08 dezembro 2010

Silêncio na noite

Colmeal. Luzes e silêncio na noite. Foto de Mário Longuinho

Constituída Fundação “A Comarca de Arganil”

. Edição especial do centenário jornal vai ser lançada até ao final do ano, anunciando um novo ciclo de vida para “A Comarca”. A última edição do jornal “A Comarca de Arganil” foi publicada em 10 de Junho de 2009, seis meses depois de ter sido pedida a insolvência da empresa proprietária do título. Entretanto, um grupo de cidadãos determinados em «não deixar morrer» aquele jornal centenário, cuja primeira edição remonta a 1 de Janeiro de 1901, pôs mãos à obra e decidiu criar uma Fundação para retomar a publicação do jornal. E nasce, assim, a Fundação “Memória da Beira Serra – A Comarca de Arganil”, cuja escritura foi assinada na passada segunda-feira e pretende pôr nas bancas, até ao final do ano uma edição especial, prevendo-se a sua publicação regular a partir de Fevereiro do próximo ano. Como outorgantes da Fundação estão 10 elementos, “Os 10 magníficos”, nas palavras de Dias Coimbra, que encabeça o grupo, que inclui Fernando Manuel Dias, Dinis Cosme, António Carvalhais, Jorge Pereira, Mário Vale, António Lopes Machado, Pedro Pereira Alves, Carlos Andrade e Nuno Gomes. Sedeada na Academia Condessa das Canas, a Fundação tem fins «informativos, culturais, educativos, sociais, artísticos, científicos e filantrópicos, a desenvolver em toda a Beira Serra e, em particular, nos concelhos de Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital e Tábua». Dotada com o património inicial de dois mil euros em numerário, esta dotação será reforçada com os bens adquiridos, em Maio, no âmbito do processo de insolvência da empresa A Comarca de Arganil, que correu no Tribunal de Arganil, avaliados em 275 mil euros e adquiridos com dinheiro proveniente de donativos feitos pela comunidade, com vista à sua posterior transferência para a Fundação, tendo a Misericórdia de Arganil assumido o papel de «fiel depositária dos mesmos». Os bens em causa incluem o título “A Comarca de Arganil”, o arquivo fotográfico, a colecção impressa do jornal, maquinaria diversa, incluindo o designado “prelo”, mobiliário de montagem do texto e respectivos tipos, letras em chumbo, carimbos, separadores, diversas obras editadas, entre outros. Além de «manter e perpetuar, adaptado à actualidade, o jornal “A Comarca de Arganil”, como veículo de informação, de promoção e defesa dos interesses de toda a região da Beira Serra e como elo de ligação entre as populações aí residentes e aquelas que, noutras paragens, continuam afeiçoadas à Beira Serra», a Fundação pretende, também, «organizar e manter o espólio histórico de “A Comarca”, através da criação de um Museu da Imprensa Regional e das Comunidades Portuguesas, projecto que será pioneiro em Portugal». Promover acções tendentes ao desenvolvimento sustentado e integrado da região da Beira Serra, realizar e promover acções de formação e debate, instituir prémios e conceder bolsas de estudo, desenvolver iniciativas de solidariedade e acção social, através do estabelecimento de acordos de cooperação com o Estado, promover e patrocinar actividades artísticas e editoriais, são, ainda, alguns dos muitos fins a que esta Fundação se destina. Fazer reviver a Beira Serra
«É com muita emoção que vos dirijo a palavra», começou por afirmar Dias Coimbra, na cerimónia de assinatura da escritura, realizada no salão nobre da Misericórdia de Arganil, enfatizando que o movimento que se constituiu para «não deixar ir abaixo a Comarca, não é contra nada, pois sempre co-existiram dois jornais em Arganil» e «só nos juntámos para evitar que desaparecesse» e lembrou a sua importância, referindo que «para quem estava no estrangeiro era a carta da família» Para Pedro Pereira Alves é «um momento histórico para Arganil, para a Beira Serra e para toda a região» e «também um momento importante para afirmarmos a nossa característica regionalista e os nossos valores». «Ao fazermos reviver a Comarca, estamos em condições de fazer reviver a Beira Serra e é também uma forma de afirmarmos a coesão regional». Jorge Pereira recordou que «a Comarca não morreu, mas caiu e de uma forma inglória» e «não merecia o que lhe aconteceu». Todavia, adiantou um dos antigos administradores «não era possível continuar, daí ter pedido ajuda, ela veio e dentro de dias a Comarca aí estará e é uma grande alegria para mim», sublinhou emocionado. Os corpos sociais da Fundação deverão estar constituídos dentro de 30 dias, e, para além dos 10 fundadores, irão incluir outras pessoas de concelhos vizinhos, nomeadamente, Góis, Tábua, Pampilhosa da Serra, Miranda do Corvo, Lousã, Penacova, Vila Nova de Poiares e Oliveira do Hospital. in Diário de Coimbra, 08/12/2010

06 dezembro 2010

Neblina no Ceira

Março de 2006. Imagem madrugadora do rio Ceira, à ponte, no Colmeal. Foto de Pedro Marques

Clube de Contadores de Histórias (XXI)

Escuta as vozes da terra
Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito. Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, eu fazia imensas perguntas: ― Avô, porque é…? ― O que se passaria se…? ― Será que às vezes…? Um dia, perguntei: ― Avô, o que é uma oração? O meu avô ficou em silêncio durante muito tempo. Quando chegámos junto das árvores mais altas da floresta, respondeu-me com uma pergunta: ― Alguma vez ouviste o murmúrio das árvores? Pus-me à escuta, atento, mas foi em vão. ― Vê como as árvores sobem até ao céu. Tentam subir sempre mais. Querem chegar às nuvens, ao sol, à lua e às estrelas. Procuram elevar-se até ao céu. Pensei nas árvores, procurei ouvi-las. Enquanto reflectia, sentei-me numa rocha velha, coberta de musgo. O meu avô explicou: ― As rochas e as montanhas também falam connosco. A sua calma e o seu silêncio inspiram-nos tranquilidade. Depois de ter reflectido durante bastante tempo, peguei numa pedra e coloquei-a no meu bolso. Caminhámos um pouco mais, até junto de um ribeiro. A água borbulhava, cintilava, e viam-se pequenos peixes a nadar. ― Avô, os ribeiros também murmuram? ― Claro. Bem como todos os lagos, rios e cursos de água. Às vezes, correm tranquilamente. Espelham as nuvens, os pássaros, o sol ou as estrelas. Outras vezes, escoam-se em redemoinhos, lançam-se no mar ou evaporam-se no céu. E o ciclo recomeça… Também se riem e divertem com os seus amigos rochedos. Dançam, saltam, tornam a cair…Mas a natureza conhece outras formas de se exprimir. As ervas altas procuram o sol e as flores exalam o seu perfume doce. Quanto ao vento, sussurra, geme, suspira, e sopra-nos as suas palavras. Escuta o canto dos pássaros de manhã cedo, escuta o seu silêncio antes do nascer do sol. Consegues ouvir a melodia do pintarroxo ao cair da tarde? Os animais correm pela floresta, tornam-se reluzentes com a água, escalam montanhas, voam até às nuvens, ou refugiam-se na terra. É assim que todos os seres vivos participam na beleza do mundo…
Calámo-nos os dois. O meu avô olhava o horizonte e eu reflectia no que ele me tinha dito sobre as rochas, as árvores, a erva, os pássaros e as flores. Acabei por lhe perguntar de que modo rezavam os homens. O meu avô sorriu e passou-me a mão pelos cabelos. Respondeu: ― Tal como a natureza, os homens têm a sua linguagem própria. Podem inclinar-se para cheirar uma flor, ver o sol despontar no horizonte, sentir a terra mover-se docemente, ou saudar o dia que começa. Pode-se passear num bosque coberto de neve num dia de Inverno e ver o próprio sopro confundir-se com o sopro do mundo. A música e a pintura são também formas de expressão, de linguagem…. Às vezes, sentimo-nos tristes, doentes ou isolados. Então, repetimos as palavras que os nossos pais e avós nos legaram. Mas é preciso que cada um encontre as suas próprias palavras. O que é importante é dizer o que verdadeiramente se sente, o que nos vem do coração. Passado algum tempo, o meu avô disse que eram horas de regressar. Mas eu tinha uma última pergunta: ― Será que há respostas para as nossas orações? Sorriu. ― Se as escutarmos atentamente, as orações contêm as suas próprias respostas. Nós somos como as árvores, o vento e a água. Não podemos mudar o que nos rodeia, mas podemos mudar-nos a nós mesmos. É evoluindo que transformamos o mundo. Depois deste passeio, ainda voltámos a passear juntos. De cada vez, tentei escutar as vozes da terra, mas creio que nunca as ouvi. Um dia, o meu avô deixou-nos. Continuei a pensar nele com todas as minhas forças, mas ele não voltou. Não podia voltar. Rezei até mais não poder. Depois, deixei de o fazer. Sem ele, tudo me parecia sombrio. Sentia-me muito só. Alguns anos mais tarde, durante um passeio, sentei-me debaixo de uma árvore enorme. Os ramos mexiam e as folhas sussurravam. Ouvi o murmúrio de um ribeiro e o canto de um pintarroxo, pendurado numa madressilva. Ouvi também um ligeiro sussurro, misturado com o sopro do vento, com o canto dos pássaros e com o marulho da água. Tal como o meu avô me ensinara, a terra falava comigo. Então, também eu murmurei, docemente: ― Obrigado pelas árvores grandes e pelas flores, pelos rochedos e pelos pássaros. E, sobretudo… obrigado pelo meu avô! Foi então que algo aconteceu. Senti – outra vez – o meu avô perto de mim… E, pela primeira vez desde há muito tempo, tudo me parecia perfeito.
Douglas Wood Grandad’s Prayers of the Earth Paris, Gründ, 2000 (Tradução e adaptação)
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

04 dezembro 2010

NEVE TRISTE

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A manhã de hoje levantou-se vestida com uma camisa de neve esfarrapada e triste. Duplamente triste: devido ao aspecto, e por ter chegado enquanto alguém partia.
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E insuficiente para purificar o solo das maleitas do Verão seco, mas suficiente, depois de ter gelado, para provocar quedas e um braço partido.
Também a apanha da azeitona foi interrompida, mas essa pode esperar, enquanto esperam abandonados e inertes os “enxovais” próprios da actividade: as escadas vazias a procurarem a seiva quente das oliveiras; o cesto tombado e solitário; os toldos avulsos, parecendo um “patchwork” desconforme, hirto e crocante; sobre eles, azeitona gelada a tiritar de frio.
Quando o sol quente chegou, o azul luminoso do céu afagava os que o olhavam, e acolhia compassivo os que acabavam de chegar! Lisete de Matos Açor, Colmeal, 3 de Dezembro de 2010

02 dezembro 2010

Um caminho a melhorar

A cascata da Cortada é um dos locais mais emblemáticos e espectaculares que podemos encontrar na freguesia do Colmeal. Passagem talhada pela mão do homem, em tempos idos, para que o antigo leito do rio pudesse ser aproveitado para a agricultura. Mário Martins, Carlos Dias e dois amigos, todos grandes entusiastas da natureza e da canoagem, fazem o reconhecimento do local pensando talvez na próxima descida. Um pequeno trecho do caminho necessita de uma ligeira melhoria onde com poucos degraus marcados na rocha e um corrimão de apoio se faria a diferença. Tal como nas zonas balneares da Ponte e da Quinta onde se introduziram importantes beneficiações, acreditamos que a Junta de Freguesia do Colmeal estará sensibilizada para, logo que lhe seja possível, pôr em prática esta melhoria tão simples. Fotos cedidas por Mário Martins

A União foi à ilha da Madeira (IV)

Tínhamos ficado na Igreja de Nossa Senhora do Monte, a padroeira da ilha, e que foi construída no séc. XVIII no mesmo local onde antes existira uma ermida do séc. XV. Esta igreja é o destino da procissão que se realiza todos os anos a 15 de Agosto, quando os “arrependidos” sobem os 74 degraus de joelhos. Verdadeiramente impressionante é a escadaria que dá acesso a esta igreja, algo desconcertante para quem está do lado de cima. O Monte é uma pequena freguesia situada nas montanhas por cima do Funchal e a cerca de seis quilómetros. De lugar de férias para os habitantes do centro da capital, devido ao clima mais fresco que apresenta, depressa cresceu. Uma das principais características do Monte, que ainda se mantém na memória dos mais velhos mas que se encontra há muito perdida, era uma linha de caminho de ferro, que desde o Terreiro da Luta fazia a ligação Monte-Funchal.
O imperador austríaco Carlos I está sepultado na Igreja, numa capela lateral. Carlos de Habsburgo que foi imperador da Áustria, da Hungria e Boémia encontrara asilo na ilha após ter abdicado do trono, no decorrer da primeira guerra mundial, mas seis meses depois morreu de pneumonia, em 1 de Abril de 1922.
A freguesia do Monte é uma das mais visitadas da ilha da Madeira fundamentalmente por três pontos de interesse. Para além da igreja e do teleférico é dali que partem os tradicionais carros de cesto, feitos em vime e madeira, que conduzidos por experientes carreiros, percorrem em velocidade controlada, em cerca de 10 minutos, o inclinado caminho do Monte até ao Livramento. O interesse dos nossos companheiros excursionistas era grande mas a fila de espera ainda era maior e alguns tiveram que lá voltar na parte da tarde, que era de tempo livre, para sentirem a emoção da descida, com os pés dos carreiros a fazer de travões.
A caminho do almoço atravessámos o Parque Municipal do Monte, também conhecido por Parque Leite Monteiro. Fica situado entre os 500 e os 600 metros de altitude e constitui o coração da freguesia de Nossa Senhora do Monte. Começou a ser construído em 1894 e a primeira fase ficou concluída cinco anos depois. Em finais do século XX, entre1997 e 1999, passou por importantes obras de requalificação e foram introduzidas árvores, arbustos e plantas herbáceas indígenas da ilha da Madeira. As fortes chuvadas de 20 de Fevereiro provocaram um grande deslizamento na parte sul e as águas revoltas do Ribeiro de Santa Maria danificaram alguns canteiros.
O Palácio de São Lourenço destacava-se à nossa esquerda quando nos dirigíamos para almoçar na Marina do Funchal. Fortificação portuguesa dos séculos XVI e XVII chegou até aos nossos dias como uma das construções militares melhor preservadas. Foi residência de capitães e governadores da ilha e actualmente é a do Ministro da República para a Região Autónoma e alberga também o Museu Militar.
Uma das iguarias mais apreciadas na gastronomia regional madeirense e que fez parte do nosso almoço foi o bife de atum, espécie muito abundante nos mares da ilha. A Marina do Funchal, local turístico por excelência, onde diária e temporariamente aportam veleiros e grandes navios de cruzeiro provenientes das mais diversas paragens, estava mesmo ali perto de nós, convidando-nos a um passeio.
O Mercado dos Lavradores, o principal mercado da Madeira, encontra-se instalado num edifício lindíssimo, dos anos 30, combinando art deco e modernismo. Há um pouco de tudo, desde as flores típicas madeirenses, às verduras, fruta, carne e peixe, especiarias e ervas aromáticas e naturalmente, produtos regionais, em que se destaca o famoso bolo do caco. A roupa colorida e os pregões das vendedoras, a diversidade de produtos e a azáfama dos funchalenses fazem da ida às compras uma experiência inigualável. Originalmente, vendiam sobretudo flores, o que não é de estranhar, se tivermos em conta que a ilha da Madeira é muito rica em espécies que dão a estes mercados um colorido especial. Estrelícias, orquídeas, proteias, rosas, antúrios, azáleas, glicínias e camélias são apenas algumas das flores que se podem comprar.
A magnífica Sé do Funchal ficou concluída em 1514 e é um dos poucos edifícios que desde então quase se manteve intacto. Com a sua torre sineira é um bonito monumento, característico do gótico tardio, situado bem no centro histórico da cidade e constitui a mais emblemática obra do período manuelino na ilha da Madeira. No seu interior, tem várias capelas distintas e um altar-mor do século XVI em que se destacam os assentos que mostram santos, profetas e apóstolos em trajos dessa época e em cujos apoios de braço são retratadas cenas da vida madeirense. O interior é rico com diversas obras de estatuária, pintura e azulejaria.
O Parque de Santa Catarina é o maior espaço verde existente na baixa da cidade. Ocupa uma área de 36 mil metros quadrados e possui uma grande variedade de árvores e arbustos tropicais. A lagoa com os seus repuxos constitui um dos atractivos do parque, que se encontra estrategicamente instalado na plataforma fronteira ao porto e de onde se desfruta de uma notável vista da baía até à ponta da Garajau.
Chegada a hora do jantar transportaram-nos para o restaurante onde uma Noite Típica Madeirense nos aguardava. O delicioso e variado menu incluía a famosa espetada madeirense, fados, folclore e ainda música para dançar. A espetada já não é feita em pau de louro como antes, por uma questão ambiental e de preservação do loureiro.
Enquanto uns bailavam havia outros que não perdiam a oportunidade de registar estes momentos para a posteridade. O convite para a dança formulado pelos elementos do agrupamento folclórico teve enorme adesão, e depressa se viu que os continentais também têm “pezinho para pôr ali ao pé do seu”.
Outro grande momento da noite aguardado com muita expectativa foi o da realização do sorteio que iria contemplar um dos participantes com um cheque oferecido pelo operador turístico. A cada um dos presentes foi dada uma senha numerada e a nossa guia Vera Serôdio teve a enorme responsabilidade de tirar o papelinho que iria ditar o sortudo. Ladeada pelos dois dirigentes da União Progressiva, António Santos e Santos Almeida, no meio de grande silêncio e frenesim, com tambores a rufar, tirou a senha que quase ia fazendo desmaiar a feliz contemplada.
Maria Teresa Galrito ainda mal refeita da emoção mas com a felicidade espelhada nos olhos quis ter um gesto simpático para com a Colectividade e fez um donativo à União no montante de cem euros.
Depois e finalizando mais este maravilhoso dia passado na idílica “Pérola do Atlântico” bailou-se com alegria, apesar de todos sabermos que no dia seguinte seria o regresso.
Fotos de A. Domingos Santos

24 novembro 2010

Sapo na grelha

Não se trata de uma nova iguaria. Apenas e só… um sapo na grelha. Foto de António Santos Colmeal 30 de Outubro de 2010