Até podemos dizer que “no meu tempo não era assim”… mas agora as condições climatéricas são outras, fruto da modernidade. Com a falta de um GPS talvez a chuva se tenha enganado na estação…
Fiz recentemente a pé um percurso que costumo fazer de carro, e só tinha feito a pé no Verão. Apesar do frio que me entorpecia os sentidos, dei comigo surpreendida a andar por um sítio desconhecido. Parecia a mesma estrada, com as bermas já a precisarem de ser limpas, os pedregulhos que ameaçam ruir de cima, as raízes e os buracos no asfalto que maltratam as viaturas e os viajantes. Mas alguma coisa transformava a paisagem e o ambiente, tornando-os mais acolhedores e aprazíveis. Era a água da chuva copiosa de dias antes que fazia uma cantoria encantante, jorrando de fragas luzidias, murmurando em riachos e barrocos, precipitando-se em cascatas apressadas e efémeras. Junto às povoações acontecia exactamente o mesmo, e era como se de um outro mundo se tratasse! Ou tempo, na observação da “Ti” Ricardina, que diz que este tem sido um Inverno à moda antiga!
Açor, Colmeal, 15 de Fevereiro de 2010
Lisete de Matos
Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.