09 novembro 2013

Nos Picos da Europa com a União – 2º dia








Oviedo é a capital das Astúrias e também é apelidada de Capital do Paraíso, já que as Astúrias são elas próprias um Paraíso Natural. Situa-se entre as cinco cidades espanholas com menores índices de poluição atmosférica e é conhecida pela limpeza das ruas do seu centro histórico. O facto de ser a capital do Principado das Astúrias traz-lhe a fama de cidade aristocrática, elegante e senhorial, que merece ser percorrida a pé e onde se desenvolve uma extensa actividade cultural. A magnificência dos seus edifícios e uma população de trajes e hábitos fidalgos concedem-lhe o proveito. Mantém o porte altivo, sem ser austera. Cultiva a arte, mas não renega prazeres plebeus como um prato de fabada – um potente guisado de favas e feijão branco, carne curada e toucinho, ou um copo de sidra, que segundo os especialistas deve ser bebido numa fracção de segundos, pois se se deixar repousar perde todas as suas características.












Em Oviedo toda a sua arquitectura está longe de reflectir os comportamentos das cidades actuais. A maior parte das casas parece ter sido feita para comemorar alguma ocasião em especial, e não apenas para celebrar o quotidiano; são apalaçadas, com as colunas e as varandas ornamentadas, e os prédios quase nunca ultrapassam a meia dúzia de andares; a estes juntam-se inúmeros relógios, candeeiros e floreiras de ferro forjado – com o brasão do principado – que lhe concede uma positiva homogeneidade.







A capital das Astúrias recompensa quem a trata bem. Basta ir até à rua Milícias Nacionales, bem perto do Parque San Francisco - a horta e o jardim de um antigo convento franciscano hoje transformados na maior zona verde do centro citadino, para apreciar uma escultura do realizador norte-americano Woody Allen, apenas uma das 105 obras que se multiplicam a cada esquina – com tamanhos e temáticas variadas, desde a homenagem a figuras conhecidas, referência a valores universais, até à representação de costumes antigos da cidade e da região -, o que torna Oviedo a cidade do mundo com maior número de esculturas por habitante.










A catedral de Oviedo assenta sobre a primitiva basílica, consagrada no ano 802. No século XII realizou-se a primeira ampliação, e no século XIV levantou-se o actual templo gótico sobre o templo românico anterior. No interior é possível observar os diversos estilos que, pouco a pouco, foram conformando o edifício actual. É a única catedral gótica com uma única torre.

Cangas de Onis é uma pequena cidade asturiana muito bem aproveitada em termos turísticos e uma das entradas para os Picos da Europa. É uma terra histórica e a capital do concelho, como outrora o foi do reino asturiano. Foi aqui que se iniciou a reconquista da Península com Pelágio, no século VIII. Aqui estabeleceu a corte depois de ter vencido os árabes na batalha de Covadonga. Com méritos próprios, Cangas de Onis é considerada uma das povoações mais belas dos Picos da Europa. Sobre o rio Sella, patenteia a beleza arcaica da sua chamada Ponte Romana, cuja traça medieval constitui a imagem tradicional das Astúrias e onde se pode apreciar a cruz da Vitória. Entre os seus edifícios considerados mais representativos destaca-se o Palácio Cortés, de estilo renascentista, o Palácio “Casa Dago”, um exemplo da arquitectura montanhesa ou o edifício do Ayuntamiento.





















A subida aos lagos de Covadonga fez-se após o almoço, em mini-autocarros, por uma estrada estreita e empinada que trepa ao longo de 12 km por entre curvas e contracurvas. Estes lagos que já habitam estas montanhas há milhares de anos, testemunhas da última glaciação, brindam-nos com as suas águas cristalinas e uma inebriante paisagem ao seu redor, por vezes dificultada pela névoa que surge de repente. O primeiro lago que encontramos é o Enol e um pouco mais acima, o Ercina. O miradouro Buferrera, um pouco mais abaixo, lembra-nos a era da actividade mineira que ali se desenvolvia e permite-nos alongar a vista pelos vales glaciares e pelas montanhas circundantes. É seguramente a zona mais famosa, mais visitada e mais fotografada da região. A sua beleza é inequívoca e a sua importância natural única. Um autêntico postal ilustrado.



















O Santuário de Covadonga é um local carregado de histórias e lendas. As suas legendárias origens remontam à época da Reconquista. O lugar, encaixado numa paisagem bonita entre desfiladeiros arborizados, recorda a batalha que ali ocorreu no dia 28 de Maio do ano 722, onde Dom Pelayo, que comandava um punhado de fiéis, conseguiu deter os exércitos árabes. A aparição da Virgem Maria (“La Santina” para os Asturianos) terá sido fundamental para o triunfo. Num enorme rochedo abre-se a Santa Gruta que alberga no seu interior a imagem da Santina e o sepulcro de Dom Pelayo que ali teria tido o seu quartel-general.



Quase ao final da tarde rumou-se ao acolhedor hotel que nos esperava na bela praia de La Franca onde as ondas do Cantábrico vinham adormecer na areia…


Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos


08 novembro 2013

Saúde vs Envelhecimento Activo


É engraçado o número de vezes que me perguntam “Como é que tem tanta energia?”, eu costumo dar uma resposta muito simples que é, tenho vontade de viver.

Aos 87 anos continuo a considerar-me uma pessoa extremamente activa, capaz de caminhar várias horas, conhecer o meu país em pequenas viagens e dedicar-me aos meus hobbies favoritos, pintar e restaurar objectos. Mas não pensem que a idade passou por mim e não deixou marcas.

A velhice trouxe-me problemas cardíacos e renais, mas eu não deixo que esses obstáculos definam o rumo que a minha vida deve tomar.

Vim ao mundo para aproveitar ao máximo o que a vida tem para oferecer, por isso cuido da minha saúde o melhor que posso. Sem ela, nunca terei capacidade de fazer tudo aquilo que quero.

Defendo que nos devemos preocupar, prevenir e ter os cuidados necessários para prolongar o nosso caminho. Mas que caminho é esse se eu viver a lamentar as minhas limitações? Apenas farei com que pareçam barreiras maiores. Há mais de 10 anos que vivo com elas e o que aprendi foi a adaptar-me às circunstâncias…

Hoje já não faço maratonas, apenas caminho… Mas é esse caminhar que vai mantendo o meu corpo activo. A mente é a minha bengala, é nela que eu me apoio quando estou a ir-me abaixo e é ela que me dá forças para ultrapassar todos os pequenos e grandes obstáculos.

Cada vez mais se ouve falar do envelhecimento activo e da sua importância. Mas para mim essa não é uma novidade, mas sim a realidade que eu quis tornar filosofia. Envelhecer é um processo natural da vida, não vale a pena omitir a idade, negar o óbvio, porque não voltamos atrás no tempo. Eu olho para o presente e sinto-me feliz. Realizo-me todos os dias quando faço o que gosto, depois de 50 anos a trabalhar em algo que não tinha qualquer paixão.

A reforma permitiu-me começar a viver e não sobreviver. E não pertenço ao grupo de pessoas com reformas acima dos mil euros. Quando digo que passei a viver é porque agora tenho tempo livre, tempo esse que ocupo como eu quero e da maneira que me dá prazer. As minhas doenças não me impedem de ter um envelhecimento activo.

A maioria da população idosa portuguesa está perdida, pois só lhes apresentam textos de doenças, programas de drama e informações negativas. Mas a vida está muito mais além daquilo que a TV passa…

Temos que aprender a equilibrar a balança, aprender a viver com as nossas limitações e viver o presente. Em vez de lamentar o que lhe aconteceu, pense… o que é que eu gostaria de fazer que está ao meu alcance e nunca fiz? Aí encontrará a motivação para começar a ter um envelhecimento activo sem ter que descuidar-se da sua saúde. Nunca se esqueça que “ a vida é feita de pequenos nadas”.

Francisco de Almeida Teles

in Revista REVIVER, Nº 3 – Junho de 2013

Dia das Bruxas na Cabreira



No Lar da Cabreira as abóboras vazias com os buracos representativos dos olhos e da boca e com luz dentro, desempenhavam o seu papel de causar medo, à noite. Um registo simpático para assinalar o Halloween ou como se diz por cá, o Dia das Bruxas.

Foto de A. Domingos Santos