segunda-feira, 29 de junho de 2015

A União foi ver “As Jóias do Minho” – 2º dia – 2ª parte

Ponte de Lima, localizada no coração do vale do Lima foi a próxima paragem. Após o almoço em que nos deliciámos com a gastronomia minhota e num ambiente sempre animado, fizemos um pequeno passeio pelo centro caracterizado pela sua arquitectura medieval. Localidade muito importante desde a era Romana possuiu um Palácio da Corte do Reino de Leão, documentado por achados arqueológicos e outros escritos. 
Dona Teresa deu-lhe foral em 4 de Março de 1125.









A beleza castiça e peculiar da vila mais antiga de Portugal esconde raízes profundas e lendas ancestrais. No século XIV, D. Pedro I, atendendo à posição geoestratégica de Ponte de Lima, mandou muralhá-la, daí resultando um burgo medieval cercado de muralhas e nove torres, das quais ainda restam duas. A ponte, que deu nome a esta nobre terra, adquiriu sempre uma importância de grande significado em todo o Alto Minho, até aos finais da Idade Média, por ser a única passagem segura do Rio Lima, em toda a sua extensão. A primitiva foi construída pelos romanos, da qual ainda resta um troço significativo na margem direita do Lima, sendo a medieval um marco notável da arquitectura. Referência obrigatória em roteiros, guias e mapas, muitos deles antigos, que descrevem a passagem por ela de milhares de peregrinos que demandavam a Santiago de Compostela e que ainda nos dias de hoje a transpõem com a mesma finalidade.





A partir do século XVIII principia a expansão urbana e dá-se o início da destruição da muralha que abraçava a vila. Começa a prosperar, por todo o concelho de Ponte de Lima, a opulência das casas senhoriais que a nobreza da época se encarregou de disseminar. Ao longo dos tempos, Ponte de Lima foi somando à sua beleza natural, magníficas fachadas góticas, maneiristas, barrocas, neoclássicas e oitocentistas, aumentando significativamente o valor histórico, cultural e arquitectónico deste rincão único em todo o Portugal.






Arcos de Valdevez é uma lindíssima vila raiana, sede de concelho do Alto Minho, rodeada de natureza verdejante e banhada pelo bonito Rio Vez. Encontra-se inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês.



Com ocupação humana desde tempos pré-históricos, como testemunham os diversos achados arqueológicos de espaços funerários pré-históricos, incorpora cerca de uma dezena de monumentos distribuídos por uma zona planáltica onde se destaca o Núcleo Megalítico do Mezio.

Arcos de Valdevez, para além de toda a sua beleza natural, é também uma terra histórica, onde, segundo reza a tradição, se encontraram as tropas de Afonso VII de Leão e de D. Afonso Henriques, em 1140, dando origem à consagração do reino, rezando a lenda que no… combate se deu uma carnificina tal que horas passadas do combate ainda o Rio Vez levava, até ao Rio Lima, sangue em vez de água. Comemora desde Maio e até Novembro de 2016 os 500 anos do seu Foral.





A terra é visivelmente fértil e a vila encantadora, com as suas ruas e casario irregular, velhas mansões e igrejas, como a Igreja de Nossa Senhora da Lapa. De 1767 e estilo barroco, o seu exterior apresenta-se em forma oval. O interior com três elementos característicos de cuidada talha ao nível dos retábulos e grades, é um exemplo típico de estilo rococó. A não perder, uma visita à Igreja Matriz e ao antigo Campo da Feira, que desde 1456, à beira rio, proporciona bonitas paisagens e paz de espírito.






Continuamos a viagem até Soajo, uma das mais típicas aldeias portuguesas. Pertence ao concelho de Arcos de Valdevez e situa-se numa das vertentes da serra da Peneda, inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês. A aldeia foi vila e sede de concelho entre 1514 e meados do século XIX mas, a sua história, começa muito antes, como o comprovam o Santuário Rupestre do Gião, na serra do Soajo, e as inúmeras antas e mamoas que existem nesta zona. 




Possui um grandioso conjunto de espigueiros (classificados como imóvel de interesse público desde 1983) erigidos sobre uma gigantesca laje granítica e que, ainda hoje, são utilizados para secar o milho, pelas gentes da terra. O mais antigo data de 1782. Estes monumentos de granito foram construídos na altura em que se incrementou o cultivo do milho e serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores. As suas paredes são desunidas para que o ar circule através das espigas empilhadas. No topo são geralmente rematados por uma cruz, que significa a invocação divina para a protecção dos cereais.







Ao caminharmos pelas ruas pavimentadas com lajes de granito reparamos nas casas típicas construídas no mesmo material, em que se destacam a Casa da Câmara, a Casa do Enes, a Igreja Paroquial e o Pelourinho.



Regressamos a Braga onde depois do jantar fomos apreciar as várias propostas que a cidade nos oferecia em mais uma noite de festejos do São João. E o espectacular Cortejo Histórico ou corrida do porco preto, que percorreu as principais ruas desde a Praça Municipal até à Avenida Central e que encantou os nossos participantes para além dos milhares de forasteiros que acorreram à cidade, foi uma excelente opção.




Este cortejo pretende evocar as raízes ancestrais das celebrações bracarenses em honra de S. João Baptista, particularmente o cortejo que antecedia a corrida do porco preto, que marcava as festividades nos séculos XVI e XVII, e também algumas das tradições do período barroco (pedimos desculpa pela deficiente qualidade das fotos).
Vimos desfilar os Espingardeiros, o Candeleiro, o Rei e o Imperador, os Mascarados e o Arcebispo, apreciámos as danças da Péla e da Mourisca e a Serpe que é descrita como “uma monstruosa cobra sarapintada horrivelmente, por baixo de cuja barriga mal se escondiam os pés dos homens que a levavam…” e a corrida do porco preto, que já era o grande destaque das mais antigas crónicas referentes ao São João em Braga. 














Foi uma opção claramente ganhadora. Porque a noite estava convidativa, fomos ainda ao centro histórico ver os seus monumentos iluminados.













A. Domingos Santos
Fotos e composição do texto