quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Presépios de Natal na Freguesia

A Junta de Freguesia do Colmeal realizou nesta época natalícia, actividades de tempos livres com as pessoas mais idosas da freguesia, com o objectivo de construir um presépio de Natal em diversas aldeias e com a participação activa da população. Os resultados foram maravilhosos e os presépios podem ser contemplados nas aldeias de Sobral, Colmeal, Carvalhal, Aldeia Velha, Soito, Malhada, Açor e Ádela. Tratou-se de uma iniciativa que tinha como finalidade promover a participação das pessoas, o convívio e o lazer, assim como dotar as aldeias com um presépio, de modo a celebrar a época de Natal e a embelezá-las. Esperemos que ao desenvolverem-se mais iniciativas deste género, se obtenham resultados tão frutíferos como os da presente actividade. .
Delegação da UPFC
Colmeal

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Pedra Letreira

“Quem, no concelho de Góis, tomar a estrada nacional n.º 2, de Chaves a Faro, e ao km 290,85, na Portela do Vento, onde se forma o desvio para Castelo Branco (estrada n.º 112), meter pelo caminho carreteiro que das traseiras da Casa dos Cantoneiros segue, rumo a sudoeste, pelo viso do monte da Fonte Fria, não tem mais do que, à terceira barroca ou linha de água, cortar monte abaixo pela vertente voltada a noroeste para, andada uma centena de passos, avistar ao fundo, à esquerda do leito do talvegue, uma espécie de plataforma debruçada, a meia encosta, para o amplo anfiteatro de montanhas que se lhe abre em frente: é a Pedra Letreira. Trata-se de um afloramento de xisto ante-câmbrico, de estratificação vertical correndo de Sudoeste a Noroeste, em cuja superfície, horizontalmente aplanada, há uma série de figuras gravadas e tidas, pela gente das imediações, por estranhos caracteres de enigmático letreiro, obra de mouros que teriam ali deixado apontamento dos seus legendários tesouros encantados ou das suas fabulosas riquezas escondidas por aqueles sítios.
Em frente à Pedra Letreira há três minas em carreira: uma de ouro, outra de prata e outra de peste que mata!
É que não há tradição sem lenda, como não há ruína sem hera. Ela é como um penhor da sua antiguidade, por vezes tão remota que se lhe perde o sentido. Foi o que se deu com o nosso monumento. No panorama circundante, não constitui a Pedra Letreira um documento que digamos único da presença do homem por aquelas paragens em tempos mais ou menos recuados. Em frente, na linha do poente, lá estão as minas romanas da Escádia, em cujos nichos dos hastiais, abertos a 1,20m acima do solo e distanciados cerca de 2m uns dos outros, ainda se encontravam, quando há anos se procedeu ao desentulhamento das respectivas galerias, algumas lucernas… Mais adiante, na mesma direcção, mas já dobrada a encosta, há o lugar dos Povorais com as suas minas antigas de que procedem dois picões de ferro, de época romana, depositados no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal, em Lisboa… Cara ao norte, no Alto das Cabeçadas, temos os poços romanos, de exploração mineira, conhecidos pelas Covas dos Ladrões… E mais para além, vencida a serra da Folgosa e ultrapassado o Rabadão, não podemos deixar de referir as minas pré-históricas da Eira dos Mouros, na encosta da Devouga, ao Liboreiro, com materiais de feição eneolítica e demais períodos do Bronze. Estes e outros vestígios do passado, ainda mal conhecidos, são indícios para já suficientemente reveladores de uma longa e activa permanência humana por aquelas redondezas, motivada ao que parece pela sua relativa abundância de minérios, o ouro e o estanho sobretudo. São como anéis desarticulados e dispersos de imaginária cadeia forjada, na bigorna dos séculos, por gerações atrás de gerações. Pobres restos materiais, aparentemente sem valor, que encerram no entanto a alma e a mentalidade dos povos que ali se sucederam e os deixaram, é através deles que teremos de refazer e articular de novo os elos da cadeia, se quisermos vir a ter um pálido vislumbre da sua trajectória pela penumbra dos milénios. Em tal sentido, não é a Pedra Letreira senão um de entre tantos. Procurando atribuir-lhe o lugar que lhe pertence, intentamos mais que nada preencher uma das muitas lacunas da Pré-história local.”
Limitámo-nos a transcrever e a mostrar um pouco do que poderá encontrar nesta preciosa obra editada em 1959, primeiro volume das “Memórias Arqueológicas do Concelho de Góis – A Pedra Letreira”, num excelente trabalho conjunto de João de Castro Nunes, A. Nunes Pereira e A. Melão Barros. Composto e impresso na Tipografia de A Comarca de Arganil, é de fácil leitura e poderá encontrá-lo na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos

Freguesia do Colmeal (História) XI

PASSADO – PRESENTE Capítulo XI FORAL DE GOES (1)
«Dom Manuel per Graça de DEOS REY de Portugal, e dos Algarves, dáquem, e dálem mar em Affrica, Senhor de Guinée, e da Conquista, Navegação, e Commercio de Ethiopia, Arabia e da India A quantos esta nossa Carta de Foral dado pera sempre, à Villa e Terra de Goes, virem, fazemos saber que por bem das Sentenças e determinações geraes, especiaes que fórão dadas feitas por nós, e Letrados á cercados Foraes, denossos reinos… E per conseguinte os foros, e direitos della, se levarem sempre hy pellos Foraes e Contratos que os Senhores da dita Villa, com os moradores e Povos della fizerão como em couza sua… Jogada da Serra (2) E levara de todo o lavrador que lavrar na Serra, e hy tem seu Cazal: a saber, dezoito alqueires de pam meado: a saber Trigo, e Centeo, e huma Galinha de foro, e de Vinho levará o dito Senhorio dos Sobreditos, que na Serra tiverem a novea, e do Linho não levará nada, posto que na Serra, os ditos lavradores colhão Linho. Geiras E bem assy declarão que todo o morador, que viver, e morar na dita Villa de Goes, e seu termo, e hy bens de raiz tiver, dará ao sobre dito Senhorio huma geira em cada hum anno é sua custa delle, dito morador, e se antes quizer Comer à custa do Senhorio, dar lhe á duas geiras cada hum anno, como sempre fizerão, com tal declaração, e entendimento que os Órfãs, que estiverem sob o governo e Administração, de seus pays, ou mais em quanto assy sob seu poder, e governo estiverem, não serão teudos, nem obligados, a pagar a tal geira ao dito Senhorio. E isso mesmo pagarão os que tiverem, nos Ribeiros: a saber, o quarto das maquias, que ouverem, e além do dito quarto pagarão os Senhores dos ditos moinhos, e os herdeiros que em taes moinhos herdaram, pello seu pam que nelles moerem tanto que forem cazados, não pagendo maquia; a saber tres meos alqueires cada hum, de pam terçado, ficando porem em escolha dos ditos herdeiros, pagarem antes a maquia, ouos tres meos alqueires sobreditos aos Senhorio, qual elles mais quizerem, e lhes aprouver. E os que tiverem moinhos na Ribeira Grande (3) pagarão: a saber, o terço do pam que houverem das maquias ao dito Senhorio, como se sempre costumou fazer. Montado E isso mesmo levará o Senhorio, aos que vierem montar, e pastar seus gados, de fora á Serra que estádentro do Termo da dita Villa, e seus limites; a saber, de quarente cabeças de carneiros, ou de ovelhas, hum carneiro. E por cada cabeça de porco leverá aos que vierem de fora paster a dita Serra seus porcos; a saber cinco reiz. E de gado vacum não levará nada o dito Senhorio segundo se costumou sempre fazer… E mais declaramos que as taes novidades, de que se hade pagar Ração, assy de pam, Vinho, como linho, em qual quer maneira sejam partidas, o Senhorio as hade mandar levar à sua custa, aseus Selleiros, ou onde lhe aprouver, os Lavradores e pagadores lhe obligados ao carreto das taes couzas nem lhe pagarem por elle nenhuma couza. E quanto às jugadas, quesão postas em certa quantidade de pam, eassy os outros foros certos de pam, que assy são obligados os moradores da terra de pagar, segundo neste foral atraz ficam declarados mandamos, que estas todas ajão de Levar á custa dos Lavradores, e pagadores ao Selleiro do Senhorio, e adegas á dita Villa de Goes, aos quaes levarão desde Sancta Maria d’Agosto de cada anno, até o Natal seguinte do dito anno…». (1) Tombo da Casa de Sortelha, fls. 183. Esta transcrição foi efectuada do Arquivo Histórico de Góis, pág.48, 48ª, b, c e 49. (2) Assim classificadas as povoações existentes então na Serra, caso do Colmial, Carvalhal, Souto, etc. (3) Trata-se do rio Ceira, aqui denominado como Ribeira Grande. in Boletim “O Colmeal” Nº 110, Março de 1971

Sinais de Inverno

Musgos, fetos e outras pequenas plantas cobrem as pedras indicando-nos que o Inverno está a chegar. Fotos de A. Domingos Santos

Clube de Contadores de Histórias (XIII)

A Batalha de Natal
— Só mais seis dias — disse Neli. Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre: — Ainda seis dias. Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando: — Se tudo já tivesse passado! Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto: — Não estás contente? — Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda! Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela. — Que bem fazes isso — dissera-lhe Neli uma vez. — Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal. — Ora — dissera a mãe a rir. — É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente. — Como um robô! — Neli riu-se. E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada! Só mais quatro dias. Só mais três. As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro. Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial. Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80€/kg. Os altifalantes debitavam música de Natal: Noite feliz… Cabeça de anho Noite feliz… Descafeinado Papel higiénico de três folhas O Senhor… Lenços com monograma Mostarda Nasceu em Belém… A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio. Ufa! Só mais três dias, e acabaria tudo. — Vou fazer um jantar como o do ano passado — disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. — Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras. No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal. Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados. — A batalha de Natal foi mais uma vez vencida — alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas. Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um. Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro. “As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!”, pensou assustada. Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias. Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs. — Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado — disse o pai. — Comidas pesadas não me caem bem. Também não havia muito que desembrulhar. Por isso, sobrou tempo. Muito tempo. Neli foi buscar o jogo “Memory” que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela. Agora, os pais tinham tempo. O pai nunca tinha jogado “Memory”. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado. Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto. À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar. — A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus — disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal. Ao ir para a cama, Neli disse: — Este foi um Natal muito bonito. — A sério? — perguntou a mãe, admirada. — Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas. — Mas houve muito tempo — respondeu Neli.
Jutta Modler (org.) Brücken Bauen Wien, Herder, 1987 (Tradução e adaptação)

O Clube de Contadores de Histórias

Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cocktails de Outono

À beira da estrada. Flores lindas neste final de Outono. A lembrar cocktails com as suas cores vivas. Fotos de A. Domingos Santos

Vale do Ceira – AQUI COLMEAL

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«Honrando-se a memória»
Não se trata de uma biografia porque, temos de o reconhecer, não nos sentimos à altura de a elaborar e, automaticamente, com competência para a subscrever. O que se segue é, pelas circunstâncias, um resumo e não só – diga-se – do que a imprensa regionalista publicou, aquando da homenagem póstuma a essa figura de pároco e homem público que foi André de Almeida Freire, em 1 de Dezembro de 1963. O «padre André», como carinhosa e respeitosamente o tratavam todos aqueles que tiveram o grato prazer de o conhecer e com ele conviver, «não chefiou grupos, nem se endeusou perante fiéis devotos. À maneira do Mestre, também ele passou fazendo o bem. Sem mendigar um elogio, estranhando que lhe atribuíssem uma virtude. Dando como quem restitui, sem gemer pelas distâncias vencidas, nem pelas madrugadas e nevões suportados. Foi o homem-chão, com a claridade das fontes para todos os conhecidos, com a abertura dos vales para quem dele precisasse». Nascido em 10 de Outubro de 1901, o padre André de Almeida Freire foi «rico em virtudes, tendo como poucos condições privilegiadas, que tornassem mais leve a sua cruz, renunciou a tudo, preferiu viver pobre e humildemente», paroquiando durante mais de 30 anos as freguesias de Cadafaz (sua primeira paróquia), Colmeal e Cepos. A homenagem póstuma, efectuada no primeiro aniversário do seu falecimento, a que se associaram a autarquia local, cadafazense e concelhia; União Progressiva; Comissão de Melhoramentos de Ádela; agremiações regionalistas do Cadafaz, Celavisa, etc. e povos «que muito o estimavam e admiravam» aos quais «ele deu o melhor da sua vida», resumiu-se a celebração de missa por sufrágio, sessão presidida pelo presidente da Câmara de Góis, colocação de uma campa no cemitério, descerramento de várias placas toponímicas e discursos, exaltando os oradores aquele que foi «um perfeito símbolo da Serra, no que ela tem de melhor». Numa dessas placas, descerrada nesse dia chuvoso e já distante de 1 de Dezembro de 1963, colocada na frontaria de habitação do Bairro da Eira, próxima do marco fontanário, lia-se: «Rua Padre André de Almeida Freire». Esta iniciativa, «dando o seu nome a uma das ruas da povoação, que foi terra do seu nascimento», coube à Junta de Freguesia. Nesse acto, segundo a imprensa da época, o então presidente da autarquia afirmou: «A lápide descerrada ficará pelos tempos fora a perpetuar a memória do bom pastor que se gastou em nosso proveito, mas também para nos estimular a imitar as suas qualidades e o seu nobre exemplo». É evidente, ao entrar-se no campo da futurologia, nem sempre as previsões se cumprem, por mais lógicas e racionais que se apresentem. A placa toponímica não se manteve no edifício, construído em xisto e ainda hoje em pedra nua, «pelos tempos fora», antes foi curta a sua permanência. Porquê? Não é nossa competência averiguar as origens, próximas ou remotas, de tal abuso. É nossa obrigação, isso sim, denunciar o facto, exigir que se honre a memória do padre André, daquele que «em todos os caminhos e veredas da Serra deixou gravados os seus passos». Honrando-se a memória de quem nunca se deixou «vencer pelo luxo e grandezas do mundo» é sinal de que os colmealenses «amam a sua terra». Mais: «a saudade do bondoso extinto mantém-se ainda viva nos corações» dos naturais da freguesia que sempre respeitaram a «justiça desse acto», dessa homenagem promovida há 22 anos. Como tal, pelo que fica dito e deixou de se dizer, essa placa e a que concedia o nome de «António de Almeida Freire», progenitor do padre André, ao arruamento que se inicia no Largo e termina ao Longo das Vinhas, devem com a brevidade que se impõe ser recolocadas onde, em caso algum, não havia o direito de as retirar. Evidentemente, casos desta natureza, cometidos injustificadamente e por mau gosto no final dos anos sessenta, só ainda não foram reparados porque, nas nossas aldeias, predomina a «maioria silenciosa», embora revoltada, e os autarcas e regionalistas, naturalmente, desconhecem pormenores do passado da freguesia.
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FERNANDO COSTA
in “A Comarca de Arganil”, de 21 de Março de 1985 Do espólio de Fernando Costa

Despedida do Outono

As folhas mudam de cor. Os ramos despem-se apesar do frio. O Outono despede-se com um "Até para o ano..." Fotos de A. Domingos Santos

Casa do Concelho de Góis - Homenagem a José Matos Cruz no 55.º Aniversário

. A Casa do Concelho de Góis comemorou os 55 anos de existência com um almoço de confraternização na sua sede, após celebração de missa por alma dos sócios falecidos. Antes ainda de se dar inicio ao almoço, foi descerrada uma fotografia de José Matos Cruz, anterior presidente da Direcção, numa cerimónia em que usou da palavra o presidente da Direcção, José Dias Santos, que sublinhou a actuação que teve naquela casa, bem como na Comissão de Lisboa de Propaganda e Melhoramentos em Vila Nova do Ceira. Enalteceu a sua dedicação à causa regionalista e o esforço que desenvolveu nas instalações da casa, ampliando-as e melhorando-as consideravelmente. Seguiu-se o almoço numa sala completamente cheia com mais de uma centena de pessoas, entre as quais a presidente da Câmara Municipal de Góis, presidente da Assembleia Municipal, presidentes de algumas Juntas de Freguesia e das Casas da Comarca de Arganil e do concelho de Pampilhosa da Serra. Sob a presidência de Américo Simões, em representação do dr. Carlos Poiares, presidente de Assembleia Geral da Casa, que não teve possibilidade de estar presente, faziam parte da mesa de honra a presidente da Câmara Municipal de Góis, drª Maria de Lurdes Castanheira; o presidente da Assembleia Municipal, dr. José Carvalho; o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira; o presidente do Conselho Regional, dr. Luís Mateus; António Lopes Machado, presidente do Conselho Fiscal; e José Dias Santos, presidente da Direcção. O presidente da Direcção abriu a série de brindes, saudando os presentes e agradecendo-lhes a sua vinda, distinguindo naturalmente, a sr.ª presidente da Câmara e restantes autarcas, bem como o padre Robson que celebrou a missa por alma dos sócios falecidos. Recordou como obra da Casa, a construção do edifício em que funcionou o Colégio de Góis, e que para isso, contribuiu o Comendador Augusto Rodrigues, que também custeou os primeiros meses de renda daquela casa. Lamentou que nem todas as Juntas de Freguesia convidadas para aquele almoço estivessem presentes, sublinhando que é seu desejo continuar a manter um bom relacionamento com a presidência da Câmara de Góis. Disse que tem sido boa a cooperação de algumas colectividades ali filiadas e que gostaria de rejuvenescer a direcção na próxima assembleia-geral, em que serão eleitos os novos corpos directivos. Concluindo por afirmar que aquela Casa está sempre à disposição de todos os goienses. Manifestou ainda a sua satisfação em ver ali o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira, que deu muito de si aquela Casa durante os tempos em que foi dirigente. Seguiu-se o dr. Luís Martins, recordando a sua passagem pelo Conselho Regional, a que preside, apresentando três grandes desafios que devem ser as linhas condutoras daquele Conselho e da própria Casa em si: o papel da Casa no movimento regionalista, devendo ser considerada parceiro social junto dos órgãos autárquicos e das Comissões de Melhoramentos para os assuntos de carácter geral no concelho; a missão de divulgar Góis nas suas diversas vertentes e cativar a juventude para o regionalismo e para a Casa. "Já mostrámos que sozinhos não somos capazes de vencer este desafio, pelo que precisamos da vossa ajuda, dos órgãos autárquicos, das Comissões, das associações existentes do nosso concelho, quem sabe das próprias escolas, mas precisamos rapidamente de encontrar este caminho, para pudermos em conjunto, passo a passo, começar a construir este edifício", sublinhou. António Lopes Machado, presidente do Conselho Fiscal manifestou a sua satisfação por ver aquela casa cheia, bem reveladora do dinamismo que o regionalismo goiense continua a oferecer. Recordou homens que ali conheceu, que fizeram a história daquela Casa e do Regionalista goiense, como o Dr. José Poiares; Frederico Nogueira de Carvalho; o Fernando Carneiro, filhos e genro de dois membros da Comissão organizadora da fundação da Casa da Comarca de Arganil que tanto se empenhou na construção do Colégio de Góis, e do Prof. Baeta Neves, que presidiu ao Conselho Regional e a todos encantava com as suas magnificas "lições" durante as reuniões do Conselho. E quem a tudo isso assistiu e participou foi o Gualter de Campos Nogueira, um patriarca do regionalismo goiense, hoje, sócio n.º 1 da Casa, que tínhamos o prazer do ter ali e gostávamos de continuar a ter em futuros encontros. E a terminar teve ainda palavras de apreço para com a direcção da Casa e autarcas de Góis que marcaram significativa presença naquela festa. A Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira associou-se àquela festa regionalista com palavras simpáticas de quem deseja colaborar e continuar a participar nestes encontros. Agradeceu o convite e prometeu voltar em ocasiões idênticas. Associou-se à homenagem a José Matos Cruz e apontou o caminho que está disposta a seguir à frente do município goiense. José Carvalho, presidente da Assembleia Municipal, que não estava em boas condições de saúde recordou algumas passagens por aquela Casa, que passou por importantes obras de ampliação no tempo da direcção de José Matos Cruz. Porque sempre sentiu grande simpatia pela colectividade e pelas colectividades regionalistas, acompanhando com muito interesse a sua actuação. Encerrou Américo Simões que recordou a passagem por aquela Casa de grandes nomes do regionalismo goiense, distinguindo as magníficas reuniões do Conselho Regional, presidido pelo Prof. Baeta Neves. Temos que continuar a trazer as colectividades regionalistas para esta Casa, sublinhou, desejando a todos umas Boas Festas de Natal e Ano Novo Próspero, salientando a presença da presidente da Câmara de Góis nesta festa, que foi uma grande festa regionalista dos goienses em Lisboa. E a festa continuou toda a tarde, agora com uma sessão cultural, com a apresentação de uma monografia sobre Cortes de Alvares, um livro interessante do dr. Samuel Mateus, voltando o Eng.º João Coelho a falar sobre o "Rasto dos Barrões" de Adriano Pacheco. .
António Lopes Machado in Jornal de Arganil, 17/12/2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Natal da União no Colmeal

A noite anterior esteve fria e húmida.
No Centro e de braços abertos à espera dos mais pequenos, estava a família Disney.
De manhã o Sol estava radioso e todos aproveitavam um pouco do seu calor.
O caldo verde, pronto para todos aquecer, perfilava-se para avançar.
Os dirigentes da União Progressiva ladeavam os Presidentes da Assembleia e da Junta de Freguesia.
O carro dos bombeiros faz as delícias de um dos petizes.
A pequenada nem acredita no que vê.
O mais pequenino de todos é do tamanho do brinquedo.
Três "ex-meninos" entregam a prenda aos que "atingiram o limite de idade"...
E é sempre bom ver uma criança feliz. Foi assim a festinha de Natal da União. Com amor, carinho, alegria e solidariedade. Para o ano haverá mais.
UPFC

A «Suíça portuguesa» (1)

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Visão optimista de um repórter de há setenta anos
Uma terra da Beira Litoral dotada de grandes belezas naturais e de valiosas potencialidades materiais aguarda ainda a concretização das suas justas aspirações. Não é já aquela terra de beleza e de ambicioso progresso que há três quartos de século foi descrita numa famosa reportagem publicada em A Capital, o mais lido vespertino português da época. Considerado o grande repórter da República, Hermano Neves, a quem devo, além da própria vida, as primeiras lições de jornalismo, visitou em 1916 as serranias da Beira Litoral e deixou, em páginas brilhantes e arrebatadoras, uma visão maravilhosa da zona em que se situa a aldeia onde nasceu, Alvares, uma das cinco freguesias do concelho de Góis. Região realmente encantadora, dotada de belos atractivos naturais, em que as vertentes da caprichosa orografia se apresentavam cobertas de densos pinhais e de vetustos castanheiros, com abundantes nascentes cujas águas alimentam os ribeiros que serpenteiam pelos vales profundos, o cronista procurava suscitar motivos que pudessem contribuir para a valorização do País. A sugestão das montanhas alpinas inspirou-lhe a designação da reportagem com que pretendia estimular o espírito adormecido dos seus compatriotas: a «Suíça Portuguesa». Não que o primitivismo atávico da terra beiroa permitisse aproximar a pátria de Guilherme Tell do quadro magnífico, embora estático, que se lhe deparava, mas na esperança de que as suas palavras entusiásticas pudessem despertar, a par dos aspectos convidativos da descrição, o interesse prático de promover o aproveitamento das potencialidades que ofereciam animadoras perspectivas para o progressivo desenvolvimento da região. Uma terra privilegiada A zona percorrida pelo repórter, além de privilegiada por admiráveis dons da natureza, só de si capaz de animar um rendoso movimento turístico, possuía também recursos materiais que, criteriosamente aproveitados, poderia fazer dela uma das mais ricas de Portugal. Não só Góis, a sede do concelho, oferecia condições excepcionais para atrair o forasteiro, como as vastas cercanias se mostravam dotadas de abundantes riquezas susceptíveis de serem vantajosamente utilizadas. Sabia-se que, em tempos remotos, se exploravam no vale do Ceira, que atravessa a localidade, aluviões auríferas cujos vestígios eram ainda evidentes; conheciam-se nas imediações jazidas de outros minérios que poderiam ter aproveitamento de importante significado económico; as águas provenientes das nascentes abundantes nas montanhas constituíam reservas de energia que aguardavam apenas nas gargantas rochosas do seu percurso a transformação em força motriz, numa produção hidroeléctrica capaz de determinar a poupança do carvão que importávamos com grave inconveniente para as finanças públicas; as excelentes madeiras de pinho e de castanho fornecidas pelas florestas poderiam ser boa matéria-prima para a indústria de mobiliário e para a construção civil, e a riqueza piscícola, que abunda de belas trutas e outras espécies muito apreciadas, bem podia, se devidamente explorada numa sistemática organização comercial, abastecer o consumidor dos grandes centros. Esforço de modernização Tudo dependia, porém, de um esforço de modernização que pudesse vencer o imobilismo dos poderes públicos e a inércia das populações, marcadas pelo estigma do fatalismo resignado em que viviam. Era reduzidíssima a rede de estradas, as povoações não passavam de tranquilos aglomerados de sombrias casas de xisto, cobertas pela ardósia, que abunda nas redondezas, sem água corrente, sem esgotos e sem luz eléctrica. As pessoas aceitavam pacientemente viver num triste isolamento, só cortado pelas veredas de difícil acesso que cruzavam as matas em que ecoavam ainda os uivos dos lobos, atemorizando os moradores, aferrolhados nas suas habitações desconfortáveis. Para além destas condições mínimas, que nada favoreciam o convívio entre as gentes serranas, o pouco contacto humano que existia determinava o embrutecimento e a ignorância, que não facilitavam os mais ínfimos resquícios da civilização. Desde meados do século passado, por exemplo, no Colmeal, uma das mais populosas freguesias do concelho goiense, vivia-se uma existência de alheado afastamento, em que só se destacava um ou outro residente menos conformado, entre os quais se distinguiam os caciques monárquicos, que apenas se evidenciavam, todavia, por ocasião de eleições. Outros, menos resignados, emigravam, mas não se afoitavam para longes terras, limitando-se, na maioria dos casos, a seguir para Lisboa, em busca de colocações mais favorecidas, embora em misteres humildes, como moços de fretes ou limpa-chaminés. Havia ainda os que se deslocavam periodicamente para as planícies alentejanas, incorporados nos grupos de ceifeiros, que deixaram a sua triste odisseia conhecida pela designação humilhante de «ratinhos». O «Professor de Sintra» Todos tinham um pequeno pé-de-meia, mas o seu acanhado espírito de iniciativa não lhes dava em geral para mais que o amanho temporário de exíguas courelas e o aproveitamento do milho, de que extraíam a farinha para cozer a broa, que era um dos poucos alimentos com que acompanhavam as febras de algum porquito que iam criando. De exigências muito limitadas, os colmealenses mal reagiam contra este fatalismo de uma resignação que dificilmente podiam combater. Um dos poucos que conseguiram fugir a este estado de coisas, mais afoito nas suas aspirações, foi um jovem colmealense que, no derradeiro quartel de Oitocentos, veio para a capital, disposto a experimentar um emprego de modesto marçano. Atraído pelo estudo, dotado de invulgar curiosidade intelectual, tirou o curso do magistério primário, adquirindo, assim, apreciável grau de instrução, que lhe permitiu trabalhar numa escola de Lisboa. Com essa bagagem, que o distinguia dos seus conterrâneos, decidiu regressar ao torrão natal, no propósito de contribuir para elevar o nível do povo, cujo atraso pretendia combater, tanto mais que se deixava, entretanto, arrastar pelos ideais republicanos, que começavam a florescer. Conseguindo ser nomeado professor da escola local, permaneceu algum tempo na aldeia, aonde se lhe foi juntar a esposa, também professora, que igualmente passou a partilhar da sua cruzada cultural. Talvez desanimado pela tacanhez do ambiente, António Joaquim das Neves, por sinal pai do jornalista que viria a exaltar mais tarde a sua terra como a «Suíça Portuguesa», obteve transferência para uma escola de Coimbra, que abandonou pouco depois por Sintra, onde viveu até morrer, em 1927, granjeado justa fama de professor competente e gozando de gerias simpatias de sucessivas gerações. A consideração de que usufruiu ficou patente numa comovedora homenagem que lhe prestaram os antigos alunos, cuja gratidão se encontra expressa em palavras de reconhecimento numa lápida que ainda hoje se vê afixada na fachada da escola em que leccionou: «Ao mestre que viveu ensinando – ao homem que ensinou vivendo», mas a fama que alcançou, durante o seu profícuo labor naquela aprazível estância de veraneio, não o fez esquecer os seus conterrâneos nem a sua aldeia de origem, onde a sua lembrança permaneceu sempre viva, embora sob o epíteto de o «Professor de Sintra». Lá voltou algumas vezes, para se desfazer de pequenas propriedades que adquirira e para rever os parentes e amigos da terra a que nunca deixou de estar ligado pelos laços do coração e a evocação dos tempos distantes da sua meninice. Mário Neves in Diário de Notícias, 29 de Agosto de 1988 Do espólio de Fernando Costa

Clube de Contadores de Histórias (XII)

O Primeiro Natal em Portugal

É véspera de Natal. Mas não para Irina. Para ela só será Natal a 7 de Janeiro, quando as aulas tiverem recomeçado.

A mãe aproveita umas horas extra, na pastelaria, para preparar fornadas de bolos-reis.
O pai, antes de sair, marcou-lhe páginas e páginas de trabalhos de casa. É preciso, para poder acompanhar os colegas,
Folheando o dicionário, a pequena ucraniana procura as palavras portuguesas que há-de escrever em frente das que tão bem conhece.
ОЛiВЕДЬ — lápis
ЗОШИТ — caderno
КИГА — livro
ШКОЛА — escola
Tudo diferente! Até o abecedário... Na escola, os outros fazem pouco dela e chamam-lhe “língua de trapos”. Que quererá isso dizer?
Vai à página 190, logo em seguida à 293. Era de calcular...
Tem, no entanto, orgulho em ser a melhor a matemática. Ninguém a bate em contas. Quando a professora entrega os testes e lhe dá vinte, há sempre um grupinho irritado que, no recreio seguinte, se junta, numa roda, à sua volta, cantarolando:
Irina, Irina, Irina,
Que menina tão fina!
Tem cara cor de sal,
Olhos cor de piscina.
Cabelos cor de margarina.
Ai, doem-te as saudades?
Vai tomar aspirina.
Na Ucrânia deixou tantos amigos...
Evita aqueles olhos escuros que se fixam nela, uns curiosos, outros trocistas, outros indiferentes.
Sente-se como uma extraterrestre. Porque é que os pais a mandaram vir?
Isola-se no recreio, a um canto, tentando desvendar a algaraviada das conversas. Às vezes, o Afonso murmura-lhe ao ouvido um segredo:
— Pareces uma fada!
E foge logo a correr.
Que palavrão será “fada”? Nem vale a pena procurar no dicionário. Algumas palavras que lhe dizem nem sequer lá vêm. A princípio ainda perguntou à mulher da limpeza o que significavam mas ela empurrou-a com a esfregona.
— Ordinária! Estes imigrantes mal sabem falar mas fixam logo a porcaria... Porque não voltam para o sítio de onde vieram?
Com lágrimas nos olhos, Irina vai agora à janela e vê as luzinhas acender e apagar nas árvores despidas. Por trás das paredes deslavadas das velhas casas, decerto se celebra a consoada. Como será?
Doze pratos se punham na mesa de festa no Natal da sua terra. Uma em memória de cada apóstolo.
É Natal em Portugal. Que interessa? A família está dispersa. A mãe a fazer bolos-reis que não vai provar porque para os ortodoxos é tempo de sacrifício e jejum. O pai lá anda, na construção civil. Como mais ninguém queria trabalhar na noite de 24, foi, sozinho, pintar um café que está a ser remodelado, ao fundo da rua. Os dois irmãos mais novos ficaram em Priluki, lá longe, com a avó.
Irina aquece a sopa e arranja uma sandes de queijo. Como pesa o silêncio!
De repente, sente um grito abafado no andar de cima. Algum assalto? Alguém que caiu? Não sentiu passos nem o baque de uma queda...
Com o coração a bater, põe-se a espreitar pelo óculo. Nada!
— Acudam! Acudam!
Mais ninguém se encontra no prédio. As lojas do rés-do-chão estão fechadas, os vizinhos do primeiro andar foram de férias. Por cima, na mansarda, mora uma rapariga nova, gorda, pálida.
Irina abalança-se a subir. A porta encontra-se apenas encostada e a miúda entra, a medo. Já ninguém grita. Um gemido fraco ecoa ao fundo do corredor.
Haverá feridos? Tem horror ao sangue. Por um momento, pensa em voltar para trás. Mas prossegue, pé ante pé, até ao quarto.
Deitada na cama, a moça, que ela conhece de vista, geme, agarrada à barriga enorme. Irina aproxima-se, repara que está alagada em suor.
— Ladrão atacar tu? Estar doente?
Tremendo, a outra responde:
— Chama o 112. O bebé vai nascer.
Que será o 112? Estará ela a delirar? Quase desfalece.
Então Irina precipita-se pela escada abaixo. A rua encontra-se deserta. Não conhece ninguém nas redondezas. Corre até ao café onde o pai está a pintar paredes.
— Pai, pai! — grita ela.
Anton desce do escadote, pousa o rolo, inquieto ao ver a filha naquela aflição.
— Que foi? Aconteceu alguma desgraça?
Mal sabe o que se passa, marca um número no telemóvel, dá a morada, pede urgência. Segue-a em passo apressado. Sobre eles desaba uma chuva gelada. Ficam com os cabelos a escorrer, encharcam os sapatos nas poças que, num instante, se formam.
Chegados ao prédio, o ucraniano galga os degraus dois a dois, entra sozinho no quarto da vizinha. A filha fica à espera.
— Irina, ferve uma panela de água. Traz-me um frasco de álcool, uma tesoura, toalhas.
A miúda obedece, confusa.
— Traz-me roupa lavada, para me mudar!
O pintor despe o fato-macaco, sujo de tinta e de pó, na casa de banho, enfia uma camisa branca, umas calças desbotadas. Esfrega as mãos e a tesoura com álcool.
— Irina, a água já ferve?
De novo no quarto, fala pausadamente com a rapariga, em voz alta. Ouve-se tudo cá fora.
— Força! Coragem! Está quase...
De súbito ouve-se o choro de um bebé.
— Entra, Irina — diz, pouco depois, o pai. — Vem ajudar. Já és crescida.
Entrega-lhe o recém-nascido.
A rapariga, na cama desalinhada, sorri.
— Embrulha-o num xailinho. Está na gaveta do meio.
Irina aconchega aquele corpo tão pequenino e frágil. Embala-o devagarinho, como fazia com as bonecas. Uma minúscula mãozinha aperta então o seu polegar.
O alarme de uma ambulância apita. Pára à entrada do edifício. Duas enfermeiras precipitam-se pela porta dentro.
— Então, viram-se atrapalhados? Um parto faz sempre confusão, principalmente aos homens.
— Sou médico — confessa o ucraniano. — Mas, em Portugal, ando nas obras...
As enfermeiras cruzam um olhar subitamente triste. Examinam a criança.
— O bebé nasceu no dia de Natal. É o nosso Menino Jesus.
A mãe olha para o homem e pergunta:
— Como é que o doutor se chama?
— Anton.
— António? Quer ser o padrinho? Vou pôr-lhe o seu nome.
As enfermeiras levam a rapariga e o bebé para a ambulância.
— Vão dar um passeio até à maternidade. Estão ambos óptimos.
— Manhã nós visitar! — exclama a garota.
Já passa da meia-noite. Pai e filha descem até ao patamar do primeiro andar. Na escada nunca há luz. Felizmente a gente do 112 usa lanternas... Mas, logo que o pessoal da ambulância se afasta, a escuridão instala-se. Às apalpadelas, o pai mete a chave na fechadura. Tropeça num embrulho.
— Que será? — espanta-se ele. — Esta é uma noite de surpresas.
Sobre o tapete de cairo está um embrulho enfeitado com um laçarote cor-de-rosa. Traz um bilhete preso com fita-cola.
Para uma fada loura.
com amizade
A menina abre-o. É um conjunto de canetas de ponta de feltro.
— O Pai Natal português não se esqueceu de ti — ri-se o médico.
— O Afonso é a única pessoa que me trata por fada — replica a Irina, um bocadinho corada.
Corre para o dicionário, passando as páginas até à número 159 e exclama, radiante:
OЗНАКА — fada
Depois, pega numa folha de papel e desenha, a amarelo, uma estrela a brilhar, a brilhar, a brilhar.
Luísa Ducla Soares
Há sempre uma estrela no Natal
Porto, Civilização Editora, 2006

O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Limpar o Concelho de Gois (II)

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Há um ano na Estónia a população conseguiu limpar o país num só dia.
As pessoas tiveram força de vontade, organizaram-se e a mobilização foi fenomenal!
Quem ficou a ganhar foi o país.




Agora em Portugal foi lançado o mesmo desafio: "Limpar Portugal" no dia 20 de Março de 2010.
Inscrevam-se e divulguem por favor: http://limparportugal.ning.com/ ou http://limparportugal.ning.com/group/gois
Para ter um país mais limpo, organizado e com menos incêndios!
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Sinais de Outono

Foto de A. Domingos Santos

A UNIÃO PROGRESSIVA DA FREGUESIA DO COLMEAL e… a sua HISTÓRIA

. III – PRIMEIROS ANSEIOS - Estrada de Rolão – Colmeal, em alternativa da de Góis – Cebola - Encomendas postais - Médico, correio diário e fonte do Colmeal
PRIMEIRA OBRA: PONTE SOBRE O RIBEIRO DO SOITO Foi no próprio dia 12 de Março de 1933, em que os corpos gerentes tomaram posse, que a Direcção, eleita para o ano de 1933/34, realizou a sua primeira reunião, tendo a ela assistido o Presidente da Assembleia – Geral, Sr. Joaquim Francisco Neves. Da Direcção faziam parte: Manuel Nunes de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida e António Nunes Major. Nesta reunião foi apreciada a oferta, feita pelo Sr. José Henriques de Almeida, de uma fotografia do saudoso José Domingos, devotado regionalista e um dos sócios fundadores da colectividade, já falecido. Recebida uma carta do sócio nº 208, Manuel Martins Florindo, residente na Malhada, em que pede para serem preferidos operários desta povoação na arranca de cepas que a Junta de Freguesia do Colmeal vendeu aos clientes da Malhada. Este assunto, à primeira vista sem importância, motivou forte discussão, chegando-se a alvitrar a consulta a um advogado, no que foram dissuadidos pelo Sr. António Domingos Neves, que propôs, antes, oficiar-se à C. M. de Góis. É encarregado o Vice – Presidente da Direcção, Albano Gonçalves de Almeida, de proceder às primeiras diligências para a obtenção das encomendas postais. Foi nesta mesma altura, que se tomou conhecimento do pedido de demissão do Sr. Fortunato Joaquim de cobrador e membro da Delegação no Colmeal (foi substituído mais tarde, em 3-5-1933, por José Henriques de Almeida, do Soito). ESTRADA GÓIS – CEBOLA Em resultado das diligências encetadas pela anterior Direcção junto do M. O. P. (Ministério das Obras Públicas) para obtenção da estrada Góis – cebola, recebe-se uma resposta do general Teófilo da Trindade não dando esperança de ser dotada no próximo ano económico de 1934, em virtude de não se haver ainda procedido ao respectivo estudo. Em face desta informação (29-3-1933), foi resolvido estudar a maneira de se conseguir um ramal de estrada da Pampilhosa da Serra para o Colmeal, prevendo-se poder contar-se com o auxílio particular, da União, do Município de Góis e do Estado. Encarrega-se a Delegação de adquirir livros de leitura para oferecer aos alunos pobres que frequentam a escola e cujos pais não tenham posses para comprar. ENCOMENDAS POSTAIS Em 14-4-33, volta a oficiar-se à Administração – Geral dos Correios e ao Sr. Manuel Brás da Costa, do Colmeal, com vista à obtenção das encomendas postais. Nesta mesma data estuda-se a possibilidade de construção de uma ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, pedindo-se à Delegação o respectivo orçamento. Em 13-5-1933 decide-se oficiar à C. M. Góis pedindo a execução gratuita da planta desta obra, mas a resposta é negativa, por ser inteiramente impossível atender o pedido. Em face disto, resolve a Direcção construir-se a ponte mesmo sem planta, encarregando-se a Delegação de elaborar o respectivo caderno de encargos da obra, cujo orçamento era de 3.000$00. ASSISTÊNCIA MÉDICA Negativa foi também a resposta da C. M. Góis ao pedido formulado no sentido de o médico municipal dar consultas uma ou duas vezes por semana na freguesia do Colmeal, visto as receitas camarárias não o permitirem. No entanto é concedido aos pobres da freguesia o direito de poderem chamar o facultativo sem qualquer despesa. Estabelece-se a obrigatoriedade de os sócios possuírem o seu bilhete de identidade, para o que foi recebida a oferta de 100 destes cartões, bem como o timbre da União. Pelo 2º Secretário é estudada a nomeação de uma comissão de propaganda. Em 2-8-1933 a Delegação é incumbida de tirar as licenças para a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito, que sofre um pequeno atraso devido a dificuldades económicas no momento; mas, solucionadas estas, é em 24-8-33 enviada a verba de 1.000$00 para as primeiras despesas. Organizam-se os festejos do 2º aniversário da Colectividade, que culmina com um almoço de confraternização em 24-9-1933, tendo como convidados de honra os representantes dos jornais de Arganil. ESCOLAS Na reunião de 19-10-1933 é deliberado fazer-se uma exposição ao Sr. Ministro da Instrução Pública, solicitando a criação de escolas em Carvalhal e Ádela, pedido que virá a ser indeferido por não haver número de crianças em idade escolar conforme exige o disposto no parágrafo 1º do Art 1º do Decreto nº 20 281. FONTE EM COLMEAL É nesta altura que surge a ideia de se construir uma fonte no Colmeal, e para a angariação de fundos necessários é nomeada uma comissão composta por: António Nunes dos Reis, Abel Joaquim de Oliveira, José Antunes André, António Nunes Major, António Domingos Neves e Francisco Luís. Ao mesmo tempo e com o mesmo fim pede-se ao sócio Manuel Martins Júnior, residente em Philadelphia para nomear uma comissão local. Entretanto recebe-se a oferta dos trabalhos de serralharia do Sr. Manuel Braz das Neves para a colocação das tubagens da Fonte. Solicita-se à C. M. Góis a obtenção de cerca de 300 metros de canalização em tubo de ¼ para o chafariz de Ádela e faz-se uma exposição ao Sr. Administrador dos Correios e Telégrafos pedindo a distribuição diária do correio aos povos da freguesia; a resposta viria a ser dada mais tarde (22-3-34), com a informação de que o pedido foi a despacho. ESCOLA DA MALHADA Tendo-se em vista pedir à C. M. Góis (14-6-34) para interceder junto da Inspecção Escolar de Coimbra a criação da escola da Malhada, são nomeadas comissões para angariar fundos para a sua construção, sendo a de Lisboa constituída por: Abel Olivença Almeida, António Nunes Marques, Manuel dos Santos, Manuel Nunes de Almeida, Alberto de Almeida, Manuel Marques e António dos Santos Duarte. A da Malhada, por Manuel Martins de Almeida, José Luís Nunes, José Nunes, António Simões de Almeida e Manuel dos Santos. Em 11-1-1934, a Delegação notifica que a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito está concluída, mas só em 12-7-34 se oficia à C. M: Góis fazendo a sua entrega, depois de se ter completado o pagamento de 1.100$00 à Delegação (5-4-34) e 60$00 à Junta de Freguesia. É nesta data que se aceita o convite do Grémio da Comarca de Arganil para se fazer representar numa reunião com o Sr. Ministro das Obras Públicas acerca da estrada Góis - Cebola e à qual vieram a comparecer a Direcção, a mesa da Assembleia – Geral e o Conselho Fiscal. Decide-se em 22-3-34 ir junto do Sr. Administrador dos Correios e Telégrafos insistir mais uma vez pela obtenção da distribuição diária do correio, tendo-se obtido mais tarde (14-6-34) a resposta de que as possibilidades eram quase nulas, devido aos encargos que esse serviço trazia. Continuando a pugnar pela construção de um chafariz no Colmeal, é dirigido um ofício à C. M. Góis (5-4-34) pedindo o seu auxílio e a execução da respectiva planta. Com o mesmo fim, é sorteada uma máquina fotográfica, oferta do Sr. António Domingos Neves e escreveu-se à Junta de Freguesia e ao Grémio da Comarca de Arganil, que viria a contribuir com um donativo de 100$00. Em 17-5-34 oficia-se à Junta para pedir a consulta médica na freguesia do Colmeal. in Boletim “O Colmeal” Nº 124, de Fevereiro de 1974

Clube de Contadores de Histórias (XI)

D. Florinda
Tem setenta anos a D. Florinda. E num dia de cada mês há correspondência na sua caixa de correio. — Vem na hora certa — diz a D. Florinda, sorrindo para o gato que anda sempre atrás dela. D. Florinda veste roupa nova, penteia melhor o cabelo ralo, branco e curto. Calça os sapatos de pano e borracha, fecha a porta com muito cuidado, e mete a chave num saco bastante coçado. Truc, truc, truc... lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho do banco. Quando entra, entrega a carta ao empregado, e diz baixinho: — É a minha reforma! Recebe o dinheiro e, truc, truc, truc..., lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho da livraria do Zé. Depois de entrar percorre as estantes com o olhar. Demora-se, indecisa na escolha. E acaba por descobrir o livro, que paga e manda embrulhar. Outra vez na rua, truc, truc, truc..., lá vai ela a caminho da casa onde mora o Rodrigo, o seu neto. Toca à campainha, aparece o Rodrigo, e ela estende o embrulho e diz: — É para ti, rapaz. Mais um livro para a tua biblioteca!
António Mota Segredos Porto, Desabrochar Editorial, 1996
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Município de Góis assinala Dia Internacional dos Direitos Humanos

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Na próxima quinta-feira, dia 10 de Dezembro, a Câmara Municipal de Góis vai associar-se às comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos. De acordo com um comunicado enviado ao RCA NOTICIAS, pelas 10h, vai decorrer a abertura de uma exposição de Pedro Pinto, no Posto de Turismo de Góis, e à noite, pelas 21h30, vai realizar-se um concerto pelo Ensemble de Saxofones do Conservatório de Música de Coimbra, na Casa do Povo de Vila Nova do Ceira. http://www.rcarganil.com

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Alterações climáticas

Hoje, 56 jornais em 44 países dão o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum [sobre Copenhaga]. Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta uma terrível emergência. Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes. Nas publicações científicas, a questão já não é se a culpa é dos seres humanos, mas sim quão pouco tempo ainda nos sobra para conseguirmos limitar os danos. Mas, mesmo assim, até agora a resposta a nível mundial tem sido frouxa e sem grande convicção. As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre, e as nossas perspectivas de as limitarmos serão determinadas nas próximas duas semanas. Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos. A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos. Um aumento superior, na casa dos três ou quatro graus centígrados – a subida mais pequena que podemos realisticamente esperar se ficarmos pela inacção –, secaria os continentes, transformando terra arável em desertos. Metade de todas as espécies animais extinguir-se-ia, muitos milhões de pessoas ficariam desalojadas, nações inteiras afundar-se-iam no mar. A polémica sobre os e-mails de investigadores britânicos, sugerindo que eles terão tentado suprimir dados incómodos, tem agitado o ambiente mas não causou mossa na pilha de provas em que estas previsões se baseiam. Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido – progressos efectivos em direcção a um tal acordo apenas se poderiam iniciar com a chegada do Presidente Barack Obama à Casa Branca e a inversão de anos de obstrução por parte dos Estados Unidos. Mesmo hoje, o mundo vê-se à mercê da política interna norte-americana, pois o Presidente não se pode comprometer com as acções necessárias até o Congresso fazer o mesmo. Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.” No centro do acordo deverá constar um arranjo entre os países ricos e os países em desenvolvimento, determinando como serão divididos os encargos da luta contra as alterações climáticas – e como iremos partilhar um recurso novo e precioso: os milhões de milhões de toneladas de gases de carbono que podemos emitir antes que o mercúrio dos termómetros alcance níveis perigosos. As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990. Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis. Apesar de ambos não terem chegado tão longe quanto alguns esperavam, os recentes compromissos de objectivos de emissões de gases dos maiores poluidores do mundo – os Estados Unidos e a China – constituíram passos importantes na direcção certa. A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões. A arquitectura de um futuro tratado deve também ser definida – com um rigoroso acompanhamento multilateral, compensações justas pela protecção de florestas, e uma aceitável taxa de “emissões exportadas”, de modo que o peso possa ser partilhado mais equitativamente entre os que produzem produtos poluentes e os que os consomem. E a equidade requer também que a carga colocada sobre determinados países desenvolvidos tenha em conta a sua capacidade para a suportar: por exemplo, novos membros da União Europeia, muitas vezes mais pobres do que a “Velha Europa”, não devem sofrer mais do que os seus parceiros mais ricos. A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada. Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia. Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida. Os fluxos de capitais contam a sua própria história: em 2008, pela primeira vez foi investido mais dinheiro em formas de energia renováveis do que para produzir electricidade de combustíveis fósseis. Abandonar o nosso “vício de carbono” dentro de poucas décadas irá exigir um feito de engenharia e inovação que iguale qualquer outro da nossa História. Mas se a viagem de um homem à Lua ou a cisão do átomo nasceram do conflito e da competição, a “corrida do carbono” que se aproxima deverá ser norteada por um esforço de colaboração, de forma a alcançarmos a salvação colectiva. Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”. É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão. Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa. O PÚBLICO foi desafiado pelo jornal diário britânico The Guardian a participar neste projecto global. A ideia original de um editorial comum foi sugerida por várias pessoas envolvidas nas questões climáticas e tornada um projecto real por The Guardian. Foi com agrado que, ao longo dos dias, vimos o número de participantes crescer para 56 jornais de 44 países de todos os continentes. Aderimos por acreditarmos na urgência desta mensagem. LISTA DE JORNAIS: “Süddeutsche Zeitung” - Alemanha,“Gazeta Wyborcza” – Polónia,“Der Standard” - Áustria,“Delo” - Eslovénia,“Vecer” – Eslovénia,“Dagbladet Information” - Dinamarca,“Politiken” - Dinamarca,“Dagbladet” - Noruega,“The Guardian” – Reino Unido,“Le Monde” - França,“Liberation” - França,“La Reppublica” - Itália,“El Pais” - Espanha,“De Volkskrant” – Holanda,“Kathimerini” - Grécia,“Público” - Portugal,“Hurriyet” - Turquia,“Novaya Gazeta” - Rússia,“Irish Times” - Irlanda,“Le Temps” - Suíça, “Economic Observer” - China,“Southern Metropolitan” - China,“CommonWealth Magazine” - Taiwan,“Joongang Ilbo” - Coreia do Sul,“Tuoitre” - Vietname,“Brunei Times” - Brunei,“Jakarta Globe” - Indonésia,“Cambodia Daily” – Camboja,“The Hindu” - Índia,“The Daily Star” - Bangladesh,“The News” - Paquistão,“The Daily Times” - Paquistão,“Gulf News” - Dubai,“An Nahar” – Líbano,“Gulf Times” - Qatar,“Maariv” - Israel,“The Star” – Quénia,“Daily Monitor” - Uganda,“The New Vision” - Uganda,“Zimbabwe Independent” – Zimbabwe,“The New Times” - Ruanda,“The Citizen” - Tanzânia,“Al Shorouk” - Egipto,“Botswana Guardian” – Botswana,“Mail & Guardian” - África do Sul, “Business Day” - África do Sul, “Cape Argus” - África do Sul,“Toronto Star” - Canadá,“Miami Herald” – Estados Unidos,“El Nuevo Herald” – Estados Unidos, “Jamaica Observer” – Jamaica, “La Brujula Semanal” - Nicarágua,“El Universal” - México, “Zero Hora” - Brasil, “Diário Catarinense” - Brasil, “Diario Clarin” - Argentina
in jornal "Público" Nº 7188, de 7 de Dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Lágrima

Foto da Internet

"RAIZES" AGORA EM ARGANIL

A exposição Raízes, de Josefina Almeida, encontra-se agora em Arganil. Foi inaugurada no passado dia 3 do corrente, com a presença sempre acolhedora e estimulante dos vereadores Drª Paula Diniz e Dr António Cardoso. A exposição integra dois núcleos igualmente imperdíveis: o da pintura, constituído por trinta e duas obras, que se encontra patente na sala Guilherme Filipe da Casa Municipal da Cultura; e o do bordado matiz sobre linho, constituído por vinte e duas, que poderá ser visitado no átrio da Câmara Municipal. Vale mesmo a pena visitar a exposição nas suas duas vertentes! Para desfrutar da poesia e da harmonia que emanam da espantosa sinfonia de cores e sons em que o pincel, a agulha e a alma da artista transformaram a paisagem, e os factos e artefactos que a marcaram, no presente já futuro e na infância que persiste. Na sala Guilherme Filipe, o visitante poderá mesmo sentar-se, e deixar-se apaziguar escutando o murmúrio repousante, mas também energizante, das raízes que prendem a artista à terra e à serra, impregnando-a da determinação e dos valores com que enraíza na vida e se devota aos outros. Josefina Almeida é natural de Açor, na freguesia do Colmeal. A exposição poderá ser visitada até 31 de Dezembro. Açor (Colmeal), 5 de Dezembro de 2009 Lisete de Matos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quem quer "Limpar Góis"?

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Concelho de Góis aderiu ao Projecto "Limpar Portugal"
Mais de 3 dezenas de pessoas já responderam à iniciativa que se destina a reunir num só dia o maior número de voluntários para recolher o lixo das florestas e espaços verdes de Góis. À imagem do que fizeram muitos concelhos vizinhos, Góis também se associou ao Projecto Limpar Portugal. Inspirados numa iniciativa semelhante, realizada na Estónia, em 2008, que conseguiu limpar todas as suas florestas num só dia, Portugal foi um dos países que também resolveu implementar um projecto idêntico, e, neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível concretizar esta acção. A ideia é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que, no dia 20 de Março de 2010, procedam à limpeza da floresta Portuguesa. O projecto Limpar Portugal, é um movimento cívico que quer contribuir para a erradicação de lixeiras ilegais da floresta e espaços verdes, promovendo também a educação ambiental e conta apenas com o serviço de voluntariado não movimentando dinheiro. Tendo sido decidido, pela estrutura nacional, que a base do movimento são os grupos concelhios, em Góis foi realizada a primeira reunião, no passado dia 24 de Novembro, na Biblioteca Municipal, que teve a finalidade de apresentar o projecto e formar a equipa de trabalho, responsável por o implementar no concelho de Góis. Segundo informação do coordenador concelhio de Góis, António José Mourão, nesta primeira fase, a actividade prioritária deste movimento é conseguir a sua divulgação, mobilizando um número de voluntários significativo, afim de procederem à organização das actividades a realizar no concelho, nomeadamente, a identificação de lixeiras, divulgação nas escolas e nos locais públicos, promovendo também actividades de divulgação ambiental, entre outras. O projecto que foi apresentado pelo assessor da coordenação concelhia, Miguel Mourão, aceita a colaboração de todas as entidades e individuais que a ele se queiram associar e após a primeira reunião ficou já a contar com a colaboração de: Câmara Municipal de Góis, Junta de Freguesia de Góis, Junta de Freguesia do Colmeal, Grupo de Escoteiros de Góis, Lousitânea, Trans Serrano, Associação de Juventude de Góis, Construções Marta Ferreira Lda. e Irmãos Figueiredo - Actividades Hoteleiras, que disponibilizaram, de imediato, transporte e até mostrando-se disponíveis para encerrar a sua actividade no dia 20 de Março, destacando todos os funcionários da empresa para ajudarem nesta acção de limpeza. Da primeira reunião soube-se ainda que integram a equipa de coordenação concelhia de Góis: António José da Rita Mourão, Graciano Antunes Rodrigues, João Miguel Carvalho Mourão, José Manuel Cardoso Bandeira, Liliana Catarina Lote Temprilho, Maria Helena Pedruco Jorge Conceição, Sandra Maria Caldeira Marques, Sandra Maria Gonçalves Coelho, Susana Maria Marques Moita e Ricardo Jorge Alves Pinto. Sabe-se ainda que estes elementos já voltaram a reunir, na sede da Junta de Freguesia de Góis, para distribuição de tarefas. Em declarações ao nosso jornal, o coordenador concelhio, António Mourão, referiu que gostaria de poder contar com a participação de todos e acrescentou: "O movimento usa a Internet e as suas ferramentas como elo de ligação e informação, pelo que, os interessados podem consultar toda a informação em: http://www.limparportugal.org/ podendo registar-se no grupo de Góis em: http://limparportugal.ning.comi/group/gois" Ao momento da primeira reunião o grupo de Góis já contava com cerca de três dezenas de elementos e o principal objectivo é vir a contar com muitos mais.
In O Varzeense, 30/11/2009
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http://www.portaldomovimento.com/

Cabreira

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Paragem obrigatória num dos recantos mais bonitos do concelho de Góis. A ponte, o rio, o lagar, as tulhas, um conjunto de encantos a visitar e a preservar. Fotos de A. Domingos Santos

Colmeal e seus problemas

Colmeal, a «pérola do Ceira» como lhe chamam, é uma linda aldeia serrana situada à beira do rio, numa das pregas das altas montanhas do «Cabeço do Gato». Colmeal, ao contrário de quase todas as aldeias serranas que tiveram o seu maior desenvolvimento nos séculos XVII, XVIII e XIX, é já uma aldeia bastante desenvolvida. Em 1558 figura já como sede de freguesia. Os meios de subsistência foram o milho, trigo, batatas e legumes sem faltar o azeite, vinho e mel. Os habitantes por cá viviam modestamente ligados à terra, mourejando de sol a sol, no cultivo e amanho das propriedades. Há cinquenta anos a esta parte a indústria e o comércio desenvolveram-se. Facilitou-se a vida do trabalhador nos meios urbanos, criaram-se novas exigências e o povo serrano encaminha-se para a cidade procurando meios de subsistência. Foram-se os pais, chamaram os filhos e com eles foi o resto da família. Muitas casas se fecharam, umas mais tarde restauradas com o dinheiro ganho na capital, outras caem aos poucos abandonadas pelos herdeiros. Actualmente a cifra de emigração do Colmeal é a seguinte: indivíduos naturais do Colmeal, em Lisboa, cerca de 306; no Brasil, 23; nos Estados Unidos, 15; na Venezuela, 10, etc. Colmeal, neste momento, sobretudo no Inverno, dá a impressão de uma colmeia quase vazia. A totalidade dos habitantes ausentes e presentes é de 487 ou sejam 152 fogos. Tem hoje apenas 161 habitantes ou sejam 56 fogos. Deste modo vemos que 96 fogos se encontram ausentes. A emigração continua à medida que os filhos da terra vão crescendo. Muitos destes emigrantes já estão desenraizados, isto é, não têm já intenção de regressar ao lugar de origem. Algumas famílias tendem a desaparecer porque os filhos casaram na cidade e na terra só se encontram os pais envelhecidos que ao desaparecerem deixarão fechadas as suas casas. As aldeias serranas lutam pela sobrevivência. Não há quem trabalhe nos campos. Já se vêem campos abandonados. Não há quem alugue terrenos. Esta é a situação actual do lugar do Colmeal, assim como de muitas aldeias serranas. in Boletim “O Colmeal” Nº 24, de 15 de Fevereiro de 1962 Arquivo da UPFC

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Góis - Câmara aceita sugestões para orçamento

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"Não dar chocolate a quem precisa de pão"
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O resultado do convite do executivo é positivo, mas obriga a estabelecer prioridades. E a procurar fontes de financiamento. Só com o dinheiro da câmara "é impensável". O vice-presidente José Rodrigues e o vereador Mário Garcia deram início aos trabalhos na sala da Biblioteca Municipal, que encheu para um encontro "nunca visto". A ideia é manter o diálogo ao longo de quatro anos e "não só na altura das eleições e quando é necessário pedir votos", disse José Rodrigues. A proximidade está, assim, garantida, e as comissões de melhoramentos e demais instituições do concelho de Góis aproveitam para colocar as necessidades "em dia". A maior parte levou a "lição" por escrito, mas alguns aproveitaram o frente-a-frente com o poder local para pormenorizar. Lucília Simões deu o exemplo: na Portela de Góis, a escada ao fundo da aldeia, os buracos na estrada e a barreira nas traseiras da casa de convívio precisam de atenção. Pelo meio, um dos participantes constatou que a "câmara tem conhecimento dos problemas que davam para 10 orçamentos", mas um outro retorquiu que "é necessário começar por algum lado ". Do Colmeal, além do que falta por fazer por escrito, chegou o convite para a participação na iniciativa "Limpar Portugal", que alguém - bem humorado - questionou no "alcance". A resposta "desiludiu" o curioso cidadão - "são só as lixeiras…" - que pretendia uma "vassourada"… politicamente correcta. Depois, de Cerdeira de Góis, chegou o alerta para a desertificação das aldeias e para os problemas no abastecimento de água. Apesar de a autarquia garantir a qualidade do precioso líquido, muita boa gente recorre a fontes e poços sem controle. No que respeita aos idosos, pelo menos para idas ao médico, o transporte escolar é capaz de ser solução, garantindo uma vez por semana, no intervalo do transporte dos mais novos, as viagens ao centro de saúde. No Liboreiro, o problema do envelhecimento da "população é ainda mais grave: das 100 pessoas restam sete, pelo que o repovoamento é "urgente". As casas e os terrenos abandonados colocam problemas de segurança - incêndios - e sem a melhoria das condições, nomeadamente a alteração do PDM, o que permitiria construir em áreas até agora vedadas, "é impossível fixar jovens". Na lista das necessidades foram incluídas as obras nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Góis - aguardam o pagamento, pela RS, de mil euros pelos serviços de transporte de doentes -, na sede de concelho e em Alvares, saneamento, abastecimento de água em Vila Nova do Ceira, cujo pavilhão desportivo "está um perigo", a sede social do Góis Moto Clube, o campo de futebol - "sem condições para os atletas" -, e a sede da filarmónica "onde chove como na rua". À margem da apresentação do rol dos problemas ficou a recomendação: "não dar chocolate, enquanto alguns precisam de pão!". Lurdes Castanheira, presidente da Câmara de Góis, entendeu a "mensagem", mas sempre foi dizendo que "não podemos responder pelo passado". Mesmo assim, assegura, "vamos honrar as expectativas criadas", ainda que a capacidade financeira da autarquia obrigue a estabelecer prioridades, tendo o desenvolvimento e o aumento de qualidade de vida da população como objectivo. O pavilhão desportivo de Vila Nova do Ceira, a sede da Associação Educativa e Recreativa de Góis e o campo de futebol "são preocupações" de quem assumiu o poder "há 32 dias", acrescentando ainda a Casa Municipal da Cultura, as instalações dos bombeiros em Góis e Alvares e os Paços do Concelho, cuja falta de condições obrigou à distribuição de vários serviços por outros tantos edifícios. O Centro Escolar de Alvares, o abastecimento de água e saneamento em Vila Nova do Ceira, o Lar de Cadafaz e as acessibilidades estão igualmente nos planos de Lurdes Castanheira, que terá de "sair do gabinete muitas vezes" para assegurar os financiamentos necessários a tantas e variadas obras. Alguma verbas terão de "vir da Europa", já que só com o orçamento da Câmara "é impensável" colocar Góis no rumo certo. Mário Nicolau in Diário das Beiras, 30/11/2009
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