quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A União foi à ilha da Madeira (II)

Após o pequeno-almoço e com todo o grupo denotando boa disposição partimos em direcção a Câmara de Lobos, cujo nome provém da quantidade considerável de lobos-marinhos que ali se encontravam quando do seu descobrimento. Fundada por João Gonçalves Zarco em 1420, Câmara de Lobos é uma cidade, sede de concelho e foi a primeira povoação a ser erguida na ilha. Para além de ser o principal centro produtor de vinho da Madeira, tem também uma actividade importante na produção de banana e cana-de-açúcar. A pesca, centrada num pequeno porto, é importante para a população local. Recebeu a categoria de concelho em 1835 e em 1996 foi elevada a cidade. Winston Churchill em 1950 deixou-se encantar pela sua pitoresca baía e numa das suas passagens pela ilha veio a pintá-la num dos seus quadros. Do Miradouro do Pico da Torre tem-se uma bela vista sobre a baía e a cidade, bem como das freguesias de São Martinho, Estreito de Câmara de Lobos, Campanário e Cabo Girão.
A paisagem envolvente é deslumbrante com as encostas todas polvilhadas de casario. As novas vias, os viadutos e os túneis que “furam” toda a ilha facilitam enormemente as deslocações. Seguimos pelo Cabo Girão, considerado como o promontório mais alto da Europa e o 2º no mundo. Eleva-se 580m acima do nível do oceano. Mais do que uma paisagem agrária, em que os socalcos são minúsculos e estão trabalhados com o requinte artístico dos jardins, o que pode observar-se no Cabo Girão é um monumento à coragem do agricultor madeirense, e como tal deve ser admirado. O que ali vamos encontrar não é só património cultural da Madeira pois também o é da Humanidade. A vila da Ribeira Brava cuja fundação data de 1440 esperava por todos nós. Uma pequena pausa para um café mas que também permitiu uma espreitadela à sua bonita igreja. A vila da Ribeira Brava fica situada na foz de uma ribeira de “águas furiosas” e daí o nome que João Gonçalves Zarco lhe deu. Talvez por falta de espaço no fundo do vale, as gentes foram trepando as encostas em busca de terras fora do alcance da fúria das águas, soalheiras e capazes de produzir o seu sustento. Lugares que devido ao isolamento, mantiveram até praticamente aos nossos dias os costumes, as técnicas e instrumentos ancestrais, que vieram a dar origem à criação do Museu Etnográfico da Madeira que fica situado na Ribeira Brava. Sede de concelho compreende entre outras a freguesia de Serra d’Água, que se encontra situada num extenso, fundo e apertado vale, rodeado por altas montanhas e que foi bastante flagelada pelas intempéries de Fevereiro último.
Lindos agapantos brancos olhavam-nos das bermas das estradas por onde íamos passando. A ilha da Madeira é fértil em proporcionar-nos enquadramentos de rara beleza com a variedade infinita de flores que apresenta e a que nenhum apreciador da natureza ficará insensível. Quem não conhece as orquídeas, as estrelícias, os antúrios, as magnólias, as azáleas ou as proteias?
Continuámos até ao cimo da Encumeada por um percurso recheado de miradouros que permitem observar os cumes das montanhas circundantes e ver a Costa Norte e a Costa Sul da ilha. Depois foi a descida até S. Vicente, cujo centro havia sido soterrado em parte em 1928 e posteriormente recuperado. Um dos símbolos mais representativos de S. Vicente é uma pequena capela, construída em 1622, dentro de uma rocha de basalto e situada na foz da ribeira que atravessa a localidade. O almoço foi servido num restaurante panorâmico mesmo junto ao mar e serviu para mais uns momentos de conversa e de descontracção entre todos os participantes.
A cascata do “Véu da Noiva” é de todas a mais conhecida. Por ser a mais violenta devido ao seu caudal e também a mais fantástica por se despenhar a pique para o mar. O nome foi-lhe atribuído porque devido à sua altura, jorra espuma pela encosta abaixo, fazendo lembrar o adereço mais romântico de uma noiva. Fica situada entre o Seixal e São Vicente. Ir de São Vicente a Porto Moniz pela velha estrada que serpenteia as escarpas é uma aventura que a muitos põe os cabelos em pé, especialmente quando a viagem é feita de autocarro, como foi o caso. A guia bem perguntou se “queriam com emoção”?!... Porto Moniz, situado na extremidade noroeste da Madeira, é conhecido pelas suas piscinas naturais. Quando a lava chegou ao oceano, arrefeceu de forma caprichosa, deixando entre os cordões de basalto amplas reentrâncias cheias de água. O concelho de Porto Moniz “passeia-se entre o mar e a serra”, onde as paisagens rurais mantêm o seu aspecto de paradas no tempo. Quem aqui vem procura, sem margem para dúvidas, o descanso e a Natureza no seu estado mais puro. A viagem de regresso para o Hotel fez-se pelo Paul da Serra, um imponente planalto e o único verdadeiramente significativo da ilha, também conhecido como o “tecto da Madeira”, situado a cerca de 1600m de altitude e de onde é possível observar as duas costas. Ocupa uma área de quase 20 km2 e perto, no Rabaçal, a floresta madeirense permanece no seu estado primitivo, cobrindo as montanhas como um manto verde. O Paul funciona também como o mais importante reservatório de água da ilha. A sua forma garante a infiltração de uma grande parte da elevada precipitação anual e dali partem muitas ribeiras, sendo a da Janela a mais extensa.
Fotos de A. Domingos Santos

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