sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

COLMEAL. VISITA PASTORAL



D. Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, esteve no Colmeal no passado dia 18 do corrente, enquadrando-se a presença de Sua Exa. Reverendíssima na Visita Pastoral que se encontra a realizar à Diocese.

Depois de a receção na capela de Aldeia Velha e de a visita ao Santuário Mãe da Misericórdia, em Carvalhal do Sapo, o senhor bispo celebrou missa no Colmeal, acompanhado pelo respetivo pároco, senhor padre Carlos Cardoso.

Foi uma celebração muito bonita, envolvente e mobilizante: pela presença, postura e palavra de D. Virgílio do Nascimento Antunes; pela beleza da igreja alegrada simples de amarelo e verde; pelos cânticos uníssonos e cativantes; pelo número de fiéis, embora eu pensasse que seriamos mais.





Na homilia, Sua Exa. Reverendíssima apontou a Visita Pastoral como ação apostólica destinada a confirmar os fiéis na fé cristã, católica e apostólica, e como oportunidade de contacto, proximidade e encontro com os membros do Povo de Deus, todos iguais, embora cada um exercendo o papel e a missão para foi chamado. Sem querer fazer sínteses impossíveis e sempre redutoras, recordo-me, ainda, de o senhor bispo ter refletido sobre a necessidade da vivência da fé com alegria e amor fraterno, testemunho evangelizador e ação renovadora; ou sobre a necessidade de aprofundamento dessa mesma fé e reforço da pertença à Igreja de Cristo, com vista à sua unidade e a uma intervenção mais ativa. Penso que para sublinhar a parte de um todo que cada um é e juntos somos de uma comunidade cristã local, da Igreja diocesana e da universal, D. Virgílio do Nascimento Antunes utilizou a palavra “porção”. Peço desculpas por eventuais desvios de interpretação.

Depois da missa, seguiu-se uma apresentação de cumprimentos na sede da União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, onde, por parte da Junta e da Assembleia de Freguesia, Sua Exa. Reverendíssima foi obsequiado com uma lembrança alusiva à sua passagem pela freguesia.



O almoço teve lugar no Centro de Cultura e Convívio airosamente vestido de branco. Para além do pároco, dos autarcas locais e de representantes de algumas coletividades, participou no mesmo a senhora Presidente da Câmara, Dra. Maria de Lurdes de Oliveira Castanheira. Entre outras lembranças, Sua Exa. Reverendíssima recebeu da União Progressiva da Freguesia do Colmeal uma imagem do Senhor da Amargura, em madeira, da autoria do artista e artesão José Nunes.






O território da diocese é extenso, as comunidades e os problemas numerosos, a messe grande. Apesar disso, na sua solicitude, D. Virgílio prometeu voltar, considerando, quando já se apressava a caminho dos compromissos que o esperavam na Candosa, Cadafaz e Cabreira, que não é o Colmeal que está longe de Coimbra, mas Coimbra que o está do Colmeal.

No recolhimento em que vivemos e na arrogância dos tempos que correm, a Visita Pastoral de Sua Exa. Reverendíssima foi uma bênção e um bálsamo. Gratos, alguns terão sentido, como rezava um dos cânticos:

“Também sou Teu Povo, Senhor, e estou nesta estrada … “

A organização da Visita, no Colmeal, esteve a cargo da Fábrica da Igreja, especialmente representada por José Álvaro Domingos, cujo empenho é de enaltecer e agradecer.

Lisete de Matos
Açor, Colmeal

Fotografias: Leonor Martins e António Domingos Santos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA. HORA DO BANHO II


Eram frios os dias que passavam. Não tão frios quanto há décadas, mas frios. A vaga polar que atravessara a Europa e assolava o país enregelava tudo e todos. Sobretudo os mais desfavorecidos, do ponto de vista da idade, do estado de saúde, da habitação e do vestuário. Contrariamente ao que era insinuado pelo provérbio “Deus dá o frio conforme a roupa”, um dos muitos que serviam a passividade e a aceitação acrítica.

Depois da geada negra devastadora, a branca cobria os campos, fazendo-os parecer nevados e crocantes, como um qualquer prato de vegetais gourmet! 

Por falta de os vizinhos que trabalham, que não devido ao excesso de frio, lá fora, apenas os pássaros esvoaçavam contentes, uns bicando o chão à procura de alimento, outros disputando o grãozito mais apetitoso do comedouro, outros tratando da higiene. 

E, a propósito de higiene, são muito limpinhas as aves! Aparentemente muito mais do que alguns humanos e outros mamíferos, a julgar pelos sinais que exalam. Faça sol ou chuva, nada as impede de um bom banho. A não ser a falta de água! 

Foi o que aconteceu ao chapim-azul. Quando quis banhar-se, encontrou a água gelada, exatamente como algumas pessoas. “Coisa mais estranha!”, pensou, enquanto batia com o bico ínfimo no gelo duro e luzidio. 

Do sítio de onde o observava, lembrei-me do meu avô José Martins, que se lavava na rua, depois de quebrar, a murro ou com a primeira ferramenta à mão, o gelo que cobria a água dormida ao relento. Demasiado tenro para o efeito, o bico do passarito não conseguiu! “Tristeza! Sem banho sabe-se lá por quantos dias! Talvez um balde com água …” 

Chegou apressado, a saltitar irrequieto de roseira em roseira. De repente: “Olá!, equipamento novo! Humm…, água fresquinha! A banheira não parece cómoda, mas à falta de melhor … “

Pata ante pata sobre a borda fina do balde, banhou-se animado, mergulhando a parte anterior do corpito e batendo as asas para molhar o dorso seco. Ao mesmo tempo, evitando cair de molho! 








Com aquele espalhafato todo, lembrei-me de novo do meu avô, que se lavava, sacudindo o bigode farto, talvez para não gelar, e soltando brerrrrrrrrs assustadores, com os lábios trementes. Tanto tempo passado, a mesma admiração, o mesmo enlevo!

Enquanto o chapim se lavava, um pisco-de-peito-ruivo esperava, paciente, sobre uma pedra em degelo. Sempre a fazer vénias, do alto das patitas magras que lhe sustentam o corpo roliço. Antes, tinha estado a cantar, melodiosa e suavemente, como se soubesse que o dia não estava para cantorias.




Quando a subida da temperatura permitiu a remoção do gelo da artesa, tudo voltou à normalidade, com o rabirruivo, os chapins, o pisco, o tordo, a toutinegra, o melro e outros a banharem-se satisfeitos. Com exceção para os pardais, um de cada vez, numa extraordinária lição de respeito mútuo e privacidade! E de cabal utilização de um equipamento coletivo!
















As imagens não são grande coisa, a singeleza do texto é a habitual. Ainda assim, partilho-as com todos os que apreciam as maravilhas da criação, nomeadamente a beleza e as proezas das aves, esperando contribuir para a sua proteção e preservação. Elas que são uma componente essencial da vida e da natureza, cujo valor independe do homem, mas de que ele pode beneficiar como recurso, no âmbito do ecodesenvolvimento e da sustentabilidade local e regional. Aumentar os efetivos seria um bom sinal, manter os que temos é um imperativo.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 04 de fevereiro, 2017.

"Cidadão Esclarecido, Consumidor Precavido”



A Associação Portuguesa de Direito do Consumo em parceria com o Município de Góis, convidam V/Exa a participar na sessão de esclarecimento sob a temática dos “Serviços Públicos Essenciais” no próximo dia 3 de Março, no Auditório da Casa do Artista, pelas 18h00.

Uma iniciativa que se realiza no âmbito do protocolo celebrado entre as entidades, que pretende munir os munícipes das informações necessárias sobre os diversos serviços públicos.

Água, Energia Eléctrica, Gás Natural, Telefones, Televisão são alguns dos temas que irão ser abordados nesta sessão.


Município de Góis

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

REGIONALISMO FICOU MAIS POBRE



Regionalismo ficou mais pobre com o inesperado desaparecimento de um dos seus incansáveis obreiros. Henrique Braz Mendes deixou-nos ontem. Sem que nada o fizesse prever, partiu do nosso convívio.

Sócio da União Progressiva da Freguesia do Colmeal desde 14 de Janeiro de 1965. Vem a desempenhar o seu primeiro cargo, de Primeiro Secretário, na Direcção eleita em Assembleia-Geral em 5 de Abril de 1970, liderada por Armando Nunes dos Reis. Nesta sua estreia trabalhou com João de Deus Duarte, Eduardo dos Santos Ferreira, António Ferreira Ramos, Fernando de Jesus Oliveira, João Nunes de Almeida, José Braz, José Martins Gomes, Manuel Martins Barata, Manuel Simões Nunes, Alberto Fernandes da Luz, António Domingos Santos, Arménio de Almeida, Manuel Francisco Braz e Sebastião Alves Henriques. Foi o início de um enorme percurso que percorreu até quase aos dias de hoje. Em Março de 1973, assume a Vice-presidência na Direcção comandada por António dos Santos Almeida (Fontes). Faz parte do núcleo que em 15 de Novembro de 1964 funda a Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais, onde vem a desempenhar vários cargos com destaque para os da presidência da Direcção e da Assembleia-Geral.

Na União Progressiva, após um interregno de década e meia, surge em Fevereiro de 1988 fazendo parte de uma Comissão Administrativa, constituída para ultrapassar um impasse directivo e vem a assumir a presidência da Direcção em 25 de Junho do mesmo ano, cargo que mantém até 4 de Outubro de 1997.

Nas casas concelhias, tanto na de Góis como na da Comarca de Arganil, exerceu vários cargos na Direcção e na Assembleia-Geral. Presença habitual na imprensa regionalista, nomeadamente na de Arganil. No campo da política exerceu o cargo de Presidente de Junta da ex- Freguesia do Colmeal, onde deixou assinalável trabalho, e de membro da Assembleia Municipal de Góis.

A Direcção da União Progressiva da Freguesia do Colmeal apresenta as mais sentidas condolências aos seus familiares pela perda do seu ente querido.

06 de Fevereiro de 2017

A DIRECÇÃO DA U. P. F. COLMEAL