19 novembro 2009

UM ABRAÇO DE TORTULHOS

. Insistindo em partilhar a beleza e a diversidade com a que a serra nos presenteia, nutrindo o encanto que outras situações desencantam, saúdo-vos hoje com um abraço de tortulhos. É um abraço apenas terno e empírico, que não dispensa outras abordagens ao tema, inclusive porque os tortulhos podem ser perigosos.
Sendo cogumelos, os tortulhos, também designados de “tartulhos”, “tertulhos”, “fradelhos”, rapazinhos e cogumelos de chapéu, são como que a frutificação de fungos. Li algures que estão para o fungo que os produz como a maçã está para a macieira. Existem por toda a parte, preferindo os campos não cultivados mas ainda livres de ervaçais densos. A fartura com que aparecem acompanha, frequentemente, a abundância e a itinerância dos rebanhos. Percebe-se bem por quê! Uma vez que não possuem clorofila para transformar os nutrientes, espertos, os fungos tornam-se parasitas ou consumidores de matéria orgânica já processada! É o caso dos tortulhos, que fazem parte dos decompositores.
Os tortulhos de que estou a falar (e outros) são comestíveis, como se tem visto em vários programas de televisão ou pode constatar na internete. Mas o que os torna irresistivelmente atraentes e fascinantes para muitos, entre os quais me conto, é o mistério e a magia que os envolve, na fragilidade da sua composição feita de mais de 80% de água, na efemeridade da sua existência de pouco mais de uma semana e na variedade dos mimetismos com que se disfarçam.
“Como uma força”, no dizer da canção, irrompem da terra com as primeiras chuvas do Outono morno, por vezes indiferentes à presença de ervas e outros obstáculos que os sufocam e deformam. São contemporâneos dos medronhos, das castanhas e da miríade de outros cogumelos igualmente espantosos e sedutores.
Imitando o solo, mal se vêem quando começam a crescer portadores de masculino e feminino, lembrando pequenas serpentes, e falos, que evoluem até se transformarem em graciosos chapéus-de-sol, e chuva, que também podem ser vistos como seios e ventres bojudos de promessa. Esta transformação ocorre quando a calcinha se solta, libertando a copa do pé e expondo o seu interior feito das finas e delicadas lamelas brancas que produzem os esporos reprodutores.
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Depois de um ou dois dias de plena maturidade, os tortulhos começam a envelhecer. Aí, com a copa primeiro plana e, seguidamente, algo côncava, parecem chapéus-de-chuva virados pelo vento ou bailarinas de tutu. Continuando escamados, a sugerir a cada um o que a imaginação lhe ditar!
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Em pouco tempo, passam-se e tombam, para reaparecerem viçosos e pujantes no ano seguinte, se ninguém maltratar o fungo, e se as condições ambientes forem propicias.
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Por razões que se prendem com a estrutura em filamentosa dos fungos de que são produto, os tortulhos andam sempre aos pares, imitando, desta vez, os polícias e alguns vendedores de paraísos próximos ou distantes. Os pares podem encontrar-se a uma certa distância uns dos outros ou bem juntinhos, lembrando namorados felizes e pais extremosos. Até podem nascer em anos distintos, tudo dependendo do clima e dos nutrientes.
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Enfim, são simplesmente deslumbrantes e muito enigmáticos, os tortulhos e os fungos que os produzem! E úteis, pois enriquecem a biodiversidade, constituem um recurso multifacetado e contribuem para o equilíbrio ecológico, cada um desempenhando o papel para que a natureza o dotou. Pena que tantas espécies se encontrem ameaçadas de extinção. É o caso dos tortulhos, que os caprinos e ovinos já pouco ajudam a alimentar, e que os grandes ervaçais ou os pesticidas e herbicidas impedem de nascer. Entretanto, todos podemos contribuir para a sua preservação, não os destruindo gratuitamente, e colhendo-os de modo sustentado, isto é, sem os arrancar e só depois de bem abertos para terem tido a oportunidade de libertar os esporos reprodutores. E deixando sempre alguns “para a semente” … Por mim, prefiro continuar a observá-los, deliciando-me com a sua variedade, beleza e originalidade. Açor (Colmeal), 9 de Novembro de 2009. Lisete de Matos (Texto e Fotografia)

18 novembro 2009

Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais: 56 velas

A Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais avança tranquilamente e cheia de vitalidade para a idade sénior. Aproximamo-nos agora de mais um aniversário da data em que um grupo de corajosos homens e mulheres, oriundos da Malhada e Casais, constituiu esta associação que representa e defende os interesses das suas povoações. Corria o ano de 1953, era 4a feira - 25 de Novembro à semelhança deste ano de 2009, e desconhecendo o tempo que se fazia sentir nesse dia, podemos afirmar que foi certamente um dia bonito, por tudo o que se fez desde essa época, e continua a ser feito. Para celebrar a data, a CMMC está a organizar um almoço de confraternização para o qual você está desde já convidado. Este ano iremos realizar o convívio na região de Fátima, na localidade de Reguengo do Fétal, no Restaurante Pérola do Fétal. A CMMC colocará à disposição de todos, transporte gratuito em autocarros, que partirão do Jardim Zoológico, Sete Rios em Lisboa. O evento terá lugar no próximo Domingo, 6 de Dezembro de 2009, e o programa será o seguinte: 7h30 - Partida de Sete Rios, Lisboa 10h00 - Participação em missa no Santuário de Fátima 12h30 - Saída de Fátima em direcção ao restaurante Pérola do Fetal 13h00 - Início do almoço 17h30 - Regresso a Lisboa Junte-se a nós e venha desfrutar: • da nossa companhia e boa disposição! • Entradas: morcela branca da região, queijos e presunto • Sopa: creme de legumes • Peixe: bacalhau cremoso com molho de camarão • Carne: rotti de porco recheado com queijo e espinafres • Bebidas: vinho tinto Facaia, vinho branco Ala dos Namorados, sumos e cervejas • Mesa de doces • Buffet, bolo de aniversário e vinho espumante. Preços: • Adultos: 30€ • Crianças dos 5 aos 9 anos: 15€ • Crianças até aos 4 anos: grátis Para participar na nossa festa deverá confirmar a sua presença até ao próximo dia 25 de Novembro, contactando para o efeito um dos seguintes elementos da CMMC: • Nuno Santos: 967 887 555 / 913 876 676 • António Santos: 212 106 606 / 968 403 40 • Vítor Olivença: 967 265 011 • António Marques: 213 872 339 / 962 847 979 Saudações Malhadenses!

17 novembro 2009

Recanto florido

É sempre muito agradável ver o aproveitamento feito de uma velha panela de ferro que já teve a sua época. E que não terá sido curta. Muitos calores apanhou durante a sua "vida activa"... Agora, descansando ali naquele canto, mas não esquecida, presenteia-nos com estas bonitas flores. Talvez a querer recordar e homenagear quem tantas vezes nela pegou. Um recanto florido a sugerir que noutros cantos e recantos façam o mesmo. Uma ideia simples que poderia ajudar a embelezar a nossa aldeia. Quem não gosta de flores? Foto de A. Domingos Santos

Freguesia do Colmeal (História) IX

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PASSADO – PRESENTE Capítulo IX JULGADO DE GOOES (1)
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«Julgado de Gooes. A villa de Gooes he prouado que a viro sempre trager por onrra des que sse acordam as testemunhas e douuidas de longe e dizem as testemunhas que ouvirõ dizer que foy doaçõ que deu El Rey (2) a dom Onaya crastariz (3) e que ouvirõ dizer que desse tempo foy pobrada Çelauisa a uarzea a cabrejra e esta onrra uea uydo ped seu linhage de dom Anaya crastariz per Reymhons rrodriguez (4) e per Vaasco perez e per outras de sseu linhage E dizem que o cadaffaz e o caraulhar do sapo o colneal, e Affolgosa e a Çerdeira e a abergaria forõ pobradas em tempo de Rey dom Sancho e de Rey dom Affonso prestumeiros e dellas en tempo deste Rey en herdamentos que comprarõ filhos dalgo de Gooes domees herdadores dessa villa e desque fforõ pobradas trouxeronas senpre por onrra com essa villa e tragea ora Vasco ffarinha (5) esta villa e todas estas Aldeyas por onrra como parte como pedragõ e da outra parte cõ Couillaã e da outra cõ Arganil e da outra cõ o couto de Loruaão e da outra como parte cõ Arouti e per estes termhos dizem as testemunhas queo viro trager por onrra desque sse acordam que nõ faze ende nehuu foro a elrey seno colhejta E estas testemunhas que som todas de Gooes e de sseu termho (6) este termho esta por onrra polos termhos de ssuso dictos» (7) (1) T. T. Inquirições de D. Diniz – Liv. 9, folha 39. (2) Referem-se a D. Afonso Henriques (3) I Senhor de Gooes «… natural de Astúrias, junto a Llana de S. Vicente de Barquera, vino a Portugal com el Conde D. Enrique, i el Rey D. Alõso I le diò la tierra de Goês. (Arq. Hist. De Góis, vol. 3/4, pág.140). (4) IV Senhor de Gooes. Obra cit. (5) VI Senhor. Idem. Ao tempo deste Donatário verificaram-se várias lutas, entre familiares, motivadas pela posse do Senhorio (Arq. Hist. Góis, vol. 3/4, pág. 155…). «Em 1284 houve destes bandos sobre o senhoria da villa de Goes entre Vasco Pires farinha, e seus sobrinhos Vasco Esteves, e Joanne Esteves, havendo, de ambas as partes, nas contendas, feridos e mortos; a que acudio ElRey D. Diniz, à instancia daquella Comarca, que andav revolta com tais motins, fazendo reduzir as parte a huma Concordata, que se assignou a 6 de Janeiro, e que foi confirmada por ElRey a 12 do dito mês, e anno». (6) Depreende-se terem estado presentes para inquirição testemunhas das nossas Aldeyas, visto um dos termhos do Senhorio de Gooes, serem o caraulhar do sapo e o colneal. A povoação do Souto, já existia na época mas à qual não se fez referência visto não ter sido pobrada em tempo de rey don Sancho, mas sim posteriormente. (7) Este pergaminho apresenta-se em letra bastante inintelegível sendo de presumir tenha sido manuscrito em Gooes nos últimos anos do século XIII. in Boletim “O Colmeal” Nº 109, Fevereiro de 1971

11 novembro 2009

S. Martinho

Como é bom comer Castanhas assadas E no magusto ver As meninas coradas Na rua está um vendedor De castanhas assadas É com esforço e amor Que faz feliz a rapaziada Todo o dia a apanhar chuva Coitado do vendedor! Mas à beira das castanhas Fica cheio de calor. Com o frio a chegar A natureza está-se a transformar Os ouriços a abrir Para as castanhas apanhar. O S. Martinho está a chegar A lareira vou acender Para as castanhas assar E contigo as comer. Que lindo é o Outono! Que lindo que é! Uvas e castanhas Dá-me o avô Zé. Dia 11 de Novembro É o dia de S. Martinho Come-se a castanha assada E mais o caldo verdinho. É dia de S. Martinho É a festa das castanhas Em vez de Sol há chuva É Outono ninguém estranha. in .http://aguiar.ccbi.com.pt/

Blogue nota

Foi com a publicação do cartaz das Festas de Verão no Colmeal, em Agosto de 2007, que nos aventurámos pela via electrónica da comunicação e iniciámos o nosso blogue, mais conhecido como o “Blogue da União”. Em 18 de Abril de 2008 registávamos com muito agrado o visitante número dez mil na página principal e certamente seriam muitos mais, uma vez que só em Setembro se procedeu à instalação do contador. As páginas visitadas eram ao tempo mais de vinte mil e trezentas. Algumas melhorias foram entretanto introduzidas e surgiram dois espaços próprios a que chamámos "Cantinho da Saudade" e "A União no Presente", possibilitando assim uma consulta mais fácil. Aí fomos recordando fotografias antigas e acontecimentos passados, ou, evidenciando recentes realizações da União Progressiva. Os visitantes têm sido maioritariamente de Portugal, mas já registámos visitas dos cinco continentes e de quase todos os países do mundo. Os nossos associados emigrados em França, Suíça e Alemanha, são uma presença assídua, mas também de locais tão distantes como Singapura, Japão, Turquia, Arábia Saudita, Nigéria, Canadá, Austrália, Brasil ou Estados Unidos da América, entre outros, surgem visitantes interessados nas nossas notícias. São os efeitos e os benefícios das novas estradas da informação. Em 10 de Outubro de 2008 chegámos aos vinte mil e cerca de um ano depois, em 6 de Novembro, atingimos os 50.000 visitantes e cerca de 96 mil páginas vistas. Nada disto teria sido possível sem a sua colaboração. Uma fotografia, um pequeno texto, um comentário, palavras de incentivo, tudo isso nos tem dado alento para continuar. Desde o início que nos manifestámos no sentido deste espaço ser aberto a todos. Com educação, civismo e elevação, haverá sempre lugar para quem queira participar e partilhar as suas ideias. Não havendo ataques pessoais ou insultuosos, o nosso blogue estará sempre disponível. No entanto, ao longo deste período surgiram algumas situações menos próprias, felizmente poucas, que nos levaram a activar mecanismos de protecção de comentários. Continuaremos a esforçar-nos para trazer ao Blogue todo o historial da nossa colectividade, pioneira na freguesia e uma das mais antigas no concelho de Góis, o trabalho desenvolvido pelos nossos regionalistas, as realizações mais recentes e também as recordações que nos queiram fazer chegar para as podermos partilhar. Para além dos 50 mil na “Página Principal” que já referimos, estamos também satisfeitos com os números alcançados nas outras páginas. No “Cantinho da Saudade” estamos próximos de atingir os 18 mil visitantes, enquanto no “Especial Açores” já ultrapassámos os quatro mil e quinhentos. Em “ A União no Presente”, onde inserimos milhares de fotografias das nossas realizações, o número de visitas já se aproxima das 13 mil e seiscentas. A página “Viajando pela Freguesia”, criada em Fevereiro passado, na sequência das comemorações dos 80 anos do Regionalismo no Concelho de Góis, e onde foram inseridas fotografias de toda a freguesia, tem já cerca de 2.900 visitantes. Tratando-se de um blogue de uma colectividade regionalista e com a diminuta dimensão que sabemos ter, ficamos satisfeitos com os números alcançados. Da nossa parte tudo faremos para continuar a informar com seriedade e isenção. Perdoem-nos a imodéstia, mas sentimos orgulho do trabalho desenvolvido e do que ele tem representado para o conhecimento e divulgação da nossa União, do Colmeal, das nossas gentes e da nossa região. Não descuraremos, no entanto, a proximidade com os associados e amigos da União Progressiva através de cartas e circulares, e também da comunicação social regional, a quem o regionalismo e as colectividades muito devem. Ao associado Francisco Silva o nosso sincero agradecimento pela criação do blogue e o reconhecimento pelo trabalho que vem desenvolvendo na sua manutenção. A. Domingos Santos Lisboa, 10 de Novembro de 2009

10 novembro 2009

Natal das crianças (recordando…)

. Há quinze anos, pelo Natal de 1994, e numa “tradição” que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vem mantendo desde há muitos anos, foi feita a distribuição de brinquedos às seguintes crianças da nossa freguesia. Para o mais pequeno, o “benjamim” do grupo com apenas um ano, João Paulo Gaspar Nunes, coube-lhe um “Hello Baby”. No grupo dos dois anos, apenas a Margarida Fontes Correia, que recebeu um “Carro de Bébé”. Três meninas na casa dos três anos, a Marta Sofia Nunes Santos, a Nuomi Juliana e a Sónia Cristina Neves tiveram direito a um “Piano Elephant”. A Isis Selene H. Kovaes, o Bruno Manuel Gaspar Nunes e a Paula Cristina Nunes Martins, com quatro anos de idade foram contemplados com um “Órgão com sons de animais”. Com cinco anos, tínhamos cinco rapazes e uma rapariga. Eles eram o João António Nunes dos Santos, o Tiago José Cerejeira Domingos, o Francisco Micael, o Hugo Miguel Gaspar Nunes e o filho do Ruph (não temos a indicação do nome) que receberam um “Robot Rangers”. À pequena Ana Sorraia coube-lhe uma “Ursa”. Na casa dos seis anos havia apenas três jovens: o José Carlos Almeida Henriques, o Renato Ângelo e o filho do Ruph (presume-se que outro, do qual também não temos indicação do nome nesta listagem em que nos estamos a apoiar) que receberam um “Robor Future Cop”. Um “Carro de Bombeiros” foi o brinquedo que coube em sorte aos rapazes, já com sete anos, Nuno Miguel Almeida Santos e Bruno Miguel Nunes dos Santos. Para Ruben Carlos Kollande Côlle e José Manuel Gaspar Nunes uma “Nave Espacial” e para a pequena Mónica Alexandra Nunes dos Santos, deste grupo dos oito anos, uma “Mala de Maquilhagem”. Ricardo Filipe Nunes Martins e Nelson Miguel Martins Henriques, com nove anos, receberam um “Robot Jack Armor”. Com dez anos, Lúcia Maria Almeida Alexandre, Catarina Alexandra Cerejeira Domingos, Sónia Cristina Gaspar Nunes e Isabel Cristina Brás Ramos deliciaram-se com a sua “Boneca do Capuchinho”. Para Hans Elias Kollande, como rapaz deste grupo, estava destinada uma “Pista de automóveis”. Berta Sofia Almeida Santos, Sónia Margarida Nunes Martins e Anabela Nunes Almeida, com onze anos, tiveram uma “Boneca Tana” e o Bruno Miguel Martins Brás e o Jorge Miguel Brás Ramos, uma “Caixa Electrónica”. Finalmente, os “mais velhos” e que pela última vez receberam a sua prenda, um “Globo”, e que foram António Manuel Almeida Santos, José Gil Almeida Alexandre, Pedro Miguel Duarte da Silva, Sandra Cristina Martins Henriques e Sandra Isabel Gaspar Vicente. Justo será recordar os dirigentes que nesse ano faziam parte da Direcção da União Progressiva. Henrique Bráz Mendes (Presidente), Manuel Fernandes da Luz (Vice-Presidente), Américo de Jesus Brás (1º Secretário), Joaquim Luís Pinto (2º Secretário), Artur Domingos da Fonte (Tesoureiro), José Domingos Nunes e Manuel Duarte de Almeida (Vogais), Pedro Manuel de Almeida Bráz e Filomena Maria Almeida Mendes (Suplentes). A Delegação da União no Colmeal, que sempre tem tido um papel muito relevante nesta e noutras realizações, era constituída por José Álvaro Almeida Domingos (Presidente), Manuel Brás de Almeida (Secretário), Manuel de Almeida Neves (Tesoureiro) e Manuel Martins dos Santos (Vogal). A. Domingos Santos

História da União

. No extinto boletim “O Colmeal” fomos encontrar três interessantes apontamentos coligidos pelo saudoso António Santos Almeida (Fontes) e que, tudo indica, seriam os primeiros capítulos da História da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Em Julho de 1973, o Eng.º Fontes dá-nos a conhecer os “primeiros passos” da colectividade e a primeira reunião que foi realizada em casa de seus pais, na Rua João do Outeiro, 16 – 2º.
Passámos por lá. O prédio sofreu alterações (os anos não perdoam) e já não tem segundo andar. Na fotografia identifica-se facilmente por ser o mais pequeno. Também não encontrámos conterrâneos como acontecia naqueles idos tempos dos anos trinta, quarenta ou mais proximamente, de há duas ou três décadas atrás. A Rua João do Outeiro está diferente como aliás toda a Mouraria. No segundo “capítulo” já se enumeram alguns subsídios atribuídos pela União para melhoramentos como um fontanário, o calcetamento de uma rua ou uma estrada de ligação a um concelho vizinho. Os pobres da freguesia também não são esquecidos. No capítulo seguinte e publicado em Fevereiro de 1974, o Eng.º Fontes refere-se com pormenor à primeira obra da União – a ponte sobre o ribeiro do Soito, à estrada que viria a ser conhecida como a do “Vale do Ceira” e concretizada muitas décadas depois, às encomendas postais e assistência médica, às escolas e à futura fonte (chafariz) no Colmeal, que viria a ser realidade em 26 de Setembro de 1937. Muitos mais capítulos haverão para escrever na história da colectividade. Por agora iremos limitar-nos a recordar este excelente trabalho de pesquisa do Eng.º Fontes. A. Domingos Santos Foto de Francisco Silva
A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA
I – PRIMEIROS PASSOS
Foi em 20 de Setembro de 1931, que no antigo Grémio Regionalista da Comarca de Arganil, se reuniu uma Comissão Provisória da UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL, sob a presidência de Joaquim Fontes de Almeida, em que estiveram presentes além de outros, os Senhores Manuel João Miranda e Joaquim Francisco Neves, que exprimiram o seu desejo de colaborarem e prestarem o seu auxílio. Presentes também os saudosos Abel Joaquim de Oliveira, José Antunes André e José Henriques de Almeida. Pode dizer-se que nesta reunião e nas que se seguiram, na residência de Joaquim Fontes de Almeida na Rua João do Outeiro, 16 – 2º em Lisboa, se alicerçaram as bases e as estruturas da nova Agremiação Regionalista e do movimento regionalista da Freguesia do Colmeal que se lhe continuou e que hoje (1973) conta com mais 5 Comissões de Melhoramentos além da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Foi nela que se determinou a primeira Assembleia-Geral, que viria a ter lugar em 4 de Outubro de 1931. Dos primeiros corpos gerentes faziam parte entre outros: Na Direcção Joaquim Fontes de Almeida (Presidente) Francisco Domingos (1º Secretário) Aníbal Gonçalves (2º Secretário) José Henriques de Almeida (Tesoureiro) José Antunes André (Vogal) Na Assembleia-Geral Joaquim Francisco Neves António Martins Mendes No Conselho Técnico Abel Joaquim de Oliveira Uma das primeiras resoluções tomadas por esta gerência, na sua primeira reunião de 15 de Outubro de 1931, foi o envio de circulares aos Senhores Benjamim Domingos, António de Almeida Freire e Manuel de Almeida Esteves. Logo na primeira reunião, se atribuiu um voto de louvor ao «Jornal de Arganil» e à «Comarca de Arganil» pela ajuda valiosa que tem sido prestada e começa-se a desenhar o desejo de obtenção das encomendas postais para a freguesia do Colmeal, de que o presidente ficou de dar seguimento. Nas actas seguintes são exarados votos de louvor aos Senhores Alfredo Ferreira e Marcelino de Almeida, pela forma como se têm interessado na angariação de sócios para a Colectividade, que nesta altura se computavam já em 72. Recebe-se o primeiro ofício da Câmara Municipal de Góis com data de 17 de Outubro de 1931. A quarta reunião que consta no livro de actas da Direcção refere-se já à primeira sede social da Colectividade em Lisboa, na Rua da Fé, 23 – 1º e nela foi alvitrado pelo Sr. José Henriques de Almeida a necessidade de se fundar uma escola para o sexo feminino na sede da freguesia, bem como uma residência para os professores, assunto com que o Sr. José Antunes André concordou, salientando embora a impossibilidade momentânea de a Colectividade dispor de capital para esse fim. Ainda dentro do assunto em discussão, foi apreciada na altura, uma oferta do Sr. Manuel Ferreira para se aproveitar o assento de uma casa que ele possuía ao Soladinho e que punha ao dispor da União para aí se construir a desejada escola. Foi ainda nesta reunião que o Tesoureiro Sr. José Henriques de Almeida levantou o problema das vias de comunicação e referindo-se à célebre estrada Góis a Cebola, propôs que fosse nomeada uma Comissão para se solicitar aos Ministérios a sua efectivação, tendo o Sr. Abel Joaquim de Oliveira sugerido agradecer-se ao Grémio Regionalista da Comarca de Arganil a forma como se tem interessado por este assunto de capital importância para a nossa região. Foi aprovado um voto de louvor ao «Diário de Notícias» pela sua patriótica campanha contra o analfabetismo. O primeiro voto de pesar foi lavrado em acta pelo falecimento ocorrido em 30 de Outubro de 1931 do Director do «Jornal de Arganil» Sr. António Pimenta de Carvalho. Em 20 de Novembro de 1931, o Presidente da Direcção, Sr. Joaquim Fontes de Almeida, promovia uma reunião na sua residência, para anunciar a sua decisão de se demitir, não só porque não se achava capaz de dirigir com competência a Colectividade, mas também por observar que alguns elementos que constituíam a Direcção não estavam a colaborar como deviam, deixando em completo desleixo toda a escrituração e porque a maior parte das vezes não compareciam às reuniões previamente estipuladas, pelo que entendia dever ser a Direcção toda remodelada. Esta sugestão teve o acordo do Presidente da Assembleia-Geral e em 29 de Novembro tomaram posse os novos corpos gerentes. Eis a história da União Progressiva da Freguesia do Colmeal no período que medeia entre 20 de Setembro e 29 de Novembro de 1931, período difícil, certamente, para os dirigentes de então, que levou a uma decisão também difícil, mas honesta, e que a atestar os factos apontados pelo então Presidente da Direcção, Joaquim Fontes de Almeida, ressaltam as primeiras cinco actas da Direcção que são assinadas apenas pelo Presidente e pelo Tesoureiro José Henriques de Almeida, homens que, apesar de tudo, nunca deixaram de acreditar no ideal que os levara à criação da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, pois eles continuaram a dar a sua colaboração à Colectividade aceitando ser nomeados membros efectivos da 2ª Direcção eleita, em que figuravam os nomes de: Manuel Nunes de Almeida Abel Joaquim de Oliveira Joaquim Fontes de Almeida José Henriques de Almeida José Antunes André in Boletim “O Colmeal” Nº 117, de Julho de 1973

Clube de Contadores de Histórias (IX)

Amor a dobrar
Belinda era uma menina com sorte. Tinha duas avós. À avó da cidade chamava Vó. À do campo chamava Vivó. Belinda vivia na cidade; por isso, via a Vó muitas vezes. Esta tomava conta dela quando a mãe estava ocupada. Belinda e a Vó tinham muitas frases só delas e faziam coisas especiais. — Anda lá, Vó! — Vamos fazer um tingalaio. — Tingalaio! Meu burro pula, meu burro salta, meu burro bate com sua pata — dizia a avó, enquanto levava Belinda às cavalitas. A Vó levava a neta muitas vezes ao parque, e ambas dançavam por entre as árvores, de mão dada. Quando chegavam a casa, Belinda tomava limonada e comia as suas bolachas favoritas, feitas com gengibre. Nas férias, a menina via a Vivó. Toda a família ficava em casa da avó. Como era uma casa pequenina, a mãe e o pai encaixavam-se no quarto de hóspedes, enquanto Belinda dormia numa caminha extra. Belinda e a Vivó tinham muitas frases só delas e faziam coisas especiais. — Põe um pato no sapato! — dizia Belinda. E a Vivó levava a neta a ver os patos e as galinhas. Também faziam piqueniques no campo atrás da casa. A Vivó levava sumo de maçã e as bolachas favoritas de Belinda, as de queijo. Quando acabavam de comer, a menina pedia: — Anda, Vivó! Vamos brincar às rodinhas! Depois de muito andarem à roda, caíam no chão uma em cima da outra. Quando estavam na cidade, a Vivó telefonava todos os domingos e falava sempre com Belinda. Até parecia que estava mesmo ali ao lado. Belinda gostava muito das suas duas avós. Quando nasceu o seu irmãozinho, fizeram uma festa na casa da cidade. Todos vieram à festa, incluindo a Vivó. Foi a primeira vez que Belinda teve as duas avós ao mesmo tempo com ela. Divertiram-se tanto! Mas a Vó não foi a correr buscar limonada para Belinda. E a Vivó não lhe deu sumo de maçã. Ficaram sentadas e quietas… até que Belinda caiu. Bateu com a cabeça e ficou sem respiração. Começou a chorar. A Vó e a Vivó puseram-se ao lado dela, rápidas como um relâmpago. Embalaram-na entre elas, como se fosse uma sanduíche. Belinda teve direito a um beijo da cidade numa face e a um beijo do campo na outra. Segurou as mãos das avós e não queria largá-las. — Vamos! — disse, puxando por elas. — Aonde? — perguntaram as avós. — Para o outro quarto. Vamos divertir-nos! — pediu Belinda. A Vó pôs uma gravação. — Vivó, sabe dançar esta música? A Vivó ensaiou alguns passos e voltas. E dançaram as três, ao som do ritmo. De repente, começou a ouvir-se uma velha canção. A Vó e a Vivó começaram a cantar. Depois, a Vó pôs Belinda às cavalitas da Vivó. — Tingalaio! — exclamou Belinda, e lá foram as três pela casa fora, a trotar e a saltar. Depois, foi a vez da rodinha. Fizeram uma rodinha e acabaram por cair umas em cima das outras, rindo e batendo palmas. — Tem de vir mais vezes visitar-nos — sugeriu a Vó à Vivó. — Tem de vir passar férias connosco — sugeriu a Vivó à Vó. Belinda estava radiante. Quando as duas avós se juntam, diverte-se a dobrar e tem amor a dobrar.
Bernard Ashley Double the Love London, Orchards Books, 2003 Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

05 novembro 2009

Magusto no Colmeal

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizou, mais uma vez o tradicional magusto, no passado dia 1 de Novembro, no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano. Castanhas, torresmos, água-pé e jeropiga não faltaram bem como deliciosas sobremesas que se quiseram associar e que foram muito bem recebidas. Por seu lado, a chuva que não havia sido convidada, obrigou a alterações na logística mas tudo se resolveu e acabou em bem. Os Colmealenses associaram-se à iniciativa e reviveram esta antiga tradicão. UPFC
Fotos de António D. Santos

Loural

Aldeia perdida, aldeia escondida, casas em silêncio
Um velho moinho
Uma pequena queda de água por perto quebrando o silêncio
Fotos de A. Domingos Santos

COLMEAL – Biblioteca da União mais rica

PARQUES e RESERVAS NATURAIS

“Um dos objectivos essenciais das Áreas Protegidas é o de conservar a extraordinária variedade do mundo a que pertencemos. São espaços abertos, sem qualquer vocação para salas de espectáculo da natureza, sem bilhete de entrada ou área de funcionamento. Neles todos podem entrar livremente, mas esta liberdade de ingresso tem como contrapartida a necessidade de observância de certas regras. O usufruto de qualquer Área Protegida, cuja protecção depende essencialmente de cada um de nós, exige o cumprimento voluntário de um pequeno conjunto de normas de condutas: seguir os caminhos e trilhos existentes; não colher plantas, flores ou frutos, ou amostras minerais; respeitar a tranquilidade do local; deitar o lixo nos locais apropriados; estacionar apenas nos parques autorizados; acampar nas áreas especialmente destinadas a esse fim; não fazer lume; cumprir os regulamentos de caça e pesca. Há gestos e acções, inúteis e destruidores, que devem ser evitados. Respeitar as normas específicas a cada Área Protegida significa estar a contribuir de facto para a sua conservação e valorização.” A Paisagem Protegida da Serra do Açor é a que tem a área mais pequena entre os Parques Nacionais e Naturais e Reservas Naturais existentes no país, com apenas 346 hectares. O Parque Natural da Serra da Estrela com 100 mil hectares é o maior logo seguido do de Montesinho, com 75 mil. Para além destes, encontramos mais os seguintes Parques Naturais: Alvão, Serras de Aire e Candeeiros, Serra de S. Mamede, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e mais a sul, a Ria Formosa. Como Áreas Protegidas temos a do Litoral de Esposende, Sintra – Cascais e a Arriba Fóssil da Costa da Caparica. Em termos de Reservas Naturais temos as Dunas de S. Jacinto, Serra da Malcata, Paul de Arzila, Berlenga, Paul do Boquilobo, Estuário do Tejo, Estuário do Sado e o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. O Parque Nacional da Peneda – Gerês é provavelmente o mais conhecido e aquele de que mais se fala. Relativamente à Paisagem Protegida da Serra do Açor, retiramos e salientamos: “A Estrela, o Açor e a Lousã, uma extensa cordilheira povoada de granitos e xistos, uma dorsal que se alonga de nordeste para sudoeste, dividindo sensivelmente a meio o território de Portugal. Espaço montanhoso, é certo, mas onde não impera a uniformidade, já que esse bloco alteroso que é o hermínio maior se destaca claramente do extenso mar de cristas arredondadas, de altitudes dissimétricas e de pronunciadas quebradas com que se prolonga para sul. O Açor é o domínio do xisto, são cumes boleados que à distância escondem vales com grandes quedas de nível e linhas de água encaixadas, por vezes de dimensão quase imperceptível, que, ao sabor das vertentes, ora procuram o Ceira, ora se dirigem para o Alva. … Tal como os terrenos de cultura em socalcos, as «quelhadas», ficaram ao abandono, «vítimas» de êxodo rural, esquecidos também ficaram os curiosos fornos de madeira, construções circulares com cúpula, construídos com lajes de xisto ou calhau de quartzo e destinados a conferir uma maior rigidez e flexibilidade às varas de castanho. O artesanato dependente da floresta – tamancos, gamelas, mobiliário, várias alfaias agrícolas – quase desapareceu, sobrevivendo apenas alguma cestaria e o fabrico de colheres de pau.” Por julgarmos de interesse aqui vos trouxemos este apontamento que retirámos de “Os mais belos parques e reservas naturais de Portugal”, em dois volumes da Colecção Património, da Editorial Verbo, que agora poderão apreciar na Biblioteca da União, no Colmeal, onde sugerimos uma leitura mais atenta e cuidada. A. Domingos Santos

29 outubro 2009

“Baguinho”, um artista e um poeta

. Fernando Costa leu na imprensa regional – Jornal de Arganil – a notícia sobre a justa homenagem que em Agosto foi prestada pela Câmara Municipal de Góis a três grandes vultos do regionalismo colmealense. Três homens que bem conhecia e muito admirava. E quis também homenageá-los à sua maneira, da maneira que sabe e de que gosta. Fernando Costa, que entre os amigos é mais conhecido por “Baguinho”, informou-nos de um quadro que tinha feito para oferecer à União.
Recebeu-nos no seu “local de trabalho” no passado dia 15 de Setembro. Um espaço que apesar de pequeno é acolhedor e suficientemente grande para albergar recordações que ele vai fixando. Mouraria e fado, obrigatoriamente representados em vários dos quadros. Amália, Fernando Maurício e aspectos antigos da Rua João do Outeiro, que “Baguinho” considera o «Berço da minha saudade». O velho Teatro Apolo, a Igreja do Socorro e a Praça da Figueira, marcos entretanto desaparecidos e que só os mais antigos ainda terão nas suas memórias.
Recordando com saudade e alguma emoção António Fontes, Martins Barata e o seu homónimo Fernando Costa, “Baguinho” entregou o quadro aos dirigentes da União Progressiva, Maria Lucília Silva e António Santos, que agradeceram sensibilizados. O quadro será brevemente colocado no EspaçoArte, no Colmeal.
Fernando Costa “Baguinho”, filho de Preciosa do Carmo e de José da Costa, é sócio da União Progressiva da Freguesia do Colmeal desde Setembro de 1957, tendo sido proposto pelo saudoso Alfredo Braz, que morava em frente à sua casa na Rua João do Outeiro. “Baguinho” confidenciou-nos que só sabe fazer o que faz, desde que há sessenta e seis anos começou a trabalhar na sua profissão de sapateiro, no número 22 da Rua João do Outeiro.
Vai intervalando com os seus versos sentidos, alguns dos quais se encontram publicados em livro. Grande entusiasta do Grupo Desportivo da Mouraria, onde se encontram expostos dezenas de quadros seus, não perde oportunidade, enquanto trabalha, de ouvir o fado, aquela melodia nostálgica que desde sempre se habituou a ouvir e a sentir. Ou não tivesse nascido e vivido na Mouraria. A. Domingos Santos
Fotos de Francisco Silva

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Fatias Douradas
- Pão de forma (de padeiro)
- Leite q.b.
- 5 Ovos
- Óleo q.b.
- Açúcar q.b.
- Canela q.b. O pão de forma, deve estar cerca de três dias a endurecer. Após este processo, corte-o em fatias bem finas.
. Posteriormente, prepare um recipiente e coloque o leite, à temperatura ambiente. Demolhe as fatias do pão, em leite, apenas de um lado, depois vire-as do lado contrário e coloque num prato, de modo a que o leite repasse e escorra.
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Faça este ritual a todas as fatias e acrescente o leite consoante a necessidade.
. Numa taça bata os ovos e coloque uma frigideira ao lume com óleo. Somente quando o óleo estiver bem quente, ensope as fatias de pão no ovo (só as que a frigideira comportar) e coloque-as na frigideira. Vire-as de um lado e de outro de modo a ficarem douradinhas.
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Após todas as fatias estarem fritas, coloque-as a secar em papel absorvente de cozinha.
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Depois de todo este processo, faça uma mistura de açúcar com canela a seu gosto e ponha por cima das fatias douradas. . A receita apresentada (fatias douradas) foi disponibilizada por Manuela Baptista, residente no Colmeal

Clássicos na Biblioteca da União

São seis clássicos em adaptações que Aquilino Ribeiro (Peregrinação), António Sérgio (História Trágico-Marítima) e João de Barros (os restantes) prepararam para que numa linguagem fácil a sua leitura fosse acessível e compreensível pelas crianças. Estes seis volumes, que compõem a pequena Colecção Clássicos da Humanidade, têm ilustrações de André Letria. A não perder. UPFC

Freguesia do Colmeal (História) VIII

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PASSADO – PRESENTE Capítulo VIII O ORAGO DA FREGUESIA (1) SAM SEBASTIÃO (2)
“O nosso Santo protector, nasceu em Narbone, cidade das Gálias e, ainda criança, foi viver para Milão, onde ficou órfão de pai. Sua boa mãe não descurou a educação do filho, que se dedicou inteiramente ao serviço de Deus. Devido à pregação dos Apóstolos e seus sucessores o Evangelho espalhou-se rapidamente pelo mundo e os cruéis imperadores romanos iam movendo contra os cristãos as mais violentas perseguições. O jovem Sebastião, impregnado do amor cristão, temendo que muitos irmãos abandonassem a fé, foi para Roma e, sem se manifestar, alistou-se como soldado do imperador, conseguindo deste a maior estima e consideração, a ponto de ser elevado a um dos mais altos cargos do exército. Entretanto dava aos jovens soldados e ao povo romano o mais belo exemplo de virtudes e transmitia o Evangelho do Senhor. As perseguições intensificavam-se cada vez mais e os convertidos da Cruz suportavam infâmias e tormentos sem conta. Sebastião movido pelo zelo autenticamente cristão, velava pelos irmãos, confortando-os nos tormentos, exercendo a caridade, instruindo-os e mantendo-os na fé. Completou ainda os seus triunfos com inúmeros prodígios, curas milagrosas e conversões, mesmo entre os homens da corte imperial. Muitos convertidos por Sebastião haviam já derramado o seu sangue. A mesma sorte lhe era reservada. Acusado de ser cristão, é chamado pelo imperador, perante o qual afirma a sua fé em Cristo, Deus e Homem verdadeiro que morreu para salvar o mundo. E com grande espanto de Diocleciano, depõe a seus pés as armas de soldado, como inúteis e vãs, dizendo que tem um Senhor mais poderoso que o imperador: - «É Jesus Cristo». Enfurecido com a audácia de Sebastião, Diocleciano condena-o à morte, com estas palavras: «Seja amarrado nu a um pé de louro no bosque, e seja crivado de irresistíveis setas». Não amedrontou o herói cristão esta sentença do cruel tirano; antes se alegrava e caminhava tranquilo para os algozes, certo da vitória que o esperava. As setas envenenadas espetavam-se no corpo do jovem mas não o fizeram sucumbir. Os carrascos, julgando-o morto, entregaram-no aos seus amigos, que tinham combinado comprar o corpo do mártir a peso de ouro. O seu martírio foi consumado mais tarde, sendo espancado com o cabo de lanças de soldados, quando no dia de uma festa do imperador, Sebastião o avisou de que tanta impiedade e tirania não escapariam à justiça Divina. Sebastião morreu no dia 20 de Janeiro do ano 284 da era cristã.” (1) Transcrição de «O Colmeal» nº 1. (2) É impossível determinar as causas, razões ou motivos, porque, quando da construção da primitiva Capela de Sam Sebastião, foi este o nome adoptado: - segundo o que chegou a nossos dias «que era a única imagem que possuíam» ou «que foi Colmealense com este nome o grande obreiro da edificação e como preito de homenagem assim classificado». Verídico ou não, aqui fica. in Boletim “O Colmeal” Nº 108, Dezembro de 1970

Clube de Contadores de Histórias (VIII)

A menina que não conseguia levantar-se de manhã
Era uma vez uma menina que fazia todas as manhãs uma grande birra para se levantar. Quer dizer, não era ela que fazia a birra, eram os seus dois olhos, as suas duas orelhas, as suas duas mãos e, mais do que todos os outros, os seus dois pés. Quando a mãe ia acordá-la, ela queria acordar, mas as orelhas não deixavam entrar a voz da mãe a chamá-la: — Ela fica sempre furiosa com quem a deixa ouvir a voz a mãe a acordá-la; por isso, dá-lhe tu o recado — dizia a orelha direita. — Essa é que era boa, já ontem fui eu — dizia a outra. — Olha, eu é que não deixo a voz da mãe dela entrar, porque não estou para levar uma sapatada. E continuavam assim durante muito tempo, até que a mãe da menina a abanava, já furiosa, e as orelhas assustadas deixavam a voz dela passar. Depois de a menina ter ouvido a mãe a chamar, queria mesmo acordar, mas os seus olhos começavam a discutir: — Abre tu primeiro — dizia o da direita. — Era o que faltava! Ontem fui eu, hoje abres tu — respondia o outro. — Ai isso é que não abro — dizia o primeiro. — Olha... e a mim faz-me uma diferença... estou a dormir muito bem. E só quando a mãe da menina dava o grito: «Olhos, abram-se, porque senão, zango-me mesmo!», é que eles piscavam muito, mas lá abriam. A mãe da menina sentava-a então ao colo, agarrava-a com muita força para ela continuar quentinha e começava a querer vestir-lhe a roupa. Só que os braços e as mãos queriam voltar para a cama e, além disso, andavam sempre à luta, como muitas vezes os irmãos andam. O braço do lado esquerdo não se esticava para a mãe enfiar a camisa e dizia, a rosnar, ao irmão: — Por que é que há-de ser sempre pelo meu lado que ela começa a vestir as camisas?... Já ontem foste tu a dormir mais um bocadinho. Eu não me mexo. A mãe, como não conseguia pôr aquela manga, tentou a outra, mas o braço do lado direito não queria perder a guerra com o irmão e, por isso, também ficou muito mole... e a camisa escorregava outra vez. A boca da menina, que estava muito contente por não ter nenhuma gémea com quem discutir, quando viu que a mãe estava a ficar mesmo zangada, disse: — Ó mãe, a culpa não é da menina, é dos braços. E a mãe zangou-se com os braços. E sabem como é que conseguiu que eles parassem de discutir sobre qual é que ia primeiro e qual é que ia a seguir? Mandou-os aos dois esticarem-se muito e vestiu as duas mangas ao mesmo tempo. Os braços ficaram com pena de não terem mais motivos para discutir, porque gostavam muito de discutir de manhã. Mas, como vos disse, os piores de todos os irmãos eram os pés. De manhã acordavam sempre muito rabugentos mas, ao contrário dos outros, estes queriam ser os primeiros em tudo. E o pé direito esticava-se todo para a mãe e dizia (usando a boca): — Sou eu, sou eu, sou eu... Hoje sou eu... Ponha-me meia a mim primeiro... E o do lado esquerdo dava-lhe pontapés, caneladas mesmo, e tentava pôr-se mais perto da mãe. — Ontem foi ele... Hoje sou eu, sou eu, sou eu! E o pior é que depois começavam mesmo à luta e ficavam cheios de nódoas negras. Então a mãe lembrou-se de uma coisa – porque também se não se lembrasse, a menina nunca mais chegava à escola. Lembrou-se de dizer: — Ponho primeiro a meia a um... e depois a outro; mas quando chegar aos sapatos, ponho o primeiro sapato ao último em que pus a meia. Os pés ficaram quietos um bocadinho, só porque não perceberam lá muito bem o que a mãe lhes tinha dito. E a mãe aproveitou esse bocadinho para lhes enfiar as meias e depois os sapatos. A menina estava, por esta altura, sentada ao colo da mãe, já toda vestida. E ria-se muito com a discussão das suas orelhas, olhos, braços e pés. Pareciam ela e o irmão dela, que estavam sempre a discutir assim. A menina sabia que era muito irritante para os pais ouvirem aquelas lengalengas, mas achava que para as suas orelhas, para os seus braços e pés, era muito divertido. E, além disso, assim, a menina ficava mais tempo ao colo da mãe!
Isabel Stilwell Histórias para contar em 1 minuto e ½ Lisboa, Verso da Kapa, 2005 Adaptação
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

22 outubro 2009

Alfredo Alves Caetano

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A União Progressiva da Freguesia do Colmeal levou a efeito em Maio de 2007, uma caminhada pelos trilhos antigos recriando e recordando a “Rota do Carteiro”, para se calcorrear um dos itinerários que os carteiros percorriam décadas atrás pelo menos duas vezes por semana.
Alfredo Alves Caetano foi um deles, assim como Amílcar Marques
ou mais recentemente Rui Conceição. E antes dele tantos outros, cujos nomes se foram perdendo na memória do tempo, não terão subido e descido estes montes? E em que condições? Chuva, geada, neve, granizo, sol tórrido, nevoeiro de enregelar. Farda colada ao corpo amaciada pelo suor do corpo ou pela chuva que se entranhava. E as notícias boas e más, lá iam e vinham, para alegria e tristeza de uns e de outros. Como oportunamente aqui demos notícia, Alfredo Alves Caetano foi um homem extremamente simpático, amigo de todos e sempre disposto a colaborar naquilo que lhe solicitavam, foi por proposta da Junta de Freguesia do Colmeal recentemente homenageado pela Câmara Municipal de Góis, que atribuiu o seu nome a um dos caminhos do Colmeal que ele tão bem conhecia e que passava à porta de sua casa. .
Foi no passado dia 9 de Agosto e contou com a presença, entre outros, dos seus familiares mais próximos – filho, neto, bisneta e trineta e de muitos colmealenses que se quiseram associar ao acto.
Usaram da palavra o Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, o neto do homenageado e o Vereador da Câmara Municipal de Góis. Alfredo Alves Caetano também exerceu alguns cargos na Delegação da União Progressiva no Colmeal, tendo sido eleito pela primeira vez em 22 de Dezembro de 1943 para vogal. Em 20 de Janeiro de 1946 assumiu a presidência da Delegação que manteve até 21 de Abril de 1957. Trabalhou com grandes regionalistas como António Domingos Neves, Joaquim Francisco Neves, António Santos Almeida (Fontes) e Manuel Martins da Cruz, que lideraram a Direcção durante este período difícil na vida da Colectividade. A. Domingos Santos Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos

Magusto no Soito

À semelhança do que já vem sendo habitual, a Comissão de Melhoramentos do Soito vai realizar o convívio dos “Santos”, que este ano terá lugar no Sábado, dia 31 de Outubro e incluirá: Missa por alma do senhor Abel Nunes de Almeida Júnior, falecido no passado mês de Agosto de 2009 e que antes então desempenhava o cargo de Presidente da Assembleia – Geral da Comissão de Melhoramentos do Soito (14H30); .
Actuação do Rancho Folclórico Serra do Ceira (15H30); .
Lanche e magusto, aberto a todos os que nele queiram participar (16H30). . Aproveite a oportunidade para visitar esta bonita “aldeia preservada” e os seus múltiplos recantos e partilhar connosco este importante dia de convívio. A Direcção.
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José Saramago

"... Quando, em 1943, Saramago começa a trabalhar na Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria de Cerâmica, Ilda Reis já entrara na sua vida. Também com 20 anos, esta moça morena e bonita, natural de Lisboa, era dactilógrafa na sede dos Caminhos de Ferro de Portugal. Por estranha coincidência, enamorara-se de um José que, em pequeno, sonhava vir a ser maquinista de comboios, depois aviador militar, por fim escrevinhador. O casamento dá-se em 1944 e dura 26 anos, mas sobre ele o escritor nada deixará dito."
Publicado em VISÃO. Lisboa, 10 de Dezembro de 1998

Outros tempos... (1)

Eu ainda sou do tempo em que nos bairros mais antigos e também mais pobres da cidade de Lisboa não havia água canalizada em muitas das habitações. Os nossos conterrâneos que habitaram nos bairros da Mouraria, Castelo, Alfama ou Madragoa, por exemplo, ainda se lembrarão desses tempos e da profissão ou do negócio que era o da distribuição de água. Os aguadeiros, homens, mulheres e também crianças de pé descalço, como se recorda na fotografia, enchiam o pequeno pipo, o cântaro ou até o balde no chafariz público, para depois irem vender a casa deste e daquele. Com o barril ao ombro em cima do pano que seria dobrado para fazer de almofada ou na rodilha à cabeça, assim se transportava a água para venda ao domicílio. O pregão que ecoava pelas ruas da velha Lisboa, está hoje silenciado para sempre. Apenas alguns dos chafarizes, mas muito poucos, ainda resistem. A. Domingos Santos

18 outubro 2009

Magusto no Colmeal

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai, mais uma vez, realizar o magusto no próximo dia 1 de Novembro, pelas 16 horas. Castanhas, torresmos, água-pé e jeropiga estarão à espera de todos os Colmealenses que se queiram associar a esta antiga e tradicional manifestação que já vem do tempo dos nossos pais e avós. Esperamos por si no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano. UPFC

Que mau serviço!...

Já estou aqui há tanto tempo e nem a ementa me trazem para escolher o que vou comer!...
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Foto de "Anónimo"

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Bacalhau à Biscainha
- 4 Postas de bacalhau
- Farinha q.b.
- 1 dl. de azeite
- 2 Cebolas
- 4 Pimentos
- 800 gr. de batatas
- Sal q.b.
Comece por partir as postas de bacalhau, quando este ainda se apresenta por demolhar, em tiras bem fininhas e posteriormente coloque-as a demolhar.
Depois de demolhadas, passe as tiras do bacalhau por farinha e frite-as em azeite.
À parte, coloque um tacho ao lume, corte as cebolas e os pimentos em gomos e refogue ambos em azeite.
Descasque as batatas, corte-as ao meio e coza-as em água temperada com sal.
Ligue o forno a 180 ºC. Transfira o bacalhau frito em azeite, para um tabuleiro, sobreponha-lhe o refogado e coloque no forno, por 15 minutos, até ficar corado.
Retire o bacalhau do forno e sirva-o com as batatas cozidas. A receita apresentada (Bacalhau à Biscainha) foi disponibilizada por Maria Fontes, residente em Ádela

Um rio de outra cor

Foto de Francisco Silva

12 outubro 2009

À memória dos que passaram...

(clicar nas imagens para ampliar)
"À memória dos que passaram e para estímulo dos vindouros" - foi a dedicatória com que nos deparámos ao abrir este livro "Casa da Comarca de Arganil - XXV Aniversário", numa publicação de Dezembro de 1954. Fomos encontrar três páginas (262 a 264) dedicadas à nossa colectividade, que ao tempo tinha sede e era federada na Casa da Comarca de Arganil, Rua da Fé, 23 - 1º em Lisboa. "As verdejantes e frescas margens do rio Ceira e a capela do Senhor da Amargura, edificada num dos mais aprazíveis locais da região, entre frondosos pinhais, merecem referência especial por serem pontos turísticos dignos de nota, que muito podem valorizar esta região." São enumeradas obras realizadas pela nossa colectividade (fundada em 20 de Setembro de 1931), em que se destacam a ponte sobre o ribeiro do Soito (a primeira obra da União), os chafarizes do Colmeal e o do Sobral e a escola, chafariz e lavadouro na Malhada. As comparticipações na construção de estradas para as povoações de Açor, Aldeia Velha, Malhada e Soito, Carrimá, Ádela e Carvalhal; donativos para diversas construções e conservações em várias aldeias; distribuição de artigos escolares a todas as povoações da freguesia que têm escolas; bodos aos pobres na Páscoa ou Natal. Refere-se também a instalação no ano de 1954, de um Posto Médico na sede da freguesia o qual foi dotado com o necessário mobiliário e material cirúrgico. Listavam-se também outras obras de urgente realização, como a estrada Rolão-Colmeal, a electrificação das povoações, o alargamento e alindamento do Largo da União no Colmeal, uma escola para o Carvalhal e chafarizes para Aldeia Velha e Carvalhal. Com pouco mais de vinte anos de existência e com as dificuldades com que se deparava ao tempo, a União Progressiva apresentava já um apreciável conjunto de realizações. Um trabalho que ninguém esquece. Agradecemos à Comissão de Melhoramentos de Ádela na pessoa dos seus dirigentes Paulo Casquinha e Fernando de Almeida a possibilidade de nos terem dado a conhecer esta obra. A. Domingos Santos

Freguesia do Colmeal (História) VII

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PASSADO – PRESENTE Capítulo VII
Como se viveu na freguesia nos séculos XIII a XVII (1) As casas eram térreas, construídas de xisto e com tecto de colmo, todas as proporções modestas, com uma única divisão que servia ao mesmo tempo de cozinha e dormitório. A cama, feita de palha ou fetos secos, no chão e a um dos cantos da habitação. Pratos, garfos e colheres eram desconhecidos. Comia-se com a mão e do próprio recipiente onde era feita a refeição que normalmente se baseava em papas, água ou vinho, pois que além destes não se conheciam outros líquidos. Vestia-se saio – espécie de vestido com mangas compridas – feito de linho bastante grosseiro. Na cabeça usavam capuz ou capucha do mesmo tecido que os próprios fabricavam. Por norma andavam descalços e só quando iam para longas jornadas usavam sandálias com correias, fabricadas rudimentarmente de peles que curtiam. Cultivavam o linho, de cujo caule retiravam a fibra para os tecidos. Das sementes desta planta extraíam o óleo de linhaça para sedativos e emplastros. Além da pastorícia, actividade principal, explorava-se a agricultura, caso dos cereais, como o trigo, centeio e milho painço (2), vinho e azeite. O mel, também explorado (3), é usado quase unicamente como remédio para as várias doenças. Os outros alimentos são o peixe do rio e ribeiras, carne de animais domésticos e selvagens que então existiam nas florestas da região, tais como o gamo, veado e javali, mas aos quais deviam ter um certo receio por falta de armas aptas para a caça. O aquecimento das casas só é possível graças à lenha. Para iluminação utilizam candeias alimentadas a sebo. Vias de comunicação não havia, e as margens do rio Ceira eram atravessadas por pontões feitos de troncos de árvores (4). Correio não existia, e quem na maioria dos casos levava as mensagens, eram os Almocreves (5) que forneciam as mercadorias necessárias à vida recebendo em troca castanhas ou peças de olaria (6). Como religião praticava-se o catolicismo. Entretanto procede-se à construção de uma pequena capela (7) que, tal como as habitações é em xisto, coberta de colmo e de proporções modestíssimas tendo sido dedicada a Sam Sebastião (8). Os defuntos eram transportados para Selaviza, cujo percurso era feito em duas jornadas, sendo a primeira até Soveral (9). Esta foi sensivelmente a vida da nossa freguesia até ao século XVII. As vias de comunicação eram caminhos carreteiros (10). A partir desta altura, o milho de maçaroca, até então desconhecido, tal como a batata e o feijão, tomaram o seu lugar na agricultura. No século imediato, foram construídas no Colmial, novas habitações ao Porral, já cobertas com loisas, com dois pisos, sendo o superior assoalhado. As lojas que continuavam térreas, eram agora utilizadas como curral para animais e para armazenar as colheitas dos cereais. Nesta época o homem já utilizava calções até ao joelho que, tal como o saio ainda usado pela mulher, era de linho grosseiro e fabrico de casa. (1) Seguiram-se os costumes e condições gerais do país, nesse tempo. (2) Ainda se cultiva para o fabrico de vassouras. (3) É possível que tenham sido os mouros os nossos primeiros apicultores, atendendo à sua crença. O mel para o Árabe é o que de mais belo existe, e significa a magnificência do Paraíso. Segundo a sua fé, os justos a seguir à ressurreição deliciam-se com mel no Paraíso, onde também colocam as abelhas, uma vez que para o Maometano, não há Paraíso sem mel nem mel sem Paraíso. Este um dos códigos do Islão. Os mouros foram expulsos das Beiras, em meados do século XI, por Fernando Magno. (4) De fabrico mais actualizado, ainda são imprescindíveis em quase todo o vale do Ceira. (5) Do Árabe Almukãri. Homem que tem por ofício transportar mercadoria em bestas de carga. (6) Ler Capítulo V. (7) Ficava situada, sensivelmente ao centro da actual Igreja, tomando como base que o local formava cabeço, pela não existência dos muros de suporte, construídos no século XIX, nos sentidos nascente – norte, poente – sul. (8) Adoptou-se a ortografia da época o mesmo sucedendo em relação a Celaviza, Sobral e Colmeal. (9) Este martírio só terminou quando da construção da Igreja Matriz, onde se passaram a sepultar os defuntos. (10) Ainda no presente, as vias de comunicação com Açor, Ádela, Loural, Sobral, Salgado e Saião; e do Soito a Foz da Cova, Carrimá e Malhada, e bem assim com a própria sede concelhia, isto é até a Capelo, são as mesmas que nos foram legadas por estes nossos antepassados. In Boletim “O Colmeal” Nº 107, Novembro de 1970

08 outubro 2009

Amor ao luar

Contemplando o luar... com o braço por cima dos ombros dela...

Lembrança

No final da espectacular caminhada "Trilhos da Ribeira de Ádela - Caminhos da Escola", realizada em 26 de Abril de 2008, o casal Magalhães Pinto ofereceu esta bota à União Progressiva. Estes nossos associados são grandes entusiastas desta saudável modalidade e têm trazido à freguesia do Colmeal inúmeros participantes. Foto de A. Domingos Santos

«Impérios» dos Açores

Arquitectura singular esta dos Impérios açorianos, pequenas construções de certa pompa, compromisso entre capela e palacete miniatural, sempre ou quase sempre de sabor popular, casa da irmandade ou mordomia local das Festas do Divino Espírito Santo. Essa grande devoção veio do século XV com os povoadores, como parte importante que era na vida portuguesa desde o século XIII. A princípio devoção e festividades de carácter marcadamente caritativo conduziam as irmandades a variadas acções assistenciais, das domiciliárias à sustentação de hospitais, e daí ser a nobreza quem naturalmente chamava a si encargos e trabalhos. Também essas irmandades viriam nos Açores a constituir-se base e apoio das Misericórdias. Com o andar dos séculos enfraquecia no Continente tal devoção e nos Açores mais popular se tornava com suas alegres festas de louvor e gratidão ao Espírito Santo, celebradas da Páscoa ao Pentecostes. Momento culminante das festas é a coroação: em tempos idos coroava-se um pobre e agora uma criança – rematam a coroa e o ceptro pombas que simbolizam o Paráclito. Os imperadores são sorteados na segunda-feira de Pentecostes, à porta de um Império e dentro dele são expostos os bodos. Apesar de alterações diversas, a tradição continua a impor muitas das obrigações do preceito antigo – carros de toldo, serviço de doces e vinhos e pães e rosquilhas doces (para visitantes ilustres), cortejos, insígnias, o alferes da bandeira, o pajem da coroa, os vereadores, o dia do bezerro cuja carne será distribuída pelos pobres do lugar, com pães e flores espetadas, tudo disposto à porta do Império este simpático, ingénuo e sempre belo toque de originalidade arquitectural e de festa, onde por vezes se misturam góticos e barrocos sem grande incómodo. Os simpáticos Impérios – também chamados Teatros – erguem-se como altos rés-do-chão de modo a poder ver-se bem a exposição do bodo no domingo e segunda-feira de Pentecostes, e as cerimónias ali realizadas. Vão desaparecendo alguns componentes antigos que davam especial nota de folguedo, de juvenil alegria a este «tempo do Espírito Santo», nomeadamente as folias que se integravam no cortejo da coroação – os três foliões, talvez herança dos medievais bobos das cortes, envoltos em vistosas capas de ramagens e, na ilha de São Miguel, com pomposas mitras nas cabeças, iam tocando rabeca e tambor, o terceiro empunhava uma bandeira, e durante o jantar da função mandavam servir os pratos, cantando a preceito. in “As mais belas cidades de Portugal”, Vol. II, pág. 229 Colecção Património, Editorial Verbo A Colecção Património estará brevemente à sua disposição na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos
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Fotos de Sergio Veludo

03 outubro 2009

Exposição de Fotografia de Lisete Matos

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Galeria Almedina
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DOS OBJECTOS PARA AS PESSOAS .
De 29 de Setembro a 15 de Outubro
"Uma exposição de fotografia concebida com o objectivo de dar visibilidade e chamar a atenção para a riqueza do património cultural que se encontra disperso um pouco por toda a parte, configurando as serras e as localidades como museu vivo e aberto que importa preservar e potenciar ao serviço do futuro."
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Lisete Matos
CÂMARA MUNICIPAL
COIMBRA

Clube de Contadores de Histórias (VII)

A rapariga que se enfeitava demais
Os pais de Aree davam-lhe tudo o que ela queria. Cumulavam-na de presentes. — Aree, estas argolas de oiro haviam de ficar tão bem nas tuas orelhas delicadas. Temos de tas comprar! — Aree, aquela pulseira de prata havia de ficar tão bem no teu braço fino. Temos de ta comprar! — Aree, aquele anel de rubis havia de ficar tão bem nos teus dedos esguios. Temos de to comprar! Sempre que viam um corte de seda especialmente bonito, exclamavam: — Oh, Aree, que bem há-de ficar-te esta cor! Temos de te comprar esta seda! O quarto de Aree estava cheio de guarda-jóias e de arcas a abarrotar de tecidos. Um dia, Aree ouviu falar de um baile na aldeia que ficava para lá das montanhas. — Eis uma excelente oportunidade para exibir as minhas roupas requintadas! Mas, que cor hei-de usar? Cor-de-rosa, fúcsia, escarlate? Azul celeste ou verde-claro? Talvez violeta… ou púrpura… ou magenta. Talvez amarelo-torrado… ou verde-esmeralda. Penso que vou usar cor-de-rosa. Vestiu um vestido cor-de-rosa brilhante. Mas havia um outro vestido, cor de esmeralda. — Este verde é tão elegante! Talvez possa usar os dois! Vestiu o verde por cima do rosa. — Assim, posso exibir dois dos meus vestidos de seda! Só que este fúcsia é o mais alegre de todos. Penso que o vou usar também. Pôs o fúcsia por cima do verde e começou a voltear. — Vou ser a rapariga mais bonita do baile! Mas não se ficou por ali. — Este amarelo-torrado é especialmente bonito. E vejam só este azul brilhante…Ninguém tem sedas tão caras como as minhas. Já agora, porque não usá-las todas? A azul clara…a violeta…esta púrpura com fios de oiro puro. Se usar todos os meus vestidos, vou ser, de certeza, a rapariga mais bonita do baile. A vaidosa Aree vestiu tudo o que tinha no armário. Como as roupas eram pesadas, ficou sem conseguir mexer-se. — São um pouco pesadas, mas vejam só! Sou a rapariga mais bela do baile! E a escolha continuou: — E que pulseira usar? A de ouro? Sim. A de prata? Claro. A de jade? É a minha favorita. E os anéis? O de rubis? O de safiras? O de esmeraldas? O de pérolas? O de opalas? Todos eles, sem dúvida alguma! Aree pôs todas as jóias que possuía. As amigas chegaram pouco tempo depois. — Aree! Pareces… Nem sabiam o que dizer. Aree saiu de casa aos tropeções, carregada de sedas, anéis, pulseiras e brincos. Mal podia andar. Mas sentia-se orgulhosa. — Vejam só as minhas belas roupas. Vejam só o meu oiro e as minhas jóias. Vou de certeza ser… a rapariga mais bela do baile! Parecia tão pateta que as amigas fizeram um esforço para não se rirem. Partiram em direcção à aldeia. Mas Aree não conseguia acompanhá-las. Cedo começou a bufar de irritação. — Esperem por mim! Esperem por mim! Não consigo subir a colina! As amigas vieram ajudá-la. — Podíamos empurrar-te pela colina acima. — Não me empurrem porque podem amarrotar os meus vestidos! — Podíamos puxar-te pela colina acima. — Não me puxem porque podem sujar as minhas roupas de seda. As raparigas decidiram deixar Aree para trás. Esta cambaleou durante algum tempo sozinha até que as chamou de novo. — Esperem por mim! Esperem por mim! Não consigo subir a colina! As amigas voltaram para trás. — O que vocês têm é inveja das minhas roupas requintadas. Se fizer o que me dizem, já não serei a rapariga mais bela do baile. Aree recusou-se a tirar fosse o que fosse. As amigas deixaram-na ficar ali e foram ao baile sozinhas. Durante o dia todo, Aree arrastou-se pela colina acima debaixo de um sol escaldante. Chegou ao cume à noitinha. Parou, demasiado exausta para dar mais um passo, enfiada naquelas roupas tão pesadas. Quando as amigas regressaram do baile, Aree ainda estava demasiado cansada para poder mexer-se. Foram buscar os pais dela e, quando estes chegaram, Aree já não se sentia vaidosa. — Pai, mãe, vesti coisas a mais! Não preciso destas roupas todas! — Tira então alguns desses vestidos e algumas dessas jóias pesadas. Ensinámos-te a querer demasiado. Tens de aprender a contentar-te com menos. Jóia a jóia, vestido a vestido, Aree despojou-se de todas as suas coisas. Da vez seguinte que foi a um baile, estava lindíssima no seu vestido simples.
Margaret Read MacDonald The Girl Who Wore Too Much Arkansas, August House, 1998 Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar