo Canelas Costa, Maria Urbana Henriques, Celeste Cecília Lopes de Oliveira Barata e Manuel Braz das Neves. De todos, apenas quatro se encontram entre nós. Naquele tempo só os homens desempenhavam cargos nos diversos órgãos da colectividade. Nas outras terras acontecia o mesmo. Os que recordamos com saudade nesta fotografia, todos eles se esforçaram nos vários lugares por onde foram passando ao longo dos anos. E eram tempos bem mais difíceis. Havia a estrada para trazer até à aldeia, a luz para substituir o candeeiro a petróleo, o cântaro da água que se queria abandonar e tantas outras necessidades que foram eliminando uma após outra. No próximo domingo vamos comemorar mais um aniversário da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. São já setenta e sete os anos passados desde a sua fundação. Os pioneiros, os fundadores, aqueles que enfrentaram as primeiras grandes dificuldades e as venceram, já não estão entre nós. O seu trabalho tem sido continuado, em diferentes moldes porque os tempos são outros, por outras gerações. Vamos continuar a desenvolver esforços para que a União mantenha o lugar a que tem direito no regionalismo serrano. E se ainda não se inscreveu para o almoço comemorativo, aproveite os poucos dias que faltam. Faça-o quanto antes, pois que dos cinco autocarros que vamos disponibilizar, apenas restam meia dúzia de lugares. Venha connosco visitar a Casa-Museu dos Patudos e depois, passar um resto de dia diferente e animado. UPFC
Fotografia cedida por António Marques de Almeida (Tonito)

15 setembro 2008

Descubra as diferenças...

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(clicar nas fotos para ampliar)
Normalmente os jornais, revistas e outras publicações trazem desenhos com pequenas diferenças entre eles, com certo grau de dificuldade e que prendem a nossa atenção por alguns momentos. Olhamos para um, olhamos para outro e lá vamos encontrando as diferenças. As fotografias que aqui apresentamos (não temos muita vocação para o desenho) têm um grau de dificuldade bastante elevado. No entanto, admitimos que consigam detectar "algumas diferenças" entre elas. Três das fotografias foram retiradas do Blogóis (Fotos de JrC). As outras três foram retiradas das nossas máquinas. Se conseguirem descobrir as diferenças digam-nos alguma coisa. Ficamos curiosos.

Chafariz... com sorte

Tem torneira e tem água. Há outros que não têm essa sorte. Acontece no Colmeal. Sede de uma das freguesias do concelho de Góis. Foto cedida por Mariana Brás
UPFC

12 setembro 2008

Sorriso de criança

Sorriso inconfundível numa foto da primeira metade dos anos da década de sessenta do século anterior a este... Já apareceu em outras fotografias recordadas neste blogue. Continua simpática e sempre disponível para colaborar. Vamos encontrá-la no próximo almoço de aniversário da União e todos a vão reconhecer. Foto cedida por António Santos
UPFC

Foi há trinta anos…

47 anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal A União Progressiva da Freguesia do Colmeal distribui 80contos pelas Colectividades da freguesia. Conforme já foi noticiado, a Direcção da U.P.F.C., na sua reunião de 29 de Setembro deliberou conceder um subsídio de cinco mil escudos a cada uma das Colectividades e Grupos de Amigos das aldeias da freguesia, num total de 40 contos. Igualmente foi deliberado entregar 10 mil escudos, provenientes de um sorteio anual, à União e Progresso do Carvalhal, à Liga de Amigos de Aldeia Velha e Casais e à Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais. Com esta entrega às colectividades fechou-se um compromisso assumido por Direcções anteriores em entregar, anualmente, por sorteio, e para os fins que as Colectividades melhor entendessem, a importância de 10 mil escudos. Temos plena consciência de que as verbas atribuídas são uma gota de água no oceano das dificuldades que as Colectividades enfrentam. Satisfazendo um pedido da União e Progresso do Carvalhal, a braços com elevados encargos provenientes do calcetamento das ruas, a Direcção da U.P.F.C. decidiu atribuir-lhe a verba de 10 mil escudos para esse fim. Também os arruamentos no Colmeal constituem uma preocupação para os dirigentes da U.P.F.C., mas, como as verbas das autarquias locais são diminutas, só possivelmente no próximo ano haverá possibilidade da sua concretização. Para que tal aconteça, contamos com a compreensão e colaboração da Câmara Municipal de Góis, pois que as ruas estão em péssimo estado e trata-se de um melhoramento de primeira necessidade. Aliás, também o abastecimento de água à povoação é um problema prioritário, pois sistematicamente, quer seja Verão ou Inverno, há sempre falta de água. A Direcção da Colectividade tem consciência deste problema e está envidando esforços para a sua resolução, tendo já reunido com o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Góis. Depois de algumas semanas, que não foram poucas, em que a freguesia esteve privada de assistência médica, por falta de transporte, constata-se que de momento a situação está regularizada com a ida, uma vez por semana, do médico ao Colmeal. Pensamos que, se o estado actual da estrada do Vale do Ceira o permitir, os médicos e a carreira das camionetas continuarão a atingir a sede da freguesia regularmente. Mas o Inverno é impiedoso e as chuvas habituais farão sentir os seus efeitos. A estrada já devia estar concluída, mas por diversas razões a que a Colectividade é estranha, tal não acontece. Apesar de as razões serem estranhas à U.P.F.C., esta não tem descurado nos seus contactos com a edilidade local, frisando a sua apreensão pela demora na sua conclusão. No dia 9 de Dezembro vai a U.P.F.C., através dos seus elementos directivos, levar um pouco de carinho e de alegria aos pequenitos da freguesia. Haverá distribuição de brinquedos, um lanche e possivelmente uma sessão de cinema. Também será entregue às 3 escolas da freguesia, algum material didáctico para ser distribuído pelos seus alunos. Os resultados obtidos na excursão realizada ao Gerês e na festa convívio de 11 de Novembro foram inteiramente canalizados para estas duas realizações. Mais uma vez está provado que, sem a sua colaboração, a U.P.F.C. nada poderá fazer. Ajudar a Colectividade é tentar amenizar as carências daqueles que vivem nas nossas aldeias. Obrigado Amigo. Continuamos a contar contigo. Lisboa, 6 de Dezembro de 1978. In Boletim “O Colmeal”, n.º 56, de Out./Nov./Dez. 1978
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UPFC

11 setembro 2008

Colmeal - História e curiosidades (2)

Voltando a socorrer-nos do excelente trabalho de pesquisa levado a efeito pelo Movimento Cidadãos por Góis, temos que em
1560
16 de Novembro – É criada a paróquia do Colmeal, pelo Bispo de Coimbra D. João Soares. A pequena capela - ermida de S. Sebastião, no arrabalde da povoação, foi transformada em Igreja Matriz e anexada à Matriz de Góis. Os lugares que ficaram a pertencer à freguesia, além do Colmeal, são Carvalhal, Souto, Aldeia Velha, Sobral e Ádela. Neste mesmo dia, é criada também a paróquia de Cadafaz, tendo sido decidido construir uma nova capela. Ficaram a pertencer à nova paróquia os lugares de Cadafaz, Sandinha, Capelo, Relvas e Corterredor. Cabreira fica de fora.
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UPFC

08 setembro 2008

Fogo no Colmeal

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No passado dia 24 de Agosto, a agência noticiosa Lusa difundia para os meios de comunicação social a notícia, que a seguir transcrevemos:
Góis, Coimbra, 24 Ago (Lusa) - O incêndio que deflagrou na tarde de domingo em Colmeal, concelho de Góis, distrito de Coimbra, ficou circunscrito às 02:29 de segunda-feira, informou a Autoridade Nacional de Protecção Civil.
O fogo, detectado às 18:00 de domingo, lavrou em três frentes, numa zona "muito acidentada, de difíceis acessos e comunicações", no limite dos concelhos de Góis e Arganil, informou Paulo Palrilha, segundo comandante distrital de Operações de Socorro de Coimbra. O incêndio foi combatido por 272 bombeiros, incluindo dois grupos de reforço de incêndio florestal (GRIF), provenientes de Aveiro e Leiria, com o apoio de 67 viaturas e uma máquina de rasto. Participaram ainda nas operações de combate dois aviões Canadair e dois helibombardeiros Kamov. Uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra disse à Lusa que este foi um incêndio de "médias dimensões", cujo combate foi dificultado pelo "terreno acidentado" e pela "falta de acessos". O governador civil de Coimbra e o presidente da Câmara de Arganil acompanharam as operações de combate ao incêndio. CSS/MLS/OM. Lusa/fim.
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O Colmeal ficou rodeado de fumo espesso. Colmeal, que segundo a Lusa, fica no concelho de Góis. A aflição e a incerteza quanto ao desfecho voltaram a atingir a população, maioritariamente envelhecida.
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Os meios aéreos - aviões e helicópteros, responderam com prontidão e aproveitando a luz do dia foram despejando a sua preciosa carga na tentativa de diminuir a força devastadora das chamas, que o vento afastava do Colmeal. No terreno, mais de duas centenas de profissionais ajudavam a combater o incêndio e a circunscrevê-lo. A sua acção foi determinante e a vigilância que mantiveram foi impeditiva da propagação de outros reacendimentos.
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Atendendo a que no Colmeal não existe nenhum reservatório apropriado para que os helicópteros se possam reabastecer de água, estes eram obrigados a deslocar-se à vizinha aldeia do Carvalhal, no cimo da serra. No concelho de Góis está prevista para o ano de 2008 a construção de mais 2 pontos de água, com capacidade de 100 000 litros. Será que algum deles está destinado à aldeia do Colmeal?
Há quantos anos se pretende que este benefício seja concretizado? A aldeia terá que arder primeiro?
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As encostas mostram agora a desolação, a tristeza, a negritude que um fogo provoca. E ao que quase se adivinha não terão sido causas naturais as que estiveram na origem deste incêndio.

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A paisagem verde está agora beliscada por esta mancha negra que por pouco não atingiu as povoações de Açor e Ádela e se aproximou de Cepos, no vizinho concelho de Arganil.

COLMEAL

A UNIÃO alia cultura ao seu aniversário
Vai ser já no próximo dia 21. Na comemoração de mais um aniversário, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai de novo introduzir um pouco de cultura nos seus setenta e sete anos de um longo percurso trilhando os caminhos do regionalismo. O ano passado fomos conhecer uma das sete maravilhas de Portugal – o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, classificado com Património Mundial pela UNESCO e que está considerado como sendo o monumento de maior importância na história da arquitectura medieval no nosso país.
Este ano iremos descobrir e apreciar, bem no coração do Ribatejo, o que a Casa dos Patudos, em Alpiarça, tem para mostrar aos Colmealenses. A casa projectada pelo arquitecto Raul Lino a pedido de José Relvas foi construída em 1905 e é, desde a morte deste, em 1929, um importantíssimo Museu de Arte e ao mesmo tempo um Museu Monográfico, representativo da figura do seu fundador. José de Mascarenhas Relvas (1858-1929) foi uma figura notável da vida política e diplomática portuguesa do período da Primeira República, em que se destacou como ministro, embaixador e como homem de espírito superior. Sendo dotado de um particular gosto artístico foi também um violinista notável, registando-se actuações suas no Real Coliseu dos Recreios de Lisboa e, muito naturalmente, nos animados serões culturais que se realizavam em sua casa onde reunia amigos, artistas e intelectuais. Tem apenas vinte e quatro anos quando toma posse das casas agrícolas de seus pais, em Alpiarça, e dez anos mais tarde já é reconhecido como um afamado viticultor. Com a fortuna acumulada pela exploração agrícola, avança na construção da Casa dos Patudos pela necessidade de maiores espaços face ao constante crescimento das suas colecções. Começa então a desenvolver a sua colecção de arte, que vai sendo aumentada e enriquecida nas muitas viagens que o levam através das capitais europeias, em leilões de colecções particulares ou em compras e trocas que faz em antiquários conceituados. A sua colecção de arte é reveladora de uma cultura singular, imbuída no espírito do coleccionismo do seu tempo, pelo que hoje, aqueles milhares de visitantes que passam pela Casa-Museu dos Patudos a consideram como uma das mais belas e elegantes casas portuguesas do século passado. José Relvas legou, por testamento de 1929, ano da sua morte, a quinta e praticamente todos os seus bens ao município de Alpiarça. Uma das “vontades” que deixou expressa no seu testamento era a de que a Casa dos Patudos fosse conservada como museu e este é considerado hoje, pelos especialistas, como o mais importante museu autárquico que temos no país. Percorrendo as suas salas encontramos obras de arquitectura, pintura e escultura. Também porcelanas, faiança, azulejaria, mobiliário, tapeçarias e os têxteis. Retratos de família, objectos pessoais e a sua biblioteca. Autores nacionais e estrangeiros, muitos deles mestres de referência em Espanha, Itália, França, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Alemanha. Mas obras e autores da Índia, China, Pérsia e Japão podem igualmente ser apreciados nesta visita. De finais da Idade Média até princípio do século passado há vastíssimos motivos de interesse para prenderem a nossa atenção. Nos jardins que rodeiam o museu encontram-se algumas peças importantes. No andar térreo encontraremos duas salas temáticas – a Sala Carlos Relvas e a Sala de Arte Sacra. A escadaria, forrada a azulejo, leva-nos ao primeiro piso, às salas dedicadas à família Relvas. Quadros Malhoa, mobiliários dos séculos XVII e XVIII, Companhia das Índias, Arraiolos e diversa pintura setecentista. Depois, as Salas da Música, das Colunas, de São Francisco e dos Primitivos. Seguem-se as Salas Romântica, Silva Porto e Galeria Verde onde têm destaque as escolas francesas, inglesa e portuguesa. Na Sala das Aguarelas, entre outras, obras de Alberto Sousa e Roque Gameiro e cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro. Importante o acervo, sobretudo de peças de porcelana e faiança, com que nos deparamos nas Salas de Jantar e Renascença. Na Biblioteca de José Relvas com mais de 4.000 volumes podemos observar também alguns dos seus objectos pessoais. No piso superior que antecede o sótão, ao tempo aposentos dos empregados internos, apenas se encontra aberto ao público o conjunto da antecâmara, quarto de dormir e de vestir, de José Relvas. Ao privilegiarmos de novo a cultura nas comemorações dos setenta e sete anos da União Progressiva, temos a certeza de estarmos no caminho certo. Não esqueceremos nunca os tempos difíceis e árduos dos nossos antecessores na luta e na conquista de benfeitorias tão necessárias às nossas terras e às nossas gentes. Venha connosco, porque vai gostar de visitar a Casa-Museu dos Patudos. Nós já o fizemos e vamos repetir. E depois, não se esqueça de que iremos passar uma excelente tarde de convívio na Quinta da Feteira. Almoço, lanche, música ao vivo e bar aberto. E muitos amigos para ver, rever e pôr a conversa em dia. Venha, porque vai valer a pena! Lisboa, 31 de Agosto de 2008 Pela Direcção da UPFC A. Domingos Santos

Vigiando das Caveiras

Olá! Estive de férias mas como o que é bom acaba depressa, cá estou eu a trabalhar e a escrever-vos mais um bilhete-postal, sentado na habitual pedra fria, aqui nas Caveiras.
Este ano (como em todos os outros) passei alguns dias das minhas férias na aldeia mais alta e mais linda do concelho de Góis; Aldeia Velha. Durante o tempo que andei por lá, além do tempo que estive a trabalhar, também tive a oportunidade de visitar alguns lugares escondidos e de passagem obrigatória neste emaranhado serrano.
Fui com “a pulga atrás da orelha” tentando conversar com algumas pessoas sobre um assunto que diz respeito a toda a freguesia do Colmeal; na esperança de poder encontrar a pessoa certa mas devido ao pouco tempo que estive em Aldeia Velha, não me foi possível fazer uma abordagem de modo a inteirar-me minimamente da situação uma vez que na “internet”, o assunto que hoje me trás por cá, ainda não carece de atenção.
Hoje em dia, fala-se muito na divulgação cultural das aldeias. Fala-se também, que o que era antigo começa novamente a estar na moda. Existem terras dentro e fora do concelho que mostram as suas origens, os seus costumes, enfim, todas as suas riquezas. São boas apostas quando realmente se tem algo a mostrar ao mundo! Todos nós como seres humanos apreciamos olhar para uma boa velharia ou ouvir contar uma história ou lenda antiga do tempo dos nossos avós.
Mas agora pergunto eu! Será que por terras do Colmeal não haverá mais nada de interesse cultural sem serem as histórias antigas, imagens de homens e mulheres exemplares e de reconhecimento nacional, movimentações regionalistas e alguma gastronomia?
Pois é meus amigos, falta aqui o Rancho Folclórico Serra do Ceira!
Neste verão tentei saber como e onde estava o rancho. Foi-me dito que existem alguns problemas judiciais por resolver, que o rancho está sediado no Colmeal e que é difícil recrutar membros devido á falta de rapaziada nova…
Quem me conhece, sabe que há já alguns anos me tenho preocupado com este assunto e gostaria de ajudar no que me for possível.
Desde 2002, sou espectador assíduo num festival de folclore no concelho de Loures, e sempre que lá estou, “rói-me” a alma saber que na minha terra podia até nem haver um festival mas o rancho podia lá existir!
Segundo li de fonte segura (internet), o Rancho Folclórico Serra do Ceira fez uma actuação no ano de 2000 no festival de Folclore de Ortiga (Mação). É a única referência que existe (no mundo virtual) a este rancho.
Não quero que me interpretem mal por estar a tocar neste assunto. Confesso que não sei “da missa metade” por isso não me alongo na conversa.
Tenho conhecimento que os instrumentos existem, os trajes também, algumas fotografias e outros objectos que formam um tesouro para os colmealenses.
Tenho esperança que os destinos do rancho caiam em boas mãos e pois há muitas pessoas que desejam o mesmo que eu. Espero que se tente encontrar uma solução rápida e positiva para que o reaparecimento do rancho do Colmeal aconteça.
Deixo aqui o meu apelo. Que estas palavras sirvam para chamar a atenção a um assunto que a todos diz respeito. Trata-se da nossa cultura!
A todos, muito obrigado, até breve… Henrique Miguel Mendes http://vigiando-das-caveiras.blogspot.com/