quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Região das Beiras

(clicar nas imagens pra ampliar)
Região das Beiras, “Número único dedicado às Beiras e às agremiações regionalistas beirôas na capital”, publicado em Lisboa em 20 de Abril de 1943, chegou recentemente às nossas mãos, graças à simpatia e gentileza de João Lourenço, nosso associado e Presidente da Assembleia-Geral da Comissão de Melhoramentos de Ádela. Esta publicação regionalista foi dirigida e editada por Joaquim Dias Pereira que no seu Editorial escreve: “intensifica-se dia a dia esse movimento propulsor e verdadeiramente salutar a que, com propriedade, se convencionou denominar regionalismo.” Mais adiante, Joaquim Dias Pereira diz que “para defender a nobre causa regionalista em prol do bem comum, só se exige que sejamos portugueses, bons regionalistas e amantes do torrão natal” e que é “a recordação do passado, desses campos onde passámos os primeiros anos da nossa existência, que nos obriga a lutar pelo progresso da nossa região sem ambicionarmos outra recompensa que não seja a consciência do dever cumprido, trabalhando pelo interesse da comunidade com espírito de abnegação.” Muitas são as associações e figuras do regionalismo que encontramos nas páginas desta publicação. Beirões ilustres, o regionalismo e a imprensa ou a actividade dos beirões na capital, são alguns dos “capítulos” deste número. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal também tem direito a uma referência muito especial incluindo catorze fotografias de “Os fundadores e paladinos da Freguezia do Colmeal” e que pelo seu interesse a seguir transcrevemos: “Fundada, guiada e mantida por modestos trabalhadores, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal tem sabido marcar brilhantemente a sua posição regionalista e muito lhe deve já a freguesia que representa. Temos acompanhado esta organização desde o seu início e estamos familiarizados com os seus dirigentes, sentindo-nos bem entre eles. De quanto é capaz o ingente esforço destes homens, está bem patente aos olhos de toda a gente na estrada em construção entre o Rolão e Colmeal; o importante melhoramento que constitui o chafariz do Colmeal é outro título de glória para a União Progressiva dos colmealenses, principalmente para os dirigentes. A obra já realizada por esta instituição é bem um milagre da prodigiosa força de vontade de um punhado de bairristas, os quais, não possuindo mercês honoríficas ou qualquer condecoração podem bem considerar-se uns beneméritos tal é o esforço que abnegadamente tem dispendido pelo bem comum da sua freguesia. A ideia da fundação deste organismo germinou um dia no cérebro do Sr. Abel Joaquim de Oliveira, inspirado no exemplo de outras actividades de agremiações regionalistas que os jornais de Arganil publicavam semanalmente. Interessou-lhes aquela doutrina e, para conhecer bem o assunto prontificou-se a fazer parte da direcção do Grémio da Comarca de Arganil. Depois apresentou as suas sugestões ao seu conterrâneo Senhor José Antunes André, humilde como ele e também possuído de boas qualidades. Os dois acordaram em começar a trabalhar, pedindo aos seus conterrâneos que os acompanhassem – e assim se formou esta prestimosa agremiação. Mais tarde tiveram a adesão dum elemento de valor, o Senhor Manuel da Costa, que assumiu a presidência da direcção e fez entrar em nova fase de progresso com notável evolução; tendo até realizado uma excursão ao Colmeal, acompanhada dos representantes dos jornais de Arganil, cujas reportagens foram de notável sucesso para a colectividade e muito a prestigiaram e acreditaram perante as entidades superiores. Muito tem também contribuído para o triunfo da União Progressiva e para o bom êxito dos empreendimentos por ela patrocinados, o Senhor Acácio Mendes da Veiga, colmealense prestimoso e verdadeira alma bairrista e amigo dos seus conterrâneos. Agora acabam os dirigentes desta colectividade de criar uma Secção de Beneficência, cuja comissão directiva é presidida pelo Sr. Manuel da Costa, muito havendo a esperar do seu espírito de iniciativa e da sua bela alma, que sinceramente admiramos e a quem muito queremos como amigo pessoal e como homem de carácter bem formado. A «Região das Beiras» ao dirigir os seus louvores a estes homens modestos mas valorosos procede à margem de toda a lisonja e apenas no louvável intuito de que as nossas palavras lhes sirvam de incentivo para prosseguirem na sua obra em benefício da freguesia que a União Progressiva representa, a bem da sagrada causa do progresso.” Nota: As legendas dos dois últimos grupos de fotografias estão trocadas. Fernando Costa sob o pseudónimo de Daniel, no extinto Boletim “O Colmeal”, Nº 179, de Dezembro de 1981, na sua coluna “Figuras e Factos”, refere-se a uma viagem que Joaquim Dias Pereira e Luís Ferreira fizeram ao Colmeal em 22 de Junho de 1935. O primeiro, autor do romance «Serrano Heróico», editor da «região das Beiras» e redactor do «Jornal de Arganil»; o segundo, redactor de «O Século» e de «A Comarca de Arganil». A. Domingos Santos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EspaçoArte tem nova oferta

O EspaçoArte vai ser enriquecido com um novo quadro, oferecido por Margarida Adelaide Granjo dos Reis, mais conhecida por "Guilay". Filha e neta de grandes regionalistas (Horácio Nunes dos Reis e António Nunes dos Reis), Guilay passou também pela "escola do regionalismo", a Comissão de Juventude da União, ao tempo caso único no meio. Guilay teve a gentileza de nos oferecer este quadro pintado por si e que já mostrámos aquando do piquenique em Agosto, no Parque de Merendas das Seladas. Estamos convencidos que estará junto de nós quando o colocarmos no EspaçoArte, no Centro Paroquial Padre Anselmo. Obrigado Guilay!
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UPFC

Freguesia do Colmeal (História) V

PASSADO – PRESENTE
Capítulo V
a) Origem da povoação ao Canto b) Valados da Cova ao Curtinhal c) Indústria de Cerâmica e Olaria Tudo nos indica que a povoação se iniciou ao Canto, não só por meras suposições, mas sim por fortes razões naturais que passamos a explicar: o foco principal desta afirmação é a sua relativa planície e muito em especial a posição cardeal em que se encontra, ficando voltado para nascente, recebendo assim a luz solar durante todo o dia de que beneficiavam, como é lógico, as habitações ali construídas que consequentemente usufruíam uma maior e mais duradoira iluminação natural em relação a qualquer outro local. Mas, e para além de todas estas suposições de origem natural, outras de ordem toponímica nos levam a aceitar como tendo sido ao Canto a origem do nosso Colmeal. Como tal temos a própria palavra Canto que significa: superfície, lugar afastado, sítio esconso. Esconso: inclinado, oblíquo, pendido. Superfície: que traduz a parte superior dos corpos (isto em sentido figurado). Ora em contraste com todos os terrenos que circundam o local, temos de concordar e é «uma superfície ligeiramente inclinada ou pendida e superior em relação e nível ao restante». A povoação abastecia-se de água de nascente da ravina da Fontinha (1) e a qual ia para o Canto através do que restava da levada construída séculos antes pelos romanos. Tomando em consideração que são parcialmente artificiais os valados contínuos em forma de semi-círculo (2), desde a Cova, Estreitinho ao Curtinhal, onde existe veia de barro, temos de visionar que o local teria sido um «plano», embora sem algum fundamento que certifique integralmente as ideias. Estes valados iniciados por nossos avoengos, para extracção de barro, chegaram ao presente como autênticas trincheiras, motivado pela erosão e mutação constante da natureza, porque com tão reduzido número de habitantes (3) era impossível a sua abertura ter sido totalmente efectuada pelo braço do homem. As regulares quantidades camadas de tijolos que surgiam quando de escavações efectuadas outrora levam a crer (4) ter existido indústria de olaria e cerâmica, a qual acabou por se perder, não chegando a nossos dias fragmentos dessa laboração nem a sua transmissão de ascendentes para descendentes. (1) Era uma ravina, visto o largo e terrenos de cultivo sobrepostos ao fontanário serem aterros artificiais. (2) Analisado da «Poesia», o Bairro da Eira, dá o aspecto de formar uma «ilhota», motivado pelo declive em direcção ao rio e da «ferradura» que formam os valados. (3) Em 1527, existiam somente 24 habitantes. (4) Esses tijolos que dizem apareciam outrora com frequência e em quantidades regulares não provam ter existido indústria de cerâmica. A base número um seria encontrar-se um forno de épocas remotas. Essa abundância de tijolos teria sido derivada de destruição de restos desses fornos? in Boletim “O Colmeal” Nº 106, Julho de 1970

sábado, 12 de setembro de 2009

A UNIÃO VAI VISITAR O PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA

. A União Progressiva da Freguesia do Colmeal no dia em que comemora os seus 78 anos de existência vai visitar o Palácio Nacional de Mafra (antigo Real Convento de Mafra), considerado o mais importante monumento do barroco português.
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O Palácio foi mandado construir por D. João V (1689-1750), em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D. Maria Ana de Áustria, ou a cura para uma grave enfermidade de que padecia. O conjunto arquitectónico desenvolve-se simetricamente a partir de um eixo central, a Basílica, ponto culminante de uma longa fachada ladeada por dois torreões.
Construído em pedra lioz da região de Pêro Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa uma área de 37 790 m2, compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pisos e saguões. Aqui trabalharam operários vindos de todo o reino, chegando a atingir cerca de 50 000 num mesmo ano. Tal magnificência só foi possível devido ao ouro proveniente do Brasil, que permitiu ao monarca pôr em prática uma política mecenática e de reforço da autoridade régia. A direcção da Real Obra foi entregue a João Frederico Ludovice, ourives alemão, mas com formação de arquitecto em Itália. O modelo adoptado inspira-se na Roma Papal, um barroco influenciado por Bernini, sem esquecer algumas influências germânicas.
A 17 de Novembro de 1717 lançou D. João V a primeira pedra, abençoada pelo Patriarca de Lisboa Ocidental perante toda a Corte. Pensado inicialmente para treze frades, o projecto sofrerá entretanto sucessivas alterações para comunidades de 40, 80 e, finalmente, 300 religiosos. No domingo 22 de Outubro de 1730, data do 41º aniversário do Rei, realizou-se a Sagração Solene da Basílica, dedicada a Nossa Senhora e Santo António, que durou oito dias no meio de um fausto e magnificência nunca vistos.
Para o Real Convento de Mafra encomendou o monarca obras de escultura e pintura de grandes mestres italianos e portugueses, bem como, em França e Itália, todos os paramentos e alfaias religiosas. Na Flandres encomendou ainda dois carrilhões com 92 sinos, que constituem o maior conjunto do mundo. Este monumento possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas com cerca de 40 000 obras, verdadeira síntese do saber enciclopédico do século XVIII. Muitos destes volumes foram encadernados nas oficinas que funcionavam junto à Casa da Livraria, projectada por Manuel Caetano de Sousa em estilo rocaille, por encomenda dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
Visitado apenas por curtos períodos pela Família Real, este Palácio foi, no entanto, habitado durante todo o ano de 1807 por D. João VI (1767-1826), antes da partida da Corte para o Brasil em consequência das Invasões Francesas. Com este monarca teve início um programa decorativo de que são exemplo as pinturas murais de algumas salas, como a Sala do Trono, da Guarda e de Diana. Também neste período, foram encomendados seis novos órgãos para a Basílica. Regressada a Portugal, a Corte retomou o hábito das visitas a Mafra para celebrar algumas festas religiosas ou passar parte do Verão caçando na Tapada. Foi deste Palácio que o último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio, a 5 de Outubro de 1910, depois de proclamada a República.
Para os altares da Real Basílica, para as diversas capelas e áreas conventuais, como a portaria e o refeitório, D. João V encomendou uma colecção de pintura religiosa que se conta entre as mais significativas do século XVIII. A colecção de escultura compreende toda a estatutária da Basílica, encomenda joanina a grandes mestres italianos, constituindo a mais significativa colecção de escultura barroca existente em Portugal, a qual inclui ainda os seus modelos em terracota, bem como a produção da Escola de Escultura de Mafra, aqui criada no reinado de D. José I (1714-1777). A colecção de paramentos é também de encomenda real em Itália (Génova e Milão) e em França. São obras de grande qualidade de execução, distinguindo-se das suas contemporâneas por serem bordadas com a técnica do ouro, mas utilizando apenas o fio de seda desta cor.
O Jardim do Cerco que também merecerá a nossa visita, foi construído e traçado entre o Palácio e a Tapada de Mafra, a maior zona natural murada a nível nacional. Este jardim tem o potencial único de articular os valores arquitectónicos e ecológico e juntar as duas peças da mais forte afirmação cultural da época barroca em Portugal. Como jardim barroco, destacam-se os jogos de água com cascatas e lagos, bem como os caminhos largos propícios à conversa e à contemplação.
Depois desta visita seguiremos para a Quinta da Feteira, em Fazendas de Almeirim, onde será servido o almoço e mais tarde o lanche. Como já foi anunciado haverá música para dançar e bar aberto toda a tarde. Informação retirada do Guia do Palácio Nacional de Mafra
Fotos de António D. Santos

Tempos de Crise

Lisete de Matos
Açor

Freguesia do Colmeal (História) IV

PASSADO – PRESENTE Capítulo IV NO LIMIAR DA HISTÓRIA
Colmeal (1) foi povoado por D. Sancho I (2), no século XII, por volta do ano 1190 (3), ou seja passado um lustro após ter sido aclamado rei (4); todavia, as suas iniciais formação e denominação – CULMUM (5), se perdem entre a bruma dos séculos. Seus fundadores e primitivos habitantes foram os Romanos que vieram até aqui, mediante as suas aventuras migratórias e conquistadoras. Esta terra era-lhes devera agradável, pois aqui encontraram meios propícios à sua subsistência, tais como: abundância demasiada de caça nas densas florestas; frescas nascentes de água, onde a notabilidade se evidenciava; abundância de peixe existente no rio; existência de terras próprias para serem cultivadas, após se efectuar previamente o seu desbravamento e ainda importantes atractivos, como o ouro e a prata que neste local abundava. Contudo o único vestígio de existência Romana e da inserção da sua civilização, que chegou até esta época, é apenas a levada (6) talhada na rocha, a qual entra na freguesia pelo nascente, no sítio denominado Ribeira de Ádela, e a qual seguia sensivelmente o traçado actual da estrada, desde o Porto Ribeiro, Longo das Vinhas, Largo da Fonte, entrando no Porral em direcção ao Canto, onde a existência das primeiras habitações nos parece certa, mediante todas estas indicações. O Romano era um povo belicoso, combativo, e também era um verdadeiro povo de agricultores, onde se destaca o caso de o grande proprietário pegar na charrua e lavrar ao lado do pequeno agricultor. A levada foi concebida como conduta de água, com a finalidade de ao longo de todo o seu percurso (7) se proceder à separação de minérios e simultaneamente se regar os terrenos de cultivo, obtendo-se assim colheitas mais abundantes. Nas intermitências onde não havia rocha, era aplicada e adaptada, uma espécie de cal hidráulica, igual àquela utilizada na construção de condutas italianas, construídas no século I, antes da nossa era, e as quais ainda estão em funcionamento. A mina de Alfândega, que lendariamente se diz atravessar toda a Cova na sua extensão e que passa a algumas dezenas de metros abaixo do Centro Paroquial (8), foi perfurada com o fim de explorar o ouro, assim como a de Ádela (9), que também segundo a lenda, parece atravessar a serra em direcção a Celeviza. (1) Antigo Colmial (2) Torre do Tombo. Vol. III – Inq. da Beira e Além Douro, folhas 10, lê-se o seguinte: «E dizem que o cadafaz e o caraulhar do ssapo e o colueal e a folgosa e a Cerdeira e a abegoaria foram pobradas em tempo del Rey dom ssancho e del Rey com afõsso prestumeiros e dellas em tempo rey herdamentos que comprarom filhos dalgo de gooes domes dessa villa.» (3) Vol II – História de Portugal – Prof. Damião Peres, folhas 119, consta: «Nos primeiros anos de governo próprio, Sancho não descura a povoação doutras regiões, como a Beira Alta e…» (4) Reinou de 1185 a 1210 (5) Ver Capítulo I – Toponímica. (6) Atribuída sem razão aos mouros e cuja lenda nos diz que semelhante construção foi originada por um rei ter uma filha lindíssima e dois pretendentes, não sabendo a qual conceder, prometeu sua filha ao que primeiro viesse a construir um castelo ou que a água corrente do Ceira viesse a conseguir levar ao local do acampamento. (7) Dizem ter tido início no local denominado Ponte de Cartamil e terminar em Bobadela. (8) Também aqui a lenda diz que a largos metros de profundidade a mina é interrompida, surgindo um grande poço e na sua frente uma estátua de guerreiro, «proibindo a passagem de intrusos». (9) No local foram em tempos, encontradas várias mós e peças de olaria, mas como nunca foram analisadas por pessoa competente, acabaram por se perder, desconhecendo-se o seu valor arqueológico. in Boletim “O Colmeal” Nº 105, Julho de 1970

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Coisas de antigamente

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Cirurgião do Açor
Antigamente, pouco depois das invasões francesas, viveu no Açor um moço pastor de gado que veio a ser homem grande na cirurgia portuguesa. Chamava-se António de Almeida Freire, e o seu busto de homem de ciência esteve, durante muito tempo, exposto na Escola de Medicina Legal de Lisboa. O encaminhamento da sua vida ficou a dever-se a gado e a lobos, a um descuido de rapaz e à severidade dos pais de outros tempos. O Albano e o “ti” Raul do Açor é que contam como foi. O António era pastor de gado, mas um dia esqueceu-se de trancar o curral aos animais. Os lobos deram sobre as cabras, escapando apenas as quatro ou cinco que conseguiram encarrapitar-se no Penedo dos Corvos, onde as feras as deixaram em paz. O pai do António é que não deixou o rapaz em sossego e preparava-se para lhe dar o castigo competente (diz o “ti” Raul que, nesse tempo, os pais não eram como os de agora!), encontrando o moço salvação nos bons tamancos brochados. A pé, fugiu para Lisboa, onde se empregou em serviços de limpeza nos hospitais civis. Tinha então quinze anos. A pouco e pouco, aproveitando o tempo em estudo e observação, acabou por ser mestre em cirurgia, creditando-se nesse mister em alto grau. Veio a casar no Caratão da Teixeira, freguesia em que seu filho, também de nome António e pai do Sr. Padre Eduardo, foi barbeiro durante alguns anos. Um irmão seu, que veio a casar no Soito, foi o avô do general Almeida Freire, e foi também barbeiro seu irmão José Antunes de Almeida, o qual, por sua vez, ensinou o filho, António de Almeida Freire, de Colmeal, de que muita gente na freguesia e nos arredores tem ainda boa e grata recordação. O ofício de barbeiro era, na altura, como talvez a gente mais nova desconhece, um pouco mais complicado do que o dos barbeiros de hoje. Além de tratar das barbas aos varões, o barbeiro era o entendido na medicina e na cirurgia, a quem os doentes recorriam para combaterem seus achaques. Muitos deles, como o Sr. Almeida, do Colmeal, não se limitavam a serem peritos de medicina caseira; a intuição e a prática conferiam-lhes uma autoridade que não raramente era reconhecida pelos médicos e uma competência que levava os encartados a pedirem-lhes conselho e colaboração. In Boletim “O Colmeal” Nº 133 – Jan. – Março de 1976 Arquivo da UPFC Lisete de Matos, dirigente da Associação Amigos do Açor, reeditou em Maio de 2008, por ocasião da realização da caminhada “Trilhos da Ribeira de Ádela – Caminhos da Escola”, uma pequena brochura em que homenageia António d’Almeida Freire, para além de Fernando Costa. Na sua pesquisa sobre Almeida Freire, Lisete de Matos escreve “Com sacrifícios e privações, algumas frustrações e esperanças, fez em 31 de Maio de 1842, segundo «Despacho do Conselho de Saúde Publica do Reyno», os «exames dos 1º, 2º, 3º e 4º anos», dos diferentes «curços da Escola Médica Cyrurgica de Lisboa», sendo com louvor aprovado por unanimidade. A. Domingos Santos

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Feijoada
- 1 Chouriço de carne - 500 gr. de carne de porco - 500 gr. de feijão - 1 Orelha de porco - 2 Cebolas - 3 dl. de Azeite - 1 Folha de louro - 1 Ramo de Salsa
- 800 gr. de grelos de couve Coloque um tacho ao lume, com a água temperada com sal e coza o feijão, o chouriço, a carne e a orelha de porco.
. À parte pique as cebolas e coloque-as num tacho, juntamente com o azeite, o louro e a salsa e deixe refogar. Escorra o feijão e acrescente ao refogado.
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Corte o chouriço, a carne e a orelha de porco em bocados pequenos e disponha numa travessa. .
À parte corte os grelos e passe-os por água até ficarem bem lavados. Coloque um tacho ao lume com água temperada com sal, e quando esta estiver a ferver, acrescente os grelos.
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Depois de cozidos, escorra os grelos e coloque-os num recipiente à parte. .
Acompanhe o chouriço, a carne e a orelha de porco, com o feijão e os grelos. .
A receita apresentada, (feijoada) foi disponibilizada por Silvina Nunes, residente no Colmeal
Peixes do rio com migas de broa
- 12 Peixes do rio . - 500 gr. de castanhas piladas . - ½ Broa . - 2 Cebolas .
- 3dl. de azeite Amanhe os peixes do rio e tempere-os com sal. Coloque uma frigideira ao lume, com um pouco de azeite e frite os peixes do rio.
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Coloque um tacho ao lume com água temperada com sal e coza as castanhas piladas. Retire as castanhas e coloque-as num recipiente.
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Aproveite a água da cozedura das castanhas e migue a broa para o interior do tacho.
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À parte, pique as cebolas e coloque-as num tacho, juntamente com o azeite e deixe refogar. .
Posteriormente, acrescente aos poucos, o caldo das castanhas com a broa e deixe ferver. Escorra e coloque numa travessa.
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Sirva os peixes do rio, com as castanhas piladas e as migas de broa. . A receita apresentada (peixes do rio com migas de broa) foi disponibilizada por José Henriques, residente no Soito

Canoagem no Ceira

Todos os tempos livres são óptimos para "fazer o gosto ao dedo" e estes entusiastas pela canoagem não os desperdiçam. Com nevoeiro, chuva ou sol, eles aí estão. São grandes apreciadores e excelentes divulgadores das nossas paisagens e da nossa região.
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Fotos de Pedro Marquês