02 fevereiro 2015

Bodo… com chuviscos




Enquanto uns, a maioria, se compraziam a confraternizar e a cumprir a tradição, houve alguém que apercebendo-se dos chuviscos que iam caindo se abeirou da imagem de S. Sebastião num gesto simples, ternurento e protector que… quem sabe… se um dia não será recompensado…

Fotos de A. Domingos Santos


24 janeiro 2015

O BODO NO COLMEAL, 2015



O Bodo no Colmeal teve lugar no passado dia 18 do corrente. Este ano foi oferecido por Aldeia Velha, a terra vigilante da Serra das Caveiras, que branquejava do nevão da noite anterior. Não admira! Segundo o Abel, lembrando a avó Emilia, “S. Sebastião é muito amigo de mandar neve. Se não é antes é cabantes” (de cabo, fim?).

Apesar de o frio que fazia, havia muita gente. Perguntei a alguns por que vinham: “porque é uma tradição”, responderam vários; “porque é uma tradição que vem do tempo dos nossos antigos e se deixarmos de vir corre o risco de se perder”; “porque é uma oportunidade de convívio e temos poucas”; “porque foi uma promessa que devemos continuar a cumprir, embora agora haja muito desperdício. Começou por ser castanhas e olhe só o tamanho dos pães!”; “por isto”, respondeu alguém, apontando divertido, para o repasto sobre a mesa.








A prevalência da tradição como valor cultural e do convívio sugere claramente a mudança dos costumes, da postura perante a fé e das necessidades económicas, que estiveram na origem do evento. Longe vai o tempo, reportado a inícios e meados do século passado, em que os organizadores do bodo tinham de controlar os acessos ao adro, para impedir que as crianças e jovens - então muitos -, o recebessem duas ou mais vezes. Devido à sua raridade, o pão (de trigo) era um luxo, como se depreende das memórias de um nosso conterrâneo, que me dizia: “só me recordo da pergunta que fiz quando fui para Lisboa e que foi se lá se comia pão todos os dias. Aqui era broa”. Foi para Lisboa ainda criança!

Recorde-se que o Bodo é uma celebração em honra do padroeiro da Freguesia, S. Sebastião, que hoje em dia tem lugar no fim de semana mais próximo de 20 de Janeiro, dia do mártir. O Bodo data de tempos idos, quando devido à peste que grassava na zona, a população prometeu ao Santo todos os anos dar um bodo aos pobres se ele a livrasse da calamidade. Para mais informação poderá ser consultado o artigo “O BODO NA FREGUESIA DO COLMEAL (GÓIS)”, disponível em: http://upfc-colmeal-gois.blogspot.pt/2012/02/o-bodo-na-freguesia-do-colmeal-gois.html 11 de Fevereiro de 2012; A Comarca de Arganil, de 23 de Fevereiro de 2012; http://goismemorias.weebly.com/o-bodo.html.

Festa de partilha, o Bodo é a grande festa da freguesia; da antiga e, provavelmente da nova, já que também existe no Cadafaz, com diferenças de organização e funcionamento. Não se esqueceu disso o Padre Carlos Cardoso ao sugerir - numa alusão implícita à freguesia como conjunto de presentes e ausentes em vai e vem – a oração por todos os a ela ligados que não puderam comparecer. Aliás, ausentes-presentes que justificam o gesto amoroso e já habitual dos que adquirem, no leilão, quantidades significativas de pão para oferecer a familiares e amigos. Quando o reencontro tarda, congela-se.



Sendo a tradição dinâmica, como referia no artigo acima mencionado, este ano, o bodo foi benzido antes da missa e no exterior da igreja, em vez de sê-lo a meio e no interior. Compreendendo-se a desnecessidade de andar com os víveres de um lado para o outro, falta que fez, naquele domingo de frio intenso, o aroma do pão quente a exalar do coro, simbolicamente todos bafejando!

A propósito, a comunidade recém-chegada pareceu-me pouco numerosa. Uma vez que participou massivamente na Festa de Natal promovida pela UPFC, o que terá acontecido? Terá viajado, de regresso às casas quentes das terras frias de origem? Não terá tido conhecimento? Em qualquer dos casos, há uma leitura a fazer e talvez uma situação a ultrapassar.

Diferença assinalável foi a ausência da D. Silvina, que costumava associar-se à festa, oferecendo café quente e bolos à porta da sua casa. Celebrava desse modo o seu aniversário e homenageava o marido, o saudoso senhor Sebastião. Sentimos muito a sua falta, esperamos que esteja bem.

Deixei o Bodo cedo, depois de provar a bola de carne e as filhós. Ótimas. Para a próxima, vou ver se não me esqueço de levar um saco em pano para trazer o pão e os figos. Às razões ecológicas acrescem agora as da fiscalidade verde!

Parabéns pela organização, parabéns pela participação.

Lisete de Matos
Açor, Colmeal, 20 de janeiro de 2015.



30 dezembro 2014

Mensagem de fim de ano



A poucas horas da transição de mais um ano, aqui estamos para lhe desejar a si e a todos os seus familiares e amigos um BOM ANO DE 2015.

Tem sido para nós um enorme prazer a sua convivência e a sua presença nas nossas iniciativas. Estamos certos de que poderemos continuar a ter o privilégio da sua companhia e a de seus familiares e amigos nas nossas idas ao Colmeal, nas realizações que vamos levando a cabo, dando a conhecer e a divulgar o que foi e o que é nos dias de hoje o Regionalismo e estreitando os laços entre todos os nossos associados.

Uma associação regionalista é aquilo que os seus sócios quiserem, com as suas sugestões, com a sua participação, com as suas críticas (construtivas), com a sua generosidade. Por nós, mantém-se a disponibilidade e a de todos os que nos têm acompanhado nas várias tarefas directivas para continuar a trabalhar mantendo viva a chama do regionalismo.

No ano que agora se apresta a terminar demos um primeiro passo, para nós um importante passo, com a assinatura de um protocolo que nos permite a utilização do Centro Paroquial como Centro de Cultura e de Convívio dos Colmealenses. Uma antiga aspiração que agora se tornou realidade. Nunca se deve desanimar com os escolhos que se encontram pelo caminho. Tudo começa com um primeiro passo, mas outros teremos que dar, porque a caminhada é grande. Contamos consigo!

António Domingos Santos
Presidente da Direcção

18 dezembro 2014

Festa de Natal no Colmeal




A noite apresentou-se fria, como frias são as noites de Dezembro. A manhã ainda nos mostrou alguns pormenores dessa frialdade mas que depois, com alguma lentidão foram desaparecendo, enquanto a névoa se espreguiçava pela encosta.




No Centro Paroquial Padre Anselmo a União Progressiva da Freguesia do Colmeal ia fazer a sua já tradicional Festa de Natal. A lareira irradiava calor enquanto se ultimavam os preparativos. As prendas à volta da árvore aguardavam. Os que vinham da missa dominical tentavam, sem passo muito apressado, aproveitar mais uns minutos daquele calor soalheiro e os mais pequenos, na sua natural despreocupação e alguma curiosidade quanto ao presente que lhes estaria destinado, começavam também a chegar. E a sala, agora renovada do Centro Paroquial, foi-se enchendo.



Numa breve intervenção o presidente da União Progressiva a todos cumprimentou e agradeceu a presença. Manifestou o seu reconhecimento pelos contributos recebidos para a realização deste convívio e o trabalho desenvolvido pela Delegação da União no Colmeal. Referiu muito em particular a compreensão e o apoio por parte da Comissão da Fábrica da Igreja Paroquial que possibilitou a recente assinatura de um Protocolo para a cedência do Centro e da Cáritas Diocesana de Coimbra que, com a passagem dos seus serviços para a Cabreira, disponibilizou parte importante do material instalado para que a União o pudesse utilizar futuramente. Manifestou a sua satisfação e da Direcção a que preside por ter sido dado um passo tão importante com essa assinatura, o que permitirá, logo que sejam garantidas as condições mínimas de funcionamento, que os Colmealenses possam usufruir de um local digno.
A propósito do EspaçoArte a funcionar no piso superior e que tem recebido obras de vários sócios, mostrou um quadro que pertencia à sua família, de autoria de Mário Domingos, e que passará a enriquecer a colecção de obras da União Progressiva.


Lisete de Matos, que sempre tem mostrado um carinho muito especial pelas festinhas de Natal da União, dirigiu aos presentes palavras simples, sentidas e de muito agrado pelo que ali se estava a viver. Como depois escreveu num apontamento que nos enviou e que já publicámos neste espaço “Celebrou-se mais um Natal no Colmeal, por iniciativa da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (UPFC), com a colaboração da Junta de Freguesia e outras entidades. Foi uma celebração muito bonita e consentânea com os valores próprios da época natalícia: a paz e a harmonia, o amor e a amizade, a generosidade e a partilha, o encontro e o reencontro das famílias, amigos e comunidades, a fantasia e a magia, a renovação e a esperança. Pessoalmente fui este ano particularmente sensível aos últimos dois valores, que me pareceram implícitos em algumas das dimensões da festa.


Carlos de Jesus, presidente da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal e que na véspera nos tinha acompanhado na deslocação à Unidade Residencial na Cabreira felicitou a União Progressiva pela realização da Festa de Natal e pelas variadas iniciativas que vem levando a efeito, sejam elas sociais, culturais, recreativas ou de carácter ambiental.
























Após o lanche e porque a ansiedade tomava conta dos mais pequenos, o presidente da União pediu a “antigas crianças” – Nelson, Catarina, Ricardo, Francisco e Tiago, que, para recordarem o tempo em que recebiam as suas prendas, o ajudassem. E deram conta do recado. Com a particularidade de alguns já terem ali os seus filhos. Vejam e apreciam as expressões de alguns para quem a longa espera valeu a pena.



  
Também os que foram novos há mais tempo não foram esquecidos.
Para o ano cá estaremos de novo. E consigo também. Assim o esperamos.

UPFC
Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos


Centro Paroquial



Como vos havíamos dado notícia, depois do telhado cuja limpeza e recuperação eram prioritárias, o primeiro piso, o do rés-do-chão, foi objecto da etapa que se seguiu. Uma intervenção contra-relógio permitiu-nos ali voltar a efectuar a nossa Festa de Natal.

As paredes e o tecto assim como a lareira foram pintados, introduzidas melhorias nas casas de banho, instalados ventiladores e colocadas novas janelas.

Quando o tempo o permitir serão as paredes exteriores, que exibem as marcas que os vários invernos lhes deixaram, a ser as contempladas. A União Progressiva tudo fará para que tão cedo quanto possível, os seus associados e os Colmealenses, possam usufruir de um espaço agradável e acolhedor onde se sintam bem.

UPFC

Foto de A. Domingos Santos

15 dezembro 2014

A União foi levar-lhes um carinho




A União Progressiva da Freguesia do Colmeal voltou no passado dia 6 de Dezembro à Unidade Residencial Sagrada Família, na Cabreira, onde a Cáritas Diocesana de Coimbra presta actualmente os seus cuidados a mais de quarenta residentes.
Fizemo-lo também no ano passado, quando os seus primeiros utentes se preparavam para ali passar a quadra natalícia num ambiente diferente do habitual, rodeados de novos amigos.

O dia estava agradável. O Sol não conseguia disfarçar a temperatura baixa, própria do último mês do calendário, mas o calor que cada um transportava tudo superava.












Mais importantes e com mais significado que um carro cheio de presentes, foram as palavras carinhosas e emotivas que o presidente da União Progressiva, acompanhado por outros elementos da Direcção, da Delegação e da Comissão de Juventude, a todos dirigiu. Também o presidente da Junta da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal e a responsável pela Unidade Residencial, nas palavras que proferiram, se mostraram sensibilizados e muito agradados com esta iniciativa da União. Neste ou naquele rosto uma lágrima mal contida misturava-se com um sorriso de felicidade.

UPFC
Fotos de Francisco Silva e A. Domingos Santos