sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Entrevista com a Presidente da Câmara Municipal de Góis

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"O que queremos para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade e de competitividade como qualquer outro concelho do país"
"É positivo o balanço destes primeiros 13 meses do meu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal de Góis", começou por nos dizer a Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, para salientar a seguir que foi um ano de "muitas e muitas reuniões de executivo, foi um ano de adaptação a um novo lugar, ao novo desempenho, que obrigam a conjunto de novas responsabilidades", reconhecendo ainda que "embora já tenha passado pelo Poder Local, o lugar de presidente da Câmara é bem diferente, porque é neste papel que estamos sujeitos ao que corre bem e ao que corre mal, a todo o tipo de críticas, é aquele que responde pelo Município".
Considerando ser "excelente, determinada, voluntariosa, solidária e embora todos iguais mas todos diferentes" a equipa que consigo trabalha, Maria de Lurdes Castanheira confessou-nos que a sua primeira aposta foi "na reorganização dos serviços internos e ninguém se pode esquecer que herdámos uma Câmara sem Câmara, estivemos em instalações provisórias que não são facilitadoras da proximidade que se requer junto dos diferentes serviços, sendo desde logo um constrangimento. Também os 150 trabalhadores tiveram de se adaptar a uma nova equipa, a novos métodos de trabalho, a uma exigência completamente diferente e registo, com muito agrado, que muitos desse trabalhadores têm respondido a este novo desafio, de diferença, que exigem as mudanças constantes quer ao nível do Poder Local quer ao nível da própria sociedade, quer ao nível dos novos autarcas que vão surgindo."
Assim sendo e "num concelho que tem muito mais potencialidades do que dificuldades", Maria de Lurdes Castanheira considera ser "importante também que estes autarcas que vão surgindo também tenham um desempenho diferente e que apostem muito mais no desenvolvimento imaterial, pelo que continuo a pugnar e a ser acérrima defensora da transversalidade do desenvolvimento, porque tenho um concelho com muitas infra-estruturas, equipamentos colectivos, continuamos a ter obras físicas, que estão no terreno e também não posso descurar as questões da formação, do emprego, situações de pessoas que estão em exclusão social, implicando isso uma abertura até em termos intelectuais e até em termos culturais. Os autarcas de hoje não são os autarcas de ontem, mas devem ter a responsabilidade de preparar o amanhã. E o amanhã, naturalmente, é valorizar as pessoas, porque como dizia há uma década o nosso antigo presidente José Cabeças, não há desenvolvimento sem pessoas".
Uma afirmação, reconhece, "que tem tanta actualidade hoje como tinha em 1993." Mas a crise, os cortes orçamentais impostos, são uma realidade, mas não são suficientes para a presidente da Câmara Municipal baixar os braços e fazer obra no seu concelho, pelo que acabam de ser aprovados pelo executivo camarário os documentos previsionais, "as chamadas grandes opções de plano e o orçamento e eu orgulho-me muito em ter apresentado e aprovado um orçamento de 14 milhões de euros que contempla um conjunto de obras que transitam de 2010 para 2011, estruturantes para o concelho, e que comprometem 5,5 milhões de euros.
Acresce a esta verba mais de 3 milhões em pessoal e feitas as contas falamos em mais de 8 milhões ficando pouco mais de 5,5 milhões e com eles vamos ter a arte e o engenho de lançar novas obras para o próximo ano e continuar as que transitam deste ano, das quais destaco o Centro de Referência da Memória Goiense, que vem complementar a obra da Biblioteca do Arquivo, com a requalificação do espaço exterior (também beneficiando o Centro Social Rocha Barros) e instalando aqui um conjunto de equipamentos que venha a fazer justiça à memória goiense, onde vai haver um espaço reservado àquilo que foi o fabrico de papel ligado à Companhia de Papel de Góis e o que foi a importância daquela empresa no passado, vamos ter também um espaço dedicado aos neveiros de Santo António da Neve e ainda o que existe hoje da exploração quase artesanal do fabrico e exploração do carvão. Góis tem de começar, de facto, a dar valor àquilo que ainda tem".
Este Centro, em conjunto com a ampliação da Escola do 1.º Ciclo, a requalificação do largo da Cabreira, sem esquecer "o apoio que vamos dar à construção do Lar da Freguesia do Cadafaz e as infra-estruturas de apoio à praia fluvial de Alvares", são outras das apostas da Câmara Municipal, como nos disse a sua presidente, mas a maior "aposta que temos e que nos leva uma parte significativa do orçamento é melhorar a qualidade do abastecimento de água na freguesia de Vila Nova do Ceira e uma parte da freguesia de Góis. Não me orgulho nada de ter cidadãos que todos os dias abrem as suas torneiras e não podem beber a água que pagam ao Município. Esta é a prioridade das prioridades".
Mas para além destas obras, vai ser concluída a circular externa do Carvalhal dos Pombos, a par com a requalificação do Campo Augusto Nogueira Pereira. Outra obra para 2011, transitando para 2012 a requalificação da avenida padre António Dinis.
"É uma entrada da vila que neste momento não tem a dignidade que Góis merece, precisando por isso de uma grande intervenção", disse-nos a autarca goiense.
Obras ambiciosas, mas que não ficam por aqui, porque como nos referiu a presidente da Câmara Municipal, "o que quero para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade de competitividade como qualquer outro concelho do país. Não é por sermos pequenos em população que vamos retardar o processo de desenvolvimento para que os nossos munícipes tenham as mesmas oportunidades que têm os munícipes de qualquer concelho".
Por isso e também para 2011, segundo a autarca goiense, "está inscrito o nosso eco-mercado, estamos na fase de negociar o terreno e ainda a mudança do parque municipal a que vulgarmente chamam as oficinas, o estaleiro, cumprindo assim o desígnio e a promessa que remonta ao mandato de 2002-2005 de dotar com mais espaço o Centro Social Rocha Barros".
Também está a ser cumprido o calendário em termos de execução das obras iniciadas em Agosto passado naquela que considerou "a grande Casa da Cultura e que vem responder a uma grande necessidade do concelho" e que é a Associação Educativa e Recreativa de Góis, uma obra que transita de 2010 para 2011, como transita o campo Augusto Nogueira Pereira, bem como uma parte dos Paços do Concelho, uma pequenina parte do Centro Escolar de Alvares (já a funcionar) e ainda uma parte do pólo industrial de Vila Nova do Ceira, sem esquecer o investimento na rede rodoviária municipal.
Também foram aprovadas as candidaturas para a requalificação dos quartel-sede dos Bombeiros de Góis e do quartel da secção de Alvares. A Câmara tem orçamentado um valor que ultrapassa os 150 mil euros. É uma velha aspiração de todos "e os Bombeiros merecem, como merecem ter o seu espaço físico em Góis com toda a dignidade", reconheceu a autarca e também a responsável máxima da Protecção Civil do concelho que assenta, necessariamente, nos seus Soldados da Paz.
Mas além das obras, como nos salientou Maria de Lurdes Castanheira, "há todo um conjunto de apoios às instituições, desde os Bombeiros Voluntários, à Santa Casa da Misericórdia, todas as IPSS,s do concelho, à ADIBER, a todas as associações e instituições que dão o seu contributo para o desenvolvimento local".
Desenvolvimento que passa, necessariamente, pela fixação dos jovens. E esta não deixa de ser também, como nos disse a sua presidente, uma preocupação do executivo camarário que lidera.
"Há aqui três apostas que podem não estar plasmadas nos documentos aprovados mas os jovens são também a nossa preocupação. É importante ouvi-los aos jovens, a criação do Conselho Municipal para a Juventude não por imperativo legal mas por vontade dos autarcas, dando-lhes voz e dizer-lhes quais são as políticas para a juventude. E não podemos ter aqui a sua fixação se não enveredarmos por uma política de habitação a preços que vão ao encontro das suas necessidades. Mas também ao nível do emprego, tendo em conta as especificidades do concelho ao nível da oferta de serviços".
Para isso, como considera Maria de Lurdes Castanheira, "se não tiver aqui escolas que ofereçam boas condições, não tiver aqui serviço de saúde a funcionar - e aqui deixo um apelo a quem nos tutela nesta matéria que veja bem as especificidades e singularidade do concelho porque é altamente prejudicial não só para as populações mas também é um convite a não escolher Góis para viver - além de precisarmos de ter aqui outros serviços como temos as Finanças, a Conservatória, Bancos.
Mas como é que vamos aqui criar uma política de emprego? Esta política não pode consubstanciar-se só nas ofertas do Município para que os nossos jovens tenham que ter lugar em Góis, sendo por isso com muita satisfação que lhe digo que vai ser aqui feito o maior investimento do século pela empresa NatureSanus, SA, com a implementação de um hotel de quatro estrelas superior e que já teve o parecer do Turismo de Portugal.
Vai ser instalado numa parte da Quinta do Baião e o seu principal protagonista é o Dr. Alberto Mateus, um goiense que resolveu, passados muitos anos de ausência mas com larga experiência no ramo hoteleiro, voltar à sua terra. A Câmara vai dar o seu apoio a este investimento privado, vendendo a preço simbólico uma parcela da Quinta do Baião e garantindo executar tudo aquilo que são infra-estruturas públicas. É um investimento que vai permitir criar algumas dezenas de postos de trabalho. Directos e indirectos.
Mas as boas vias de comunicação continuam a não chegar a Góis. E esse é um constrangimento, grave". E como nos disse a presidente da Câmara de Góis, "a grande falha destes últimos anos e de qualquer Governo, foi sem dúvida não ter priorizado o investimento na área das acessibilidades para a Beira-Serra e em particular para os concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, porque no fundo são os dois concelhos que mais mal estão no que se refere a acessibilidades"
E continuou: "os nossos votos têm exactamente o mesmo valor do que os votos de outros concelhos, mas mesmo assim aqui vamos ficando naquela que é chamada ilha de pedra, onde com alguns paliativos foram fazendo uma intervenção naquilo que são as acessibilidades. E por isso continuamos a não sermos territórios atractivos. E esse é o maior dos constrangimentos. Na concessão que foi feita o investimento já está no terreno, o compromisso foi assumido publicamente e quero acreditar que este é um dos investimentos que não vai ser suspenso. Quero acreditar, porque se desta vez a EN 342 e a requalificação da Nacional 2 entre Portela de Góis e Portela do Vento não for uma realidade, atrevo-me a dizer que não vislumbro para quando uma melhoria nas acessibilidades".
Considerando que Góis não tem problemas graves de exclusão social, Maria de Lurdes Castanheira disse-nos que "a rede social e o envolvimento dos parceiros é muito importante e não é virtual nem de circunstância". E como reconheceu, "efectivamente há aqui um trabalho das IPSS' s que tem dado grandes resultados no terreno, mas também o trabalho desenvolvido pelo Município, pelas Juntas de Freguesia. Estamos sempre na retaguarda de alguma situação de pobreza que possa acontecer e se torne mais grave ao colocar alguma família na situação de risco. É certo que ainda temos um conjunto de pessoas que ainda vivem do Rendimento Social de Inserção, mas não é significativo. O número de desempregados também não é assustador e neste âmbito foram celebradas este ano quatro dezenas de acordos para a integração de pessoas que estão nessa situação para que não dependam de um subsídio mas de um salário, fruto do seu trabalho".
E conforme nos referiu a sua presidente, "a Câmara vai continuar a trabalhar no sentido da cultura da inclusão que passa pelo empreendedorismo, capacidade criativa. Temos de transmitir essa mensagem aos nossos cidadãos, sobretudo àqueles que há muito deixaram de ter grandes expectativas relativamente ao emprego ou porque estiveram sempre em situação de exclusão. Temos que lhe devolver essa confiança e dizer que nós somos um Município preocupado com aqueles que não têm as mesmas oportunidades".
Na educação assenta o futuro. "Temos um universo que não chega a 500 alunos no concelho, integrado num só Agrupamento, que tem três jardins de Infância da rede pública, dois jardins-de-infância da rede privada, depois temos seis escolas ao 1.º Ciclo e a Escola-sede", referiu a presidente da Câmara Municipal, reconhecendo que na área da educação "continuamos a ter um constrangimento em só haver ensino até ao 9.º ano, que é um convite aos jovens para saírem do concelho de Góis, mas também temos de ter a lucidez suficiente para perceber que cada vez é mais difícil termos aqui o ensino secundário.
Cada vez as famílias têm menos filhos, cada vez é menos a população escolar, é cada vez menor a taxa de natalidade, por isso podem perfeitamente continuar a estudar em Arganil. Sou das autarcas que não invejo absolutamente nada aquilo que os concelhos à volta possam ter de diferente do concelho de Góis. Precisamos é de rentabilizar os equipamentos que cada um tem". Ainda no sector da educação, "em Outubro inaugurámos o Centro Escolar de Alvares, que é uma infra-estrutura com as melhores condições para os nossos alunos e vamos ampliar a Escola EB 1 de Góis, e para o ano de 2011-2012 vamos voltar a trabalhar com o Centro de Emprego de Arganil no sentido de podermos ter aqui uma turma, como já aconteceu no passado, permitindo que os alunos continuem os seus estudos para além do 9.º ano mas com uma área profissionalizante". disse-nos Maria de Lurdes Castanheira.
De facto, o concelho é rico em belezas naturais e por isso as excelentes potencialidades turísticas que tem. E a Câmara Municipal e os seus responsáveis tem disso perfeita consciência. E querem tirar partido, criando as condições necessárias, para a pesca, para a caça, "temos três concessões de pesca e reconheço que estão subaproveitadas", como nos disse a autarca, "temos uma candidatura para a Zona Municipal de Caça", mas têm também o rio Ceira que, sobretudo no Verão, atrai ao concelho muitos milhares de pessoas e ainda o turismo desportivo de que o Góis Moto Clube, "que vai comemorar 20 anos de vida e espero sinceramente que nessa altura seja inaugurada a sua sede social", é o maior dinamizador continuando a levar Góis para além fronteiras". in A Comarca de Arganil, edição especial, 23/12/2010

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