quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Se não foram mais longe foi porque não puderam! (III)


«PROGRESSO – INSTRUÇÃO» (Binómio que figurava no primeiro Brazão da UPFC)

O regionalismo colmealense, impulsionado nos seus primeiros anos, o que nunca é demais realçar, por homens parcialmente iletrados, duros mas leais, conseguiu, sem quaisquer filosofias, antes com trabalho, sacrifícios, sobrepondo o colectivo ao individual e com muito amor ao próximo, transmitir a gerações posteriores de dirigentes, algumas dessas virtudes.

Dentro destes princípios humanos, a instrução, as crianças das escolas, os homens e as mulheres de amanhã, sempre mereceram um carinho muito especial por parte da União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Material escolar, caso de cadernos, borrachas, lápis, canetas, livros de estudo e outros artigos didácticos, eram entregues periodicamente aos alunos.
Ainda recentemente, aquando do Ano Internacional da Criança, a direcção da União proporcionou a dezenas de crianças uma deslocação à capital, a vários e aprazíveis locais. Igualmente as últimas direcções têm procedido à distribuição de brinquedos.

Com a migração constante e já definitiva, para outras zonas do país e do estrangeiro, o número de habitantes foi diminuindo e, automaticamente, o de crianças. Simultaneamente, em face da política educacional, a quantidade de professores para todo o país era insuficiente porque, estupidamente, não se desenvolvia a cultura. Como só «interessava», segundo o poder político, «saber ler e contar» na sede de freguesia, o número de edifícios escolares foi reduzido a uma escola, que passou a ser mista.
As crianças de todas as aldeias da freguesia frequentavam a escola do Colmeal, excepto as de Ádela, que, tal como no presente, aprendem nos Cepos a instrução primária.

Para saberem «ler e contar» qualquer coisa as crianças que frequentavam a escola (nem todas a frequentavam) tinham de palmilhar com sol abrasador, chuva e por vezes neve em parte do percurso, dez quilómetros e mais.
Para minorar este Calvário de algumas crianças da freguesia, iniciou a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, em 1933, antes da eliminação da escola feminina, petições, exposições, relatos na imprensa regional, no sentido de serem construídos novos edifícios escolares em outras aldeias.
Dez anos volvidos, ou mais, Malhada e Carvalhal viram concretizada esta aspiração que tinha tanto de humana como de justa.

Através da sua acção lenta mas profícua, o regionalismo colmealense vinha contribuindo, dentro das suas possibilidades, para que cada um viesse a sair de dentro das suas trincheiras e começasse a interessar-se pelos problemas comuns da terra que o viu nascer.
No campo da assistência médica (apesar de criado o partido médico do Colmeal nunca instalado por falta de concorrentes), outra das grandes necessidades prementes e difíceis de concretizar, por falta de vias de comunicação e de uma política voltada para a saúde pública, também o labor da União, foi útil, foi positivo.

Após inúmeras exposições, endereçadas ao longo dos anos às mais variadas entidades, recebeu, finalmente, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal o ofício nº 1070 da presidência da Câmara Municipal de Góis, com data de 20 de Novembro de 1953, no qual se informava «… concordando inteiramente com a justa pretensão, só a julgo possível depois da instalação do posto médico…».
Embora modesto, conseguiu o regionalismo o «Posto médico» (antiga escola do Canto), bem assim o mobiliário e seu apetrechamento com o material mínimo indispensável.
Se o «Posto médico» funcionou número de vezes muito limitado, a responsabilidade não foi da União. A União foi «burlada»!
Quem subscreveu tal ofício não desconhecia as limitações médico-sociais concelhias, a inexistência de uma política nacional de saúde, o isolamento em que então ainda se encontrava o Colmeal.
Tal promessa não era, não foi, para cumprir.
Embora fechado e sem funcionamento o posto médico não podia ser encerrado. Era «para inglês ver» mais um «posto médico» a figurar como «existente» nas «estatísticas», deste país.

Anualmente aparecia na União Progressiva da Freguesia do Colmeal uma ficha do I.N.E. para, após preenchida, ser devolvida, dentro de determinado prazo, por causa de possíveis «sanções». Nem sempre a direcção procedia à sua devolução dentro do prazo para forçar a remessa de novo ofício com a indicação de novas «penalidades». Normalmente a União Progressiva da Freguesia do Colmeal devolvia a ficha com a indicação «não se verificou movimento por falta de médicos».
Em 1974 1975 a União, e congéneres da freguesia, passaram a custear a deslocação de clínico à sede de freguesia.

Nestes últimos anos a assistência médica tem sido garantida pelo serviço á periferia, salvo quando a Câmara Municipal de Góis não tem fundos, ou estes não lhe são garantidos por quem de direito, para liquidação do transporte aos clínicos.

Evidentemente, como não podia deixar de ser, também a terceira idade não era esquecida. Durante inúmeros anos, pela Páscoa ou Natal, era efectuada uma distribuição de géneros alimentícios. Conforme as possibilidades financeiras da colectividade, assim eram as quantidades ou o número de beneficiários, ou optava-se pelos mais necessitados, visto todos precisarem na freguesia.
Por se tratar de assunto delicado, controverso na opinião de uns, discriminatório na de outros, perdeu-se a tradição para evitar, ao que julgamos, polémicas ou melindres, nem sempre com razão.
Hoje, em face da evolução social, tal era injustificado.

in Boletim “O Colmeal”, Nº 166 – Outubro de 1980
Arquivos da União

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