segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Magusto






Mesmo com uns chuviscos à mistura não deixámos de assar umas castanhas no Largo mantendo assim a velha tradição do magusto que em outros tempos juntava muito mais pessoas. A desertificação que se verifica em todas as nossas aldeias e a idade avançada de muitos residentes que evitam as temperaturas menos agradáveis, permanecendo em casa, poderão de certo modo justificar as presenças.








O Rancho Folclórico Serra do Ceira que a todos quis fazer uma surpresa, apareceu nesta iniciativa da União Progressiva para nos presentear com alguns números do seu já vasto reportório. No final comeram-se as castanhas e na alegria da velha tradição os mais jovens divertiram-se a enfarruscarem-se uns aos outros.

Fotos de A. Domingos Santos


domingo, 18 de novembro de 2012

COLMEAL, uma freguesia


Com o título “Presidentes de pouca gente” o diário Correio da Manhã (CM) publicou hoje, 18 de Novembro de 2012, três histórias de três presidentes de outras tantas freguesias que vão ser extintas. Freguesias pequenas de Bigorne (concelho de Lamego), de São Bento da Ana Loura (concelho de Estremoz) e do Colmeal, a nossa freguesia, uma das cinco do concelho de Góis.


Nesta fotografia vemos Carlos de Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, que parece querer dizer ao secretário José Victor, que a freguesia do Colmeal é pequena e que a querem esmagar, tirar do mapa… mas porquê?

Entre as serras da Lousã e do Açor, a 20 quilómetros de Góis, uma estrada serpenteia monte acima até à freguesia do Colmeal. Integra nove aldeias, 195 pessoas, é uma das freguesias apagadas pela reforma administrativa de Passos Coelho. Com uma população envelhecida, onde os serviços públicos escasseiam, a Junta é também aqui vista como fundamental.” Assim começa o CM por se referir à nossa freguesia que o é desde 1560, quando o Bispo de Coimbra D. João Soares entendeu por bem, face ao seu valor, elevá-la a esse estatuto. Já lá vão 452 anos.

Há pessoas que choram por causa disto. Perdemos a escola, o centro de saúde, não temos transportes públicos e agora vamos perder a freguesia. É uma injustiça para uma população envelhecida, onde este serviço faz toda a diferença” refere Carlos de Jesus, de 60 anos, o presidente da Junta que protesta ainda de uma decisão “traçada em Lisboa”. Continuando, Carlos de Jesus é bem claro quando afirma que “Vamos lutar até ao fim contra esta lei penalizadora. As pessoas procuram a Junta para preencher documentos, para pedir lenha, apoios sociais, limpezas de terrenos, apoios a instituições e ajuda na questão da TDT. Somos o apoio da população.

Está prevista no concelho de Góis a junção de Colmeal à freguesia vizinha do Cadafaz passando as duas a ter a designação de União das Juntas de Freguesia de Colmeal e Cadafaz.

Lisete de Matos, moradora numa das aldeias mais afastadas da freguesia, utiliza com frequência a Internet no edifício da Junta. “Faço nove quilómetros para aceder à Internet, pois o serviço que tenho em casa tem falhas. O fim desta freguesia é uma machadada nas espectativas da população. Vai contribuir para o abandono do território.

A freguesia do Colmeal tem sofrido ao longo dos anos o afastamento dos seus filhos que procuram melhores condições de vida em outras paragens. Sempre foi assim. Apenas vão ficando os mais idosos que resistem até ao dia de uma partida que todos temos como certa. Isto passa-se nas nossas aldeias. Na cidade, na capital, nos centros de decisão, nada nem ninguém sabe e conhece o interior do país. De Góis, apenas sabem que em Agosto há uma concentração de motas. Desertificação? O que é isso? Isolamento? Velhice? Solidariedade? Necessidades? Dificuldades? Não sabem e não querem saber.


O Correio da Manhã esteve no Colmeal no passado dia 13 a falar com as pessoas e a ouvir a indignação nas suas reclamações choradas e sentidas. A tirar fotografias para preparar esta reportagem para as “histórias” que hoje nos apresentou no seu Suplemento. Daqui a uns anos é provável que o CM volte ao Colmeal para uma nova reportagem. Talvez que esta rua que demorou tantos anos a ficar melhorada no seu piso já não tenha quem por ela passe. A desertificação também se nota nos que desistiram de pisar as pedras que tanto desejaram. A eliminação da freguesia a tudo isto ajudará.

O processo polémico que agrega, funde ou extingue mais de 1100 freguesias deverá estar concluído até Dezembro. Mas as vozes não se calarão. E as dos Colmealenses serão certamente as últimas.

Na próxima terça-feira, dia 20 de Novembro, pelas 17 horas, haverá uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Góis, a fim de debater os problemas relacionados com a proposta da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), no sentido de proceder à agregação da freguesia do Colmeal com a do Cadafaz.
Será uma oportunidade para todos os Colmealenses fazerem ouvir a sua voz de descontentamento e de oposição a este extermínio feito com a régua e o esquadro nos gabinetes do poder, onde curiosamente, já se trabalha no projecto de um novo regime jurídico das autarquias locais, que prevê a criação de novos órgãos e cargos, de nível intermunicipal.

A. Domingos Santos


sábado, 17 de novembro de 2012

PEQUENAS MINIATURAS, GRANDES MEMÓRIAS


Visitei recentemente a exposição de miniaturas do Artur da Fonte, no Colmeal. São produções em madeira que recriam e retratam, individualmente e por conjuntos, situações e instalações atuais ou que o tempo e as necessidades de quotidiano já transformaram, utensílios e ferramentas cuja funcionalidade desapareceu com o desaparecimento das atividades que serviam.

Fruto da fundura das raízes que prendem o autor às origens e de um espantoso processo de miniaturização e interpretação estética, entre as miniaturas podemos ver utensílios singulares, que encantam pela fidelidade e beleza, construções, que integram ou integraram o casario local, parecendo uma povoação sobre a antiga arca do milho que as acolhe, e um número incontável de conjuntos alusivos a situação e atividades.


Entre os primeiros, de que faz parte a bruxa calorosa - e saudosa pelo aconchego que proporcionava -, permito-me destacar a tabuinha de engomar feita de propósito para pôr o ferro elétrico minúsculo que o António dos Santos lhe ofereceu … “E que funciona!”



No campo das construções, recordo a igreja, que nos saúda logo à entrada, a capela do Senhor da Amargura nos anos sessenta, a sede da Junta de Freguesia, a escola, o lavadouro, habitações, o moinho de porte redondo pouco frequente, que o temporal já levou, e aguarda recuperação …



Um trabalho simplesmente fantástico e indescritível, tal como o que corporiza os conjuntos temáticos, em que avultam o interior de salas e quartos, da antiga loja da “Ti” Maria, de moinhos e de um lagar, de uma cozinha espetacular com caniço e castanhas, cão e gato, de uma capoeira com galinhas, de um palheiro, de uma adega polivalente …





Visíveis, também, várias atividades e muitos equipamentos domésticos e comunitários, como o forno, o alambique, a nora e outros engenhos.





Enfim, uma admiração: as miniaturas em si próprias e a complexidade e diversidade presentes! Por mim poderia ficar ali indefinidamente, a descobrir novos pormenores, e a maravilhar-me com a beleza e a riqueza da informação que as peças comportam. A propósito, dizia-me o Artur que gosta especialmente da obra “As sobras”. Ora bem!, ou não servissem a arte e o artesanato também para evidenciar valores, como o espírito de poupança, uma reminiscência da ruralidade, que a crise económica está a tornar universal.


Na minúcia de que se revestem, as miniaturas do Artur revelam sensibilidade, destreza e memória visual, uma vez que para as fazer recorre frequentemente apenas à imagem que delas guarda. É o caso do engenhoso batoco, que o Artur chama “Espanta praga”, um dispositivo que o “Ti” Manuel do Canto tinha numa fazenda, a espantar pouco os pássaros e muito as pessoas que não resistiam ao fascínio do mecanismo! Outras peças revelam humor e ironia, no modo como apontam para a experiência pessoal e para uma realidade social em que as crianças praticamente não o chegavam a ser, tão cedo viam substituído o direito a brincar pelo dever de trabalhar! É o que acontece com o conjunto “Os meus brinquedos”, que junta aos habituais brinquedos de fabrico caseiro a roçadoira de ir ao mato, que é uma ferramenta.
- A roçadoira era um objecto com o qual eu brincava muito! Era mesmo obrigado a isso. - O mato era usado como cama e alimento para o gado, que o transformava no estrume imprescindível para nutrir a terra pouco fértil. Por isso se ia ao mato todos os dias, implicando a tarefa roçar o mato dobrado sobre o chão qual ceifeiro/a, fazer o molho com jeito para que não se desmanchasse pelo caminho, transportá-lo às costas até casa, pelas veredas inóspitas da serra.



Perante um “Carro manual” semelhante a um de bois, o Álvaro, que estava connosco, recorda que em miúdo teve uma carroça igual àquela. Ia à lenha com ela acompanhado de dois amigos irmãos, que ainda hoje parecem guardar uma pedra no sapato sobre o assunto. “Eh pá!, eras mesmo mau! Então não podias ter-nos deixado ficar com mais alguma lenha?!”


- Como a carroça era minha e era pequena, vinha cheia até à altura dos fueiros com lenha para mim, e só depois é que trazia mais uns paus para eles. Não era fácil, a carroça não tinha travões nem nada, nós não tínhamos força …
- Mas era uma viatura a três cavalos!, acrescenta o Artur, divertido.

Reportando-se a um contexto socioeconómico em que os animais de tração tendiam para ser raros, na sua singeleza narrativa, este episódio reflete a transição do transporte às costas ou à cabeça para a utilização de veículos com rodas que as pessoas puxavam. Começaram por ser em madeira, hoje são metálicos.

As miniaturas encontram-se legendadas com etiquetas que praticamente fazem parte delas, solução interpretativa que ajuda a remeter para as memórias que evocam.



O Artur começou a fazer miniaturas em 2008, como forma de ocupação dos tempos livres, a tradição assim reinventada a partir de um valor contemporâneo. Escolheu o trabalho em madeira, entre outras razões, porque já em pequeno gostava de a trabalhar, sendo ele que fazia as reparações lá em casa, construía as capoeiras, fazia as sebes … Daí a alegria patente na voz, quando há uns anos me dizia, a propósito de consumo, que gostava de comprar ferramentas! O que então entendi como um elogio ao trabalho era, afinal, uma manifestação da vocação artística que veio a concretizar, ele que tão íntimo foi da arte em algumas das suas expressões mais elevadas. Iniciou-se na miniaturização em madeira com um carro de bois “inspirado num que vi lá em sua casa”. Uma grande honra para o carrinho obra do meu pai!

No seu processo criativo, o autor conta com o apoio incondicional e qualificado da Luisa, sua esposa, cuja opinião o pode levar a reformular completamente as peças que constrói, no silêncio recolhido do sótão, e só depois submete à sua consideração.

As miniaturas ocupam a loja da casa do Artur no Colmeal, convivendo, naquele espaço próprio ou próximo do contexto social de produção a que pertenceram, com ferramentas e utensílios autênticos, que foram da sua mãe, e que os irmãos até gostaram de ver expostas.



Num registo de partilha que importa referir, o espaço costuma estar aberto à curiosidade e ao apreço dos visitantes. Funciona para uns como fator de orgulho e pertença, para todos, como núcleo museológico, onde os objetos ganham vida pelo poder da palavra, transformando-se em memória e tornando protagonistas da história as pessoas que os construíram, utilizaram e preservam, no passado e no presente.

Parabéns Artur! Com as suas miniaturas revisitei a infância distante, com elas pensei que saberemos resistir e persistir na senda do futuro. Parabéns também à freguesia do Colmeal, por tantos dotados e devotados filhos, artistas, artesãos e artífices dos mais diversos ramos de atividade.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 30 de Setembro de 2012. 


domingo, 11 de novembro de 2012

REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO TERRITÓRIO



A comunicação social tem sido fértil nestes dois últimos dias a noticiar a extinção de mais de mil freguesias no país. Ao todo serão 1165 envolvendo alterações em 230 municípios, sendo o de Góis um deles, onde é imposta a agregação da freguesia do Colmeal com a do Cadafaz.

Todo este processo nacional de reorganização administrativa ficou marcado por muitas polémicas e manifestações sendo que a grande parte das novas fronteiras territoriais acabaram por ser desenhadas no Gabinete da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território. Os mapas para todo o território continental estão prontos e já foram enviados para a Assembleia da República, onde os deputados se irão pronunciar.

Admite-se que a contestação não pare por aqui. No caso da freguesia do Colmeal e pelo que temos acompanhado do trabalho desenvolvido pelo seu presidente de Junta contra estas medidas de régua e esquadro, temos a certeza de que as vozes não se calarão. Como poderão estas decisões ser tomadas por técnicos e políticos que não permitem contestação de quem de direito? Naturalmente que os protestos irão continuar. Os Colmealenses não se poderão calar. A interioridade e a idade avançada daqueles que ainda resistem nas nossas aldeias não poderão ser espezinhadas. Haja respeito! Para se poupar menos de 1% com as freguesias há toda esta cegueira.

Confiamos na Associação Nacional de Freguesias e na Associação Nacional de Municípios para continuarem a sua oposição a este processo. Os tribunais terão o seu papel a desempenhar e o Tribunal Constitucional deverá pronunciar-se sobre o pedido de declaração de inconstitucionalidade do regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica apresentado pela Procuradoria-Geral da República a pedido da Associação Nacional de Freguesias.

A. Domingos Santos


UTRAT
  PROPOSTA CONCRETA DE REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO TERRITÓRIO

MUNICÍPIO DE GÓIS
1. Considerando que:
1.1. O Município de Góis tem 5 (cinco) freguesias situadas no seu território, a saber: Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira -cfr. mapa, que constitui o Anexo I ao presente parecer.
1.2. De acordo com o disposto nos artigos 4.°, 5.° e anexos I e II da Lei n.o 22/2012, de 30 de maio, o Município de Góis é qualificado como município de nível 3, no qual não existem lugares urbanos.
1.3. Nenhuma das freguesias situadas no território do Município de Góis tem menos de 150 habitantes.
1.4. Do disposto no art. 6.°, n.o 1, alínea c), da Lei n.o 22/2012, e uma vez que não se aplica o n.o 3 do mesmo artigo, resulta que, no território do Município de Góis, deverá alcançar-se uma redução de 1 (uma) freguesia.

1.5. A Assembleia Municipal de Góis pronunciou-se, inter alia, no sentido de manter a totalidade das freguesias existentes no território do município -cfr. pronúncia da assembleia municipal e pareceres das assembleias de freguesia, que constituem o Anexo II à presente proposta.
1.6. De acordo com o disposto no art. 14.°, n.O 2, da Lei n.o 22/2012, e "com exceção dos casos previstos no n.o 3 do artigo 6. 0, a deliberação da assembleia municipal que não promova a agregação de quaisquer freguesias é equiparada, para efeitos da presente lei, a ausência de pronúncia" .
1.7. Em caso de ausência de pronúncia da assembleia municipal, a Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) deve "apresentar à Assembleia da República propostas concretas de reorganização administrativa do território das freguesias" -art. 14.°, n.o 1, alínea b), da Lei n.o 22/2012.
2.   Uma vez que (i) a freguesia de Cadafaz tem 190 habitantes e a freguesia de Colmeal 158 habitantes (são as únicas freguesias no território do município com menos de 500 habitantes) e, de acordo com o disposto no art. 8.°, alínea c), da Lei n.o 22/2012, pretende-se que as freguesias tenham escala e dimensão demográfica adequadas, com um mínimo de 500 habitantes nas freguesias de municípios de nível 3, cujo território não esteja situado em lugar urbano; (ii) as freguesias de Cadafaz e de Colme ai são contíguas; (iii) existem ligações rodoviárias entre as sedes das freguesias de Cadafaz e de ColmeaI; a UTRAT propõe, neste contexto, a agregação das freguesias de Cadafaz e de Colmeal, numa freguesia designada por "União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal".

3.   Assim, propõe-se que o novo mapa administrativo das freguesias situadas no território do Município                     
de Góis seja o correspondente ao Anexo II.


Lisboa, 31 de outubro de 2012
(Manuel Carlos Lopes Porto)
(Serafim Pedro Madeira Froufe)
(Luis Filipe Fonseca Verde de Sousa)
(Henrique Jorge Campos Cunha)
(Manuel dos Reis Duarte)
(José Rui Constantino da Silva)
(José Pedro Neto) 

(clicar no mapa para ampliar)





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Magusto no Colmeal





No próximo dia 4 de Novembro (domingo) pelas 3 da tarde vamos encontrar-nos no Largo D. Josefa das Neves Alves Caetano para o nosso habitual magusto. Castanhas, torresmos, jeropiga e boa disposição serão os ingredientes indispensáveis para que possamos ter uns momentos agradáveis de convívio. Desconhecemos quais as condições atmosféricas que nos esperam mas confiamos que o acordo secreto que temos com S. Pedro ainda esteja em vigor.

Venha estar connosco neste domingo. Será óptimo podermos contar consigo.

Fotos Arquivo União

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Encantos e recantos



Colmeal, uma freguesia de encantos e recantos, que se torna imperioso manter. Os nossos idosos, especialmente eles, precisam da sua Junta e do seu apoio. A proximidade é fundamental. Esperamos que haja bom senso em vez da régua e do esquadro.

Foto de A. Domingos Santos

FEIRA RURAL NO COLMEAL


No passado dia 8 de Setembro, teve lugar no Colmeal uma feira rural. A organização esteve a cargo do Rancho Folclórico Serra do Ceira, que contou com o apoio da Junta de Freguesia do Colmeal e da Câmara Municipal de Góis, e a participação especial dos seguintes agrupamentos: Grupo Etnográfico da Região da Lousã, (Lousã), Rancho Folclórico as Sachadeiras da Várzea (Vila Nova do Ceira).Rancho Folclórico Estrelinhas do Sul (Seixal).

Decorrida a sessão de boas-vindas, a feira desenrolou-se durante todo o dia com as vertentes económica, cultural e convivial a interagirem e a potenciarem-se mutuamente, ao mesmo tempo que dinamizavam o comércio local e proporcionavam encontro e convívio.



No que toca ao mercado, os muitos feirantes primaram pela diversidade, beleza e genuinidade dos produtos que trouxeram. Na realidade uma diversidade espantosa, que incluía, entre muitos outros, produtos endógenos ao natural e transformados (hortícolas, fruta, compotas, pão, bolos, mel, várias bebidas, queijo, criação, aves …), arte e artesanato em várias das suas expressões (escultura, pintura de diferentes géneros, bordado, croché, bijutaria, tapeçaria, corte e costura …), velharias … A propósito, vi pela primeira vez uma braseira metálica tipo gaiola, que foi para o Soito, imagino que para integrar o espólio do núcleo museológico local, onde poderá ser vista. Da braseira em barro (bruxa) ou da enxó (de tanoeiro?) de que eu ando à procura é que nem sinal, não obstante a boa vontade dos amigos que se disponibilizaram para me ajudar!




Em termos de trocas, com as dificuldades que a todos afetam, é natural que os produtos mais procurados tenham sido os comestíveis. Mas quase todos foram objeto de saída. Curiosamente, troquei um livro por um valor diminuto, mas uma capucha por um razoável, embora inferior ao custo de produção, o que não deixa de dar que pensar!



Independentemente do espetáculo, uma vez mais gostei de ver o bom relacionamento e o intercâmbio entre os elementos dos diferentes ranchos, todos parecendo vestir somente a camisola da animação e do folclore. Tal como voltei a reparar na alegria e no prazer com que tocam, cantam e dançam, dançando mesmo quando o alinhamento não o exigia.



Foram encenadas e representadas a desfolhada e a debulha do milho. Desfolhada que outros chamam de descamisada e que aqui se chamava escapelar, consistindo a desfolhada na operação de tirar a folha à própria planta do milho, para estimular a maturação e providenciar palha para o gado.

Depois de colhido e trazido em cestas pelas mulheres, sacos pelos homens e cestos pelas crianças (O trabalho do menino é pouco, mas quem não o aproveita é louco, dizia-se), as espigas de milho foram primeiro escapeladas, isto é, libertas dos folhos que as protegem. Os bafejados com o chi (espiga preta ou milho-rei) distribuíam beijos e já não os abraços algumas vezes excessivamente apertados de antigamente. Desta vez, com a simulação de brigas de ciúmes entre os rapazes, tão bem representadas que pareciam a sério!



Depois de malhado a mangual, o milho foi acabado de escasular à mão, operação que alguns faziam recorrendo à velha técnica de soltar os grãos de um casulo, esfregando com outro já sem eles.



Por último, o milho foi erguido ao vento para o limpar e, seguidamente, medido a cesto de alqueire e ensacado, traduzindo-se a colheita em cerca de 5 alqueires. Variando entre 13 e 22 litros, em Góis o alqueire era de 14, em Arganil de 15 …



O milho deverá agora andar a secar estendido na eira e, mais dia, menos dia, teremos o prazer de o degustar transformado em broa pela Belmira que o cultivou. A perícia de alguns no desempenho das diferentes tarefas só pode advir da experiência real, o que não deixa de ser interessante, considerando a sua idade. Tudo tratado, enquanto os trabalhadores finalmente dançavam (o lazer e o divertimento associados ao trabalho), um cão aproveitava para descansar sobre os toldos deixados no chão!



Foi um acontecimento muito interessante, que mobilizou um grande número de pessoas, dando visibilidade à freguesia e às suas potencialidades. Estão de parabéns os organizadores Rancho Folclórico Serra do Ceira, as instituições apoiantes, os feirantes e os membros dos grupos etnográficos, os visitantes, que justificaram e honraram a iniciativa com os seus consumos e presença.

De visita ao evento, a senhora Presidente da Câmara, Drª Maria de Lurdes Castanheira, felicitou os organizadores e participantes, desejando a todos o maior sucesso.


A iniciativa foi objeto de parabéns e comentários positivos na sessão da Assembleia de Freguesia que teve lugar no passado dia 12 do corrente, tendo sido sugerida a sua realização pela menos de seis em seis meses. Seria uma forma de estímulo à produção e um contributo para a visibilidade e a sustentabilidade da freguesia.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 14 de Setembro de 2012.

JORNAL DE ARGANIL – Suspensão das edições impressas


Foi com coração, devoção e muita nostalgia que um punhado de pessoas reergueu o Jornal de Arganil. Foi um início atribulado. Estávamos em data de comemoração de mais um aniversário e a determinação sobrepôs-se à razão. Havia um título prestigiado, querido, desejado que necessitava de renascer. Não há arrependimento, apesar de todas as incertezas que carregamos desde a primeira hora.

Desde o seu início fomos claros: Havia projecto, vontade e capacidade editorial, seria necessário apoio, e esse apoio teria de ser traduzido fundamentalmente na renovação das assinaturas. Um pouco de todos daria sustentabilidade ao jornal. Foi ao longo destes seis meses, semanalmente, renovado este nosso pedido. Menos de trinta por cento dos assinantes responderam à chamada. Nesta conjuntura, será de todo impossível levar por diante esta tarefa. Na edição impressa do dia 11 de Setembro, foi anunciado a possibilidade de suspender a publicação por tempo indeterminado, sublinhando as dificuldades e os pedidos de ajuda. Não nos conformamos com o encerramento do jornal. Continuamos à procura de respostas que tardam em aparecer. Sempre dissemos que o jornal é dos seus leitores. Chegou a hora de se assumirem. A Cooperativa foi até ao momento mola impulsionadora no ressurgimento do jornal. Necessitamos de consolidar o projecto e isso só será possível com o apoio de todos.

Neste momento difícil queremos reiterar o nosso apreço à Dr.ª Maria da Conceição Oliveira, pelas suas qualidades, saber e renovado espírito de sacrifício, com que acompanhou e acarinhou esta vivência e luta na manutenção de um jornal que durante mais de duas décadas dirigiu. Seriam poucos ou mesmo ninguém que se disporia a desempenhar tal papel. Esteve sempre disponível e voluntariosa a colaborar com a cooperativa. Bem-haja.

Vamos manter as edições suspensas durante o mês de Outubro a não ser que surjam alterações significativas. Até lá, temos de tomar decisões. Necessitamos de possuir um número mínimo de assinantes activos para manter o jornal impresso. Acreditamos na sua viabilidade, mas necessitamos de respostas. Há vontades ainda não expressas. Não poderemos esperar eternamente por elas. O tempo urge, juntos, não deixaremos “cair” este órgão de comunicação regional.

A Direcção
CEBS – Cooperativa Editorial da Beira Serra, CRL