quinta-feira, 23 de junho de 2016

Gastronomia serrana - Cabrito estonado



Ingredientes: 1 cabrito, banha, colorau, dentes de alho, salsa, louro, pimenta preta, presunto, sal e vinho branco

O cabrito deve ser cabritinho, até mês e meio.
Morto o carito estona-se, isto é: mete-se o cabrito pouco a pouco em água a ferver e tira-se-lhe o pelo à medida que vai sendo escaldado para não ofender a pele.
Depois de estar estonado, retiram-se as tripas e as vísceras ao cabrito. Lava-se muito bem lavado, ficando a escorrer de um dia para o outro. No outro dia barra-se o cabrito com pasta feita com o alho, pimenta, colorau, sal e vinho branco. Migam-se os miúdos do cabrito, junta-se o presunto também bem migado, a salsa e o louro. Estes bocadinhos fazem um recheio ao qual se junta um pouco da pasta que o barrou e mete-se na barriga do cabrito, sendo a abertura cozida com agulha e linha. Assim fica três ou quatro horas. Barra-se o cabrito com a banha e coloca-se nos paus de loureiro que estão na assadeira de barro a fazer de grade. De vez em quando rega-se com vinho, e quando estiver tostado de um lado, vira-se para assar do outro.


ESTONAR Tirar a pele ou a casca. Escaldar. Chamuscar. 
In «Sabores da Aldeia», Edição ADXTUR-Agência de Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto

sexta-feira, 17 de junho de 2016

COLMEAL VISITA AS ALDEIAS HISTÓRICAS - I


A União Progressiva da Freguesia do Colmeal que se encontra a comemorar oitenta e cinco anos de vida regionalista, levou cerca de setenta participantes no fim-de-semana alargado de 10-12 de Junho, a uma visita às Aldeias Históricas, conforme programa já divulgado oportunamente neste espaço.



Castelo Novo, que se ergue num esporão da serra da Gardunha, uma montanha povoada de penhascos, foi a primeira aldeia histórica a ser visitada. Nasceu de um castro lusitano e cresceu à sombra do poder romano, que ali fez passar uma estrada que ainda hoje podemos pisar. A povoação guarda um característico ar medieval onde as suas ruas se cruzam sem lei. Do castelo, que Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, mandou construir, há restos de muralhas e torres, particularmente a sineira, hoje com cativante beleza, tal como a paisagem que daí de contempla. A antiga Casa da Câmara é uma sumptuosa construção que remonta ao tempo de D. Dinis (1290).





Depois do almoço, continuamos por Idanha-a-Velha, uma florescente cidade romana desde o ano 16 a.C., com um incalculável valor arqueológico. É um autêntico mar de ruínas das cidades que se sobrepuseram no tempo até hoje, onde habitaram lusitanos, romanos, godos, mouros, cristãos e portugueses. A aldeia requalificada como histórica mostra-nos espaços recuperados da sua vida ainda próxima, como por exemplo, o lagar de Vara, de onde o azeite correu e torres, portas recuperadas da muralha e os seus muros, a ponte de três arcos feita no séc. I ou a catedral.











Monsanto, que Fernando Namora, numa elucidativa metáfora considerou “uma nave de pedra suspensa dos céus vogando contra o vento da História que há milénios a atravessa”, foi a paragem seguinte. Chamada a «aldeia mais portuguesa de Portugal» tem uma fantástica relação entre o mundo dos homens e da Natureza, que tanto se nota no seu castelo onde se confundem os muros feitos pelos homens e as defesas naturais, como na aldeia da meia-encosta onde rochedos virgens se constituem como muros ou chão de habitações, sendo também por vezes, lajes de cobertura. É um traçado labiríntico de sobe e desce. Encontramos a igreja Matriz refeita no séc. XVIII, o Cruzeiro, o Pelourinho e a Torre do Relógio. Estivemos junto da casa onde habitou o médico-escritor Fernando Namora e subimos ao castelo que Gualdim Pais levantou no século XIII. Perto da Torre do Pião e da ruína da Capela de São João, existem várias sepulturas antropomórficas. É soberba a vastíssima paisagem que é possível admirar.
















Numa gentileza da Agência UNIK, um pequeno desvio permitiu visitar Penha Garcia, incrustada numa região fértil em vestígios pré-históricos e romanos. De um castro lusitano, terá resultado a actual povoação. 

Foi-nos possível apreciar uma pequena exposição da Rota dos Fósseis, inserida no Geoparque Naturtejo e admirar, lá do alto, a barragem e os moinhos de água no rio Ponsul, numa paisagem de rara beleza.






Penamacor, situada numa zona rochosa entre as serras da Gardunha e da Malcata, foi ponto de descanso, para o jantar e dormida.

Sortelha é uma «Aldeia Histórica», porque a sua história está toda dentro dela, ruas e praças, casas de ricos e de pobres, templos e castelo através dos quais ecoa a voz de quantas gerações a povoaram neste imemorial tempo. Castelo altaneiro e vigilante com uma alcáçova alicerçada em rochedos e a larga cerca muralhada rodeando a vila medieval, que foi importante com os primeiros reis e prosperou no tempo manuelino. Entrando pela Porta da Vila deparamo-nos com o Largo do Corro, a Casa dos Falcões, o forno comunitário, o Largo do Pelourinho e lá mais no alto, a igreja Matriz. Passo a passo, num sobe e desce de calçadas e escadinhas, em cada porta há uma história.











Continuando por Sabugal e Rapoula do Côa alcançámos a vila fortificada de Almeida. Foi castro, foi moura e cristã repetidas vezes, castelhana e portuguesa até 1297, data do Tratado de Alcanizes, celebrado com D. Dinis.





Foi um importante reduto defensivo do reino e quase inexpugnável com o seu traçado poligonal, de uma gigantesca estrela de 12 pontas, rodeada por fundo e alargado fosso de 2,5 km de extensão. O velho casario da vila ficou no seu interior. E o Quartel das Esquadras e o de Artilharia. O Palácio do Governador, a Capela da Misericórdia, a igreja Matriz e o Convento da Barca. Tanto para ver. Mas o tempo não deu para mais.







Depois do almoço no Hotel Fortaleza de Almeida rumamos a Castelo Rodrigo, nome cujas origens se perdem num tempo anterior à nacionalidade. A cerca de muralhas tem 13 torreões e forma cilíndrica e nela se abrem três portas. Um passeio pela antiga vila permitiu-nos ficar a entender a sua história e ver as sugestivas ruínas do Palácio de Cristóvão de Moura, um traidor segundo diz o povo, a torre do relógio, o pelourinho, a igreja Matriz ou a cisterna.













E a tarde continuou. Mas vamos ter que esperar para ver o resto.

UPFC
Fotos de A. Domingos Santos