terça-feira, 22 de outubro de 2013

CANGALHA



Quando no passado mês de Maio tivemos a oportunidade de visitar na vila da Lousã o Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques, a “peça do mês” era a cangalha.
O folheto que aqui reproduzimos e que nos dá uma explicação sobre o seu fabrico e utilização foi elaborado pelo Núcleo de Investigação do Ecomuseu da Serra da Lousã com base na publicação “Alfaia Agrícola Portuguesa, de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira”.
Consideramos muito interessante esta divulgação porque, como se costuma dizer, “o saber não ocupa lugar”.


“Cesto em verga para carregar, sobre os burros, estrumes, ou produtos agrícolas.

Por todo o Litoral Central, e por grande parte da região interior que lhe corresponde, assim como pelo Leste transmontano, são muito vulgares as cangalhas de verga – fundamentalmente dois cestos ligados por uma ponte mais ou menos alta, desse mesmo material. Cangalhas semelhantes encontram-se igualmente nos Açores.

Também na corda litoral entre Aveiro e a Figueira da Foz, são usadas as cangalhas feitas de tranças de bunho. O seu fabrico é muito simples: a trança é passada por duas cravadas no chão em direcções convergentes (mais afastadas em baixo), e depois entrelaçadas com braças; outras tranças reforçam a boca deste saco trapezoidal. A cangalha é colocada transversalmente sobre o dorso do burro, formando um saco de cada lado. Nas vizinhanças da Figueira da Foz vimos cangalhas como o descrito, usadas apenas para o estrume.



Na maior parte do País, as cangalhas são substituídas por dois cestos vulgares amarrados com cordas, ou cestos que têm forma apropriada a esse fim. As cangalhas também eram usadas para outros fins, como por exemplo para distribuir o pão, adaptadas a bicicletas e motorizadas.”

UPFC


1 comentário:

Anónimo disse...

Curioso! Nunca tinha reparado em como o objeto sugere a expressão popular "cair de cangalhas", que significa cair de pernas para o ar.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal.