16 dezembro 2009

A «Suíça portuguesa» (1)

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Visão optimista de um repórter de há setenta anos
Uma terra da Beira Litoral dotada de grandes belezas naturais e de valiosas potencialidades materiais aguarda ainda a concretização das suas justas aspirações. Não é já aquela terra de beleza e de ambicioso progresso que há três quartos de século foi descrita numa famosa reportagem publicada em A Capital, o mais lido vespertino português da época. Considerado o grande repórter da República, Hermano Neves, a quem devo, além da própria vida, as primeiras lições de jornalismo, visitou em 1916 as serranias da Beira Litoral e deixou, em páginas brilhantes e arrebatadoras, uma visão maravilhosa da zona em que se situa a aldeia onde nasceu, Alvares, uma das cinco freguesias do concelho de Góis. Região realmente encantadora, dotada de belos atractivos naturais, em que as vertentes da caprichosa orografia se apresentavam cobertas de densos pinhais e de vetustos castanheiros, com abundantes nascentes cujas águas alimentam os ribeiros que serpenteiam pelos vales profundos, o cronista procurava suscitar motivos que pudessem contribuir para a valorização do País. A sugestão das montanhas alpinas inspirou-lhe a designação da reportagem com que pretendia estimular o espírito adormecido dos seus compatriotas: a «Suíça Portuguesa». Não que o primitivismo atávico da terra beiroa permitisse aproximar a pátria de Guilherme Tell do quadro magnífico, embora estático, que se lhe deparava, mas na esperança de que as suas palavras entusiásticas pudessem despertar, a par dos aspectos convidativos da descrição, o interesse prático de promover o aproveitamento das potencialidades que ofereciam animadoras perspectivas para o progressivo desenvolvimento da região. Uma terra privilegiada A zona percorrida pelo repórter, além de privilegiada por admiráveis dons da natureza, só de si capaz de animar um rendoso movimento turístico, possuía também recursos materiais que, criteriosamente aproveitados, poderia fazer dela uma das mais ricas de Portugal. Não só Góis, a sede do concelho, oferecia condições excepcionais para atrair o forasteiro, como as vastas cercanias se mostravam dotadas de abundantes riquezas susceptíveis de serem vantajosamente utilizadas. Sabia-se que, em tempos remotos, se exploravam no vale do Ceira, que atravessa a localidade, aluviões auríferas cujos vestígios eram ainda evidentes; conheciam-se nas imediações jazidas de outros minérios que poderiam ter aproveitamento de importante significado económico; as águas provenientes das nascentes abundantes nas montanhas constituíam reservas de energia que aguardavam apenas nas gargantas rochosas do seu percurso a transformação em força motriz, numa produção hidroeléctrica capaz de determinar a poupança do carvão que importávamos com grave inconveniente para as finanças públicas; as excelentes madeiras de pinho e de castanho fornecidas pelas florestas poderiam ser boa matéria-prima para a indústria de mobiliário e para a construção civil, e a riqueza piscícola, que abunda de belas trutas e outras espécies muito apreciadas, bem podia, se devidamente explorada numa sistemática organização comercial, abastecer o consumidor dos grandes centros. Esforço de modernização Tudo dependia, porém, de um esforço de modernização que pudesse vencer o imobilismo dos poderes públicos e a inércia das populações, marcadas pelo estigma do fatalismo resignado em que viviam. Era reduzidíssima a rede de estradas, as povoações não passavam de tranquilos aglomerados de sombrias casas de xisto, cobertas pela ardósia, que abunda nas redondezas, sem água corrente, sem esgotos e sem luz eléctrica. As pessoas aceitavam pacientemente viver num triste isolamento, só cortado pelas veredas de difícil acesso que cruzavam as matas em que ecoavam ainda os uivos dos lobos, atemorizando os moradores, aferrolhados nas suas habitações desconfortáveis. Para além destas condições mínimas, que nada favoreciam o convívio entre as gentes serranas, o pouco contacto humano que existia determinava o embrutecimento e a ignorância, que não facilitavam os mais ínfimos resquícios da civilização. Desde meados do século passado, por exemplo, no Colmeal, uma das mais populosas freguesias do concelho goiense, vivia-se uma existência de alheado afastamento, em que só se destacava um ou outro residente menos conformado, entre os quais se distinguiam os caciques monárquicos, que apenas se evidenciavam, todavia, por ocasião de eleições. Outros, menos resignados, emigravam, mas não se afoitavam para longes terras, limitando-se, na maioria dos casos, a seguir para Lisboa, em busca de colocações mais favorecidas, embora em misteres humildes, como moços de fretes ou limpa-chaminés. Havia ainda os que se deslocavam periodicamente para as planícies alentejanas, incorporados nos grupos de ceifeiros, que deixaram a sua triste odisseia conhecida pela designação humilhante de «ratinhos». O «Professor de Sintra» Todos tinham um pequeno pé-de-meia, mas o seu acanhado espírito de iniciativa não lhes dava em geral para mais que o amanho temporário de exíguas courelas e o aproveitamento do milho, de que extraíam a farinha para cozer a broa, que era um dos poucos alimentos com que acompanhavam as febras de algum porquito que iam criando. De exigências muito limitadas, os colmealenses mal reagiam contra este fatalismo de uma resignação que dificilmente podiam combater. Um dos poucos que conseguiram fugir a este estado de coisas, mais afoito nas suas aspirações, foi um jovem colmealense que, no derradeiro quartel de Oitocentos, veio para a capital, disposto a experimentar um emprego de modesto marçano. Atraído pelo estudo, dotado de invulgar curiosidade intelectual, tirou o curso do magistério primário, adquirindo, assim, apreciável grau de instrução, que lhe permitiu trabalhar numa escola de Lisboa. Com essa bagagem, que o distinguia dos seus conterrâneos, decidiu regressar ao torrão natal, no propósito de contribuir para elevar o nível do povo, cujo atraso pretendia combater, tanto mais que se deixava, entretanto, arrastar pelos ideais republicanos, que começavam a florescer. Conseguindo ser nomeado professor da escola local, permaneceu algum tempo na aldeia, aonde se lhe foi juntar a esposa, também professora, que igualmente passou a partilhar da sua cruzada cultural. Talvez desanimado pela tacanhez do ambiente, António Joaquim das Neves, por sinal pai do jornalista que viria a exaltar mais tarde a sua terra como a «Suíça Portuguesa», obteve transferência para uma escola de Coimbra, que abandonou pouco depois por Sintra, onde viveu até morrer, em 1927, granjeado justa fama de professor competente e gozando de gerias simpatias de sucessivas gerações. A consideração de que usufruiu ficou patente numa comovedora homenagem que lhe prestaram os antigos alunos, cuja gratidão se encontra expressa em palavras de reconhecimento numa lápida que ainda hoje se vê afixada na fachada da escola em que leccionou: «Ao mestre que viveu ensinando – ao homem que ensinou vivendo», mas a fama que alcançou, durante o seu profícuo labor naquela aprazível estância de veraneio, não o fez esquecer os seus conterrâneos nem a sua aldeia de origem, onde a sua lembrança permaneceu sempre viva, embora sob o epíteto de o «Professor de Sintra». Lá voltou algumas vezes, para se desfazer de pequenas propriedades que adquirira e para rever os parentes e amigos da terra a que nunca deixou de estar ligado pelos laços do coração e a evocação dos tempos distantes da sua meninice. Mário Neves in Diário de Notícias, 29 de Agosto de 1988 Do espólio de Fernando Costa

Clube de Contadores de Histórias (XII)

O Primeiro Natal em Portugal

É véspera de Natal. Mas não para Irina. Para ela só será Natal a 7 de Janeiro, quando as aulas tiverem recomeçado.

A mãe aproveita umas horas extra, na pastelaria, para preparar fornadas de bolos-reis.
O pai, antes de sair, marcou-lhe páginas e páginas de trabalhos de casa. É preciso, para poder acompanhar os colegas,
Folheando o dicionário, a pequena ucraniana procura as palavras portuguesas que há-de escrever em frente das que tão bem conhece.
ОЛiВЕДЬ — lápis
ЗОШИТ — caderno
КИГА — livro
ШКОЛА — escola
Tudo diferente! Até o abecedário... Na escola, os outros fazem pouco dela e chamam-lhe “língua de trapos”. Que quererá isso dizer?
Vai à página 190, logo em seguida à 293. Era de calcular...
Tem, no entanto, orgulho em ser a melhor a matemática. Ninguém a bate em contas. Quando a professora entrega os testes e lhe dá vinte, há sempre um grupinho irritado que, no recreio seguinte, se junta, numa roda, à sua volta, cantarolando:
Irina, Irina, Irina,
Que menina tão fina!
Tem cara cor de sal,
Olhos cor de piscina.
Cabelos cor de margarina.
Ai, doem-te as saudades?
Vai tomar aspirina.
Na Ucrânia deixou tantos amigos...
Evita aqueles olhos escuros que se fixam nela, uns curiosos, outros trocistas, outros indiferentes.
Sente-se como uma extraterrestre. Porque é que os pais a mandaram vir?
Isola-se no recreio, a um canto, tentando desvendar a algaraviada das conversas. Às vezes, o Afonso murmura-lhe ao ouvido um segredo:
— Pareces uma fada!
E foge logo a correr.
Que palavrão será “fada”? Nem vale a pena procurar no dicionário. Algumas palavras que lhe dizem nem sequer lá vêm. A princípio ainda perguntou à mulher da limpeza o que significavam mas ela empurrou-a com a esfregona.
— Ordinária! Estes imigrantes mal sabem falar mas fixam logo a porcaria... Porque não voltam para o sítio de onde vieram?
Com lágrimas nos olhos, Irina vai agora à janela e vê as luzinhas acender e apagar nas árvores despidas. Por trás das paredes deslavadas das velhas casas, decerto se celebra a consoada. Como será?
Doze pratos se punham na mesa de festa no Natal da sua terra. Uma em memória de cada apóstolo.
É Natal em Portugal. Que interessa? A família está dispersa. A mãe a fazer bolos-reis que não vai provar porque para os ortodoxos é tempo de sacrifício e jejum. O pai lá anda, na construção civil. Como mais ninguém queria trabalhar na noite de 24, foi, sozinho, pintar um café que está a ser remodelado, ao fundo da rua. Os dois irmãos mais novos ficaram em Priluki, lá longe, com a avó.
Irina aquece a sopa e arranja uma sandes de queijo. Como pesa o silêncio!
De repente, sente um grito abafado no andar de cima. Algum assalto? Alguém que caiu? Não sentiu passos nem o baque de uma queda...
Com o coração a bater, põe-se a espreitar pelo óculo. Nada!
— Acudam! Acudam!
Mais ninguém se encontra no prédio. As lojas do rés-do-chão estão fechadas, os vizinhos do primeiro andar foram de férias. Por cima, na mansarda, mora uma rapariga nova, gorda, pálida.
Irina abalança-se a subir. A porta encontra-se apenas encostada e a miúda entra, a medo. Já ninguém grita. Um gemido fraco ecoa ao fundo do corredor.
Haverá feridos? Tem horror ao sangue. Por um momento, pensa em voltar para trás. Mas prossegue, pé ante pé, até ao quarto.
Deitada na cama, a moça, que ela conhece de vista, geme, agarrada à barriga enorme. Irina aproxima-se, repara que está alagada em suor.
— Ladrão atacar tu? Estar doente?
Tremendo, a outra responde:
— Chama o 112. O bebé vai nascer.
Que será o 112? Estará ela a delirar? Quase desfalece.
Então Irina precipita-se pela escada abaixo. A rua encontra-se deserta. Não conhece ninguém nas redondezas. Corre até ao café onde o pai está a pintar paredes.
— Pai, pai! — grita ela.
Anton desce do escadote, pousa o rolo, inquieto ao ver a filha naquela aflição.
— Que foi? Aconteceu alguma desgraça?
Mal sabe o que se passa, marca um número no telemóvel, dá a morada, pede urgência. Segue-a em passo apressado. Sobre eles desaba uma chuva gelada. Ficam com os cabelos a escorrer, encharcam os sapatos nas poças que, num instante, se formam.
Chegados ao prédio, o ucraniano galga os degraus dois a dois, entra sozinho no quarto da vizinha. A filha fica à espera.
— Irina, ferve uma panela de água. Traz-me um frasco de álcool, uma tesoura, toalhas.
A miúda obedece, confusa.
— Traz-me roupa lavada, para me mudar!
O pintor despe o fato-macaco, sujo de tinta e de pó, na casa de banho, enfia uma camisa branca, umas calças desbotadas. Esfrega as mãos e a tesoura com álcool.
— Irina, a água já ferve?
De novo no quarto, fala pausadamente com a rapariga, em voz alta. Ouve-se tudo cá fora.
— Força! Coragem! Está quase...
De súbito ouve-se o choro de um bebé.
— Entra, Irina — diz, pouco depois, o pai. — Vem ajudar. Já és crescida.
Entrega-lhe o recém-nascido.
A rapariga, na cama desalinhada, sorri.
— Embrulha-o num xailinho. Está na gaveta do meio.
Irina aconchega aquele corpo tão pequenino e frágil. Embala-o devagarinho, como fazia com as bonecas. Uma minúscula mãozinha aperta então o seu polegar.
O alarme de uma ambulância apita. Pára à entrada do edifício. Duas enfermeiras precipitam-se pela porta dentro.
— Então, viram-se atrapalhados? Um parto faz sempre confusão, principalmente aos homens.
— Sou médico — confessa o ucraniano. — Mas, em Portugal, ando nas obras...
As enfermeiras cruzam um olhar subitamente triste. Examinam a criança.
— O bebé nasceu no dia de Natal. É o nosso Menino Jesus.
A mãe olha para o homem e pergunta:
— Como é que o doutor se chama?
— Anton.
— António? Quer ser o padrinho? Vou pôr-lhe o seu nome.
As enfermeiras levam a rapariga e o bebé para a ambulância.
— Vão dar um passeio até à maternidade. Estão ambos óptimos.
— Manhã nós visitar! — exclama a garota.
Já passa da meia-noite. Pai e filha descem até ao patamar do primeiro andar. Na escada nunca há luz. Felizmente a gente do 112 usa lanternas... Mas, logo que o pessoal da ambulância se afasta, a escuridão instala-se. Às apalpadelas, o pai mete a chave na fechadura. Tropeça num embrulho.
— Que será? — espanta-se ele. — Esta é uma noite de surpresas.
Sobre o tapete de cairo está um embrulho enfeitado com um laçarote cor-de-rosa. Traz um bilhete preso com fita-cola.
Para uma fada loura.
com amizade
A menina abre-o. É um conjunto de canetas de ponta de feltro.
— O Pai Natal português não se esqueceu de ti — ri-se o médico.
— O Afonso é a única pessoa que me trata por fada — replica a Irina, um bocadinho corada.
Corre para o dicionário, passando as páginas até à número 159 e exclama, radiante:
OЗНАКА — fada
Depois, pega numa folha de papel e desenha, a amarelo, uma estrela a brilhar, a brilhar, a brilhar.
Luísa Ducla Soares
Há sempre uma estrela no Natal
Porto, Civilização Editora, 2006

O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

10 dezembro 2009

Limpar o Concelho de Gois (II)

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Há um ano na Estónia a população conseguiu limpar o país num só dia.
As pessoas tiveram força de vontade, organizaram-se e a mobilização foi fenomenal!
Quem ficou a ganhar foi o país.




Agora em Portugal foi lançado o mesmo desafio: "Limpar Portugal" no dia 20 de Março de 2010.
Inscrevam-se e divulguem por favor: http://limparportugal.ning.com/ ou http://limparportugal.ning.com/group/gois
Para ter um país mais limpo, organizado e com menos incêndios!
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Sinais de Outono

Foto de A. Domingos Santos

A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA

. III – PRIMEIROS ANSEIOS - Estrada de Rolão – Colmeal, em alternativa da de Góis – Cebola - Encomendas postais - Médico, correio diário e fonte do Colmeal
PRIMEIRA OBRA: PONTE SOBRE O RIBEIRO DO SOITO Foi no próprio dia 12 de Março de 1933, em que os corpos gerentes tomaram posse, que a Direcção, eleita para o ano de 1933/34, realizou a sua primeira reunião, tendo a ela assistido o Presidente da Assembleia – Geral, Sr. Joaquim Francisco Neves. Da Direcção faziam parte: Manuel Nunes de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida e António Nunes Major. Nesta reunião foi apreciada a oferta, feita pelo Sr. José Henriques de Almeida, de uma fotografia do saudoso José Domingos, devotado regionalista e um dos sócios fundadores da colectividade, já falecido. Recebida uma carta do sócio nº 208, Manuel Martins Florindo, residente na Malhada, em que pede para serem preferidos operários desta povoação na arranca de cepas que a Junta de Freguesia do Colmeal vendeu aos clientes da Malhada. Este assunto, à primeira vista sem importância, motivou forte discussão, chegando-se a alvitrar a consulta a um advogado, no que foram dissuadidos pelo Sr. António Domingos Neves, que propôs, antes, oficiar-se à C. M. de Góis. É encarregado o Vice – Presidente da Direcção, Albano Gonçalves de Almeida, de proceder às primeiras diligências para a obtenção das encomendas postais. Foi nesta mesma altura, que se tomou conhecimento do pedido de demissão do Sr. Fortunato Joaquim de cobrador e membro da Delegação no Colmeal (foi substituído mais tarde, em 3-5-1933, por José Henriques de Almeida, do Soito). ESTRADA GÓIS – CEBOLA Em resultado das diligências encetadas pela anterior Direcção junto do M. O. P. (Ministério das Obras Públicas) para obtenção da estrada Góis – cebola, recebe-se uma resposta do general Teófilo da Trindade não dando esperança de ser dotada no próximo ano económico de 1934, em virtude de não se haver ainda procedido ao respectivo estudo. Em face desta informação (29-3-1933), foi resolvido estudar a maneira de se conseguir um ramal de estrada da Pampilhosa da Serra para o Colmeal, prevendo-se poder contar-se com o auxílio particular, da União, do Município de Góis e do Estado. Encarrega-se a Delegação de adquirir livros de leitura para oferecer aos alunos pobres que frequentam a escola e cujos pais não tenham posses para comprar. ENCOMENDAS POSTAIS Em 14-4-33, volta a oficiar-se à Administração – Geral dos Correios e ao Sr. Manuel Brás da Costa, do Colmeal, com vista à obtenção das encomendas postais. Nesta mesma data estuda-se a possibilidade de construção de uma ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, pedindo-se à Delegação o respectivo orçamento. Em 13-5-1933 decide-se oficiar à C. M. Góis pedindo a execução gratuita da planta desta obra, mas a resposta é negativa, por ser inteiramente impossível atender o pedido. Em face disto, resolve a Direcção construir-se a ponte mesmo sem planta, encarregando-se a Delegação de elaborar o respectivo caderno de encargos da obra, cujo orçamento era de 3.000$00. ASSISTÊNCIA MÉDICA Negativa foi também a resposta da C. M. Góis ao pedido formulado no sentido de o médico municipal dar consultas uma ou duas vezes por semana na freguesia do Colmeal, visto as receitas camarárias não o permitirem. No entanto é concedido aos pobres da freguesia o direito de poderem chamar o facultativo sem qualquer despesa. Estabelece-se a obrigatoriedade de os sócios possuírem o seu bilhete de identidade, para o que foi recebida a oferta de 100 destes cartões, bem como o timbre da União. Pelo 2º Secretário é estudada a nomeação de uma comissão de propaganda. Em 2-8-1933 a Delegação é incumbida de tirar as licenças para a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito, que sofre um pequeno atraso devido a dificuldades económicas no momento; mas, solucionadas estas, é em 24-8-33 enviada a verba de 1.000$00 para as primeiras despesas. Organizam-se os festejos do 2º aniversário da Colectividade, que culmina com um almoço de confraternização em 24-9-1933, tendo como convidados de honra os representantes dos jornais de Arganil. ESCOLAS Na reunião de 19-10-1933 é deliberado fazer-se uma exposição ao Sr. Ministro da Instrução Pública, solicitando a criação de escolas em Carvalhal e Ádela, pedido que virá a ser indeferido por não haver número de crianças em idade escolar conforme exige o disposto no parágrafo 1º do Art 1º do Decreto nº 20 281. FONTE EM COLMEAL É nesta altura que surge a ideia de se construir uma fonte no Colmeal, e para a angariação de fundos necessários é nomeada uma comissão composta por: António Nunes dos Reis, Abel Joaquim de Oliveira, José Antunes André, António Nunes Major, António Domingos Neves e Francisco Luís. Ao mesmo tempo e com o mesmo fim pede-se ao sócio Manuel Martins Júnior, residente em Philadelphia para nomear uma comissão local. Entretanto recebe-se a oferta dos trabalhos de serralharia do Sr. Manuel Braz das Neves para a colocação das tubagens da Fonte. Solicita-se à C. M. Góis a obtenção de cerca de 300 metros de canalização em tubo de ¼ para o chafariz de Ádela e faz-se uma exposição ao Sr. Administrador dos Correios e Telégrafos pedindo a distribuição diária do correio aos povos da freguesia; a resposta viria a ser dada mais tarde (22-3-34), com a informação de que o pedido foi a despacho. ESCOLA DA MALHADA Tendo-se em vista pedir à C. M. Góis (14-6-34) para interceder junto da Inspecção Escolar de Coimbra a criação da escola da Malhada, são nomeadas comissões para angariar fundos para a sua construção, sendo a de Lisboa constituída por: Abel Olivença Almeida, António Nunes Marques, Manuel dos Santos, Manuel Nunes de Almeida, Alberto de Almeida, Manuel Marques e António dos Santos Duarte. A da Malhada, por Manuel Martins de Almeida, José Luís Nunes, José Nunes, António Simões de Almeida e Manuel dos Santos. Em 11-1-1934, a Delegação notifica que a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito está concluída, mas só em 12-7-34 se oficia à C. M: Góis fazendo a sua entrega, depois de se ter completado o pagamento de 1.100$00 à Delegação (5-4-34) e 60$00 à Junta de Freguesia. É nesta data que se aceita o convite do Grémio da Comarca de Arganil para se fazer representar numa reunião com o Sr. Ministro das Obras Públicas acerca da estrada Góis - Cebola e à qual vieram a comparecer a Direcção, a mesa da Assembleia – Geral e o Conselho Fiscal. Decide-se em 22-3-34 ir junto do Sr. Administrador dos Correios e Telégrafos insistir mais uma vez pela obtenção da distribuição diária do correio, tendo-se obtido mais tarde (14-6-34) a resposta de que as possibilidades eram quase nulas, devido aos encargos que esse serviço trazia. Continuando a pugnar pela construção de um chafariz no Colmeal, é dirigido um ofício à C. M. Góis (5-4-34) pedindo o seu auxílio e a execução da respectiva planta. Com o mesmo fim, é sorteada uma máquina fotográfica, oferta do Sr. António Domingos Neves e escreveu-se à Junta de Freguesia e ao Grémio da Comarca de Arganil, que viria a contribuir com um donativo de 100$00. Em 17-5-34 oficia-se à Junta para pedir a consulta médica na freguesia do Colmeal. in Boletim “O Colmeal” Nº 124, de Fevereiro de 1974

Clube de Contadores de Histórias (XI)

D. Florinda
Tem setenta anos a D. Florinda. E num dia de cada mês há correspondência na sua caixa de correio. — Vem na hora certa — diz a D. Florinda, sorrindo para o gato que anda sempre atrás dela. D. Florinda veste roupa nova, penteia melhor o cabelo ralo, branco e curto. Calça os sapatos de pano e borracha, fecha a porta com muito cuidado, e mete a chave num saco bastante coçado. Truc, truc, truc... lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho do banco. Quando entra, entrega a carta ao empregado, e diz baixinho: — É a minha reforma! Recebe o dinheiro e, truc, truc, truc..., lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho da livraria do Zé. Depois de entrar percorre as estantes com o olhar. Demora-se, indecisa na escolha. E acaba por descobrir o livro, que paga e manda embrulhar. Outra vez na rua, truc, truc, truc..., lá vai ela a caminho da casa onde mora o Rodrigo, o seu neto. Toca à campainha, aparece o Rodrigo, e ela estende o embrulho e diz: — É para ti, rapaz. Mais um livro para a tua biblioteca!
António Mota Segredos Porto, Desabrochar Editorial, 1996
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

08 dezembro 2009

Município de Góis assinala Dia Internacional dos Direitos Humanos

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Na próxima quinta-feira, dia 10 de Dezembro, a Câmara Municipal de Góis vai associar-se às comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos. De acordo com um comunicado enviado ao RCA NOTICIAS, pelas 10h, vai decorrer a abertura de uma exposição de Pedro Pinto, no Posto de Turismo de Góis, e à noite, pelas 21h30, vai realizar-se um concerto pelo Ensemble de Saxofones do Conservatório de Música de Coimbra, na Casa do Povo de Vila Nova do Ceira. http://www.rcarganil.com

07 dezembro 2009

Alterações climáticas

Hoje, 56 jornais em 44 países dão o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum [sobre Copenhaga]. Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta uma terrível emergência. Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes. Nas publicações científicas, a questão já não é se a culpa é dos seres humanos, mas sim quão pouco tempo ainda nos sobra para conseguirmos limitar os danos. Mas, mesmo assim, até agora a resposta a nível mundial tem sido frouxa e sem grande convicção. As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre, e as nossas perspectivas de as limitarmos serão determinadas nas próximas duas semanas. Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos. A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos. Um aumento superior, na casa dos três ou quatro graus centígrados – a subida mais pequena que podemos realisticamente esperar se ficarmos pela inacção –, secaria os continentes, transformando terra arável em desertos. Metade de todas as espécies animais extinguir-se-ia, muitos milhões de pessoas ficariam desalojadas, nações inteiras afundar-se-iam no mar. A polémica sobre os e-mails de investigadores britânicos, sugerindo que eles terão tentado suprimir dados incómodos, tem agitado o ambiente mas não causou mossa na pilha de provas em que estas previsões se baseiam. Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido – progressos efectivos em direcção a um tal acordo apenas se poderiam iniciar com a chegada do Presidente Barack Obama à Casa Branca e a inversão de anos de obstrução por parte dos Estados Unidos. Mesmo hoje, o mundo vê-se à mercê da política interna norte-americana, pois o Presidente não se pode comprometer com as acções necessárias até o Congresso fazer o mesmo. Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.” No centro do acordo deverá constar um arranjo entre os países ricos e os países em desenvolvimento, determinando como serão divididos os encargos da luta contra as alterações climáticas – e como iremos partilhar um recurso novo e precioso: os milhões de milhões de toneladas de gases de carbono que podemos emitir antes que o mercúrio dos termómetros alcance níveis perigosos. As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990. Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis. Apesar de ambos não terem chegado tão longe quanto alguns esperavam, os recentes compromissos de objectivos de emissões de gases dos maiores poluidores do mundo – os Estados Unidos e a China – constituíram passos importantes na direcção certa. A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões. A arquitectura de um futuro tratado deve também ser definida – com um rigoroso acompanhamento multilateral, compensações justas pela protecção de florestas, e uma aceitável taxa de “emissões exportadas”, de modo que o peso possa ser partilhado mais equitativamente entre os que produzem produtos poluentes e os que os consomem. E a equidade requer também que a carga colocada sobre determinados países desenvolvidos tenha em conta a sua capacidade para a suportar: por exemplo, novos membros da União Europeia, muitas vezes mais pobres do que a “Velha Europa”, não devem sofrer mais do que os seus parceiros mais ricos. A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada. Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia. Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida. Os fluxos de capitais contam a sua própria história: em 2008, pela primeira vez foi investido mais dinheiro em formas de energia renováveis do que para produzir electricidade de combustíveis fósseis. Abandonar o nosso “vício de carbono” dentro de poucas décadas irá exigir um feito de engenharia e inovação que iguale qualquer outro da nossa História. Mas se a viagem de um homem à Lua ou a cisão do átomo nasceram do conflito e da competição, a “corrida do carbono” que se aproxima deverá ser norteada por um esforço de colaboração, de forma a alcançarmos a salvação colectiva. Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”. É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão. Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa. O PÚBLICO foi desafiado pelo jornal diário britânico The Guardian a participar neste projecto global. A ideia original de um editorial comum foi sugerida por várias pessoas envolvidas nas questões climáticas e tornada um projecto real por The Guardian. Foi com agrado que, ao longo dos dias, vimos o número de participantes crescer para 56 jornais de 44 países de todos os continentes. Aderimos por acreditarmos na urgência desta mensagem. LISTA DE JORNAIS: “Süddeutsche Zeitung” - Alemanha,“Gazeta Wyborcza” – Polónia,“Der Standard” - Áustria,“Delo” - Eslovénia,“Vecer” – Eslovénia,“Dagbladet Information” - Dinamarca,“Politiken” - Dinamarca,“Dagbladet” - Noruega,“The Guardian” – Reino Unido,“Le Monde” - França,“Liberation” - França,“La Reppublica” - Itália,“El Pais” - Espanha,“De Volkskrant” – Holanda,“Kathimerini” - Grécia,“Público” - Portugal,“Hurriyet” - Turquia,“Novaya Gazeta” - Rússia,“Irish Times” - Irlanda,“Le Temps” - Suíça, “Economic Observer” - China,“Southern Metropolitan” - China,“CommonWealth Magazine” - Taiwan,“Joongang Ilbo” - Coreia do Sul,“Tuoitre” - Vietname,“Brunei Times” - Brunei,“Jakarta Globe” - Indonésia,“Cambodia Daily” – Camboja,“The Hindu” - Índia,“The Daily Star” - Bangladesh,“The News” - Paquistão,“The Daily Times” - Paquistão,“Gulf News” - Dubai,“An Nahar” – Líbano,“Gulf Times” - Qatar,“Maariv” - Israel,“The Star” – Quénia,“Daily Monitor” - Uganda,“The New Vision” - Uganda,“Zimbabwe Independent” – Zimbabwe,“The New Times” - Ruanda,“The Citizen” - Tanzânia,“Al Shorouk” - Egipto,“Botswana Guardian” – Botswana,“Mail & Guardian” - África do Sul, “Business Day” - África do Sul, “Cape Argus” - África do Sul,“Toronto Star” - Canadá,“Miami Herald” – Estados Unidos,“El Nuevo Herald” – Estados Unidos, “Jamaica Observer” – Jamaica, “La Brujula Semanal” - Nicarágua,“El Universal” - México, “Zero Hora” - Brasil, “Diário Catarinense” - Brasil, “Diario Clarin” - Argentina
in jornal "Público" Nº 7188, de 7 de Dezembro de 2009

05 dezembro 2009

Lágrima

Foto da Internet

"RAIZES" AGORA EM ARGANIL

A exposição Raízes, de Josefina Almeida, encontra-se agora em Arganil. Foi inaugurada no passado dia 3 do corrente, com a presença sempre acolhedora e estimulante dos vereadores Drª Paula Diniz e Dr António Cardoso. A exposição integra dois núcleos igualmente imperdíveis: o da pintura, constituído por trinta e duas obras, que se encontra patente na sala Guilherme Filipe da Casa Municipal da Cultura; e o do bordado matiz sobre linho, constituído por vinte e duas, que poderá ser visitado no átrio da Câmara Municipal. Vale mesmo a pena visitar a exposição nas suas duas vertentes! Para desfrutar da poesia e da harmonia que emanam da espantosa sinfonia de cores e sons em que o pincel, a agulha e a alma da artista transformaram a paisagem, e os factos e artefactos que a marcaram, no presente já futuro e na infância que persiste. Na sala Guilherme Filipe, o visitante poderá mesmo sentar-se, e deixar-se apaziguar escutando o murmúrio repousante, mas também energizante, das raízes que prendem a artista à terra e à serra, impregnando-a da determinação e dos valores com que enraíza na vida e se devota aos outros. Josefina Almeida é natural de Açor, na freguesia do Colmeal. A exposição poderá ser visitada até 31 de Dezembro. Açor (Colmeal), 5 de Dezembro de 2009 Lisete de Matos

04 dezembro 2009

Quem quer "Limpar Góis"?

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Concelho de Góis aderiu ao Projecto "Limpar Portugal"
Mais de 3 dezenas de pessoas já responderam à iniciativa que se destina a reunir num só dia o maior número de voluntários para recolher o lixo das florestas e espaços verdes de Góis. À imagem do que fizeram muitos concelhos vizinhos, Góis também se associou ao Projecto Limpar Portugal. Inspirados numa iniciativa semelhante, realizada na Estónia, em 2008, que conseguiu limpar todas as suas florestas num só dia, Portugal foi um dos países que também resolveu implementar um projecto idêntico, e, neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível concretizar esta acção. A ideia é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que, no dia 20 de Março de 2010, procedam à limpeza da floresta Portuguesa. O projecto Limpar Portugal, é um movimento cívico que quer contribuir para a erradicação de lixeiras ilegais da floresta e espaços verdes, promovendo também a educação ambiental e conta apenas com o serviço de voluntariado não movimentando dinheiro. Tendo sido decidido, pela estrutura nacional, que a base do movimento são os grupos concelhios, em Góis foi realizada a primeira reunião, no passado dia 24 de Novembro, na Biblioteca Municipal, que teve a finalidade de apresentar o projecto e formar a equipa de trabalho, responsável por o implementar no concelho de Góis. Segundo informação do coordenador concelhio de Góis, António José Mourão, nesta primeira fase, a actividade prioritária deste movimento é conseguir a sua divulgação, mobilizando um número de voluntários significativo, afim de procederem à organização das actividades a realizar no concelho, nomeadamente, a identificação de lixeiras, divulgação nas escolas e nos locais públicos, promovendo também actividades de divulgação ambiental, entre outras. O projecto que foi apresentado pelo assessor da coordenação concelhia, Miguel Mourão, aceita a colaboração de todas as entidades e individuais que a ele se queiram associar e após a primeira reunião ficou já a contar com a colaboração de: Câmara Municipal de Góis, Junta de Freguesia de Góis, Junta de Freguesia do Colmeal, Grupo de Escoteiros de Góis, Lousitânea, Trans Serrano, Associação de Juventude de Góis, Construções Marta Ferreira Lda. e Irmãos Figueiredo - Actividades Hoteleiras, que disponibilizaram, de imediato, transporte e até mostrando-se disponíveis para encerrar a sua actividade no dia 20 de Março, destacando todos os funcionários da empresa para ajudarem nesta acção de limpeza. Da primeira reunião soube-se ainda que integram a equipa de coordenação concelhia de Góis: António José da Rita Mourão, Graciano Antunes Rodrigues, João Miguel Carvalho Mourão, José Manuel Cardoso Bandeira, Liliana Catarina Lote Temprilho, Maria Helena Pedruco Jorge Conceição, Sandra Maria Caldeira Marques, Sandra Maria Gonçalves Coelho, Susana Maria Marques Moita e Ricardo Jorge Alves Pinto. Sabe-se ainda que estes elementos já voltaram a reunir, na sede da Junta de Freguesia de Góis, para distribuição de tarefas. Em declarações ao nosso jornal, o coordenador concelhio, António Mourão, referiu que gostaria de poder contar com a participação de todos e acrescentou: "O movimento usa a Internet e as suas ferramentas como elo de ligação e informação, pelo que, os interessados podem consultar toda a informação em: http://www.limparportugal.org/ podendo registar-se no grupo de Góis em: http://limparportugal.ning.comi/group/gois" Ao momento da primeira reunião o grupo de Góis já contava com cerca de três dezenas de elementos e o principal objectivo é vir a contar com muitos mais.
In O Varzeense, 30/11/2009
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Cabreira

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Paragem obrigatória num dos recantos mais bonitos do concelho de Góis. A ponte, o rio, o lagar, as tulhas, um conjunto de encantos a visitar e a preservar. Fotos de A. Domingos Santos

Colmeal e seus problemas

Colmeal, a «pérola do Ceira» como lhe chamam, é uma linda aldeia serrana situada à beira do rio, numa das pregas das altas montanhas do «Cabeço do Gato». Colmeal, ao contrário de quase todas as aldeias serranas que tiveram o seu maior desenvolvimento nos séculos XVII, XVIII e XIX, é já uma aldeia bastante desenvolvida. Em 1558 figura já como sede de freguesia. Os meios de subsistência foram o milho, trigo, batatas e legumes sem faltar o azeite, vinho e mel. Os habitantes por cá viviam modestamente ligados à terra, mourejando de sol a sol, no cultivo e amanho das propriedades. Há cinquenta anos a esta parte a indústria e o comércio desenvolveram-se. Facilitou-se a vida do trabalhador nos meios urbanos, criaram-se novas exigências e o povo serrano encaminha-se para a cidade procurando meios de subsistência. Foram-se os pais, chamaram os filhos e com eles foi o resto da família. Muitas casas se fecharam, umas mais tarde restauradas com o dinheiro ganho na capital, outras caem aos poucos abandonadas pelos herdeiros. Actualmente a cifra de emigração do Colmeal é a seguinte: indivíduos naturais do Colmeal, em Lisboa, cerca de 306; no Brasil, 23; nos Estados Unidos, 15; na Venezuela, 10, etc. Colmeal, neste momento, sobretudo no Inverno, dá a impressão de uma colmeia quase vazia. A totalidade dos habitantes ausentes e presentes é de 487 ou sejam 152 fogos. Tem hoje apenas 161 habitantes ou sejam 56 fogos. Deste modo vemos que 96 fogos se encontram ausentes. A emigração continua à medida que os filhos da terra vão crescendo. Muitos destes emigrantes já estão desenraizados, isto é, não têm já intenção de regressar ao lugar de origem. Algumas famílias tendem a desaparecer porque os filhos casaram na cidade e na terra só se encontram os pais envelhecidos que ao desaparecerem deixarão fechadas as suas casas. As aldeias serranas lutam pela sobrevivência. Não há quem trabalhe nos campos. Já se vêem campos abandonados. Não há quem alugue terrenos. Esta é a situação actual do lugar do Colmeal, assim como de muitas aldeias serranas. in Boletim “O Colmeal” Nº 24, de 15 de Fevereiro de 1962 Arquivo da UPFC

02 dezembro 2009

Góis - Câmara aceita sugestões para orçamento

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"Não dar chocolate a quem precisa de pão"
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O resultado do convite do executivo é positivo, mas obriga a estabelecer prioridades. E a procurar fontes de financiamento. Só com o dinheiro da câmara "é impensável". O vice-presidente José Rodrigues e o vereador Mário Garcia deram início aos trabalhos na sala da Biblioteca Municipal, que encheu para um encontro "nunca visto". A ideia é manter o diálogo ao longo de quatro anos e "não só na altura das eleições e quando é necessário pedir votos", disse José Rodrigues. A proximidade está, assim, garantida, e as comissões de melhoramentos e demais instituições do concelho de Góis aproveitam para colocar as necessidades "em dia". A maior parte levou a "lição" por escrito, mas alguns aproveitaram o frente-a-frente com o poder local para pormenorizar. Lucília Simões deu o exemplo: na Portela de Góis, a escada ao fundo da aldeia, os buracos na estrada e a barreira nas traseiras da casa de convívio precisam de atenção. Pelo meio, um dos participantes constatou que a "câmara tem conhecimento dos problemas que davam para 10 orçamentos", mas um outro retorquiu que "é necessário começar por algum lado ". Do Colmeal, além do que falta por fazer por escrito, chegou o convite para a participação na iniciativa "Limpar Portugal", que alguém - bem humorado - questionou no "alcance". A resposta "desiludiu" o curioso cidadão - "são só as lixeiras…" - que pretendia uma "vassourada"… politicamente correcta. Depois, de Cerdeira de Góis, chegou o alerta para a desertificação das aldeias e para os problemas no abastecimento de água. Apesar de a autarquia garantir a qualidade do precioso líquido, muita boa gente recorre a fontes e poços sem controle. No que respeita aos idosos, pelo menos para idas ao médico, o transporte escolar é capaz de ser solução, garantindo uma vez por semana, no intervalo do transporte dos mais novos, as viagens ao centro de saúde. No Liboreiro, o problema do envelhecimento da "população é ainda mais grave: das 100 pessoas restam sete, pelo que o repovoamento é "urgente". As casas e os terrenos abandonados colocam problemas de segurança - incêndios - e sem a melhoria das condições, nomeadamente a alteração do PDM, o que permitiria construir em áreas até agora vedadas, "é impossível fixar jovens". Na lista das necessidades foram incluídas as obras nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Góis - aguardam o pagamento, pela RS, de mil euros pelos serviços de transporte de doentes -, na sede de concelho e em Alvares, saneamento, abastecimento de água em Vila Nova do Ceira, cujo pavilhão desportivo "está um perigo", a sede social do Góis Moto Clube, o campo de futebol - "sem condições para os atletas" -, e a sede da filarmónica "onde chove como na rua". À margem da apresentação do rol dos problemas ficou a recomendação: "não dar chocolate, enquanto alguns precisam de pão!". Lurdes Castanheira, presidente da Câmara de Góis, entendeu a "mensagem", mas sempre foi dizendo que "não podemos responder pelo passado". Mesmo assim, assegura, "vamos honrar as expectativas criadas", ainda que a capacidade financeira da autarquia obrigue a estabelecer prioridades, tendo o desenvolvimento e o aumento de qualidade de vida da população como objectivo. O pavilhão desportivo de Vila Nova do Ceira, a sede da Associação Educativa e Recreativa de Góis e o campo de futebol "são preocupações" de quem assumiu o poder "há 32 dias", acrescentando ainda a Casa Municipal da Cultura, as instalações dos bombeiros em Góis e Alvares e os Paços do Concelho, cuja falta de condições obrigou à distribuição de vários serviços por outros tantos edifícios. O Centro Escolar de Alvares, o abastecimento de água e saneamento em Vila Nova do Ceira, o Lar de Cadafaz e as acessibilidades estão igualmente nos planos de Lurdes Castanheira, que terá de "sair do gabinete muitas vezes" para assegurar os financiamentos necessários a tantas e variadas obras. Alguma verbas terão de "vir da Europa", já que só com o orçamento da Câmara "é impensável" colocar Góis no rumo certo. Mário Nicolau in Diário das Beiras, 30/11/2009
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30 novembro 2009

Flor no feminino

Foto de A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Trutas com batatas cozidas
- 12 Trutas
- 1 Cabeça de Alho
- 4 Folhas de Louro
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- 1 Ramo de Salsa
- 0,50 l de Vinho Branco
- 1 Limão
- Vinagre q.b.
- 1 Kg. de batatas Amanhe as trutas, de modo a ficarem bem limpas.
Depois disponha-as num tabuleiro e acrescente o alho e o limão, cortado às rodelas, as folhas de louro, o vinho branco e a salsa. Deixe marinar de um dia para o outro.
Posteriormente frite as trutas em azeite.
À parte descasque as batatas, corte-as ao meio e coza-as em água temperado com sal.
Após estarem todas as trutas prontas, frite igualmente, o alho que serviu para o tempero e quando este estiver concluído, acrescente um pouco de vinagre e deixe ferver bem.
Por fim, coloque o molho por cima das trutas e sirva-as com as batatas cozidas.
A receita apresentada (Trutas com batatas cozidas) foi disponibilizada por José Henriques, residente no Soito

Freguesia do Colmeal (História) X

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PASSADO – PRESENTE Capítulo X TERRA ERMA
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Depois do período romano, é de admitir que outros povos invasores da Ibéria, nomeadamente o Mouro (1), tivessem por aqui passado mais com o fim de exploração mineira – os cursos de água sempre foram uma tentação (2) que propriamente de se enraizarem, visto a ocupação árabe, ter sido feita principalmente por homens de guerra, em vez de famílias inteiras (3). Sobre o ponto de vista agrícola o árabe procurou terras mais ricas a sul do Mondego (Ribatejo, Alentejo e Algarve e muito em especial a Andaluzia) (4), cuja agricultura transformaram de alto a baixo. Na nossa região as perspectivas não seriam as mais agradáveis, nem melhores, tendo em consideração o acidentado do terreno (5) com inúmeras ravinas e aos socalcos. Foi pois efémera a passagem deste povo, ficando depois a região durante vários séculos, pura e simplesmente desabitada e erma (6) porque se assim não fosse não se tinha verificado ao tempo dos primeiros Donatários, o seu povoamento ou repovoamento e nem a futura freguesia do Colmial, nos apareceria três séculos volvidos, mais precisamente em 1527 (7) com tão irrisório número de habitantes. Das primeiras aldeias, caso do colueal, caraulhar do ssapo e Adella (8) esta última é a única que se presume tenha sido efectivamente habitada pelos árabes, tendo em conta não só a possível existência de ouro (9) como a sua raiz toponímica: «… seria Abderramão, mas pronunciava-se…, com a última breve, como se vê da forma francesa Abdérame, e a portuguesa e hespanhola de Abderrame ou Abderrahme, na crónicado mouro Rasis; … também soava Abdala ou Abdella, ou por assimilação do b ao d Adella, …» (10) ABDERRAMÃO – ABDALA – ABDELLA – ADELLA – ÁDELA. (1) O domínio árabe em Portugal, verificou-se desde 711 a 1249, mas em séculos anteriores já se tinha processado a norte do Mondego a reconquista cristã. (2) Vol. 3/4 – Arquivo Histórico de Góis, folh. 123. «Quanto ao ouro parece que abunda na região embora se não saiba ao certo de onde vem… arrastado pelas águas e areias do Ceira, depositando-se nas margens do rio…» (3) Vol I – História de Portugal – Prof. Damião Peres, folh. 422. (4) Vol VI – História Universal – Carl Grimberg, folh. 114 «… Ainda que toda a população da actual Península Ibérica não ultrapasse 40 milhões de habitantes, só a Andaluzia, no tempo do Califado contava 34milhões …». (5) História Topographica da Villa de Goes, folh. 67/68. «Colmeal… a sua agricultura é escassa por falta de terrenos susceptíveis de amanho…». (6) Vol. 3 / 4 – Arquivo Histórico de Góis, folh. 129. «Por quanto pela Doação da terra de Goes… e ao tempo della era a terra Erma, e despovoada e os primeiros Donatários a fizerão, romper e povoar, e crecendo Povoações…». (7) Gráfico publicado no Capítulo II. (8) Escrevia-se com dois eles. (9) Em 1968 foram feitos na C.M.G. dois registos para exploração de ouro, nos locais de Penedo Velho e Cova, ambos em Ádela («O Século» de 4-9-68). (10) Nomes árabes de terras portuguesas – David Lopes – folh. 53. As reticências substituem os caracteres árabes que figuram na obra citada. in Boletim “O Colmeal” Nº 109, Fevereiro de 1971

Clube de Contadores de Histórias (X)

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A Menina Gigante
Era uma vez uma jovem gigante. Vivia recolhida na orla da floresta porque tinha medo de assustar os homens. Certa vez, tinha encontrado uma senhora a apanhar cogumelos, que arregalou os olhos e fugiu a correr, cheia de medo. A jovem gigante ficava muitas vezes à janela de casa a pensar no que a mãe, uma mulher normal, lhe dissera: — Um gigante, ainda vá. Mas uma gigante? Vais ficar só na vida. Nenhuma rapariga vai querer-te como amiga porque o teu tamanho inspira medo. Nenhum rapaz vai apaixonar-se por ti. Os homens gostam que as mulheres olhem para eles de baixo para cima. Aconteceu que um guarda-florestal construiu a sua casa à beira da da menina, na orla da floresta, e olhava muitas vezes para ela, do outro lado. O rosto que surgia à janela do primeiro andar agradou-lhe. Numa manhã, antes de ir para a floresta, acenou-lhe com a mão. A gigante acenou-lhe timidamente e ficou a seguir o rapaz com o olhar, até ele desaparecer, pequenino, entre as árvores. “Se viesse agora alguém do meu tamanho!”, pensava ela. A partir daquele dia, antes de ir para o trabalho, o jovem guarda-florestal passou a trocar algumas palavras com a vizinha em cima, à janela. Pelos finais de Fevereiro, quando os dias começaram a crescer, ele ouviu falar de uma festa de Carnaval na cidade. “Vou perguntar à minha vizinha se quer vir comigo”, pensou ele. À noite, ao regressar do trabalho, não a encontrou à janela. Bateu à porta, mas ninguém abriu. Então, rodou a maçaneta. Da porta, olhou para o quarto e assustou-se. Estendida no chão, em cima de um colchão enorme, estava uma gigante a dormir. A sua cara era agora ainda mais bonita do que à janela. Um sorriso iluminava-a, talvez estivesse a ter algum sonho agradável. Sem fazer barulho para não acordar a gigante, o guarda-florestal fechou a porta e foi para casa. Devia guardar segredo a respeito do que presenciara. Na manhã seguinte, o rapaz parou debaixo da janela e gritou para cima: — Há uma festa de Carnaval na cidade. Não quer lá ir, vizinha? Talvez eu consiga reconhecê-la, mesmo disfarçada. Olhe que era divertido! — Oh! — balbuciou ela. — Carnaval? Não saberia de que havia de ir vestida! — No Carnaval tudo é possível — disse o guarda-florestal a rir. — De certeza que vai haver muitos duendes, fadas, bruxas, gigantes! A jovem pensou então: “ Esta é uma boa oportunidade para me misturar com as pessoas. Toda a gente vai pensar que eu estou mascarada de gigante. Ninguém vai assustar-se comigo.” Então, a jovem gigante foi à cidade e misturou-se com os mascarados. Sentiu-se bem no meio de tantas bruxas, ciganas, índios e anões. Muitas pessoas, principalmente crianças, paravam a olhar para ela admiradas. Uma menina pequenina exclamou: — Gosto de ti, gigante. Gostava de andar às tuas cavalitas no jardim zoológico e poder finalmente olhar a girafa de frente. A jovem gigante fechou os olhos por um momento e imaginou como seria estar com a menina e com a girafa. — E eu — exclamou um rapazinho — gostava de andar aos teus ombros no circo. No espectáculo de ontem tive de ficar sentado atrás e não vi quase nada! A gigante fechou os olhos por um momento e imaginou-se no circo com o menino. — Também eu ficaria contente se te tivesse — disse um adulto. — Algumas telhas na minha quinta estão partidas e a goteira está entupida. Não te seria nada difícil arranjar aquilo. A gigante fechou por momentos os olhos e imaginou-se a reparar o telhado do lavrador. Saber que as pessoas podiam precisar de alguém do seu tamanho deixava-a contente. De repente, um cochicho passou pela multidão e abriram lugar a um segundo gigante. Atravessou a ponte em direcção à jovem e agarrou-a pelas mãos. O gigante e a gigante dançaram juntos um gigantesco minuete. As pessoas batiam palmas. A gigante gostava de dançar. Finalmente podia olhar para uns olhos directamente à sua frente e não muito abaixo de si. Através da abertura da máscara, olhava para uns olhos maravilhosos, onde estavam reflectidos florestas, nuvens, o azul do céu. “Finalmente alguém do meu tamanho!”, pensava ela. “Não foi com isto que sonhei durante tanto tempo?” Uma espanhola mascarada esticou a mão e puxou a perna das calças do gigante. Queria saber se aquelas pernas compridas eram verdadeiras. O gigante começou a vacilar e um par de andas caiu ao chão. Viu-se então que ele não era um gigante mas um homem de tamanho normal. Por detrás da máscara deslocada, a jovem reconheceu o seu vizinho, o guarda-florestal. As lágrimas corriam-lhe pela face. — E tu? — perguntou uma das crianças à gigante. — Ao menos tu és a sério? A jovem limpou as lágrimas com as costas das mãos. A cólera e a tristeza davam-lhe coragem e gritou: — Todos têm de ficar a conhecer o meu segredo! Sim, sou uma gigante verdadeira! Moro sozinha na orla da floresta para não vos assustar! — fez uma pausa. Mas ninguém fugiu assustado. — A sério? Mas isso é óptimo! — disse um rapazinho. E olhava para ela cheio de admiração. O guarda-florestal, que, muito envergonhado, se afastara, aproximou-se da jovem e, cheio de coragem, disse-lhe: — Eu também quero libertar-me do meu segredo. Há já algum tempo que sei que és uma gigante. Mas, acaso isso é razão para não te amar? Também os meus amigos, as árvores, são grandes. Se quiseres, mostro-tas amanhã. No dia seguinte, o guarda-florestal e a jovem gigante passeavam pela floresta. E iam de mão dada!
Eveline Hasler Die Riesin München, Ellerman Verlag, 1996 (Tradução e adaptação)
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

24 novembro 2009

Festa de Natal

No próximo dia 13 de Dezembro, domingo, a União fará a habitual Festa de Natal para as crianças e para os mais idosos da freguesia. No Centro Paroquial Padre Anselmo, após a missa dominical, os mais pequenos irão receber as suas prendas no convívio que anualmente aqui tem lugar. Também os mais idosos e os restantes residentes se irão associar a estes momentos de fraternidade e partilhar do carinho que os dirigentes da União, ano após ano, lhes trazem com muita alegria e satisfação. Estamos certos que o Centro Paroquial se irá encher com o calor humano de todos aqueles que se quiserem juntar a nós em mais esta realização. A vossa presença é muito importante. Venham! Os nossos braços já estão abertos para vos receber. UPFC

Olá! Façam como eu...

Mexam-se! Façam exercício! Cuidem da alimentação! Vejam como eu estou elegante. É simples. Façam como eu.

A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA

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II – PRIMEIROS SUBSÍDIOS, PRIMEIRAS DELEGAÇÕES E PRIMEIRO ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO
Em 27 de Dezembro de 1931, reunia pela primeira vez a Direcção eleita na segunda Assembleia-Geral da Colectividade, tendo logo sido tomada a decisão de se enviar a quantia de 25$00 à Junta Administrativa da Freguesia do Colmeal para serem distribuídos pelos pobres mais necessitados da freguesia, e concedido um subsídio de 50$00 para a ponte do Sobral. A partir de 10 de Janeiro de 1932, a sede da União passou a funcionar na Travessa do Maldonado, 3 – 1º, em Lisboa. Em 14 de Fevereiro de 1932 era nomeada uma Comissão de Propaganda, constituída por Marcelino de Almeida, João Gonçalves, Alfredo Ferreira, Manuel Ferreira, Manuel Martins, Manuel Simões Júnior, João Mendes e António Domingos Neves. A fonte de Aldeia Velha e o calcetamento de uma rua no Carvalhal eram subsidiados com 50$00 cada, e a estrada que liga a povoação da malhada ao concelho da Pampilhosa da Serra com 200$00 (24-4-932). Solicitado o parecer da Junta de Freguesia de Celavisa sobre a estrada para o Colmeal passando pelo Mucilhão. Em 29 de Maio de 1932, deu-se um benefício ao sócio nº 64 no valor de 30$00, e foi nomeada a primeira Comissão Administrativa na Freguesia do Colmeal, que mais tarde se designaria por Delegação no Colmeal, constituída por Manuel Duarte de Almeida, Manuel Estêvão e Fortunato Joaquim. Subsidiada a estrada de Colmeal à Ribeira de Ádela com 150$00, arranjo de uma ponte para Carrimá com 50$00, para melhoramentos diversos em Ádela com 100$00 e para a ponte do Ribeiro do Soito com 50$00 (5-6-932). Foi nesta altura que foram mandados imprimir os primeiros 500 exemplares dos Estatutos da Colectividade, que custaram 250$00, e em 1 de Outubro faz-se o primeiro almoço de confraternização. Em 20 de Novembro de 1932 existiam já 212 sócios. Nascia a ideia de uma acção conjunta das colectividades para a obtenção da estrada do Vale do Ceira, que na ocasião se designava por estrada Góis – Cebola, e em 10 de Dezembro de 1932 apreciou-se um ofício da Liga de Melhoramentos de Cadafaz em que se sugeria para se oficializar às entidades competentes do Distrito de Coimbra, tomando-se então a resolução de se expor o assunto ao Sr. Governador Civil de Coimbra, Director das Estradas, à Câmara Municipal de Góis, à Junta de Freguesia do Colmeal e à Delegação, no sentido de se interessarem pelo estudo deste importante melhoramento. Mais um subsídio de 50$00 foi destinado aos pobres da freguesia, para ser distribuído no dia de Ano Bom de 1933. Um subsídio para melhorar a fonte do Sobral em particular e o abastecimento de águas em geral é solicitado pelo Tesoureiro José Henriques de Almeida, que pede a interferência da União junto das entidades competentes nesse sentido. Em 29 de Janeiro de 1933, a Direcção encarrega o Primeiro – Secretário de fazer o estudo do distintivo para a União. O cobrador António Domingos Neves pede a sua demissão e é substituído por Manuel Ferreira. A terceira Assembleia – Geral para eleição dos novos corpos gerentes é convocada para o dia 5 de Março de 1933, e a ela assistem 34 sócios. No auto de posse de 12 de Março de 1933 figuram os nomes de: Joaquim Francisco Neves, Abel Olivença de Almeida, António Martins, Manuel Francisco das Neves Fernandes, Manuel Ferreira de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida, António Nunes Major, Manuel Nunes de Almeida, Abel Joaquim de Oliveira, Joaquim Fontes de Almeida e Marcelino Antunes de Almeida. in Boletim “O Colmeal” Nº 121, de Novembro de 1973

19 novembro 2009

Folhas caídas

Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.
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Almeida Garrett - Janeiro de 1853
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Foto de A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Bucho
- 250gr. de Carne de lombo
- 250gr. de Carne de coelho
- 250gr. de Carne de cabrito
- 250gr. de Carne de frango
- 250gr. de Chouriço
- 250gr. de Salsichas
- 5 Ovos por bucho
- 500 gr. de arroz
- 3 Carcaças
- Sal q.b.
- 2 Cabeças de Alhos
- 2 Limões
- 1 Ramo de salsa
- 2 Cebolas Picadas
- 4 Colheres de Farinha
- 2/3 Buchos Coloque os buchos bem lavados, num recipiente durante cerca de 3 dias com alhos picados e sumo de limão, de modo a ficarem bem saborosos e limpos.
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À parte, corte a carne de lombo, coelho, cabrito e frango em bocados pequenos e coloque numa bacia grande. Acrescente o chouriço e as salsichas também cortados, o arroz, o pão migado, o sal, os alhos e as cebolas picados, o ramo de salsa e as colheres de farinha. .
Misture bem os ingredientes e deixe marinar durante 2 horas.
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Posteriormente encha os buchos, mas não exageradamente, com o preparado obtido, com cuidado para não rasgar o orifício e cosa, fechando-os na totalidade com uma linha forte. .
Coloque os buchos a cozer numa panela de pressão durante 1 hora, ou na sua impossibilidade, numa panela normal durante 2 horas.
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Antes de servir, coloque o bucho num tabuleiro e leve ao forno, para tostar um pouco. .
Por fim, corte às fatias e coma simples, ou acompanhe com arroz ou batatas conforme o gosto. .
A receita apresentada (bucho), foi disponibilizada por Artur Da Fonte, natural do Colmeal

UM ABRAÇO DE TORTULHOS

. Insistindo em partilhar a beleza e a diversidade com a que a serra nos presenteia, nutrindo o encanto que outras situações desencantam, saúdo-vos hoje com um abraço de tortulhos. É um abraço apenas terno e empírico, que não dispensa outras abordagens ao tema, inclusive porque os tortulhos podem ser perigosos.
Sendo cogumelos, os tortulhos, também designados de “tartulhos”, “tertulhos”, “fradelhos”, rapazinhos e cogumelos de chapéu, são como que a frutificação de fungos. Li algures que estão para o fungo que os produz como a maçã está para a macieira. Existem por toda a parte, preferindo os campos não cultivados mas ainda livres de ervaçais densos. A fartura com que aparecem acompanha, frequentemente, a abundância e a itinerância dos rebanhos. Percebe-se bem por quê! Uma vez que não possuem clorofila para transformar os nutrientes, espertos, os fungos tornam-se parasitas ou consumidores de matéria orgânica já processada! É o caso dos tortulhos, que fazem parte dos decompositores.
Os tortulhos de que estou a falar (e outros) são comestíveis, como se tem visto em vários programas de televisão ou pode constatar na internete. Mas o que os torna irresistivelmente atraentes e fascinantes para muitos, entre os quais me conto, é o mistério e a magia que os envolve, na fragilidade da sua composição feita de mais de 80% de água, na efemeridade da sua existência de pouco mais de uma semana e na variedade dos mimetismos com que se disfarçam.
“Como uma força”, no dizer da canção, irrompem da terra com as primeiras chuvas do Outono morno, por vezes indiferentes à presença de ervas e outros obstáculos que os sufocam e deformam. São contemporâneos dos medronhos, das castanhas e da miríade de outros cogumelos igualmente espantosos e sedutores.
Imitando o solo, mal se vêem quando começam a crescer portadores de masculino e feminino, lembrando pequenas serpentes, e falos, que evoluem até se transformarem em graciosos chapéus-de-sol, e chuva, que também podem ser vistos como seios e ventres bojudos de promessa. Esta transformação ocorre quando a calcinha se solta, libertando a copa do pé e expondo o seu interior feito das finas e delicadas lamelas brancas que produzem os esporos reprodutores.
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Depois de um ou dois dias de plena maturidade, os tortulhos começam a envelhecer. Aí, com a copa primeiro plana e, seguidamente, algo côncava, parecem chapéus-de-chuva virados pelo vento ou bailarinas de tutu. Continuando escamados, a sugerir a cada um o que a imaginação lhe ditar!
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Em pouco tempo, passam-se e tombam, para reaparecerem viçosos e pujantes no ano seguinte, se ninguém maltratar o fungo, e se as condições ambientes forem propicias.
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Por razões que se prendem com a estrutura em filamentosa dos fungos de que são produto, os tortulhos andam sempre aos pares, imitando, desta vez, os polícias e alguns vendedores de paraísos próximos ou distantes. Os pares podem encontrar-se a uma certa distância uns dos outros ou bem juntinhos, lembrando namorados felizes e pais extremosos. Até podem nascer em anos distintos, tudo dependendo do clima e dos nutrientes.
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Enfim, são simplesmente deslumbrantes e muito enigmáticos, os tortulhos e os fungos que os produzem! E úteis, pois enriquecem a biodiversidade, constituem um recurso multifacetado e contribuem para o equilíbrio ecológico, cada um desempenhando o papel para que a natureza o dotou. Pena que tantas espécies se encontrem ameaçadas de extinção. É o caso dos tortulhos, que os caprinos e ovinos já pouco ajudam a alimentar, e que os grandes ervaçais ou os pesticidas e herbicidas impedem de nascer. Entretanto, todos podemos contribuir para a sua preservação, não os destruindo gratuitamente, e colhendo-os de modo sustentado, isto é, sem os arrancar e só depois de bem abertos para terem tido a oportunidade de libertar os esporos reprodutores. E deixando sempre alguns “para a semente” … Por mim, prefiro continuar a observá-los, deliciando-me com a sua variedade, beleza e originalidade. Açor (Colmeal), 9 de Novembro de 2009. Lisete de Matos (Texto e Fotografia)