20 maio 2015

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA. HORA DO BANHO


São melros, mas mais parecem pessoas, em matéria de asseio. Tomam banho todos os dias ou várias vezes ao dia! Digo eu, que só os distingo uns dos outros, quando apresentam alguma marca deixada pelo ataque traiçoeiro e, felizmente, insucedido de um gato. 

Chegam e dão por ali umas voltas, a esticar as pernas e a ganhar coragem para enfrentar a água fresca. Fresca, porque preferem a manhã, mas também pode ser tépida, quando o banho ocorre mais tarde, provavelmente depois de terem andado a esgaravatar na terra.

Calmamente, instalam-se no bordo da banheira, e ficam a observar a água apetecível e o ambiente circundante, não vá algum indiscreto surpreende-los em atividade tão íntima. Como as pessoas, mas sem a descontração dos banhos conjuntos! Pelo menos que eu tenha visto! 



De repente, ganham coragem e metem-se na água. Experimentam a temperatura, mergulham, agitam-se, salpicam as costas, descansam …






Outra vez: mergulham, agitam-se, salpicam as costas … Delicioso! Ó maravilha das maravilhas! 





Por fim, sacodem-se, descansam de novo, e ei-los que abalam, a brilhar de asseio e a cheirar a limpinho. Neste tempo, imagino que vão à procura de cerejas com pintor ou de material para o ninho que a mélroa ainda está a construir. 




Para além de os melros, tenho visto pardais e piscos a tomarem banho, procedendo de modo idêntico. Apenas, porque são mais pequenos ou descarados, os pardais tomam banho juntos, divertindo-se como crianças à beira mar. 

Sem mais, belezas e riquezas da serra!


Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 15 de Maio de 2015

18 maio 2015

Vamos andar por aqui…no concelho de Pampilhosa da Serra


A União Progressiva da Freguesia do Colmeal continuando a seguir a sua política de divulgação da região serrana, “vai andar” pelo concelho de Pampilhosa da Serra no fim-de-semana de 30 e 31 de Maio, como já anteriormente demos noticia.

As origens do concelho remontam ao período medieval. D. Dinis terá concedido à Pampilhosa o título de vila em 1308, mas o foral medieval foi dado por Pessoa Particular. Em 1380 D. Fernando anexou Pampilhosa ao julgado da Covilhã e a 10 de Abril de 1385 D. João I confirmou-lhe os privilégios de vila isenta, facto que conduziu à fixação do Feriado Municipal a 10 de Abril. D. Manuel outorgou-lhe foral novo a 20 de Outubro de 1513. Depois da reforma administrativa de 1855, Pampilhosa da Serra viu aumentada a sua área territorial para cerca de 397 Km2, repartidos por 8 freguesias.



Caracterizado como um território de montanha, o concelho está localizado no prolongamento da cadeia Estrela-Lousã. A pouco mais de 80 Km de Coimbra e outros tantos de Castelo Branco, Pampilhosa da Serra é um concelho de charneira entre a Beira Baixa e a Beira Litoral. Assumida como terra de contrastes, a paisagem alterna entre as cristas quartzíticas do norte e os cumes arredondados do sul, entre o verde da vegetação e o azul das águas dos rios e albufeiras.





Imponente é a paisagem que se descobre em terras de Pampilhosa. A norte, no sopé de dois graciosos penedos, avista-se a mais lendária Aldeia do Xisto: Fajão! As cristas quartzíticas descem o vale do Rio Ceira e continuam a cortar as montanhas até se elevarem ao alto dos seus 1418 metros, no Pico de Cebola. A pouca distância nasce o Rio Unhais, que no Casal da Lapa se apresenta como um imenso lago azul: a albufeira da Barragem de Santa Luzia. O silêncio que reina deixa adivinhar o som das águas, dos pássaros e da brisa que corre quente e serena.






Aqui e além, numa povoação, na encosta de um monte ou no fundo de um vale, ergue-se uma igreja ou pequena capela. Pode dizer-se que não há lugar no concelho que não tenha o seu templo. Aliada à devoção dos crentes ainda o sentido da festa: honrar o Santo Patrono. Quando chega o Verão, chegam as procissões e os arraiais. O religioso alia-se ao profano e não há aldeia que não tenha a sua quermesse e o seu bailarico. As celebrações Pascais e a Festa da Padroeira Senhora do Pranto, que tem lugar a 15 de Agosto, são as duas importantes manifestações religiosas da vila de Pampilhosa da Serra. No Verão as famílias e os amigos juntam-se, comungando o espírito de festa. Como se cozia o pão, como se tecia o linho, como se apascentava o gado. No passar dos tempos há ainda quem guarde o saber fazer do tear, o trabalhar a pedra, a perícia das rendas ou o desembaraço das rodilhas. Mãos hábeis de quem talhou manualmente os artefactos ao longo de uma vida. Os usos e os costumes tradicionais encontram-se secretamente guardados nas pequenas aldeias, onde o dia e a noite passam tranquilamente numa rotina de calendário.


Os sabores milenares de um concelho de montanha como o de Pampilhosa da Serra estão, necessariamente, ligados á floresta e aos recursos endógenos. A gastronomia tradicional surge, assim como a materialização do que se produz na região, reflectindo os costumes e as tradições ancestralmente guardadas pelas populações serranas. Da carne de cabra fazem-se os típicos Maranhos, acarinhados pela Real Confraria, e a deliciosa Chanfana que chega à mesa suculenta. A riqueza gastronómica continua com o Cabrito Assado, com o Javali, com as Trutas do Ceira e com a Tiborna, saboreada originalmente durante a azáfama dos lagares de azeite movidos pelas águas cristalinas das ribeiras. Tudo isto acompanhado com o pão, amassado com a força ímpar da Mulher serrana e cozido nos rústicos fornos de lenha!
Na doçaria destaca-se a Tigelada, o Bolo de Azeite, o Bolo de Mel e o Arroz Doce, que aqui é feito com o leite de cabra. O mel dourado da urze adoça as grossas fatias de broa que fazem as delícias das tradicionais merendas.
As aguardentes de mel e de medronho também são características da região.

Texto e fotos: Brochura da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra

14 maio 2015

Caminhada “Pelas Lendas da Levada dos Mouros”


Depois de muita incerteza quanto ao estado das condições atmosféricas, o dia 2 de Maio acordou cinzentão e enevoado, mas já sem a chuva que persistentemente caíra no dia anterior. A caminhada “Pelas Lendas da Levada dos Mouros” realizou-se, aproveitando o fim-de-semana prolongado e beneficiando do bom tempo que nesse dia se fez sentir, num percurso que foi quase que uma reedição da efectuada em 2008 pelos “Trilhos da Ribeira de Ádela/Caminhos da Escola”.

Foi de primordial importância a colaboração da União das Freguesias de Cepos e Teixeira, Comissão de Melhoramentos de Ádela, Associação Amigos do Açor, União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal e da Câmara Municipal de Góis. De enaltecer a disponibilidade e a simpatia dos funcionários da Unidade Residencial Sagrada Família, da Cabreira e do Centro Social dos Cepos no incansável apoio dado à organização.

As respectivas juntas de freguesia garantiram a limpeza dos troços do percurso, que mais necessitados estavam e com as viaturas todo o terreno apoiaram os participantes ao longo do itinerário desde os Cepos, passado por Ádela e Açor, até ao Colmeal.

Os participantes reuniram-se no Colmeal pelas 8 horas, no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano a fim de tomarem o transporte cedido pela Câmara de Góis, para os Cepos, onde a caminhada se iniciou às 9 horas, depois das filhoses e do café d’avó. Na passagem por Ádela procedeu-se ao reagrupamento e após uma breve visita a um dos algares, a Casa de Convívio da Comissão de Melhoramentos de Ádela abriu as suas portas para os participantes retemperarem as suas forças, num lanche preparado em conjunto com a Associação Amigos do Açor.
Na pequena localidade do Açor, a simpatia e o carinho habituais aguardavam o grupo.   





















A União Progressiva da Freguesia do Colmeal e as restantes entidades envolvidas esforçaram-se para proporcionar um excelente e são convívio, o que parece ter sido conseguido, não só pelos cerca de cento e trinta que efectuaram todo o percurso, mas também pelos duzentos que confraternizaram no Parque de Merendas das Seladas.





No final do almoço o presidente da Direcção da UPFC agradeceu a presença de todos e recordou as caminhadas anteriores. Referindo-se aos algares e minas que existem nas proximidades das aldeias de Ádela e Açor, seria interessante proceder-se ao seu estudo e divulgação, como possíveis polos de atracção para a região.
Sobre a caminhada e o convívio que estava decorrer, relevou o importantíssimo papel desempenhado pelos vários intervenientes que, sem olhar a fronteiras de freguesias ou concelhias estavam a dar um excelente exemplo de como é possível trabalhar conjuntamente e ser bem-sucedido.



Também os presidentes das Juntas de Cadafaz e Colmeal e de Cepos e Teixeira se referiram elogiosamente à organização incentivando a novas realizações.

UPFC

Fotos de A. Domingos Santos e Armando Almeida