23 setembro 2021
UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL, NOVENTA ANOS
07 agosto 2021
UNIÃO PROGRESSIVA - Um caminho de noventa anos - II
«Da numerosa colónia
de Góis, actuando na capital, destacam-se os Colmealenses como sendo um dos
seus mais fortes contingentes. Espalhados por toda a cidade, nas modalidades
várias dum trabalho persistente e probo, os filhos da freguesia do Colmeal teem
também a «sua casa», uma colectividade modelar que os defende e acarinha ao
amor votivo à terra que os viu nascer. Trata-se da União Progressiva da
Freguesia do Colmeal, fundada em 20 de Setembro de 1931 e contando, hoje, mais
de 200 sócios.»
Procurando saber das aspirações dos Colmealenses e da acção já desenvolvida, fala com Manuel Nunes de Almeida, que presidia a uma Comissão Administrativa, nomeada após a primeira Direcção se ter demitido quarenta e cinco dias depois de eleita. «Sinto-me feliz por ter vingado a ideia inicial. A semente lançada à terra, em boa hora, germinou e a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem hoje assegurada a sua espinhosa mas consoladora missão.» O estado de abandono a que fora votada a freguesia, levou-os a reagir «reunindo esforços e boas-vontades para uma obra construtiva».
Com estatutos aprovados pelo Governo Civil de Lisboa, em 1 de Agosto passado, realça o propósito de «conseguir o máximo de solidariedade de toda a colónia da freguesia do Colmeal; educar, instruir e proteger os seus membros necessitados; auxiliar moral e materialmente todos os melhoramentos da freguesia do Colmeal e promover por todos os meios ao seu alcance manifestações de actividade que de qualquer modo possam contribuir para o engrandecimento da freguesia.»
Elenca alguns valores aplicados em melhoramentos e no auxílio aos mais necessitados. Não esconde a sua satisfação por já se ter conseguido receber valores declarados e a esperança de haver em breve o serviço de encomendas postais. Com bastante detalhe e conhecimento refere-se à falta de estradas, de escolas, das ligações telefónicas, da iluminação pública e da urgente necessidade da eliminação das fontes de chafurdo.
«E se de estradas
derivarmos para os caminhos que ligam as povoações da freguesia, entre si, não
podemos deixar de exteriorizar nossa mágoa! Esses caminhos estão quási que
intransitáveis. De Inverno, principalmente, é um horror!»
Esta é a fotografia que surgia a ilustrar o excelente trabalho jornalístico de Luiz Ferreira, e que faz parte do arquivo histórico da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.
Lisboa, 04 de Agosto
de 2021
A. Domingos Santos
19 julho 2021
UNIÃO PROGRESSIVA - Um caminho de noventa anos
Há nove décadas, mais concretamente em 18 de Agosto de 1931, a imprensa regional, através de A Comarca de Arganil dava-nos a notícia que a seguir recordamos
Uma semana depois,
este trissemanário, em notícia subscrita por José Henriques d’Almeida, informava
com mais pormenor:
«Está-se organizando
em Lisboa uma comissão de melhoramentos da freguesia do Colmeal, formada por
filhos desta importante região.
Muito há a fazer em
benefício de tão esquecida freguesia, pelo que nos congratulamos profundamente
com a simpática iniciativa do punhado de nossos patrícios que a concebeu e que
podem trazer para o Colmeal um progressivo desenvolvimento.»
José Henriques
d’Almeida viria a integrar, como Tesoureiro, a Direcção liderada por Joaquim
Fontes de Almeida, eleita em Assembleia-Geral de 4 de Outubro, presidida por
Joaquim Francisco Neves, secretariada por Francisco Domingos e Manuel João
Miranda.
«O regionalismo bem
compreendido é aquele que procura dar progresso e civilização às inúmeras
localidades do país, aproximando-as cada vez mais dos grandes centros. Tudo que
se faça com esse fim é altamente proveitoso, não só para as regiões
beneficiadas, mas também para toda a nação de que elas são as células vivas que
a alimentam tanto mais fortemente quanto maior é o desenvolvimento civilizador
que atingem.
E ainda que se
careça da acção do Estado para que esse desenvolvimento se torne uma realidade,
o certo é que a iniciativa particular deve ser o movimento impulsor, competindo
a ela intervir junto do Estado para que ele realize as obras necessárias ao
desenvolvimento das localidades, freguesias e concelhos, contribuindo também
directamente, quer pelo trabalho dos indivíduos, quer pelo seu auxílio
financeiro, para a realização dessas obras.» Assim continuava a notícia em A Comarca de Arganil subscrita por José
Henriques d’Almeida, que trabalhou nesta primeira Direcção com Marcelino de
Almeida, Francisco Domingos, Aníbal Gonçalves de Almeida, José Antunes André e
Manuel Martins.
«Como intermediárias
dessa múltipla acção, surgem essas comissões de melhoramentos que nós vemos
constituir-se na nossa região, as quais tomam a seu cargo estimular as
iniciativas das terras a que dizem respeito, angariando fundos com que vão em
auxílio das câmaras e juntas de freguesia, expondo as suas necessidades e
instando pela realização dos melhoramentos que as terras precisam. Foi por
conhecerem as vantagens que para o
Colmeal podem advir, que alguns seus filhos, cheios de vida e de boa vontade
pelo engrandecimento da terra, onde nasceram e que residem em Lisboa, se
resolveram constituir-se em comissão para trabalharem em prol do Colmeal.
E assim propõe-se a
comissão desenvolver directa e indirectamente a terra que lhes foi berço,
levando às entidades competentes uma representação mostrando as obras urgentes
de que necessita o Colmeal, como sejam as vias de comunicação, fontes, escolas,
etc., etc., tudo enfim quanto é necessário ao engrandecimento dum povo.»
Quase a terminar e
com grande esperança e forte convicção «Será sem dúvida notável a acção da nova
comissão de melhoramentos do Colmeal e é de esperar que ela possa fortemente
contribuir para o desenvolvimento desta freguesia, uma das mais importantes do
concelho de Góis.»
A imprensa regional teve um enorme papel no apoio e na divulgação do trabalho da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, no decorrer destes noventa anos. Para além de A Comarca de Arganil, que aqui referimos, também O Varzeense e os extintos Jornal de Arganil e O Colmeal sempre tiveram espaço nas suas páginas para dar a conhecer o percurso, nem sempre fácil, do querer e da determinação de um punhado de lutadores empenhados no bem-estar e desenvolvimento nas suas aldeias.
Lisboa, 19 de Julho de 2021
A. Domingos Santos
04 maio 2021
BELEZAS(DES) E RIQUEZAS DA SERRA. VESTIDA DE AMARELO
17 abril 2021
14 abril 2021
N’ O COLMEAL, TERRAS EM POESIA
Conforme assinalava oportunamente (“O Colmeal e a História do Colmeal”, 9, 16
e 23 jan., 2021), nos primeiros tempos, o boletim publicava regularmente poesia,
prática que ia ao encontro do gosto pelas rimas, versos e romances da
literatura popular. Subordinada à mensagem, em geral, a mesma fazia parte
integrante da estrutura informativo-formativa. Predominava a poesia de cariz religioso
e edificante, mas havia secular, nomeadamente alusiva às diferentes aldeias. São
estas “quadras”, na designação do boletim (fotos 3 e 5), que venho recordar.
As “quadras” foram reproduzidos a
partir do jornal, razão que justifica a diferente apresentação. Algumas foram objeto
de montagem para facilitar a leitura, constando em todas o autor e o número de O Colmeal onde podem ser encontradas. Inserem-se
por ordem alfabética das terras a que
respeitam, e por data, sempre que são duas ou mais.
Com esta coletânea de preciosidades telúricas, pretende-se, por um lado, enaltecer
o boletim e o mérito dos seus colaboradores, por outro, contribuir para a coesão
e a proximidade das localidades, que ele promovia. Lembro que este trabalho decorre
da leitura dos primeiros cem números, pelo que, salvo duas exceção, não integra
eventuais produções posteriores.
A poesia surge logo no primeiro
número e na primeira página de O Colmeal,
a anunciá-lo como expressão e presença da terra natal, numa época em que o
apego às origens persistia indelével para muitos, apesar da mobilidade e das
distâncias. “A nossa terra é sempre a nossa terra! Por isso, nós temo-la no coração
e ela tem-nos no coração dela”! Muito bonito e significativo!
As “quadras” alusivas às aldeias surgem por iniciativa de autores e, só mais tarde, por estímulo e desafio do pároco, como digo no artigo supramencionado. Apontam neste sentido as situações anteriores à chegada do Pe. António Diniz, em finais de 1965 (apresenta-se no nº 63, nov., 1965 e despede-se no nº 86, outº., 1967).
A refletir a dupla inserção
geográfica e social das comunidades, e a intensidade da relação entre ambas, os
autores são residentes e ausentes, a maioria naturais das terras. Em linha com as dinâmicas migratórias e a realidade
demográfica delas resultante, os residentes tendem para ser mulheres, os ausentes,
homens. Alguns usam iniciais, outros assinam com a denominação dos naturais das
localidades, pelo que nem sempre se conhece a sua identidade. A poderem-no
fazer, seria interessante partilharem agora connosco essa sua experiência de
criatividade, quem sabe, se escrever de novo?
Num contexto inclusivo da poesia, em
que relevam autores como Clarisse Barata Sanches e A. Jesus Ramos, as aldeias
aparecem com o número 50, onde um “Adelense” exprime, com grande sentimento e muito
comoventemente, o chamamento da terra e
a profundidade dos laços que a ela o prendem. Na altura, ainda o regresso era
indissociável da partida, embora, na sua geração e por razões supervenientes, já
poucos o tenham concretizado! Ádela é, de resto, a povoação mais cantada, sendo-o
por ausentes, residentes e um oriundo, na autoidentificação do próprio. Aldeia
Velha e Malhada também surgem duas vezes. Sem que seja por falta de poetas, há
povoações omissas.
As “quadras” são eloquentes a falar da
geografia e da paisagem, dos modos de vida e do destino migratório (“ …se um
dia me for embora …”), da interação entre os que partiam e os que ficavam, do
enlevo com que as terras eram vistas
e sentidas ... Um caso, pelo menos, já revela a atual apropriação urbana das
aldeias como reserva ambiental e espaço aprazível de lazer e transitoriedade. De
qualquer modo, na expressão de A. Correia de Oliveira, igualmente retirada de O Colmeal, “… as saudades são olhos/ E
fazem de longe perto …”.
Resta-me acrescentar a menção já feita no artigo anterior de que o desafio das “quadras” contribuiu, igualmente, para o desenvolvimento da participação, da criatividade e da escrita, dimensões que devem ser sublinhadas, pela importância de que se revestiam. E revestem.
É a segunda vez que me refiro a
conterrâneos poetas. Na primeira (http://upfc-colmeal-gois.blogspot.pt/, 14 de dez. 2016), falava de Manuel Alves Caetano Júnior, Felisbela de
Almeida Fontes, José Fernandes de Almeida e Josefina Almeida. Entretanto, estando
ainda de parabéns, Josefina Almeida e José Fernandes de Almeida publicaram,
respetivamente, os livros “Marcas da Vida” (LXª, 2018) e “Memórias de Poesia e
de Prosa” (Lxª, 2020), enquanto Armando Jacinto de Almeida comentava no próprio
blogue:
(…) A poesia é uma arte muito dotada,
Eu a escrevo, com uma alta limitação...
Mas se eu pudesse pintar, pintava,
As nossas aldeias, em forma de coração...
(…)
A terminar, encontrei um poema de Maria Antonieta F. Almeida, que me permito incluir nesta homenagem.
Chama-se “Mensagem” e não alude a uma terra
em particular, mas ao dever da felicidade na terra de todos nós.
Lisete de Matos
Açor, Colmeal, fevereiro 2021.
[1]
No conceito da investigadora Maria Beatriz Rocha-Trindade: “As micropátrias do
Interior português”, Análise Social,
nº 98, Univ. de Lisboa/ISCTE, 1987, pp. 721-732.


















































