Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

À descoberta do Colmeal



A União Progressiva da Freguesia do Colmeal voltou a apostar na divulgação da região, do concelho de Góis e da freguesia do Colmeal.
Dois autocarros repletos saíram manhã cedo, no passado dia 21 de Junho, rumo ao concelho de Góis e à nossa freguesia.
Uma paragem junto ao Ceira na passagem por Góis, antes de se rumar até ao Colmeal.




O convívio no Parque de Merendas das Seladas reuniu mais de cento e noventa participantes, entre os quais se encontravam os que pela primeira vez vieram à descoberta desta parcela do Portugal desconhecido. E que ultrapassaram as sete dezenas.



Como habitualmente o voluntariado funcionou no serviço às mesas colocadas sob as mimosas. A temperatura rondava os 37º e as sombras eram disputadas.


As senhoras do Colmeal mais uma vez se associaram a este evento e quiseram presentear os convidados com a doçaria que tão bem sabem fazer.


O artesanato e a produção local, neste caso de queijos, esteve presente e teve bastante procura. Foi mais uma oportunidade para dar a conhecer os nossos produtos a quem nos visita. Bancos em madeira e tecidos feitos em teares manuais também marcaram presença.




Uma surpresa para todos. Artur Domingos da Fonte revelou uma faceta desconhecida e apresentou diversas peças que nos seus tempos livres vem fazendo e que lhe recordam um pouco da sua infância. Ofereceu à União uma obra que representa o Chafariz do Colmeal, o primeiro melhoramento que a colectividade fez na aldeia. Esta obra passa a figurar no EspaçoArte onde poderá ser apreciada.




No momento próprio o presidente da Direcção da União, muito sensibilizado e satisfeito como tudo decorrera, dirigiu palavras de agradecimento a todos quantos tornaram possível esta realização.
Uma palavra especial à Junta de Freguesia do Colmeal e Câmara Municipal de Góis que ofereceram diversos brindes aos que visitaram o concelho pela primeira vez.



Depois, já no regresso, uma pequena paragem para uma fotografia neste local tão maravilhoso. A vontade de partir não era nenhuma, mas percebeu-se que a vontade de voltar já começava a fazer efeito. Subiu-se a serra e foi-se apreciando tudo o que a vista podia alcançar.



Uma última paragem para se contemplar o Castelo de Arouce e as Ermidas da Senhora da Piedade, nas proximidades da bonita vila da Lousã. E depois, foi mesmo o regresso. Já com alguma tristeza mas com vontade de voltar.

Fotos de A. Domingos Santos e Catarina Domingos

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

FESTAS EM HONRA DE SÃO PEDRO - SOITO (Colmeal)



(Clicar no cartaz para ampliar)

Telhados



Foto de A. Magalhães Pinto

GóisArte 2009 no Colmeal




(clicar no cartaz para ampliar)


À semelhança de anos transactos, nos dias 10, 11 e 12 de Julho irá realizar-se o GóisArte, no presente ano sob o signo “A Criança e a Sociedade”.

Sendo do interesse da Câmara Municipal que esta iniciativa abranja todas as freguesias do concelho, faz parte integrante do programa um Concerto pelo Grupo SAXACORDEAON, no dia 11 de Julho (Sábado), no Centro Paroquial Padre Anselmo – Colmeal, pelas 21.30 horas.

A população do Colmeal e da freguesia não deverá perder esta oportunidade para assistir ao Concerto.

UPFC

Sábado, 13 de Junho de 2009

A fotografia ao longo dos tempos

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Hoje em dia quase não existem fotógrafos “ à la minuta”. Como tantas outras profissões, também esta ficou fora de moda por causa das novas tecnologias, tornando-se pouco rentável e em vias de extinção.
Mas foi com este género de actividade que se democratizou a fotografia pública abrangendo-se as camadas menos abastadas da população. Com poucos custos, era possível obter o próprio retrato, fixar a idade, guardar o instante. Sem retoques, sem o fingimento requintado dos estúdios.
Facilmente identificáveis, as fotografias “à la minuta” eram conhecidas pela rápida execução de retratos e por serem executadas por fotógrafos ambulantes. De um modo sucinto, “à la minuta” consiste numa caixa de madeira, produzida artesanalmente, que tem aproximadamente 30 cm de comprimento, 20 cm de largura e 30 cm de altura. Na parte posterior, através de uma pequena abertura, permite a introdução da mão e parte do braço coberto por um pano negro de modo a evitar a entrada da luz.
Dentro da “câmara escura” ou no chamado “caixote” existe uma caixa lateral onde está colocado o papel fotográfico e dois recipientes para executar a revelação e a fixação. O revelador colocado à direita e o fixador à esquerda, sendo estes os químicos necessários para a obtenção da imagem.Na parte dianteira da “câmara escura” está colocada a objectiva considerada a parte mais importante da máquina, onde a sua qualidade garante uma boa apresentação das imagens. (olhaoboneco.blogspot.com)



Apreciemos a curiosidade das jovens girafas quando estes fotógrafos da National Geographic se preparavam para as fotografar num estúdio improvisado, já lá vai quase um século.



Vejamos a pose destas jovens nos seus fatos domingueiros, talvez num banco de jardim do Parque Eduardo VII, a bata protectora e o chapéu do fotógrafo. Nada falta. O balde para mergulhar as provas e as molas da roupa para segurar as fotos enquanto secam.




Ainda recentemente aquando da excursão da União Progressiva ao norte de Portugal e à Galiza - Santiago de Compostela, nos deparámos com dois fotógrafos. Um em Viana do Castelo - Santa Luzia e já no regresso, outro, em Ponte de Lima. Os estilos e as posições para a obtenção/verificação do trabalho feito são idênticos quer num quer noutro. A modernidade de uma banca ou de um pequeno móvel e a substituição do balde por uma tina com ou sem corações recordam-nos que já estamos no século XXI. Mas os sinais de modernidade não se ficam por aqui. Olhemos para as imagens seguintes.




E o que vemos nós? Ou o que não vemos? Já não há caixote, balde, móvel, tinas ou molas da roupa e o fotógrafo já não usa chapéu de abas ou bata protectora. De comum apenas poderemos considerar o tripé, já não de madeira, mas de um material mais sofisticado e mais leve. E quase não se vê ou se dá pela máquina. Mas voltando ao fotógrafo, repare-se no mais evidente sinal de modernidade - o painel solar que usa na testa. E o ar dele a ver se consegue meter dentro da máquina tudo o que a vista alcança... Será que as fotografias que ele vai tirando são boas? razoáveis? ou nem tanto?...

Ficamos a aguardar pelas suas opiniões enquanto ele vai uns dias de férias. Também precisa e também merece. Porque este blogue dá trabalho, como deverão calcular. Aproveitem estes dias de pausa para dar uma olhadela pelos nossos álbuns e recordar algumas das nossas realizações.



Entretanto solicitámos a estes fotógrafos para nos assegurarem o serviço durante a ausência do nosso bloguista...

A. Domingos Santos

A União vai passar por aqui







No próximo dia 21 a caminho do Colmeal a União Progressiva vai passar por aqui.
O castelo de Arouce, mais conhecido como castelo da Lousã, encontra-se num promontório rochoso, no meio de um vale profundo a cerca de três quilómetros da linda vila da Lousã. É um dos pontos de visita obrigatória neste concelho.
Trilhos variados à sua volta para descobrir, panorâmicas envolventes belíssimas e uma ermida encaixada na encosta - a de Nossa Senhora da Piedade. A Ribeira de S. João corre a seus pés através de uma piscina natural, parte de uma das muitas praias fluviais existentes na região.
Ao atravessarmos a vila da Lousã não iremos ficar indiferentes à sua beleza e não deixaremos de observar algum do seu casario já com dois séculos de existência e os seus solares brasonados.
Depois, seguir-se-á Góis e o Colmeal, que setenta e cinco "aventureiros" irão descobrir nesta sua primeira visita.

Fotos de A. Domingos Santos

Carvalhal




De hoje e de ontem.

Foto de A. Domingos Santos
Foto retirada do Boletim "O Colmeal" Nº 65, Janeiro de 1966

AÇOR – Terra das tecedeiras

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“Talvez o leitor não saiba que, há menos de cinquenta anos, havia no Açor nada menos do que sete tecedeiras, que em seis teares tradicionais confeccionavam panos para vestir e para agasalhos de casa. Hoje, já não é possível encontrar na simpática aldeia, toda encostada ao monte que se volta para o Sol nascente, mais do que peças espalhadas por diversas casas, dessa ferramenta tão significativa da actividade artesanal da nossa gente.

Foi em conversa com o amigo Albano de Almeida, daquela povoação, que não se cansa de relatar histórias de antigamente, que pudemos fazer a lista completa dos nomes daquelas mulheres habilidosas e vivedoiras, que faziam do Açor a terra das tecedeiras. Eram elas: Maria Preciosa de Almeida Freire, Maria de Almeida, outra Maria de Almeida mãe de Maria da Luz de Almeida, esta também tecedeira, Leopoldina de Almeida, Emília de Almeida (do sapateiro) e Maria Trindade Nunes de Almeida. Cada uma possuía o seu tear, excepto Maria da Luz de Almeida que trabalhava no tear da mãe.

Ainda tecedeira natural do Açor era a Senhora Joaquina de Almeida, que casou em Ádela, localidade onde ainda felizmente vive a tecedeira Senhora Maria Delfina, esta porém natural de Vale Carvalho.

Como algumas das tecedeiras citadas faleceram ainda há muito pouco tempo, era de esperar que se pudessem encontrar teares ainda em bom estado. Tal, infelizmente, não acontece. Porém, havendo necessidade de reconstruir algum deles, aproveitando peças existentes e dispersas, para figurar num já falado Museu do Vale do Ceira, desde já se informa que a habilidade do Sr. António Francisco Maria de Paula, seria capaz de reconstruir o tradicional tear do Açor.”

in Boletim “O Colmeal” Nº 120, de Outubro de 1973
Arquivo da UPFC

Tear – aparelho de origem milenária no qual se procede à tecelagem, e cuja presença se assinala em quase todo o mundo, quer nas suas formas mais rudimentares, quer nas mais evoluídas. Em Portugal, o tear primitivo parece ter sido o vertical; substituído mais tarde pelo tear horizontal trazido para a Península pelos Romanos e ainda hoje é usado em certas regiões do País. É constituído por uma tosca armação de madeira apoiada em quatro fortes prumos, à qual se prendem as peças essenciais do tear: os órgãos, de trás e da frente, dois rolos de madeira entre os quais se mantém esticada a teia e enrolando-se no da frente o tecido já pronto; os liços, que a cada passagem do fio ou trama, levado pela lançadeira, invertem a posição dos fios da teia, criando nova cala ou passo por onde a lançadeira passará novamente, em sentido oposto; o pente, com o qual o tecelão empurra e aconchega o fio da trama, passando na teia, de modo a assegurar a regularidade do tecido.”

in “ A Enciclopédia”, Editorial Verbo - Público, volume 19, pág. 8131





Os modelos apresentados nas fotografias e, pela mesma ordem, são originários do Brasil, Holanda e Itália.
(http://tecelagem-artesanal.blogs.sapo.pt)


Do livro “Dos Objectos para as Pessoas”, de Lisete de Matos, Açor – Colmeal, Junho de 2007

A. Domingos Santos

”I Torneio Inter-Aldeias de Voleibol no Rio Ceira - Candosa”



Numa parceria entre a Câmara Municipal de Góis e a Junta de Freguesia do Cadafaz, a Comissão de Melhoramentos de Candosa irá realizar o "I Torneio Inter-Aldeias de Voleibol no Rio Ceira" no dia 11 de Julho. Esta iniciativa irá ter lugar em Candosa, Cadafaz - Góis, no rio junto à ponte, com início pelas 17:20 horas.

Este Torneio tem o intuito de estimular a confraternização e o convívio entre as aldeias do Concelho de Góis através do desporto.

A Comissão de Melhoramentos de Candosa tem a honra de convidar a Colectividade que V/Ex.ª superiormente dirige, a participar com duas equipas no referido Torneio, que se iniciará com o Sorteio de Equipas na zona da Capela às 17:00h.

A equipa, representante de uma aldeia, vencedora do Torneio ser-lhe-á atribuído o título de campeã do "I Torneio Inter-Aldeias de Voleibol no Rio Ceira", e irá receber uma taça como prémio final pelo Presidente da Comissão de Melhoramentos de Candosa.

Para informações adicionais visite o regulamento em http://www.candosa-viva.pt.vu/.

Contamos com a sua presença. Faça a sua inscrição (grátis) até dia 5 de Julho, através de telefone: 964547495, ou contacte-nos via e-mail: cm_candosa@hotmail.com.

Andreia Brás (Presidente)

Recantos









Cantos e recantos que já tiveram vida. Por aqui ficou muito suor no amanho destas "fazendas". Um bocado de cada um, sempre tratado com muito carinho. Os nabos, as couves, os feijões e também as batatas. Paredes que ainda se mantêm direitas agora sem ouvirem a voz conhecida de quem por ali andava, ao sol, à chuva, ao calor. Aguadeiro que tirava água do poço para refrescar os "miminhos" que tantos cuidados davam. Carvalheiros que agora descansam, encostados, já sem préstimo, mas que ajudaram muitos feijoeiros a amarinhar por si na sua fase de crescimento.
Encosta nua, despida, onde se vêem os efeitos de um fogo, provavelmente de causas não naturais. Um ribeirito escondido sob os fetos, um pontão improvisado mas que se mantém passados todos estes anos e por onde passaram muitos carregos à cabeça das mulheres e às costas dos homens. Molhos de mato e cestas de estrume, quantas não terão ultrapassado este obstáculo? Um poço a descoberto, sem segurança, como sempre esteve. Talvez uma protecção possa prevenir qualquer distracção. Uma "queda de água" qual pequena catarata, escondida de quem por ali passa. Água, um bem tão precioso e que tantos desperdiçam, não a utilizando convenientemente, talvez desconhecendo que um dia ela poderá acabar.

Fotos de A. Magalhães Pinto

Mexam as arcas

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O Rancho «Serra do Ceira» vai celebrar em Agosto o 3º aniversário da sua apresentação em público. As danças e os cantares são recolha do folclore da região entre Vila Nova do Ceira e Fajão, que por motivos folclóricos chamámos de «Serra do Ceira». Porém, existe uma lacuna grandíssima no nosso Rancho, o roupeiro.
Efectivamente, os trajes do nosso Rancho sabemos que não correspondem ao tipicismo regional, salvo uma ou outra peça.
Dada a pobreza da nossa gente, a maior parte das peças do vestuário desfaziam-se para fazer outras ou em muitos casos o traje domingueiro passava à cote até se gastar completamente.
Teve também muita influência a emigração para Lisboa, que levou muita gente a despejar as malas para fazer a mudança… E hoje enfrentamos imensa dificuldade em encontrar peças de roupa antigas.
Dado que o Rancho é do povo e pretende fazer reviver as tradições e raízes do mesmo, agradecemos toda a colaboração no sentido da redescoberta do traje popular dos nossos antepassados. Sugiro o envio de fotografias antigas, blusas, saias, lenços da cabeça, coletes, calçado, gabão, varinos, fazendas antigas que se usavam na região, etc., etc. Temos muita urgência.

in Boletim “O Colmeal” Nº 163, de Junho de 1980
Arquivo da UPFC

Assim fazia o Padre Manuel Pinto Caetano este apelo no número especial do Boletim “O Colmeal”, dedicado ao Festival de Folclore Beirão.

Rancho Típico Ademiense, Rancho Folclórico «Cancioneiro de Folgosinho», Rancho Típico «Serra da Lousã» e o Grupo Típico «O Cancioneiro de Águeda» foram os agrupamentos convidados para participar com o «Serra do Ceira» neste Festival.

O apelo feito então mantém-se perfeitamente actual numa altura em que se unem esforços para o reaparecimento do nosso Ranho.

Temos a certeza que depois de ler/reler este apelo irá procurar no fundo da sua arca para ver se haverá por lá algo que possa dar jeito.
Contamos com a sua habitual cooperação e benevolência e antecipadamente lhe agradecemos.

A. Domingos Santos

Impressão digital



Pequenos farrapos, quais impressões digitais, por cima da serra das Caveiras.

Foto de A. Domingos Santos

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

"A Comarca de Arganil"



Em 1 de Janeiro de 1901 surgiu o primeiro número de “A Comarca de Arganil”. Como referia o seu Director num editorial em princípios de Julho do ano passado “por vezes torna-se necessário dar um passo atrás para podermos seguir em frente. Foi o que aconteceu. E hoje, 87 anos depois, voltamos como semanário. Foi assim que começámos há 107 anos, passamos depois a bissemanário, mais tarde a trissemanário e agora novamente a semanário, com a esperança de podermos continuar… por mais 107 anos… na certeza de manter esta luta iniciada em 1901 na defesa do bem-estar das populações, do progresso e do desenvolvimento da região que servimos.”
“A Comarca de Arganil”, como se podia ler no seu Estatuto Editorial (9/Julho/2008) é “uma publicação regional de carácter informativo e independente de qualquer poder político ou económico e continuará a pugnar pela defesa intransigente dos interesses e reivindicações legítimas das populações e do progresso económico, social e cultural da Região onde nos inserimos.”

Maria Leonarda Tavares escreve em “A Comarca de Arganil”, num artigo de opinião publicado em 13-8-2008, que “ Nada do que tem acontecido me surpreendeu. As recentes alterações eram previsíveis. Dolorosas, mas previsíveis.
O que me surpreende, salvo raras excepções, é a acomodação, a indiferença, o alheamento, como se um acontecimento desta natureza não ferisse profundamente a alma das gentes que pisam este pedaço de chão.
Se este silêncio morno, quase aviltante, persistir, a chama extinguir-se-á e nada voltará a ser igual.
E terminava: “A Comarca de Arganil sempre deu voz às nossas lutas, aos nossos anseios, às pequenas e às grandes coisas que são a história da Beira-Serra; é tempo de unirmos as nossas vozes, sabendo captar a riqueza da sua diversidade, em nome de um sonho que obrigatoriamente deve ser continuado.
Se não formos capazes de ajudar a vencer esta batalha, é porque estamos todos mortos. E, nesse caso, deixamos morrer o jornal. Os mortos não lêem.”

Já três semanas antes Nuno Mata, em 23-7-2008, em “Carta Aberta dirigida aos Amigos de A Comarca de Arganil, autarcas da Beira-Serra e aos que ainda acreditam no sonho” escrevia “Nascida em 1 de Janeiro de 1901, atravessou guerras, sistemas políticos, viu surgir a electricidade, o automóvel, a água canalizada, a criação de agremiações regionalistas. Foi companheira de lutas, de anseios, de alegrias e de tristezas, aquelas que a imprensa nacional nunca irá cobrir…
A Comarca de Arganil sublinhou, reteve, informou o nascimento, a vida, o casamento, a escolaridade, os acidentes, as homenagens e as críticas e até a morte. Todos nós poderemos, através das suas páginas, dos seus jornalistas, e dos milhares de colaboradores que teve em mais de 100 anos, historiar a vida dos nossos antepassados e até a nossa própria vida, perceber, apoiar, criticar e discutir opções políticas, sociais, económicas e religiosas…
É impossível fazer a História do Mundo sem consultar, ler e acompanhar A Comarca de Arganil.”

A Comarca de Arganil é património nacional, pois guarda em si páginas da história de uma região, do nosso país e do seu povo”, escrevia muito recentemente nas suas páginas, o professor José Ramos Mendes, em 13-5-2009.

Uma semana mais tarde, em 20-5-2009, também Teodoro A. Mendes angustiado perante a iminência de encerramento, escrevia “É uma obra jornalística que acarinhou prosas incontáveis – simples ou mais elaboradas – que deu guarida a conferências, poesias, notícias – muitos milhares de notícias sobre melhoramentos, festas de Oragos e de Colectividades – que tornou conhecidos rostos de pessoas ilustres, que fez amigos, educou, aproximou vontades, que gerou solidariedades, que deu conta de caminhos novos aproximando aldeias, que deu voz e ânimo aos primeiros e esforçados regionalistas, heróis de um tempo hostil, que se fez presente quando solicitada – ou não – para ser notícia de novas fontes, Comissões de Melhoramentos e outros eventos, como notícias felizes de inaugurações de redes de água, electricidade e telefones, que calcorreou a Serra, conhecendo-a palmo a palmo e os seus habitantes, que chegou longe, às casas dos emigrantes, feito o correio que vinha de longe e tornava mais perto o peso das saudades.
… Se “A Comarca” morrer não é só Arganil que morre um pouco, mas toda a Beira-Serra, que se habituou há mais de uma centena de anos a tê-la por perto como uma carta de bem, que trazia as notícias da terra.”

Aníbal Pacheco, na edição de 27 de Maio último, refere-se à situação difícil e recorda que “Nas páginas de “A Comarca” encontramos reflectida a história de 109 anos da nossa região. Nelas, todos quanto queiram debruçar-se sobre o seu passado encontrarão um enorme campo de trabalho e de investigação suportada por uma radiografia completa da luta dos povos pelo desenvolvimento, dos seus anseios e realizações, dos valores em que assenta a sua identidade como povo e marca o carácter das suas gentes.”

Nesse mesmo número, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal via publicado com grande relevo, um apontamento sobre a recente realização da sua caminhada “Pelos trilhos do vento e da solidão”.

Se bem que a admitíssemos como possível, longe estávamos de prever a chegada da notícia que agora veio entristecer-nos “108 anos a publicar notícias ininterruptamente A Comarca suspende publicação.”

É imperioso que se trate apenas de uma suspensão temporária. Acreditamos nas pessoas e nas instituições para que em conjugação de esforços seja possível ultrapassar rapidamente este momento difícil.

Um forte abraço de solidariedade para com o seu director Jorge Moreira da Costa Pereira e também para António Lopes Machado, que em 28 de Maio passado fez cinquenta anos de colaboração como redactor de “A Comarca” em Lisboa. Meio século de dedicação ao jornal e à causa regionalista.

A. Domingos Santos

A publicação de "A Comarca de Arganil" vai ser suspensa

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A gerência da “Empresa de A Comarca de Arganil, Lda” anunciou a suspensão da publicação do seu jornal semanário regionalista “A Comarca de Arganil” a partir de amanhã, dia da sua publicação.
O artigo assinado pelo actual director [que pode ser lido através da sua edição online], lança reprimendas várias para justificar o facto de não conseguir “reunir as condições necessárias que permitam manter em publicação o jornal”. O editorial termina um “relativo” até breve, que também esperamos!

in A princesa do Alva, 09/06/2009

Acabou a Comarca!!!

Dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguêsas, é também dia de luto para a Imprensa Regional. Publica-se neste dia o último número de A Comarca de Arganil. Nas bancas desde 1901, chega ao fim uma parte importante da história de Arganil. É um dia triste para o Concelho e para o regionalismo.



Aqui fica - em exclusivo - a última capa do jornal.
"A COMARCA suspende a sua publicação a partir do presente número, informação esta de tremenda responsabilidade visto que, ininterruptamente, se vinha publicando desde 1 de Janeiro de 1901.
Explicações encontram-se dadas num “Esclarecimento” da Gerência da Empresa, hoje também, publicado.
De facto, quem é honesto, dificilmente consegue vencer as dificuldades. Entrámos em processo de insolvência pelos motivos explicados e já conhecidos. Todavia não conseguimos reunir as condições necessárias que permitam manter em publicação o jornal. Aguardamos agora a decisão judicial que decorre daquele processo no Tribunal de Arganil, para depois se ver o que será possível fazer-se. Simultaneamente encerram também as instalações comerciais.
Os últimos tempos têm sido difíceis de controlar e os problemas agravar-se-iam se não fossem, de imediato, estancados.
Só com boas palavras, as quais agradecemos, não conseguimos vencer as “crises” que nos afectam. Desculpem-nos a sinceridade.
Desde a impossibilidade de recurso ao crédito, aos cortes das comunicações telefónicas, de fax, de Internet, tudo nos tem sido feito e para cúmulo nunca ninguém apareceu como negligente ou culpado. Também os CTT nos recusaram o envio de uma emissão do jornal, porque, unilateralmente e sem qualquer aviso prévio, declinaram o contrato existente. E não havia pagamentos em atraso!
Assim não é possível resistir. Infelizmente parece ser o País que temos...
Aos assinantes, que já pagaram a assinatura para além do semestre em curso, as nossas desculpas e a esperança de poder ainda vir a compensá-los.
Despedimo-nos até... esperamos que relativamente breve."

In: A Comarca de Arganil
http://arganil.blogspot.com/
http://www.portaldomovimento.com/

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Colmealenses no cinema

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Sérgio Brás de Almeida



Nasceu em 1979. Estudou cinema e vídeo na Escola Superior Artística do Porto (E.S.A.P.), onde se licenciou, e na F.A.M.U. (República Checa), onde foi bolseiro do PCFE. Tem o Curso de Formação em Actores do TUP - Teatro Universitário do Porto e o Curso de Encenação do Programa Gulbenkian Criatividade de Criação Artística. Também fez estudos em Pintura no Ar.Co e Psicologia na UNI e o "Stage Europeo degli Esordi" (Fondazione Culturale Edison).
Realizou vários vídeos experimentais, entre os quais se contam "O País dos 3 F's" e "Por Oposição ao Conceito de Eternidade", presentes em festivais e mostras nacionais e internacionais, e as curta metragens "Corações Plásticos" e "Satélites", ambas com o apoio do ICAM.
Foi director de fotografia da série para a RTP1 "O Último Tesouro".
Como actor participou em diversos projectos do TUP, em "Abalar", curta metragem vencedora do 1º Festival de Super 8 (2004), e desde 2005 integra a estrutura de artistas Ninfas Maníacas, criando várias perfomances de sua autoria, donde se destacam várias versões de "Sexy World".
Actualmente encontra-se com uma bolsa de estudos em Los Ângeles, nos Estados Unidos.


Jorge Braz Santos
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Nasceu em 1977. Fez parte da equipa do Realizador João Salaviza que recentemente arrebatou em Cannes a Palma de Ouro, um prémio de grande prestígio para a cinematografia portuguesa. Como Assistente de Realização, Jorge Braz Santos ficará para sempre ligado ao filme ARENA e a este prémio. "Arena" conta a história de Mauro, um rapaz que está a cumprir pena em prisão domiciliária e enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais.

Já na anteestreia em Lisboa, no cinema São Jorge, este jovem oriundo do Colmeal, havia sido bastante elogiado. Em "O Último Tesouro", Jorge Braz Santos e Sérgio Brás de Almeida trabalharam em conjunto, o primeiro como Assistente de Realização e o segundo como responsável pela fotografia.

Podemos destacar no seu currícilo - ARENA (curta-metragem de João Salaviza/Filmes do Tejo, 2008, 1ºAss. Real) - O ÚLTIMO TESOURO (série de ficção RTP-Film Connection, 2007-2008, 1ºAss. Real) - DAQUI P'RÁ FRENTE (longa-metragem de Catarina Ruivo/ Clap Filmes,2005-2006, Anotador /Ass. Montagem) - LOVE ONLINE (Telefilme de Mário Barroso/ RTP, 2005, Montagem) - PELE (longa-metragem de Fernando Vendrell /David&Golias, 2004, 2ºAss. Real) - ODETE (longa-metragem de João Pedro Rodrigues/ Rosa Filmes, 2004, 2ºAss. Real) - A MULHER-POLÍCIA (longa-metragem de Joaquim Sapinho /Rosa Filmes, 2001, Ass. Montagem) - DIÁRIOS DA BÓSNIA (documentário de Joaquim Sapinho /Rosa Filmes, 2000-2004, Ass. Montagem).

A União Progressiva e os colmealenses orgulham-se do trabalho que estes dois jovens vêm desenvolvendo na chamada "Sétima Arte", felicitam-os pelos sucessos obtidos e auguram-lhes um futuro com muitos êxitos.

A. Domingos Santos

Pic nic da Malhada em Lisboa

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Recebemos da Direcção da Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais a mensagem que a seguir transcrevemos:

"Exmo. Sr. Presidente da União Progressiva da Freguesia do Colmeal

A Direcção da Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais tem a honra e o grato prazer de o convidar a estar presente no nosso já tradicional convívio pic nic em Lisboa. Este convite é extensivo a todos os corpos sociais e respectivos familiares.

O referido evento irá realizar-se Domingo, dia 28 de Junho de 2009, na Cruz das Oliveiras, junto aos Bombeiros, no belo parque do Monsanto.Não irão faltar no nosso bar, as filhoses à moda da nossa terra, caracóis, caldo verde, bifanas, sardinha e frango assado, bebidas frescas e muito mais.

Durante a tarde contaremos com a presença do Organista Vocalista Albano Gonçalves, do Seixal, que nos irá proporcionar uma tarde de boa música e ainda muitas outras surpresas a revelar durante o convívio.

Esperamos assim contribuir para mais uma jornada de são convívio entre todos os Malhadenses, conterrâneos e amigos.

É indispensável a sua presença, pois só assim, trabalhando em conjunto será possível continuarmos a lutar pelo progresso da nossa região, mais precisamente do concelho de Góis e da Freguesia do Colmeal.

Para mais informações sobre este e outros eventos contacte-nos através de e-mail para malhadaecasais@gmail.com ou visite o blog na Internet malhadaecasais.blogspot.com, ou ainda através dos seguintes elementos da Direcção: Nuno Santos - 967887555; António Santos - 968403140.

Pela Direcção,

Nuno Miguel Neves dos Santos

Vice-Presidente"

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A Direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal agradece muito sensibilizada o convite formulado e apela a todos os colmealenses residentes na área da Grande Lisboa (dada a proximidade) para que compareçam nesta manifestação regionalista que a colectividade da Malhada vem efectuando anualmente. Vamos todos continuar a trabalhar em conjunto e a pugnar para que o regionalismo se mantenha bem vivo e activo. Lá estaremos. E contamos também consigo.

UPFC

Pelos trilhos do vento... sem nevoeiro















Fotografias tiradas na véspera da caminhada "Pelos trilhos do vento e da solidão".
Desta vez sem núvens e com luminosidade total. Mas, como se pode verificar, a paisagem é lindíssima e a perder de vista. Merece um passeio calmo, descontraído, muito especialmente se for feito a pé.
Vale bem a pena. Não se arrependerá. E leve a máquina porque os olhos podem não alcançar tudo.

Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos

CEPOS na 3ª FEIRA DAS FREGUESIAS – ARGANIL


A Câmara Municipal de Arganil (CMA) leva a efeito a 3ª Feira das Freguesias nos próximos dias 12, 13 e 14 de Junho.

Em boa hora a CMA lançou esta iniciativa que mobiliza e congrega as populações de todas as Freguesias do Concelho, numa festa que dá a conhecer o melhor de cada uma delas, ao nível da gastronomia, da etnografia, dos produtos locais, e é uma oportunidade de divulgação das belezas naturais e potencialidades de cada uma.

A Feira das Freguesias é também sinónimo de animação popular e de mobilização das populações das freguesias, que com empenho procuram mostrar e partilhar o que têm de melhor.

Desde a primeira hora o Centro Social da Freguesia de Cepos assumiu a representação da nossa Freguesia e contribuiu significativamente para que esta representação seja já uma das referências da Feira da Freguesias.

Lá encontraremos os pratos típicos como a chanfana, os tradicionais produtos como o queijo de cabra e as deliciosas sobremesas como a tigelada, o arroz doce e as já famosas filhós.

Este reconhecimento só é possível graças ao empenho, à colaboração incondicional e à qualidade dos cozinhados e do serviço prestado pelas colaboradoras do Centro Social da Freguesia de Cepos.

Antecipadamente a Junta de Freguesia de Cepos agradece a colaboração de todos.

A Junta de Freguesia de Cepos tem a honra e o prazer de convidar a população de Cepos e Casal Novo e os seus familiares e amigos, a visitarem o pavilhão da Freguesia de Cepos.

Venham partilhar a alegria da festa e do convívio entre amigos.

Bem hajam!

Junta de Freguesia de Cepos.

Domingo, 7 de Junho de 2009

A União divulga o Colmeal



A iniciativa que a União Progressiva lançou para a divulgação do Colmeal, da freguesia e do concelho, está de longe a ultrapassar as nossas melhores expectativas.
Temos há vários dias dois autocarros de 55 lugares completamente esgotados e muitas pessoas aguardando em lista de espera, que daria para um outro autocarro. Só que temos consciência das nossas limitações em termos logísticos e por isso nos vemos constrangidos e com muita pena a não levar mais pessoas.
Por outro lado, muitas outras inscrições têm chegado até nós, vindas de pessoas que estarão connosco no convívio no Parque de Merendas nas Seladas.
Cerca de oitenta participantes irão pela primeira vez "descobrir" a nossa região, contactar de perto com os residentes e também ter a possibilidade de conhecer os nossos produtos genuínos e o artesanato local, tão interessante.
Estamos convencidos de que as entidades a quem solicitámos colaboração para esta iniciativa, Câmara Municipal de Góis, ADIBER e Junta de Freguesia do Colmeal, estarão conscientes do interesse da divulgação do concelho e da freguesia e dirão presente. Afinal, quem não gostará de receber dezenas de visitantes ávidos de conhecer as nossas terras e ter um gesto simpático para com eles?
O próximo dia 21 vai ser mais um dia muito especial para todos os Colmealenses. Vamos todos receber condignamente os nossos convidados para que eles possam voltar e trazer novos amigos.
O Colmeal sabe receber e vamos demonstrá-lo mais uma vez!

UPFC

Fusos e fuseiros de Ádela

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“ (…) Iam-se buscar paus de ervideiro ou medronheiro – tem os dois nomes – depois serravam-se, eram chanfrados, depois cozidos.
- Chanfrados?
- Sim, era cortar com uma machada em cima de um cepo. Ficava meio fuso feito. Depois de cozidos numa panela, eram secos no caniço para não racharem. Depois de bem secos, tornavam-se a pôr na água para amolecer, e depois serem apontados. Depois de apontados, ainda iam para o torno, e no torno é que ficavam uns fusos bonitos para vender. Ficavam muito bonitos. Ainda temos os tornos, e o meu irmão (nome) quer um, porque ainda os ajudou a fazer. No torno é que eles ficavam torneados, e depois iam vendê-los às feiras. Por isso é que os meus pais criaram tantos filhos. De dia, os meus pais trabalhavam no campo e, à noite, a minha mãe trabalhava na costura, e o meu pai, nos fusos. Quer dizer, todos trabalhavam porque os filhos também ajudavam. Os meus pais ensinaram os filhos todos a trabalhar. Tínhamos muitos animais e dava tudo fartura. (…) Éramos muitos, mas nunca tivemos fome. Com muito trabalho e bem orientados, nunca tivemos fome. (…)

Excerto de entrevista. A protagonista refere-se às décadas de cinquenta/sessenta.

Lisete de Matos
Outubro, 1998”

In “Dos Objectos para as Pessoas”, de Lisete de Matos, Açor – Colmeal, Junho de 2007, pag. 73


Ainda recentemente, por ocasião da realização do almoço de aniversário da Comissão de Melhoramentos de Ádela, João Lourenço, presidente da sua Assembleia-Geral, nos descrevia com muito entusiasmo e alguma saudade desse tempo, como se fazia um fuso. Ficámos admirados quando nos explicava que “tinham de ser chanfrados”…

Foto retirada de “Dos Objectos para as Pessoas”, de Lisete de Matos, Açor – Colmeal, Junho de 2007, pag. 72

A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Bolo de Laranja


6 Ovos

2 Chávenas almoçadeiras (médias) de farinha

2 Chávenas almoçadeiras de açúcar

½ Chávena almoçadeira de óleo

½ Chávena almoçadeira de sumo de laranja

Raspa de laranja

1 Colher de chá de fermento


Ligue o forno a 180 º C. Unte uma forma com manteiga e polvilhe-a com farinha.

Bata a farinha, o açúcar, as gemas, o óleo, o sumo, a raspa de laranja e o fermento.

À parte, levante as claras em castelo e acrescente-as ao preparado anterior.

Envolva bem e disponha a massa obtida na forma.

Leve-a a cozer durante 30 minutos.

Decorrido o tempo, retire o bolo do forno e desenforme-o.


A receita apresentada (bolo de laranja) foi disponibilizada por Maria Eugénia Bráz, residente no Colmeal



Bacalhau com Batatas a Murro


4 Postas de bacalhau

1 Kg. de batatas pequenas

1 Cabeça de alho

3 dl. de azeite

Sal q.b.

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Lave as batatas devidamente, coloque-as num tabuleiro e tempere com sal. Por fim asse-as no forno.

À parte, descasque os alhos e corte-os às rodelas.

Coloque um tacho ao lume, com o azeite e acrescente os alhos. Deixe ficar em lume brando.

Grelhe as postas de bacalhau.

Quando as batatas estivem assadas, bata-as (com um murro) e coloque num outro tabuleiro pronto a servir, juntamente com o bacalhau devidamente desviado.

Misture e acrescente o molho do azeite com o alho.

Se preferir, pode acrescentar um pouco de pimenta.


A receita apresentada (bacalhau com batatas a murro) foi disponibilizada por Américo Vicente, residente no Sobral

Falando um pouco da MALHADA



É grato, muito grato, falarmos da nossa terra. Não me competia a mim, que não sou filha desta boa terra, tomar a iniciativa de inscrever o seu nome entre as terras da Freguesia. Por isso mantive-me na expectativa de que alguém aqui nascido o fizesse. Infelizmente inútil foi tal espera.

Aqui vivi quase onze anos. Depois ausentei-me um pouco, agora apenas aí passo algum tempo de férias. Habituei-me a respeitá-la e a estimá-la desejando que cada vez mais se engrandeça em tudo. E de certo modo assim tem sucedido!

Aldeia pacata, dedicada à agricultura, está agora um pouco abandonada pois a vegetação é paupérrima. Houve necessidade de se deslocarem com o fim de ganharem o pão que necessitam para viver.

Não é centro industrial, nem há grandes ramos de actividade. A sua geografia humana diminui dia a dia. Pelo que a Malhada não pode ser considerada uma terra progresso. Mas a Malhada, é sim, uma terra de gente amável e dócil. Assim como em todas as terras da Beira-Serra.

São agradáveis as férias passadas na Malhada, embora sejam um pouco monótonas, devido à falta de actividades recreativas.

Não sou da Malhada, mas estimo-a muito, principalmente por ser o berço das pessoas que me são queridas. Que bom seria se todos nós pudéssemos fazer alguma coisa de bom pela Malhada!
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Uma jovem amiga da Malhada

In Boletim “O Colmeal” Nº103, de Abril de 1970
Arquivo da UPFC

Colmeal







Fotos de A. Magalhães Pinto

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Entrega de diplomas aos alunos do R.V.C.C. da freguesia do Colmeal



No passado dia 25 de Maio, realizou-se na Junta de Freguesia do Colmeal, a entrega dos diplomas aos 17 alunos do Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, que atingiram com sucesso os objectivos previstos no projecto.

O R.V.C.C. assentou num sistema efectivo de formação em que as competências obtidas em contexto formal e informal, isto é, adquiridas ao longo da vida, foram valorizadas e certificadas.

O grupo de formandos, inicialmente era constituído por 22 alunos. No entanto, por questões pessoais e profissionais, houve desistência por parte de 5, determinando a sua redução para 17 alunos.

Os 17 alunos tinham idades compreendidas entre os 29 e os 77 anos, dos quais, um obteve a certificação equivalente ao 2º Ciclo e os restantes ao 3º Ciclo.

Esta formação implicou um grande empenho e dedicação por parte dos formandos, que conseguiram conciliar a vida profissional, pessoal e escolar, e que desta forma, merecem ser felicitados pelos bons resultados obtidos e encorajados para novas iniciativas que se venham a desenvolver.

Parabéns aos formandos: Anabela Cerejeira Domingos, António Alcindo de Almeida, António dos Santos Martins, António Jorge Almeida, Belmira Fontes de Almeida, Fernando de Almeida Santos, Ilda Maria de Carvalho, José Álvaro Domingos, José Braz Victor, Leonel Martins Henriques, Maria Alice Santos, Maria Elza Almeida, Maria Fernanda Neves, Maria Fernandes Henriques, Manuel Martins dos Santos, Manuel Ramos Neves e Rui Nunes Neves.

Seguidamente à entrega dos diplomas, realizou-se um lanche de convívio entre os formandos e a formadora permanente do grupo.

Esta foi uma iniciativa da Junta de Freguesia do Colmeal, em articulação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional – Centro de Emprego e Formação Profissional de Arganil, no âmbito do Centro Novas Oportunidades.

UPFC – Delegação no Colmeal

Folhas de um livro...



(clicar na imagem para ampliar)


Aos dias dezoito do mês de Março do ano de mil novecentos e setenta e três, pelas dezasseis horas reuniu na sua sede social, Avenida Almirante Reis, número duzentos e cinquenta e seis, primeiro andar esquerdo, desta cidade de Lisboa, a Assembleia-Geral Ordinária, em segunda convocação, da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, com a presença de cinquenta e sete associados em pleno gozo dos seus direitos sociais, sob a presidência do Senhor Doutor Manuel Martins da Cruz, secretariado pelos senhores João de Deus Duarte e António Domingos Santos.

Assim começava a acta número cinquenta e dois.

MEMORIAL e Arquivo da União

Carros antigos no Colmeal










No passado dia 17 de Maio o Colmeal ficou "engarrafado" com a passagem bastante animada e ruidosa da "segunda concentração de relíquias motorizadas a que também se juntaram algumas mais actualizadas".



Nas Eólicas, houve reagrupamento e também possibilidade de alguns aproveitarem para "verter algum líquido".



Segundo a organização informava, "não havia espírito de competição, mas apenas de salutar convivência. Por montes e vales, desfrutando de paisagens maravilhosas, de Mouronho, por Arganil, Góis, Cabreira, Cadafaz, Colmeal, Carvalhal do Sapo, Eólicas e Pampilhosa da Serra. Depois, Barragem de Santa Luzia, Portela de Unhais, Unhais-o-Velho, Malhada do Rei, Ponte de Fajão, Teixeira, Alto da Moura, Portela da Cerdeira, Côja e Moita da Serra. Cerca de 120 quilómetros".



No Largo D. Josefa Alves Caetano, no Colmeal, houve "mirones" sorridentes a ver passar as "relíquias".

Fotos de A. Domingos Santos

Clube de Contadores de Histórias (IV)

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O Minorca

Igual aos outros


Queria tanto ser como os outros! Roubar compotas e biscoitos, ser comilão e travesso, intrépido e endiabrado. Esta ideia tornou-se uma obsessão para mim. Ao acentuar permanentemente as diferenças entre mim e os outros, os adultos só reforçavam o meu desgosto.
Um dia, quando íamos às compras, a minha mãe parou a falar com uma vizinha, no passeio estreito da padaria. Uma daquelas “cavaqueiras amenas” que eu detestava e que duravam horas.
Armado de toda a paciência, começava por admirar a montra. Mas uma pessoa cansa-se rapidamente dos croissants, dos pães com chocolate e dos palmiers. Se ao menos tivéssemos parado em frente da loja de brinquedos da rua da República! Puxei pela mão da minha mãe, que fez de conta que não era nada com ela, tão absorta na conversa que estava.
— O seu filho tem um ar tão bem-comportado! — admirou-se a vizinha, que recusava aperceber-se da minha impaciência. — Não é como o meu, um verdadeiro tornado! Não consegue estar quieto um segundo. Tem de estar sempre a correr e a saltar. Vê-se logo que é um rapaz!
“Também sou um rapaz”, pensei, enquanto olhava as nuvens a fazerem uma corrida no céu, para ver qual delas seria a primeira a tapar o sol. Tinha de me ocupar enquanto elas conversavam.
Finda a conversa, a minha mãe conduziu-me na direcção do talho, enquanto concluía:
— É verdade, o Éric é muito calmo.
O talhante, achando-se muito esperto, interpelou-me:
— Um bife para o nosso jovem? A carne vermelha é boa para os músculos e ajuda-te a ser homem.
Olhei para os meus pulsos magros e suspirei. Seria algum dia um homem? Tinha as minhas dúvidas. Quando tinha distribuído os músculos, a natureza esquecera-se de mim.
Alguns passos mais e, diante da mercearia, uma senhora fez-me uma festa na cara:
— É tão gentil este menino. Tão doce. O meu mais velho é terrível. Só aprecia os desportos violentos. Vai ser como o pai, forte e desportivo.
Detestava estas ternuras falsas. Não era um animal que se elogia. Às vezes, virava a cabeça para escapar à mão enluvada que aprisionava as minhas narinas num odor de perfume enjoativo ou recuava a cara para escapar à marca que uns lábios carmesins iriam deixar-lhe e que nem com saliva sairia.
Já devia estar habituado a estas situações. Era sempre a mesma coisa. A minha candura, a minha doçura e a minha pele aveludada atraíam as carícias.
— O Éric é muito dócil, é um sonhador. Nunca será um desportista — defendia-me a minha mãe, algumas lojas à frente, onde parara para conversar com alguém que não via há uma eternidade.
As mulheres são tão faladoras! Para comprar pão, carne, esparguete ou manteiga têm de estar sempre a falar: da ementa da véspera, das doenças dos filhos, das plantações do jardim ou das asneiras do cão.
— Que elegante que ele está, de calças e casaco. Nunca posso vestir o meu filho como deve ser, porque se enfia na lama mal sai de casa. É um lutador. Os rapazes são terríveis. Enfim, mostram que têm carácter.
O orgulho destas mães em relação aos seus rebentos insuportáveis exasperava-me. As suas reflexões insinuavam-se na minha mente e provocavam verdadeiros estragos. Para agradar às mães, era preciso gostar de andar à pancada! Eis uma conclusão catastrófica.
A minha mãe reiterou:
— O Éric não é endiabrado.
Acaso haveria uma certa pena na sua voz? Decepção? Estava farto de ser diferente. As mães davam-me como exemplo para fazerem boa figura, mas nas minhas costas chamavam-me medroso, ou pior, “um betinho”.
Mas que culpa tinha eu de gostar de jogos calmos? De estar quase sempre na lua? De não me divertir a sujar-me de propósito?
Até agora tinha vivido feliz no meu casulo de miúdo sonhador, mas, de repente, via-me obrigado a colocar-me certas questões desagradáveis. Será que devia comportar-me como os outros? Parecer-me com eles? Decalcar as minhas atitudes nas deles? Será que não tinha direito à diferença?
Era impossível forçar-me a ser o que não era ou a provocar uma luta. Mas, e se a mamã se sentisse decepcionada por não ter como filho um verdadeiro rapaz, um desportista? Ela tinha o direito de se sentir orgulhosa de mim. Se ter carácter era gostar de se sujar e andar à pancada, havia de lhes mostrar que também eu tinha carácter.
Da próxima vez que a minha mãe se cruzasse com uma vizinha, levantaria a cabeça com orgulho e diria:
— O Éric também tem uma personalidade forte. Ontem veio coberto de nódoas negras…
Durante alguns dias, dediquei-me à resolução deste dilema delicado: como obter um ar de “verdadeiro” rapaz. Não era fácil: é preciso ter nódoas, arranhões, canelas esfoladas, ossos partidos, cabelos hirsutos, ranho no nariz, dedos sujos, palavrões prontos a sair.
Um rapaz é um durão. Eu era um mole, conhecia os meus limites. Era inútil provocar um grandalhão sempre pronto para a bulha: deitava-me ao chão com uma estalada. Mas também estava fora de questão atacar um rapaz mais fraco: era ir contra o meu código de honra.
Eu tinha sentido moral. O sentido moral impede-nos de nos tornarmos uns crápulas, mesmo que isso signifique a nossa salvação. É uma barreira que quereríamos transpor, mas não o fazemos porque não é correcto. Bastava-me atacar o pequeno Marc para me sentir um fortalhaço. Porém, o meu sentido moral opunha-se a tal. Tinha de encontrar outra solução. Pela minha mãe.
Subitamente, tive uma ideia. Lutaria contra mim mesmo. Só tinha de pensar como o faria.
Era uma forma de me assegurar de que não faria mal a ninguém e de que não receberia muitos sopapos.
Delineei um plano.
Às quatro e meia, à saída das aulas, fiquei para trás. Dirigi-me, num passo decidido, para uma poça de lama que rodeava a caixa de areia. Saltei para dentro dela e depois, para tornar o resultado mais espectacular, atirei-me ao chão e chafurdei à vontade. Que horror! A lama colou-se-me ao blusão, penetrou-me nos sapatos, salpicou-me a cara e empastou-me os cabelos.
Quem diz luta diz golpe. Puxei pelo tecido dos calções. Com não conseguia rasgá-lo, agarrei numa pedra pontiaguda e rompi-os.
Faltava o mais difícil. Arranjar algumas mossas. Reflecti longamente neste problema, mas não havia soluções ideais. Era mesmo preciso levar pancada.
Escalei um muro de pedra e atirei-me para o chão. Que queda! Vieram-me as lágrimas aos olhos. Nada de choradeiras. Limpei a face com os dedos sujos de terra. Tinha dores. Um dos meus joelhos sangrava, o outro estava bem esfolado. Coxeava e apertava a ferida para tentar parar as fisgadas de dor que sentia.
Para compor o quadro, decidi roçar o pulover vermelho que a minha avó Marie me tinha oferecido no meu aniversário na roseira da entrada da escola. Arranhei as mãos e estraguei a camisola. Estava num lindo estado!
Será que devia aplaudir a minha transformação? Não sabia. Sentia-me infeliz. Mas não podia lamentar a minha sorte, já que outros faziam isto por prazer. Era, finalmente, um verdadeiro rapaz!
Saí a correr da escola: estava sujo, roto, pisado, ensanguentado, mas tinha o aspecto do macho, do herói, do justiceiro.
Quando entrei em casa, gritei:
— Olha, mamã, andei à pancada como os outros!
A minha mãe não me felicitou. Antes me agrediu com palavras:
— Quem te pôs nesse estado? É uma vergonha. Vou falar com a mãe desse brutamontes. Não precisas de provocar os grandalhões… O pulover da avó está bom para o lixo… E os calções também… Vem cá, vou tratar do teu joelho. Assoa-te e lava a cara.
Nem uma só palavra para dizer que apreciava o meu novo estado de arruaceiro. Fiquei decepcionado.
O que iria ela contar à vizinha quando nos cruzássemos no passeio? As mulheres são complicadas. Como lhes agradar? Desisto. Eu nunca seria um durão!


Anne-Marie Desplat-Duc
Le Minus
Toulouse, Éditions Milan, 2002
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Colmeal



Colmeal - uma visão diferente

Colmeal - História e curiosidades (8)


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Continuando a divulgar o meritório trabalho levado a cabo pelo Movimento Cidadãos por Góis, aqui voltamos a inserir mais alguns dados relevantes sobre o Colmeal e a nossa freguesia.

1953, 15 de Maio – Iniciada a construção da Estrada da Serra, ao longo do vale do Ceira, a partir da vila de Góis em direcção às freguesias de Cadafaz e Colmeal. Uma das grandes aspirações do concelho, que por ela vinha lutando há cerca de 70 anos.

1953, 10 e 11 de Outubro – Grande temporal, provocando consideráveis estragos no concelho.

1953, 3 de Dezembro – Acácio Mendes da Veiga, natural do Colmeal, é nomeado Presidente da Câmara Municipal de Góis. Já vinha exercendo desde Agosto de 1951, quando faleceu o seu antecessor.

1960, 15 de Fevereiro – Início da publicação de "O Colmeal", Boletim da Paróquia, de periodicidade mensal, sob direcção do Padre Fernando Rodrigues Ribeiro.

Resultado do censo da população residente, realizado este ano: freguesia de Alvares - 3 456; freguesia de Cadafaz - 897; freguesia de Colmeal - 948; freguesia de Góis - 3 081 e freguesia de Vila Nova do Ceira - 1 362. Total do concelho - 9 744 habitantes.

1961, 16 de Agosto – No Colmeal, é inaugurado o Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano, com a presença do seu filho Professor Marcelo Caetano e irmãs.

1962,1 de Dezembro – Morre o Padre André de Almeida Freire, com 61 anos de idade, natural do Colmeal. Durante cerca de 30 anos paroquiou as freguesias de Cadafaz e Colmeal.

1969, 20 de Julho – Morre nos Hospitais da Universidade de Coimbra, Acácio Mendes da Veiga. Com 75 anos, era natural do Colmeal. Foi Presidente da Câmara Municipal de Góis, Administrador do Concelho e Presidente do Conselho Municipal (ver ano de 1953).

1969, Dezembro – No nº 101 do jornal “O Colmeal”, inicia-se uma série de artigos sobre a História da Freguesia do Colmeal, em 22 capítulos, de autoria do colmealense Dr. António Simões Lopes.

UPFC

Pelos trilhos do vento... sem Sol














Fotografias tiradas dois dias antes da caminhada "Pelos trilhos do vento e da solidão".
Desta vez sem Sol. Mas, como se pode comprovar, a paisagem é linda e merece um passeio. Pode ser de carro, mas preferencialmente, deverá ser feito a pé. Porque vale a pena. Os olhos vão agradecer e a memória não esquecerá.

Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos