12 setembro 2009

A UNIÃO VAI VISITAR O PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA

. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal no dia em que comemora os seus 78 anos de existência vai visitar o Palácio Nacional de Mafra (antigo Real Convento de Mafra), considerado o mais importante monumento do barroco português.
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O Palácio foi mandado construir por D. João V (1689-1750), em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D. Maria Ana de Áustria, ou a cura para uma grave enfermidade de que padecia. O conjunto arquitectónico desenvolve-se simetricamente a partir de um eixo central, a Basílica, ponto culminante de uma longa fachada ladeada por dois torreões.
Construído em pedra lioz da região de Pêro Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa uma área de 37 790 m2, compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pisos e saguões. Aqui trabalharam operários vindos de todo o reino, chegando a atingir cerca de 50 000 num mesmo ano. Tal magnificência só foi possível devido ao ouro proveniente do Brasil, que permitiu ao monarca pôr em prática uma política mecenática e de reforço da autoridade régia. A direcção da Real Obra foi entregue a João Frederico Ludovice, ourives alemão, mas com formação de arquitecto em Itália. O modelo adoptado inspira-se na Roma Papal, um barroco influenciado por Bernini, sem esquecer algumas influências germânicas.
A 17 de Novembro de 1717 lançou D. João V a primeira pedra, abençoada pelo Patriarca de Lisboa Ocidental perante toda a Corte. Pensado inicialmente para treze frades, o projecto sofrerá entretanto sucessivas alterações para comunidades de 40, 80 e, finalmente, 300 religiosos. No domingo 22 de Outubro de 1730, data do 41º aniversário do Rei, realizou-se a Sagração Solene da Basílica, dedicada a Nossa Senhora e Santo António, que durou oito dias no meio de um fausto e magnificência nunca vistos.
Para o Real Convento de Mafra encomendou o monarca obras de escultura e pintura de grandes mestres italianos e portugueses, bem como, em França e Itália, todos os paramentos e alfaias religiosas. Na Flandres encomendou ainda dois carrilhões com 92 sinos, que constituem o maior conjunto do mundo. Este monumento possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas com cerca de 40 000 obras, verdadeira síntese do saber enciclopédico do século XVIII. Muitos destes volumes foram encadernados nas oficinas que funcionavam junto à Casa da Livraria, projectada por Manuel Caetano de Sousa em estilo rocaille, por encomenda dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
Visitado apenas por curtos períodos pela Família Real, este Palácio foi, no entanto, habitado durante todo o ano de 1807 por D. João VI (1767-1826), antes da partida da Corte para o Brasil em consequência das Invasões Francesas. Com este monarca teve início um programa decorativo de que são exemplo as pinturas murais de algumas salas, como a Sala do Trono, da Guarda e de Diana. Também neste período, foram encomendados seis novos órgãos para a Basílica. Regressada a Portugal, a Corte retomou o hábito das visitas a Mafra para celebrar algumas festas religiosas ou passar parte do Verão caçando na Tapada. Foi deste Palácio que o último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio, a 5 de Outubro de 1910, depois de proclamada a República.
Para os altares da Real Basílica, para as diversas capelas e áreas conventuais, como a portaria e o refeitório, D. João V encomendou uma colecção de pintura religiosa que se conta entre as mais significativas do século XVIII. A colecção de escultura compreende toda a estatutária da Basílica, encomenda joanina a grandes mestres italianos, constituindo a mais significativa colecção de escultura barroca existente em Portugal, a qual inclui ainda os seus modelos em terracota, bem como a produção da Escola de Escultura de Mafra, aqui criada no reinado de D. José I (1714-1777). A colecção de paramentos é também de encomenda real em Itália (Génova e Milão) e em França. São obras de grande qualidade de execução, distinguindo-se das suas contemporâneas por serem bordadas com a técnica do ouro, mas utilizando apenas o fio de seda desta cor.
O Jardim do Cerco que também merecerá a nossa visita, foi construído e traçado entre o Palácio e a Tapada de Mafra, a maior zona natural murada a nível nacional. Este jardim tem o potencial único de articular os valores arquitectónicos e ecológico e juntar as duas peças da mais forte afirmação cultural da época barroca em Portugal. Como jardim barroco, destacam-se os jogos de água com cascatas e lagos, bem como os caminhos largos propícios à conversa e à contemplação.
Depois desta visita seguiremos para a Quinta da Feteira, em Fazendas de Almeirim, onde será servido o almoço e mais tarde o lanche. Como já foi anunciado haverá música para dançar e bar aberto toda a tarde. Informação retirada do Guia do Palácio Nacional de Mafra
Fotos de António D. Santos

Tempos de Crise

Lisete de Matos
Açor

Freguesia do Colmeal (História) IV

PASSADO – PRESENTE Capítulo IV NO LIMIAR DA HISTÓRIA
Colmeal (1) foi povoado por D. Sancho I (2), no século XII, por volta do ano 1190 (3), ou seja passado um lustro após ter sido aclamado rei (4); todavia, as suas iniciais formação e denominação – CULMUM (5), se perdem entre a bruma dos séculos. Seus fundadores e primitivos habitantes foram os Romanos que vieram até aqui, mediante as suas aventuras migratórias e conquistadoras. Esta terra era-lhes devera agradável, pois aqui encontraram meios propícios à sua subsistência, tais como: abundância demasiada de caça nas densas florestas; frescas nascentes de água, onde a notabilidade se evidenciava; abundância de peixe existente no rio; existência de terras próprias para serem cultivadas, após se efectuar previamente o seu desbravamento e ainda importantes atractivos, como o ouro e a prata que neste local abundava. Contudo o único vestígio de existência Romana e da inserção da sua civilização, que chegou até esta época, é apenas a levada (6) talhada na rocha, a qual entra na freguesia pelo nascente, no sítio denominado Ribeira de Ádela, e a qual seguia sensivelmente o traçado actual da estrada, desde o Porto Ribeiro, Longo das Vinhas, Largo da Fonte, entrando no Porral em direcção ao Canto, onde a existência das primeiras habitações nos parece certa, mediante todas estas indicações. O Romano era um povo belicoso, combativo, e também era um verdadeiro povo de agricultores, onde se destaca o caso de o grande proprietário pegar na charrua e lavrar ao lado do pequeno agricultor. A levada foi concebida como conduta de água, com a finalidade de ao longo de todo o seu percurso (7) se proceder à separação de minérios e simultaneamente se regar os terrenos de cultivo, obtendo-se assim colheitas mais abundantes. Nas intermitências onde não havia rocha, era aplicada e adaptada, uma espécie de cal hidráulica, igual àquela utilizada na construção de condutas italianas, construídas no século I, antes da nossa era, e as quais ainda estão em funcionamento. A mina de Alfândega, que lendariamente se diz atravessar toda a Cova na sua extensão e que passa a algumas dezenas de metros abaixo do Centro Paroquial (8), foi perfurada com o fim de explorar o ouro, assim como a de Ádela (9), que também segundo a lenda, parece atravessar a serra em direcção a Celeviza. (1) Antigo Colmial (2) Torre do Tombo. Vol. III – Inq. da Beira e Além Douro, folhas 10, lê-se o seguinte: «E dizem que o cadafaz e o caraulhar do ssapo e o colueal e a folgosa e a Cerdeira e a abegoaria foram pobradas em tempo del Rey dom ssancho e del Rey com afõsso prestumeiros e dellas em tempo rey herdamentos que comprarom filhos dalgo de gooes domes dessa villa.» (3) Vol II – História de Portugal – Prof. Damião Peres, folhas 119, consta: «Nos primeiros anos de governo próprio, Sancho não descura a povoação doutras regiões, como a Beira Alta e…» (4) Reinou de 1185 a 1210 (5) Ver Capítulo I – Toponímica. (6) Atribuída sem razão aos mouros e cuja lenda nos diz que semelhante construção foi originada por um rei ter uma filha lindíssima e dois pretendentes, não sabendo a qual conceder, prometeu sua filha ao que primeiro viesse a construir um castelo ou que a água corrente do Ceira viesse a conseguir levar ao local do acampamento. (7) Dizem ter tido início no local denominado Ponte de Cartamil e terminar em Bobadela. (8) Também aqui a lenda diz que a largos metros de profundidade a mina é interrompida, surgindo um grande poço e na sua frente uma estátua de guerreiro, «proibindo a passagem de intrusos». (9) No local foram em tempos, encontradas várias mós e peças de olaria, mas como nunca foram analisadas por pessoa competente, acabaram por se perder, desconhecendo-se o seu valor arqueológico. in Boletim “O Colmeal” Nº 105, Julho de 1970

07 setembro 2009

Coisas de antigamente

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Cirurgião do Açor
Antigamente, pouco depois das invasões francesas, viveu no Açor um moço pastor de gado que veio a ser homem grande na cirurgia portuguesa. Chamava-se António de Almeida Freire, e o seu busto de homem de ciência esteve, durante muito tempo, exposto na Escola de Medicina Legal de Lisboa. O encaminhamento da sua vida ficou a dever-se a gado e a lobos, a um descuido de rapaz e à severidade dos pais de outros tempos. O Albano e o “ti” Raul do Açor é que contam como foi. O António era pastor de gado, mas um dia esqueceu-se de trancar o curral aos animais. Os lobos deram sobre as cabras, escapando apenas as quatro ou cinco que conseguiram encarrapitar-se no Penedo dos Corvos, onde as feras as deixaram em paz. O pai do António é que não deixou o rapaz em sossego e preparava-se para lhe dar o castigo competente (diz o “ti” Raul que, nesse tempo, os pais não eram como os de agora!), encontrando o moço salvação nos bons tamancos brochados. A pé, fugiu para Lisboa, onde se empregou em serviços de limpeza nos hospitais civis. Tinha então quinze anos. A pouco e pouco, aproveitando o tempo em estudo e observação, acabou por ser mestre em cirurgia, creditando-se nesse mister em alto grau. Veio a casar no Caratão da Teixeira, freguesia em que seu filho, também de nome António e pai do Sr. Padre Eduardo, foi barbeiro durante alguns anos. Um irmão seu, que veio a casar no Soito, foi o avô do general Almeida Freire, e foi também barbeiro seu irmão José Antunes de Almeida, o qual, por sua vez, ensinou o filho, António de Almeida Freire, de Colmeal, de que muita gente na freguesia e nos arredores tem ainda boa e grata recordação. O ofício de barbeiro era, na altura, como talvez a gente mais nova desconhece, um pouco mais complicado do que o dos barbeiros de hoje. Além de tratar das barbas aos varões, o barbeiro era o entendido na medicina e na cirurgia, a quem os doentes recorriam para combaterem seus achaques. Muitos deles, como o Sr. Almeida, do Colmeal, não se limitavam a serem peritos de medicina caseira; a intuição e a prática conferiam-lhes uma autoridade que não raramente era reconhecida pelos médicos e uma competência que levava os encartados a pedirem-lhes conselho e colaboração. In Boletim “O Colmeal” Nº 133 – Jan. – Março de 1976 Arquivo da UPFC Lisete de Matos, dirigente da Associação Amigos do Açor, reeditou em Maio de 2008, por ocasião da realização da caminhada “Trilhos da Ribeira de Ádela – Caminhos da Escola”, uma pequena brochura em que homenageia António d’Almeida Freire, para além de Fernando Costa. Na sua pesquisa sobre Almeida Freire, Lisete de Matos escreve “Com sacrifícios e privações, algumas frustrações e esperanças, fez em 31 de Maio de 1842, segundo «Despacho do Conselho de Saúde Publica do Reyno», os «exames dos 1º, 2º, 3º e 4º anos», dos diferentes «curços da Escola Médica Cyrurgica de Lisboa», sendo com louvor aprovado por unanimidade. A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Feijoada
- 1 Chouriço de carne - 500 gr. de carne de porco - 500 gr. de feijão - 1 Orelha de porco - 2 Cebolas - 3 dl. de Azeite - 1 Folha de louro - 1 Ramo de Salsa
- 800 gr. de grelos de couve Coloque um tacho ao lume, com a água temperada com sal e coza o feijão, o chouriço, a carne e a orelha de porco.
. À parte pique as cebolas e coloque-as num tacho, juntamente com o azeite, o louro e a salsa e deixe refogar. Escorra o feijão e acrescente ao refogado.
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Corte o chouriço, a carne e a orelha de porco em bocados pequenos e disponha numa travessa. .
À parte corte os grelos e passe-os por água até ficarem bem lavados. Coloque um tacho ao lume com água temperada com sal, e quando esta estiver a ferver, acrescente os grelos.
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Depois de cozidos, escorra os grelos e coloque-os num recipiente à parte. .
Acompanhe o chouriço, a carne e a orelha de porco, com o feijão e os grelos. .
A receita apresentada, (feijoada) foi disponibilizada por Silvina Nunes, residente no Colmeal
Peixes do rio com migas de broa
- 12 Peixes do rio . - 500 gr. de castanhas piladas . - ½ Broa . - 2 Cebolas .
- 3dl. de azeite Amanhe os peixes do rio e tempere-os com sal. Coloque uma frigideira ao lume, com um pouco de azeite e frite os peixes do rio.
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Coloque um tacho ao lume com água temperada com sal e coza as castanhas piladas. Retire as castanhas e coloque-as num recipiente.
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Aproveite a água da cozedura das castanhas e migue a broa para o interior do tacho.
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À parte, pique as cebolas e coloque-as num tacho, juntamente com o azeite e deixe refogar. .
Posteriormente, acrescente aos poucos, o caldo das castanhas com a broa e deixe ferver. Escorra e coloque numa travessa.
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Sirva os peixes do rio, com as castanhas piladas e as migas de broa. . A receita apresentada (peixes do rio com migas de broa) foi disponibilizada por José Henriques, residente no Soito

Canoagem no Ceira

Todos os tempos livres são óptimos para "fazer o gosto ao dedo" e estes entusiastas pela canoagem não os desperdiçam. Com nevoeiro, chuva ou sol, eles aí estão. São grandes apreciadores e excelentes divulgadores das nossas paisagens e da nossa região.
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Fotos de Pedro Marquês

03 setembro 2009

Mérito para três Colmealenses

No passado dia 13 de Agosto, Dia do Município de Góis, foram atribuídas a título póstumo, Medalhas de Mérito do Concelho a três ex-dirigentes da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Seguidamente reproduzimos a intervenção de Henrique Brás Mendes, Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal e autor das respectivas propostas.
“Senhor Presidente da Assembleia Municipal, Senhor Presidente da Câmara Municipal, Senhores Vereadores, Senhor Comandante dos Bombeiros Voluntários, Senhor Comandante da Guarda Nacional Republicana, minhas senhoras, meus senhores. É muito gratificante para mim vir hoje aqui participar nesta justa homenagem que a Câmara Municipal de Góis decidiu prestar a três colmealenses cujas qualidades e empenhamento na defesa dos interesses das aldeias da Freguesia do Colmeal, está bem patente na proposta apresentada à reunião da Câmara Municipal. Tive oportunidade de com os homenageados fazer parte de vários órgãos sociais da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, ao longo dos doze anos em que ali militei. Devo dizer que vivi uma experiência muito gratificante como dirigente daquela associação, tendo adquirido conhecimentos que, tenho a certeza, sem o saber e a inteligência tanto do Sr. António dos Santos Almeida, do Sr. Fernando Costa e também o Sr. Manuel Barata, pessoas que viviam os problemas das nossas terras com muita intensidade, não era possível alcançar. Foram lições que não mais vou esquecer e que definem bem o carácter de solidariedade, de fraternidade e humanismo que todos eles possuíam.
Não foi por acaso que o Sr. António dos Santos Almeida foi dirigente desta colectividade ao longo de dezanove anos, dezassete dos quais seguidos, em que desempenhou os mais diversos cargos, com particular destaque para os de Presidente da Assembleia-Geral e de Presidente da Direcção. Queria apenas sublinhar um aspecto que considero importante e que embora faça parte do documento que serviu de base a esta homenagem, nunca é demais realçar: Quando chegou a hora de electrificação das nossas aldeias verificou-se que a Freguesia do Cadafaz se havia esquecido da povoação da Candosa, talvez pelo facto de se encontrar lá no fundo, bem escondida e quase na divisão com a Freguesia do Colmeal. Então o Sr. Eng.º Fontes, como era conhecido e ainda hoje recordado, uma vez que não havia projecto para resolver o problema daquela localidade, não hesitou um só instante e de imediato se colocou à disposição da Comissão de Melhoramentos daquela povoação para, graciosamente, lhe fazer o projecto, e foi desta forma que a Candosa conseguiu passar a beneficiar desse importante melhoramento, que é a electricidade, ao mesmo tempo que a freguesia do Colmeal.
Quanto ao Sr. Fernando Henriques da Costa, já foi retratado na proposta que motivou esta homenagem o seu vasto curriculum, mas nunca é demais realçar o grande amor que ele sentia pelas povoações que constituem a freguesia do Colmeal. Fernando Costa era um homem que não olhava apenas para a aldeia do Colmeal, ele tinha um carinho muito especial pela freguesia e lutou sempre, ao longo dos dezoito anos que militou nos Corpos Sociais da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, pelo bem-estar de todas as terras e não apenas da sede de Freguesia.
O Sr. Manuel Martins Barata foi um homem que começou também a sua actividade regionalista na União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Foi precisamente aí que ele deu os primeiros passos e começou a sentir esse bichinho do regionalismo. Durante quinze anos fez parte dos órgãos sociais da União, onde desempenhou os mais variados cargos. Em vinte de Janeiro de mil novecentos e setenta foi fundador da União e Progresso do Carvalhal, tendo sido seu Presidente da Direcção, praticamente durante todo o resto da sua vida. Foi um homem incansável, um amigo sincero e verdadeiro. Ajudou na legalização da Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais, teve papel preponderante na electrificação da Freguesia do Colmeal, graças a algumas amizades que tinha junto da Direcção-Geral dos Serviços Eléctricos e foi o grande impulsionador da construção do Cemitério do Carvalhal, obra cujo projecto foi suportado em cinquenta por cento pela colectividade do Carvalhal e cinquenta por cento pela de Aldeia Velha. Era um defensor da abertura dum estradão, entre Carvalhal e Aldeia Velha, pelos valeiros, actual caminho pedestre, obra que até hoje ainda não foi possível concretizar. Muito mais haveria para dizer acerca destes três colmealenses cuja luta pelo progresso da Freguesia do Colmeal souberam continuar de modo civilizado e com um carinho só possível por pessoas com coração de ouro. Resta-me pois, em nome da Junta de Freguesia do Colmeal, agradecer à Câmara Municipal de Góis o facto de ter aceitado a nossa proposta para que esta justa homenagem fosse possível e endereçar aos familiares os nossos parabéns por, embora tarde, terem sido reconhecidos os seus méritos. Bem hajam.”

Acção de Informação - Zona de Intervenção Florestal do Vale do Ceira

(clicar no cartaz para ampliar)

Baile de roda

Foto de António D. Santos

Freguesia do Colmeal (História)

PASSADO – PRESENTE Capítulo III POVOAÇÕES DA FREGUESIA
ÁDELA: Nome todo ele com características árabes, possivelmente derivado de Addallãl; que significa: adelo ou adeleiro – que compra e vende trastes usados ou ainda de Addãlil: coudilho; chefe; comandante. No entanto nos parece mais apropriado o primeiro pelas semelhanças existentes. Esta povoação pertencia inicialmente a Arganil e só muito posteriormente foi incluída no concelho de Góis, após a elevação do Colmeal a sede de freguesia. Há uma lenda que lhes chama «os de lá». ASNA (Vale de): Do latim Asina; Jumento; mula; burro. Possivelmente que quem desbravou o vale inculto utilizou para o efeito mulas ou burros e daí resultou «Vale de Asna». AÇOR: Ave de rapina semelhante ao falcão. Derivado do latim Acceptore: Teria havido destas aves de rapina na região? É muito natural que sim, e daí o seu nome. BELIDE (Quinta de): De Belida – névoa ou nevoeiro. No local existia ou existe nevoeiro com frequência, do que resultou seu nome, evoluindo para Belide. CARVALHAL: Vem de Carvalho. No local e cercanias terá havido muitas destas árvores. O seu povoamento foi efectuado no mesmo período que a sede de freguesia. É no entanto de admitir, ter sido habitado já muito anteriormente. Em documentos antigos nos aparece «Carualhal do ssapo», seu nome primitivo. CARRIMÁ: Nome misterioso, que não conseguimos decifrar nem encontrar significado. Teria sido derivado de «carreiro mau»? É uma possibilidade embora muito remota, visto no passado e ainda no presente todos os caminhos de ligação entre as várias povoações da freguesia serem péssimos. COIÇOS: Do latim Calce, ou seja o mesmo que couce ou coiceiro, ou ainda terreno em curva junto aos rios ou ribeiras. FOZ DA COVA: Foz, do latim fauce; lugar onde um rio ou ribeira vai desaguar. Cova é a abertura na terra; escavação; cavidade. Assim, Foz é o sítio onde as águas têm de passar para caírem na depressão de terreno que se chama cova. Com a junção resultou Foz da Cova. LOURAL: De loureiro, árvore sempre verde que produz bagas amargas e escuras. Seu primitivo nome foi «Loureyro». MALHADA: Rebanho de pastores; rebanho de ovelhas; curral de gado e ainda mata de carvalhos. Como povoação é posterior ao Soito pelo que é de admitir terem lá os habitantes deste enquanto para lá não foram habitar, currais de gado ou simplesmente os pastores irem para este local apascentar o gado. ROÇAIO: Do latim ruptiare: cortar rente; derribar; deitar abaixo ou ainda derivado de roça (de roçar) lugar onde se encontra mato, terreno coberto de mato. SAFREDO: De safar ou safaro, do árabe Saharã (neste caso o terreno) que significa estéril: inculto. Ou ainda do árabe Za Afaran: boa promessa de frutos. Terreno inóspito e inculto e depois de muita labuta prometer boa colheita, chegado aos nossos dias Za Afaran – em safredo. (1). SAIÃO: Planta com o mesmo nome e também chamada sempre-viva. Também é possível que seja derivado de saia larga e grosseira, que no passado usavam as mulheres. SALGADO: Que tem sal; que tem sal em excesso; picante; adquirido por alto preço. Quem desbravou o terreno e deu início à povoação teria comprado o local por alto preço ou seria esse o seu nome? SOBRAL: De sobro ou sobreiro, árvore que há centenas de anos existia com abundância na região e da qual ainda hoje se encontram alguns exemplares. A sua capela é uma das mais antigas da freguesia. SOITO: Seu nome inicial Souto; mata de castanheiros ou bosque denso, no entanto optamos pelo primeiro significado visto o Soito sempre ter tido abundância de castanhas. PORTO (Chão): Do latim portu; lugar de abrigo. Chão – terreno plano, resultando Porto-Chão, lugar plano e abrigado. Este seria o significado nominal. Mas bem diferente será a sua origem, pois a zona é bastante acidentada. VELHA (Aldeia): Mulher idosa; coisas extraordinárias ou espantosas: arco-íris. No local surgem com frequência arco-íris, no entanto também se pode ter dado o caso de o primeiro habitante ter sido mulher idosa. Em 1550 tinha um único habitante. COLMEAL – da autoria do Sr. Doutor António Simões Lopes publicámos no Cap. I de «Passado – Presente», extenso artigo sobre a possível origem deste nome. (1) Hoje completamente despovoada. Não vive lá pessoa alguma. Situa-se relativamente perto do Carvalhal. in Boletim “O Colmeal” Nº 104, Maio de 1970

Vale Pardieiro

Vale a pena ir à procura desta quase esquecida povoação do vizinho concelho de Arganil em que o rio Ceira lhe passa por baixo. Vale a pena sobretudo para apreciar um produto da "engenharia popular": um furado, ou seja, uma galeria com dezenas de metros rectificando uma curva do leito do rio e ao longo da qual a água era desviada, quer para fins mineiros, quer para fins agrícolas.
Fotos de Pedro Marquês