17 janeiro 2010

A igreja está mais bonita

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Já acabaram as obras de restauração da igreja, o telhado foi mudado e foram pintadas as fachadas exteriores. A igreja ficou muito bonita, parece mais imponente. Deixo aqui algumas fotos:
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. Paula Santa Cruz

in http://cadafaz-gois.blogspot.com/

ARGANIL - Governo escolhe "solução 1" para traçado da EN 342

Das três possibilidades “sobre a mesa”, foi a “Solução1” que mereceu a assinatura do secretário de Estado do Ambiente. Com efeito, apesar de apresentar «condicionantes» e exigir «medidas de minimização», o governante emitiu a Declaração de Impacte Ambiental favorável. Em causa está o traçado da Estrada Nacional 342 (EN 342), que vai garantir a ligação Lousã – Góis – Arganil, neste último concelho. A decisão do secretário de Estado aponta para o traçado que se desenvolve mais a Norte, atravessando a freguesia de Pombeiro da Beira, com um nó de ligação em Casal de Frade, cruzando a EN 342-4 Arganil /Sarzedo, nas Carvalhas de São Pedro, onde será construído um nó de ligação. O projecto envolve ainda a construção de duas novas travessias sobre o rio Alva e ainda dois nós, a localizar antes do nó de Coja, nas zonas de Fontão e Machorro. Numa nota de imprensa ontem emitida, a Câmara Municipal de Arganil manifesta «o seu regozijo pela decisão do Governo», considerando que a emissão da Declaração de Impacte Ambiental constitui «um passo decisivo para a construção de uma via estratégica para o desenvolvimento de toda a região». Aliás, a solução vem de alguma forma ao encontro da proposta defendida pela autarquia, que apontava, como traçado “ideal”, para um conjugação entre a “solução1 e a solução 2. Ou seja, após a saída da vila de Góis, entre o quilómetro 16 e o quilómetro 25,5, a autarquia via com “bons olhos” a “solução1”, uma vez que «permite “desencravar” uma das freguesias mais populosas do concelho, Pombeiro da Beira, aproximando-a da sede do concelho», além de que o traçado «se desenvolve num terreno menos acentuado em termos de relevo». Já no que concerne à travessia de Arganil, que a edilidade entende assumir «alguma complexidade», a hipótese defendida dada a conhecer à tutela, passava pela “Solução2”, entre os quilómetros 25,225 e 28, com «os nós junto ao posto da GNR e Zona de Vale de Zebras, atravessando a EN 342-4 (Arganil-Sarzedo) junto ao cruzamento para a Alagoa, seguindo depois em direcção a Coja», com um traçado integralmente construído no concelho de Arganil. Desta forma seria possível, no entender da autarquia, «aproximar Coja de Arganil». A Câmara de Arganil salvaguardou sempre que a sua posição não era vinculativa e que a decisão era da competência do secretário de Estado do Ambiente. Independentemente disso, também fez questão de sublinhar que «a nova EN342 é demasiado importante para o nosso desenvolvimento, sendo por isso desejável que avance rapidamente, independentemente do traçado que vier a ser escolhido». Câmara vai acompanhar processo
A escolha não constitui, de resto, qualquer surpresa, uma vez que durante o processo de discussão pública da Avaliação de Impacte Ambiental sempre foi considerada a hipótese com menor impacte. Isso mesmo foi referido num fórum dinamizado por um grupo de arganilenses, realizado na semana passada, onde o assunto foi “escalpelizado” ao pormenor. Todavia, a conclusão final apontava num único sentido: «seja qual foi o traçado escolhido pela tutela, o importante é que a nova EN 342 avance». Em causa está, de resto, uma via considerada estruturante para o interior da região, garantindo uma ligação célere entre os concelhos da Lousã, Góis e Arganil, garantindo a ligação ao IC6. Trata-se de uma via que faz parte da Concessão do Pinhal Interior, adjudicada na semana passada, em Ansião, pelo primeiro-ministro. De acordo com a nota de Imprensa da Câmara de Arganil, o estudo prévio daquele traçado avança agora para projecto de execução, «processo que a Câmara Municipal acompanhará com a maior atenção, assumindo o compromisso de partilhar com os munícipes toda a informação disponível, de modo a optimizar o traçado escolhido». .
Manuela Ventura
in Diário de Coimbra de 16/1/2010

16 janeiro 2010

Um pequeno, mas importante esclarecimento

. Quem ler acta da reunião da CM Góis, do passado dia 2009/12/09 (vd. http://www.cm-gois.pt e última edição do Varzeense) depara-se com uma polémica acerca de uma alegada “praia fluvial do Soito”, com a qual nada temos a ver, mas que serviu de arma de arremesso político, com o senhor vereador da oposição a acusar a actual presidente, Drª. Lurdes Castanheira, por em sua opinião, a referida praia corresponder ao pagamento de favores políticos.
Conforme parece ter ficado esclarecido na referida reunião, a ideia de uma praia fluvial no Soito, foi avançada por uma técnica daquele município no âmbito da formulação de propostas para o orçamento municipal de 2010 e plano anual de investimentos para o período de 2010/2012. Segundo a referida técnica, a ideia desta praia fluvial surgiu na perspectiva que em determinada altura se colocou, mas que nunca se concretizou, da aldeia do Soito poder vir a integrar a rede das “aldeias de xisto”.
Ficou assim confirmado que tal investimento nunca foi uma reivindicação desta Comissão de Melhoramentos e muito menos em tempo de campanha eleitoral, até porque, em termos de investimentos públicos existem necessidades mais básicas por resolver, como são a renovação da rede pública de água, ou mesmo o saneamento básico.
Também entendemos que a fazer-se uma praia fluvial digna desse nome na nossa freguesia, ela deve ser na zona do Colmeal, pelo facto de ser a que tem maior centralidade relativamente ao conjunto das aldeias.
Acresce que para além da indevida utilização política de um caso que nasceu na estrutura técnica da autarquia, choca também o facto do mesmo vereador afirmar que a referida praia (que nunca pedimos) seria inviável no Soito pelo facto de se situar numa ribeira com pouca água, revelando que, não obstante já exercer aquelas funções há mais de 8 anos, desconhece que a aldeia do Soito fica equidistante da dita ribeira e do Rio Ceira, que aliás entra no Concelho de Góis por terras do Soito.
António Duarte

Freguesia do Colmeal

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Da acta da reunião ordinária da Câmara Municipal de Góis, realizada no passado dia 9 de Dezembro de 2009, no Auditório da Biblioteca Municipal, transcrevemos o ponto 3.7 na parte respeitante à freguesia do Colmeal. 3.7 – DOCUMENTOS PREVISIONAIS PARA O ANO FINANCEIRO DE 2010 (ORÇAMENTO E GRANDES OPÇÕES DO PLANO E MAPA DE PESSOAL) Foram presentes os documentos previsionais para o ano financeiro de 2010 – Orçamento e Grandes Opções do Plano e Mapa de Pessoal, cuja cópia fiel fica a constituir o Anexo IV da presente Acta. A senhora Presidente da Câmara Municipal informou, que no âmbito das atribuições que são conferidas pela Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, alterada pela Lei nº 5-A/02, de 11 de Janeiro, cabe à Câmara Municipal a responsabilidade pela elaboração das Grandes Opções do Plano (GOP) e do Orçamento e submetê-los à aprovação da Assembleia Municipal. Mais informou, que as Grandes Opções do Plano e o Orçamento constituem-se como instrumentos estratégicos para a acção a desempenhar pela Câmara Municipal durante o ano a que dizem respeito, devendo traduzir um princípio de planeamento que sustente a política adoptada pelo Executivo Municipal, conferindo coerência às opções de gestão, e que seja capaz de adaptar aos novos desafios e oportunidades que vão surgindo ao longo do ano e ao longo do Mandato. Os documentos que o novo Executivo Municipal apresenta, dizem respeito ao ano de 2010 e retratam o conjunto de investimentos que se pretendem desenvolver ao longo desse período e seguintes, bem como a demonstração da sustentabilidade financeira que vai suportar a intervenção proposta, particularmente no que concerne às receitas e despesas, no respeito pelo princípio do equilíbrio financeiro. Informou ainda, que na elaboração das linhas gerais que irão nortear a acção municipal em 2010, foram tidos em conta critérios de ponderação e de rigor, sendo certo que a prática efectiva de princípios de verdade, integridade, transparência e competência, assumem uma importância decisiva no desempenho das nossas funções. É com base nesses princípios que temos a responsabilidade de assumir os compromissos que derivam do exercício do Mandato anterior, no pressuposto de que a Câmara Municipal de Góis é uma Entidade de bem e no pleno respeito pelos prestadores de serviços e das populações. Neste contexto, informou que há um conjunto de compromissos que transitam para 2010 e que há partida comprometem mais de três milhões e meio de euros, o orçamento ora apresentado. … O actual Executivo pretende investir em todas as freguesias, numa perspectiva de transversalidade do desenvolvimento e nesse contexto regista a necessidade de, na freguesia do Colmeal apostar numa infra-estrutura de apoio à Pesca e Caça, de forma a promover estas potencialidades, endógenas e, ao mesmo tempo, promover o turismo. Nesta matéria, reconheceu que se impõe uma nova postura no que concerne à criação de condições de atracção de novos investidores na área do Turismo e, ao mesmo tempo, dar maior visibilidade e promoção das infra-estruturas já existentes. A senhora Presidente referiu que o actual Executivo tem consciência que há muitos investimentos e projectos que só são exequíveis se forem objecto de parcerias e de contratualização quer com as Juntas de Freguesia, quer com as Entidades de direito privado… Usou da palavra o senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia… Referiu ainda, que não compreende a não ser enquanto promessa eleitoral, o investimento numa Praia Fluvial no Soito, com um custo de 250.000€, uma vez que é seu entendimento que não se justifica no Soito uma Praia Fluvial, numa ribeira incipiente quanto ao nível de água, quando existe uma Praia Fluvial no Colmeal que necessita ser objecto de requalificação. … A senhora Presidente da Câmara Municipal… mais referiu, que quando o senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia afirma que neste Plano estão patentes pagamento de promessas eleitorais, como é o caso da construção da Praia Fluvial do Soito, na freguesia de Colmeal, deve estar a referir-se não a este Executivo, mas sim à Eng.ª Maria de Lurdes Rodrigues, porquanto foi a Técnica da Divisão de Obras, Urbanismo e Ambiente quem apresentou esta proposta no âmbito das obras referenciadas pelo PROVERE, tal como apresentou o Projecto Loural Village… … Interveio a senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz que informou que relativamente à Praia Fluvial do Soito, havia a intenção de integrar a aldeia do Soito na Rede das Aldeias de Xisto, pelo que desconhece qualquer projecto relativo a este assunto. O senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia referiu que é do seu conhecimento a existência de algumas candidaturas particulares nesse sentido, as quais tiveram o apoio da Câmara Municipal, não tendo conhecimento de qualquer candidatura ainda que a título particular de qualquer projecto para a Praia Fluvial do Soito. A senhora Presidente da Câmara referiu que os documentos Previsionais em análise, são documentos abertos, dinâmicos e susceptíveis de alterações em função das necessidades, podendo as obras previstas serem melhor ajustadas à realidade e em função dos meios financeiros… A Câmara tomou conhecimento e deliberou por maioria, com três votos a favor e duas abstenções, do senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia e da senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz, aprovar os Documentos previsionais para o Ano Financeiro de 2010 – Orçamento e Grandes Opções do Plano e Mapa de Pessoal. Mais deliberou por maioria remeter os presentes documentos para a Assembleia Municipal para aprovação. in Jornal “O Varzeense” Nº 526, de 30 de Dezembro de 2009

O "nosso" Ceira

Fotos de Artur da Fonte

Vale do Ceira – AQUI COLMEAL

. MOINHO DE RODÍZIO – Peça da «arqueologia» goiense
A alusão mais antiga que se conhece ao moinho de água encontra-se num pequeno poema de Antipatros de Salónica, cuja datação é desconhecida, mas que se presume ser de 85 a. C. O moinho de água, de roda horizontal (rodízio) é originário das zonas montanhosas da Grécia, supondo-se que foram introduzidos pelos Romanos, quando da ocupação, porque foram encontradas várias mós perto de Conimbriga. Além do mais, segundo alguns historiadores os Visigodos, no século V, já os consideravam de uso vulgar na Península. De facto, o moinho de rodízio não só subsistiu em plena actividade com uma larguíssima difusão, mormente nas zonas rurais, como a nossa, como era o mais usual, em número muito superior ao das azenhas. A título de curiosidade: por volta de 1968, de cerca de 10 000 ainda em funcionamento no país, cerca de 3 000 eram de vento, e de cerca de 7 000 movidos a água, uns 5 000 provavelmente eram de rodízio. Tudo isto nos faz pensar no trabalho havido na construção de açudes, levadas e moinhos, e na sua constante manutenção; um profícuo saber especializado que não se aprendia nas escolas nem nos livros, mas sim na experiência própria e das gerações passadas. Os pequenos moinhos de rodízio, e lembrando-nos do da Quinta, pertenciam às comunidades e eram explorados em bases cooperativas, usados à vez por cada família, dum tanto em tanto tempo, ora de noite ora de dia. Não dispomos de elementos que permitam situar exactamente a data da construção do moinho comunitário do Colmeal. No entanto, isso sabemos, no «Foral que Gonçalo Vasques Senhor de Gões deo a Villa em Coimbra» em 5 de Janeiro de 1352 (ano de Cristo de 1314) se dizia: «no colmial (…) se fizeram os moinhos no Ribeiro devê dar o quarto da Maquia e se os fizerem no rio devem dar o terço». Hoje, os velhos moinhos movidos pelos agentes naturais acabaram ou pelo menos estão feridos de morte, porque faziam parte de um sistema tecnológico, económico e social que deixou de constituir resposta adequada às condições do mundo presente; além das causas gerais que explicam esta mutação, a ruptura do modelo da sociedade campesina, com os seus valores tradicionais, a casa, a terra, a agricultura. O moinho da Quinta, no qual muitos colmealenses possuem alguns avós talvez sem o saberem, não fugiu à regra: encontra-se desactivado há anos, tocado de morte, em degradação. No entanto, ainda é possível e desejável a sua recuperação, pelo menos como «museu» para mostrar aos vindouros e forasteiros algo de um passado muito distante. Logicamente, não vamos especular se o moinho foi ou não construído no século XIV, mas apelamos à boa vontade da família colmealense e da Autarquia Concelhia para não deixar perder mais esta peça da «arqueologia» goiense. BIBLIOGRAFIA: - Sistemas de Moagem, I.N.I.C.; Arquivo Histórico de Góis, Mário Paredes Ramos.
FERNANDO COSTA
in “O Varzeense”, N.º 174, de 15 de Março de 1987

Freguesia do Colmeal (História) XIII

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PASSADO – PRESENTE Capítulo XIII
RECONHECIMENTO que fez o Rev. António Joaquim Ramalho, cura da Igreja de S. Sebastião do Colmeal (1) VEDORIA da Igreja de S. Sebastião do Colmeal (2) «Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos sessenta e nove annos e aos vinte e seis dias do mes de Novembro do dito anno neste lugar do Colmeal e termo da Villa de Goes, Cazas de Residencia do Rev.do António Joaquim Ramalho cura da Igreja de Sam Sebastião da freguesia do dito lugar onde foi vindo o Doutor José de Macedo Ferreira Pinto juiz deste Tombo E logo sendo ahi presente o dito Reverendo Parrocho por ele foi dito: Que ele reconhecia ao Excelentissimo Marques de Abrantes como Senhor do Morgado de Goes por Padroeiro in sollidum da Igreja da dita Freguesia o qual Padroado de Illustre e secular; e que quanto a Apresentação será e tem sido sempre segundo a tradição tanto elle como seus Antecessores apresentando annualmente pelo Reverendo Vigário da Igreja Matriz da Villa de Goes e com consentimento dos Beneficiados dela. E por esta maneira ouve elle dito Cura o seu reconhecimento por efeito que asignou como o dito Juiz do Tombo o que a tudo forão testemunhas presentes José Marques de Almeida e Antonio Nogueira de Figueiredo da dita Villa de Goes que tambem aqui asignarão. Eu Antonio de Figueiredo Serra Escrivão do Foral da dita Villa e que tambem sirvo deste Tombo no impedimento que a escrevi e asignei».
Padre An.tº Joaquim Ramalho Antonio de Figueiredo Serra Jose Almeida Marques Manoel… An.tº Nog.rª de Fig. «E logo no mesmo dia, mes e anno retro declarado e no lugar do Colmeal que é termo da Villa de Goes, a Igreja Matriz dela aonde se achava o Doutor José de Macedo Ferreira Pinto Juiz deste Tombo, e o Reverendo Cura Antonio Joaquim Ramalho ali pelo dito Parrocho forão declarados e mostrados os bens pertencentes a Fabricaa da dita Igreja e ao Excelentissimo Marques de Abrantes assim como as casas de Residência (3) e Pasais o que tudo declarado debaixo de Juramento pela maneira seguinte. E logo a requerimento do Excelentissimo Marques de Abrantes forão citados os confrontantes pelo ass digo pelo Alcaide do Juizo da Villa de Goes José Marques de Almeida que dera a sua fac… (4). Citara aos outros restantes abaixo declarados nas mesmas confrontações e aí para no dia doje virem fazer a dita Vedoria medição e confrontação pelos louvados deste Tombo e que todos no dela asignarão E a seguinte: Está a Igreja citada fora do lugar no arrabalde dela (5) E o Adro della medido de Nassente a Poente que na parte Norte confrontando com Domingos de Almeida deste lugar tem vinte e quatro varas (6). E pelo Poente confrontando com fazenda de Manoel Luz, ou seus Erdeiros, Manoel Braz de Oliveira do mesmo lugar tem catorze varas E do lado Sul confrontando com Simão Braz de Aldeia Velha ou… (7) a dele tem vinte e quatro varas E do Nascente confrontando com fazenda de Luiz Francisco tem dezassete varas e meia. Dentro desta medição está a Igreja Matriz da dita Freguesia que tem a porta principal para poente, outras para o Norte; e tem aquela dita por Parte do Norte a Capela mor de comprimento dez varas e o mesmo tem aquela parte do Sul, e o mesmo pela parte do Nascente, para onde fica a tribuna dela e tem a sua sacristia para a parte do Norte que tem de comprimento pela dita parte do Poente tres varas para cada parte (8) Tem o Corpo da Igreja de comprimento pela parte do Norte treze varas e meia e o mesmo tem pela parte do Sul e de largura pela parte do Poente sete varas e meia». (1) Biblioteca Municipal da Figueira da Foz – Tombo dos Moragados / da Exma. caza / de Abrantes / Pertencentes / a / Goez, e a Selaviza, folhas 663. (2) Idem, folhas 664. (3) A primitiva residencia Paroquial ficava situada ao «Porral». Presentemente encontra-se em ruínas. (4) No original não encontrámos a continuação. (5) Nesta época estava a Igreja «Cituada fora do lugar no arrabalde dela». Como facilmente se deduz não existiam os bairros da Eira, Estreitinho, Cruz da Rua, etc. A evolução tinha-se verificado para norte, ou seja, Canto e Centro da Povoação. (6) Antiga medida, equivalente a 1,10 metros. (7) Apresentou-se-nos ininteligível a palavra manuscrita no original. (8) A Torre Sineira é de construção mais recente, porque de contrário, não teria «tres varas para cada parte». in Boletim “O Colmeal” Nº 112, Julho de 1971

13 janeiro 2010

Aldeia Velha

. Ficas no alto da serra Cercada de pinheirais, Para todos terra querida Não sei que te dizer mais. Tão formosa e tão bonita Com teu ar sereno e leve És a primeira no Inverno A ser beijada p’la neve. No teu local adorado Tendo sempre a primazia Estás sempre de sentinela P’ra guardar a freguesia. Não há na redondeza Terra tão hospitaleira Tendo sempre o lume aceso Dentro de cada lareira. Os teus filhos mais distantes Não cansam de te adorar Esperando a melhor hora Para te vir visitar. Aldeia Velha é bonita Para o turista admirar Com as suas tradições De toda a gente encantar. Casas cobertas de colmo Com paredes de granito Enfeitam com muito orgulho Este lugar tão catito. Senhora do Livramento Que estás no teu altar Vai pedindo p’ra teus filhos Saúde, graça e bem-estar. Aldeia Velha e Porto-Chão Com os Coiços e o Loural Formam o aglomerado Mais lindo de Portugal. Autor não identificado In Boletim “O Colmeal” Nº 82, de Junho de 1967 Arquivo da UPFC

7 MARAVILHAS NATURAIS

Penedos de Góis e Vale do Ceira entre os nomeados O Vale do Ceira e os Penedos de Góis foram os monumentos naturais escolhidos pelo município para uma candidatura às “7 Maravilhas Naturais de Portugal”. Uma escolha feita em boa hora, uma vez que estes dois ex-libris “passaram” a primeira fase de candidatura. Satisfeita com esta “aceitação”, a presidente da Câmara de Góis sublinha o objectivo primordial da candidatura, ou seja, «promover o concelho de Góis e as suas potencialidades naturais». Lurdes Castanheira refere a grande riqueza, em termos naturais do concelho, «bafejado pela mãe-natureza», mas destaca em especial o Vale do Ceira e os Penedos de Góis. «Tivemos de fazer uma escolha e recaiu sobre estas duas “maravilhas”», adianta. Sem esconder o seu «orgulho por termos passado a primeira fase», particularmente tendo em linha de conta «que concorremos com mais de 300 candidaturas de todo o território nacional», Lurdes Castanheira afirma a sua vontade de continuar na “corrida” e de, no próximo mês de Fevereiro, passar a integrar os 77 candidatos seleccionados. Todavia, reconhece que o desafio é enorme, «mas não impossível», uma vez que «já passámos pelo primeiro crivo». Lurdes Castanheira faz questão, de resto, de sublinhar o envolvimento que esta candidatura gerou, dentro e fora de portas da Câmara, contando com a colaboração muito próxima de um «conjunto de pessoas que conhecem muito bem o nosso património natural». Destaque especial merecem-lhe Filipe Carvalho, adjunto da presidência da autarquia, bem como de Paulo Silva, da empresa Transserrano. Independentemente do desfecho que o concurso para a eleição das 7 Maravilhas Naturais de Portugal possa ter no que se refere à candidatura dos Penedos de Góis e do Vale do Ceira, Lurdes Castanheira quer firmar e dar a conhecer este património único. Recorda, a propósito, que um dos seus objectivos, ainda enquanto candidata à Câmara de Góis, foi efectivamente a candidatura destes ex-libris «a património nacional ou ao nível da Unesco», uma vez que «é um património único, ao qual ainda não foi ainda atribuído o valor que merece nem reconhecida a sua imensa riqueza». Significa pois, de acordo com a autarca, que este concurso se “encaixou” perfeitamente naquilo que são os objectivos da Câmara de Góis, apresentando--se como que uma primeira fase ou uma experiência pioneira para “voos mais altos” que Lurdes Castanheira está empenhada em empreender, no sentido de obter o justo reconhecimento deste património. Apesar de reconhecer a «pouca projecção» que o concelho de Góis possa ter a nível nacional, Lurdes Castanheira acredita que todo o território vai estar, em termos de concurso, em igualdade de circunstâncias com todos os outros e assume que «gostaríamos muito que uma das nossa candidaturas fosse eleita como uma das 7 Maravilhas de Portugal». Mas «se isso não acontecer, vamos avançar com outras processos de candidatura», adianta, garantindo que «não vamos deixar passar em branco qualquer oportunidade». Com a garra que lhe é característica, Lurdes Castanheira afirma que «temos de ser ambiciosos, sem ambição não há desenvolvimento».
Referências ímpares
A presidente da Câmara de Góis refere ainda, a propósito dos Penedos de Góis, o facto de se tratar de um «monumento sem qualquer intervenção humana», que, de resto, tem sido preservado da proximidade de torres eólicas. Trata-se, defende, de «um dos mais soberbos miradouros naturais da região Centro», que no seu ponto mais alto atinge uma cota de 1.043 metros de altitude. Aponta ainda a riqueza que rodeia este afloramento quartzítico do período do Ordovício, quer em termos de flora, quer de fauna, características da Serra da Lousã, que integra a Rede Natura 2000. Faz ainda notar que se trata de um monumento que, pelas suas especificidades em termos geomorfológicos, tem atraído investigadores de várias universidades. Relativamente ao Vale do Ceira, Lurdes Castanheira refere que em causa está um «vale encantado», que retrata uma «paisagem idílica», repleta de elementos de grande riqueza e biodiversidade, cujas águas cristalinas são uma «referência ímpar». Uma zona onde o «homem sempre viveu em total harmonia com a natureza» e que constitui, adianta, «um valor histórico, cultural e etnográfico das gentes que aqui se estabeleceram, abraçando o modo de vida dos seus antepassados, vivendo em consonância com a natureza e dela subsistindo». .
Manuela Ventura
in Diário de Coimbra de 13/01/2010

11 janeiro 2010

LIMPA-NEVES

Nevou ontem e durante a noite uma nevezita soprada a vento que não chegou a produzir imagens de especial beleza. Mas que produziu consequências desastrosas, como impedir a ida à escola, ao trabalho ou a tratamento. Solidariamente, porque se preocupou com a possível urgência de uma carta, o carteiro veio, mas teve de ser resgatado, depois de ele próprio ter resgatado o carro, que descia a rua por conta própria! Aí, as pessoas decidiram agir, e constituíram-se em equipa limpa-neves! Num feliz encontro de gerações, eram velhos e novos irmanados no objectivo comum de limpar a neve, antes que gelasse mais, e continuasse ali a impedir a circulação. As ferramentas eram as mais diversas, e até havia quem andasse de botas vermelhas de biqueira!Bonito de ver! Lisete de Matos Açor, Colmeal, 11 de Jan. de 2009

10 janeiro 2010

Neve no Colmeal

As temperaturas baixas e a neve também passaram pelo Colmeal neste domingo de Janeiro. À semelhança do que se passou um pouco por todo o país e pela Europa. Fotos de Catarina Domingos

Centro de Dia no Colmeal

Da acta da reunião ordinária da Câmara Municipal de Góis, realizada no passado dia 9 de Dezembro de 2009, no Auditório da Biblioteca Municipal, transcrevemos o ponto 2.2, relacionado com o Centro de Dia no Colmeal. 2.2 – CÁRITAS DIOCESANA DE COIMBRA/CENTRO DE DIA E SERVIÇO DE APOIO DOMICILIÁRIO DE COLMEAL – CANDIDATURA À MEDIDA 3.3.2 DO SUB-PROGRAMA 3 DO PRODER Foi presente o ofício da Cáritas Diocesana de Coimbra, datado do dia 20.11.2009, solicitando à Câmara Municipal a emissão de parecer da Autarquia e do Conselho Local de Acção Social (CLAS), relativamente à candidatura apresentada por esta Instituição à Medida 3.3.2 do Sub-Programa 3 do PRODER centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário de Colmeal. A senhora Presidente da Câmara Municipal, informou que é seu entendimento que esta candidatura merece o parecer favorável do Executivo, uma vez que é objectivo principal desta Instituição melhorar as condições físicas do equipamento social existente, e consequentemente, melhorar a qualidade do serviço prestado. Interveio a senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz que referiu concordar que a Câmara Municipal apoie este projecto, uma vez que é notória a acção da Cáritas Diocesana de Coimbra nestas duas freguesias. Cadafaz e Colmeal. Referiu ainda, que toda a acção que contribua para a promoção da prestação de um melhor serviço, como o alargamento de horários de visita aos utentes; a prática de educação física entre outras actividades, irão certamente contribuir de maneira positiva para combater o isolamento e a solidão dos idosos que vivem nestas Freguesias. Usou da palavra o senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia, que referiu subscrever as palavras proferidas pela senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz, e após análise à referida Candidatura, é seu entendimento que esta merece parecer favorável por parte do Executivo. Contudo, parece-lhe ser importante que este documento se fizesse acompanhar com uma informação da Acção Social da Câmara Municipal, a fim de contribuir para um melhor esclarecimento da decisão a tomar. A senhora Presidente da Câmara Municipal informou que, enquanto responsável pelo pelouro da Área da Acção Social, bem como na qualidade de Presidente da Câmara Municipal, teve o cuidado de ler e analisar toda a candidatura, entendendo que nunca colocaria em causa a valia da candidatura, a qual objectiva, não só a requalificação das condições físicas, bem como, a diversificação na oferta de serviços. Referiu ainda, que este Projecto é muito importante, assim como outros promovidos pela Cáritas Diocesana de Coimbra, particularmente o Projecto de Construção do Lar da Freguesia do Cadafaz, aproveitando para informar que, sobre este Projecto, o senhor Padre Luís Costa, Presidente da Direcção da Cáritas Diocesana de Coimbra, solicitou que o Conselho Local de Acção Social emitisse um novo parecer que possibilite uma fundamentação diferente, uma vez que em termos de pontuação máxima esta já foi obtida, em termos de valia do projecto para efeitos de financiamento. A Câmara tomou conhecimento e deliberou por unanimidade emitir parecer favorável relativamente à candidatura apresentada pela Cáritas Diocesana de Coimbra à Medida 3.3.2 do Sub-Programa 3 do PRODER centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário de Colmeal. in Jornal “O Varzeense” Nº 526, de 30 de Dezembro de 2009

08 janeiro 2010

COLMEAL DA BEIRA SERRA – GÓIS

SENTIMENTO POÉTICO
ESTA ALDEIA PORTUGUESA NAS MARGENS DO RIO CEIRA PERTENCE À GRANDE NOBREZA DAS LINDAS TERRAS DA BEIRA NUM QUADRO RETRATADA P’LA SUA COR E BELEZA É DIGNA DE SER ADMIRADA ESTA ALDEIA PORTUGUESA HÁ CULTURA NESTA TERRA É LINDO O CENÁRIO NA BEIRA PRESÉPIO DA BEIRA-SERRA NAS MARGENS DO RIO CEIRA SEM DIZER QUE É FORMOSA NÃO ESCONDE SUA BELEZA POR SER SIMPLES E AIROSA PERTENCE À GRANDE NOBREZA COMO AMANTE DA NATUREZA OBSERVADOR DE PRIMEIRA EU TE CONSIDERO PRINCESA DAS LINDAS TERRAS DA BEIRA FERNANDO BAGUINHO 2009 Fernando Costa, também conhecido por Fernando “Baguinho”, teve mais uma gentileza para com a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, de que é um dos seus associados, oferecendo-nos um quadro com esta “Glosa” de sua autoria. “Glosa”, é a designação dada às voltas ou estrofes de desenvolvimento de um mote dado. Generalizado o emprego desta modalidade poética nos finais do século XV (Cancioneiro Geral), a glosa continuou em grande voga até ao século XVIII, nomeadamente nos famosos Outeiros. Assinalámos o “mote” a negrito e em itálico. A “glosa” tem, neste caso, quatro estrofes, terminando cada uma por um verso do “mote”. E Fernando “Baguinho” que desde sempre tem vindo a acompanhar o trabalho desenvolvido pela União Progressiva através das notícias publicadas na imprensa regional, fez questão de realçar que “Há cultura nesta terra” (primeiro verso da segunda estrofe). Brevemente poderá apreciar este quadro no EspaçoArte no Colmeal. A. Domingos Santos

Promovendo a leitura

in Jornal de Arganil, de 7 de Janeiro de 2010

Efeméride: Eléctricos deixaram de circular em Coimbra há 30 anos

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Faz este sábado, 9 de Janeiro, 30 anos que os eléctricos deixaram de circular na cidade de Coimbra, dando lugar aos troleicarros e aos autocarros. Os nove veículos que fazem parte do acervo municipal são agora peças de museu, ainda que os conimbricenses estejam, momentamente, impedidos de os apreciarem. Com a criação do Museu da Cidade, o Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, deixou de existir para dar lugar ao Núcleo do Carro Eléctrico. O museu foi o primeiro do género na Península Ibérica, inaugurado dois anos depois de os eléctricos deixarem de circular. Foi instalado na Rua da Alegria, na antiga oficina dos eléctricos (a chamada remise), um edifício de 1909, considerado “um excelente exemplar da arquitectura industrial” O referido núcleo ficará instalado no mesmo local, mas, para já, não há ainda uma data de abertura ao público. Em curso, está a recuperação dos nove veículos. Quatro estão já prontos e o quinto aguarda o resultado de um concurso limitado para ser reabilitado. Berta Duarte, chefe da Divisão de Museologia da Câmara Municipal de Coimbra, disse ao “Campeão” que o projecto do Núcleo do Carro Eléctrico “está a andar” e que a verba para o arranjo do quinto eléctrico está garantida. Aquela responsável falou ao nosso Jornal momentos depois de ter participado na transferência, para a Rua da Alegria, do primeiro gerador eléctrico que a cidade teve e que também poderá ser visitado futuramente. Este equipamento, com cinco metros de comprimento e cerca de seis toneladas de peso, estava guardado nas antigas instalações do extinto Museu Nacional da Ciência e da Técnica, na Rua Fernandes Tomás. A principal relíquia em exposição no futuro espaço museológico será o velho carro americano, de tracção animal. A sua recuperação será dispendiosa e Berta Duarte aplaude a ideia de “aparecer um patrocinador” que ajude o município na rápida concretização da obra. Os eléctricos fazem parte do imaginário de muitos conimbricenses, como é o caso de Pedro Rodrigues dos Santos, nado e criado nesta cidade, agora a residir em Painho, freguesia do concelho do Cadaval, à qual preside. Partilhando com o “Campeão” a saudade que sente dos eléctricos, enviou-nos uma ligação para o site You Tube, que também partilhamos com os leitores: Escrito por Iolanda Chaves Sexta, 08 Janeiro 2010
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Clube de Contadores de Histórias (XIV)

Uma história de Ano Novo
Quando Danni foi à sinagoga com o pai, na véspera do Ano Novo, viu que todos estavam de pé e rezavam. Observou tudo com cuidado e escutou os cânticos a várias vozes. Depois do ofício religioso ter terminado, Danni disse ao pai: — Pai, vai para casa e deixa-me ir até à praia. Tenho de dizer algo de muito importante ao mar. É um segredo. O pai concordou de imediato, porque sabia o quanto Danni gostava do mar, e que o filho falava às ondas na sua própria língua. Tinha aprendido a fazê-lo, porque passava os dias à beira-mar, a ouvir o rebentar das ondas. Já conseguia distinguir entre o mar agitado e o mar calmo, entre o mar zangado e o mar feliz. Danni tinha aprendido a estranha linguagem que a água falava quando galgava a areia da praia, e sabia o que ela dizia. Tendo obtido autorização do pai, correu para a praia. Não havia lá ninguém, porque estavam todos em casa a preparar o Ano Novo.... Danni ficou muito quieto e os seus lábios moviam-se devagar como numa prece. — Ó mar, meu querido mar — murmurou. — Traz, por favor, muitas crianças nas tuas ondas. Trá-las de terras para além do horizonte. É tudo o que te peço. Foi só isto que Danni disse. De repente, viu uma bela senhora a seu lado. Usava um vestido da cor do azul do céu, que lhe caía até aos pés. A princípio, Danni ficou muito surpreendido. Porém, quando viu a cara radiante da senhora, deixou de ter medo. Foi ter com ela e perguntou-lhe: — Quem é a senhora e de onde vem? — Talvez não te diga quem sou — respondeu a senhora, cuja voz soava como o murmúrio das ondas suaves num dia alegre de Verão. — Vim porque ouvi a tua prece e desejo tornar o teu sonho realidade. Agora, diz-me o que vês, meu filho. Tirou o manto azul e cobriu a superfície das ondas com ele, de forma que Danni não visse a diferença entre a cor do seu manto e a cor das ondas, já que ambos pareciam ficar da cor do azul do céu. Pouco a pouco, a desconhecida cobriu totalmente as ondas. Em seguida, pegou nos quatro cantos do manto e, maravilha das maravilhas, fez aparecer um pequeno barco a remos, que se aproximava da praia. O barco balouçava no mar como se fosse uma concha, e dentro dele estavam cinco crianças. Eram magras, estavam cheias de frio e descalças, e a água salgada escorria das suas roupas. Era óbvio que tinham naufragado, ou talvez tivessem apenas soltado as amarras que prendiam o barco ao cais onde ancoravam. Tinham, sem dúvida, remado sem parar, até chegarem ali. Danni observou-as enquanto saíam do barco, a tremer de frio, pois o sol tinha-se já posto. Agarravam-se umas às outras, com medo, e choravam amargamente. Olharam para Danni, que lhes devolveu o olhar, mas não trocaram nenhuma palavra. O menino não conseguia falar, porque tinha o coração cheio de compaixão. Receava que, se falasse, desatasse a chorar. As crianças continuavam em silêncio. Estavam cansadas das suas andanças, e tinham medo de serem expulsas da praia. De repente, a voz suave da desconhecida fez-se ouvir. Doce, terna e maternal: — Venham, meus filhos, não tenham medo. Este é o Danni, um amigo vosso. Foi ele que pediu que vocês viessem até aqui. Tem muitos amigos que estão também à vossa espera. Venham conhecê-los. Devagar, as crianças aproximaram-se de Danni. Depois, uma delas sussurrou: — Olá, Danni. Passámos momentos horríveis e estamos muito cansados. Mas chegámos, finalmente. Danni respondeu: — Venham comigo, por favor. Os meus pais estão à vossa espera, numa casa cheia de amigos. Hoje é um feriado especial. Venham daí. Partiram juntos. As crianças ainda tinham dificuldade de caminhar, mas iam avançando cada vez com mais segurança. Danni pegou na mão da mais pequena de todas, que estava muito magrinha e triste. À medida que passavam pelas casas, ouviam gargalhadas e canções que lhes chegavam através das janelas abertas. Todos se preparavam para o Rosh Hashana, ou seja, o Ano Novo judaico. Quando chegaram a casa de Danni, a mãe dele abriu a porta e puderam ver as salas todas iluminadas. A mesa estava coberta com uma toalha branca, as velas estavam acesas e inúmeras iguarias cobriam a mesa. — Mãe, chegaram — anunciou Danni com simplicidade. — Óptimo — respondeu a mãe. — Finalmente! Temos estado à vossa espera desde sempre, meninos. Sentem-se e comam à vontade. Colocou as crianças em redor da mesa, e estas comeram até à saciedade. Enquanto estavam ocupados a festejar, Danni olhou lá para fora. Parecia-lhe ver a senhora vestida de azul a caminho da montanha e anjos sagrados a virem ao seu encontro, cantando Abençoado sejas, Ano Novo, abençoado sejas…Então, Danni soube que a desconhecida que atendera as suas preces era a fada do Ano Novo, que tinha vindo visitá-lo.
Levin Kipnis Gan-Gani Let us play in Israel Tel-Aviv, N. Tversky Publishing House, 1966 Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

07 janeiro 2010

Solidão

As árvores morrem de pé! Foto de Artur da Fonte

Vale do Ceira – AQUI COLMEAL

JOSEFA MARTINHA, um nome, uma legenda da Serra! «Aquele não é um rolo, é um Rolão» – Autor desconhecido Gerar filhos, efectuar a lide da casa, amanhar a terra para produzir pão, eram, entre outros, os deveres da mulher da Serra. Josefa Martinha, com dezoito risonhas primaveras, ao casar em 1910 com José Maria Ramos, conhecido por Joaquim Ramos, não alterou a regra: trabalhar no duro, de sol a sol e gerar filhos. A ambição legítima de José Maria Ramos, que não conhecia uma letra, era possuir de seu um palmo de terra e casa modesta para o casal habitar, com os filhos que porventura viessem a gerar. Como a produção da terra, proveniente das leiras de cultivo, nem sempre era excedentária, havia que migrar periodicamente para concretizar o sonho, mantendo-se a mulher na Serra a amanhar os «coiceiros». Depois de várias idas periódicas para a capital, privações da mais variada ordem e amealhados que foram uns reis (para os quais contribuiu Josefa Martinha ao vender anualmente algum do milho que recolhia), José Maria Ramos adquiriu as «cavadas» da Selada do Riado e junto à estrada construiu aos poucos a casa, o lar do casal, então já com dois filhos. Pela sua situação, a Selada do Riado era obrigatoriamente local de passagem dos caminheiros da Serra. Assim, mais tarde, José Maria Ramos, homem rude mas de visão, montou ali, por baixo da habitação, um negócio de bebidas, sal (utilizado abundantemente para conservar a carne de suíno) e carvão. Nos seus princípios de comerciante, José Maria Ramos, filho do «Rolo» do Carvoeiro, teve um desaguisado com conterrâneos, já um tanto ébrios, aos quais virou costas para evitar uma mais acalorada discussão. Um dos presentes, conhecedor da alcunha do pai, alto e sonante, em jeito de provocação: «Aquele não é um rolo, é um Rolão!». Em tal hora foi feita a afirmação que o epíteto propagou-se por toda a Serra. O nome de Selada do Riado foi enviado às ortigas, e por «Rolão» passou a denominar-se o local desbravado por José Maria Ramos, falecido bastante jovem. Viúva aos 34 anos, mãe de 6 filhos, de ambos os sexos, cujas idades variavam entre os 18 meses e 14 anos, a «senhora Martinha do Rolão», como respeitosamente era tratada na região, não era somente comerciante, era uma mulher de «armas», mas simultaneamente de uma humanidade a toda a prova. «A senhora Martinha do Rolão» estava sempre pronta a ajudar o próximo, servir aos caminheiros da Serra um prato de sopa e conduto, emprestar agasalho no Inverno enquanto ao calor da lareira secavam as roupas encharcadas pela água da chuva, ceder uma cama para passar a noite, emprestar dinheiro sem juros, socorrer uma aflição ou fiar o que necessário, sem perguntar quando viriam a pagar. O nome da bondosa Josefa Martinha, nascida no Braçal (Pessegueiro) a 13 de Junho de 1892 e falecida em Lisboa em 26 de Abril de 1982, é uma legenda da região. Por isso, mas fundamentalmente porque os conterrâneos, sejam eles das Serras ou Vales, de freguesias situadas ou não nos concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, não são ingratos, têm vindo a público, através da imprensa, alvitrando a realização de uma homenagem póstuma a essa figura de mulher da Serra. Pelo seu humanismo e qualidade de MULHER, com letra maiúscula, apoiamos a nobre intenção de se perpetuar o nome de Josefa Martinha. Mas, por favor, não alterem o nome do local, situado na estrada da Pampilhosa da Serra, onde entroncam as vias de Colmeal e Fajão. Rolão, derivado do epíteto de que a falecida e seus descendentes sempre se orgulharam, eternamente continuará «ROLÃO» na voz do povo.
FERNANDO COSTA
in “A Comarca de Arganil”, de 1 de Junho de 1985 Do espólio de Fernando Costa

06 janeiro 2010

Noite no Colmeal

Foto de Arur da Fonte

Folhas Soltas de Cadafaz

. Cadafaz e Colmeal têm percorrido juntos os caminhos longínquos da sua identidade. Segundo a valiosa obra e descrição de conceituados historiadores acerca da história do concelho de Góis, verificamos que, pelo menos nas Inquirições de D. Dinis já era referido Cadafaz e Colmeal como sendo povoadas no tempo de D. Sancho (1185-1211). No Foral não Régio de Gonçalo Vasques (7º Senhor de Góis 1314), menciona-se Colmeal com quatro casais e Cadafaz com oito, aos quais se atribuíam os deveres do foro, continuando mencionadas no Foral Régio do rei D. Manuel, no Cadastro do Reino na elevação a freguesias e no reconhecimento dos Padroados já com os respectivos oragos e restantes bens das paróquias etc. Claro que com o decorrer dos séculos muita coisa mudou, no entanto parece ter havido sempre um elo de ligação entre as duas freguesias nos vários serviços quer pessoais, religiosos ou comunitários. O serviço postal, ou seja, o transporte das malas do correio foi feito durante décadas (1916) pelos condutores de malas de Cadafaz entre Góis-Cadafaz-Colmeal e vice-versa diariamente e aqui recordarei José Simões Paulo, Guilherme Simões Paula e outros, que bem merecem o nosso eterno reconhecimento pela sua dedicação, missão tão exaustiva e tão mal renumerada. A ligação de telefone, também durante alguns anos era feita do P.C.T.F. de Cadafaz para Colmeal. O mesmo se passava em relação aos serviços religiosos, sendo as duas paróquias assistidas pelo mesmo pároco, quase diariamente tal era a assiduidade no cumprimento dos serviços da Igreja. Mas um dos grandes impactos de ligação, foi sem dúvida o regionalismo com a criação das colectividades, a interligação entre os seus fundadores quer do Colmeal ou Cadafaz defendiam as mesmas aspirações e ideias, melhorar a forma de vida das suas comunidades e aldeias onde nasceram. Foi de uma forma bastante gratificante que o empenho no desenvolvimento foi conseguido por Homens de grande valor e eficácia. É certo que eles foram partindo mas os seus “Marcos” ficaram e com eles o grande significado para quem os sabe reconhecer e honrar aliás, creio que a melhor forma de reconhecimento é a continuidade do seu trabalho. Felizmente ainda alguém cumpre com esses objectivos, pelo que irei referir um artigo recentemente publicado nos Jornais de Arganil e Varzeense, pelo Sr. Dr. António Domingos Santos, presidente da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, artigo esse que insere um documento antigo e fotos referentes à sua colectividade e à então Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz, dando aos Cadafazenses o privilégio de tomarem conhecimento de um artigo certamente desconhecidos para muitos. E por tal facto, é com o devido respeito e agradecimento aos seus autores que o passarei a transcrever. Publicado “NO REGIÃO DAS BEIRAS” em 20-4-1943. Número único dedicado à Região das Beiras e Agremiações regionalistas Beirãs na Capital, Director e Editor Joaquim Dias Pereira”. Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz – Cláudio dos Santos, Presidente António Augusto Silva, Tesoureiro – José Gaspar Nunes e José Nunes Ribeiro, Secretários. “A Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz é uma das agremiações regionalistas beiroãs que melhor se tem integrado no cumprimento das suas altruístas finalidades. Cláudio dos Santos, seu presidente da direcção desde a primeira gerência, tem orientado os destinos deste organismo com muita competência e de molde a impor a sua Liga à consideração dos altos poderes do Estado. Uma das actividades mais interessantes que esta colectividade tem realizado, foi uma das excursões ao Cadafaz e na qual tomamos parte. Todos os Anos tem também realizado o seu tradicional almoço de confraternização, de notável efeito moral e para a aproximação colectiva de todos os Cadafazenes, pois é esse dia por assim dizer de grande gala para a colónia da freguesia do Cadafaz em Lisboa. Também em tempos foi editado um número especial do Jornal de Arganil a esta Liga, por iniciativa do saudoso Cadafazense António Nunes Carneiro a cuja memória aqui deixamos patente o preito da nossa sentida homenagem e a nossa inacersível saudade. De resto todos os melhoramentos, e alguns por sinal muito importantes, com os quais a Freguesia de Cadafaz tem sido beneficiada nesta última década, à sua Liga os deve, se bem que a comparticipação do Estado não tenha falhado – comparticipação essa - que não viria sem a solicitação deste organismo. Tudo quanto se diga, portanto, em louvor da Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz e dos seus dirigentes, não é demasiado nem descabido, mas sim um acto de justiça a que não podíamos faltar traçando estas linhas. Falha-nos aqui a memória para aqui mencionarmos todos os paladinos desta Liga aos quais em outro local não fazemos referência, mas entre outros é justo destacar os Srs. Armando Ribeiro e Carlos Vidal” Como se pode verificar não há dúvida do bom relacionamento que existia, não só entre as colectividades como com outras entidades. O que nos parece hoje não ser bem o caso com a actual União Recreativa de Cadafaz, onde se nota um nítido afastamento em relação aos deveres representativos inclusive reuniões, assembleias gerais, relatórios de contas, cobrança de quotas etc. É certo que vão surgindo de vez em quando títulos inovadores referentes à mesma até com obras feitas. No entanto isso não deve esquecer os deveres da cooperação comunitária e regionalista segundo os estatutos da mesma. Além disso não se verifica ou prevê ensejo ou corrente de entusiasmo de ajuda aos nossos jovens como continuadores. Lamento se irei interferir em ânimos susceptíveis, mas Cadafaz tem de relembrar que ainda há vida na sua sede de Freguesia e pessoas com direito a ser participativas e cooperativas em assuntos que a todos diz respeito, inclusivamente incentivar a comunidade Cadafazense que se encontra em Lisboa e noutros locais e não esquecerem a sua aldeia.
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A. Silva

in Jornal de Arganil, de 31 de Dezembro de 2009

Ramal da Lousã - circulação interrompida

Pouco mais de um mês depois de os comboios deixarem de circular no troço entre Serpins e Miranda do Corvo, a circulação ferroviária no ramal foi ontem interrompida, prevendo-se que assim permaneça durante dois anos, até à introdução do novo serviço tram-train. As obras incluem a substituição da actual linha larga (bitola ibérica) pela bitola europeia, sendo que, em Julho, será também interrompido o serviço entre Coimbra A e Coimbra B. Durante esse período, a circulação de utentes será, então, efectuada, por transportes rodoviários alternativos. Para já, entre Miranda do Corvo, Lousã e Coimbra são realizadas cerca de 100 viagens nos dois sentidos, num total de 25/30 autocarros, com uma frequência «de 16 autocarros em hora e meia, nas horas de ponta», adiantou Alexandra Quaresma, da Metro Mondego. À chegada de cada autocarro, funcionários da Metro Mondego monitorizaram os dados, ao longo de todo o dia. Alexandra Quaresma confirmou «algumas falhas», que serão corrigidas com a «rotina» do serviço. Por exemplo, hoje, às 7h25, sairão dois autocarros da Lousã e não apenas um, como aconteceu ontem, já que se chegou à conclusão que há uma intensa procura àquela hora da manhã. A falta de informação e o «desconhecimento» revelado por alguns utentes marcou também o primeiro dia do encerramento do ramal da Lousã, sendo que, reconhece a Metro Mondego, nem sempre os motoristas conseguiram satisfazer a necessidade de cada um. «Muitos vieram de fora e ainda estão em formação», explicou Alexandra Quaresma, acrescentando ainda que a venda de bilhetes acabou também por causar «pequenos atrasos». Ainda para este mês, está previsto o início da segunda empreitada do metro, relativa ao percurso entre Miranda do Corvo e Alto de S. João. Escrito por Patrícia Isabel Silva
in Diário de Coimbra, de 5/01/2010

05 janeiro 2010

Presépio no Colmeal

O Largo, no Colmeal, estava diferente nesta época festiva, em que a iluminação, um pinheiro e um pequeno presépio faziam a diferença. Parabéns! Foto de Artur da Fonte

Quando o Álvaro dava notícias...

(clicar na imagem para ampliar)

Arquivo da UPFC

Natal iluminado

A pacata aldeia do Colmeal teve a particularidade de nesta época festiva se encontrar iluminada, graças à iniciativa da Junta de Freguesia. Casas fechadas, tempo chuvoso e baixas temperaturas não foram impeditivas para que o Pai Natal não viesse com o seu saco cheio de presentes. Os sinos apesar do seu silêncio iluminaram o Largo enquanto o Boneco de Neve, com o seu sorriso prazenteiro e o seu ar bonacheirão, de chapéu ao ombro, esperava que alguém por ali passasse. No pequeno presépio, colocado no pinheiro iluminado, reinava o silêncio, a paz e o amor. Fotos de Artur da Fonte

Colmeal em Dezembro

Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal (História) XII

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PASSADO – PRESENTE Capítulo XII Annexa de São Sebastião, do Colmeal e sua obligação (1)
O mesmo Bispo de Coimbra Dom João Soares, per outra sua carta em forma, passada sob seu sinal e sello em Coimbra, ao mesmo dia, mez e anno, da carta atraz (2) peroxima; a saber dezesseis de Novembro de mil quinhentos e sessenta annos, e pellas mesmas causas e com a mesma forma atráz rellatada creou em Nova Parochia e annexa da matriz de Goés (3) a Capella e Ermida (4) de São Sebastião do Logar do Colmeal assinando-lhe por sua freguezia a saber: o dito logar do Colmeal e o logar do Carvalhal e o Souto e Aldea Velha e o Soberal e Ádella (5) e por freguezes os moradores das ditas Povoas presentes e futuras. Comfonção assignada de quatro mil reis em cada hum anno, a custa das rendas do Reitor e Beneficiados da dita Matriz, pellas quaes serão os Capellães apresentados, e outros quatro mil reis lhe darão os freguezes e quarenta alqueires de pam, e com declaração que os ditos Capellães averão mais a metade do Peé do Altar da dita annexa de São Sebastião do Colmeal, por que disso aprouve do Vigario e Beneficiados do Padroeiro e Senhor da dita Villa de Goés. E foy esta desmembração separação e creação da nova Parochia, celebrada e feita em todas as curais clausulas modo e forma rellatada no assento atraz peroximo de Santa Maria do Cadafaz que aqui se não repetem por brevidade, segundo mais comprimentos se conthem na dita carta. (1) Biblioteca da Câmara Municipal de Góis. Tombo das Villas de Goes e Selaviza, folhas 234 v.º 235 e 235 v.º Esta cópia do Tombo do Morgado de Goes e Casa de Sortelha, conforme consta no início do volume, foi feita em 1892, verificando-se facilmente não ter o copista seguido a ortografia do manuscrito original. (2) A carta anterior é referente à elevação de Cadafaz a freguesia, o que se verificou na mesma data. (3) Os habitantes da nova freguesia do Colmeal eram obrigados a ir três vezes no ano à Igreja Matriz de Góis, sob pena de pagarem um arrátel de cera por cada falta. (4) Não existiam dois templos de culto, como se poderia concluir erradamente, mas sim um único. A actual Igreja Matriz é de construção posterior. De contrário, não seriam empregues os termos «Capella» e «Ermida». (5) Apesar das povoações de Soberal e Ádella, nos aparecerem incorporadas na então criada freguesia do Colmeal, administrativamente, as mesmas estavam ligadas a Selaviza, também pertença do Senhorio de Góis. in Boletim “O Colmeal” Nº 111, Maio de 1971