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19 setembro 2010

REVIVER A DESFOLHADA

Talvez por eu ser novo, não possa precisar há quanto tempo não se via nada igual ao que se passou no Colmeal no passado dia 11 de Setembro.
O Rancho Folclórico Serra do Ceira, organizou um "Reviver da Desfolhada" onde participaram o Rancho de Pampilhosa da Serra e o Rancho da Lousã.
Do programa, que teve início às 11H00, iniciou-se a recepção aos Ranchos convidados nas Seladas seguindo-se o almoço oferecido pelo rancho residente.
Desde cedo que se juntaram alguns tocadores de concertina e demais músicos dos ranchos que em conjunto com outros artistas já conhecidos, começaram a descortinar o que se iria passar durante o resto do dia.
Depois do bem servido repasto, rumou-se ao Largo do Colmeal onde todos os ranchos desfilaram e cantaram.
Algumas colectividades da freguesia do Colmeal e do restante concelho de Góis, assim como outras instituições concelhias fizeram questão de estar representadas.
O Sr. Dr. José Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal de Góis e o Sr. Carlos de Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, estiveram presentes e endereçaram palavras de encorajamento a todos e louvaram a iniciativa. Com a sua já habitual amizade e boa disposição, ambos se envolveram no espírito de revivência, participando no evento.
Assim que as espigas de milho foram deitadas ao chão no Largo Dª. Josefa das Neves Alves Caetano, ninguém ficou alheio à desfolhada tento praticamente todas as pessoas colaborado nesta árdua tarefa, recordando (os mais velhos) e aprendendo (os mais novos) como era feito este trabalho, num passado não muito distante.
Não faltaram as brincadeiras por causa do milho-rei nem as zaragatas por causa das moças bonitas... Com a desfolhada feita, aproximava-se a altura de malhar o milho tendo este também sido um momento digno de se ver e reviver... Foi um dia memorável para todos quantos assistiram ao "Reviver da Desfolhada" Aguardo mais iniciativas do Rancho Serra do Ceira, desejo-lhe longa vida e muitas felicidades!
Veja mais imagens e videos em http://vigiando-das-caveiras.blogspot.com Henrique Miguel Mendes

16 setembro 2010

“REVIVER O PASSADO COM A DESFOLHADA”

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. “Reviver o passado com a desfolhada” foi uma iniciativa do Rancho Folclórico Serra do Ceira. Teve lugar no dia 11 de Setembro corrente, e contou com a participação do Grupo Etnográfico da Região da Lousã. Tocado a música, o milho chegou em sacos trazidos por homens e cestas trazidas à cabeça por mulheres. Felizmente que o seu rosto já não transparecia o suor e o cansaço dos que, antigamente, acarretavam o milho, cesta a trás de cesta sob o sol ainda escaldante de Setembro e Outubro, das encostas e ribeiras fundas onde crescia. .
Despejadas as espigas no chão, logo começaram a ser despidas do folho protector que as envolvia, deixando à vista o grão pujante de promessa. .
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Ali ao lado, alguém dizia: - Na minha terra, cada um escapelava o seu milho, à medida que o ia colhendo. A ajuda dos vizinhos era só para as debulhas. E o que nós chamávamos de “desfolhada” era a tarefa de tirar a folha à planta, fazendo com ela molhinhos que se secavam e guardavam para alimentar o gado no Inverno. Às vezes, ia-se desfolhar nas noites de lua cheia! Como não podia deixar de ser, o “Chi” (espiga preta) lá apareceu, a lembrar que constituía pretexto para os abraços mais ou menos apertados e prolongados que, ao tempo, só ele consentia! No Colmeal, também o Vice-Presidente da Câmara Municipal, Dr. José Rodrigues e o Presidente da Junta de Freguesia, senhor Carlos de Jesus terão sido devidamente abraçados! Terminada a escapelada, (descamisada, desfolhada), os folhos foram recolhidos nos hoje omnipresentes e (in)dispensáveis sacos de plástico. Os folhos já não servem para fazer enxergas, mas farão certamente as delícias de alguma cabra de estimação que sobre por aí!
Seguidamente, passou-se à debulha do milho, usando o mangual.
- Na minha terra, malhava-se o milho com um pau grande … - Na minha, era com um aí de meio metro. Mas sei que também se usou o pau grande e até o mangual, há uns oitenta ou noventa anos. A opção pelo pau pequeno ter-se-á ficado a dever ao facto de o milho ser malhado em casa, onde a exiguidade do espaço dificultava o uso daqueles utensílios. As eiras (tendais) praticamente só serviam para secar o milho, nomeadamente por causa do declive dos terrenos. Mais tarde, enquanto as crianças continuavam a “escasular”, isto é, a retirar do casulo os grãos que a pancada certeira do mangual não tinha libertado, já os adultos cantavam e dançavam!
Só faltou a ceia que os donos das debulhas ofereciam no final das mesmas, pelo menos em algumas localidades. As debulhas tinham lugar à noite para aproveitar da maior disponibilidade dos vizinhos para ajudar. Era muito engraçado e engenhoso! Nas noites em que havia várias debulhas, ou os membros das famílias se distribuíam por todas, ou era o tempo que era distribuído, andando as pessoas de debulha em debulha, candeia acesa na mão … Também se dava o caso do convite para a debulha ser recusado: “Ai, debulha(s) hoje? Olha que pena! Fica para a próxima, que hoje já me comprometi com fulano (a) …” Entreajuda era assim! A não ser que alguma zanga se lhe sobrepusesse, o que também podia acontecer! Mas, voltando à ceia, consistia em broa com figos, azeitonas ou queijo (um luxo!) e uns goles de vinho ou aguardente bebidos da garrafa que passava de mão em mão. Mais tarde, quando as pessoas abalaram maciçamente para Lisboa e outras paragens à procura de melhores condições de vida, os que ficaram e continuaram a cultivar milho, compraram as máquinas debulhadoras a que se referiu o senhor Vice-Presidente da Câmara, Dr. José Rodrigues. Podem ser, de facto, objectos muito bonitos! Muito interessante. Parabéns aos Ranchos envolvidos! Como se vê, o evento permitiu mesmo reviver o passado, na esperança de um futuro melhor! E dado que todos os pretextos são bons para conviver e refazer o património cultural, alguém sugeria a celebração das vindimas! Açor, Colmeal, 11 de Setembro de 2010. Lisete de Matos