segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Canoagem no Ceira perdeu um grande entusiasta




Carlos Dias, o grande entusiasta pela organização da Canoagem no Ceira deixou-nos. Depois de uma luta inglória travada durante alguns meses contra uma doença que não lhe deu tréguas, deixou-nos esta madrugada depois de ontem ter completado 66 anos. Desde Fevereiro de 2006, quando a União Progressiva da Freguesia do Colmeal decidiu apostar nesta modalidade para promover a freguesia e o concelho de Góis e se realizou a primeira descida do Ceira com a vinda de dezenas de praticantes de todo o país, que se estreitaram e solidificaram os laços de amizade com o Carlos Dias.

A União Progressiva, incrédula com o desfecho desta luta desigual, sente emocionada o desaparecimento deste seu associado e amigo e endereça aos seus familiares as mais sentidas condolências.

Acreditamos que o espírito entusiasta do Carlos Dias perdurará sempre junto daqueles que mais de perto trabalharam e privaram com ele, como sejam o Mário Martins e o Pedro Carvalho e que nas próximas descidas do Ceira o seu nome seja recordado.

A Direcção

Fotos Arquivos da UPFC

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA. PÁSSAROS


Deu-me hoje para observar os pássaros que avisto da minha janela. Tudo porque me pareceu que um deles andava irrequieto e triste. Muito compreensivelmente, diga-se de passagem! Durante a noite, um qualquer bicho esperto banqueteou-se com os últimos diospiros com que ele e um apreciador humano do fruto andavam a deliciar-se.



Esgotados os diospiros e os medronhos, do que é que o passarinho vai alimentar-se até ao tempo das cerejas, próximo fruto vermelho e tenro? Não consegui perceber, depois de um dia de observação, mediada por outros afazeres. Entretanto, fui reparando, mais uma vez, nos pássaros que andam por aí. Chegam manhã cedo em revoadas contentes, e ficam até à hora do almoço no maior desassossego. Depois, acalmam ou desaparecem.


Começando pelo pisco-de-peito-ruivo, é uma ternura de ave! Parecendo um  pernalta de fraque empoleirado nas pernitas magras, chega no início do inverno, a saltitar de um lado para o outro, e a fazer vénias. Quando as pessoas cavavam a terra, acompanhava-as, comendo os bichitos que apareciam. Esporadicamente, canta em pleno inverno. Do ano passado para este, o passarito aprendeu a usar o comedouro, coisa que não fazia desde que o mesmo foi colocado na ponta de um pau, por causa dos gatos. Também me parece mais autoconfiante e destemido, já ousando bicar os outros. Estou a pensar na timidez que lhe atribuía há uns tempos (http//upfc-colmeal-gois.blogspot.com, 9 de maio de 2010 e Jornal de Arganil, de 20 de maio de 2010).



Os tentilhões continuam muito descarados e comilões. Nem se percebe como é que aves tão pequenas comem tanto. Neste tempo, fora um” pst, pst” ocasional, andam calados, o que é uma pena, pois cantam que nem Pavarotti! O apetite devorador também afeta os verdelhões (e não só!). Aos pares ou em maior número, estes pássaros esvoaçam bailados fantásticos, que tanto podem ser rituais de júbilo, como de acasalamento precoce. Mais pequenos, mas igualmente vorazes e divertidos são os chapins, uma “fofura” de passaritos. Gostam de ir comer em cima do castanheiro, de onde vão cuspindo as cascas das pevides ou outras sementes. Usam máscara como os foliões, fazendo da vida um carnaval! Hoje só vi exemplares de chapim-real, mas também costumam ver-se azúis.



O melro apareceu várias vezes. Trabalhador exímio, pode ficar horas a procurar alimento, esgaravatando e bicando as folhas para o lado. Ao contrário dos melros urbanos, que lidam bem com a presença humana, estes mantêm a atitude defensiva e a indiscrição próprias do estado selvagem. Mal veem ou pressentem alguém, voam espavoridos a gritar: “gente, gente, perigo …” Não deixam de ter razão! Certamente por causa do frio renitente, a mélroa, menos vistosa, mas igualmente diligente, não apareceu.


Sem deixar a minha janela de trabalho e recreio, ainda vi uns passaritos que me pareceram toutinegras-de-barrete ou cabeça-preta e vários dos que chamo pardais, sabendo, embora, que entre eles devem estar felosas, chamarizes e outros. Ao longe, ouvi o peto (pica-pau-malhado) trocista a rir-se e o gaio arisco a ralhar. No mato, talvez reste alguma ave de rapina, do tempo em que havia o que rapinar. Há dias, via-se uma rola e ouviam-se tordos. Dentro de algum tempo, algumas destas aves terão partido, outras, chegado. Esperamos o cuco, a poupa (http//upfc-colmeal-gois.blospot.com, 6 de julho de 2012), o rabirruivo-preto, que aqui chamavam pisco-ferreiro, o pintassilgo trapezista, a “lavandeira” ou alvéola, a andorinha-das-chaminés, a dáurica (http//upfc-colmeal-gois.blogspot.com, 17 de junho de 2011) e muitas outras avezinhas que alguém saberá identificar.











Serve esta referência à minha observação caseira de pássaros para lembrar a sua importância intrínseca e como recurso, no âmbito do desenvolvimento local e regional. Desde logo, enquanto criaturas e parte integrante dos ecossistemas, os pássaros consubstanciam, como qualquer outro ser vivo, um valor que é independente de os benefícios que possam ter para o homem. Neste sentido, são pelo menos tão importantes quanto outros componentes da biodiversidade e da cultura, na sua aceção mais ampla.

De qualquer modo, por inerência da sua condição, esses benefícios existem, sendo sabido que os pássaros contribuem de modo decisivo para o equilíbrio ambiental e o bem-estar das pessoas. Combatem pragas, reflorestam, enriquecem a biodiversidade e a beleza da natureza, a sua atratividade e capacidade de relaxamento. O potencial de fruição estética que representam para o homem justifica bem o lugar de relevo que ocupam no folclore, na mitologia, na literatura e na cultura, em geral.

É verdade que também causam alguns prejuízos, pelos quais frequentemente pagam muito caro. São prejuízos que tendem a agravar-se sempre que a produção agrícola deixa de ser suficiente para desempenhar o papel do criador. “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta (…)” (Mateus 6:26)

Acrescem àqueles benefícios as atividades de turismo de natureza e cultural, que várias entidades públicas e privadas organizam, constituindo exemplos: a observação de aves, a sua identificação e o estudo das suas caraterísticas e distribuição; a identificação através do canto, na época apropriada; a realização de concursos de fotografia, generalistas ou temáticos; a sensibilização para a preservação; a plantação de árvores e arbustos adequados à sua alimentação e nidificação; a limpeza de terrenos com o mesmo objetivo. Estas atividades são vantajosas tanto para a avifauna, como para os territórios e organizadores. No contexto da necessária solidariedade local e regional, costumam interagir e alavancar o alojamento turístico, a restauração e outras iniciativas socioeconómicas. Tantas mais-valias, a pedirem reciprocidade!

Recurso importante e não negligenciável, os pássaros são uma das muitas belezas e riquezas da serra.

Lisete de Matos

Açor, Colmeal, 16 de fevereiro de 2015.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

COLMEAL - A UNIÃO PROGRESSIVA VAI AO MINHO

Venha connosco às Jóias do Minho





É este o convite que lhe fazemos. Venha connosco às Jóias do Minho.

A União Progressiva da Freguesia do Colmeal preparou para os seus associados, familiares e amigos, um extraordinário passeio onde iremos descobrir e apreciar as autênticas e fabulosas Jóias do Minho, de 18 a 21 de Junho próximo.

Aqui estamos a propor-vos um detalhado programa de quatro dias em que nos iremos maravilhar com as cidades, vilas, monumentos e as deslumbrantes paisagens que encontraremos à nossa passagem. Agradecemos que proceda à sua inscrição tão cedo quanto possível para os contactos habituais: António Santos – 962372866, Maria Lucília – 914815132 / 218122331 ou Artur Fonte - 938663279.

18 Junho (1º dia – 5ª Feira)
Lisboa – Póvoa do Lanhoso – Gerês – São Bento da Porta Aberta – Braga
Partida às 7 horas de Sete Rios com destino a Póvoa do Lanhoso para visita a uma das jóias do Minho o “Museu do Ouro“. A ideia da criação de um museu da ourivesaria em Travassos data dos anos 80 e resulta dos esforços de um ourives - Francisco de Carvalho e Sousa - que ao longo de 50 anos de actividade foi recolhendo espólio e documentação, formando uma colecção importante. Continuação até à Caniçada.
Almoço na Pousada do Gerês, localizada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, entre florestas exuberantes, cascatas de água translúcidas e paisagens inesquecíveis. A Pousada situa-se num autêntico miradouro debruçado sobre a barragem da Caniçada, em pleno Rio Cávado. Ao fundo avista-se o fim do território Português, começando o território Espanhol. Após o almoço iremos passear um pouco pelo Gerês, uma das Regiões Naturais de Portugal mais atractivas, considerada pela Unesco como Reserva Mundial da Biosfera e a única área em Portugal classificada como Parque Nacional. Paragem em São Bento da Porta Aberta, para visita ao Santuário. Ao final do dia chegada a Braga ao Hotel Mercure Braga Centro ****. Jantar no hotel, após o que daremos um passeio a pé pela cidade.

19 Junho (2º dia – 6ª Feira)
Braga – Viana do Castelo – Ponte de Lima – Arcos de Valdevez – Soajo - Braga
Pequeno-almoço. Partida para Viana do Castelo, onde chegar ao Alto do Monte de Santa Luzia por elevador é uma experiência a não perder. Sete minutos e 600 metros depois, alcança-se o topo. E lá no alto, um panorama deslumbrante, sobre a cidade, a foz do rio Lima, a ponte metálica do caminho-de-ferro, construída sob a direcção de Eiffel, em 1878, e uma boa parte do litoral minhoto. Visita à Basílica do Sagrado Coração de Jesus, cuja imponência domina todo o monte. Regresso ao centro para conhecer um pouco mais desta bonita cidade minhota. Paragem na Pastelaria Dantas, para beber um café ou chá acompanhado de um bolo. Continuação até à vila mais antiga de Portugal: Ponte de Lima, localizada no vale do Lima. Passeio pelo centro. Almoço em restaurante. Seguidamente visita de Arcos de Valdevez, vila que nasceu ao longo do rio Vez, e muito próxima do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Visita ao centro e à Igreja barroca de Nossa Senhora da Lapa. Visita de Soajo com destaque para os espigueiros de granito onde se guardavam cereais, que os tornam a principal atracção turística da vila. Aproveite para passear pelas ruas que descem ao longo de antigas levadas de pedra, ver o pelourinho, as Brandas e Inverneiras, casas temporárias na serra. Regresso a Braga ao final do dia. Jantar no hotel. Alojamento.

20 Junho (3º dia – Sábado) 
Braga – Valença – Monção – Melgaço - Braga
Pequeno-almoço. Partida em direcção a Valença, onde será efectuada uma breve paragem e continuação até Monção para visita ao Palácio da Brejoeira, monumento nacional desde 1910 e à Quinta com o mesmo nome, composta por 30 hectares. Durante a estadia será efectuada visita ao interior do Palácio, Capela, Jardins, Bosque, adega antiga e vinhas e no final desfrutarão de uma prova de vinho Alvarinho Palácio da Brejoeira. Breve visita do centro de Monção e partida para Melgaço. Almoço em restaurante. Melgaço é um roteiro obrigatório para apreciadores e especialistas gastronómicos, já que aqui sobrevivem usos e costumes que conferem aos produtos locais características de requintado e irresistível sabor. Após o almoço visita de Melgaço, que, localizada na fronteira espanhola se orgulha do rico património histórico, cultural e arquitectónico, inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Oportunidade ainda de apreciar alguns dos vários produtos típicos da região, onde se destacam a tecelagem em Linho, a tecelagem em Lã (mantas e tapetes), as alfaias agrícolas e os canastros que constituem alguns dos artigos que fazem parte da história secular do concelho. Regresso a Braga ao final do dia. Jantar no hotel. Alojamento.

21 Junho (4º dia – Domingo) 
Braga – Lisboa
Pequeno-almoço. Visita do conjunto arquitectónico do Bom Jesus do Monte, ex-libris da cidade de Braga. Subida no elevador do Bom Jesus, classificado como monumento de interesse público e descida a pé. Regresso a Braga e visita daquela que é considerada a capital do Barroco em Portugal. Passagem pelo seu centro histórico, com destaque para a Sé de Braga, construída nos séculos XI e XII, e onde se encontra outra jóia do Minho, o “Tesouro“ no seu Museu. Continuação pelo jardim da Avenida Central, onde se vislumbra a fachada da Igreja dos Congregados. Almoço em restaurante. Partida para Lisboa onde se chegará ao final do dia.

Condições:
Preço por participante em Quarto Duplo: Sócio/cônjuge: 397,50 €; Não sócio: 422,50€; Suplemento - Quarto Single: 75,00€
Pagamentos: 100,00€ em Fevereiro, Março e Abril. O restante até 31 de Maio.
NIB da UNIÃO no Banco BPI: 0010 0000 3254 3590 0015 4
Serviços incluídos:
Autocarro de turismo para o itinerário; 3 noites de alojamento no Hotel Mercure Braga Centro em regime de pequeno-almoço; 7 refeições com bebidas incluídas: 4 almoços + 3 jantares; Snack (bolo e chá ou café); Acompanhamento guia durante a viagem; Seguro de viagem; Visitas e entradas mencionadas no itinerário (inclui prova de vinho no Palácio da Brejoeira); Carteira documentação com informação de viagem e mapa; Bolsa de viagem; Taxas hoteleiras, de turismo, serviço e IVA.

A DIRECÇÃO DA UPFC

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

As nossas belezas serranas


Em Maio as nossas serranias apresentam-se com uma imensidão de cores, cheiros e sabores… e no fim-de-semana de 30 e 31 de Maio próximo a União Progressiva da Freguesia do Colmeal irá proporcionar aos seus associados a oportunidade de desfrutar de uma zona lindíssima, com todo o seu esplendor e autenticidade. Convidamo-lo assim a descobrir a beleza e a tranquilidade das serranias onduladas, calcorrear aldeias do xisto que ainda vivem ao ritmo de tempos passados e a deliciar-se com os variados sabores da excelente gastronomia tradicional serrana.






A partida de Lisboa será pelas oito horas rumo a Condeixa para as visitas às ruínas de Conímbriga, um povoado pré-romano do II Milénio A. C. e ao Museu Monográfico, onde nas suas várias salas se poderão observar os achados encontrados nas escavações.






Em Miranda do Corvo almoçaremos no Restaurante Museu da Chanfana, onde poderemos apreciar o ex-libris da gastronomia serrana e depois visitar o Parque Biológico da Serra da Lousã, uma proposta multifacetada na oferta turística associando a educação ambiental ao enaltecimento de valores e tradições culturais da região. São 12 hectares, sendo 7 de área florestal e 5 de área agrícola e social. O Parque Biológico integra, entre outros, um Centro de Informação, Parque de Vida Selvagem, Quinta Pedagógica, Labirinto de Árvores de Fruto, Roseiral, Centro Hípico, Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais com Loja de Artesanato, Museu da Tanoaria e Restaurante Museu da Chanfana.



Seguiremos por Lousã onde poderemos admirar o seu Castelo, também referido como Castelo de Arouce, situado na margem direita deste rio, monumento que se constitui, hoje em dia, numa requisitada atracção turística. No morro em frente situam-se as Ermidas de Nossa Senhora da Piedade, um importante Santuário Mariano.












A paragem seguinte será em Candal, uma das aldeias do xisto onde mora a diferença, com a sua malha urbana irregular e complexa, que poderemos percorrer nas suas ruelas apertadas e muito características. Na Loja da aldeia haverá possibilidade de adquirir produtos regionais e apreciar uma especialidade feita à base de castanha, mel e amêndoa, os Talasnicos. Depois, admirando a fabulosa paisagem envolvente a caminho de Pampilhosa da Serra, iremos jantar no Restaurante O Buke e pernoitar no Villa Pampilhosa Hotel****.




No dia seguinte, após o pequeno-almoço, iremos apreciar a albufeira da Barragem de Santa Luzia, que, construída entre dois enormes rochedos criou uma das zonas paisagísticas mais deslumbrantes do concelho de Pampilhosa da Serra e de todo o território das Aldeias do Xisto. Enquadra-se no tipo de barragem de montanha e recebe água das ribeiras do Vidual e Unhais, bem como da albufeira do Rio Ceira, através de um túnel.



Seguiremos para Fajão, outra aldeia do xisto e antiga Vila, encaixada numa pitoresca concha da Serra, alcandorada sobre o Rio Ceira, perto da sua nascente, entre altos e gigantescos penedos de quartzito, cuja configuração faz lembrar antigos castelos naturais. Destacam-se o Museu Monsenhor Nunes Pereira, a Igreja Paroquial de Fajão - Séc. XVIII (1788), as Capelas de N. Senhora da Guia e de S. Salvador e a Antiga Casa da Câmara e Cadeia - Edifício em xisto que alberga hoje uma acolhedora residencial. Existe um típico forno comunitário que contamos ver a funcionar.





Seguimos depois para o Colmeal, bonita aldeia do concelho de Góis, com o rio Ceira a convidar-nos para um banho refrescante nas suas límpidas águas. Povoação muito antiga, possivelmente anterior à fundação do reino, não nos sendo possível no entanto determinar com exactidão as suas origens. Almoço regional no Parque de Merendas das Seladas e o regresso a Lisboa previsto para as 20 horas.

UPFC
Fotos de A. Domingos Santos