segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

LIMPA-NEVES

Nevou ontem e durante a noite uma nevezita soprada a vento que não chegou a produzir imagens de especial beleza. Mas que produziu consequências desastrosas, como impedir a ida à escola, ao trabalho ou a tratamento. Solidariamente, porque se preocupou com a possível urgência de uma carta, o carteiro veio, mas teve de ser resgatado, depois de ele próprio ter resgatado o carro, que descia a rua por conta própria! Aí, as pessoas decidiram agir, e constituíram-se em equipa limpa-neves! Num feliz encontro de gerações, eram velhos e novos irmanados no objectivo comum de limpar a neve, antes que gelasse mais, e continuasse ali a impedir a circulação. As ferramentas eram as mais diversas, e até havia quem andasse de botas vermelhas de biqueira!Bonito de ver! Lisete de Matos Açor, Colmeal, 11 de Jan. de 2009

domingo, 10 de janeiro de 2010

Neve no Colmeal

As temperaturas baixas e a neve também passaram pelo Colmeal neste domingo de Janeiro. À semelhança do que se passou um pouco por todo o país e pela Europa. Fotos de Catarina Domingos

Centro de Dia no Colmeal

Da acta da reunião ordinária da Câmara Municipal de Góis, realizada no passado dia 9 de Dezembro de 2009, no Auditório da Biblioteca Municipal, transcrevemos o ponto 2.2, relacionado com o Centro de Dia no Colmeal. 2.2 – CÁRITAS DIOCESANA DE COIMBRA/CENTRO DE DIA E SERVIÇO DE APOIO DOMICILIÁRIO DE COLMEAL – CANDIDATURA À MEDIDA 3.3.2 DO SUB-PROGRAMA 3 DO PRODER Foi presente o ofício da Cáritas Diocesana de Coimbra, datado do dia 20.11.2009, solicitando à Câmara Municipal a emissão de parecer da Autarquia e do Conselho Local de Acção Social (CLAS), relativamente à candidatura apresentada por esta Instituição à Medida 3.3.2 do Sub-Programa 3 do PRODER centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário de Colmeal. A senhora Presidente da Câmara Municipal, informou que é seu entendimento que esta candidatura merece o parecer favorável do Executivo, uma vez que é objectivo principal desta Instituição melhorar as condições físicas do equipamento social existente, e consequentemente, melhorar a qualidade do serviço prestado. Interveio a senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz que referiu concordar que a Câmara Municipal apoie este projecto, uma vez que é notória a acção da Cáritas Diocesana de Coimbra nestas duas freguesias. Cadafaz e Colmeal. Referiu ainda, que toda a acção que contribua para a promoção da prestação de um melhor serviço, como o alargamento de horários de visita aos utentes; a prática de educação física entre outras actividades, irão certamente contribuir de maneira positiva para combater o isolamento e a solidão dos idosos que vivem nestas Freguesias. Usou da palavra o senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia, que referiu subscrever as palavras proferidas pela senhora Vereadora Maria Helena Antunes Barata Moniz, e após análise à referida Candidatura, é seu entendimento que esta merece parecer favorável por parte do Executivo. Contudo, parece-lhe ser importante que este documento se fizesse acompanhar com uma informação da Acção Social da Câmara Municipal, a fim de contribuir para um melhor esclarecimento da decisão a tomar. A senhora Presidente da Câmara Municipal informou que, enquanto responsável pelo pelouro da Área da Acção Social, bem como na qualidade de Presidente da Câmara Municipal, teve o cuidado de ler e analisar toda a candidatura, entendendo que nunca colocaria em causa a valia da candidatura, a qual objectiva, não só a requalificação das condições físicas, bem como, a diversificação na oferta de serviços. Referiu ainda, que este Projecto é muito importante, assim como outros promovidos pela Cáritas Diocesana de Coimbra, particularmente o Projecto de Construção do Lar da Freguesia do Cadafaz, aproveitando para informar que, sobre este Projecto, o senhor Padre Luís Costa, Presidente da Direcção da Cáritas Diocesana de Coimbra, solicitou que o Conselho Local de Acção Social emitisse um novo parecer que possibilite uma fundamentação diferente, uma vez que em termos de pontuação máxima esta já foi obtida, em termos de valia do projecto para efeitos de financiamento. A Câmara tomou conhecimento e deliberou por unanimidade emitir parecer favorável relativamente à candidatura apresentada pela Cáritas Diocesana de Coimbra à Medida 3.3.2 do Sub-Programa 3 do PRODER centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário de Colmeal. in Jornal “O Varzeense” Nº 526, de 30 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

COLMEAL DA BEIRA SERRA – GÓIS

SENTIMENTO POÉTICO
ESTA ALDEIA PORTUGUESA NAS MARGENS DO RIO CEIRA PERTENCE À GRANDE NOBREZA DAS LINDAS TERRAS DA BEIRA NUM QUADRO RETRATADA P’LA SUA COR E BELEZA É DIGNA DE SER ADMIRADA ESTA ALDEIA PORTUGUESA HÁ CULTURA NESTA TERRA É LINDO O CENÁRIO NA BEIRA PRESÉPIO DA BEIRA-SERRA NAS MARGENS DO RIO CEIRA SEM DIZER QUE É FORMOSA NÃO ESCONDE SUA BELEZA POR SER SIMPLES E AIROSA PERTENCE À GRANDE NOBREZA COMO AMANTE DA NATUREZA OBSERVADOR DE PRIMEIRA EU TE CONSIDERO PRINCESA DAS LINDAS TERRAS DA BEIRA FERNANDO BAGUINHO 2009 Fernando Costa, também conhecido por Fernando “Baguinho”, teve mais uma gentileza para com a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, de que é um dos seus associados, oferecendo-nos um quadro com esta “Glosa” de sua autoria. “Glosa”, é a designação dada às voltas ou estrofes de desenvolvimento de um mote dado. Generalizado o emprego desta modalidade poética nos finais do século XV (Cancioneiro Geral), a glosa continuou em grande voga até ao século XVIII, nomeadamente nos famosos Outeiros. Assinalámos o “mote” a negrito e em itálico. A “glosa” tem, neste caso, quatro estrofes, terminando cada uma por um verso do “mote”. E Fernando “Baguinho” que desde sempre tem vindo a acompanhar o trabalho desenvolvido pela União Progressiva através das notícias publicadas na imprensa regional, fez questão de realçar que “Há cultura nesta terra” (primeiro verso da segunda estrofe). Brevemente poderá apreciar este quadro no EspaçoArte no Colmeal. A. Domingos Santos

Promovendo a leitura

in Jornal de Arganil, de 7 de Janeiro de 2010

Efeméride: Eléctricos deixaram de circular em Coimbra há 30 anos

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Faz este sábado, 9 de Janeiro, 30 anos que os eléctricos deixaram de circular na cidade de Coimbra, dando lugar aos troleicarros e aos autocarros. Os nove veículos que fazem parte do acervo municipal são agora peças de museu, ainda que os conimbricenses estejam, momentamente, impedidos de os apreciarem. Com a criação do Museu da Cidade, o Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, deixou de existir para dar lugar ao Núcleo do Carro Eléctrico. O museu foi o primeiro do género na Península Ibérica, inaugurado dois anos depois de os eléctricos deixarem de circular. Foi instalado na Rua da Alegria, na antiga oficina dos eléctricos (a chamada remise), um edifício de 1909, considerado “um excelente exemplar da arquitectura industrial” O referido núcleo ficará instalado no mesmo local, mas, para já, não há ainda uma data de abertura ao público. Em curso, está a recuperação dos nove veículos. Quatro estão já prontos e o quinto aguarda o resultado de um concurso limitado para ser reabilitado. Berta Duarte, chefe da Divisão de Museologia da Câmara Municipal de Coimbra, disse ao “Campeão” que o projecto do Núcleo do Carro Eléctrico “está a andar” e que a verba para o arranjo do quinto eléctrico está garantida. Aquela responsável falou ao nosso Jornal momentos depois de ter participado na transferência, para a Rua da Alegria, do primeiro gerador eléctrico que a cidade teve e que também poderá ser visitado futuramente. Este equipamento, com cinco metros de comprimento e cerca de seis toneladas de peso, estava guardado nas antigas instalações do extinto Museu Nacional da Ciência e da Técnica, na Rua Fernandes Tomás. A principal relíquia em exposição no futuro espaço museológico será o velho carro americano, de tracção animal. A sua recuperação será dispendiosa e Berta Duarte aplaude a ideia de “aparecer um patrocinador” que ajude o município na rápida concretização da obra. Os eléctricos fazem parte do imaginário de muitos conimbricenses, como é o caso de Pedro Rodrigues dos Santos, nado e criado nesta cidade, agora a residir em Painho, freguesia do concelho do Cadaval, à qual preside. Partilhando com o “Campeão” a saudade que sente dos eléctricos, enviou-nos uma ligação para o site You Tube, que também partilhamos com os leitores: Escrito por Iolanda Chaves Sexta, 08 Janeiro 2010
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Clube de Contadores de Histórias (XIV)

Uma história de Ano Novo
Quando Danni foi à sinagoga com o pai, na véspera do Ano Novo, viu que todos estavam de pé e rezavam. Observou tudo com cuidado e escutou os cânticos a várias vozes. Depois do ofício religioso ter terminado, Danni disse ao pai: — Pai, vai para casa e deixa-me ir até à praia. Tenho de dizer algo de muito importante ao mar. É um segredo. O pai concordou de imediato, porque sabia o quanto Danni gostava do mar, e que o filho falava às ondas na sua própria língua. Tinha aprendido a fazê-lo, porque passava os dias à beira-mar, a ouvir o rebentar das ondas. Já conseguia distinguir entre o mar agitado e o mar calmo, entre o mar zangado e o mar feliz. Danni tinha aprendido a estranha linguagem que a água falava quando galgava a areia da praia, e sabia o que ela dizia. Tendo obtido autorização do pai, correu para a praia. Não havia lá ninguém, porque estavam todos em casa a preparar o Ano Novo.... Danni ficou muito quieto e os seus lábios moviam-se devagar como numa prece. — Ó mar, meu querido mar — murmurou. — Traz, por favor, muitas crianças nas tuas ondas. Trá-las de terras para além do horizonte. É tudo o que te peço. Foi só isto que Danni disse. De repente, viu uma bela senhora a seu lado. Usava um vestido da cor do azul do céu, que lhe caía até aos pés. A princípio, Danni ficou muito surpreendido. Porém, quando viu a cara radiante da senhora, deixou de ter medo. Foi ter com ela e perguntou-lhe: — Quem é a senhora e de onde vem? — Talvez não te diga quem sou — respondeu a senhora, cuja voz soava como o murmúrio das ondas suaves num dia alegre de Verão. — Vim porque ouvi a tua prece e desejo tornar o teu sonho realidade. Agora, diz-me o que vês, meu filho. Tirou o manto azul e cobriu a superfície das ondas com ele, de forma que Danni não visse a diferença entre a cor do seu manto e a cor das ondas, já que ambos pareciam ficar da cor do azul do céu. Pouco a pouco, a desconhecida cobriu totalmente as ondas. Em seguida, pegou nos quatro cantos do manto e, maravilha das maravilhas, fez aparecer um pequeno barco a remos, que se aproximava da praia. O barco balouçava no mar como se fosse uma concha, e dentro dele estavam cinco crianças. Eram magras, estavam cheias de frio e descalças, e a água salgada escorria das suas roupas. Era óbvio que tinham naufragado, ou talvez tivessem apenas soltado as amarras que prendiam o barco ao cais onde ancoravam. Tinham, sem dúvida, remado sem parar, até chegarem ali. Danni observou-as enquanto saíam do barco, a tremer de frio, pois o sol tinha-se já posto. Agarravam-se umas às outras, com medo, e choravam amargamente. Olharam para Danni, que lhes devolveu o olhar, mas não trocaram nenhuma palavra. O menino não conseguia falar, porque tinha o coração cheio de compaixão. Receava que, se falasse, desatasse a chorar. As crianças continuavam em silêncio. Estavam cansadas das suas andanças, e tinham medo de serem expulsas da praia. De repente, a voz suave da desconhecida fez-se ouvir. Doce, terna e maternal: — Venham, meus filhos, não tenham medo. Este é o Danni, um amigo vosso. Foi ele que pediu que vocês viessem até aqui. Tem muitos amigos que estão também à vossa espera. Venham conhecê-los. Devagar, as crianças aproximaram-se de Danni. Depois, uma delas sussurrou: — Olá, Danni. Passámos momentos horríveis e estamos muito cansados. Mas chegámos, finalmente. Danni respondeu: — Venham comigo, por favor. Os meus pais estão à vossa espera, numa casa cheia de amigos. Hoje é um feriado especial. Venham daí. Partiram juntos. As crianças ainda tinham dificuldade de caminhar, mas iam avançando cada vez com mais segurança. Danni pegou na mão da mais pequena de todas, que estava muito magrinha e triste. À medida que passavam pelas casas, ouviam gargalhadas e canções que lhes chegavam através das janelas abertas. Todos se preparavam para o Rosh Hashana, ou seja, o Ano Novo judaico. Quando chegaram a casa de Danni, a mãe dele abriu a porta e puderam ver as salas todas iluminadas. A mesa estava coberta com uma toalha branca, as velas estavam acesas e inúmeras iguarias cobriam a mesa. — Mãe, chegaram — anunciou Danni com simplicidade. — Óptimo — respondeu a mãe. — Finalmente! Temos estado à vossa espera desde sempre, meninos. Sentem-se e comam à vontade. Colocou as crianças em redor da mesa, e estas comeram até à saciedade. Enquanto estavam ocupados a festejar, Danni olhou lá para fora. Parecia-lhe ver a senhora vestida de azul a caminho da montanha e anjos sagrados a virem ao seu encontro, cantando Abençoado sejas, Ano Novo, abençoado sejas…Então, Danni soube que a desconhecida que atendera as suas preces era a fada do Ano Novo, que tinha vindo visitá-lo.
Levin Kipnis Gan-Gani Let us play in Israel Tel-Aviv, N. Tversky Publishing House, 1966 Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Solidão

As árvores morrem de pé! Foto de Artur da Fonte

Vale do Ceira – AQUI COLMEAL

JOSEFA MARTINHA, um nome, uma legenda da Serra! «Aquele não é um rolo, é um Rolão» – Autor desconhecido Gerar filhos, efectuar a lide da casa, amanhar a terra para produzir pão, eram, entre outros, os deveres da mulher da Serra. Josefa Martinha, com dezoito risonhas primaveras, ao casar em 1910 com José Maria Ramos, conhecido por Joaquim Ramos, não alterou a regra: trabalhar no duro, de sol a sol e gerar filhos. A ambição legítima de José Maria Ramos, que não conhecia uma letra, era possuir de seu um palmo de terra e casa modesta para o casal habitar, com os filhos que porventura viessem a gerar. Como a produção da terra, proveniente das leiras de cultivo, nem sempre era excedentária, havia que migrar periodicamente para concretizar o sonho, mantendo-se a mulher na Serra a amanhar os «coiceiros». Depois de várias idas periódicas para a capital, privações da mais variada ordem e amealhados que foram uns reis (para os quais contribuiu Josefa Martinha ao vender anualmente algum do milho que recolhia), José Maria Ramos adquiriu as «cavadas» da Selada do Riado e junto à estrada construiu aos poucos a casa, o lar do casal, então já com dois filhos. Pela sua situação, a Selada do Riado era obrigatoriamente local de passagem dos caminheiros da Serra. Assim, mais tarde, José Maria Ramos, homem rude mas de visão, montou ali, por baixo da habitação, um negócio de bebidas, sal (utilizado abundantemente para conservar a carne de suíno) e carvão. Nos seus princípios de comerciante, José Maria Ramos, filho do «Rolo» do Carvoeiro, teve um desaguisado com conterrâneos, já um tanto ébrios, aos quais virou costas para evitar uma mais acalorada discussão. Um dos presentes, conhecedor da alcunha do pai, alto e sonante, em jeito de provocação: «Aquele não é um rolo, é um Rolão!». Em tal hora foi feita a afirmação que o epíteto propagou-se por toda a Serra. O nome de Selada do Riado foi enviado às ortigas, e por «Rolão» passou a denominar-se o local desbravado por José Maria Ramos, falecido bastante jovem. Viúva aos 34 anos, mãe de 6 filhos, de ambos os sexos, cujas idades variavam entre os 18 meses e 14 anos, a «senhora Martinha do Rolão», como respeitosamente era tratada na região, não era somente comerciante, era uma mulher de «armas», mas simultaneamente de uma humanidade a toda a prova. «A senhora Martinha do Rolão» estava sempre pronta a ajudar o próximo, servir aos caminheiros da Serra um prato de sopa e conduto, emprestar agasalho no Inverno enquanto ao calor da lareira secavam as roupas encharcadas pela água da chuva, ceder uma cama para passar a noite, emprestar dinheiro sem juros, socorrer uma aflição ou fiar o que necessário, sem perguntar quando viriam a pagar. O nome da bondosa Josefa Martinha, nascida no Braçal (Pessegueiro) a 13 de Junho de 1892 e falecida em Lisboa em 26 de Abril de 1982, é uma legenda da região. Por isso, mas fundamentalmente porque os conterrâneos, sejam eles das Serras ou Vales, de freguesias situadas ou não nos concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, não são ingratos, têm vindo a público, através da imprensa, alvitrando a realização de uma homenagem póstuma a essa figura de mulher da Serra. Pelo seu humanismo e qualidade de MULHER, com letra maiúscula, apoiamos a nobre intenção de se perpetuar o nome de Josefa Martinha. Mas, por favor, não alterem o nome do local, situado na estrada da Pampilhosa da Serra, onde entroncam as vias de Colmeal e Fajão. Rolão, derivado do epíteto de que a falecida e seus descendentes sempre se orgulharam, eternamente continuará «ROLÃO» na voz do povo.
FERNANDO COSTA
in “A Comarca de Arganil”, de 1 de Junho de 1985 Do espólio de Fernando Costa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Noite no Colmeal

Foto de Arur da Fonte

Folhas Soltas de Cadafaz

. Cadafaz e Colmeal têm percorrido juntos os caminhos longínquos da sua identidade. Segundo a valiosa obra e descrição de conceituados historiadores acerca da história do concelho de Góis, verificamos que, pelo menos nas Inquirições de D. Dinis já era referido Cadafaz e Colmeal como sendo povoadas no tempo de D. Sancho (1185-1211). No Foral não Régio de Gonçalo Vasques (7º Senhor de Góis 1314), menciona-se Colmeal com quatro casais e Cadafaz com oito, aos quais se atribuíam os deveres do foro, continuando mencionadas no Foral Régio do rei D. Manuel, no Cadastro do Reino na elevação a freguesias e no reconhecimento dos Padroados já com os respectivos oragos e restantes bens das paróquias etc. Claro que com o decorrer dos séculos muita coisa mudou, no entanto parece ter havido sempre um elo de ligação entre as duas freguesias nos vários serviços quer pessoais, religiosos ou comunitários. O serviço postal, ou seja, o transporte das malas do correio foi feito durante décadas (1916) pelos condutores de malas de Cadafaz entre Góis-Cadafaz-Colmeal e vice-versa diariamente e aqui recordarei José Simões Paulo, Guilherme Simões Paula e outros, que bem merecem o nosso eterno reconhecimento pela sua dedicação, missão tão exaustiva e tão mal renumerada. A ligação de telefone, também durante alguns anos era feita do P.C.T.F. de Cadafaz para Colmeal. O mesmo se passava em relação aos serviços religiosos, sendo as duas paróquias assistidas pelo mesmo pároco, quase diariamente tal era a assiduidade no cumprimento dos serviços da Igreja. Mas um dos grandes impactos de ligação, foi sem dúvida o regionalismo com a criação das colectividades, a interligação entre os seus fundadores quer do Colmeal ou Cadafaz defendiam as mesmas aspirações e ideias, melhorar a forma de vida das suas comunidades e aldeias onde nasceram. Foi de uma forma bastante gratificante que o empenho no desenvolvimento foi conseguido por Homens de grande valor e eficácia. É certo que eles foram partindo mas os seus “Marcos” ficaram e com eles o grande significado para quem os sabe reconhecer e honrar aliás, creio que a melhor forma de reconhecimento é a continuidade do seu trabalho. Felizmente ainda alguém cumpre com esses objectivos, pelo que irei referir um artigo recentemente publicado nos Jornais de Arganil e Varzeense, pelo Sr. Dr. António Domingos Santos, presidente da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, artigo esse que insere um documento antigo e fotos referentes à sua colectividade e à então Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz, dando aos Cadafazenses o privilégio de tomarem conhecimento de um artigo certamente desconhecidos para muitos. E por tal facto, é com o devido respeito e agradecimento aos seus autores que o passarei a transcrever. Publicado “NO REGIÃO DAS BEIRAS” em 20-4-1943. Número único dedicado à Região das Beiras e Agremiações regionalistas Beirãs na Capital, Director e Editor Joaquim Dias Pereira”. Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz – Cláudio dos Santos, Presidente António Augusto Silva, Tesoureiro – José Gaspar Nunes e José Nunes Ribeiro, Secretários. “A Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz é uma das agremiações regionalistas beiroãs que melhor se tem integrado no cumprimento das suas altruístas finalidades. Cláudio dos Santos, seu presidente da direcção desde a primeira gerência, tem orientado os destinos deste organismo com muita competência e de molde a impor a sua Liga à consideração dos altos poderes do Estado. Uma das actividades mais interessantes que esta colectividade tem realizado, foi uma das excursões ao Cadafaz e na qual tomamos parte. Todos os Anos tem também realizado o seu tradicional almoço de confraternização, de notável efeito moral e para a aproximação colectiva de todos os Cadafazenes, pois é esse dia por assim dizer de grande gala para a colónia da freguesia do Cadafaz em Lisboa. Também em tempos foi editado um número especial do Jornal de Arganil a esta Liga, por iniciativa do saudoso Cadafazense António Nunes Carneiro a cuja memória aqui deixamos patente o preito da nossa sentida homenagem e a nossa inacersível saudade. De resto todos os melhoramentos, e alguns por sinal muito importantes, com os quais a Freguesia de Cadafaz tem sido beneficiada nesta última década, à sua Liga os deve, se bem que a comparticipação do Estado não tenha falhado – comparticipação essa - que não viria sem a solicitação deste organismo. Tudo quanto se diga, portanto, em louvor da Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz e dos seus dirigentes, não é demasiado nem descabido, mas sim um acto de justiça a que não podíamos faltar traçando estas linhas. Falha-nos aqui a memória para aqui mencionarmos todos os paladinos desta Liga aos quais em outro local não fazemos referência, mas entre outros é justo destacar os Srs. Armando Ribeiro e Carlos Vidal” Como se pode verificar não há dúvida do bom relacionamento que existia, não só entre as colectividades como com outras entidades. O que nos parece hoje não ser bem o caso com a actual União Recreativa de Cadafaz, onde se nota um nítido afastamento em relação aos deveres representativos inclusive reuniões, assembleias gerais, relatórios de contas, cobrança de quotas etc. É certo que vão surgindo de vez em quando títulos inovadores referentes à mesma até com obras feitas. No entanto isso não deve esquecer os deveres da cooperação comunitária e regionalista segundo os estatutos da mesma. Além disso não se verifica ou prevê ensejo ou corrente de entusiasmo de ajuda aos nossos jovens como continuadores. Lamento se irei interferir em ânimos susceptíveis, mas Cadafaz tem de relembrar que ainda há vida na sua sede de Freguesia e pessoas com direito a ser participativas e cooperativas em assuntos que a todos diz respeito, inclusivamente incentivar a comunidade Cadafazense que se encontra em Lisboa e noutros locais e não esquecerem a sua aldeia.
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A. Silva

in Jornal de Arganil, de 31 de Dezembro de 2009

Ramal da Lousã - circulação interrompida

Pouco mais de um mês depois de os comboios deixarem de circular no troço entre Serpins e Miranda do Corvo, a circulação ferroviária no ramal foi ontem interrompida, prevendo-se que assim permaneça durante dois anos, até à introdução do novo serviço tram-train. As obras incluem a substituição da actual linha larga (bitola ibérica) pela bitola europeia, sendo que, em Julho, será também interrompido o serviço entre Coimbra A e Coimbra B. Durante esse período, a circulação de utentes será, então, efectuada, por transportes rodoviários alternativos. Para já, entre Miranda do Corvo, Lousã e Coimbra são realizadas cerca de 100 viagens nos dois sentidos, num total de 25/30 autocarros, com uma frequência «de 16 autocarros em hora e meia, nas horas de ponta», adiantou Alexandra Quaresma, da Metro Mondego. À chegada de cada autocarro, funcionários da Metro Mondego monitorizaram os dados, ao longo de todo o dia. Alexandra Quaresma confirmou «algumas falhas», que serão corrigidas com a «rotina» do serviço. Por exemplo, hoje, às 7h25, sairão dois autocarros da Lousã e não apenas um, como aconteceu ontem, já que se chegou à conclusão que há uma intensa procura àquela hora da manhã. A falta de informação e o «desconhecimento» revelado por alguns utentes marcou também o primeiro dia do encerramento do ramal da Lousã, sendo que, reconhece a Metro Mondego, nem sempre os motoristas conseguiram satisfazer a necessidade de cada um. «Muitos vieram de fora e ainda estão em formação», explicou Alexandra Quaresma, acrescentando ainda que a venda de bilhetes acabou também por causar «pequenos atrasos». Ainda para este mês, está previsto o início da segunda empreitada do metro, relativa ao percurso entre Miranda do Corvo e Alto de S. João. Escrito por Patrícia Isabel Silva
in Diário de Coimbra, de 5/01/2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Presépio no Colmeal

O Largo, no Colmeal, estava diferente nesta época festiva, em que a iluminação, um pinheiro e um pequeno presépio faziam a diferença. Parabéns! Foto de Artur da Fonte

Quando o Álvaro dava notícias...

(clicar na imagem para ampliar)

Arquivo da UPFC

Natal iluminado

A pacata aldeia do Colmeal teve a particularidade de nesta época festiva se encontrar iluminada, graças à iniciativa da Junta de Freguesia. Casas fechadas, tempo chuvoso e baixas temperaturas não foram impeditivas para que o Pai Natal não viesse com o seu saco cheio de presentes. Os sinos apesar do seu silêncio iluminaram o Largo enquanto o Boneco de Neve, com o seu sorriso prazenteiro e o seu ar bonacheirão, de chapéu ao ombro, esperava que alguém por ali passasse. No pequeno presépio, colocado no pinheiro iluminado, reinava o silêncio, a paz e o amor. Fotos de Artur da Fonte

Colmeal em Dezembro

Foto de Artur da Fonte

Freguesia do Colmeal (História) XII

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PASSADO – PRESENTE Capítulo XII Annexa de São Sebastião, do Colmeal e sua obligação (1)
O mesmo Bispo de Coimbra Dom João Soares, per outra sua carta em forma, passada sob seu sinal e sello em Coimbra, ao mesmo dia, mez e anno, da carta atraz (2) peroxima; a saber dezesseis de Novembro de mil quinhentos e sessenta annos, e pellas mesmas causas e com a mesma forma atráz rellatada creou em Nova Parochia e annexa da matriz de Goés (3) a Capella e Ermida (4) de São Sebastião do Logar do Colmeal assinando-lhe por sua freguezia a saber: o dito logar do Colmeal e o logar do Carvalhal e o Souto e Aldea Velha e o Soberal e Ádella (5) e por freguezes os moradores das ditas Povoas presentes e futuras. Comfonção assignada de quatro mil reis em cada hum anno, a custa das rendas do Reitor e Beneficiados da dita Matriz, pellas quaes serão os Capellães apresentados, e outros quatro mil reis lhe darão os freguezes e quarenta alqueires de pam, e com declaração que os ditos Capellães averão mais a metade do Peé do Altar da dita annexa de São Sebastião do Colmeal, por que disso aprouve do Vigario e Beneficiados do Padroeiro e Senhor da dita Villa de Goés. E foy esta desmembração separação e creação da nova Parochia, celebrada e feita em todas as curais clausulas modo e forma rellatada no assento atraz peroximo de Santa Maria do Cadafaz que aqui se não repetem por brevidade, segundo mais comprimentos se conthem na dita carta. (1) Biblioteca da Câmara Municipal de Góis. Tombo das Villas de Goes e Selaviza, folhas 234 v.º 235 e 235 v.º Esta cópia do Tombo do Morgado de Goes e Casa de Sortelha, conforme consta no início do volume, foi feita em 1892, verificando-se facilmente não ter o copista seguido a ortografia do manuscrito original. (2) A carta anterior é referente à elevação de Cadafaz a freguesia, o que se verificou na mesma data. (3) Os habitantes da nova freguesia do Colmeal eram obrigados a ir três vezes no ano à Igreja Matriz de Góis, sob pena de pagarem um arrátel de cera por cada falta. (4) Não existiam dois templos de culto, como se poderia concluir erradamente, mas sim um único. A actual Igreja Matriz é de construção posterior. De contrário, não seriam empregues os termos «Capella» e «Ermida». (5) Apesar das povoações de Soberal e Ádella, nos aparecerem incorporadas na então criada freguesia do Colmeal, administrativamente, as mesmas estavam ligadas a Selaviza, também pertença do Senhorio de Góis. in Boletim “O Colmeal” Nº 111, Maio de 1971

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mensagem de Ano Novo

Estamos quase a voltar a última página de 2009, ano em que a União Progressiva manteve um nível de realizações idêntico ao dos anteriores - Canoagem, Caminhada, Excursão para divulgação da freguesia, Festas de Verão, Santiago de Compostela, Almoço de aniversário, Magusto e Convívio de Natal. Para si que nos acompanhou ao longo deste ano, queremos aqui deixar-lhe a nossa mensagem de esperança e de solidariedade. E de agradecimento, porque sem a sua presença nada teria sido possível. Uma palavra muito especial para as colectividades congéneres da freguesia com quem tivemos o privilégio de trabalhar e que permitiu que o DIA DA FREGUESIA DO COLMEAL fosse um grande êxito. Um trabalho conjunto que se mostra necessário continuar para bem do regionalismo e da freguesia do Colmeal. Desejamos a todos um BOM ANO de 2010! UPFC

AINDA OS TORTULHOS …

Tantos e tão diferentes, cada um simultaneamente tão singular e tão igual! Ter-se-ão reproduzido assim, “como cogumelos” que são, bafejados pelo hálito quente e húmido do Outono ameno que passou, ou terei sido eu que neles reparei pela primeira vez? Só vemos quem e o que queremos, só amamos quem o que conhecemos!
Como referia recentemente a propósito dos tortulhos de chapéu (como se a maioria o não tivesse!) [1], os cogumelos são uma espécie de fruto dos fungos, seres fantásticos e peculiares que contribuem para o equilíbrio ecológico e para muitos outros fins, funcionando com elo de ligação entre várias cadeias alimentares. Humildes e silenciosos, agem invisíveis no âmago do solo ou dos corpos que os hospedam, até ao momento em que, respondendo ao apelo combinado da reprodução e das condições ambientais, desabrocham na explosão de vida e beleza que são os cogumelos. De acordo com a bibliografia da especialidade, o reino fungi integra mais de um milhão e meio de fungos e de dez mil tipos de cogumelos, dos quais apenas uma minoria é conhecida como comestível, venenosa, medicinal, alucinogénea ou ornamental.
São de facto muitos! Tantos, que em pouco tempo consegui observar dezenas de espécies, com a colaboração de familiares e amigos, de repente transformados em micologistas empenhados. Espécies silvestres, claro, sem incluir os já domesticados “champignons” ou o “Kefyr”fazedor de iogurte! Num deslumbramento contagiante, vi cogumelos minúsculos e grandes, devido à espécie ou à influência do habitat; grandes e pequenos, porque já crescidos ou ainda em crescimento; pujantes de vida e beleza ou já a definhar; coloridos e pardacentos, e de cor perene ou evolutiva.
Quanto ao pé, cogumelos com o pé curto e comprido; torto e direito; de espessura uniforme e irregular; oco e compacto; com e sem calcinha ou volva; centrado ou descentrado em relação ao chapéu … Chapéu cuja multiplicidade de formas varia com a espécie e com a idade, e cuja parte inferior chamada himénio, onde se formam os esporos, apresenta uma textura laminada, esponjosa ou felpuda, conforme a constituição por lâminas, tubos ou filamentos.
Em resumo, cogumelos com as características físicas que os distinguem uns dos outros.
Mas também com características psicológicas. Sempre a quererem imitar as pessoas, os cogumelos podem ser discretos e tímidos ou assertivos e ostensivamente provocantes, como é o caso dos vermelhos pintalgados de branco amanitas mata-moscas, vestidos com aquelas calcinhas vaporosas e “sexy”! Tal como podem ser amistosos ou venenosos, embora eu não tenha encontrado ou sabido identificar o fatidicamente célebre amanita falóide, tão gostoso, tão gostoso que só se degusta uma vez, a não ser que cedo se intervenha sobre o desgosto que causa! Vi foi muitos do igualmente nocivo lepiota castanha, que é um perigoso sósia do comestível tortulho de chapéu. Para além desta mania das imitações, os cogumelos podem ter outros comportamentos estranhos! Por exemplo, enquanto os compassivos mata-moscas só as atordoam, dizem, os descarados dos falos impúdicos atraem – nas, com o cheiro fétido que exalam, para que elas lhes propaguem os esporos reprodutores, levando-os nas patas. De resto, como os outros de que falava há tempos, também estes são cogumelos que nascem vencedores de obstáculos, carregando terra e outros empecilhos à cabeça! Ah, e andam aos pares, com excepção para os mais sociáveis e amantes de multidões, que vivem em tufos e ninhadas!
Uma perdição! Para os que com eles se perdem, e perdem ganhando horas e dias de contentamento e encantamento. Sem feitiços e poções mágicas, mas com rituais como acariciar-lhes o chapéu para o limpar ou tornar mais visível, usar o palmo para o medir, tombar a cabeça junto ao chão para ver o himénio, ignorar o olhar desconfiado dos que passam … E sofrer a decepção de não o voltar a ver, ou de encontrar o cogumelo que acenava sorridente da berma da estrada esmagado por pé intolerante da diferença e da diversidade.
Desaparecer, vítima da graciosidade ou das propriedades que lhe são atribuídas, foi o que aconteceu ao amanita que protege o parceiro debaixo do chapéu; ser esmagado, o destino do cogumelo que parece uma flor. Também é frequente encontrá-los gratuitamente arrancados, com a consequente danificação do fungo. Embora tenha contado com o apoio do Guia dos Cogumelos (Dinalivro), que alguém muito amigo e solidário me enviou, não consegui identificar todas as espécies que encontrei. Por essa razão, e porque a confusão pode ser fatal, não ouso nomear a maioria dos cogumelos cujas fotografias partilho. Apesar disso, e de serem uma pequena amostra da enorme beleza do universo para que remetem, espero que contribuam para suscitar muitas seduções e adesões à causa dos fungos e outras. Para que o ambiente permaneça acolhedor para os nossos filhos e netos.
[1] Lisete de Matos, Um Abraço de Tortulhos. In: O Jornal de Arganil, de 19 de Nov. 2009; http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com, de 19 Nov. 2009; Boletim, Nº 11, Dez. de 2009, Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga; www.bib-arganil.org.
Lisete de Matos Açor (Colmeal), 26 de Dezembro de 2009