quinta-feira, 25 de junho de 2015

A União foi ver “As Jóias do Minho” – 1º dia


Na passada quinta-feira, 18 de Junho, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal, tal como havia sido programado, foi apreciar “As Jóias do Minho” com cerca de seis dezenas de associados e seus familiares.
Em Sete Rios comprovou-se uma vez mais a pontualidade dos nossos companheiros de viagem. De realçar o tempo agradável, por vezes com um pouco mais de calor, com que S. Pedro brindou o grupo durante os quatro dias.
A passagem na Invicta foi pacífica e deu mesmo para uma fotografia ao “Dragão”.
Continuámos por Póvoa do Lanhoso para visitar a nossa primeira jóia do Minho, o “Museu do Ouro”.





O Museu do Ouro de Travassos é um espaço que pretende reflectir e promover a identidade de uma comunidade ligada ao trabalho do ouro, desde tempos ancestrais. O Museu resulta dos esforços de um ourives de Travassos, Francisco de Carvalho e Sousa, que – ao longo de cinquenta anos de actividade – foi recolhendo objectos de ouro, utensílios, mobiliário e bibliografia relativa á arte.
O Museu do Ouro está instalado numa antiga oficina de ourivesaria da Casa de Alfena (uma casa solarenga do século XVIII hoje convertida numa unidade de Turismo de Habitação) e faz parte de um conjunto de oficinas, a mais recente das quais data de 1742.

Travassos é uma «aldeia-oficina» que se localiza nas margens do rio Ave, junto à Albufeira da Andorinha, na qual quase todas as famílias estão ou estiveram ligadas à actividade da ourivesaria e onde se afirma – com base num saber contado – que «aqui nasceu a ourivesaria em Portugal».
Apesar da crescente industrialização do trabalho do ouro, persistem ainda cerca de quatro dezenas de oficinas tradicionais. São bem visíveis, por toda a freguesia, as amplas janelas quadrangulares, voltadas a Sul, para um melhor aproveitamento da luz natural, tão necessária ao minucioso trabalho da filigrana.















Prosseguimos para o Parque Nacional da Peneda-Gerês onde fomos almoçar no restaurante da Pousada tendo como pano de fundo uma espectacular paisagem sobre a barragem da Caniçada, em pleno rio Cávado.

O Parque, criado em 1971, integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas, gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza, da Biodiversidade e das Florestas. Tem o estatuto de Parque Nacional (a única área protegida em Portugal com esta classificação) por possuir ainda ecossistemas relativamente extensos e pouco alterados pelo Homem. É considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. Possui uma grande biodiversidade e valores naturais de interesse para a conservação. Ocupa uma área de cerca de 70.000 hectares, distribuídos por cinco concelhos; Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.
Geograficamente abrange o Planalto de Castro Laboreiro e o Planalto da Mourela, com as serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês entre os dois.
Tem uma forte presença humana, sendo habitado por cerca de 9.000 pessoas. A agro-pastorícia, outrora a principal fonte de rendimento das famílias, dá agora lugar a novas actividades económicas com enfoque para o sector turístico, patrimonial e cultural.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês localiza-se numa região montanhosa acima dos 700 metros, atingindo os 1.545 metros de altitude na Nevosa (serra do Gerês). O território apresenta uma geodiversidade muito relevante, resultante da sua história geológica, iniciada há cerca de 400 milhões de anos. O relevo irregular e acidentado e a morfologia granítica são das principais características deste território, sendo frequentes na paisagem as medas, os borrageiros, as rochas em forma de cogumelo, os tors, as bolas graníticas, as pias, entre outras formas geológicas. Nos cumes das principais serras existem vestígios deixados pelos glaciares. Destacam-se também os inúmeros vales e corgas que albergam uma densa rede hidrográfica. A diversidade mineral é também significativa tendo o estanho, o volfrâmio, o berilo e o ouro já aqui sido explorados. As características únicas da água que brota das nascentes permitem utilizá-la para fins medicinais e como água de mesa.

A flora do Parque Nacional é um verdadeiro tesouro botânico onde muitas plantas são endémicas. Os carvalhais, os bosques ribeirinhos, os pinhais, as turfeiras e os matos são alguns dos habitats mais importantes ou característicos deste Parque. Há também um importante valor faunístico, com espécies emblemáticas como o corço, símbolo do Parque Nacional, o lobo ibérico e a cabra montês que apresenta uma população em crescimento depois de ter sido considerada extinta nos finais do século XIX. Uma grande diversidade de espécies assinala-se na avifauna, embora muitas aves sejam migradoras. Das espécies associadas aos cursos de água e meio ribeirinho temos as trutas de rio, a lontra, a toupeira de água entre outras.

A arte rupestre é igualmente uma marca importante de um passado remoto bem como as grandes necrópoles megalíticas. Da ocupação pré-romana ou da presença romana ficaram vestígios de vários equipamentos, como uma via romana em excepcional bom estado, os marcos miliários em apreciável quantidade e as ruínas de pontes sobre rios caudalosos. Dos tempos medievos evidenciam-se os grandes castelos, como o de Castro Laboreiro e o de Lindoso, mas também a religião marcou o seu lugar, sendo o Mosteiro de Santa Maria das Júnias, um dos melhores exemplos.
Outras construções mais recentes somam-se à paisagem milenar, criadas pelo homem de forma engenhosa para resistir às agruras da serra. Os fojos, os espigueiros, os moinhos, os fornos comunitários, as levadas, as calçadas e os abrigos de pastores são alguns exemplos e marcas do espírito de comunitarismo e entreajuda que caracterizam as comunidades serranas.













Uma paragem em São Bento da Porta Aberta para visita ao Santuário.
O culto a S. Bento, em Rio Caldo, deve a sua origem à influência dos monges de Santa Maria de Bouro. Em 1640, é construída a primitiva ermida, numa pequena elevação. Segundo a tradição, esta possuía um alpendre, como a maioria das capelas do alto dos montes, e tinha sempre as portas abertas, servindo de abrigo a quem passava, daí lhe terá advindo a designação de S. Bento da Porta Aberta. O actual Santuário é recente. Iniciou-se a sua reconstrução em 1880 e concluiu-se em 1895. São dignos de realce os painéis de azulejos da capela-mor, que mostram a vida de S. Bento, assim como o retábulo de talha coberto a ouro. Devido ao aumento do número de peregrinos, em 1998, foi inaugurada a actual Cripta.

De 10 a 15 de Agosto realiza-se, por tradição, a grande romaria a  S. Bento da Porta Aberta em que milhares de peregrinos acorrem ao Santuário para cumprir as suas promessas.



















Depois rumamos a Braga para jantar e dormir. Nas ruas profusamente engalanadas e iluminadas havia movimento e animação. Decorriam os festejos de São João.




A. Domingos Santos
Fotos e composição do texto  


4 comentários:

margarida disse...

Que maravilha de reportagem!!! Até vi coisas pelas fotos que não reparei no local... Quem tem "olhinhos" é que vê... parabéns!!!

Muito e muito obrigada,
Margarida

António Almeida disse...

Foram, de facto, quatro dias muito bons. Um viagem bem organizada, como a UPFC já nos habituou, e um grupo fantástico. Venha a próxima.

Abraço
António Almeida

Lemos disse...

Foi uma jornada de 4 dias fantásticos.A camaradagem entre todos, as belezas do Minho, a boa alimenntação e as excelentes explicações da nossa guia, que é sabedora da nossa história, nomeadamente na parte religiosa.
Bem haja à organização.

M. Lemos

Richard Goldschmidt disse...

Obrigado pela linda reportagem com tantas bonitas fotografias. Este pequeno país à beira-mar plantado ainda tem muitas coisas boas para ver. Bem haja quem as divulga.
Um abraço amigo
Richard Goldschmidt