17 junho 2011

Parque “Os Pioneiros”



O Parque “Os Pioneiros” foi inaugurado em 1981, por ocasião das comemorações dos 50 anos da União Progressiva. Voltamos a recordar esse momento nesta foto cedida por Maria Eugénia Braz. Abel dos Santos, Alfredo Pimenta Braz e Francisco Luís, três “Homens da União” descerraram então a placa.





O terreno que a União possui na Cova passou de novo a merecer uma maior atenção por parte da actual Direcção.
Projectos idealizados durante estas três últimas décadas foram sofrendo alterações e passou a haver uma maior proximidade e consonância com a realidade actual.

A placa com os nomes dos fundadores da União Progressiva da Freguesia do Colmeal voltou ao Parque “Os Pioneiros” neste ano em que a colectividade comemora as suas oito décadas de existência ao serviço do Regionalismo.
Procedeu-se à vedação do terreno no lado confinante com a Alameda Fernando Costa e também à construção de uma arrecadação para acomodar os vários equipamentos e outros pertences da União. De realçar a compreensão e colaboração que nos foi dada tanto pela Câmara Municipal de Góis como pela Junta de Freguesia do Colmeal na apreciação da nossa solicitação e na supervisão e acompanhamento da obra.

Esperamos e desejamos que esta colaboração e entendimento tripartidos continuem no futuro porque só assim será possível levar por diante a antiga aspiração dos jovens da freguesia do Colmeal de terem condições melhoradas para a prática de desporto.

Fotos de A. Domingos Santos

O MEU PRIMO E AS ANDORINHAS: UMA HISTÓRIA DE BONDADE


Chegaram em meados de Março, antecipando-se à Primavera e anunciando-a. Quando o meu primo (1) as viu pela primeira vez, voavam junto ao teto da sala, observando-o curiosas, com os grandes olhos negros que lhes iluminam o rosto. Pareciam cochichar: “tche”, “tche”, “tche”, “tche…”. Eram andorinhas-das-chaminés, que são das primeiras aves estivais a chegar, e que se distinguem das restantes espécies principalmente pelo pescocinho vermelho (2). Comparativamente com outras mais agitadas e barulhentas, são andorinhas muito delicadas e serenas. Depois de lhes censurar o atrevimento, o primo abriu-lhes a janela, e foi-se embora. Elas continuaram com o “tche”, “tche”, “tche”.

- Vês, não te disse que ele é muito simpático? Diriam os meus irmãos mais novos que é bué de …Tu sabes! Este é mesmo um bom sítio para fazermos ninho, e termos os nossos filhos. Se não gostas da sala por causa das notícias tristes da televisão, vamos para o vão das escadas. Lá, as paredes até são melhores, são mais rugosas.

- Tens razão, quanto à simpatia. Só acho o sítio perigoso por causa dos gatos do vizinho. Se até ao primo roubam comida depois de ele lhes levar panelões dela, imagina o que farão connosco se nos apanham! Além disso, a casa parece ser muito movimentada. Está sempre alguém a chamar … Nunca vi pessoa tão solicitada e solícita! Mas é contigo.

Competindo ao macho escolher o sítio para nidificar, a fêmea pode recusá-lo. Esta, porém, não o queria fazer. Apaixonada que estava, depois de se ter deixado seduzir pelas longas e belas guias caudais que ele exibia a prometerem resistência e longevidade, só desejava que tudo corresse bem. Teriam muito tempo para problemas nos próximos quatro ou mais anos de vida em comum.

Instalaram-se nas escadas, entrando e saindo por uma das janelas abertas do pátio. Levantavam-se cedo para apanhar insetos apetitosos voando, e ficavam por ali a rodopiar conversando, tche, tche, tche, tche, tche, tche. Quando pousavam nos fios que desfeiam a terra, era vê-los a deleitarem-se com o sol morno da manhã, espiolhando o corpito franzino. Por vezes, brincavam com as andorinhas-dauricas que passavam. Tratar do ninho é que nada! Era como se quisessem aproveitar bem os restos da lua-de-mel e da juventude apressada. Em casa, bico com bico, beijavam-se ternamente.



Quando finalmente começaram a recolher terra molhada e água, foi um esforço gratuito! Por falta de experiência ou porque o material era muito arenoso, tudo lhes caía do bico e das patas, e o ninho nunca mais ganhava a forma de meia taça que deve ter.

Preocupado com a desmotivação que o insucesso repetido pode causar, o primo decidiu ajudar, colocando umas prateleiras na parede e, sobre elas, pratos com barro e água.

- Tolinho! Como se precisássemos de ajuda! Somos pequenos, mas não somos inválidos! Isto dizia a fêmea, algo despeitada e um tanto ou quanto desiludida com a imperícia do marido que era igual à sua. Mas o primo insistiu, disponibilizando-lhes ráfia, e passando a molhar o barro todos os dias. Atento, o macho decidiu intervir.

- Ó cachopa, este impasse não pode continuar. Não é que eu não queira trabalhar, mas já estou farto, e tu também, embora não o queiras admitir. Por mim, deixava-me de arrogâncias bobas, e aceitava a ajuda do nosso amigo. Já viste? A ráfia cortada em bocadinhos miúdos como os nossos bicos e o barro amassado, tudo à mão de semear?

A fêmea entristeceu, duvidosa. Crescera numa família tão esforçada e persistente que a atitude do marido lhe soou a desistência e facilitismo. Sensata e racional, porém, pensou: “Por que não aceitar a ajuda de alguém que tanto nos estima? Que mal virá daí ao mundo? Não é suposto os seres vivos respeitarem-se e ajudarem-se mutuamente?” Embalada pela premência da maternidade iminente, chamou o marido, e retomaram a construção do ninho usando o material fornecido. Desta vez com sucesso! Orgulhosos e felizes, os dois abraçavam-se chilreando promessas de amor: “tche”, “tche”, “tche”, “tche”, “tche”, “tche” … As andorinhas desta espécie casam para a vida e são socialmente monogâmicas. Geneticamente podem ser poligâmicas, exatamente como outras espécies! Para evitar a infidelidade, os machos guardam as fêmeas, mas não consta que elas os guardem a eles!



Em inícios de Maio, a fêmea passou a ficar no ninho, que abandonava apenas para ir comer. Sabia que estava a cumprir as leis da natureza e os deveres de boa esposa, mas sentia-se só, muito só, no desempenho sozinha daquela responsabilidade. Frequentemente, o macho fazia-lhe companhia, “tche”, “tche”, “tche”, enquanto lhe contava o que vira lá fora: a luta inglória dos habitantes da terra contra as ervas daninhas, as dificuldades e faltas de que se queixam, os achaques dos mais idosos, a azáfama das abelhas a recolherem alimento polinizando as plantas, a trovoada ribombante que faiscava no céu apavorando o pobre do cão Catita … Um dia regressou a rir-se.

- Hi, hi, hi … Como de costume, acabo de fintar o parvo do gato. Aquele e os outros ficam ali assolapados em cima do muro, praticamente de boca aberta à minha espera. Depois, ficam é boquiabertos com a velocidade do voo rasante com que eu lhes passo por cima. Até o pêlo se lhes eriça! Hi, hi, hi …

- Deixa-te de gabarolices e tem mas é cuidado! A minha mãe sempre me disse que os gatos são muito espertos. Não é por acaso que os nossos amigos passam a vida a espantá-los. Se ele te apanhar, como é que eu vou criar os nossos filhos? Além disso, seria uma vergonha morrer correndo riscos desnecessários!



Os “Pequenos” nasceram passadas duas semanas. Eram quatro pescocinhos e gargantas vermelhas, que se esticavam e abriam famintos, língua de fora, mal cibalho se aproximava ou a luz das escadas se acendia. Apesar do vaivém incessante dos pais, nada parecia saciar o apetite devorador daquelas criaturas minúsculas. Apetite que continua, a exigir dos pais extremosos um número incontável de corridas por dia atrás de insetos distraídos.

No início, a mãe dormia com as crias para as manter quentes e proteger. Agora que já vestem uma penugem escura, e quase não cabem no ninho que estão prestes a deixar, vai dormir com o marido pendurada na parede. O “tche”, “tche”, “tche” … carinhoso que se ouve é o casal a discutir se dá para terem mais uma ninhada de filhotes. Talvez os “Pequenos” os ajudem a criar. Para já, antes que armem em trapezistas destemidos e se aleijem, têm panos por baixo do ninho a servir de rede.



Nunca antes se tinham visto andorinhas a nidificar na aldeia. Penso que vieram atraídas pela bondade do anfitrião que escolheram, conforme já antes fizeram cães e gatos carentes. Como souberam? Abençoado mistério que explica a alegria e o privilégio da presença das aves.

Lisete de Matos
Açor, Colmeal, 7 de Junho de 2011.

(1) Nome omitido em prol das aves.

(2) CISE (Centro de Interpretação da Serra da Estrela), Manual de Identificação das Andorinhas, Município de Seia/SISE, 2004 (disponível na Internet).

Floresta





Fotos de A. Domingos Santos

11 junho 2011

Cerejal do Colmeal




Este aterro, a que agora poderemos chamar de “Cerejal” ou “Parque do Cerejal”, antes tão inestético, tem melhorado consideravelmente. As cerejeiras conseguiram resistir ao Inverno e estão cada vez mais bonitas. Os bancos que recentemente foram colocados permitem a qualquer caminhante um pouco de descanso enquanto contempla a “nova” zona da Eira, outrora tão escura e agora tão branca. E aproveitar para apreciar a serra com os seus variados tons de verde desta altura do ano e o Carvalhal lá no cimo.


A boca-de-incêndio indicia que a Junta de Freguesia está atenta e preocupada com o flagelo que ciclicamente visita a nossa região.

A pouco e pouco a nossa freguesia vai mudando. Mudando para melhor.

Fotos de A. Domingos Santos

"A CHANFANA VEM TIRAR ESTES CONCELHOS DO ANONIMATO"


Com a eleição das "7 Maravilhas da Gastronomia" marcada para Setembro, a Chanfana já está na boca do mundo, sendo uma das três finalistas na categoria das carnes. Para os quatro municípios que apresentaram a candidatura, o orgulho de ter chegado até aqui já corre além fronteiras. Hoje a conversa foi com Maria de Lurdes Castanheira presidente da Câmara Municipal de Góis.



Pedro Homem de Mello não nasceu em Góis, mas como todos os poetas exímios, teve o dom de descrever os rios como pouca gente o faz. E aqui fala-se em rios porque Góis, essa localidade indelével espraia-se ao longo do rio Ceira, assumindo dos cenários mais bonitos que acaba por atrair muitas pessoas à região, nomeadamente em época estival.

À conversa com a presidente da câmara, foi possível compreender a aposta que a autarquia tem feito no concelho, tornando-o num dos lugares mais convidativos a visitar daquela região. Na voz da nossa interlocutora, "Góis é um território com boa qualidade de vida, embora esteja longe da capital de distrito, o que tem a ver com algum fraco investimento dos sucessivos governos em matéria de acessi- bilidades" O que é certo é que o município tem feito uma forte aposta ao nível do turismo, não só através do seu orçamento, mas também naquilo que é o estímulo à iniciativa privada. Temos consciência de que estamos num concelho que tem potencialidades incomparáveis a outras realidades do país e até mesmo fora do mesmo. Temos aqui paisagens ofegantes e associado às mesmas, o rio Ceira, que é um dos nossos ex-líbris e que nos distingue: No fundo, o rio é uma marca que faz com que Góis seja considerado como a capital do Ceira.

Ao estimular quer o investimento público, quer o privado, Maria de Lurdes Castanheira garante que o objectivo é criar condições para atrair novos públicos, nomeadamente durante todo o ano. "Neste momento, um dos maiores constrangimentos que temos é o da sazonalidade e estamos a trabalhar no sentido de inverter essa tendência porque entre Setembro e Março vivemos aqui uma tendência onde se regista um decréscimo abismal no que refere não só ao número de visitantes, como também no que refere à facturação das próprias empresas. Aqui a Câmara tem um papel fundamental no sentido de restabelecer a confiança no mercado porque as pessoas só investem se confiarem nos 12 meses do ano e cumpre-nos a nós dar um sinal de preocupação e capacitar este território de que tem potencialidades exponenciais e caracteristicas ímpares" garante a nossa entrevistada, assegurando ainda que "precisamos, sem dúvida, de um equipamento hoteleiro e felizmente temos um investidor que está interessado em fazer uma infra-estrutura É um hotel quatro estrelas superior que irá ser, brevemente, uma realidade, e isso vai-nos resolver uma das graves lacunas que tínhamos aqui no concelho. Se tivermos uma boa resposta ao nível de hotelaria, temos uma maior abertura para as outras iniciativas que já vamos tendo no concelho como por exemplo o desporto aventura.

Mas os projectos não se ficam por aqui: "temos também um projecto de revitalização dos percursos do xisto e desse tipo de tradições. Vamos também concluir um centro de interpretação das aldeias do xisto que fica localizado numa das aldeias que faz parte da rede do xisto. Estamos a investir e a fazer um trabalho que complemente aquilo que é investimento público com o investimento privado. Para quê? Para que, primeiramente, consigamos combater o carácter da sazonalidade e, segundo, tenhamos aqui oferta em termos de alojamento turístico para todos os públicos. Porque os públicos são muito diversificados'; garante.

A GASTRONOMIA

Sendo um concelho rico no que refere à gastronomia Maria de Lurdes Rodrigues ressalva que este sector ainda está pouco explorado. Com condições excelentes para a criação de truta, também as sobremesas, o cabrito ou a cabra velha são produtos e iguarias que dão origem ao de melhor neste sector. "Estamos num território de montanha, com características rurais com todas as condições para a pastorícia e aí destacamos a caprinicultura, onde surgem as cabras e os cabritos para fins gastronómi- cos. A única coisa que nos falta é a mação de uma confraria Se conseguíssemos criar aqui a confraria do cabrito, conseguíamos ímplementar uma nova marca no concelho. E criar aqui alguma marca é também transmitir aos operadores da restauração o quanto é importante apostar na gastronomia local, apostar na qualidade".

SOBRE AS 7 MARAVILHAS DA GASTRONOMIA

Segundo a autarca, "esta iniciativa das 7 Maravilhas vai dar uma grande projecção a esta zona o que já começou a acontecer. Com o uso das redes sociais e das novas tecnologias, toda esta informação chega muito longe e é isso que nos imporia e nos dá reconhecimento. Queremos ser associados a um território com um prato único e com o qual nos identificamos. No fundo, a chanfana vem tirar estes concelhos do anonimato.

Portugal tem uma boa gastronomia e a dificuldade é escolher, mas a aposta na chanfana é uma boa aposta e digo isto com convicção e confiança porque a chanfana é feita com produtos naturais. Dificilmente se faz uma boa chanfana com produtos artificiais que não seja um bom vinho, uns bons alhos, bom tempero. A qualidade do prato tem muito a ver com a qualidade da carne. Vale a pena apostar na chanfana como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal.

in http://www.portaldomovimento.com/

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Colmeal, aldeia florida









A pouco e pouco o Colmeal vai melhorando. Vai ficando mais bonito, mais florido.

Fotos de A. Domingos Santos

Clube de Contadores de Histórias (XXVI)















Um tostão para o Santo António

Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não.
Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio!
O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:
— Dê-me um tostãozinho para o Santo António...
O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:
— Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.
— A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver?
E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.
— Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.
— Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.
O senhor mendigo suspirou e disse:
— Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje...
O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.
Foi a vez de o garoto suspirar:
— Este dinheiro era para eu comprar berlindes...
O homem de sandálias admirou-se:
— Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?
O garoto riu-se:
— É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.
O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali. Despediu-se:
— Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.
O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:
— Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.
O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.
O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes...

António Torrado
O mercador de coisa nenhuma
Porto, Livraria Civilização Editora, 1994

O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

07 junho 2011

Blogue da União – 100 mil



Foi com a publicação do cartaz das Festas de Verão – Colmeal 2007 que demos os nossos primeiros passos caminhando por estas novas estradas da informação.

Quatro anos são quase passados desde aquele dia de Julho. Não tínhamos quaisquer perspectivas de fazer um tão longo percurso mas a colaboração, a simpatia e também o carinho de todos vós conduziram-nos até esta marca que hoje assinalamos com muita satisfação ao atingirmos os 100 mil visitantes.

No princípio do ano passado pouco mais tínhamos do que 54 mil apesar de termos dobrado o número das visitas do ano anterior. O “Cantinho da Saudade” onde temos colocado fotografias e temas mais antigos está próximo dos 35 mil visitantes. “Especial Açores 2008”, “A União no Presente” assim como “Viajando pela Freguesia” têm tido uma procura também muito regular e considerável.

Estamos disponíveis para continuar a trabalhar com afinco e seriedade para levar até cada um de vós notícias da nossa Colectividade, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, que em Setembro próximo fará 80 anos.

Queremos continuar a dar-lhe conhecimento das nossas actividades e a promover a divulgação do Colmeal, da freguesia, do concelho de Góis e da nossa bela região.

Agradecemos a sua inestimável colaboração ao longo de todo este tempo. Para o Francisco Silva, criador e trabalhador incansável na sua actualização e manutenção o nosso muito sincero OBRIGADO.

A. Domingos Santos

Trabalho no arame…



Crias exercitando as asas para mais altos voos e para longas distâncias.

Foto de A. Domingos Santos 

Anoitecer na serra



Foto de A. Domingos Santos

Festival de Cultura Celta em Góis de 10 a 11 de Junho


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06 junho 2011

Prevenção de incêndios








A população do Colmeal pode sentir-se agora um pouco mais tranquila porque a sua aspiração de há cerca de quarenta anos foi finalmente tornada realidade.

A construção de um tanque para a prevenção e combate a incêndios deixou de ser ficção e já está operacional desde há poucas semanas nas Seladas, na zona próxima do depósito ali existente e por detrás da capelinha do Senhor da Amargura.

A freguesia com estes tanques estrategicamente colocados e de elevada capacidade encontra-se agora melhor provida para combater os flagelos sazonais que infelizmente costumam assolar toda a região.

A Junta de Freguesia está de parabéns pelo trabalho que tem vindo a desenvolver. Os Colmealenses reconhecem que a pouco e pouco a sua aldeia e a freguesia vão mudando. Mudando para melhor.

Fotos de Francisco Silva
e A. Domingos Santos

A cerejeira do Artur


Poderemos considerar que a cerejeira do Artur, também conhecida como “afilhada do Artur” se deu bem com os ares da Cova. 
Nesta sequência… em três actos, podemos ver a sua brilhante luta pela sobrevivência. 



Acto 1. 3 de Abril de 2010. Envergonhada. Poucos dias depois de ali ter sido colocada ainda se escondia atrás do suporte, apenas deixando ver o seu bilhete de identidade. 



Acto 2. 15 de Maio de 2011. Um ano passado, já apresenta à sociedade a sua filha mas ainda meia escondida na folhagem verde. 



Acto 3. 28 de Maio de 2011, menos de quinze dias depois, descobre-se que afinal… havia outra. 

Fotos de Francisco Silva 
e A. Domingos Santos 

Borboleta beija-flor



Já que terão sido criadas para enfeitar o mundo que bem precisa, envio-vos hoje uma borboleta beija-flor (Hemaris fuciformis). Não, não é o beija-flor pássaro também chamado colibri. É mesmo uma borboleta, mista de monstro felpudo e de mariposa bonitona. Existem outras espécies parecidas. Como quem rouba beijos fugazes, alimenta-se de pólen pairando sobre as flores, num bailado de pica e foge estonteante. Não será das borboletas mais bonitas, mas prima pela diferença. Bendita natureza!

Texto e foto de Lisete de Matos
Açor, 1 de Junho de 2011  

Despertar




Fotos de A. Domingos Santos 

31 maio 2011

COLMEAL - Comandos visitam o concelho







O dia acordou sem chuva. Pequeno-almoço tomado e umas últimas passadas para se recolherem as “bolas de carne” que o Carlos, também Comando, tinha preparadas no Café Argus.
Depois, foi a subida até ao Santuário da Senhora do Mont’Alto, que dista cerca de dois quilómetros do centro da vila, se situa a 500 metros de altitude e de onde as vistas são deveras deslumbrantes e de rara beleza.
Dali se contemplam o vale do rio Alva, os contrafortes da serra do Açor e todos aqueles campos que se espraiam até à estrada da Beira.
O Santuário, que data do século XVI, foi inicialmente mandado construir em 1521 por Francisco Pires, natural de Arganil e recebe todos os anos em 15 de Agosto, inúmeros forasteiros e visitantes, numa célebre Romaria.





O ponto seguinte para uma pequena paragem foi a bonita aldeia de Fajão, onde uma chuva copiosa nos aguardava.
Aldeia que já foi vila, encaixada na encosta, alcandorada sobre o rio Ceira e não muito distante da sua nascente, enquadra-se na perfeição entre os altos e gigantescos penedos, os “penedos de Fajão”, que nos fazem lembrar antigos castelos. De grandes tradições tem na sua essência o xisto com que são construídas a maior parte das suas habitações.
Passado o adro da igreja e com a chuva sempre por companhia fomos visitar o Museu Monsenhor Nunes Pereira, que dispõe de núcleos de pintura, escultura, etnografia e documentação. Reconstitui também alguns espaços físicos como a cozinha e o quarto.





Pela estrada panorâmica das eólicas seguimos até ao Rolão onde as ruínas daquela velha casa da “Senhora Martinha” nos permitem ainda recordar tempos idos e todas as peripécias que envolviam uma viagem à terra.
Fomos então surpreendidos por uma “emboscada” preparada pelo Artur e pelo José Álvaro, mas que felizmente não causou quaisquer danos na comitiva.
Enquanto se deslizava suavemente pela estreita via íamos dando a conhecer as dificuldades por que passaram os dirigentes regionalistas nos anos quarenta/cinquenta com o processo para a abertura e construção desta estrada que iria tirar do isolamento as aldeias da nossa freguesia.





Um desvio para a simpática aldeia do Soito, aldeia que se encontra em permanente e franca recuperação. Dirigentes da Comissão de Melhoramentos aguardavam o grupo e a capela de São Pedro esperava-nos de portas abertas.
“É talvez um dos sítios mais míticos do Soito, sendo, ao longo da história, para além de um local de oração, o verdadeiro centro da aldeia. Segundo a tradição oral, terá cerca de seiscentos anos e à data da sua construção situava-se no cimo da aldeia, que entretanto se foi expandido pela encosta. Diz-se que é uma das mais antigas da Freguesia. Ainda segundo a mesma tradição oral, a imagem de São Pedro, feita em pedra, já existia antes da construção da capela, sendo nesses tempos guardada na casa dos habitantes da aldeia.” (in Soito – Aldeia Preservada)
Na ponte do Soito, a primeira obra realizada pela União Progressiva na freguesia do Colmeal, a passagem do enorme autocarro não foi muito fácil mas valeu mais uma vez a perícia do condutor, demonstrada já em anteriores situações.
O “Ex-líbris” da freguesia maravilhou todo o grupo na passagem sobre o rio Ceira, uma autêntica piscina de águas límpidas e tentadoras, qual paraíso tropical, com as suas árvores frondosas fazendo como que uma garbosa guarda de honra enquanto ele vai deslizando tranquilamente e em silêncio.







O Colmeal já era em 1560 uma pequena povoação da margem direita do Ceira tendo por esse tempo, a 16 de Novembro, merecido a “promoção” a freguesia.
Carlos da Conceição de Jesus, presidente da Junta de Freguesia, fez questão de receber os visitantes no salão do edifício a quem dirigiu palavras de muita simpatia. Também António Santos, presidente da União Progressiva e António Neves, Tenente-coronel Comando manifestaram a sua satisfação por esta iniciativa que teve enorme adesão e que trouxe ao Colmeal grupo tão numeroso.
Comandos e Junta de Freguesia trocaram ainda lembranças alusivas a esta visita antes de todos se dirigirem para o piso térreo onde foi servido o almoço, que pela instabilidade climatérica teve que ser deslocado do Parque de Merendas das Seladas.
A boa disposição esteve sempre presente e entre todos os que ali estavam, havia um Comando particularmente orgulhoso e feliz por ter trazido à sua terra, à terra que o viu nascer e onde deu os primeiros passos, um tão grande grupo de amigos e que, como ele costuma dizer, “são a sua outra família”. O Artur Domingos da Fonte. Um diploma foi no final entregue aos participantes certificando a sua passagem pela Serra do Açor.





O tempo corria velozmente e com um atraso muito considerável chegou-se à Cabreira para uma visita ao Lagar, onde o Senhor Luciano explicou o modo de funcionamento.
Seguiu-se a vila de Góis onde a hora tardia a que chegámos não nos permitiu mais do que uma breve e última contemplação da tranquilidade do Ceira.
A simpatia das gentes da serra que tão bem os soube receber, a beleza paisagista e a gastronomia cativaram estes “aventureiros” que ficaram completamente rendidos.
De todos ficou a promessa de voltar.

Fotos de A. Domingos Santos,
Francisco Silva e José Carlos