segunda-feira, 25 de maio de 2009

União nos Açores… foi há um ano

“É caso único no mundo: no mais improvável dos terrenos, a força humana venceu a natureza. Da lava petrificada, brotam pés de vinha, criando uma paisagem com tanto de belo como de rude.” Assim se refere à ilha do Pico a National Geographic, num suplemento especial que acompanha o seu último número da revista, na edição portuguesa (Maio de 2009). “No grupo central açoriano, a ilha do Pico é um caso à parte. É agreste, bruta e crua, quiçá pelo vulcão que a formou e que, de quando em vez, dá sinal de vida, talvez pela ruralidade estampada na sua face, provavelmente pelo solo empedernido com ares de paisagem lunar, seguramente pelos escassos habitantes que a adoptaram. E também é tenaz, como se vê pela têmpera dos antigos baleeiros e pelos guardadores de vacas que calcorreiam montes e vales abruptos. Como é no meio que está a virtude, consegue ser simultaneamente doce e simples, como fica patente no acolhimento caloroso dos picarotos (naturais da ilha do Pico) e na textura suave do seu vinho verdelho. Apesar de a maior demanda de turistas contemplar a componente de natureza, distribuindo-se entre caminhadas, mergulho, observação de cetáceos ou ascensão à mais elevada montanha de Portugal, o Pico poderá ter criado uma nova rota de interessados, a partir do momento em que entrou para a lista da UNESCO como Património da Humanidade. É uma ideia remota, uma tradição antiga, mas também é uma história bonita e que mostra bem a perseverança e a tenacidade dos picarotos. A ilha do Pico foi uma das últimas a ser povoada. Compreensivelmente. Os relatos apontavam para uma terra negra e cruel, liderada por uma montanha íngreme, assustadora e capaz de despejar a sua ira sobre quem se atrevesse a afrontá-la. Mas houve quem se atrevesse. Sem surpresa, a empreitada coube a alguns desafortunados provenientes da vizinha ilha do Faial e alguns frades. Vinham em busca de terras, algo a que chamassem seu e que pudesse garantir sustento. As condições com que se depararam eram adversas: não existem rios nem ribeiros e a terra mostra-se estéril, imprópria para cultivo – rocha, isso sim, há em abundância. … A encosta da montanha do Pico está revestida por escoamentos de lava que se agarrou ao solo firmemente, formando tapetes de rocha bruta. À força de braços e com auxílio de rudimentares instrumentos, perfurou-se a rocha. Nessas efémeras fendas, introduziu-se terra e, com ela, um pé de vinha. A missão de florescimento, só por si, já era difícil, mas havia que contar ainda com o cenário envolvente: a proximidade e a força do vento noroeste, que facilmente arrancariam qualquer frágil pé de vinha. Então, com os blocos de lava por ali juncados à solta, construíram-se muros – os currais – de protecção e que serviam como divisórias das parcelas de terreno.”… Faz precisamente hoje um ano, 25 de Maio, que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal regressou dos Açores depois de uma semana memorável em que os excursionistas visitaram quatro das suas ilhas. Ao termos acesso a este suplemento da National Geographic dedicado aos Açores, achámos por bem trazer aqui um pouco do que nele se escreve sobre estas ilhas e em particular à do Pico, que tanto nos tocou quando a visitámos. A National Geographic Society foi fundada em 1888 e é a maior organização científica e educativa sem fins lucrativos do mundo. Mensalmente, chega a mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo através das suas revistas, do canal de televisão, documentários, programas de rádio, filmes, músicas, vídeos, DVD, mapas e meios interactivos. Aqui expressamos o nosso agradecimento à National Geographic por este suplemento e pela ajuda que nos deu para esta recordatória da viagem e também de homenagem ao povo açoriano e, muito em especial, aos picarotos. A. Domingos Santos
Fotos National Geographic, Suplemento Maio 2009

Perdiz na estrada

Naquela manhã enevoada de Setembro de 2004 os chuviscos não são impeditivos para que esta perdiz se passeie pelo asfalto, algures na estrada Rolão-Colmeal. Encontros destes vão rareando nas nossas serras e é pena. Foto cedida por A. Domingos Santos

O «SERRA DO CEIRA» em reactivação

Ciclicamente, todas as instituições atravessam as suas crises. O Rancho Folclórico «Serra do Ceira» não fugiu a esse costume. No entanto, depois de um período menos auspicioso, em que os normais derrotistas lhe auguravam um «lindo funeral», o nosso mais representativo agrupamento folclórico reapareceu ao público no ano anterior, actuando no Colmeal, quando da visita de autarcas alemães ao concelho de Góis. Apesar dessa reaparição e do agrupamento ter actuado em 8 de Dezembro de 1986, em Ribeira Cimeira, o «Serra do Ceira» desapareceu praticamente das páginas da Imprensa Regional. Culpa dos responsáveis que não transmitem a actividade do agrupamento, ou dos órgãos de comunicação social que se acomodam no habitual rame rame, aguardam chegada de possível notícia enviada por qualquer carola, não as buscando no local dos acontecimentos? Na anterior edição de O Varzeense, a alusão à Assembleia-Geral e à eleição de novos corpos gerentes despertou a atenção e sabendo estar o agrupamento em fase de reactivação, ensaiando na vila de Góis, na Sede dos Bombeiros Voluntários, fomos assistir ao ensaio, recolher alguns apontamentos do que fomos ouvindo a dirigentes ou membros do rancho. Pelo ambiente de camaradagem e entusiasmo, as perspectivas futuras parecem animadoras: a Câmara, de quem aguardam apoio económico, tem, para já e preciosamente, procedido ao transporte dos membros do agrupamento que, ao momento, são na ordem da meia centena (anteriormente eram uns 35). Nas circunstâncias, pelo aumento de material humano, são necessários – disseram – doze novos fardamentos, cujo custo é elevadíssimo. Quem ajuda o «Serra do Ceira», neste momento de expansão? A todos os goienses aqui fica o apelo. Também, em face de disposição da Federação de Folclore, soubemos que, no passado mês de Dezembro, elementos do «Serra do Ceira» contactaram conterrâneo no sentido de desenhar motivo que esteja de harmonia com as passadas tradições sociais, económicas e culturais dos povos da Serra e Vale do Ceira, em substituição dos «bonecos» bordados no estandarte. Foram-nos facultados os três esboços propostos e indicado o escolhido, que inclusivamente, irá já servir de base ao símbolo do «7º FESTIVAL DE FOLCLORE BEIRÃO», a realizar em 23 de Agosto, em Góis. Contactado o autor e não vendo este qualquer inconveniente na divulgação do desenho, ainda em acabamento, O Varzeense publica gravura. As cores que vão predominar – diz o autor – são o azul céu, amarelo e verde, além de branco. In “O Varzeense”, Março de 1987 Do espólio de Fernando Costa

quinta-feira, 21 de maio de 2009

VAMOS VOLTAR AO COLMEAL

No próximo dia 21 de Junho a União vai voltar a mostrar e a divulgar o Colmeal e a nossa freguesia. Sócios e amigos da colectividade fizeram chegar até nós muitas solicitações no sentido de organizarmos novamente um passeio até ao Colmeal. Vamos procurar mostrar o que de mais espectacular a natureza deu ao concelho de Góis e à freguesia. As serranias polvilhadas de aldeias dispersas, o rio Ceira e muito especialmente as pessoas, simples, afáveis, generosas e simpáticas para quem as visita. Haverá uma excursão (preço único de 26 euros c/ almoço incluído) que sairá de Lisboa pelas 8 horas do local habitual (Sete Rios – frente ao Jardim Zoológico). Seguiremos pela A1, Condeixa, Miranda do Corvo, Lousã, Góis e Colmeal. O regresso será feito cerca das 18 horas. Pelas 13 horas, o almoço será servido no aprazível Parque de Merendas das Seladas. Se estiver no Colmeal e quiser associar-se ao nosso almoço, serão apenas 10 euros. Estamos certos que vão ser momentos bastante agradáveis onde nos iremos divertir e conviver com familiares e amigos. As sobremesas sempre muito apreciadas serão mais uma vez, uma gentileza das senhoras do Colmeal. Haverá surpresas e música para dançar. Os nossos produtores e artesãos estarão presentes com os seus produtos genuínos para que os possamos apreciar e adquirir. Uma oportunidade a não desperdiçar. Solicitamos o favor de efectuarem a vossa reserva, se possível até dia 10 de Junho, para os seguintes contactos: Colmeal – José Álvaro / “Bela” – 235 761 490 Lisboa – António Santos – 21 7153174 / 96 2372866 – Maria Lucília – 21 8122331 / 91 4815132 Venha connosco passar um dia diferente. Mas venha mesmo… porque estamos à sua espera. E ajude-nos a divulgar o Colmeal, a freguesia e o nosso concelho. .
UPFC

Rosas belas

À falta de melhor, envio o molho de rosas que ontem colhi a pensar em todos.
Sem serem pão transformado - que eu não possuo os dons da Rainha Santa Isabel! - saciam e comovem de tão belas que são! Apesar dos espinhos com que tentam defender-se e de as fotografias pouco fazerem justiça a essa beleza!
Lisete de Matos

Clube de Contadores de Histórias (III)

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A história da criança e do desenho
Certa vez, uma criança fez um desenho. Demorou muito tempo a terminá-lo e usou todos os lápis de cor que tinha. Depois foi ter com a avó e mostrou-lho. — O que é isto? — perguntou à avó. — É um desenho muito bonito e cheio de cor — respondeu a avó. — Mas o que é? — insistiu. A avó não soube responder. A criança foi perguntar ao avô. — Isto é quase um Picasso — respondeu o avô a rir. — E o que é “quase um Picasso”? — perguntou a criança. — Um pintor — foi a resposta do avô. — Eu também sou um pintor — disse a criança. De seguida foi ter com a irmã mais velha. — Usaste mesmo as cores todas! — disse ela. — Pois foi. Mas o que é isto? — Uma gatafunhada colorida! A criança tirou-lhe o desenho e foi ter com o pai que estava à mesa a ler o jornal. A criança pôs o desenho em cima do jornal e não disse nada. — Oh! — disse o pai. — Mas isto é um arco-íris todo colorido muito bonito! Vai de uma ponta à outra. Vai de mim até ti. — Exactamente — disse a criança. Em seguida, a criança e o pai penduraram o desenho precisamente no local onde a luz do sol se reflectia na parede.
Rolf Krenzer Freue Dich auf jeden Tag Würzburg, Echter Verlag, 1996 Traduzido e adaptado
O Clube de Contadores de Histórias Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

Recantos

Recantos e encantos do nosso rio... Foto cedida por A. Domingos Santos

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pelos trilhos do vento e da solidão

No passado sábado, 16 de Maio, manhã cedo começaram as incertezas quanto ao tempo. Chove? Não chove? Levanta? Vai estar bom? Pelas oito horas começaram a surgir os primeiros caminheiros para partirem do Largo rumo a Aldeia Velha. Os restantes iam ocupando os seus lugares no autocarro para iniciarem a caminhada na aldeia mais alta do concelho.
Pequeno almoço na Casa de Convívio da Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais. Café e pão de ló da avó, para além do mais, e depois a partida rumo ao nevoeiro que se quis associar à solidão nos trilhos do vento.
A torre de vigia recortava a sua silhueta no nevoeiro que nos privava de apreciar toda a paisagem à sua volta. Os caminheiros passavam pelas eólicas e só momentaneamente o nevoeiro lhes permitia uma visão rápida das gigantes do vento.
Com tempo ameno a caminhada processava-se sem quaisquer problemas. Principiava aqui a descida para a Malhada. A boa disposição é bem visível no rosto de todos quando chegavam para retemperarem as forças com queijo, enchidos e umas febras preparadas no momento pela Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais.
À chegada ao Soito, São Pedro parecia dizer aos caminheiros que estava a controlar o tempo para que tudo corresse bem. A Comissão de Melhoramentos do Soito também se quis associar a esta iniciativa e preparou umas broas esmagadas que estavam uma delícia.
No Parque de Merendas das Seladas as mesas aguardavam a chegada dos caminheiros. Depois, foi o deliciarem-se com uma sopa serrana espectacular e uma grelhada mista com arroz de feijão. As sobremesas foram, como vem sendo hábito, confeccionadas pelas Senhoras do Colmeal. O artesanato e os produtos locais estiveram presentes nesta realização e foram objecto de apreciável procura.
No momento próprio, o presidente da União Progressiva da Freguesia do Colmeal proferiu palavras de agradecimento pelas ajudas e colaboração recebidas e também de regozijo pelo modo como esta iniciativa havia decorrido. Os senhores presidentes da Junta de Freguesia do Colmeal e das Comissões envolvidas e ali presentes - Aldeia Velha e Malhada e Casais, elogiaram o evento e o espírito da realização conjunta. A Junta de Freguesia de Olival de Basto fez-nos chegar uma simpática lembrança e também Magalhães Pinto, dirigente da Associação Desportiva da Efacec que participou nesta actividade com um apreciável número de caminheiros, teve a gentileza de nos oferecer uma prenda alusiva.
Para animar os presentes ainda houve música para lembrar outros tempos. O Carvalhal e a Malhada continuam a ter bons e entusiásticos executantes. E com boas gargantas. Como não podia deixar de ser, depois foi o arrumar da casa. São Pedro foi amigo e o tempo ajudou. Vamos já preparar a próxima. UPFC

Rancho Serra do Ceira

Realizou-se ontem, 17 de Maio, no salão da Junta de Freguesia do Colmeal, a Assembleia-Geral do Rancho Serra do Ceira, para a eleição dos Órgãos Sociais - biénio de 2009/2010. Antes da votação, foram admitidos e aprovados vários sócios e outros regularizaram a sua situação, procedendo ao pagamento de quotas em atraso. Fernando Santos e Elisabete Ascenção usaram da palavra para prestarem alguns esclarecimentos relacionados com o ressurgimento do Rancho Serra do Ceira e sobre a composição da lista. A sala estava repleta e os trinta associados votaram unanimemente na única lista que foi proposta para sufrágio. Ambiente descontraído e saudável neste passo que agora foi dado para que o Rancho volte a ter a aura de sucesso que granjeou em tempos passados. Há muito trabalho a desenvolver e são necessárias ajudas para a compra de vestuário, calçado e alguns instrumentos. Antes de terminar a sessão, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal que estava representada na sala por sete dos seus dirigentes, pela voz do seu presidente, felicitou os agora eleitos e reafirmou a disponibilidade da colectividade em apoiar o Serra do Ceira. Direcção: Fernando Manuel de Almeida Santos (Presidente), Elisabete Cristina Carneiro de Ascenção (Vice-Presidente), Manuel de Almeida Alexandre (Primeiro Secretário), António de Anunciação Duarte (Segundo Secretário), Fernando de Almeida Costa (Tesoureiro), Etelvina Fontes de Almeida (Vogal) e Maria Fernanda Custódio Antão (Vogal). Assembleia-Geral: António Jorge Henriques Almeida (Presidente), José Braz Victor (Primeiro Secretário) e Abel de Ascenção Marques (Segundo Secretário). Conselho Fiscal: Américo Gaspar Lopes de Almeida (Presidente), Lúcia Maria de Almeida Alexandre (Secretário) e Justino Geraldes (Relator). Todos os apoios não serão demais. Vamos ajudar o Rancho Serra do Ceira!
UPFC

Moinho da Quinta

Era assim... em Junho de 2005.
Foto cedida por A. Domingos Santos

VALE DO CEIRA – AQUI COLMEAL

Mobilizar, liderar não é para todos!
Em 16 de Setembro de 1914 nasceu nu, descalço, como todo o ser humano. Mas, ao contrário de muitos jovens da sua geração, somente aos 18 anos soube o que era andar calçado. E, de seu, não possuía telha nem um palmo de terra para cultivar. Deus dá o frio conforme a roupa – diz o povo – e talvez por as suas vestes não serem as mais aconselháveis, em face das temperaturas rigorosas que no Inverno aqui se fazem sentir, ofereceram-lhe farda do exército, com galões e tudo… Praticamente, a partir daí perdeu o seu nome – Manuel de Almeida Neves – passando a ser tratado pelo epíteto de «Tenente». O «Tenente», queiram ou não, é uma figura típica do Colmeal, que admiramos pelos rios de suor que deixou ficar na Serra durante mais de duas dezenas de anos a conservar a «malvada» da estrada do Rolão. Não estamos a gozar, a entrar no campo do jocoso ou da ironia. Desafiamos, seja quem for, a tentar conservar uma via de terra batida, com 11 quilómetros de extensão, possuindo para o efeito somente o carro de mão, a pá, a enxada. Manter uma via de comunicação em condições de transitabilidade, como já estava provado no final da década de sessenta, não é trabalho para um só homem. Quando acabava de limpar os últimos quilómetros de valeta já os anteriores se encontravam entulhados e quando ensaibrava a metade do percurso o trabalho anterior estava degradado pelo trânsito de viaturas ou pela enxurrada. Recuando no tempo e mudando de tema: o Manuel de Almeida Neves, mais outros contemporâneos, foi assistir à festa da Malhada. Aí vendo actuar, pela primeira vez, uma filarmónica – a da Pampilhosa da Serra – logo se interrogou: porque não havemos de fazer a mesma coisa no Colmeal? Transmitida a ideia, isto em 1923, e como autêntico líder apenas com 9 anos, logo mobilizou a malta da sua idade, passando a «banda» a «ensaiar» na «casa da música», aos Chães. Como se calcula, os «instrumentos» eram rudimentares: pífaros, feitos de cana; os pratos, tampas de panelas; o saxofone, resultou da montagem de perna de candeeiro com um pedaço de cana e o bombo feito de arco de peneira e foles velhos. Na «banda» chegaram a actuar 14 figuras, desfilando pelas ruas da nossa aldeia, tocando o ti_ri_ti_ti. Tudo isto pode parecer anedótico, mas não o é. As coisas devem ser analisadas à luz da época (1923) e da idade dos promotores (8, 9, 10, 11 anos) que, talvez sem o saberem, ambicionavam para eles e para a sua terra formas de cultura que outros já possuíam. Os anos passaram, os miúdos tornaram-se homens e desandaram para Lisboa. No entanto, em 1933 o Manuel Neves, então já «Tenente», pressionado, voltou a reorganizar a «banda». Aos velhos «instrumentos», guardados religiosamente, juntaram-se algumas inovações: cornetas de barro e pífaros de lata. Nesta segunda fase 16 jovens chegaram a compor a «banda». Hoje que tanto se apregoa bairrismo, quem na nossa terra entre os que aqui vivem ou labutam na cidade, é capaz de mobilizar uma vintena de conterrâneos para darem o coirão ao manifesto, meterem ombros a qualquer empreendimento por modestíssimo que seja, como fez o «tenente» em 1923 e 1933? Quantos, quantos colmealenses têm esse poder de mobilização que possuía o então jovem «Tenente»? Nós não os vemos!
FERNANDO COSTA
In “O Varzeense” Nº 173, de 15 de Fevereiro de 1987 Do espólio de Fernando Costa

Colmeal

Foto de Mariana Bráz da Costa e Silva

Clube de Contadores de Histórias (II)

Já pensaste que…
Já alguma vez pensaste que é bom ter olhos para ver o mundo e ouvidos para ouvir os outros e boca para dizer tudo aquilo que dizemos e pernas para nos levar onde somos precisos e mãos para ajudar os que delas precisam e braços para estreitar os outros num abraço e ombros para que alguém neles recline a cabeça fatigada e cérebro para pensar em ajudar os outros e coração para sentir as coisas que nem sempre compreendemos imediatamente. Já alguma vez pensaste como tudo isto é maravilhoso?
Leif Kristianson Já pensaste que… Lisboa, Editorial Presença, 1981
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria - Baltar

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pedras antigas

Candosa. Janeiro de 2006.
Foto cedida por A. Domingos Santos

Se somos tão poucos…

O Rancho Folclórico Serra do Ceira, conforme o seu título indica, não representa uma freguesia, muito menos uma aldeia. O «Serra do Ceira», que nasceu de acção dinâmica do padre Dr. Manuel Pinto Caetano, antigo pároco das freguesias de Colmeal e Cadafaz, sempre teve por lema representar o folclore das Serras e Vale do Ceira, que se estende desde Fajão (Pampilhosa da Serra), Cepos (Arganil), até Vila Nova do Ceira, passando pelas freguesias de Colmeal e Cadafaz, do concelho de Góis. Após alguns contratempos, por vezes necessários a qualquer crise de crescimento, surgiu um tanto inesperadamente como director artístico José Álvaro de Almeida Domingos, um jovem de 22 anos, embora ligado ao agrupamento desde a sua fundação. No ano corrente, os convites não se fizeram esperar. A representação, por vezes brilhante, nos festivais de Viana do Castelo, Ribeira de Frades, Santo Tirso, Aldeia do Bispo (Sabugal), Martim de Freitas (Fafe), Góis, Matosinhos, Serpins e Pampilhosa do Botão, além das actuações nas festas e romarias das Meãs, Esporão, Colmeal, Cepos, etc., confirmam o alto nível do grupo, lídimo representante cultural do concelho de Góis, e o apreço em que é tido o folclore desta zona do distrito de Coimbra. Não fora as tremendas dificuldades económicas e o «Serra do Ceira» teria este ano o seu «baptismo» internacional. «As deslocações custam fortunas – diz-nos o Álvaro Domingos – e sem o apoio das chamadas entidades oficiais não temos a mínima hipótese de aceitar convites do estrangeiro, de países onde a presença de emigrantes portugueses é notória». O Álvaro Domingos, com a modéstia e o entusiasmo que todos lhe conhecemos e reconhecemos, não se cansa de falar do muito que tem aprendido, por esse país fora, ao conhecer outras regiões, contactar com outros povos e agrupamentos folclóricos, e foi-nos adiantando que os encargos previstos em orçamento para o ano corrente foram na ordem dos «800 contos», os quais, cobertos somente em parte com a efectivação de «leilões, excursões, publicidade, donativos, etc.», só seria possível saldar verificando-se «ajuda monetária do Governo Civil, Câmara Municipal e Ministério da Cultura». O director do «Serra do Ceira», que constantemente, sem discriminação de pessoas e entidades, «agradece o apoio dispensado no exercício da sua missão», enaltece «a familiaridade e amizade» existente entre todos os elementos do grupo – na ordem dos 35 – lança os seus apelos às agremiações regionalistas do Vale do Ceira e Casa Concelhia, «para ajudarem economicamente» a solver os problemas. O nosso interlocutor, com uma certa tristeza estampada no rosto e na forma de se expressar, lembra que «a falta de valores humanos, derivada do despovoamento das nossas aldeias, pela inexistência de condições de fixação para os jovens», era motivo mais que suficiente para os responsáveis – autarcas, regionalistas e não só – se unirem para ser viável a continuidade de um «rancho concelhio forte, coeso e digno», onde não existam divisões originadas no exterior, por bairrismo que o Álvaro Domingos classifica de «ciumento», mas a que chamamos doentio, por ser individualista. Do nosso diálogo, efectuado aos poucos e durante vários dias, ressalta ainda «o subsídio de 200 contos, concedido pela Câmara de Góis», e que o rancho apresenta «sempre danças e cantares da região» e, em função de novas pesquisas, foi ampliado «o reportório com a apresentação de Na Trincha da Saia, A Caminho da Castanheira e o Vira das Pancadas, melodias recolhidas em Cadafaz, Fajão e Cepos, respectivamente». Embora a música tradicional, tal como a clássica, a literatura e a arte em geral não mereçam os favores das últimas gerações, felizmente ainda há muitos jovens, entre os quais o «Alvarito» Domingos, que amam a música popular, o folclore. Desse amor ao folclore, às danças e cantares da região que lhe serviu de berço assumiu em «momento de crise» – disse – a presidência do «Serra do Ceira», que, com todas as suas consequências, assumirá «até ao fim do mandato». Ainda quisemos saber se o «Serra do Ceira» já tinha contratos para a próxima temporada, em que localidade do concelho de Góis se realizaria o próximo Festival de Folclore Beirão, mas foi-se escusando com «o futuro só a Deus pertence», endossando compromissos para a «futura direcção, que vier a sair da próxima assembleia-geral» – afirmou como que a encerrar o nosso já longo diálogo. Em face do mutismo do «Alvarito», como todos velhos e novos o tratamos, não aprofundámos a questão. Mas, tal como o nosso interlocutor, apelamos aos «homens bons», aos autarcas e regionalistas no sentido de apoiarem o «Serra do Ceira» e, automaticamente, o grupo manter-se forte e unido, continuando, como todos desejamos, a representar condignamente a região, concretamente o concelho de Góis. Na verdade, se somos tão poucos no concelho de Góis e aqueles que se dispõem a trabalhar e sacrificar por interesses comuns ainda menos, por que razão, directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente, se hão-de fomentar e apoiar cisões que não levam a lado nenhum? Os goienses, quer sejam naturais da sede concelhia, de Vila Nova do Ceira, Cadafaz ou Colmeal, certamente não desconhecem que só a «união faz a força». Vamos, pois, todos unir-nos em volta do Rancho Folclórico Serra do Ceira.
FERNANDO COSTA
In “A Comarca de Arganil” de 17 de Setembro de 1985 Espólio de Fernando Costa

Fajão

No vizinho concelho da Pampilhosa da Serra e a poucos quilómetros do Colmeal, uma aldeia que já foi vila. Vale a pena fazer-lhe uma visita e percorrê-la nas suas ruas. Fotos de A. Domingos Santos

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Colmeal – A Caminhada é já no sábado

“Pelos trilhos do vento e da solidão” Vai ser já no próximo sábado, dia 16 de Maio, que a União Progressiva da Freguesia do Colmeal vai realizar a sua caminhada “Pelos trilhos do vento e da solidão”. Como já foi informado o percurso terá cerca de 15 kms. O início está previsto para as 9 horas em Aldeia Velha, sendo que o transporte dos participantes está garantido desde o Colmeal. Para aqueles que se sentirem melhor preparados fisicamente e não desejarem utilizar o transporte, poderão começar o percurso no Largo D. Josefa às 8 horas, seguindo pelo Rossaio e Poesia até Aldeia Velha onde se juntarão aos restantes. Seguir-se-á a subida até à Selada da Eireira de onde se poderá contemplar uma paisagem espectacular. Depois, será a continuação até ao cruzamento com a estrada de Fajão, recentemente beneficiada. Após a entrada na Malhada e depois de uma pequena pausa, seguiremos pela Foz da Cova em direcção ao Soito. O troço final levar-nos-á até ao Parque de Merendas nas Seladas, no Colmeal. Dar a conhecer caminhos antigos aos que nos visitam e recordá-los aos que os conhecem e os calcorrearam noutros tempos, é o propósito da União Progressiva ao programar este tipo de actividades. Outros caminhos mais recentes como os que ligam as eólicas, face à sua localização, permitirão aos nossos olhos abarcar recantos e extraordinárias paisagens que a nossa freguesia tem para mostrar aos participantes. Vamos poder contar com a colaboração logística e entusiástica da Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais, Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais e Comissão de Melhoramentos do Soito. Os participantes vão aperceber-se de como as gentes da serra sabem receber e acarinhar os seus convidados. Também a Junta de Freguesia do Colmeal e Câmara Municipal de Góis mostraram desde o primeiro momento toda a disponibilidade para colaborar nesta nossa iniciativa. Estamos certos que este convívio servirá para fortalecer os laços e as relações existentes entre as colectividades congéneres e as entidades locais e concelhias. A caminhada terminará, como de costume, com um almoço de convívio no aprazível Parque de Merendas nas Seladas para os participantes e para todos os que queiram confraternizar e passar momentos agradáveis. Os nossos artesãos e produtores irão estar presentes com os seus produtos regionais. Se o tempo não quiser colaborar connosco teremos que optar por uma alternativa, que poderá muito bem ser, a antiga escola primária. Recordamos algumas das recomendações já feitas para que se sinta à vontade durante a caminhada – roupas leves e confortáveis e uma cobertura para a cabeça. O calçado, sendo a peça mais importante, se possível deverá ser maleável, leve, resistente, confortável e com boa aderência em todos os pisos. Não esquecer levar uma garrafa com água e uma máquina fotográfica. Uns binóculos, pela imensidão de paisagem que estará ao nosso dispor, não serão demais. A inscrição poderá ser feita junto de qualquer elemento da União no Colmeal – José Álvaro, Bela e Catarina (235 761 490), Belmira Fontes (235 761 438) ou Manuel Martins dos Santos (235 761 395). Poderá igualmente utilizar o nosso endereço upfcolmeal@netcabo.pt ou os telefones 96 2372866 (António Santos) ou 93 8663279 (Artur da Fonte). O valor de inscrição – cinco euros – é apenas simbólico e inclui o almoço de convívio. Venha connosco. Não esqueça a máquina e a boa disposição. Mas venha! UPFC

Receitas da Freguesia do Colmeal

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Aletria
250 gr. de massa de Aletria 0,50 L. de água 0,50 L. de leite 1 Casca de Limão 250 gr. de Açúcar
2 Ovos Leve a água a ferver e adicione a massa. Deixe cozinhar por 10 minutos.
Após estar cozida, escorra a massa e reserve.
À parte, leve ao lume o leite e quando este estiver a ferver, coloque a aletria, a casca de limão e o açúcar.
Mexa bem e deixe cozinhar em lume brando, até estar ao seu gosto.
À parte, mexa os ovos e coloque um pouco de leite.
Acrescente ao preparado da aletria, já fora do lume.
Elimine a casca de limão.
Disponha a aletria em pratos ou numa travessa e sirva-a decorada com canela, a seu gosto.
Arroz Doce
1 Chávena de arroz
1 Chávena de açúcar
1 Casca de Limão
4 dl. de água Num tacho, disponha o arroz e a água.
Leve ao lume e deixe ferver, em lume brando e quando o arroz estiver cozido, acrescente a casca de limão e o açúcar e envolva bem.
Elimine a casca de limão e deixe arrefecer um pouco.
Distribua o Arroz Doce por pratos ou travessa e decore com canela a seu gosto. As receitas apresentadas (Aletria e Arroz Doce) foram disponibilizadas por uma residente do Colmeal, que preferiu manter o anonimato

Estrela... ali tão perto

Com boa visibilidade chegamos à conclusão que a serra da Estrela afinal não fica assim tão longe. E fica bonita vestida com o seu manto branco (Dezembro de 2003). A estrada Rolão-Colmeal consegue perceber-se no seu traçado que demorou anos e anos para concluir. Foto cedida por A. Domingos Santos