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Mas pode muito bem ser que o pisco tenha percebido que os movimentos humanos já não produzem bichitos, mas sim fotografias ou, então, que seja apenas um tímido e, como todos os tímidos, pareça antipático e pouco sociável!

- Sim, o pisco que engoliu uma minhoca. Com o papo cheio, ficou tão satisfeito e afoito que se deitou no chão, de pernas para o ar, a dizer: “Se o céu agora caísse, segurava-o!”.
Naquilo, ouve-se um grande trovão. Aflito e a tremer de medo, corrige apressado:
“Ó Senhor, tende lá mão!
Não se atenha ao pisco.
Atenha-se antes ao tentilhão,
Que tem pernas de ladrão!”
A minha mãe lembrava-se desta história a propósito de temeridades, arrogâncias e gabarolices. Ao tempo, preconizava-se a humildade como valor. Agora que o segredo está na autoconfiança, esquecendo o dito dado por não dito, moderno que era pisco!
Lisete de Matos
Açor, Colmeal
25 de Março de 2010
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