terça-feira, 2 de novembro de 2010

DEITADO FORA

Chovia e era quase noite. E ali estava o cãozinho, na berma da estrada, molhado e parecendo uma bola felpuda, a tentar enroscar-se no que restava da caixa onde viera. Tremia de frio e chorava baixinho, triste e já com medo do escuro da noite que caia. Quando lhe quis pegar, resistiu. A caixa estava desfeita pela chuva ou pelo impacto da queda, quando com ele foi atirada janela do carro fora. Mas era tudo o que possuía, a fazer-lhe lembrar os donos, talvez a mãe. E olhava insistentemente para a estrada, na esperança de os ver regressar arrependidos, de os abraçar e com eles voltar para casa. Depois aceitou acompanhar-me. Bebeu leite e adormeceu dentro de uma caixa seca, de onde mais tarde me rosnou cheio de personalidade.
Vou encaminhá-lo para o canil do Mosteiro, em Folques. A não ser que os donos o queiram reaver, gesto bonito que ele muito apreciaria, ou que alguém bondoso e responsável o queira adoptar. Promete portar-se bem e ser tão fiel e amigo como os cães costumam ser. Lisete de Matos Açor, Colmeal, 29 de Outubro de 2010

1 comentário:

Anónimo disse...

Obrigada pela publicação deste pedido de ajuda, que já produziu efeitos muito positivos: o cãozinho foi adoptado, eu recuperei a crença na bondade humana. Obrigada, Belmira (Colmeal). Sem mencionar nomes, obrigada, também, a todos quantos se deixaram sensibilizar e interessaram pela sorte do bichinho, que, afinal, é um sortudo!

Lisete de Matos