quarta-feira, 25 de junho de 2014

Nos Picos da Europa com a União – 5º dia










Deixámos o hotel situado no bonito centro histórico de Burgos e partimos a caminho de Valladolid, capital da Comunidade Autónoma de Castilla e León, que cativa qualquer visitante pela sua beleza arquitectónica. Já foi capital da Espanha Imperial no reinado dos Reis Católicos, Fernando e Isabel, que ali casaram em 1469 e também um importante centro cultural com a universidade mais dinâmica do país no século XV.











Valladolid, que foi fundada pelo conde Ansúrez no ano 1104 é hoje uma cidade moderna e industrial preservando, no entanto, alguma da melhor arquitectura e arte renascentista de Espanha. São inúmeros os atractivos com que nos deparamos. O Museu Nacional de Escultura, alojado no antigo Colégio de San Gregório, com uma fachada profusamente esculpida, contém uma importante colecção de figuras religiosas polícromas de madeira (Séc. XIII a XVIII). Na Plaza de San Pablo encontramos uma igreja consagrada a este santo. Outras igrejas com muito interesse são as de Santa Maria la Antígua (Séc. XIV), uma jóia arquitectónica que mistura estilos românico e gótico e a Catedral, que nos apresenta um variado conjunto de estilos com destaque para as esplêndidas capelas góticas.
A Universidade de Valladolid, que data do século XV, exibe uma exuberante fachada barroca do séc. XVIII. A primeira obra renascentista na cidade, o Colégio de Santa Cruz, data de 1491 e tem cerca de 13 mil volumes do século XII ao XVIII para além de mais de quinhentos manuscritos da mesma época. De realçar também o Convento de Santa Ana com as suas pinturas de valor histórico e cultural, entre as quais três do pintor Goya. O Museu Casa de Colón (Casa de Colombo) que alberga documentos da época e onde Cristóvão Colombo viveu e morreu, foi construído com base no palácio que Don Diego Colón mandou construir em Santo Domingo como residência familiar.









Muito interessante e que pudemos visitar em pequenos grupos foi a Casa Museu de Cervantes, onde o escritor viveu de 1603 a 1606 antes de regressar a Madrid. Uma  das suas obras mais conhecidas e traduzida em dezenas de línguas é o “Dom Quixote de la Mancha”. A decoração dos aposentos apresenta-se de maneira similar à época do escritor, baseando-se no inventário dos dotes de sua esposa e da sua filha. Também dispõe de autógrafos e livros originais ou lidos pelo seu ilustre inquilino. Igualmente faz parte do conjunto da Casa Museu de Cervantes o Museu da Real Academia de Bellas Artes, com pinturas e esculturas dos séculos XIX e XX.


































Em Salamanca, onde almoçámos, fizemos uma visita pelo seu centro histórico que está considerado Património da Humanidade desde 1988 e que nos apresenta um dos mais ricos conjuntos de monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas clássica e barroca. A sua Universidade foi fundada no ano 1218 e apresenta uma extraordinária fachada, mais recente, do século XVI.
Nesta cidade antiquíssima fundada pelos Iberos destacam-se as duas Catedrais. A nova, construída junto à antiga, é de estilo gótico e nela se destaca a sua monumental fachada com três preciosos portais. A velha é do séc. XII, de estilo românico e gótico primitivo, serviu de fortaleza em variadas ocasiões e nela é digno de destaque o retábulo do altar-mor.
A Casa das Conchas, mandada construir por Rodrigo Arias, cavaleiro da Ordem de Santiago, poderá ser o monumento mais representativo da arquitectura civil do fim do séc. XV. O seu nome provém das insígnias que levavam os peregrinos, lavradas em pedra, que decoram as suas paredes exteriores.
Os Palácios da Salina, de Anaya, de Monterrey, assim como o Convento de las Dueñas e a Torre do Cravo são outros dos edifícios mais bonitos da cidade.

A sua Plaza Mayor é talvez a praça mais bela de toda a Espanha. Terminada em 1788, serviu de modelo para muitas outras, da que a de Madrid é um claro exemplo. Aí encontramos o edifício da Câmara Municipal, de influência barroca, e o Pavilhão Real, de onde a família régia presidia aos acontecimentos que se celebravam na praça. A sua pedra dourada confere-lhe uma tonalidade muito própria ao entardecer.



Depois, e com muita tristeza para todos, aproximava-se o inevitável final destes maravilhosos cinco dias, que no entanto irão perdurar nas nossas memórias
A satisfação era unânime à chegada a Lisboa. E não podemos esquecer que tivemos o tempo como grande aliado durante todo o percurso.
Para si, que viajou connosco, o nosso muito obrigado. Até uma próxima!

Fotos de A. Domingos Santos e Francisco Silva



quinta-feira, 29 de maio de 2014

GÓIS - EM REDOR DE 12 PESSOAS



O livro que ora editamos apresenta um tema de grande pertinência e relevância no ano em que se comemoram os 900 anos da criação administrativa do nosso território – o ano de 1114 assinala assim uma importante página da história local.
A presente obra, que, em boa hora, João Nogueira Ramos apresenta, com a chancela do Município de Góis, contempla uma preciosa selecção de nomes que protagonizaram a história local ao longo de nove séculos, sendo por isso um valioso contributo para aprofundar o nosso conhecimento sobre Góis, traduzindo uma manifestação da vontade do Município em honrar a sua história, para que não esqueça, para que se grave na memória.”

Assim se lhe refere Maria de Lurdes de Oliveira Castanheira, Presidente da Câmara Municipal de Góis, nas PALAVRAS PRÉVIAS que escreveu para este livro.

De acordo com o autor “Em 2014, Góis festeja o seu 900º aniversário. Concentra agora nove séculos de história, desde que as suas terras começaram a organizar-se administrativamente após a reconquista aos muçulmanos, e que se tem conhecimento do seu nome de baptismo.”

João Nogueira Ramos esclarece que “Para a feitura deste livro seleccionámos 12 pessoas entre outras que prestigiaram o concelho, escolhidas sem outro critério que não fosse também a contribuição que deram para a sua identidade ou para a sua projecção no exterior. Não são os 12 magníficos, mas seguramente são 12 deles, oriundos de todas as paróquias e de diferentes estratos sociais.”

Depois de uma curta referência ao período anterior a 1114 e à ocupação humana do concelho, pelo menos, desde o segundo milénio antes de Cristo e à arte rupestre que se encontra documentada em dois complexos – Pedra Letreira e Pedra Riscada, o autor apresenta-nos os seus 12 “escolhidos” agrupados do seguinte modo: DA LIDERANÇA DOS GOES E DOS SILVEIRAS – Séculos XII a XVI, onde com os Goes, donatários nos quatro primeiros séculos, estabelecem-se forais, cria-se um morgadio e consolida-se o espaço. E a população organiza-se em município. No tempo dos Silveiras, de nobreza titulada, no século XVI, erguem-se construções que fazem da vila de Góis uma jóia do quinhentismo beirão. São eles ANAIA VESTRARES, a quem são doadas as terras, que as repovoa e dá início á linhagem Goes; VASCO PERES FARINHA, fortalecendo o senhorio com um morgadio, que permaneceria até ao liberalismo; GONÇALO VASQUES DE GOES, que outorga o primeiro foral; MÉCIA VASQUES DE GOES, figura central do último conflito intrafamiliar pela posse de Góis e LUÍS DA SILVEIRA, o obreiro do património arquitectónico da vila.

O capítulo seguinte DA ASCENSÃO DA NOVA OLIGARQUIA – séculos XVII a XIX, respeita à época do declínio dos senhores donatários e da ascensão de uma nova oligarquia de capitalismo agrário. Instalam-se casas senhoriais, de grandes áreas agrícolas, que passam a ser os centros da vida social do concelho e configuram-se os seus novos limites, com a inclusão da freguesia de Alvares. São recordados ANTÓNIO RODRIGUES BARRETO, capitão-mor, origem dos morgadios da Quinta da Capela e da Casa da Lavra; BENTO LOPES DE CARVALHO, o prelado de Vila Nova do Ceira e JOÃO SIMÕES CORTEZ, a ponte de Alvares ao primitivo Góis.

No capítulo DOS TEMPOS MODERNOS – séculos XIX e XX, da época do romantismo aos tempos actuais, em redor do sentimento, da energia criativa, da fé e do regionalismo, vamos encontrar os nomes de ANTÓNIO FRANCISCO BARATA, escritor e poeta, que de modesta família soube elevar-se na sociedade; FRANCISCO INÁCIO DIAS NOGUEIRA, empresário audacioso e político empolgante; ANDRÉ DE ALMEIDA FREIRE, o arauto da fé cristã, o solidário, o serrano, símbolo de Cadafaz e Colmeal e CARLOS MANUEL LEITÃO BAETA NEVES, o professor e cientista, que soube mergulhar no mundo rural, batendo-se pelo regionalismo.

A CAMINHO DO MILÉNIO é um curto capítulo a encerrar este livro. Muito interessante e com uma excelente apresentação gráfica, foi apresentado no passado dia 24 de Maio na Casa da Cultura de Góis. Uma obra que aconselhamos vivamente.

Tal como João Nogueira Ramos, que felicitamos por mais esta excelente obra, se manifestou “grato a Lisete de Matos, socióloga de formação académica e de passado autárquico e regionalista, oriunda e residente no alto das nossas serras, a sua “terra de encantos e de espantos, onde se patenteia o engenho e as estratégias de sobrevivência das pessoas”, que, desde o início, me acompanhou neste trabalho”, também nós estamos gratos a Lisete de Matos por simpaticamente nos ter feito chegar este exemplar.  
Neste espaço voltaremos a GÓIS EM REDOR DE 12 PESSOAS.

A. Domingos Santos