A recente montaria
aos javalis e veados no concelho foi organizada pela Câmara Municipal de Góis e
pela Associação Florestal. De acordo com um título a encimar a notícia em A Comarca de Arganil “Montaria com
muitos caçadores mas foram poucos… os animais abatidos”.
Parece que, tal como
acontece nos Parques nacionais de alguns países do continente africano,
caçadores furtivos andaram na zona em noites anteriores a destruir o trabalho
que vinha sendo efectuado de atracção dos animais à mancha.
Os
javalis são animais de grandes dimensões, podendo os machos pesar entre 130 e
250 kg e as fêmeas, de menor porte, entre 80 e 130 kg. Escolhem
locais com bastante vegetação “manchas” onde descansam e com facilidade se possam
esconder. Passam grande parte do dia a fuçar a terra à procura de comida,
preferencialmente raízes, frutos, bolotas, castanhas e sementes. Também invadem
terras cultivadas, especialmente campos de batata e milho, que normalmente
procuram durante a noite.
Em
várias regiões da Europa a caça excessiva levou os javalis quase à beira da
extinção, mas, ultimamente, os animais têm aumentado em número e regressado a
áreas de onde haviam desaparecido. Esta recuperação e isso está a verificar-se no
nosso país, tem a ver com o êxodo das populações para os centros urbanos, com
consequente diminuição de área cultivada, a reflorestação e a eliminação dos
predadores naturais do javali.
Reintroduzidos
na Serra da Lousã no início dos anos noventa do século passado, os veados
dispersaram-se um pouco por toda esta linda região montanhosa, mantendo
apreciável estabilidade em termos de população, segundo as contagens que
periodicamente são efectuadas. Desde o início do programa Rede Natura 2000, que
o número destes cervídeos tem vindo a ser seguida através de várias técnicas,
entre as quais a detecção directa. Segundo o Departamento de Biologia da
Universidade de Aveiro esta técnica revela-se mais eficaz na época de
reprodução que ocorre, na Serra da Lousã, entre Setembro e Outubro. Por esta
altura os machos constituem e defendem os seus haréns de fêmeas ou protegem das
incursões de outros machos, territórios onde ocorram fêmeas. Para isso, emitem
sons (bramidos) bastante intensos, que permitem, ao amanhecer e entardecer, a
sua fácil detecção e espectacular observação.
Fotos de José Nunes de
Almeida



