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24 dezembro 2010

Entrevista com a Presidente da Câmara Municipal de Góis

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"O que queremos para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade e de competitividade como qualquer outro concelho do país"
"É positivo o balanço destes primeiros 13 meses do meu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal de Góis", começou por nos dizer a Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, para salientar a seguir que foi um ano de "muitas e muitas reuniões de executivo, foi um ano de adaptação a um novo lugar, ao novo desempenho, que obrigam a conjunto de novas responsabilidades", reconhecendo ainda que "embora já tenha passado pelo Poder Local, o lugar de presidente da Câmara é bem diferente, porque é neste papel que estamos sujeitos ao que corre bem e ao que corre mal, a todo o tipo de críticas, é aquele que responde pelo Município".
Considerando ser "excelente, determinada, voluntariosa, solidária e embora todos iguais mas todos diferentes" a equipa que consigo trabalha, Maria de Lurdes Castanheira confessou-nos que a sua primeira aposta foi "na reorganização dos serviços internos e ninguém se pode esquecer que herdámos uma Câmara sem Câmara, estivemos em instalações provisórias que não são facilitadoras da proximidade que se requer junto dos diferentes serviços, sendo desde logo um constrangimento. Também os 150 trabalhadores tiveram de se adaptar a uma nova equipa, a novos métodos de trabalho, a uma exigência completamente diferente e registo, com muito agrado, que muitos desse trabalhadores têm respondido a este novo desafio, de diferença, que exigem as mudanças constantes quer ao nível do Poder Local quer ao nível da própria sociedade, quer ao nível dos novos autarcas que vão surgindo."
Assim sendo e "num concelho que tem muito mais potencialidades do que dificuldades", Maria de Lurdes Castanheira considera ser "importante também que estes autarcas que vão surgindo também tenham um desempenho diferente e que apostem muito mais no desenvolvimento imaterial, pelo que continuo a pugnar e a ser acérrima defensora da transversalidade do desenvolvimento, porque tenho um concelho com muitas infra-estruturas, equipamentos colectivos, continuamos a ter obras físicas, que estão no terreno e também não posso descurar as questões da formação, do emprego, situações de pessoas que estão em exclusão social, implicando isso uma abertura até em termos intelectuais e até em termos culturais. Os autarcas de hoje não são os autarcas de ontem, mas devem ter a responsabilidade de preparar o amanhã. E o amanhã, naturalmente, é valorizar as pessoas, porque como dizia há uma década o nosso antigo presidente José Cabeças, não há desenvolvimento sem pessoas".
Uma afirmação, reconhece, "que tem tanta actualidade hoje como tinha em 1993." Mas a crise, os cortes orçamentais impostos, são uma realidade, mas não são suficientes para a presidente da Câmara Municipal baixar os braços e fazer obra no seu concelho, pelo que acabam de ser aprovados pelo executivo camarário os documentos previsionais, "as chamadas grandes opções de plano e o orçamento e eu orgulho-me muito em ter apresentado e aprovado um orçamento de 14 milhões de euros que contempla um conjunto de obras que transitam de 2010 para 2011, estruturantes para o concelho, e que comprometem 5,5 milhões de euros.
Acresce a esta verba mais de 3 milhões em pessoal e feitas as contas falamos em mais de 8 milhões ficando pouco mais de 5,5 milhões e com eles vamos ter a arte e o engenho de lançar novas obras para o próximo ano e continuar as que transitam deste ano, das quais destaco o Centro de Referência da Memória Goiense, que vem complementar a obra da Biblioteca do Arquivo, com a requalificação do espaço exterior (também beneficiando o Centro Social Rocha Barros) e instalando aqui um conjunto de equipamentos que venha a fazer justiça à memória goiense, onde vai haver um espaço reservado àquilo que foi o fabrico de papel ligado à Companhia de Papel de Góis e o que foi a importância daquela empresa no passado, vamos ter também um espaço dedicado aos neveiros de Santo António da Neve e ainda o que existe hoje da exploração quase artesanal do fabrico e exploração do carvão. Góis tem de começar, de facto, a dar valor àquilo que ainda tem".
Este Centro, em conjunto com a ampliação da Escola do 1.º Ciclo, a requalificação do largo da Cabreira, sem esquecer "o apoio que vamos dar à construção do Lar da Freguesia do Cadafaz e as infra-estruturas de apoio à praia fluvial de Alvares", são outras das apostas da Câmara Municipal, como nos disse a sua presidente, mas a maior "aposta que temos e que nos leva uma parte significativa do orçamento é melhorar a qualidade do abastecimento de água na freguesia de Vila Nova do Ceira e uma parte da freguesia de Góis. Não me orgulho nada de ter cidadãos que todos os dias abrem as suas torneiras e não podem beber a água que pagam ao Município. Esta é a prioridade das prioridades".
Mas para além destas obras, vai ser concluída a circular externa do Carvalhal dos Pombos, a par com a requalificação do Campo Augusto Nogueira Pereira. Outra obra para 2011, transitando para 2012 a requalificação da avenida padre António Dinis.
"É uma entrada da vila que neste momento não tem a dignidade que Góis merece, precisando por isso de uma grande intervenção", disse-nos a autarca goiense.
Obras ambiciosas, mas que não ficam por aqui, porque como nos referiu a presidente da Câmara Municipal, "o que quero para Góis é que à nossa própria dimensão seja um concelho com a mesma dignidade, com perfil de modernidade de competitividade como qualquer outro concelho do país. Não é por sermos pequenos em população que vamos retardar o processo de desenvolvimento para que os nossos munícipes tenham as mesmas oportunidades que têm os munícipes de qualquer concelho".
Por isso e também para 2011, segundo a autarca goiense, "está inscrito o nosso eco-mercado, estamos na fase de negociar o terreno e ainda a mudança do parque municipal a que vulgarmente chamam as oficinas, o estaleiro, cumprindo assim o desígnio e a promessa que remonta ao mandato de 2002-2005 de dotar com mais espaço o Centro Social Rocha Barros".
Também está a ser cumprido o calendário em termos de execução das obras iniciadas em Agosto passado naquela que considerou "a grande Casa da Cultura e que vem responder a uma grande necessidade do concelho" e que é a Associação Educativa e Recreativa de Góis, uma obra que transita de 2010 para 2011, como transita o campo Augusto Nogueira Pereira, bem como uma parte dos Paços do Concelho, uma pequenina parte do Centro Escolar de Alvares (já a funcionar) e ainda uma parte do pólo industrial de Vila Nova do Ceira, sem esquecer o investimento na rede rodoviária municipal.
Também foram aprovadas as candidaturas para a requalificação dos quartel-sede dos Bombeiros de Góis e do quartel da secção de Alvares. A Câmara tem orçamentado um valor que ultrapassa os 150 mil euros. É uma velha aspiração de todos "e os Bombeiros merecem, como merecem ter o seu espaço físico em Góis com toda a dignidade", reconheceu a autarca e também a responsável máxima da Protecção Civil do concelho que assenta, necessariamente, nos seus Soldados da Paz.
Mas além das obras, como nos salientou Maria de Lurdes Castanheira, "há todo um conjunto de apoios às instituições, desde os Bombeiros Voluntários, à Santa Casa da Misericórdia, todas as IPSS,s do concelho, à ADIBER, a todas as associações e instituições que dão o seu contributo para o desenvolvimento local".
Desenvolvimento que passa, necessariamente, pela fixação dos jovens. E esta não deixa de ser também, como nos disse a sua presidente, uma preocupação do executivo camarário que lidera.
"Há aqui três apostas que podem não estar plasmadas nos documentos aprovados mas os jovens são também a nossa preocupação. É importante ouvi-los aos jovens, a criação do Conselho Municipal para a Juventude não por imperativo legal mas por vontade dos autarcas, dando-lhes voz e dizer-lhes quais são as políticas para a juventude. E não podemos ter aqui a sua fixação se não enveredarmos por uma política de habitação a preços que vão ao encontro das suas necessidades. Mas também ao nível do emprego, tendo em conta as especificidades do concelho ao nível da oferta de serviços".
Para isso, como considera Maria de Lurdes Castanheira, "se não tiver aqui escolas que ofereçam boas condições, não tiver aqui serviço de saúde a funcionar - e aqui deixo um apelo a quem nos tutela nesta matéria que veja bem as especificidades e singularidade do concelho porque é altamente prejudicial não só para as populações mas também é um convite a não escolher Góis para viver - além de precisarmos de ter aqui outros serviços como temos as Finanças, a Conservatória, Bancos.
Mas como é que vamos aqui criar uma política de emprego? Esta política não pode consubstanciar-se só nas ofertas do Município para que os nossos jovens tenham que ter lugar em Góis, sendo por isso com muita satisfação que lhe digo que vai ser aqui feito o maior investimento do século pela empresa NatureSanus, SA, com a implementação de um hotel de quatro estrelas superior e que já teve o parecer do Turismo de Portugal.
Vai ser instalado numa parte da Quinta do Baião e o seu principal protagonista é o Dr. Alberto Mateus, um goiense que resolveu, passados muitos anos de ausência mas com larga experiência no ramo hoteleiro, voltar à sua terra. A Câmara vai dar o seu apoio a este investimento privado, vendendo a preço simbólico uma parcela da Quinta do Baião e garantindo executar tudo aquilo que são infra-estruturas públicas. É um investimento que vai permitir criar algumas dezenas de postos de trabalho. Directos e indirectos.
Mas as boas vias de comunicação continuam a não chegar a Góis. E esse é um constrangimento, grave". E como nos disse a presidente da Câmara de Góis, "a grande falha destes últimos anos e de qualquer Governo, foi sem dúvida não ter priorizado o investimento na área das acessibilidades para a Beira-Serra e em particular para os concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, porque no fundo são os dois concelhos que mais mal estão no que se refere a acessibilidades"
E continuou: "os nossos votos têm exactamente o mesmo valor do que os votos de outros concelhos, mas mesmo assim aqui vamos ficando naquela que é chamada ilha de pedra, onde com alguns paliativos foram fazendo uma intervenção naquilo que são as acessibilidades. E por isso continuamos a não sermos territórios atractivos. E esse é o maior dos constrangimentos. Na concessão que foi feita o investimento já está no terreno, o compromisso foi assumido publicamente e quero acreditar que este é um dos investimentos que não vai ser suspenso. Quero acreditar, porque se desta vez a EN 342 e a requalificação da Nacional 2 entre Portela de Góis e Portela do Vento não for uma realidade, atrevo-me a dizer que não vislumbro para quando uma melhoria nas acessibilidades".
Considerando que Góis não tem problemas graves de exclusão social, Maria de Lurdes Castanheira disse-nos que "a rede social e o envolvimento dos parceiros é muito importante e não é virtual nem de circunstância". E como reconheceu, "efectivamente há aqui um trabalho das IPSS' s que tem dado grandes resultados no terreno, mas também o trabalho desenvolvido pelo Município, pelas Juntas de Freguesia. Estamos sempre na retaguarda de alguma situação de pobreza que possa acontecer e se torne mais grave ao colocar alguma família na situação de risco. É certo que ainda temos um conjunto de pessoas que ainda vivem do Rendimento Social de Inserção, mas não é significativo. O número de desempregados também não é assustador e neste âmbito foram celebradas este ano quatro dezenas de acordos para a integração de pessoas que estão nessa situação para que não dependam de um subsídio mas de um salário, fruto do seu trabalho".
E conforme nos referiu a sua presidente, "a Câmara vai continuar a trabalhar no sentido da cultura da inclusão que passa pelo empreendedorismo, capacidade criativa. Temos de transmitir essa mensagem aos nossos cidadãos, sobretudo àqueles que há muito deixaram de ter grandes expectativas relativamente ao emprego ou porque estiveram sempre em situação de exclusão. Temos que lhe devolver essa confiança e dizer que nós somos um Município preocupado com aqueles que não têm as mesmas oportunidades".
Na educação assenta o futuro. "Temos um universo que não chega a 500 alunos no concelho, integrado num só Agrupamento, que tem três jardins de Infância da rede pública, dois jardins-de-infância da rede privada, depois temos seis escolas ao 1.º Ciclo e a Escola-sede", referiu a presidente da Câmara Municipal, reconhecendo que na área da educação "continuamos a ter um constrangimento em só haver ensino até ao 9.º ano, que é um convite aos jovens para saírem do concelho de Góis, mas também temos de ter a lucidez suficiente para perceber que cada vez é mais difícil termos aqui o ensino secundário.
Cada vez as famílias têm menos filhos, cada vez é menos a população escolar, é cada vez menor a taxa de natalidade, por isso podem perfeitamente continuar a estudar em Arganil. Sou das autarcas que não invejo absolutamente nada aquilo que os concelhos à volta possam ter de diferente do concelho de Góis. Precisamos é de rentabilizar os equipamentos que cada um tem". Ainda no sector da educação, "em Outubro inaugurámos o Centro Escolar de Alvares, que é uma infra-estrutura com as melhores condições para os nossos alunos e vamos ampliar a Escola EB 1 de Góis, e para o ano de 2011-2012 vamos voltar a trabalhar com o Centro de Emprego de Arganil no sentido de podermos ter aqui uma turma, como já aconteceu no passado, permitindo que os alunos continuem os seus estudos para além do 9.º ano mas com uma área profissionalizante". disse-nos Maria de Lurdes Castanheira.
De facto, o concelho é rico em belezas naturais e por isso as excelentes potencialidades turísticas que tem. E a Câmara Municipal e os seus responsáveis tem disso perfeita consciência. E querem tirar partido, criando as condições necessárias, para a pesca, para a caça, "temos três concessões de pesca e reconheço que estão subaproveitadas", como nos disse a autarca, "temos uma candidatura para a Zona Municipal de Caça", mas têm também o rio Ceira que, sobretudo no Verão, atrai ao concelho muitos milhares de pessoas e ainda o turismo desportivo de que o Góis Moto Clube, "que vai comemorar 20 anos de vida e espero sinceramente que nessa altura seja inaugurada a sua sede social", é o maior dinamizador continuando a levar Góis para além fronteiras". in A Comarca de Arganil, edição especial, 23/12/2010

05 novembro 2010

Lurdes Castanheira traça “balanço muito positivo” do primeiro ano de mandato

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Lurdes Castanheira traça um “balanço muito positivo” do primeiro ano de mandato. A autarca assumiu a presidência da Câmara de Góis a 26 de outubro de 2009 e, volvido um ano, mostra-se confiante e otimista em relação ao futuro do concelho de Góis. Em entrevista a “O Despertar”, a autarca assume que “os desafios são muitos e os projetos também” e mostra-se determinada a conseguir respostas que lhe permitam, a si e a toda a sua equipa, fazer de Góis “um concelho sempre melhor, com mais e melhor qualidade de vida”. Numa altura em que se encontram em curso obras determinantes para o desenvolvimento do município, projetam-se outras que deverão ter início no próximo ano. De todas, Lurdes Castanheira dá especial destaque à Casa Municipal da Cultura, pela sua dimensão; e ao Centro de Referência da Memória Goiense, um espaço onde estará reunida toda a história deste município.
Completou na semana passada o primeiro ano de mandato. Que balanço faz do trabalho desenvolvido? O balanço é muito positivo. Fez realmente um ano no dia 26 de outubro que tomámos posse e posso dizer que temos desenvolvido um trabalho que nos agrada profundamente, a mim e a toda a equipa. Estou muito satisfeita com a equipa com quem trabalho. Admito que este é, efetivamente, um trabalho muitas vezes incompreendido, muitas vezes a classe política não tem a credibilidade que merece, mas não nos podemos esquecer que não somos todos iguais e, no que concerne à política, há políticos bons e maus, como acontece em qualquer tipo de profissão. De qualquer forma, no que concerne à classe política que hoje governa o município de Góis, penso que temos estado à altura do voto de confiança que nos foi dado quando apresentámos o projeto “Renascer a esperança, confiar no futuro”. Estou satisfeita e, portanto, só posso traçar um balanço bastante positivo. Neste momento há várias obras em curso no concelho de Góis, algumas que transitaram inclusive do anterior mandato. Nesta área, quais são as suas prioridades para os próximos três anos? Há muita coisa que gostaríamos e que pretendemos fazer. É muito difícil destacar uma obra. Temos algumas obras que já concretizámos e já lançámos outras. Em qualquer mandato tem sempre que haver uma lógica de continuidade, o que significa também uma responsabilidade em termos de compromisso. Essa foi a nossa prioridade este ano de 2010. No fundo, procurámos dar prioridade a todas as obras que estavam lançadas ou que tinham o financiamento nacional ou comunitário garantido. Nesta situação encontrava-se o Centro Escolar de Alvares, uma obra já concluída; e os Paços do Concelho, a escassos dias da sua conclusão. Lançámos ainda a obra da Casa Municipal da Cultura, que é seguramente a maior do mandato. Orçamentada em cerca de dois milhões de euros, esta obra começou a ser executada há cerca de dois meses. Para além disso, foi ainda lançada a obra de requalificação do campo de futebol Augusto Nogueira Pereira, que é um campo que vai ter um relvado sintético. Estas são as principais obras que estão em curso, transitando algumas para o próximo ano. Em 2011, para além destas, teremos verdadeiramente as obras deste executivo. Posso referir, desde logo, o Centro de Referência da Memória Goiense, um grande projeto que consideramos de particular interesse. Este Centro não será nenhum espaço museológico mas irá assemelhar-se a pequenos núcleos museológicos, que irão permitir identificar todo o património que caracteriza os goienses, desde a exploração mineira, ao fabrico do papel, à antiga produção e comercialização de neve que na época se usava para conservar os alimentos… Este Centro vai permitir aos goienses e aos visitantes ter um conhecimento profundo da história e das vivências de Góis, dando a conhecer o seu passado e as suas tradições. O Centro de Referência da Memória Goiense é uma obra que é totalmente deste executivo. O projeto já foi concebido por nós, já temos o financiamento, vamos lançar concurso público para esta obra. Estou convicta de que será executada durante o ano de 2011. A requalificação da vila é outra das suas preocupações… Sem dúvida. Para além destas obras que já referi, temos também a Circular Externa do Carvalhal dos Pombos, uma grande obra de requalificação de uma parte da zona urbana. Esta intervenção está orçamentada em cerca de um milhão de euros e vai melhorar toda a zona, já que prevê intervenções em várias áreas, como saneamento, redes de águas, pavimentação, requalificação dos passeios… Portanto vamos ficar ccom outro aspeto na vila. Hoje há uma parte da vila que não tem passeios, o que obriga as pessoas a passar pelo asfalto, e queremos alterar tudo isso. Entendemos que tem que haver um ordenamento no sentido de Vila Nova do Ceira-Góis. É urgente esta requalificação da vila, quer em matéria das acessibilidades, como de todo o ordenamento do espaço que fica na zona do pólo industrial. No fundo, pretendemos melhorar toda a entrada da vila de Góis. Este será o maior projeto já concebido por este executivo, custará um milhão de euros. O maior de todos é a Casa da Cultura, que custará cerca de dois milhões de euros. A conclusão da Casa Municipal da Cultura está prevista para quando? A obra começou em julho deste ano e, portanto, ainda está numa fase embrionária, ainda estão a fazer as movimentações de terra. Trata-se de uma obra com uma envergadura considerável, que vai demorar bastante tempo. Penso que depois desta fase inicial, a obra terá uma franca evolução no início do próximo ano. A Casa Municipal da Cultura de Góis tem um prazo de execução de 18 meses e, até ao momento, os prazos estão a ser cumpridos. Se não houver nenhum hiato que condicione a normal execução da obra penso que estão reunidas as condições para que no início de 2012 a Casa Municipal da Cultura esteja concluída. Mas nem só de grandes obras se faz o trabalho de uma autarquia. Há todo um trabalho diário a que é preciso dar respostas. Foi fácil adaptar-se a esta “casa”? Sim. Devo dizer que, de facto, há todo um trabalho que se faz diariamente que não tem visibilidade. Neste primeiro ano de mandato, foi feito todo um trabalho de re-estruturação e reorganização dos serviços internos, onde procurámos priorizar as principais necessidades. Para além disso fizemos também um trabalho meritório no que se refere ao Plano Diretor Municipal (PDM), com a sua revisão e, neste momento, a primeira alteração ao PDM está praticamente na fase da conclusão. Este é também um trabalho que efetivamente não tem grande visibilidade, porque não é uma infraestrutura, não é betão ou alcatrão, mas que é muito importante para o concelho de Góis. Tenho que referir ainda o apoio que foi dado durante este primeiro ano a todas as instituições privadas que desenvolvem ações na área da proteção civil, da cultura, da ação social, da educação, do associativismo e outras. Nós, enquanto autarquia, estamos conscientes de que só é possível um verdadeiro desenvolvimento se houver uma verdadeira cultura de parceria entre o público e o privado. E a Câmara tem, de facto, dado um inestimável apoio a essas organizações de direito privado, porque para além de promoverem o desenvolvimento, promovem o emprego. Deste modo, e consequentemente, fazemos justiça ao Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e a Exclusão. Temos feito um grande investimento nas políticas sociais, quer ao nível da ação social, quer ao nível da educação, e é nossa intenção continuar a apostar nestas áreas.
Por Zilda Monteiro, O Despertar 5/11/2010

01 agosto 2010

Entrevista da Presidente da Câmara de Góis

De uma entrevista dada pela Senhora Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira (LC) ao Diário de Coimbra (DC) e publicada em 26 de Julho, retirámos esta pergunta e a resposta dada. DC E relativamente à terceira idade, sector que sempre lhe mereceu especial atenção?
LC É efectivamente um grupo vulnerável relativamente ao qual muitas vezes não há um olhar atento. Não é o que acontece em Góis. Tranquiliza-me muito o trabalho das IPSS, conheço-as todas, trabalhei com algumas e colaborei com outras. Temos uma taxa de cobertura excelente, com quatro lares de idosos, bons serviços ao domicílio, centro de dia, ATL, projectos para ocupar os idosos. Porém, não podemos esquecer que estamos num concelho muito disperso, com aldeias com poucos habitantes e ainda não há remédio para a solidão. Julgo que a Câmara tem todas as condições para criar um serviço de apoio aos idosos mais isolados que querem continuar na sua casa. Há muitos anos fui defensora de projectos tipo tele-alarme, serviço que tem uma central, que pode ser criada na vila, com operadores que funcionam 24 horas. Podemos não ser os promotores, mas criar condições, dinamizar uma parceria. Confesso que me preocupam particularmente Colmeal e Cadafaz, as freguesias envelhecidas do concelho. Têm alguma cobertura de apoio domiciliário, pela Caritas Diocesana de Coimbra e pela Misericórdia de Góis. Temos condições para implementar um lar, que pode dar resposta às necessidades destas freguesias e quero enaltecer o trabalho do Conselho Director dos Baldios da Freguesia do Cadafaz, que tem parcerias no âmbito das energias renováveis e tem canalizado esses meios financeiros para o futuro lar, cuja entidade promotora é a Caritas de Coimbra. Lamento que a tutela não tenha aprovado a candidatura da Caritas, a Câmara assumiu as terraplanagens, que estão prontas, e o projecto vai avançar. Então sim, com o lar da Freguesia de Cadafaz, temos uma cobertura total.
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09 maio 2010

Entrevista – À conversa com um antigo campeão nacional de boxe amador, por Jorge Fonte

“Só rendia a partir do segundo assalto. Para entrar no ritmo certo tinha de fazer um treino antes” Abandonou as luvas no mesmo ano em que foi campeão de boxe amador. Mário Martins é o homem que tentou voar como uma borboleta e picar como uma abelha nos ringues portugueses, sem nunca ambicionar o estatuto de profissional. Começaste a praticar boxe amador com 18 anos. Que tipo de condições tinhas para treinar? As condições eram muito precárias e tínhamos de improvisar para treinar, mas isso até era o mais giro. O ginásio onde treinávamos, o Lisboa Clube Rio de Janeiro, servia como salão de baile e às vezes, à segunda-feira éramos nós, os atletas, que limpávamos o chão se quiséssemos treinar. Como não havia ringue punhamos quatro cadeiras a formar um quadrado no meio da sala e para treinarmos pesos andávamos de cócoras a carregar os outros pugilistas. (risos) Nesse tempo moravas no Bairro Alto, onde se situava o ginásio. Essa proximidade influenciou a forma como entraste no mundo do boxe? Não foi esse o motivo. Eu vim do Colmeal (concelho de Góis) com 6 anos e fui morar para o Bairro Alto. Naquela altura havia um espírito bairrista que hoje já não se encontra e então andávamos sempre a lutar contra o pessoal dos outros bairros. Foi numa dessas lutas, onde levei uma tareia de uns gajos do Castelo, que decidi ir para o boxe amador. Depois disso, o meu impulso foi ter a necessidade de ser capaz de me defender. Vivias com o teu pai e com os teus irmãos. Como é que eles reagiram quando souberam que ias treinar boxe? Quando eu entrei houve uma vaga de miúdos do bairro, fomos cerca de 20, que também acharam piada e foram comigo. Acho que isso, para os meus irmãos, tornou aceitável o facto de eu também ter entrado. Gozavam e diziam que eu era maluco! (risos) Já o meu pai foi o oposto. Para ele, eu tinha era de trabalhar e o boxe não fazia sentido nenhum. Cerca de 4 meses depois de eu ter começado, ainda fazia “sparring”. O meu pai falou com um amigo, que era médico, e começou a discutir porque eu já não punha sal na comida nem comia gorduras. Aí o médico disse-lhe que eu estava no caminho certo, mas o meu pai nem assim mudou de opinião. “Os combates duravam entre dois a três assaltos” Lembras-te do teu primeiro combate? Foi no Atlético do Cacém. Lutei contra... (faz uma pausa) o Lúcio Costa, que para além de ser mais alto e musculado, era do Cacém, ou seja, estava a lutar em casa. E estavam cerca de mil pessoas a ver. O Lúcio começou logo ao ataque a atirar-me murros e eu a defender-me e a tentar responder. Entretanto, acertei-lhe no queixo, não me lembro se foi no primeiro ou segundo assalto, e logo a seguir ele está sentado no chão e o árbitro acabou a contagem de dez. Não sei como é que aquilo aconteceu mas tinha ganho! E tu naquele momento todo animado a pensar que eras o maior... (encolhe os ombros) Não... Fiquei atrapalhado. Foi uma sensação estranha porque não fazia ideia de como reagir. Eu até acho que tinha os olhos fechados quando lhe bati! Tiveste vários treinadores no teu canto. Quem foi aquele que tu consideras que tenha sido o mais importante, aquele que fez a diferença? Sem dúvida o Armando Costa Rodrigues. Era um indivíduo muito rude, não era o melhor na parte técnica, mas exercia uma pressão e pedia de mim uma atitude de tal forma que foi com ele que atingi o meu pico de treino. Era extremamente exigente e para tu teres uma ideia, durante os combates eu só rendia a partir do segundo assalto, porque o primeiro era como se fosse um treino. Demorava muito a entrar no ritmo certo e a aquecer porque durante o resto da semana, treinava intensamente. Assim, para estar no ritmo certo a partir do primeiro assalto tinha de fazer um treino antes do combate. E foi com o Armando Costa Rodrigues que te sagraste campeão na categoria de 63,5kg, apenas com 24 anos. Sim, foi graças a ele. Eu não era um lutador muito rápido e resistente. O meu estilo era mais forte e explosivo, por isso, os combates duravam entre dois a três assaltos. O meu grande problema era aqueles que se decidiam até ao último e aí o Costa Rodrigues a incentivar-me era fundamental. Eu queixava-me que já estava cansado, que as minhas pernas não queriam mexer. Aí, ele apontava para o meu adversário e dizia que ele estava muito pior, ele só queria sair dali e que eu só tinha de acabar com ele. No combate do título não foi preciso esse discruso porque no segundo assalto venci por KO. “Vivia do meu trabalho e não dos combates” Em 1983 vences o título de campeão nacional. Porque não deixaste de ser amador e tornares-te atleta profissional? Nunca ambicionei esse patamar. Desde os 18 anos, quando entrei no Clube Rio de Janeiro e comecei a ver o mundo do boxe, apercebi-me de algumas coisas. A malta do boxe profissional estava envolvida num ambiente muito esquisito, ligado à noite e às apostas. E depois era o nível de trabalho e dedicação que é exigido a um profissional. Para além de não quereres tornar-te profissional, nesse mesmo ano terminas a tua carreira como pugilista. O que aconteceu? Foram vários factores a começar pela exigência que o pugilismo pedia. Mesmo amador, como eu era campeão nacional era chamado para representar a selecção. Em termos pessoais, tinha casado há pouco tempo, conjugar a selecção com viagens de 4 dias a Espanha, 6 a França e depois 9 ou 10 ao Brasil, não era aquilo que eu queria. Tive de rejeitar esses convites. Depois, o boxe amador também é mal pago e eu continuava a trabalhar de dia e a treinar à noite. E eu vivia do meu trabalho e não dos combates. No entanto não abandonaste definitivamente o boxe. Foste treinador, dirigente e hoje és árbitro. Isso foi logo após teres acabado a carreira ou precisaste de um tempo afastado desse universo? Foi cerca de três, quatro anos depois. Não fui eu que escolhi não estar ligado ao boxe. Com o tempo fui-me afastando, mas entretanto surgiu a oportunidade de abrir um ginásio com o meu sócio Carlos, que foi quem teve a ideia. Fui treinador nesse espaço durante dez anos, depois aquilo fechou e estive na Federação onde havia muita inveja e mal-dizer. É que as pessoas não têm consciência do trabalho que está por trás da organização de um torneio, seja montar o material ou fazer publicidade, que é uma coisa que nunca se pensa nisso. Depois quando saí, fiz de speaker e hoje sou árbitro. E sou demasiadas vezes para o meu gosto, porque há uma falta enorme de árbitros para o boxe. E não é para me gabar, mas consideram-me o melhor árbitro em Portugal. (risos) “Os que lutam por títulos procuram o boxe” Há cada vez mais o reconhecimento de novas artes marciais como o jiu-jitsu, muay-thai ou o kickboxing. Achas que isto é importante ou dispersa a atenção dos praticantes? Foi muito mau para o boxe. Mesmo que não houvesse muita adesão ao desporto, havia uma cultura em Portugal dos praticantes de boxe que hoje já não há. O que acontece é que os jovens começam por procurar esses desportos pela espectacularidade. No entanto, se te aperceberes, os melhores, aqueles que lutam por títulos nessas novas modalidades, ou trazem formação já do boxe ou procuram treinar boxe, porque é aí que se treina a técnica de braços. (simula um murro com a mão direita) É assim que explicas a pouca visibilidade do boxe no nosso país? Foi importante mas não foi só por causa disso. A falta de publicidade é o pior. Há uns anos atrás havia um jornalista, o Patrício Alvarez. Ele tinha sido pugilista e escrevia para o Record e, salvo erro, para o Diário Popular. Como tinha esse passado no boxe, fazia passar nos jornais os eventos relacionados com o boxe, numa cultura que só interessava o futebol, a Volta a Portugal em bicicleta e mais tarde o hoquei. Actualmente ficou pior, agora é só o futebol. Evander Holyfield, George Foreman, Muhammad Ali, Sugar Ray Robinson são alguns dos maiores nomes do boxe mundial. Consegues indicar o melhor pugilista de todos os tempos? Para mim foi sem dúvida o Muhammad Ali. Aquela história do “Fly like a butterfly, sting like a bee” descrevia a luta daquele homem na perfeição, porque ele era peso pesado e mexia-se no ringue de uma forma completamente anormal para um peso pesado. Era rápido de pés e lutava com as mãos em baixo, como se convidasse os adversários a atacarem com directos e baixarem a guarda. Quando isso acontecia, o Ali atirava tudo o que tinha. E graças a isso foi campeão três vezes numa época de grandes nomes. .
Jorge Fonte - 19/03/2010
Os termos do boxe Sparring – tipo de treino em que é pedido um lutador com determinadas características consoante o próximo adversário, onde se treinam murros, movimentos ou defesas específicas. Guarda – A defesa do pugilista. Por norma os dextros usam o pé e a mão esquerda à frente e os canhotos o pé e a mão direita à frente. Jab – Golpe frontal com o punho que está à frente. Directo – É um golpe violento, frontal e aplicado com o punho que está atrás na guarda. Cross/ Cruzado – Tal como o directo, mas o movimento é cruzado. O alvo é a parte lateral da cabeça do adversário. Uppercut – Movimento feito de baixo para cima que procura o queixo do adversário. Hook/ Gancho – Movimento parecido com o cruzado. Difere por ser a uma distância mais curta e normalmente na parte lateral do corpo do adversário. KO (Knock Out) – Quando um lutador está incapaz de lutar, gravemente ferido, desmaiado ou inconsciente o árbitro interrompe o combate, declarando o adversário o vencedor por KO.