18 maio 2009

Rancho Serra do Ceira

Realizou-se ontem, 17 de Maio, no salão da Junta de Freguesia do Colmeal, a Assembleia-Geral do Rancho Serra do Ceira, para a eleição dos Órgãos Sociais - biénio de 2009/2010. Antes da votação, foram admitidos e aprovados vários sócios e outros regularizaram a sua situação, procedendo ao pagamento de quotas em atraso. Fernando Santos e Elisabete Ascenção usaram da palavra para prestarem alguns esclarecimentos relacionados com o ressurgimento do Rancho Serra do Ceira e sobre a composição da lista. A sala estava repleta e os trinta associados votaram unanimemente na única lista que foi proposta para sufrágio. Ambiente descontraído e saudável neste passo que agora foi dado para que o Rancho volte a ter a aura de sucesso que granjeou em tempos passados. Há muito trabalho a desenvolver e são necessárias ajudas para a compra de vestuário, calçado e alguns instrumentos. Antes de terminar a sessão, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal que estava representada na sala por sete dos seus dirigentes, pela voz do seu presidente, felicitou os agora eleitos e reafirmou a disponibilidade da colectividade em apoiar o Serra do Ceira. Direcção: Fernando Manuel de Almeida Santos (Presidente), Elisabete Cristina Carneiro de Ascenção (Vice-Presidente), Manuel de Almeida Alexandre (Primeiro Secretário), António de Anunciação Duarte (Segundo Secretário), Fernando de Almeida Costa (Tesoureiro), Etelvina Fontes de Almeida (Vogal) e Maria Fernanda Custódio Antão (Vogal). Assembleia-Geral: António Jorge Henriques Almeida (Presidente), José Braz Victor (Primeiro Secretário) e Abel de Ascenção Marques (Segundo Secretário). Conselho Fiscal: Américo Gaspar Lopes de Almeida (Presidente), Lúcia Maria de Almeida Alexandre (Secretário) e Justino Geraldes (Relator). Todos os apoios não serão demais. Vamos ajudar o Rancho Serra do Ceira!
UPFC

Moinho da Quinta

Era assim... em Junho de 2005.
Foto cedida por A. Domingos Santos

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Mobilizar, liderar não é para todos!
Em 16 de Setembro de 1914 nasceu nu, descalço, como todo o ser humano. Mas, ao contrário de muitos jovens da sua geração, somente aos 18 anos soube o que era andar calçado. E, de seu, não possuía telha nem um palmo de terra para cultivar. Deus dá o frio conforme a roupa – diz o povo – e talvez por as suas vestes não serem as mais aconselháveis, em face das temperaturas rigorosas que no Inverno aqui se fazem sentir, ofereceram-lhe farda do exército, com galões e tudo… Praticamente, a partir daí perdeu o seu nome – Manuel de Almeida Neves – passando a ser tratado pelo epíteto de «Tenente». O «Tenente», queiram ou não, é uma figura típica do Colmeal, que admiramos pelos rios de suor que deixou ficar na Serra durante mais de duas dezenas de anos a conservar a «malvada» da estrada do Rolão. Não estamos a gozar, a entrar no campo do jocoso ou da ironia. Desafiamos, seja quem for, a tentar conservar uma via de terra batida, com 11 quilómetros de extensão, possuindo para o efeito somente o carro de mão, a pá, a enxada. Manter uma via de comunicação em condições de transitabilidade, como já estava provado no final da década de sessenta, não é trabalho para um só homem. Quando acabava de limpar os últimos quilómetros de valeta já os anteriores se encontravam entulhados e quando ensaibrava a metade do percurso o trabalho anterior estava degradado pelo trânsito de viaturas ou pela enxurrada. Recuando no tempo e mudando de tema: o Manuel de Almeida Neves, mais outros contemporâneos, foi assistir à festa da Malhada. Aí vendo actuar, pela primeira vez, uma filarmónica – a da Pampilhosa da Serra – logo se interrogou: porque não havemos de fazer a mesma coisa no Colmeal? Transmitida a ideia, isto em 1923, e como autêntico líder apenas com 9 anos, logo mobilizou a malta da sua idade, passando a «banda» a «ensaiar» na «casa da música», aos Chães. Como se calcula, os «instrumentos» eram rudimentares: pífaros, feitos de cana; os pratos, tampas de panelas; o saxofone, resultou da montagem de perna de candeeiro com um pedaço de cana e o bombo feito de arco de peneira e foles velhos. Na «banda» chegaram a actuar 14 figuras, desfilando pelas ruas da nossa aldeia, tocando o ti_ri_ti_ti. Tudo isto pode parecer anedótico, mas não o é. As coisas devem ser analisadas à luz da época (1923) e da idade dos promotores (8, 9, 10, 11 anos) que, talvez sem o saberem, ambicionavam para eles e para a sua terra formas de cultura que outros já possuíam. Os anos passaram, os miúdos tornaram-se homens e desandaram para Lisboa. No entanto, em 1933 o Manuel Neves, então já «Tenente», pressionado, voltou a reorganizar a «banda». Aos velhos «instrumentos», guardados religiosamente, juntaram-se algumas inovações: cornetas de barro e pífaros de lata. Nesta segunda fase 16 jovens chegaram a compor a «banda». Hoje que tanto se apregoa bairrismo, quem na nossa terra entre os que aqui vivem ou labutam na cidade, é capaz de mobilizar uma vintena de conterrâneos para darem o coirão ao manifesto, meterem ombros a qualquer empreendimento por modestíssimo que seja, como fez o «tenente» em 1923 e 1933? Quantos, quantos colmealenses têm esse poder de mobilização que possuía o então jovem «Tenente»? Nós não os vemos!
FERNANDO COSTA
In “O Varzeense” Nº 173, de 15 de Fevereiro de 1987 Do espólio de Fernando Costa

Colmeal

Foto de Mariana Bráz da Costa e Silva

Clube de Contadores de Histórias (II)

Já pensaste que…
Já alguma vez pensaste que é bom ter olhos para ver o mundo e ouvidos para ouvir os outros e boca para dizer tudo aquilo que dizemos e pernas para nos levar onde somos precisos e mãos para ajudar os que delas precisam e braços para estreitar os outros num abraço e ombros para que alguém neles recline a cabeça fatigada e cérebro para pensar em ajudar os outros e coração para sentir as coisas que nem sempre compreendemos imediatamente. Já alguma vez pensaste como tudo isto é maravilhoso?
Leif Kristianson Já pensaste que… Lisboa, Editorial Presença, 1981
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

13 maio 2009

Pedras antigas

Candosa. Janeiro de 2006.
Foto cedida por A. Domingos Santos

Se somos tão poucos…

O Rancho Folclórico Serra do Ceira, conforme o seu título indica, não representa uma freguesia, muito menos uma aldeia. O «Serra do Ceira», que nasceu de acção dinâmica do padre Dr. Manuel Pinto Caetano, antigo pároco das freguesias de Colmeal e Cadafaz, sempre teve por lema representar o folclore das Serras e Vale do Ceira, que se estende desde Fajão (Pampilhosa da Serra), Cepos (Arganil), até Vila Nova do Ceira, passando pelas freguesias de Colmeal e Cadafaz, do concelho de Góis. Após alguns contratempos, por vezes necessários a qualquer crise de crescimento, surgiu um tanto inesperadamente como director artístico José Álvaro de Almeida Domingos, um jovem de 22 anos, embora ligado ao agrupamento desde a sua fundação. No ano corrente, os convites não se fizeram esperar. A representação, por vezes brilhante, nos festivais de Viana do Castelo, Ribeira de Frades, Santo Tirso, Aldeia do Bispo (Sabugal), Martim de Freitas (Fafe), Góis, Matosinhos, Serpins e Pampilhosa do Botão, além das actuações nas festas e romarias das Meãs, Esporão, Colmeal, Cepos, etc., confirmam o alto nível do grupo, lídimo representante cultural do concelho de Góis, e o apreço em que é tido o folclore desta zona do distrito de Coimbra. Não fora as tremendas dificuldades económicas e o «Serra do Ceira» teria este ano o seu «baptismo» internacional. «As deslocações custam fortunas – diz-nos o Álvaro Domingos – e sem o apoio das chamadas entidades oficiais não temos a mínima hipótese de aceitar convites do estrangeiro, de países onde a presença de emigrantes portugueses é notória». O Álvaro Domingos, com a modéstia e o entusiasmo que todos lhe conhecemos e reconhecemos, não se cansa de falar do muito que tem aprendido, por esse país fora, ao conhecer outras regiões, contactar com outros povos e agrupamentos folclóricos, e foi-nos adiantando que os encargos previstos em orçamento para o ano corrente foram na ordem dos «800 contos», os quais, cobertos somente em parte com a efectivação de «leilões, excursões, publicidade, donativos, etc.», só seria possível saldar verificando-se «ajuda monetária do Governo Civil, Câmara Municipal e Ministério da Cultura». O director do «Serra do Ceira», que constantemente, sem discriminação de pessoas e entidades, «agradece o apoio dispensado no exercício da sua missão», enaltece «a familiaridade e amizade» existente entre todos os elementos do grupo – na ordem dos 35 – lança os seus apelos às agremiações regionalistas do Vale do Ceira e Casa Concelhia, «para ajudarem economicamente» a solver os problemas. O nosso interlocutor, com uma certa tristeza estampada no rosto e na forma de se expressar, lembra que «a falta de valores humanos, derivada do despovoamento das nossas aldeias, pela inexistência de condições de fixação para os jovens», era motivo mais que suficiente para os responsáveis – autarcas, regionalistas e não só – se unirem para ser viável a continuidade de um «rancho concelhio forte, coeso e digno», onde não existam divisões originadas no exterior, por bairrismo que o Álvaro Domingos classifica de «ciumento», mas a que chamamos doentio, por ser individualista. Do nosso diálogo, efectuado aos poucos e durante vários dias, ressalta ainda «o subsídio de 200 contos, concedido pela Câmara de Góis», e que o rancho apresenta «sempre danças e cantares da região» e, em função de novas pesquisas, foi ampliado «o reportório com a apresentação de Na Trincha da Saia, A Caminho da Castanheira e o Vira das Pancadas, melodias recolhidas em Cadafaz, Fajão e Cepos, respectivamente». Embora a música tradicional, tal como a clássica, a literatura e a arte em geral não mereçam os favores das últimas gerações, felizmente ainda há muitos jovens, entre os quais o «Alvarito» Domingos, que amam a música popular, o folclore. Desse amor ao folclore, às danças e cantares da região que lhe serviu de berço assumiu em «momento de crise» – disse – a presidência do «Serra do Ceira», que, com todas as suas consequências, assumirá «até ao fim do mandato». Ainda quisemos saber se o «Serra do Ceira» já tinha contratos para a próxima temporada, em que localidade do concelho de Góis se realizaria o próximo Festival de Folclore Beirão, mas foi-se escusando com «o futuro só a Deus pertence», endossando compromissos para a «futura direcção, que vier a sair da próxima assembleia-geral» – afirmou como que a encerrar o nosso já longo diálogo. Em face do mutismo do «Alvarito», como todos velhos e novos o tratamos, não aprofundámos a questão. Mas, tal como o nosso interlocutor, apelamos aos «homens bons», aos autarcas e regionalistas no sentido de apoiarem o «Serra do Ceira» e, automaticamente, o grupo manter-se forte e unido, continuando, como todos desejamos, a representar condignamente a região, concretamente o concelho de Góis. Na verdade, se somos tão poucos no concelho de Góis e aqueles que se dispõem a trabalhar e sacrificar por interesses comuns ainda menos, por que razão, directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente, se hão-de fomentar e apoiar cisões que não levam a lado nenhum? Os goienses, quer sejam naturais da sede concelhia, de Vila Nova do Ceira, Cadafaz ou Colmeal, certamente não desconhecem que só a «união faz a força». Vamos, pois, todos unir-nos em volta do Rancho Folclórico Serra do Ceira.
FERNANDO COSTA
In “A Comarca de Arganil” de 17 de Setembro de 1985 Espólio de Fernando Costa

Fajão

No vizinho concelho da Pampilhosa da Serra e a poucos quilómetros do Colmeal, uma aldeia que já foi vila. Vale a pena fazer-lhe uma visita e percorrê-la nas suas ruas. Fotos de A. Domingos Santos

11 maio 2009

Colmeal – A Caminhada é já no sábado

“Pelos trilhos do vento e da solidão” Vai ser já no próximo sábado, dia 16 de Maio, que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai realizar a sua caminhada “Pelos trilhos do vento e da solidão”. Como já foi informado o percurso terá cerca de 15 kms. O início está previsto para as 9 horas em Aldeia Velha, sendo que o transporte dos participantes está garantido desde o Colmeal. Para aqueles que se sentirem melhor preparados fisicamente e não desejarem utilizar o transporte, poderão começar o percurso no Largo D. Josefa às 8 horas, seguindo pelo Rossaio e Poesia até Aldeia Velha onde se juntarão aos restantes. Seguir-se-á a subida até à Selada da Eireira de onde se poderá contemplar uma paisagem espectacular. Depois, será a continuação até ao cruzamento com a estrada de Fajão, recentemente beneficiada. Após a entrada na Malhada e depois de uma pequena pausa, seguiremos pela Foz da Cova em direcção ao Soito. O troço final levar-nos-á até ao Parque de Merendas nas Seladas, no Colmeal. Dar a conhecer caminhos antigos aos que nos visitam e recordá-los aos que os conhecem e os calcorrearam noutros tempos, é o propósito da União Progressiva ao programar este tipo de actividades. Outros caminhos mais recentes como os que ligam as eólicas, face à sua localização, permitirão aos nossos olhos abarcar recantos e extraordinárias paisagens que a nossa freguesia tem para mostrar aos participantes. Vamos poder contar com a colaboração logística e entusiástica da Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais, Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais e Comissão de Melhoramentos do Soito. Os participantes vão aperceber-se de como as gentes da serra sabem receber e acarinhar os seus convidados. Também a Junta de Freguesia do Colmeal e Câmara Municipal de Góis mostraram desde o primeiro momento toda a disponibilidade para colaborar nesta nossa iniciativa. Estamos certos que este convívio servirá para fortalecer os laços e as relações existentes entre as colectividades congéneres e as entidades locais e concelhias. A caminhada terminará, como de costume, com um almoço de convívio no aprazível Parque de Merendas nas Seladas para os participantes e para todos os que queiram confraternizar e passar momentos agradáveis. Os nossos artesãos e produtores irão estar presentes com os seus produtos regionais. Se o tempo não quiser colaborar connosco teremos que optar por uma alternativa, que poderá muito bem ser, a antiga escola primária. Recordamos algumas das recomendações já feitas para que se sinta à vontade durante a caminhada – roupas leves e confortáveis e uma cobertura para a cabeça. O calçado, sendo a peça mais importante, se possível deverá ser maleável, leve, resistente, confortável e com boa aderência em todos os pisos. Não esquecer levar uma garrafa com água e uma máquina fotográfica. Uns binóculos, pela imensidão de paisagem que estará ao nosso dispor, não serão demais. A inscrição poderá ser feita junto de qualquer elemento da União no Colmeal – José Álvaro, Bela e Catarina (235 761 490), Belmira Fontes (235 761 438) ou Manuel Martins dos Santos (235 761 395). Poderá igualmente utilizar o nosso endereço upfcolmeal@netcabo.pt ou os telefones 96 2372866 (António Santos) ou 93 8663279 (Artur da Fonte). O valor de inscrição – cinco euros – é apenas simbólico e inclui o almoço de convívio. Venha connosco. Não esqueça a máquina e a boa disposição. Mas venha! UPFC

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Aletria
250 gr. de massa de Aletria 0,50 L. de água 0,50 L. de leite 1 Casca de Limão 250 gr. de Açúcar
2 Ovos Leve a água a ferver e adicione a massa. Deixe cozinhar por 10 minutos.
Após estar cozida, escorra a massa e reserve.
À parte, leve ao lume o leite e quando este estiver a ferver, coloque a aletria, a casca de limão e o açúcar.
Mexa bem e deixe cozinhar em lume brando, até estar ao seu gosto.
À parte, mexa os ovos e coloque um pouco de leite.
Acrescente ao preparado da aletria, já fora do lume.
Elimine a casca de limão.
Disponha a aletria em pratos ou numa travessa e sirva-a decorada com canela, a seu gosto.
Arroz Doce
1 Chávena de arroz
1 Chávena de açúcar
1 Casca de Limão
4 dl. de água Num tacho, disponha o arroz e a água.
Leve ao lume e deixe ferver, em lume brando e quando o arroz estiver cozido, acrescente a casca de limão e o açúcar e envolva bem.
Elimine a casca de limão e deixe arrefecer um pouco.
Distribua o Arroz Doce por pratos ou travessa e decore com canela a seu gosto. As receitas apresentadas (Aletria e Arroz Doce) foram disponibilizadas por uma residente do Colmeal, que preferiu manter o anonimato

Estrela... ali tão perto

Com boa visibilidade chegamos à conclusão que a serra da Estrela afinal não fica assim tão longe. E fica bonita vestida com o seu manto branco (Dezembro de 2003). A estrada Rolão-Colmeal consegue perceber-se no seu traçado que demorou anos e anos para concluir. Foto cedida por A. Domingos Santos

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Teatro – tema de ontem, de hoje, de amanhã… de sempre!
Já lá vão três anos em que, pela primeira vez, se realizou na nossa terra uma peça teatral. Desde então, poderíamos dizer que se tornou imprescindível. O povo gostou, aplaudiu e disse sim à boa vontade da juventude colmealense. O povo compreendeu que alguma coisa de útil existia naquilo que os jovens faziam. O povo habituou-se a ver «algo de novo», e, agora, quase juraríamos que se sentiria triste se, na festa deste ano, em honra do Senhor da Amargura, não fosse incluída a habitual peça teatral. No primeiro ano, em que se fez teatro no Colmeal, foram à cena duas peças, além das variedades. Duas peças pequenas, mas que marcaram um bom início, que esperamos ver prolongar-se por muito tempo como tudo o indica. Duas peças pequenas, não restam dúvidas, mas pequenas apenas em tempo, porque o seu conteúdo, o seu valor, o seu significado, eram bem grandes. Foram interpretadas por alguns jovens, que empregaram todo o seu esforço, tudo o que sabiam, para que se conseguisse algo de bom e positivo. E, neste aspecto, estão de parabéns, porque, na realidade, isso foi conseguido: - as peças saíram até com um «certo sabor profissional». Segundo o velho ditado, «a união faz a força». Daí todo o mundo saber que não restam dúvidas quanto ao êxito, pois viu-se que, no ano imediato, ou seja em 1971, essa obra continuou, contribuindo até para uma maior e melhor união da nossa juventude, uma maior amizade e até uma maior camaradagem, camaradagem essa que, aliada à boa vontade, colaboração mútua, desejo e ansiedade por fazer algo de útil se desenvolveu, se multiplicou. Assim, verificando-se que o teatro é uma forma de instruir e recrear o nosso povo e tornar cada vez mais conhecida a nossa terra – para assistirem aos espectáculos já se deslocam ao Colmeal de outras terras da freguesia – a juventude colmealense, no ano anterior, concretizou mais uma vez um serão recreativo. E de tal maneira que o apresentou em três noites consecutivas, sempre com a lotação esgotada. Colaboraram todos da melhor vontade. O nosso recordado Amigo Anselmo e o Ivo como ensaiadores. Interpretaram: «Guilai», Antonieta, António, Helena, Fernando, Pinto, Noémia, João Manuel, Paula e Ana Maria, na farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. No mesmo serão, tivemos como apresentadora, a Aurora. E ainda uma peça cómica «Um doente sem doença», desempenhada pelo Ivo e Pedro Freire, sendo este substituído pelo Anselmo na última apresentação. A Maria do Carmo e a Idalina Freire, acompanhadas à guitarra pelo Sr. Eng. Fontes, preencheram a parte de variedades, que constou de apetecido e castiço fado, interpretado a primor por estas duas senhoras da nossa terra. O público que o diga, na medida em que não se cansou de as ouvir e aplaudir. Já lá vão três anos que, no Colmeal, e praticamente de improviso, se deram os «primeiros passos» ao levarem-se à cena peças teatrais; e, hoje, podemos afirmar que o entusiasmo progride no espírito dos jovens da nossa aldeia, criando-se até um grupo de amizade, intitulado «Comissão de Juventude», que, com a devida antecedência está a estudar novas peças para serem apresentadas em Agosto deste ano. Para vós, juventude da freguesia do Colmeal, parabéns, pois! E continuem assim, exemplares de um franco, alegre e são convívio.
G e T
In “Correio da Serra”, de 1 de Março de 1973 Do espólio de Fernando Costa

Flores na serra

Foto de Mariana Braz da Costa e Silva

07 maio 2009

Rancho Serra do Ceira - Convocatória Assembleia-Geral

(clicar na imagem para ampliar)
O Rancho Serra do Ceira precisa da presença de todos nesta reunião. É imprescindível criar estruturas e organização. O Colmeal e as restantes aldeias da freguesia têm pessoas válidas que não se deverão afastar nos momentos cruciais e que poderão ajudar a consolidar o ressurgimento do Serra do Ceira. Manuel Pinto Caetano merece, no mínimo, que os Colmealenses dêem as mãos e ponham de novo o Rancho que ele criou com tanto amor e carinho, a funcionar com regularidade. Unidade, solidariedade e entusiasmo são indispensáveis neste momento. Nem tudo será perfeito nos primeiros tempos, mas todos temos consciência disso. É imperioso trabalhar porque muito há para fazer. As colectividades da freguesia e as forças vivas do concelho certamente não deixarão de apoiar esta vontade de colocar de novo a funcionar uma manifestação artística tão genuína da região. FORÇA!!!

Cravelho

Foto de A. Domingos Santos

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Um símbolo do regionalismo adelense
A actividade desenvolvida por uma agremiação é, bem o sabemos, um trabalho de grupo, de uma direcção. Mas, também não tenhamos dúvidas, entre esse grupo terá sempre de haver alguém a marcar o ritmo, a dirigir os trabalhos, as acções. E, por esses factores, embora não sendo essas as intenções, torna-se na figura mais notada em relação aos seus pares. Neste caso e sem melindrar ninguém, essa notoriedade foi, naturalmente maior para uns e menor para outros dirigentes e, também, naturalmente aqui se concede prioridade àqueles que, mercê de uma certa devoção à causa regionalista, à solução dos problemas existentes na terra que lhes serviu de berço, alcançaram maior destaque. Depois deste intróito, dedicado a um «velho» regionalista, reconhecemos que alinhavar uma crónica sobre um conterrâneo, antigo dirigente da agremiação que, dentro da sua maneira de ver e estar na vida, simultaneamente é amante do sossego e do anonimato, não é tarefa fácil. Porém, esse conterrâneo, com quem logicamente e em questões comunitárias as nossas opiniões nem sempre coincidiram (e esta é uma delas), não podemos continuar a respeitar a sua modéstia, isto sem lhe faltarmos ao respeito. Era suficiente dizer-se que há uns bons 40 anos serve a sua colectividade, a sua povoação, a nossa freguesia. Como dirigente, foi homem para todo o serviço, um autêntico serviçal, tantas vezes e infelizmente mal agradecido, pelos conterrâneos. Os elementos biográficos, extra dirigente, não são muitos. Porém, rebuscando velhos papéis, informações recolhidas ao longo dos anos, ora aqui ora além, sabemos que após cumprido o serviço militar rumou para a capital em fins de 1939, entrando ao serviço das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (hoje EDP), da qual foi reformado por limite de idade. Em Setembro de 1941, quando da Segunda Guerra Mundial, foi mobilizado para Cabo Verde (Sal) e aí serviu a Pátria até 1943. Há quatro décadas captado para o Regionalismo, o vem servindo nos mais variados cargos e missões, incluindo o de cobrador da Comissão de Melhoramentos de Ádela, simpática povoação da freguesia do Colmeal, termo do concelho de Góis. Vamos entrar no nono parágrafo, escrevemos já algumas dezenas de palavras e bem contra nossa vontade não podemos deixar nas entrelinhas o seu nome: MANUEL SIMÕES NUNES, que, com cerca de 70 anos, ainda muito tem a oferecer à sua colectividade e terra. Manuel Simões, «velho» camarada das lides regionalistas, continua a dizer-se que as homenagens são sempre contra alguém. Ora bem, não estamos contra ninguém, muito menos a homenagear a sua pessoa. Pretendemos, disso não haja a menor dúvida, realçar, louvar esse seu amor passado e presente a essa mística tipicamente serrana chamada REGIONALISMO. Que continue por muitos e bons anos, são os nossos votos.
FERNANDO COSTA
In “O Varzeense”, Abril de 1987 Do espólio de Fernando Costa

Diploma

Há sessenta anos eram assim os Diplomas obtidos quando se terminava a instrução primária - 4ª classe ou segundo grau da instrução primária, que actualmente corresponde ao quarto ano de escolaridade. Recordamos hoje o Diploma de Fernando Henriques da Costa, passado em 22 de Julho de 1949. Do espólio de Fernando Costa

05 maio 2009

Viagem da U. P. F. Colmeal a Santiago de Compostela

A União fez o seu passeio a Santiago de Compostela, conforme tinha vindo a anunciar. Um fim-de-semana espectacular com um tempo maravilhoso. Dois autocarros foram rolando estrada fora recolhendo em Coimbra os associados que se deslocaram desde o Colmeal. Passado que foi o rio Douro o Minho ficava cada vez mais perto.
Viana do Castelo vista lá do alto de Santa Luzia, do seu Santuário imponente. O recorte da sua costa, uma praia a perder de vista, o seu porto e o rio Lima a beijar o oceano. Uma das mais belas paisagens da região norte do país.
A chegada a Santiago de Compostela, declarada pela Unesco como Cidade Património da Humanidade. Depois foi a visita a pé pelo centro histórico, Praça Obradoiro, Hostal dos Reis Católicos e Catedral.
Um almoço especial de mariscada em Grove, localidade muito interessante e onde o peixe e o marisco não faltam. E os turistas também não.
A seguir ao almoço foi feita uma visita ao Mosteiro de Poyo que alberga a biblioteca histórica mais importante da Galiza.
O Parque Natural em Cotorredondo foi paragem obrigatória para que se pudessem apreciar, numa vista espectacular, as rias de Arosa, Vigo e Pontevedra.
Depois da manhã a visitar a cidade de Vigo rumou-se a Ponte de Lima onde se viu um pouco do colorido e rico folclore minhoto.
O almoço de despedida em Santa Marta de Portuzelo, em ambiente de franco convívio. Depois, seria inevitavelmente o caminho de regresso.
O dia e o fim-de-semana estavam a chegar ao fim. Venha já a próxima realização! UPFC

União - 50 anos

(clicar na imagem para ampliar)
O Jornal de Arganil noticiava assim na sua edição de 11 de Junho de 1981 a emissão de uma medalha comemorativa dos cinquenta anos da União Progressiva da Freguesia do Colmeal e como refere a notícia, «após concurso realizado para o efeito...». E nós acrescentamos, "ganho com um trabalho de autoria de Fernando Costa". O rio Ceira desliza no seu leito por entre as aldeias localizadas de um lado (Ádela, Açor, Colmeal e Sobral) e de outro (Malhada, Soito, Aldeia velha e Carvalhal). A abelha e o favo simbolizam o nome dado à aldeia. UPFC

Clube de Contadores de Histórias (I)

A pedra no caminho
Conta-se a lenda de um rei que viveu há muitos anos num país para lá dos mares. Era muito sábio e não poupava esforços para inculcar bons hábitos nos seus súbditos. Frequentemente, fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo se destinava a ensinar o povo a ser trabalhador e prudente. — Nada de bom pode vir a uma nação — dizia ele — cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos problemas por conta própria. Uma noite, enquanto todos dormiam, pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia. Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para a moagem. — Onde já se viu tamanho descuido? — disse ele contrariado, enquanto desviava a sua parelha e contornava a pedra. — Por que motivo esses preguiçosos não mandam retirar a pedra da estrada? E continuou a reclamar sobre a inutilidade dos outros, sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra. Logo depois surgiu a cantar um jovem soldado. A longa pluma do seu quépi ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia-lhe à cintura. Ele pensava na extraordinária coragem que revelaria na guerra. O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam deixado uma pedra enorme na estrada. Também ele se afastou então, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra. Assim correu o dia. Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém lhe tocava. Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andara ocupada no moinho. Mas disse consigo própria: "Já está quase a escurecer e de noite, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho." E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: "Esta caixa pertence a quem retirar a pedra." Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro. A filha do moleiro foi para casa com o coração cheio de alegria. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local onde se encontrava a pedra. Revolveram com os pés o pó da estrada, na esperança de encontrarem um pedaço de ouro. — Meus amigos — disse o rei — com frequência encontramos obstáculos e fardos no nosso caminho. Podemos, se assim preferirmos, reclamar alto e bom som enquanto nos desviamos deles, ou podemos retirá-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça. Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, dando delicadamente as boas-noites, retirou-se.
William J. Bennett O Livro das Virtudes II Editora Nova Fronteira, 1996 (adaptação)
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

Forno

Só os mais antigos se lembram. Actualmente são muito poucos os fornos comunitários ou particulares que ainda existem na nossa freguesia ou até no concelho. Foto cedida por A. Domingos Santos

30 abril 2009

Santiago de Compostela

O dia da partida está a chegar. Sexta-feira é já a seguir... Vão ser três dias espectaculares. Depois contamos-lhe um pouco do que foi a nossa viagem e mostramos-lhe as fotografias. E sabemos que vai ter pena por não ter ido connosco. Mas a culpa não foi nossa...
UPFC

Casario

Foto de Dezembro de 2003. Hoje já não seria bem assim. Foto cedida por A. Domingos Santos

Caminhada

Como já anunciámos, a nossa caminhada vai ser realizada no sábado dia 16 de Maio. Estamos confiantes que a sua preparação física está a ser feita segundo os critérios seguidos para a "alta competição"... sim, porque parte do trajecto é efectuado lá nos "altos da serra". Não se esqueça que temos transporte para o levar até à aldeia mais alta do concelho - Aldeia Velha, onde a Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais está à nossa espera. E depois, vai ficar extasiado com a beleza que os nossos trilhos lhe vão proporcionar. E ficará também agradado com o modo como as Comissões de Melhoramentos de Malhada e Casais e do Soito nos irão receber. Por agora, ficamos por aqui. Ainda pode enviar a sugestão com o nome para esta caminhada e não esqueça de se inscrever. UPFC

Limpeza de terrenos - "Chão de Baixo"

Fazendas perto do "Cortinhal "- (Parte debaixo na Escola Primária)

Foto cedida por António Marques de Almeida

28 abril 2009

SERÕES E RECORDAÇÕES

Uma História sem histórias...ou...Com muitas Histórias... ORA AGORA, CONTAS TU ... ORA AGORA, CONTO EU Ora agora contas tu...contas tu mais eu ! E assim começavam alguns serões na nossa casa. Era, pela certa, no Outono ou no Inverno, porque nos lembramos de cada um de nós ter à sua frente uma tigela com castanhas cozidas - – “Que cheirinho aquele, o das castanhas cozidas, naquela altura ! Nunca mais o conseguimos sentir! Impossível ! Há momentos que não se repetem”- Os nossos Avós, os nossos Pais, às vezes outros Familiares encontravam-se sentados à volta da mesa da Sala de Jantar, e nós... claro – sentadinhas no chão, mas tão confortáveis, a escutar ávidamente as conversas dos adultos, o que naquela época (há mais de meio século) constituia, por si só, enorme privilégio. “Ora agora contas tu...ora agora conto eu” – dizia o nosso Avô. Parecia ser o sinal combinado para dar início a mais um serão, em que o mote principal era a narrativa de histórias e lendas contadas pelos nossos Avós. Parecia até um “desafio” secreto entre ambos. Cada um queria contar a história mais interessante, mais divertida, mais original. E nós não queríamos perder “pitada”. Hoje em dia, daríamos talvez o nome de “concurso”, “tertúlias”,etc. a estes momentos. Na época, eram tão sómente momentos onde reinava a Paz e Harmonia de um bom ambiente familiar. Mas havia divertimento também, mesmo grande divertimento, juramos. Perguntamos : “No século XXI , são raros momentos como estes?” : - Sem televisão ( sem Séries para ver – “1ª temporada”, “2ª temporada”...), sem DVD (com muitos filmes novos...), sem Computador (“não vi ainda os mails todos”, “falta-me fazer esta pesquisa e mais esta no Google”, “falta-me ver este blog e mais este, e mais este, sem faltar o Blog da UPFC, claro”), sem SMS a tocar.... (“um jantar fora”, “uma tertúlia”); - As Tertúlias continuam, e as histórias continuam também, claro. Mas...falta-lhes aquele Sabor... Apetece-nos aqui falar de alguns Jovens Colmealenses (hoje na “casa”dos 60 anos, mais ano menos ano !!!) - que passavam Serões no Colmeal, nas “Férias Grandes”, nos Verões dos belos anos 60 / 70, simplesmente a conversar – aí eram Tertúlias. Às vezes dançavam ao ar livre, no então chamado Largo da Fonte - com a Lua Cheia, nas noites quentes do mês de Agosto, observando lá do Alto, sorrindo com o seu olhar de Diversão e Protecção - ao som de um “gira-discos” portátil. Sem electricidade, sim,mas... à luz, bem fluorescente, de um candeeiro “Petromax” (recordam-se certamente!). Lembramos também as respectivas mães que, em simultâneo aproveitavam para se “encontrar” no dito “Largo da Fonte”, ou que simplesmente se distraíam, olhando das suas janelas e observando os seus filhos/as bailando (aos sons de “Bee Gees”, “Beatles”, “Tom Jones”,etc ), e à meia-noite, decidiam chamar as filhas/os de retorno a casa. Também lembramos Serões a jogar cartas – jogos de cartas simples, atenção – puro entretenimento.Outros Serões ainda - esses viriam a ficar famosos : “Os Serões de Teatro” ( já no princípio dos anos 70), que tinham lugar no Centro Paroquial. Todos terão presente: - os grandes talentos, então descobertos, - o alegre convívio entre o público, entre os “actores”, - o empenhamento da Juventude Colmealense, pela primeira vez, em Palco, - o trabalho árduo dos Encenadores, enfim de toda a equipa que pôs a funcionar, pela primeira vez, o “TEATRO NO COLMEAL”. Já algumas fotos foram publicadas no Blog da UPFC, desses Serões Maravilhosos que a todos deixaram Recordações para toda a vida.
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E...voltamos aos Serões dos nossos Avós...”as conversas são como as cerejas”. ( Hoje, o texto vai longo, uma história fica para mais tarde.) Aproveitamos para fazer aqui um “apelo”, se assim lhe quiserem chamar : - alguns Serões dos nossos Avós acabavam com histórias, narrativas, contos sobre o
JUÍZ DE FAJÃO
Não conseguimos recordar nem uma. Envolviam talvez querelas demasiado complicadas para a nossa idade, na altura. Mas, não esquecemos nunca que os nossos Avós mencionavam o referido Juíz, como uma Pessoa de Bem, óbviamente, possuidora de muito bom humor. Haverá alguém, oriundo de Fajão, que tenha conhecimento sobre os Julgamentos do dito Juíz? E... que nos queira contar? Temos intenção de visitar Fajão e pesquisar também.
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Abraços das Amigas Ana, Badana, Rabeca, Susana
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P.S. – Sabemos da próxima Viagem da União a Santiago de Compostela. Enviamos votos de uma Santa Viagem. Ninguém como os Peregrinos, para contar Histórias Maravilhosas...

Memória do passado

Até quando conseguirá resistir?...

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Progresso, progresso e só progresso: Tema dominante da Juventude Colmealense Numa época, em que o progresso é o problema dominante de todas as conversas, e em que se procura levar aos pequenos meios o significado da palavra «progresso», porque não tentarmos fazer progresso, dando ideias novas, e não nos limitarmos a dizer que ele existe ou deixa de existir? Se vivemos na convicção de que as condições de existência da nossa época conferem aos problemas, quaisquer que eles sejam, dimensões que ultrapassam, muitas vezes, o meio restrito a que dizem respeito, para os projectar, com todas as consequências, nos mais variados ambientes da região, senão até um pouco mais longe, parece lógico não nos conformarmos só com ideias. Se bem temos visto é assim, por exemplo, que devemos falar do Colmeal, simpática e conhecida povoação serrana, rica em belezas naturais, com o grande atractivo do rio Ceira, que corre lá no fundo do Vale, deixando atrás de si belos sons melancólicos que se soltam da ingenuidade das suas águas. Ao falarmos desta terra verde, que tivemos oportunidade de conhecer, em virtude da propaganda que os seus filhos dela fazem, reparámos exactamente que o seu rio, além da beleza que empresta à povoação, constitui um agradável e sonhador local para banho, que ele proporciona aos visitantes e à juventude que ali se refugiam na fuga do ar poluído da cidade, sem exigências nem marés perigosas. Deste modo, ali acorrem, diariamente no verão, jovens e forasteiros à procura desses momentos de descontracção saudável e cheia de bucolismo. E, ao recordarmos o facto, pensamos então que se poderiam fazer ali mais uns quantos benefícios que, além de serem de grande utilidade, tornariam a paisagem mais formosa e agradável. Assim, na zona do banho, nomeadamente na ponte, em frente aos balneários, poderiam fazer-se uns muros ao longo das margens, aproveitando-se o melhor troço do rio, numa extensão aproximadamente de vinte e cinco metros, dando-lhe, desta forma, melhores condições e um verdadeiro aspecto de piscina, tal como o rio ali se apresenta. Idealizando já este melhoramento e, para os balneários, verifica-se que outro empreendimento se poderia fazer: construir-se ao lado do que está feito, uma pequena esplanada, simples, adequada ao local, com umas tantas cadeiras e mesas, onde se vendessem alguns refrigerantes, tanto para os mais idosos (banhistas ou não) como para os jovens, afim de se refrescarem enquanto passavam os seus momentos cavaqueando, jogando ou desfrutando o belo panorama que dali se avista e a coloração dos raios solares a que nos expomos, ao sair da água. Será pretender-se muito. Mas, porque não se haveria de construir, também ao longo da estrada de acesso aos balneários, um muro de resguardo? Julgamos ter uma noção das dificuldades de programação e até de execução de qualquer empreendimento, na serra, na medida em que apresentam forçosamente, implicações de ordem técnica. Sabemos ainda que se torna necessário contar hoje em dia não só com as exigências técnicas mas também com a questão económica. Ora, exactamente por possuirmos essas noções, é que convém esclarecer-se que não é necessário qualquer catedrático para a sua construção. Por outro lado, economicamente poucos milhares de escudos resolveriam esta questão, que poderia no futuro, dar ao Colmeal uma outra valorização. O problema não é, pois, difícil, desde que continue a verificar-se a iniciativa que os colmealenses sempre têm demonstrado saber aproveitar em tudo quanto diga respeito ao progresso da sua terra. Para bom entendedor meia palavra basta… Por isso, depois dos melhoramentos que têm renovado a face do Colmeal, urge que se façam outros em complemento daqueles. E assim estes e outros (e voltamos a lembrar o Parque de Campismo) dariam mais encanto à nossa terra tornando-a mais atraente para todos. Aqui fica a ideia. Esperamos agora que ela deixe de ser um sonho para passar à realidade, para bem de todos, sobretudo, para bem do progresso do Colmeal, aldeia que reúne em si recantos de tanta beleza. Às autarquias competentes (União Progressiva e Junta de Freguesia) cabe agora a apreciação e concretização, se assim o entenderem, destes idealizados melhoramentos.
ANA e LENA PINHO
In “Correio da Serra”, 1 de Fevereiro de 1973 Do espólio de Fernando Costa

Vistas do Colmeal

Fotos cedidas por António Marques de Almeida

26 abril 2009

Rancho Serra do Ceira

“ – O Serra do Ceira é a nossa 2ª família, somos 4 irmãos no Rancho e todos dançamos. Os restantes membros são também da nossa criação, todos nos compreendem e as nossas relações de amizade são, quanto a mim, as melhores que podem existir num grupo desta natureza. O Serra do Ceira é hoje um valor cultural que existe no concelho de Góis e o povo desta zona estima-nos muito. Dentro do grupo há boas vontades, elementos que residem longe e nunca faltaram aos ensaios ou actuações à hora marcada. Isso – julgo – demonstra bem o verdadeiro sentido de responsabilidade que cada um tem. Este ano, temos feito algumas actuações em várias povoações do concelho, de acordo com o programa P.T.L. da Câmara Municipal de Góis. Estou maravilhada pela forma como o povo nos tem recebido nas suas terras. O povo do concelho de Góis é maravilhoso.” In Boletim “O Colmeal” Nº 186, de Julho de 1982 Palavras de Luísa Maria Domingos em entrevista assinada por ARMANES pouco tempo antes da realização do 3º Festival de Folclore Beirão, em 14 de Agosto de 1982 no Colmeal, e que consideramos muito sensatas e com perfeita actualidade, num momento em que se tenta recuperar este Rancho. A. Domingos Santos

Vistas do Colmeal

Nova construção na "Cruz da rua"
Foto cedida por António Marques de Almeida

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Jornal «O Colmeal»
(clicar para ampliar)
Há 31 anos, em Fevereiro de 1960, deu entrada em casa dos naturais da freguesia, espalhados pelo país e pelo mundo, um jornalzito intitulado «O Colmeal» – boletim mensal da paróquia. Embora sem saudosismos, recordemos o que constava na primeira página dessa edição: «Não há dúvida que este pequeno jornal que hoje acaba de nascer pela primeira vez pode causar admiração a muita gente. Desde há muito, no entanto, e apesar das inúmeras dificuldades que sempre surgem nos pareceu que um boletim paroquial seria útil aqui, como o é também e até necessário em todas as paróquias. A freguesia do Colmeal pode contar emigrantes nas cinco partes do mundo; o nosso pequeno jornal pode chegar a alguns sobretudo a esse grande mundo que é a cidade de Lisboa, onde trabalham honradamente muitas centenas de pessoas que na sua grande parte não esquecem de certo, a terra querida onde viram a luz do dia. Com esta folha que acaba de nascer queremos nós pôr-nos mais em contacto com todos. Ela será afinal uma carta para toda a família colmealense. A finalidade é levar a todos, aos de longe e aos de perto, um pouco de auxílio moral e espiritual, embora possamos dizer que foi o pensamento na colónia do Colmeal em Lisboa que nos levou mais facilmente a esta estranha aventura.» Não se tratou de uma «aventura». Mas, isso sim, de um acto de coragem, duma ligação entre os presentes e os ausentes que passaram a aguardar com alguma ansiedade – diga-se – a chegada do número seguinte, para saberem algumas notícias da freguesia. Além de um elo de ligação, a folha paroquial passou a ser um alerta para os problemas sociais da freguesia. Muitos dos quais, bem ou mal, tiveram uma solução. Vários empreendimentos, caso da construção da residência paroquial, obras várias na Igreja Matriz, Centro Paroquial (primeira e segunda fase), balneários da ponte, que acabou com o costume dos veraneantes se despirem atrás das moiteiras, remodelações várias em Ermida do Senhor da Amargura, etc., etc., só foram possíveis de realizar e pagar, pelos donativos recolhidos através da folha que, periodicamente, ia dando conta do andamento das obras, valores recebidos, quanto falta pagar, etc. Igualmente, queiram ou não, através do jornalzito se fomentou a fundação do «Rancho Serra do Ceira», aquisição de vestuários, instrumentos, realização de alguns «Festivais de Folclore», culturalmente um acto de coragem ímpar, atendendo ao nosso meio. Publicaram-se 187 edições, a última das quais em Agosto de 1982 e foram directores de «O Colmeal», os seguintes padres: Fernando Rodrigues Ribeiro (20), António Antunes de Brito (14), Mário Marques Mendes (22), António Dinis (24), Anselmo Ramos Dias Gaspar (30), Sertório Baptista Martins (1), António Duarte de Almeida (18) e Manuel Pinto Caetano (52). Entre parêntesis indica-se o número de edições que foi publicado sobre a responsabilidade de cada um dos directores, que passaram pelo «O Colmeal».
Fernando Costa
Do espólio de Fernando Costa In “O Varzeense” Nº 216, de 15 de Janeiro de 1991 Em Fevereiro do próximo ano estará passado meio século desde que o primeiro número chegou a nossas casas. Lembro-me da admiração causada como se fosse hoje. Iremos continuar a recordá-lo e a reler as suas notícias. A. Domingos Santos