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terça-feira, 23 de junho de 2015

No pequeno GRANDE museu, pela objectiva de…


No pequeno espaço que todos já conhecemos e que só ocasionalmente “está aberto ao público…”, houve uma enchente de visitantes, não por ser domingo de manhã e as entradas serem grátis, mas porque a União levou ao Colmeal um grupo de associados e amigos da terra, que a convite do Artur Fonte (que nos abre a porta) foram ver o “seu” museu.





A loja que antigamente era utilizada para outros fins – por ali vemos as velhas arcas onde se guardava o milho, os potes do azeite, os pipos do vinho, as ferramentas do dia-a-dia, enfim, toda uma memória de tempos ainda não muito distantes. Roçadoiras, sachos, ancinhos, podoas, aguadouros, candeeiros, candeias, fogareiros, formas, ferros de engomar, peneiras, panelas de ferro, etc., etc.





Depois, há todo um trabalho que o anfitrião vem desenvolvendo nas horas vagas, e que, como ele diz, “a brincar se passa o tempo recordando coisas de antigamente”.
A escola primária, o lagar, o moinho da Quinta, o edifício da Junta, a ponte, o lavadouro público, o pião e a fisga (os seus brinquedos de menino a par da roçadoira), o carro de bois, o ferro das brasas, uma miríade de reproduções em madeira que são o seu orgulho e que merecem todo o nosso apreço.





Lisete de Matos que muito tem acarinhado e incentivado o Artur nesta sua vertente de artista, fez também parte do grupo de visitantes desta manhã de domingo. E foi com a sua objectiva que registou estas fotos que nós entendemos por bem partilhar consigo que nos visita neste blogue.

Obrigado Lisete. Obrigado Artur. E obrigado também a si que nos visita.

A. Domingos Santos
Fotos de Lisete de Matos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MUSEU ETNOGRÁFICO DA LOUSÃ






O Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques situado na linda vila da Lousã alberga um espólio riquíssimo merecedor de ser apreciado com muita atenção. Por isso a União Progressiva da Freguesia do Colmeal entendeu introduzir no programa que preparou para o regresso dos Comandos à Serra do Açor e ao Colmeal uma visita a este espaço.

Na exposição permanente iremos ter oportunidade de admirar os carros e as cangas, os arados, as pás e as enxadas, a cerâmica/olaria, e nos núcleos situados no piso 2 podemos ficar a conhecer como se faz o pão, se prepara o linho/lã, a arte de ferreiro, os segredos da apicultura e recordar como era uma cozinha serrana com os seus diversos utensílios.


“Os primeiros carros que apareceram foram só de um animal, isto é, com varal duplo. Dizem que era mais simples pela aptidão da tal forquilha que há nas árvores, ter um par de animais e liga-los por uma trave.”


   
“Quando há uma certa riqueza, as pessoas têm de dar aos seus carros, aos seus bois, às suas cangas, o prestígio da sua casa. Elas ficam também com o brasão e então fazem-se cangas de luxo. Cangas para levar às festas, para levar a feiras e que são o prestígio da casa…” 


 
“À génese do arado atribuem-se várias hipóteses: desde uma pequena enxada que depois é puxada por um temão, às vezes tiradoira, onde se aplica a força de animais ou o aproveitamento natural de alguns pedaços de árvores que tinham fundamentalmente três peças – uma capaz de rasgar a terra, outra de ser ligada aos animais, e outra que lhe desse direcção, que era a rabiça. Três peças: rabiça, temão e dente…”


“… está aqui uma razoável amostragem das pás (célebres) de valador. Eram trabalhos difíceis. Normalmente eram homens da região da Bairrada, que iam fazer este trabalho por toda a Zona do Ribatejo e até ao Alentejo. Um pouco antes das culturas, depois das chuvas, eles iam fazer o escoamento para começarem as operações agrícolas de lavragem.” 




“… a nossa região tinha rebanhos, tinha carneiros e, naturalmente, tinha uma coisa que já se perdeu e eram os linhares, terras de linhos. …As formas de tecelagem vão desde as peças mais ou menos finas do linho - que ainda todos conheceram e têm encontrado nas arcas das avós –as mantas, colchas, tapetes, e outras, com uma decoração mais ou menos simples, mais ou menos requintada…”



  
“… este sistema de eira, de malhar, estão ali os trigos, estão ali os mangais, estão aqui os tipos fundamentais. E está aqui assim uma coisa muito rara, que é a colecção completa das cirandas ou crivos… os sistemas de moagem… as mós…” 


“… quando o homem descobre a possibilidade de ter uma qualquer forma de caixa na qual ponha as abelhas, já que não as pode domesticar, (…) vai servir-se dos materiais de cada região. Para nós é o cortiço, de muito fácil transporte. Nós, na Serra da Lousã, o que é que temos disto? Um bocadinho da mitologia do mel! Uma coisa cheia de virtudes mágicas! Um bom alimento, grosso, e escuro porque predomina fundamentalmente a urze…” 


“E é curioso que o latoeiro não só dava apoio à panela em que punha o pingo, para além de fazer o que lhe mandavam de novo, como assistia os pratos e as colheres de lata, uma vez que só os garfos eram, de facto, feitos pelo ferreiro. Além disso, é ainda ele que cuida da loiça: é o grande consertador dos pratos partidos, que conserta pondo gatos… Esta arte está em extinção, como está a do velho ferreiro…” 



“… há uma coisa muito interessante que é uma modificação deste comer simples e do povo e que é engraçado que os Lousanenses não esqueceram – “os aferventados”. Que é uma ligeira modificação desta velha técnica de comer e modificar o sabor das couves, do pão, da batatita, do que têm próximo, do que tem à mão e naturalmente regado com azeite, a velha gordura mediterrânica de que até esta região é rica.” 




Estamos certos de que os nossos Comandos e os seus acompanhantes se irão deliciar com todos estes utensílios, que já fazem de um passado não muito distante e que os nossos pais e avós muito bem conheciam.

Fotografias de A. Domingos Santos
Apoio Folheto do Museu


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Comemoração do Dia Internacional dos Museus | 18 de Maio de 2012



A Comemoração do  Dia internacional dos Museus foi instituído em 1977 pelo ICOM – Conselho internacional de Museus, anualmente é atribuída uma temática universal às comemorações. Em 2012 o tema é Museus num Mundo em Mudança: Novos Desafios, Novas Inspirações.

No âmbito das Comemorações do dia em apreço,  o Município de Góis,  celebra  o dia 18 de maio de 2012, com uma nova edição, uma vez que nesta noite todos os Espaços Museológicos do Concelho estarão  estarão abertos e disponíveis para visita em horário alargado, das 21h às 24h.

Mais se informa V/ Exª que, no âmbito desta iniciativa o Município de Góis remeteu informação ao ICOM Internacional, promovendo assim a iniciativa, informação que poderá encontrar  em Francês e Inglês, disponível na página http://network.icom.museum/imd2012/jim-2012/activites-2012/europe/L/2.html.

Para mais informações poderá contatar o Serviço de Turismo e Ação Cultural, através do contacto telefónico 235 770 113 e/ou endereço eletrónico turismo@cm-gois.pt.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma jornada às memórias de Góis

Não há património sem memória. A memória perde-se no tempo se não a preservamos. Os espaços museológicos são locais privilegiados para preservar as memórias, o património das comunidades. Góis é um concelho com uma riqueza inquestionável, que transparece nas sensações e cores patentes na sua biodiversidade paisagística; nos saberes e tradições que resistem à dureza do tempo; no património de cariz histórico, arqueológico, arquitectónico e etnográfico que engrandece a sua cultura. Nos últimos anos têm sido criados, muitas vezes por iniciativa de associações ou outras agremiações concelhias, um pouco por todo o concelho, núcleos museológicos com o mote comum de preservar e divulgar o vasto, rico e, grande parte das vezes desconhecido património cultural concelhio. Com intuito de divulgar e dar a conhecer a riqueza cultural que estes núcleos museológicos encerram vai a Câmara Municipal de Góis promover, no dia 12 de Junho, uma visita aos espaços museológicos do Concelho de Góis, no período entre as 09h30 e as 15h30, devendo os interessados contactar o Posto de Turismo de Góis para efeitos de inscrição e outras informações. Esta iniciativa contempla a visita à Colecção Museológica de Góis, Núcleo Museológico da Cabreira, Núcleo Museológico do Soito, Núcleo Museológico do Esporão, Museu Paroquial de Arte Sacra e Casa do Ferreiro. Gabinete de Imprensa CMG

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

COLMEAL

A UNIÃO alia cultura ao seu aniversário
Vai ser já no próximo dia 21. Na comemoração de mais um aniversário, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai de novo introduzir um pouco de cultura nos seus setenta e sete anos de um longo percurso trilhando os caminhos do regionalismo. O ano passado fomos conhecer uma das sete maravilhas de Portugal – o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, classificado com Património Mundial pela UNESCO e que está considerado como sendo o monumento de maior importância na história da arquitectura medieval no nosso país.
Este ano iremos descobrir e apreciar, bem no coração do Ribatejo, o que a Casa dos Patudos, em Alpiarça, tem para mostrar aos Colmealenses. A casa projectada pelo arquitecto Raul Lino a pedido de José Relvas foi construída em 1905 e é, desde a morte deste, em 1929, um importantíssimo Museu de Arte e ao mesmo tempo um Museu Monográfico, representativo da figura do seu fundador. José de Mascarenhas Relvas (1858-1929) foi uma figura notável da vida política e diplomática portuguesa do período da Primeira República, em que se destacou como ministro, embaixador e como homem de espírito superior. Sendo dotado de um particular gosto artístico foi também um violinista notável, registando-se actuações suas no Real Coliseu dos Recreios de Lisboa e, muito naturalmente, nos animados serões culturais que se realizavam em sua casa onde reunia amigos, artistas e intelectuais. Tem apenas vinte e quatro anos quando toma posse das casas agrícolas de seus pais, em Alpiarça, e dez anos mais tarde já é reconhecido como um afamado viticultor. Com a fortuna acumulada pela exploração agrícola, avança na construção da Casa dos Patudos pela necessidade de maiores espaços face ao constante crescimento das suas colecções. Começa então a desenvolver a sua colecção de arte, que vai sendo aumentada e enriquecida nas muitas viagens que o levam através das capitais europeias, em leilões de colecções particulares ou em compras e trocas que faz em antiquários conceituados. A sua colecção de arte é reveladora de uma cultura singular, imbuída no espírito do coleccionismo do seu tempo, pelo que hoje, aqueles milhares de visitantes que passam pela Casa-Museu dos Patudos a consideram como uma das mais belas e elegantes casas portuguesas do século passado. José Relvas legou, por testamento de 1929, ano da sua morte, a quinta e praticamente todos os seus bens ao município de Alpiarça. Uma das “vontades” que deixou expressa no seu testamento era a de que a Casa dos Patudos fosse conservada como museu e este é considerado hoje, pelos especialistas, como o mais importante museu autárquico que temos no país. Percorrendo as suas salas encontramos obras de arquitectura, pintura e escultura. Também porcelanas, faiança, azulejaria, mobiliário, tapeçarias e os têxteis. Retratos de família, objectos pessoais e a sua biblioteca. Autores nacionais e estrangeiros, muitos deles mestres de referência em Espanha, Itália, França, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Alemanha. Mas obras e autores da Índia, China, Pérsia e Japão podem igualmente ser apreciados nesta visita. De finais da Idade Média até princípio do século passado há vastíssimos motivos de interesse para prenderem a nossa atenção. Nos jardins que rodeiam o museu encontram-se algumas peças importantes. No andar térreo encontraremos duas salas temáticas – a Sala Carlos Relvas e a Sala de Arte Sacra. A escadaria, forrada a azulejo, leva-nos ao primeiro piso, às salas dedicadas à família Relvas. Quadros Malhoa, mobiliários dos séculos XVII e XVIII, Companhia das Índias, Arraiolos e diversa pintura setecentista. Depois, as Salas da Música, das Colunas, de São Francisco e dos Primitivos. Seguem-se as Salas Romântica, Silva Porto e Galeria Verde onde têm destaque as escolas francesas, inglesa e portuguesa. Na Sala das Aguarelas, entre outras, obras de Alberto Sousa e Roque Gameiro e cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro. Importante o acervo, sobretudo de peças de porcelana e faiança, com que nos deparamos nas Salas de Jantar e Renascença. Na Biblioteca de José Relvas com mais de 4.000 volumes podemos observar também alguns dos seus objectos pessoais. No piso superior que antecede o sótão, ao tempo aposentos dos empregados internos, apenas se encontra aberto ao público o conjunto da antecâmara, quarto de dormir e de vestir, de José Relvas. Ao privilegiarmos de novo a cultura nas comemorações dos setenta e sete anos da União Progressiva, temos a certeza de estarmos no caminho certo. Não esqueceremos nunca os tempos difíceis e árduos dos nossos antecessores na luta e na conquista de benfeitorias tão necessárias às nossas terras e às nossas gentes. Venha connosco, porque vai gostar de visitar a Casa-Museu dos Patudos. Nós já o fizemos e vamos repetir. E depois, não se esqueça de que iremos passar uma excelente tarde de convívio na Quinta da Feteira. Almoço, lanche, música ao vivo e bar aberto. E muitos amigos para ver, rever e pôr a conversa em dia. Venha, porque vai valer a pena! Lisboa, 31 de Agosto de 2008 Pela Direcção da UPFC A. Domingos Santos