22 outubro 2013

Nos Picos da Europa com a UPFC



Recentemente, entre 4 e 8 de Outubro, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal proporcionou aos seus sócios e familiares, um excelente passeio por uma das mais maravilhosas zonas da vizinha Espanha – os Picos da Europa.


Os Picos da Europa erguem os seus lendários perfis no coração da Cordilheira Cantábrica, entre terras leonesas, asturianas e cantábricas. Integram o conjunto montanhoso mais espectacular da Península Ibérica e um dos mais privilegiados espaços naturais. Nos seus profundos vales, apertados em torno de rios que correm apressadamente para o mar, nas suas eriçadas cumeadas e na densa fisionomia dos seus bosques e prados verdejantes, esconde-se tanta vida natural que os converte num lugar único e com uma riqueza ecológica que é das maiores de toda a Espanha.

  
Mas o seu único ponto de interesse não é apenas a força da própria natureza, já que a riqueza destas montanhas não seria a mesma sem a presença do homem, um dos seus povoadores mais ancestrais. Desde a pré-história que os seres humanos souberam adaptar a sua forma de vida e amoldaram o seu carácter em harmonia com a aspereza e as peculiaridades destas montanhas, escrevendo assim as páginas duma densa história, indissociável deste ambiente tão impressionante.
As pradarias das montanhas constituem o alimento dos seus gados – ovelhas, vacas, cabras – dos quais obtêm a carne, o leite e os diversos queijos de produção local. Entre os gigantes calcários, ao abrigo dos vales e nas zonas mais planas, o homem estabeleceu, desde épocas muito antigas, pequenos núcleos rurais que conservam a sua impressionante beleza e um estilo de vida artesanal, em equilíbrio vital com o ambiente circundante.


Como testemunhos dos primitivos povoadores, perduram os restos pré-históricos, em cavernas e grutas naturais abertas, por milénios de actividade erosiva, nos seus rochedos calcários. A dominação destes povos montanheses pelo Império Romano, acrescida pelas dificuldades naturais de um território tão adusto, fizera que a conquista tivesse que afrontar numerosos obstáculos. Os cântabros foram os que ofereceram uma maior e mais valente resistência a tal colonização, tendo-se enfrentado abertamente, protegidos pelas defesas naturais que as montanhas ofereciam.
Os muçulmanos não manifestaram grande interesse por estas terras desconhecidas e de difícil conquista. Quando tentaram apoderar-se delas, a resistência veio dos territórios asturianos, sob a chefia de Pelágio, cujo impulso guerreiro alimentou a reconquista peninsular.


Não foi sem razão que os navegadores medievais chamaram de “Picos da Europa” a estas montanhas, já que as mesmas constituíam uma clara referência geográfica, por serem o primeiro perfil do Velho Continente, que se divisava do mar alto. Sob o ponto de vista geológico, a sua abrupta orografia calcária é jovem, porque as forças terrestres ergueram esta muralha rochosa há 300 milhões de anos, a partir do fundo de um antigo mar.
Os perfis montanhosos oferecem grandes desníveis orográficos, e estendem-se paralelamente à costa cantábrica, da qual apenas os separam 25 quilómetros.
Os gelos glaciares, especialmente do período Quaternário, configuraram livremente as gargantas e os vales, deixando uma profunda evidência nas paisagens.
Os rios Sella, Deva, Cares e o seu afluente Duje configuram e atravessam o maciço montanhoso. São rios de cursos tão tumultuosos como abundantes em trutas, e dirigem-se velozmente para o Mar Cantábrico. O Deva abraça o maciço pelo lado Este, a partir já da sua nascente, em Fuente Dé. Para chegar até ao oceano, rasga as montanhas e dá origem ao vertiginoso desfiladeiro de La Hermida, que Benito Pérez Galdis denominou o “esófago de Espanha”. O rio Cares é o mais famoso dos cursos fluviais e atravessa este território de Sul para Norte, a partir da nascente, no vale leonês de Valdéon. Com as pancadas das suas águas de cor esmeralda esculpiu a “Garganta do Cares”, o “canyon” calcário mais impressionante da Península. E também por entre fortes quebradas da paisagem, como são o desfiladeiro de Beyos, corre o Sella. Todos estes rios recebem os caudais de inúmeros afluentes e arroios, copiosamente alimentados pelas neves dos cumes e pelas chuvas atlânticas. É uma rede fluvial dinâmica, que perfila três maciços: o Ocidental ou “El Cornión”, o Central ou de “Los Urrieles” e o Oriental, ou “Andara”.


À geografia característica destes territórios, deste modo perfilada, agrega-se a grande diferença de altitudes, superior a 2000 metros, e que favorece a ampla diversidade da flora e da fauna. E assim, nos ásperos cumes, que são um reino das rochas, do vento e do frio intenso, apenas cresce uma mata escassa e rasteira. As camurças saltam pelas pedreiras e no ar voam as águias-reais, e os abutres leonados. Ao baixar pelas encostas encontra-se uma valiosa comunidade de espécies arbóreas, na qual predominam os fetos, os zimbros e as giestas. Nestas zonas, chamadas “altos” (“puertos”), o homem encontrou sempre, desde uma época imemorial, o lugar idóneo para estabelecer frescas pastagens, que são o alimento estival dos seus gados.


Entre a paisagem aberta distingue-se a discreta beleza do pássaro codornizão dos rios alpinos; faz-se escutar o canto melódico da cotovia, ou ressoa o grito das cornejas. À medida que as montanhas se convertem em vales, os bosques de vidoeiros, de carvalhos, de faias e os bosques mistos de castanheiros, vidoeiros, tílias, aveleiras, azinheiras, freixos e aceráceas vão criando uma espessura vegetal, na qual de refugia uma fauna típica e característica da geografia ibérica, como o urso pardo ibérico, o lobo e o “urogallo”. Entre os bosques desenvolvem a sua existência os veados, as corças, os gatos monteses, as raposas e os javalis, ao passo que os arminhos, as martas e os arganazes procuram os lugares mais frescos, entre muitos outros mamíferos típicos da fauna mais representativa da Cordilheira Cantábrica.


A protecção destas montanhas teve o seu início em 1918, quando o rei Afonso XIII classificou o primeiro parque nacional espanhol, ao qual chamou “Parque da Montanha de Covadonga”, que, deste modo, se converteu num dos espaços naturais protegidos pioneiros em todo o mundo. Em 1955 a sua zona protegida foi ampliada, atingindo os actuais 64.660 hectares – 24.719 em Léon, 15.381 em Cantábria e 24.560 em Astúrias – e denominando-se agora “Parque Nacional dos Picos da Europa”.

Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos

Texto de apoio - Turespaña   

CANGALHA



Quando no passado mês de Maio tivemos a oportunidade de visitar na vila da Lousã o Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques, a “peça do mês” era a cangalha.
O folheto que aqui reproduzimos e que nos dá uma explicação sobre o seu fabrico e utilização foi elaborado pelo Núcleo de Investigação do Ecomuseu da Serra da Lousã com base na publicação “Alfaia Agrícola Portuguesa, de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira”.
Consideramos muito interessante esta divulgação porque, como se costuma dizer, “o saber não ocupa lugar”.


“Cesto em verga para carregar, sobre os burros, estrumes, ou produtos agrícolas.

Por todo o Litoral Central, e por grande parte da região interior que lhe corresponde, assim como pelo Leste transmontano, são muito vulgares as cangalhas de verga – fundamentalmente dois cestos ligados por uma ponte mais ou menos alta, desse mesmo material. Cangalhas semelhantes encontram-se igualmente nos Açores.

Também na corda litoral entre Aveiro e a Figueira da Foz, são usadas as cangalhas feitas de tranças de bunho. O seu fabrico é muito simples: a trança é passada por duas cravadas no chão em direcções convergentes (mais afastadas em baixo), e depois entrelaçadas com braças; outras tranças reforçam a boca deste saco trapezoidal. A cangalha é colocada transversalmente sobre o dorso do burro, formando um saco de cada lado. Nas vizinhanças da Figueira da Foz vimos cangalhas como o descrito, usadas apenas para o estrume.



Na maior parte do País, as cangalhas são substituídas por dois cestos vulgares amarrados com cordas, ou cestos que têm forma apropriada a esse fim. As cangalhas também eram usadas para outros fins, como por exemplo para distribuir o pão, adaptadas a bicicletas e motorizadas.”

UPFC


No meu tempo, quando eu era criança...


No meu tempo as crianças não tinham consolas, nem brinquedos sofisticados, mas havia as cinco pedrinhas, os pregos na praia, o jogo da bilharda, o jogo da pica, os arcos, as bolas de trapo quando não havia dinheiro para as outras. Também não havia “Barbies” mas havia outras bonecas, umas caras, outras baratas e até algumas feitas de trapos. Não havia sacos de plástico. Havia sacos de papel pardo, embrulhos de papel e muitas, muitas guitas e cordéis. O papel higiénico era um luxo.

Aproveitavam-se os papéis de embrulho e os jornais que se cortavam em quadrados e se espetavam num gancho, dava mais trabalho, era menos higiénico, mas evitavam-se os desperdícios. Não havia fogões eléctricos, eram de lenha, nem máquinas de lavar, nem micro-ondas, nem varinhas mágicas, era o “passe-vite”. Frigoríficos já havia, mas só nas casas mais ricas.

Não havia televisão, só telefonia que às vezes se percebia mal por causa dos ruídos e as crianças pensavam que o homem que lia as notícias estava dentro do aparelho e até a Lélé e o Zequinha dos “Diálogos Humorísticos”, embora ele, o Vasco Santana, fosse muito gordo. Também havia o Capitão Marques Pereira que dava aulas de ginástica que nós seguíamos religiosamente com acompanhamento de música e as cadeiras da sala como suporte.
Já havia telefones, mas eram poucos, o nosso era o “9 de Nelas” e era difícil fazer as ligações, só através da menina que estava na central. Telemóveis, computadores, Magalhães nas escolas, iPods, Bluetooth, GPS … nem pensar. Nas escolas tínhamos sacas de serapilheira com um boneco estampado, onde transportávamos os livros, lousas de ardósia e cadernos de uma ou duas linhas e quadriculados, o livro de leitura com histórias lindas e poemas, o caderno de problemas e, na quarta classe, os livros de História, de Geografia e de Ciências. Para escrever usávamos lápis de lousa, lápis de carvão e canetas de aparo com o respectivo tinteiro. Esferográficas e canetas de feltro ainda não existiam. Nunca ouvimos falar em dinossauros, nem em naves espaciais nem em extra-terrestres, mas sabíamos todos os rios e serras de Portugal e a tabuada na ponta da língua.

No meu tempo faltavam muitas coisas que hoje há. Mas as portas das casas estavam sempre abertas e havia sempre gente em casa. Nas casas ricas havia empregadas e nas pobres, vizinhas. E, é claro, a Mãe estava sempre presente. Os avós também estavam lá em casa, tal como os bebés e as crianças pequenas. Não havia lares de terceira idade nem infantários para os bebés.
Os Pais passavam muito tempo fora de casa porque iam trabalhar mas voltavam sempre para as refeições e para dormir. As Mães só saíam para ir às compras ou para falar com as amigas. O trabalho delas era em casa. As crianças não tinham medo que os Pais se separassem.

As crianças no meu tempo morriam mais embora parecessem mais resistentes. Havia poucos hospitais e poucos médicos mas os que havia eram muito dedicados e até iam a casa ver os meninos doentes. Meninos com olhos tortos e surdos havia bastantes porque só havia médicos especialistas nas grandes cidades. Também havia alguns meninos que nasciam deficientes. Mas crianças com depressões ou hiperactivas ou com distúrbios de comportamento quase não se encontravam. Também não havia “bullying” nas escolas embora houvesse umas boas sopapadas e guerras de pedras, bolas de neve ou jactos de água. Quando muito, de vez em quando, havia uma cabeça partida.

Porque é que será tão difícil conjugar os bons hábitos de antigamente com as aquisições da modernidade de hoje? A culpa deve ser nossa, dos antigos, que desprezámos as nossas experiências, que nos cegámos com as facilidades e nos inebriámos com a corrida do tempo.

Tenho 75 anos. Uma vida feita de tantos retalhos diferentes… Foi a minha experiência que me fez pensar em tudo isto…Será que algum dia viremos a ter crianças felizes como nós? Com outra vida, outra alegria diferentes da do nosso tempo, e com o conforto da modernidade e a experiência e sabedoria dos nossos Avós ou Bisavós?

Maria de Assunção Ferraz de Oliveira

in Revista REVIVER, Nº 3 – Junho de 2013

Amarelo na encosta









Fotos de António D. Santos


30 setembro 2013

NO MEU TEMPO



No meu tempo escrevíamos à mão. A máquina de escrever era um luxo.

No meu tempo só conhecia a magia da tinta da caneta a deslizar por um folha de papel para escrever uma carta a alguém. Na altura nunca me passaria pela cabeça que hoje, a maioria da população já não usa papel para escrever. Eu cresci a ensinarem-me a importância de uma bonita caligrafia, o desenho quase único de cada letra do alfabeto. Mais tarde deixou de ser assim, as pessoas começaram a criar novas formas de desenhar as letras, mas o tradicional desenho continua para mim a ser único. De qualquer forma, à medida que os anos foram passando, o uso da máquina de escrever tornava-se cada vez mais banal. Como costumavam dizer, era uma maneira mais decente e formal em termos de negócios e assuntos profissionais.

Até posso ver o sentido, mas na altura quando tive a minha primeira máquina de escrever, não me era assim tão útil. Foi bastante cara, não me recordo do valor ao certo, mas isso também foi no tempo do escudo, que pertence ao mesmo local da máquina de escrever, antiguidades! Mas sempre preferi escrever as minhas cartas à mão, era a forma mais pessoal que tinha de comunicar com alguém, até quando estamos mais nervosos isso passa na caligrafia. Hoje as pessoas comunicam por mensagens nos telemóveis ou na Internet. Foi uma evolução tão rápida, em poucos anos tudo mudou, até os mais pequenos escrevem nos computadores. E se bem me recordo há uma ou duas décadas isso também era impensável. Ao pensar neste tema, vejo uma evolução louca em 80 anos. Hoje em dia, até eu já escrevo no Word.

Embora seja um amante das tradições, não nos podemos fechar entre quatro paredes
e não evoluir com o mundo. E aprender nunca é demais, por isso pedi ao meu filho para me ensinar o básico. Mas se me perguntarem do que é que eu gostava mais? Se de escrever à mão com a minha caneta de colecção ou no meu novo computador?

Eu diria que gostava de como as coisas eram no meu tempo.

Jorge Simões
in “REVIVER” Nº 2, Maio de 2013, pág. 49

Biblioteca da União com novos títulos





A Biblioteca da União tem vindo a receber com certa regularidade novos livros, muitos dos quais saídos recentemente.

Está neste caso o livro “Os Privilegiados” de Gustavo Sampaio, de Julho de 2013, edição de a esfera dos livros.
Natural de Coimbra é jornalista freelancer, licenciado em Jornalismo (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), pós-graduado em Direitos Humanos (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade Católica Portuguesa).

Como se lhe refere Ana Cristina Leonardo em ATUAL – Expresso Nº 2129 – 17Ago2013, “O título pode não ser completamente esclarecedor, já que os privilégios a que se refere não são regalias adquiridas nem por nascimento nem por mérito. Não são sequer privilégios de classe. A haver uma definição, são privilégios de casta. E algo vai mal quando políticos e ex-políticos formam uma casta. Mas é isso que transparece no final da leitura. “Os Privilegiados” não revela informação classificada, não faz denúncias bombásticas e distancia-se da conclusão populista: “Os políticos são todos iguais.” O autor cita Orwell: “São todos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”: são os segundos que lhe interessam. Lóbis, tráfico de influências, retribuição de favores, leis que permitem tal estado de coisas. “Isto não tem que ser assim”, escreve-se no final da Introdução. Mas é. Gustavo Sampaio tem aqui muito trabalho. Movendo-se como uma formiga diligente por carreiros intrincados, vai registando pacientemente a arquitectura do conjunto. Deputados que deputam indiferentes aos conflitos de interesses, legislação que garante mordomias de exceção, vasos comunicantes entre cargos públicos e grandes empresas (com as quais o Estado assina contratos), genealogias perenes, exemplos de outros países que provam que, de facto, “não tem que ser assim”. Numa frase: a estratégia da aranha exposta a quem a quiser ver.”

“Salazar – Portugal e o Holocausto” de Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos, é um outro livro recente, de Março de 2013 em uma edição de Círculo dos Leitores.
Irene Flunser Pimentel é mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigadora do Instituto de História Contemporânea da mesma Universidade.
Cláudia Ninhos é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Licenciada em História obteve posteriormente o grau de Mestre em História e actualmente prepara o doutoramento.

“A amplitude dos massacres cometidos pelos nazis, responsáveis por um devastador número de mortes, tornou impossível mantê-los no desconhecimento da opinião pública. É, por isso, importante compreender o que se sabia entre os Aliados, no Vaticano e nos países neutros, incluindo em Portugal.” Lê-se na contracapa, onde da Introdução se transcreve ainda a seguinte parte “Quando tiveram conhecimento do genocídio que estava a ocorrer no leste europeu e que fizeram para salvar as vítimas? Se quisessem, poderiam os Aliados e os países neutros ter feito algo mais para salvar estas vítimas, perante as ameaças de que foram alvo? A chegada das informações sobre o Holocausto passou por várias fases, desde a sua receção até à tomada, ou não, de posição. O facto de os governantes ocidentais terem recebido inúmeras informações sobre o que estava a ocorrer na Polónia e, depois, na União Soviética não implicou, contudo, que os relatos fossem aceites e compreendidos. Ou seja, havia informação disponível, mas existiria o conhecimento necessário para que fosse compreendida? Este livro procura, afinal, dar resposta a estas, e a outras questões, em torno do envolvimento de Portugal no Holocausto. É um livro de duas historiadoras portuguesas de gerações diferentes, com experiência e até opiniões diversas, que se têm dedicado ao estudo do relacionamento entre o Portugal de Salazar e a Alemanha de Hitler, que se juntaram em torno de uma curiosidade comum, procurando contribuir para responder a estas perguntas.”

“As mais bonitas praias de sonho” é um outro título a enriquecer a Biblioteca da União.
Com texto de Birgit Adam e Claudia Piuntek é “Um livro entusiasmante que irá conquistar todos aqueles que gostam de viajar, bem como os amantes da natureza e os aventureiros intrépidos.
Praias selvagens, a imensidão do mar, ar puro e limpo e uma maravilhosa sensação de liberdade – os ingredientes perfeitos para umas férias de sonho!
Descubra e aprecie os locais com areias finas e palmeiras que se espelham nas águas cristalinas, bem como as mais bizarras costas alcantiladas e outras paisagens de enorme beleza.
Graças às fotografias a cores de grande qualidade, da autoria dos melhores fotógrafos da natureza, e aos textos muito informativos, este livro permite-nos partir numa viagem de descoberta através das mais deslumbrantes praias do mundo: da Europa à América, passando pela Ásia e pela África, da Austrália e Oceânia à Antárctida. De forma a permitir uma melhor orientação, o livro dispõe de mapas de grande dimensão relativos a cada um dos continentes e ainda de um índice remissivo pormenorizado.”

O carinho, o interesse e a generosidade de alguns sócios e amigos da União que sabem e reconhecem como os benefícios da leitura são importantes na formação das pessoas têm permitido engrandecer e diversificar o acervo da nossa biblioteca.
O nosso muito sincero Bem-Haja.


UPFC
  

Esclarecendo um comentário



Anónimo Anónimo disse...
Uma justíssima homenagem!
Até há 4 anos, ano após ano, nada de novo havia no Colmeal, exceto a degradação progressiva, um envelhecimento que se refletia nas pedras dos muros e dos caminhos. Nos últimos 4 anos, em cada visita encontrávamos melhorias, tal como são descritas no texto, como se o Colmeal tivesse despertado de um longo e modorrento sono...
Bem-haja, Sr. Carlos de Jesus!
Deonilde Almeida (Colmeal)
Há dias um velho amigo meu disse-me: Ouve lá, lá pelo Colmeal andam a dizer que a Junta que está a terminar as suas funções fez mais neste mandato que a anterior durante os mandatos que lá estiveram… Isso é verdade? 
Eu respondi: se eles dizem é capaz de ser verdade… senão vejamos: 

- Quem acabou a construção do edifício da sede da Junta que estava encravado por dificuldades económicas? 

- Quem procedeu à reparação das instalações sanitárias do Largo da Fonte, no Colmeal, as dotou de electricidade e criou condições para que se encontrassem limpas durante todo o ano? 

- Quem comprou a carrinha, bem como o Kit de primeira intervenção no combate a incêndios, que a actual junta usa? 

- Quem mandou construir o armazém para guardar os pertences da autarquia, no Vale das Cortinas? 

- Quem procedeu à beneficiação e alargamento do Largo do Seladinho, no Colmeal? 

- Quem procedeu à limpeza dos cemitérios da freguesia, designadamente o do Colmeal e do Carvalhal do Sapo? 

- Quem acabou com a imundice que era o poço do barroco da Fonte no Colmeal, acabando com o aspecto degradante do mesmo e colocando uma placa em betão que evita os maus cheiros e a triste imagem de antigamente e delimitando o terreno da Junta de Freguesia do lado poente, com muro? 

- Quem construiu os novos depósitos de abastecimento de água a Aldeia Velha e Carvalhal do Sapo?

- Quem promoveu a construção do novo depósito de água no Salgado? 

- Quem começou o estradão que liga o Açor à Senhora da Luz, em Ádela, até à zona a seguir ao Açor e ligação do mesmo a esta povoação? 

- Quem construiu o Largo em Ádela junto ao chafariz das duas torneiras? 

- Quem completou o saneamento da malhada, no troço da Rua da Capela de São José até ao Largo? 

- Quem melhorou o acesso ao tanque de rega da Malhada, com a construção de escadas condignas e corrimões? 

- Quem mandou reconstruir a Fonte Velha do Soito? 

- Quem mandou proceder à reparação da Rua da Fonte Velha, junto à mesma fonte? 

- Quem resolveu o problema do Largo da Cruz da Rua, no Carvalhal, onde se formava sempre um lago de água? 

- Quem resolveu o problema dos maus cheiros na Rua da Fonte Velha, no Carvalhal, canalizando esses esgotos para uma distância superior a 50 metros abaixo da dita Fonte Velha? 

- Quem promoveu a abertura da rede de esgotos em Aldeia Velha, obra a que neste momento apenas falta a colocação da fossa e as ligações às habitações? 

- Quem promoveu a rede de bocas de incêndio em Aldeia Velha? 

- Quem promoveu o alcatroamento da Rua da Procissão em Aldeia Velha? - Quem promoveu o alcatroamento do troço da estrada de Aldeia Velha para a Selada da Ereira, entre a estrada de ligação à povoação e a casa do Sr. Manuel Alexandre? 

- Quem colaborou na melhoria do caminho para a Lameira, no Carvalhal do Sapo? 

- Quem fez os primeiros “melhoramentos” na praia fluvial da Ponte, no Rio Ceira, com um acesso mais fácil a partir da ponte e a construção dum local mais adequado para os banhistas, junto ao açude, do lado direito da escada de acesso à água? 

- Quem em fez a reparação do Pontão, no Colmeal, depois da enxurrada? 

- Quem fez o muro de protecção ao aterro da estrada Rolão-Colmeal, no Porto da Azinheira, para evitar o constante cair de pedras para a estrada que dá acesso à Eira? 

- Quem mandou fazer a reconstrução da Fonte Velha de Aldeia Velha? 

- Quem providenciou a abertura das estradas de acesso ao Porto-Chão, do lado das Gaeiras e do lado dos antigos currais (Banda d’Além) daquele casal? 

- Quem promoveu as candidaturas para os tanques de água para protecção contra incêndios florestais construídos no Colmeal e no Açor? 

- Quem promoveu a reflorestação dos terrenos pertencentes à Junta de Freguesia devorados pelos incêndios?

- Quem promoveu o alindamento do terreno junto ao parque infantil do Ventoso, obra importante para toda a freguesia, onde já se fizeram alguns eventos?

- Quem promoveu a preservação das antigas escolas do Colmeal e Carvalhal do Sapo, com a assinatura de protocolos com a Câmara Municipal de Góis e posteriormente com as colectividades regionalistas locais, designadamente a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, para instalação da biblioteca e com a União e Progresso do Carvalhal, para a transformação em centro de convívio? 

- Quem propôs à Assembleia de Freguesia a criação dum incentivo à natalidade, que foi aprovado por unanimidade?

- Quem propôs à Assembleia de Freguesia um incentivo à fixação de casais jovens na freguesia, que foi aprovado por unanimidade? 

- Quem propôs à Câmara Municipal de Góis a designação de Caminho de Alfredo Alves Caetano, ao caminho que liga o Centro Paroquial à estrada no Lombo das Vinhas? 

- Quem negociou e assinou o protocolo com a Câmara Municipal de Góis, para que fosse dividida a parte do dinheiro das Eólicas, que vem da Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra, por forma a compensar a freguesia pela não instalação do Parque Eólico das Caveiras? 


Enfim, muito mais haveria para recordar, mas acho que, por agora, o que fica dito é suficiente… 

É preciso não esquecer que não teria sido possível fazer estas obras todas sem a colaboração da Câmara Municipal e outras entidades que agora não vêm ao caso, como, aliás, acontece praticamente com qualquer melhoramento que se realize na freguesia, seja qual for a Junta. 
Pois é meu caro, retorquiu o meu amigo, às vezes as coisas são o que delas se diz e não o que a realidade mostra… 

20 de Setembro de 2013

Henrique Mendes

27 setembro 2013

Torneio da Amizade no Colmeal


No fim-de-semana de 10 e 11 de Agosto houve futebol no Colmeal. No Parque de Jogos “Os Pioneiros”, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal realizou um triangular de futebol tendo convidado as equipas das Comissões de Melhoramentos de Ádela e de Malhada e Casais.






O Senhor Carlos da Conceição de Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, foi convidado a dar o pontapé de saída no jogo de abertura que envolveu as equipas da União Progressiva e de Ádela. Partida muito disputada e com resultado incerto até quase ao apito final. Ganhou a equipa de Ádela por 4-3.







No domingo, dia 11, disputaram-se os dois restantes encontros. A equipa da Malhada venceu a de Ádela por 3-2 e no derradeiro encontro, cilindrou a do Colmeal por 6 a 1, sagrando-se assim a vencedora do torneio.
Independentemente dos resultados há que realçar a cordialidade, o desportivismo e a camaradagem entre os vários participantes.











À noite, na Malhada e já em final de festa, procedeu-se à entrega dos troféus (todos eles oferecidos) aos capitães das três equipas.
Foram gratificantes as palavras elogiosas dirigidas à organização, que poderemos considerar conjunta, e incentivando para que se volte a repetir no próximo ano.


Fotos de Francisco Silva e António Santos

A UNIÃO agradece à JUNTA DE FREGUESIA


Quando se aproxima o final do mandato de V. Exª à frente do Executivo da Junta de Freguesia do Colmeal a União Progressiva da Freguesia do Colmeal não pode deixar de o felicitar efusiva e vivamente pelo trabalho que sem desfalecimentos desenvolveu durante o período.”

Assim começa a carta que a Direcção da UPFC endereçou no passado dia 2 de Agosto ao Senhor Carlos da Conceição de Jesus, Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, manifestando todo o seu apreço pelas melhorias introduzidas durante o mandato que se aproxima do final.

No que se refere à reorganização administrativa do território: “Sabemos que não foi fácil a batalha travada contra a extinção da nossa freguesia, antiga de mais de 460 anos. Estivemos ao V/ lado na defesa dos interesses daqueles que ainda resistem e vivem nas nossas aldeias, uma população maioritariamente envelhecida e que tinham na sua Junta o apoio de que carecem no seu dia-a-dia. Lamentamos o total desconhecimento e o alheamento das realidades locais pelas esferas governativas e o modo como tudo se passou, mas fazemos-lhe justiça Senhor Presidente, pela luta que tenazmente enfrentou sem nunca baixar os braços. Nunca a consciência o poderá acusar por não ter ganho esta contenda.

Sobre o excelente relacionamento institucional que sempre se verificou entre a Junta de Freguesia e a União Progressiva e que levou a óptimos resultados, a colectividade expressou assim o seu sentimento: “Queremos manifestar a V. Exª o nosso agradecimento muito sincero pela pronta e inestimável colaboração ao longo do mandato, nomeadamente no processo de construção da arrecadação na Cova, na limpeza dos terrenos para os piqueniques, jogos de futebol e dos trilhos para as caminhadas, dos troféus para as provas desportivas, da presença nos convívios, na cedência de instalações, no apoio à canoagem, festas de Verão e de Natal, almoços de aniversário, etc., etc.

Também o trabalho que a Junta levou a cabo a nível da freguesia e da sua sede não foi esquecido pela União Progressiva, como refere na parte final da missiva: “Não podemos deixar de enaltecer o trabalho que V. Exª desenvolveu e onde evidenciamos a solução encontrada para a antiga casa Mendes, a instalação de infra-estruturas para combate a incêndios, as benfeitorias introduzidas nas zonas de lazer no rio com especial destaque para os sanitários, balneários e acessos, na limpeza das valetas e nas muitas cerejeiras que foram colocadas ao longo dos caminhos que nos levam às nossas aldeias.”

Os Colmealenses reconhecem o excelente trabalho desenvolvido por Carlos da Conceição de Jesus durante o mandato e orgulham-se de ter um Colmeal diferente.


Direcção da UPFC   

24 setembro 2013

CROÇA



A croça é constituída por uma capa e sobrecapa, feitas em palha, utilizando a técnica da cestaria. Não tinha como função agasalhar, mas sim de deixar escorrer a chuva e a neve, impedindo que passasse a humidade para a roupa. Normalmente quem utilizava esta capa eram os pastores que passavam longos períodos nas serras a pastar o gado das aldeias.

Pela sua utilidade prática, tanto era usado por homens como por mulheres.

Pela sua confecção rápida, fácil e barata a croça perdurou até aos nossos dias. No entanto a sua origem remonta ao neolítico, em que o homem utilizava as fibras vegetais, tanto para se vestir como para isolar os telhados das suas cabanas. A sua eficácia fez com que resistisse à influência da cultura e civilizações.

A croça é composta por um cabeção e saia de junco, dispostos paralelamente no sentido longitudinal, ligando entre si por um fio entrelaçado. Por vezes, utilizavam uns polainicos enrolados nas pernas do mesmo material, interligando-os com as restantes partes. Compõem este traje, o chapéu de feltro preto e tamancos de couro, com sola e salto de madeira.

Existem ainda modelos diferentes em que a croça tem capa com capuz, apoiando directamente na cabeça. Por ser uma capa feita e usada em diferentes zonas do país, é conhecida por várias designações, tais como a palhoça, coroça ou croça. Após o devido tratamento das fibras de centeio e junco são entrelaçadas em sucessivas carreiras de modo a conseguir a forma e as dimensões desejadas. Depois de terminada, a croça é penteada com um pente de ferro para desemaranhar as fibras, conseguindo maior eficácia contra a chuva. Este traje é considerado pelo modo de confecção a peça de indumentária mais antigo do nosso país.

A croça fazia parte do vestuário de todas as zonas serranas, desde o norte ao sul do país, visto que constituía uma protecção eficaz para o frio e chuva. Em quase todas as populações havia um artesão ou artesã, mais habilidosos, que fornecia os vizinhos. Eram chamados Croceiros ou Croceiras.

O aproveitamento das fibras têxteis do junco era utilizado em quase todo o mundo, por exemplo, os egípcios usavam-no para fazer papiro. Ele tinha diversas utilidades.

Folheto do Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

A ESCOLA DO PARAÍSO



Nesta obra, começa José Rodrigues Miguéis, o Autor, a traçar a evolução duma família lisboeta, parte dessa gente obscura que a capital atrai a si, para a formar, absorver, desagregar e dissolver, por fim, no anonimato original: dela guardando, acaso, um rasto de ternura, revolta e esperança – a dos que à Vida respondem com actos de vida, procurando a salvação na labuta, no sonho, e eventualmente nos ideais.

Através dos olhos atentos e pasmos duma criança, é-nos dado um ambiente e uma época – os anos que imediatamente precederam e seguiram a implantação da República. Justapõe-se na paisagem assim descrita a lenda e a verdade, a fantasia e o senso-comum, dramas da rua e folclore, alegrias e desilusões, bondade e sordidez – tudo o que constitui o aprendizado chocante e sedutor graças ao qual Gabriel, o pequeno protagonista, irá integrando a sua limitada esfera pessoal de criança no vasto mundo adulto que o rodeia, universo bizarro e muitas vezes incompreensível que, ao mesmo tempo, o fascina e amedronta.

Inventário prodigioso duma época, devassa apaixonada duma cidade e dos seus habitantes, A Escola do Paraíso – com que o Autor pretende contribuir para preencher uma lacuna na novelística lisboeta, entre o naturalismo e o neo-realismo – mostra-nos, sublimadas ao mais alto grau, as qualidades que fizeram de José Rodrigues Miguéis um dos nossos maiores escritores. Nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1901, na Rua da Saudade em pleno bairro de Alfama. Em Lisboa passou a sua infância e juventude. Forma-se em Direito em 1924. Do seu pai, imigrante galego, herda as ideias republicanas e progressistas, o que o leva a entrar em conflito com o Estado Novo e o obriga a partir em 1935 para o exílio nos Estados Unidos, onde em Nova Iorque vem a morrer em 27 de Outubro de 1980 

José Brandão, no seu trabalho “A República nos livros de ontem nos livros de hoje”, dedicou-lhe esta pequena resenha: 

“José Rodrigues Miguéis recorda a sua primeira infância num dos melhores romances portugueses. A cidade do princípio do século, os primeiros automóveis, a cidade iluminada a gás, dos teatros do Príncipe Real, do animatógrafo, a cidade que acabava na Rotunda, para lá os campos de corridas ao Campo Grande.

Os hábitos, a carbonária, a aristocracia decadente, o regicídio e a proclamação da I República. As profissões, os portugueses e galegos que chegavam à capital. Tudo contado magistralmente pelos olhos de um menino que cresceu a ver o brilho do sol das sacadas pombalinas viradas ao Tejo. Menino que reteve minuciosamente a memória das cores, dos cheiros, das gentes e de tudo quanto foi sendo, intensamente, o seu mundo.”

Fui encontrar este livro há cerca de uma semana, no meio de outros, já todos eles com as folhas amarelecidas pelo tempo. Recordo-me de quem mo ofereceu e de quando mo ofereceram. Foi há cinquenta anos, que se completarão no próximo domingo. Não me lembro de ter lido as primeiras oitenta páginas, que já estavam abertas. Tratei de abrir as restantes. Comecei a lê-lo e em dois pedaços de tempo, em menos de doze horas, devorei as 375 páginas da edição acabada de imprimir em Dezembro de 1960, pela Estudos Cor onde curiosamente, ao tempo, José Saramago era editor literário. 

E assim, página atrás de página dei com “O avô Colmeal ”, passei pelo “Vale do Braçal”, pela “Folgosa”, andei por ruas conhecidas dos meus tempos de escola, Olarias, Escolas Gerais, Castelo, Calçada do Monte, Lagares, Mouraria, e fiquei admirado quando na página 331 reparei que “Em cima do banco desdobrava-se uma Comarca de Arganil.” 

Um livro que brevemente estará disponível na Biblioteca da União no Colmeal.

A. D. Santos

MENTE SÃ; CORPO SÃO



Já pensou porque é que cada vez mais os médicos aconselham os seniores a caminhar regularmente? A REVIVER apresenta-lhe as principais razões para sair de casa com o seu fato de treino e caminhar um pouco. Acredite que está é a maneira mais simples, económica e independente de fazer exercício físico. A ciência já comprovou os seus benefícios, damos a sugestão para experimentar e comprovar por si próprio.

Saiba quais os 8 benefícios que caminhar trazem à sua saúde

1.Melhora a circulação e diminui a pressão arterial
Um estudo efectuado no Brasil, chegou à conclusão que caminhar cerca de 40 minutos é capaz de reduzir a pressão arterial durante 24 horas após o exercício. Ao caminhar esse tempo, o fluxo de sangue aumenta, diminuindo a pressão. Outro dos aspectos é que as válvulas do coração irão trabalhar mais, melhorando a circulação e o sangue fixa mais rico em oxigénio.

2.Limpa os pulmões
Ao caminharmos com frequência, as trocas de gases que ocorrem nos pulmões passam a ser mais fortes, o que faz limpar os pulmões de impurezas, diminuindo o catarro e as poeiras. Esta também pode ajudar a dilatar os brônquios e a prevenir a bronquite.

3. Previne e diminui o avanço da Osteoporose
Ao andarmos estamos a estimular os nossos ossos. O impacto dos pés com o chão e a movimentação de todo o esqueleto criam estímulos eléctricos que ajudam a absorver o cálcio dos alimentos que consumimos, deixando os ossos mais fortes e com menor possibilidade de desenvolver osteoporose. Quando se passa a sofrer da doença, caminhar pode diminuir o avanço da doença, segundo os profissionais.

4. Melhora a saúde mental e o bem-estar psíquico
Quando passamos a praticar qualquer tipo de exercício, o nosso corpo liberta uma quantidade maior de endorfina, que produz uma sensação de alegria e relaxamento. O local onde caminha, seja em jardins, parques ou até à beira mar pode melhor a sua saúde mental, criando um melhor humor e um aumento de auto-estima.

5. Retarda o envelhecimento do cérebro
Um estudo efectuado nos Estados Unidos demonstra que as caminhadas ajudam em problemas e de atenção. Também aumenta a capacidade do cérebro em responder a variados estímulos, seja a nível da visão, som ou de olfacto. Outro estudo do mesmo país afirma que se fizerem caminhadas de 10 quilómetros semanais, diminui o risco e ajuda na prevenção de alguns tipos de demência.

6. Ajuda a eliminar as insónias e a ter mais energia durante o dia
As caminhadas efectuadas durante a manhã, permitem ao nosso corpo ter um pico na produção de substâncias como a adrenalina. O que torna a pessoa mais activa e menos sonolenta nas horas seguintes. Logo afecta na hora de dormir. Passamos a adormecer mais rápido e reduzimos a hipótese de insónias.

7. Queima calorias e controla a vontade de comer
Uma pessoa que não pratique qualquer tipo de exercício e comece a caminhar irá conseguir queimar um maior número de calorias, reduzindo as gorduras localizadas. Mas outro factor que equilibra o peso é a aceleração do metabolismo, que deriva do aumento da circulação, respiração e actividade muscular. Em Inglaterra, um estudo revela que ao caminhar cerca de 15 minutos numa passadeira ajuda a diminuir o stress, o que diminui a vontade de comer certos doces e guloseimas que são muitas vezes consumidos devido a distúrbios emocionais.

8. Diminui a possibilidade de enfartes
Aqueles que caminham conseguem com que os seus vasos sanguíneos fiquem mais elásticos e dilatados quando existe alguma obstrução. Um factor que impede que as artérias entupam ou deixem de transportar o sangue, diminuindo assim a possibilidade de enfartes.

Iniciação à caminhada

Para aqueles que querem começar a caminhar devem-no fazer de forma progressiva. Comecem por uma caminhada de 10 ou 15 minutos e vão aumentando gradualmente, conforme forem sentindo melhorias a nível de resistência. Tente sempre escolher um local agradável e se possível o mais próximo da natureza para ter uma sensação de bem-estar quando pratica o exercício. Deixamos a sugestão de caminhar logo pela manhã. É uma forma de sentir os efeitos positivos ao longo do dia. Deve tomar alguns cuidados com a postura e a técnica adequada durante o decorrer do exercício. Opte por uma postura erecta e elegante, com os ombros e o pescoço relaxado e não se esqueça que deve ter sempre o queixo para cima para olhar em frente. Deve também contrabalançar os movimentos dos braços com os das pernas, mantendo os cotovelos sempre flectidos num ângulo de 90 graus. E não se esqueça que ao dar um passo, o calcanhar deverá ser a primeira parte do pé a assentar no chão, seguindo-se o desenrolar do pé até à sua extremidade, os dedos. As caminhadas são cada vez mais a escolha dos médicos para as pessoas idosas. Não é um exercício demasiado exaustivo e traz inúmeras vantagens à sua saúde física e mental. Esta também é uma óptima forma de aproveitar o seu tempo livre, por isso poderá estar na altura de retirar o fato de treino e os ténis do armário e dar-lhes o seu uso devido.

in Revista REVIVER Edição nº4 | Julho 2013