18 janeiro 2019

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA (LEMBRADAS E ESPERADAS). MAMÍFEROS, ANFÍBIOS E RÉPTEIS


Como referia a propósito dos insetos (upfc-colmeal-gois.blogspot.pt, 30 de outubro, 2018), na sequência dos incêndios de 15 e 16 de outubro de 1917, há espécies vegetais e animais que continuam desaparecidas. Entre essas espécies contam-se os mamíferos, os anfíbios e os répteis, cujas perdas foram significativas, devido à propagação rápida e generalizada do fogo, ao fumo e ao calor intensos. Desde então, apenas vi uma raposa, na altura, extremamente magra e de pelo maltratado, vestígios da presença de javalis e, muito recentemente, uma salamandra, que, no dia seguinte, já tinha sido pisada.

Verdadeiramente, aquelas espécies já escasseavam antes dos incêndios, vítimas de fatores em que se destacam: os medos e mitos ancestrais de que são objeto; o atropelamento, por efeito perverso do progresso unilateral; a caça abusiva, envolvendo métodos desleais e cruéis; o abate, por impiedade dos que não lhes perdoam a ousadia da competição na caça ao pouco, e agora nada, que há para caçar; a mecanização das atividades e a poluição ambiental geral, e dos cursos de água, em particular, que afeta sobretudo os anfíbios. Enfim, como os humanos, com quem sempre viveram em interação conflituosa e amistosa, em regiões como a nossa, os animais ressentem-se da falta de terrenos cultivados, da alteração generalizada dos habitats e do despovoamento e abandono do território.

Meramente a título de exemplo, os morcegos, que hoje são raros, eram em tempos uma multidão que esvoaçava ágil por toda a parte, conferindo magia e mistério ao crepúsculo. A maioria são insetívoros e parece que precisam de milhares deles para satisfazerem a voracidade daquele corpinho pequeno e bizarro.

Também o coelho-bravo, que era extremamente importante no ecossistema, em virtude de estar na base da alimentação de inúmeras espécies, se encontra praticamente extinto, por doença, caça excessiva e falta de alimento. Neste caso, agora que a vegetação vai rejuvenescendo tenra, não seria de dar uma ajudinha à natureza, repovoando a serra com eles? Não será possível, através de complementos alimentares, combater as doenças que os afetam? E da sensibilização, evitar a caça indiscriminada e excessiva? Ficam as sugestões para o Instituto de Conservação da Natureza e para os gestores das reservas que se veem assinaladas por aí.

No campo dos répteis, o mesmo acontece com os lagartos, que nunca mais encontrei, possivelmente castigados por terem a mania de perseguir as mulheres, dizia-se! A ser assim, imagino que os bichos apenas estivessem a fugir para o lado errado!

É a alguma desta vida selvagem que aludo hoje, fazendo-o, repito, “na esperança de que o ecossistema recupere rapidamente e as possamos encontrar de novo por aí, a relacionarem-se connosco, entre si e com o meio ambiente, conferindo-lhe mais vida, cor, beleza e estranheza. Também para que nos orgulhemos da riqueza da biodiversidade que tínhamos e esperamos voltar a ter”, dando cada um o seu melhor, enquanto cidadão ou profissional, para a preservação e a recuperação dos habitats e dos seus ocupantes naturais. Todos podemos ser naturalistas e bio cidadãos, contribuindo, através da ação e da opinião informada, para legar aos vindouros um mundo tão completo quanto possível, mais inclusivo e sustentável.

A mostra está longe de corresponder ao universo das espécies existentes, a nível local e nacional: 104 de mamíferos, 24% ameaçadas de extinção; 30 de répteis, 32% ameaçadas; 17 de anfíbios, 19% ameaçadas. À fraca densidade populacional e consequente dificuldade de avistamento, acrescem os hábitos noturnos e a compreensível desconfiança dos animais, que os leva a fugir espavoridos, mal se apercebem da nossa presença. Só se aproximam das pessoas por necessidade imperiosa, não raro para mendigar alimento, humilhação que a dignidade humana não deveria consentir a pessoas ou animais.

Em homenagem ao escritor, recorro a Aquilino Ribeiro (O Romance da Raposa, Livª. Bertrand, 1961) para caraterizar parte dos mamíferos que habitavam a região, antes da referida ocorrência: javali de ar nada cordial, policial; texugo, narigudo, barrigudo, alma de besugo, com calçotes de veludo; fuinha de gravatinha de neve e rabo em espanejador; papalva que se esconde com a alva; raposeta, pintalegreta, senhora de muita treta; gato-bravo, animal ferino, mofino, ventas de pepino; lontra que ninguém encontra; ratazanas e ratinhos malandrinhos … Já agora, tentando imitar Aquilino, corços e veados espevitados; saca-rabos descarados; esquilos ladinos; ouriços-cacheiros espinheiros; toupeiras mineiras; coelhos que desejaríamos ver velhos …

Como não posso valer-me do autor para apresentar os anfíbios e os répteis, passo à listagem dos animais de que possuo registos partilháveis. A pequenez da mostra reflete a escassez dos efetivos, a disparidade entre os existentes e os avistados, e entre estes e os fotografados, dada a sua irrequietude.

Mamíferos

Raposa, o animal selvagem mais doméstico, tantas as capoeiras que visitava, quando elas eram frágeis e as galinhas abundantes. Fuinha, bicho que empresta o nome ao avarento, sabe-se lá porquê, uma vez que não é o único a guardar as sobras das refeições! Texugo, que é sempre o mesmo, mas que chamam de cão, quando está magro e porco, quando está gordo. É dessa suposta gordura estival que vem a expressão “estar gordo que nem um texugo”. As unhas das patas dianteiras que se mostram não são retráteis. Ouriço-cacheiro, também chamado porco-espinho, um bichinho que apresenta a particularidade de se enrolar numa bola de picos, talento defensivo que eu também gostaria de ter! Rato-do-campo, roedor minúsculo, muito ágil e laborioso, cujo rabito é tão comprido como a cabeça mais o corpo. Pode ser uma fofura ou um desastre, tudo dependendo de ter-se instalado na comida aconchegante dos pássaros ou num guarda-fato com roupa em desuso! Toupeira, endemismo ibérico, aveludado e roliço, que escava e conspira oculto, desenraizando as plantas, e enraizando interesses duvidosos, como pressupõem os processos e.toupeira! Apesar de oxigenar e limpar o solo de presenças inúteis, é considerada uma praga difícil de combater… De todos os pontos de vista!








Anfíbios

Sapo-comum, que não distingo das outras espécies. Rã-verde, que vive em águas represadas, enquanto a rã-ibérica prefere as águas correntes. Salamandra-de-pintas-amarelas, visita pachorrenta das noites frias e molhadas. Tritão-de-ventre-laranja, habitante de águas paradas ou pouco movimentadas, e endémico do ocidente da península ibérica. Tritão-marmoreado, que usa o mesmo tipo de habitats e tem a barriga preta com pintas brancas.






Répteis

Lagarto-de-água, mais uma espécie endémica da parte ocidental da península ibérica. Lagartixa-do-mato, por aqui chamada sardanisca, que confundo com a lagartixa-ibérica. Osga-comum, que não provoca os cobrões que lhe eram atribuídos. Cobra-de-água-de-colar ou de cachecol branco, por causa do frio, digo eu! Cobra-de-escada ou riscada, dois exemplares, variando a cor e os desenhos do dorso com a idade. Cobra-de-ferradura, normalmente 30/50 cm de beleza e magreza! Licranço, também chamado escoparo e cobra-de-vidro, 15/25 cm de cobrinha inofensiva, apesar da má fama: “se o escoparo visse e a víbora ouvisse, não havia nada que lhes resistisse”.

Com exceção para a víbora, que não vejo há décadas, todos estes répteis são inofensivos e úteis em termos ambientais. Até a cabeça da víbora dava sorte à pessoa que a levasse consigo sem saber, desde que obtida em determinadas condições e benzida por quem o soubesse fazer!









Lisete de Matos

Açor, Colmeal, novembro de 2018.

09 janeiro 2019

Fado de Coimbra no Colmeal



ASSEMBLEIA DE COMPARTES DO COLMEAL – CONSELHO DIRETIVO

FADO DE COIMBRA - NO CENTRO DE CULTURA E CONVÍVIO DO COLMEAL

DIA 19 DE JANEIRO DE 2019 (sábado), às 15h30 (logo a seguir ao Bodo)

Com o Grupo Minerva – Fados  Guitarradas de Coimbra



29 dezembro 2018

NATAL na Cabreira e no Colmeal



A União Progressiva esteve mais uma vez na Cabreira, na Unidade Residencial Sagrada Família, na tarde de sábado, 15 de Dezembro, para entregar uma prendinha aos seus utentes. Um gesto simples, solidário, que a União vem repetindo desde 2013. Entre os utentes, os nossos associados Laurinda, Lucinda, Manuela, Maria do Carmo, Maria Eugénia, Américo e o Luís.





No Colmeal, no domingo de manhã, 16 de Dezembro, o Centro de Cultura e Convívio encheu-se de carinho em mais uma festinha de Natal, o que já é uma tradição da União Progressiva. Calor humano, sorrisos, boa disposição. Curiosidade dos mais pequenos face ao mistério dos brinquedos, conversa dos mais crescidos actualizando as novidades. Presença colorida do Góis Moto Clube trazendo a sua habitual solidariedade e a quem a União entregou uma prendinha.







Palavras de agradecimento aos presentes, a quem na cozinha preparou o lanche e às senhoras que ofereceram os doces. Também os ausentes sempre presentes foram recordados.
Uma referência muito especial para o recente e excelente livro de Lisete de Matos, “Habitação na Beira Serra – Do Passado e do Presente para o Futuro”, autêntica obra-prima e um precioso legado para todos nós.



















Os “veteranos” Mariana e Vasco entregaram o último brinquedo ao Flynn, por este ter atingido o “limite de idade” (12 anos).



A Comissão de Festas do Colmeal fez o sorteio de um cabaz de Natal e proporcionou uma sessão de cinema aos mais pequenos, que como se pode ver, foi seguida com muita atenção.




OBRIGADO a todos e os melhores votos de um BOM ANO de 2019.

UPFC


10 dezembro 2018

HABITAÇÃO NA BEIRA SERRA - Novo livro de Lisete de Matos




HABITAÇÃO NA BEIRA SERRA – DO PASSADO E DO PRESENTE PARA O FUTURO é o título do novo livro que Lisete de Matos nos apresenta. Pelo que já conhecemos da sua obra publicada, e dos muitos e variados apontamentos com que a todos nos delicia, no nosso blogue ou na imprensa regional, poderíamos dizer que não nos surpreende. Mas folheando página a página, temos que reconhecer que este livro nos impressiona pela qualidade, pelo detalhe, pelo pormenor, pela exaustiva recolha documentada e seriada em centenas de fotografias e pelo carinho que sentimos nas suas palavras.

Trabalho de muitos anos, feito com «um olhar atento, com poesia e sentimento… sobre as estruturas agarradas ao chão, com os seus feitios e materiais, as suas técnicas e artes, mais de mãos que de pedras. E sobre espaços de fruição, com as suas venturas e desventuras, as suas alegrias e tristezas, as suas vozes e silêncios» como escreve João Nogueira Ramos no seu Postal de um Beirão.

Como na Introdução se refere a autora «É, pois, enquanto reflexo da atividade humana e componente essencial do património construído e cultural que elegemos a habitação serrana e, por inerência, a respectiva arquitetura de produção (fornos e alambiques, galinheiros, palheiros e currais, moinhos, lagares e tulhas, como objecto de reflexão nesta obra.»

Lisete de Matos percorreu os concelhos de Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra e Lousã, onde procurou o que entende ser, na sua modéstia e simplicidade, «Um contributo ínfimo, considerando a riqueza, a diversidade e a beleza cativante do património que por toda a parte nos acena ávido de futuro.»

Dividido em quatro capítulos, de leitura muito interessante e acessível, é uma obra que se torna obrigatório ter em nossas casas, pelo legado que nos deixa. A nós, aos nossos filhos e aos nossos netos. São registos importantes, que ficam. Que alguém se deu ao cuidado de no-los deixar.

Tal como João Nogueira Ramos termina o seu Postal, também nós terminamos,
Obrigado, Lisete.

U. P. F. Colmeal