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21 fevereiro 2019

arganilia – revista cultural da beira serra


O movimento regionalista tem nas Beiras, mormente na Beira Serra, um dos seus berços mais profícuos. Diz D. Eurico Dias Nogueira, nesta revista, que “regionalismo, como movimento associativo, nasceu sobretudo no coração dos beirões”.

Dificilmente se encontrará aldeia ou lugar que não tenha uma Comissão de Melhoramentos, uma União, enfim, um conjunto de homens bons e teimosos beirões que, trazendo cada um a sua pedra, foram construindo os melhoramentos imprescindíveis à vida colectiva das populações, longe que se andava do Estado social.

Não fossem estas agremiações e a água canalizada, a luz eléctrica, a estrada, o posto de saúde ou a cabine telefónica não teriam chegado de forma tão célere às serranias deste Portugal que permanece ostracizado.

Hoje, o seu papel é mais de índole sociocultural, pois que os melhoramentos são herculeamente dispendiosos para estas associações, muitas sediadas em Lisboa. Porém, enfrentam desafios de sobrevivência, com dificuldades de captação de associados que desejem prolongar a vida destas agremiações.

Editorial (parte)
Arganilia nº 31 – Dez2018



17 dezembro 2016

FERNANDO COSTA NA REVISTA ARGANILIA



Conforme noticiado, acaba de sair um número da Revista Arganília dedicado à imprensa pampilhosense. Inclui um artigo sobre Fernando Costa, um colmealense que foi colaborador de “O Correio da Serra” e outros órgãos de comunicação regional e local.

Fernando Costa

Trata-se de um artigo muito interessante, da autoria António Domingos Santos, presidente da direção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (UPFC). Nele reencontramos Fernando Costa regionalista e jornalista – duas vertentes indissociáveis no seu percurso e ação -, mas igualmente a pessoa e, em breves referências, o autarca e o pintor. Encontrando, em simultâneo, de modo explícito ou implícito, a história do Colmeal e dos colmealenses, do regionalismo e da UPFC, das conquistas dos que o berço não bafejou e o que alcançaram foi lutando. Na realidade, um artigo muito denso e versátil sobre a versatilidade de Fernando Costa, no amor e na dedicação com que se entregou à causa da melhoria das condições de vida na terra e na região onde nasceu. Procurando sempre a superação e a valorização cultural. Dizia-me, um dia, com a irreverência e o inconformismo que lhe eram conhecidos: “quando me envolvo em qualquer coisa, desde o regionalismo, à escrita e à pintura, é porque acredito em algo: ou acredito em mim próprio ou naquilo em que me envolvo”.

O artigo é fruto da experiência e de uma intensa pesquisa do autor sobre o espólio de Fernando Costa, sendo muito informativo e abrangente, na medida em que contempla aspetos biográficos, factuais e processuais, por exemplo, sobre o modo de escrever de Fernando Costa. Em relação às muitas fotografias que o ilustram, gosto particularmente da intitulada “Subindo a Rua do Carmo”, que mostra o nosso conterrâneo jovem, de pasta na mão, a subir a dita rua com o braço apoiado no ombro acolhedor de Maria do Carmo, sua esposa. 

No plano da forma, o estilo é apelativo e cativante, suscitando o envolvimento emocional e a visualização das situações. Quando o autor diz “Preparava-se para abandonar a fase primitiva do gatinhar pelas escuras tábuas do sobrado” (p. 157), eu vejo, ouvindo receosa o ranger das tábuas, Fernando Costa menino prestes a despedir-se triste da casa que o viu nascer; quando fala da “sua estafada máquina de escrever” (p.186), eu sinto comovida o protagonista cansado de tanto labor e empenho, prestes a regressar, insatisfeito e algo desiludido. Finalmente, diria que o trabalho evidencia ter sido elaborado por alguém que acompanhou a trajetória do amigo e companheiro, do regionalismo e da sua evolução. E que conhece bem a cidade de Lisboa e os seus recantos, como aquele largo “com a estátua do poeta zarolho mas de enorme visão” (p. 160) ou o bulício dos bairros antigos, nos distantes meados do século passado.

António D. Santos

Com o artigo agora publicado, António Domingos Santos presta homenagem a Fernando Costa – imagino que em seu nome pessoal, da UPFC e de todos nós –, contribuindo para o reconhecimento da sua personalidade e ação cívica; ao mesmo tempo, escreve, como disse antes, a história do Colmeal e das suas gentes, elevando a autoestima e engrandecendo o respetivo património cultural.

O destaque que a Arganilia confere ao artigo, mencionando-o com fotografia na capa, é muito prestigiante, atestando a relevância do papel de Fernando Costa e do artigo de António Domingos Santos em si próprio. Parabéns pela pesquisa, pelo trabalho e pela preocupação de preito e registo da memória, cimento identitário do presente e do futuro. Obrigada pela generosidade. 

Lisete de Matos
Açor, Colmeal, Dezembro de 2016

02 dezembro 2016

FERNANDO COSTA – Regionalista e jornalista serrano



Foi-me solicitado há alguns meses que escrevesse para a arganilia, revista cultural da beira serra, um texto sobre Fernando Costa. O número deste ano seria dedicado à imprensa periódica pampilhosense.

Receei a princípio aceitar tão grande compromisso. Mas depois, compreendi que não seria justo, para quem tão generosamente em mim estava a confiar.
A amizade que durante décadas me ligou ao Fernando Costa, os laços familiares, o acompanhamento nas lides regionalistas, foram determinantes para que assumisse uma tarefa, que sabia de antemão, não iria ser fácil.
Era conhecedor do seu vasto espólio, da existência de inúmeros dossiers repletos de recortes da participação que manteve regularmente na imprensa regional, álbuns com fotografias, estudos, livros, documentos de pesquisa, esboços, etc.

Não me compete a mim apreciar ou fazer quaisquer comentários ao que coligi para este número da revista arganilia que já se encontra disponível.
Não foi tarefa fácil, como temia. Foi uma grande responsabilidade escrever sobre um Homem como Fernando Costa. Mas, ao mesmo tempo, uma honra enorme e um gratificante privilégio.

Agradeço à sua família todas as facilidades concedidas para que este trabalho fosse possível e muito especialmente à Dr.ª Lisete de Matos, pela confiança que em mim depositou e pela ajuda amiga em momentos de algum desânimo e desorientação.

A. Domingos Santos

A Revista Arganilia pode ser solicitada para:
Custa 15,00€ + portes de correio