sexta-feira, 3 de junho de 2016

SOLENIDADES RELIGIOSAS, NO COLMEAL


               1. CORPO DE DEUS

Foi bonita a festa do Corpo de Deus, no Colmeal. Sendo poucos, não podíamos ser muitos, mas entre residentes e visitantes, eramos mais de trinta, na missa. 

Para não me repetir em relação ao que disse o ano passado, recordo apenas que o Corpo de Deus é uma solenidade católica que visa celebrar e afirmar o sacramento da Eucaristia, simbolizando a procissão a caminhada do povo de Deus em busca da Terra Prometida. Como consta da Sequência que foi lida (Missal Romano. Leccionário Dominical. Ano C):

Terra exulta de alegria,
Louva o teu pastor e guia,
Com teus hinos, tua voz.

Quanto possas tanto ouses
Em louvá-l’O não repouses:
Sempre excede o teu louvor.

Hoje a Igreja te convida:
O pão vivo que dá vida
Vem com ela celebrar.

Este pão – que o mundo creia –
Por Jesus na Santa Ceia
Foi entregue aos que escolheu (…)

A missa foi celebrada pelo padre Tarciso da Ordem dos Missionários do Espírito Santo, o mesmo sacerdote do ano passado. Na sua homilia, falou de transformação, comunidade e partilha, apontando para a procissão o objetivo adicional de abençoar as ruas palco da nossa vida. Nunca tinha pensado nisso!


De beleza comovente, o tapete de flores garridas e chorosas da chuva da noite, que circundava a igreja, exalava a festa e à generosidade da Irene Neves, tecedeira exímia. Como eximias são as cantadeiras Anabela, Belmira, Ilda e Fátima (peço desculpas se esqueço alguém) que abrilhantaram a cerimónia.








A terminar, o sacerdote despediu-se dizendo ter-se sentido em casa, uma vez mais no Colmeal: pelo acolhimento das pessoas, pelo tempo finalmente caloroso, pela igreja tão bonita e arranjada, seguramente com o esforço e o envolvimento de todos.


  
            2. PROCISSÃO DAS VELAS

Maio é o mês de Maria, um mês de peregrinação e devoção à mãe de Jesus, principal intercetora junto Dele a que os fiéis podem recorrer. Na sequência do pedido feito em Fátima, muitas comunidades católicas reúnem-se para rezar o terço ao longo do mês, culminando a jornada de oração, com uma procissão das velas.


Também no Colmeal se rezou o terço e a procissão das velas teve lugar no dia 29, à noite. Uma vez mais, a procissão, durante a qual se rezou o terço e cantou, percorreu a rua principal, palco da vida. Agora abençoado pela Virgem-Mãe, depois de o ter sido, no dia anterior, pelo Filho presente, para os fiéis, na hóstia consagrada e na cruz. A iniciativa das e dos promotores é uma dádiva que devemos reconhecer e agradecer.



Para além de fé, ambas as procissões refletem a demografia da freguesia e outros aspetos de ordem social, como o acesso progressivo das mulheres a funções que estavam reservadas aos homens. Se ainda é verdade, em tantas dimensões da atividade socioeconómica e cultural-religiosa, que “enquanto há homens não se confessam mulheres”, há esperança a perfilar-se no horizonte do futuro!



Lisete de Matos
Açor, Colmeal, 31 de maio de 2016.

3 comentários:

António Santos Almeida disse...

Mais uma excelente reportagem, a que já nos habituou, reparando em aspectos que muitas vezes olhamos, mas não vemos. Obrigado, Lisete.

Anónimo disse...

Obrigado pela partilha das palavras e das imagens que nos fazem regressar ao Colmeal.
Rui Ferreira

Anónimo disse...

"Abençoar as ruas, palco da nossa vida"... Também eu, nunca tinha pensado nisso! Obrigada pela partilha, pelo seu olhar delicado e atento, que nos permite viver, sentir cada acontecimento, como se dele tivéssemos participado.
Está lindo o tapete de flores!

Deonilde Almeida