sábado, 5 de janeiro de 2013

As Últimas CRÓNICAS (MEMÓRIAS REGIONALISTAS)



António Lopes Machado acaba de publicar a sua mais recente obra a que deu o título de “As Últimas Crónicas” e que dedica “aos seus amigos e companheiros do Movimento Regionalista Arganilense, com quem conviveu ao longo de cerca de sessenta anos, sempre em fraternal convívio e amizade”.

Sem qualquer preocupação do tempo ou do lugar, resolveu reunir as últimas Crónicas que lhe pareceram com mais interesse. Ao falar do Regionalismo Arganilense, refere-se naturalmente ao movimento que surgiu, englobando os três concelhos que formavam a Comarca de Arganil, ou seja, os concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra.

Recorda que “Eram muitas as carências em toda a região da Beira interior em que estamos situados, e que hoje designamos por Beira Serra, longe de uma capital de distrito, Coimbra, perante o analfabetismo que grassava e a assistência à saúde que era muito precária. E viviam nessa altura muitas pessoas nas nossas aldeias serranas, à volta de uma agricultura de subsistência, hoje quase totalmente desertificadas.

Embora pouco desenvolvidos culturalmente, os naturais das aldeias serranas começavam a aperceber-se de que as suas terras não tinham futuro. E partiram. Para o Brasil e para a América, para os campos da borda d’água e principalmente para Lisboa, o grande destino. Gente simples, pouco letrada, que deixava na terra a mulher e os filhos. Viviam em Lisboa em «Casas da Malta», dividindo entre si as despesas, na zona da velha Mouraria e pela encosta até ao Castelo e S. Tomé.

Queriam trabalhar e aceitavam trabalhos duros sem olhar a sacrifícios: moços de esquina, limpa-chaminés, engraxadores, varredores de rua, estivadores, guardas-nocturnos, cangalheiros.” Como se lhes referiu Miguel Torga, o médico-escritor «E se a fome aperta, que remédio senão abalar! Em colónias, que é o tipo de emigração beiroa, o irmão a chamar o primo e o primo a chamar o amigo, não há sítio no mundo onde não chegue o seu braço. Qualquer trabalho lhe serve…».

Diz-nos Lopes Machado que “é quem está longe da sua terra que mais a sente e que mais gosta de a ver progredir”. Depois da fundação da primeira colectividade muitas outras vão surgindo. Nas décadas de 30, 40 e 50 assiste-se a uma multiplicação, primeiro ao nível de freguesia e de concelho, depois por cada localidade. O Regionalismo transforma-se assim num grande Movimento de Solidariedade que se mobiliza em festas e encontros com o fim de convívio e angariação de fundos para fazer face a diversas iniciativas – a estrada, a escola, a residência para a professora e o abastecimento de água estavam nas primeiras aspirações.

O Regionalismo dos tempos actuais já é muito diferente e o autor aponta a direcção “… as nossas colectividades regionalistas têm um grande papel a desempenhar no campo cultural.”

O livro está organizado em quatro partes. Na primeira, como não podia deixar de ser estão os “Temas Regionalistas”. Na segunda, “Viagens” relata-nos a sua ida à Europeade de Folclore na Suíça e a Porto Seguro, ao encontro de um conterrâneo. Ocupa a terceira parte com a “Divagação pelas Ordens Militares e Religiosas” e finaliza com “A Comarca de Arganil – Uma dúzia de Editoriais”.

António Lopes Machado teve a gentileza de nos oferecer um exemplar deste seu livro, para a Biblioteca da União, no Colmeal.

Fotografia de A. Domingos Santos       

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