segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Bois de trabalho

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Amigas/os

De permeio com a vindima, venho saudar-vos, no regresso de férias, com os bois de trabalho, que muitos recordam com carinho. Mostravam-se, uma vez mais, garbosos como os donos, na Feira do Mont' Alto (Arganil). Não seriam mais de vinte, mas eram os suficientes para permitir aos muitos observadores mais ou menos nostálgicos ou interessados pelas espécies bovinas - sempre mais homens do que mulheres - o prazer do reencontro com aqueles antigos e pachorrentos companheiros de trabalho duro e andar vagaroso.



Alguns eram reincidentes: lindos e gigantescos, são animais de exposição e concurso, hoje que as máquinas fazem com eficiência acrescida o trabalho que lhes competia, e que as estradas, por onde os respectivos carros chiavam gemendo de esforço e lonjura, foram substituídas por outras, infelizmente nem sempre compatíveis com as exigências do presente.



Outros não: eram bezerros para comercialização, e cada junta custava a módica quantia de 2 000.00€. Precisamente o dobro do que custava há catorze anos, quando o meu tio Acácio me dizia, esperando que eu concretizasse o sonho que a idade já não lhe consentia: "Ó menina, que lindos animais! E baratos! Por duzentos contos leva-se para casa uma junta de bois de luxo!"



Pela primeira vez, vi burros na feira. Burros, mesmo burros, que por acaso eram burras! Segundo o vendedor, os machos ou são castrados – e, aí, é como se fossem fêmeas - ou, a determinada altura, ficam malucos e desatam a morder tudo e todos ... Trezentos euros cada e o impresso já preenchido para pedir o subsídio devido pela manutenção de um animal em vias de extinção! Se é que a voracidade da crise ainda não tragou o dito subsídio! Desta vez resisti à tentação …

Abraço

Açor, Colmeal, 15 de Setembro de 2011

Lisete de Matos

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