Foi
no passado dia 11 de Agosto que a União Progressiva conseguiu realizar um sonho
antigo dos seus associados e dos Colmealenses. Com a assinatura de um Protocolo
de Cooperação com a Comissão da Fábrica da Igreja do Colmeal a União procedeu a
benfeitorias no imóvel do Centro Paroquial e preparou o espaço para nele poder
funcionar um Centro de Cultura e Convívio.
Estiveram presentes os
principais obreiros que décadas atrás criaram aquele espaço e depois o
ampliaram, Padre Anselmo Ramos Dias Gaspar e Padre Manuel Pinto Caetano, o
actual pároco da freguesia Padre Carlos da Cruz Cardoso, presidentes da
Assembleia de Freguesia e da Junta da União das Freguesias de Cadafaz e
Colmeal, comunicação social regional – Rádio Clube de Arganil, O Varzeense e A
Comarca de Arganil, dirigentes de colectividades congéneres e muitos associados
e amigos que enchiam o salão no piso superior.
O presidente da
Direcção da União Progressiva acompanhado da maioria dos colegas dirigentes dos
vários órgãos sociais e visivelmente satisfeito, depois de cumprimentar os
presentes e justificar algumas ausências, agradeceu a todos os que tornaram
possível a assinatura do protocolo e fez um historial sucinto do que era aquele
espaço. Não esqueceu a contribuição valiosa dada pela Cáritas Diocesana de
Coimbra com a cedência de equipamento.
Referiu alguns aspectos
que foram determinantes para a assinatura do documento, como o reconhecimento
pela Fábrica da Igreja Paroquial do importante papel em prol do desenvolvimento
e divulgação da freguesia e nomeadamente no âmbito da cultura, desporto,
recreio e ocupação de tempos livres dos seus associados e da comunidade
colmealense em geral que a União ao longo da sua existência tem levado a cabo.
O reconhecimento da
necessidade de um espaço onde a União pudesse instalar a sua biblioteca, expor
os troféus desportivos e as peças artísticas que possui, promover a realização
de reuniões, convívios e outras manifestações que tendessem a ocupar os tempos
livres, como já o havia feito nos anos setenta do século passado.
A Fábrica da Igreja
Paroquial desde sempre esteve interessada e disponível para acompanhar,
incentivar e apoiar todas as acções em prol do progresso e bem-estar da
população e ao apreciar o trabalho que a União vem desenvolvendo,
disponibilizou-se para celebrar o Protocolo de Cooperação.
Como salientou o
presidente da Direcção “Não se trata de
um projecto individual ou pessoal, mas sim da realização de um projecto
conjunto da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.
Será
um espaço a que convencionámos chamar «Centro de Cultura e Convívio».
Necessitava
de obras. Procedemos à sua recuperação, interior e exteriormente.
Adquiriu-se
algum equipamento tido como indispensável e estamos convencidos de que as
condições mínimas estarão reunidas para poder ser utilizado regularmente e a
contento de todos. Não será uma casa comercial. Há dois estabelecimentos
abertos ao público, e não está, nem nunca esteve nos nossos propósitos, fazer
qualquer concorrência a quem já enfrenta as suas dificuldades.
Poderá
ser utilizado para convívios, homenagens, exposições, concertos, teatro,
festas, jogos, leitura ou apenas para ver televisão.”
À disposição de todos
está uma Biblioteca, que já aqui funcionava, a título precário, desde Dezembro
de 2006, onde poderão encontrar o livro que procuram e desfrutar dos benefícios
da leitura.
Foi criado também um
EspaçoArte com obras de diferentes manifestações de arte – pintura, escultura,
trabalhos em madeira ou em ferro, de autoria de associados e que aos poucos tem
sido enriquecido com novas ofertas.
Várias fotografias
antigas do Colmeal, com casas negras de pedra e telhados de loisa.
Uma Galeria com fotografias
que nos recordam homens que muito de si deram para que a União Progressiva ultrapassasse
os tempos difíceis dos seus primórdios. Fazem parte da nossa memória colectiva,
do passado, da história da União. Uma história de que todos nos orgulhamos.
Seguidamente recordou o
trabalho desenvolvido pelos Padre Anselmo e Padre Pinto, “porque se não fossem eles talvez hoje aqui não estivéssemos”.
A chegada do primeiro ao
Colmeal foi em Outubro de 1968, com o propósito de “ todos juntos construirmos um mundo melhor, todos juntos construirmos
uma comunidade paroquial cada vez mais autêntica, cada vez mais aberta aos
problemas dos outros”. Foi de sua iniciativa com as Juntas respectivas a
abertura de uma ligação entre Cepos e Colmeal, os Balneários à Ponte e a
transformação da antiga capela de S. Nicolau em Centro Paroquial que, em 19 de
Junho de 1970 teve “a inauguração,
simples e informal, com a presença do Senhor Bispo Auxiliar de Coimbra, que
satisfeito pela realização, apelou aos Colmealenses para que «não deixem que o
Centro seja o que era: casa de teias de aranha, senão do vazio».”
Também por sua
iniciativa e por ele ensaiadas, ainda à luz do «petromax», foram levadas à cena
as primeiras peças teatrais. Remodelou a Ermida das Seladas e ampliou o terreno
fronteiriço possibilitando a realização de amigáveis jogos nos meses de Verão. Arregaçou
as mangas e ajudou a espalhar pelas encostas da serra o tubo da água da
Panasqueira e depois a reparar as roturas. O seu nome ficou ligado à construção
da Igreja dos Cepos e à conservação da residência paroquial no Colmeal.
Quando
em finais de Setembro de 72 deixou de paroquiar a nossa freguesia, alguém se
lhe referiu nestes termos «O senhor Padre
Anselmo despediu-se. O seu nome, nesta geração, não será esquecido. Foi um
grande obreiro».
“Nós hoje afirmaremos que não será só nessa
geração que o Padre Anselmo não será esquecido. Na nossa, na actual e nas
futuras, o seu nome continuará a ser lembrado e respeitado por tudo quanto fez pela
nossa freguesia, pelos seus residentes e também pelos ausentes. Nunca
esqueceremos o homem que nos diferentes domínios – pastoral, social e cultural,
prestou inestimáveis serviços à comunidade, e que, em cada colmealense deixou
um amigo.”
O
seu nome foi dado ao Centro Paroquial, por proposta do pároco Manuel Pinto
Caetano e aprovada por unanimidade em reunião de 24 de Janeiro de 1982 da
Comissão da Fábrica da Igreja Paroquial, decorriam ainda as obras de ampliação.
O seu nome irá continuar no Centro Paroquial onde agora funcionará o Centro de
Cultura e Convívio.
O
Padre Manuel Pinto Caetano tomou posse em 17 de Outubro de 1976, jovem de 33
anos e com oito de sacerdócio. Como referiu na altura “o meu serviço não é prestado apenas na igreja, tem-se estendido ao
vasto campo da assistência social, da promoção cultural e da formação integral
do povo.” Seis anos mais tarde despedia-se dos colmealenses e dos amigos.
Pouco
depois da sua chegada, foi eleita em 19 de Dezembro uma nova Comissão para o
Centro, imbuída de maior dinamismo e um Programa ambicioso: funcionamento
diário, aquisição de equipamento, organização da Festa do Colmeal, fundação do
Rancho, promoção de teatro e organização de duas festas locais. Antes, no
número duplo de “O Colmeal” referente
a Abril-Junho de 1976, noticiava-se que “A
juventude do Colmeal, ensaiada pela professora primária menina Maria Helena
Pinho, tem-se dedicado a fazer teatro, que tem sido do agrado da população, a
qual acorre ao Centro Paroquial com todo o interesse. Recentemente, o grupo
teve uma agradável actuação, que depois repetiu em Cepos, e consta que está em
preparação uma nova festa. As receitas revertem em benefício da caixa escolar,
que desde há tempos fornece uma refeição diária aos alunos da escola.”
Grande
entusiasta na criação de um rancho folclórico, o Serra do Ceira, que fez a sua
apresentação no Colmeal na noite de 14 de Agosto de 1977, numa altura em que na
freguesia viviam 535 pessoas e 216 fogos se encontravam habitados. Quando 109
rapazes e raparigas tinham entre 7 e 20 anos.
Duas peças foram
levadas à cena pelo Grupo Cénico do Centro, num contributo da juventude para
alegrar os mais idosos. Começa a sentir-se a necessidade urgente de ampliação e
é lançada uma campanha para um primeiro piso. A resposta dos que estão longe é
notável e as obras avançam em Março de 1981. A União contribuiu monetariamente
em várias ocasiões, como tantos outros, entre anónimos, sócios e amigos do
Colmeal. A inauguração simbólica, depois de outras beneficiações importantes, decorreria
no dia 19 de Agosto de 1982.
No último Boletim “O Colmeal” de Agosto de 1982 faria «Na
hora do adeus» uma retrospectiva da sua “passagem” – modificação das condições
de vida com novas estradas, o surgir da luz eléctrica, melhor vida sócio cultural,
casa de convívio ampliada, um rancho folclórico, capelas novas em Aldeia Velha
e Malhada, beneficiações na capela do Sobral e na igreja do Colmeal, e
enaltecia o óptimo desempenho da juventude na vida litúrgica.
“Os Colmealenses sentem a sua falta. Não o esqueceram. Não o esquecerão.
O seu nome ficará para sempre ligado à criação do Rancho Folclórico Serra do
Ceira e à ampliação deste Centro.”
Anselmo
Gaspar e Pinto Caetano lideraram as edições especiais de “O Colmeal” por ocasião dos 40 e dos 50 anos da União, a mais antiga
associação regionalista da nova freguesia do concelho de Góis, que no próximo mês
completará 84 anos de existência.
“Para ambos, o nosso reconhecimento, a
gratidão da União Progressiva, por tudo quanto fizeram pelos Colmealenses e
pelo desenvolvimento das nossas aldeias. O nosso bem-haja por terem deitado
mãos à obra para que este Centro fosse uma realidade. Não podemos deixar de
neste momento associar a estes dois grandes obreiros o nome inquestionável de
Fernando Costa. Um grande entusiasta, um filho do Colmeal, que foi também ele,
um pilar importantíssimo para a realização desta e de outras iniciativas.”
Assim terminou o presidente da União a sua intervenção.
A
União fez a ambos a entrega de placas alusivas do acontecimento.
O
Padre Anselmo visivelmente emocionado, depois de saudar os presentes, disse que
“vir ao Colmeal era recordar os primeiros
anos de padre.” Aludiu aos contactos com a Direcção da União, a colaboração
de Fernando Costa e do grupo de jovens de Lisboa, tudo se tendo conjugado para
a transformação daquele espaço em Centro Paroquial. Fazendo jus à sua memória
recordou alguns pormenores envolvendo a justificação para a autorização
necessária a ser dada pelo Senhor Bispo de Coimbra. Enquanto pároco da
freguesia muito aprendeu e fez bastantes amizades, algumas das quais aqui veio
hoje encontrar.




O
Padre Pinto historiou um pouco da sua passagem por Angola e Alvares e a sua
chegada ao Colmeal, aldeia que o encantou, com especial enfoque para o rio com
as suas trutas e um povo que ia á missa ao domingo. Foi sua a proposta de
alteração do nome do Centro para Centro Paroquial Padre Anselmo. Foi igualmente
sua a ideia da criação da Residência Paroquial. “A criação do rancho começou por uma brincadeira e inicialmente tinha pessoas de Cepos,
Colmeal, Sandinha, Cabreira, Cadafaz, Pessegueiro, etc. Foram-se fazendo trajes
típicos e federou-se o Rancho Folclórico Serra do Ceira. Depois teve uma pausa,
voltou, e agora prima pelas suas actuações nos mais variados locais. É muito
interessante a sua existência.”
O
actual pároco do Colmeal, Padre Carlos Cardoso, após saudar a assistência
centrou a sua intervenção na solicitação fundamentada enviada para a Diocese Episcopal
de Coimbra com vista à obtenção da autorização para a cedência do espaço à
União.
Os
Senhores Presidentes da Junta da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal e da
Assembleia de Freguesia depois de cumprimentarem os presentes manifestaram a
sua satisfação pela concretização desta iniciativa, elogiando o aproveitamento
do espaço agora disponibilizado e convertido em Centro de Cultura e Convívio.
Seguiu-se
no exterior o descerramento de uma placa alusiva, com o Padre Anselmo a usar
novamente da palavra porque se ”tinha
esquecido de falar no presente”. Felicitou a União Progressiva pelo
trabalho desenvolvido, com apreciável nível de realizações e saudável
equilíbrio e estabilidade, o que a torna um exemplo no regionalismo.
A
tarde prosseguiu com um pequeno lanche.
UPFC
Fotos
de Francisco Silva e Armando Almeida