sexta-feira, 6 de julho de 2012

POUPAS À JANELA


Estava à janela desde cedo, fruindo do sol quente da manhã e das gulodices frescas que os pais lhe traziam, em entregas frequentes e a grande velocidade, voando quilómetros por dia.


Quando me aproximei devagarinho, escondeu-se para logo reaparecer, espreitando para um lado e para o outro, para cima e para baixo, na expetativa de mais um petisco!



Mal pressentia a aproximação do progenitor, abria o bico e esticava-se na sua direção, revelando uma misteriosa capacidade de antecipação. 



Quando já me doíam um braço por causa da posição e a consciência por causa do atentado à privacidade das poupas que estava a cometer, apareceu à janela, do lado direito, mais uma cabecita de crista deitada e bico ainda achatado. Era um poupinho mais pequeno e enfezado, o que não é de estranhar, considerando a voracidade do mano!


O ano passado, o casal só teve uma cria. Apesar da crise que também afeta as aves e muito, este casal de poupas está a aumentar a natalidade! Corajosas! Digo que é o mesmo casal, porque usou exatamente o mesmo espaço para nidificar. As poupas, como outras espécies ou elementos das mesmas, ainda casam e arranjam casa para a vida! 


A presença da observadora a escassos metros não perturbava, nem impedia as entregas. Apenas parecia provocar nos adultos aquele som cavo e fanhoso que as poupas por vezes emitem, em alternância com o poop, poop habitual. As crias encolhiam-se, receosas, mas mostravam-se logo, curiosas.

Simplesmente fascinantes: as poupas e as crianças e pais que lembram.

 Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 26 de Junho de 2012. 

1 comentário:

Aacinto A. disse...

Para ti Lisete, um Respeitoso Abrac,o de Agradecimento pela tua incansa'vel e constante luta, na divulgac,ao da beleza natural da nossa aldeia...!!!


Armando J. de Almeida