sexta-feira, 3 de julho de 2015

A União foi ver “As jóias do Minho” – 4º e último dia

E o inevitável aconteceu. O último dos quatro dias chegou e com muita pena de todos.
Mas, mesmo assim, a boa disposição manteve-se firme. Seguimos pela Rampa da Falperra e lá no alto, desfrutando de um enquadramento maravilhoso, preparámo-nos para a primeira visita – o Bom Jesus.






O Santuário do Bom Jesus de Braga, como o nome indica, é dedicado ao Senhor Bom Jesus e a primitiva ocupação deste sítio remonta ao início do século XIV, quando alguém terá erguido uma cruz no alto do monte. Foram erguidas ermidas e capelas ao longo dos tempos mas só a partir de 1722 é que se concebeu e iniciou um grande projecto que desembocaria no actual Santuário.












Os escadórios vencem um desnível de 116 metros e estão divididos em três lanços. É acedido pelo Pórtico do Bom Jesus, um arco no início da escadaria, onde se encontra o brasão com as armas do responsável pela sua construção, em 1723.
Neste lanço inicial encontram-se as primeiras capelas da Via Sacra do Bom Jesus, erguidas no mesmo período. Neste trecho do escadório desenvolvem-se cinco lances de escada, intervalados por patamares com fontes alegóricas aos cinco sentidos, pela seguinte ordem: “Visão”, “Audição”, “Olfacto”, “Paladar” e “ “Tacto”.





A subida fez-se depois pelo elevador do Bom Jesus que liga a parte alta da cidade ao Santuário, vencendo um desnível de mais de cem metros de altura, num percurso paralelo ao dos Escadórios, terminando, na parte mais alta, junto à estátua equestre de São Longuinho. Sendo o primeiro funicular construído na Península Ibérica, é actualmente o mais antigo em serviço no mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água. Em 23 de Maio de 2013 foi classificado como Monumento de Interesse Público. 





Nas imediações do Santuário o espaço apresenta-se acolhedor, bonito, ajardinado, com vários canteiros floridos, árvores, fontes, bancos e um miradouro a proporcionar uma bonita vista panorâmica. Destaque para umas pequenas grutas rodeadas de flores e vegetação, de grande beleza natural. Depois de umas compras na Casa das Estampas ninguém teve coragem de se pesar na velha balança não fosse esta revelar alguns excessos da gastronomia minhota. Houve ainda tempo para um café e pastel de nata e também para alguns momentos de conversa. Grupos de motards, ciclistas e várias excursões que chegavam iam dando colorido e animação ao recinto. 












Voltamos a Braga, uma das nossas mais antigas cidades e uma das cidades cristãs mais antigas do mundo. Foi edificada no tempo dos romanos durante o séc. II a.C. e em homenagem ao imperador César Augusto designaram-na de Bracara Augusta, que mais tarde, após a conquista do império romano, se tornou a capital intelectual e política do reino dos Suevos, que abarcava a Galiza e se prolongava até ao rio Tejo. No ano de 716 os Mouros alcançaram a cidade provocando grande destruição, dada a sua importância religiosa.




No séc. XI a cidade é reorganizada e pensa-se que o nome “Braga” tenha surgido neste período. É iniciada a construção da muralha citadina e da Sé, sobre restos de um antigo templo romano. Em 1112 D. Teresa e D. Henrique de Borgonha doam a cidade aos arcebispos que readquire uma enorme importância a nível ibérico.









No séc. XVI, o Arcebispo de Braga modifica a cidade profundamente, introduzindo-lhe ruas, praças, novos edifícios, provocando-lhe também o crescimento para além do perímetro amuralhado. Nos séculos seguintes – XVI ao XVIII, os edifícios de traça medieval vão sendo apagados e substituídos por outros com arquitectura religiosa da época. No século XVIII, Braga transforma-se no Ex-líbris do Barroco em Portugal. Nas invasões francesas a cidade é palco de batalha e de vários saques e mais tarde, depois do fim das lutas liberais e com a expulsão das ordens religiosas todo o seu espólio ficou para a cidade.
Salientamos nesta nossa visita, o Paço Arquiepiscopal, a Praça do Município, uma das mais bonitas praças que em tempo serviu como “Campo de Touros”, a Igreja da Misericórdia, uma construção do séc. XVI, a Igreja de Santa Cruz, o Palácio do Raio e a Torre de Santiago.





A Catedral de Braga cujo interior é profundamente austero começou a ser erigida em finais do séc. XI sobre uma anterior construção que poderá ter sido a anterior catedral. No coro alto o cadeiral e os órgãos de talha dourada são obras excepcionais de concepção e execução.








   
O Tesouro-Museu da Sé de Braga que tivemos oportunidade de visitar (mas que não pudemos fotografar) encerra um espólio de inestimável valor, com peças que cobrem um período de mil e quinhentos anos.






Antes do almoço e da visita à Catedral fomos ainda presenteados com mais um desfile de cabeçudos e com os Bombos de Stº André. Braga continuava animada e ainda não sabia que ia merecer a distinção de Capital Ibero-Americana da Juventude 2016.
E durante a última refeição no Minho a boa disposição manteve-se apesar da hora do regresso cada vez estar mais próxima.
  











“As Jóias do Minho” foi um programa especialmente preparado a pensar em si.
Quatro dias maravilhosos que só foram possíveis graças aos excelentes profissionais que nos acompanharam, a Rita Vilela Lima e o João Leitão, e naturalmente a todos os sócios e seus familiares que mais uma vez preferiram a nossa companhia.
As viagens são como as pessoas… UNIKas.


A. Domingos Santos
Fotos e composição do texto



1 comentário:

J. M. Coelho disse...

Meu Caro António Santos,

A viagem foi um sucesso sendo de novo um grande prazer podermos partilhar de alguns momentos, bem passados, com a Família do Colmeal.

O seu empenho e os seus cuidados pessoais para que tudo corresse bem, foram extraordinários e seguramente que contribuíram para que nada falhasse.

O seu trabalho em fotos de excelente qualidade e o resumo do percurso em texto bem cuidado e objectivo, revelam bem a importância que atribui a estes eventos.

Envio-lhe os meus parabéns e um forte abraço, com reconhecido respeito e muito apreço,

JMCoelho