quarta-feira, 26 de novembro de 2014

BELEZAS E RIQUEZAS DA SERRA


Depois de uma curta ausência, a serra acolheu-me vestida de verde acinzentado, por vezes, de castanho amarelado. Em silêncio. Quilómetros e quilómetros de estrada, subidas e descidas, curvas e contracurvas, e ninguém! Vivalma: caminhante intrépido, bicho bravio, viatura apressada! Em sinal de ausência ou simplesmente por ser sábado, sétimo dia, dia de descanso?




Finalmente com as bermas limpas da vegetação que a estreitava, a estrada Colmeal Ádela, de tão larga, até parece uma autoestrada! Uma boa surpresa e um motivo de contentamento, a que acresce a limpeza de lamas que estava a ser feita esta manhã, aparentemente para efeitos da há muito necessária requalificação do piso.

No Colmeal, o rio Ceira corria pujante e lesto, a cantarolar beleza e potencialidades.



Duas ou três pessoas conversavam no largo e outras tantas jogavam às cartas no café. Enquanto me atendia, a D. Maria queixava-se do tempo, e eu concordava com ela, depois do dilúvio inusitado de há dias. Não havia os ovos de que eu precisava, mas sobre o balcão tentava-me um dos deliciosos bolos da Anabela. Resisti-lhe, mas bem que me arrependo!

No Açor, terra de gente laboriosa, o Amílcar e o Arménio apanhavam azeitona. Em Ádela, um gato preto luzidio espreitava da janela da antiga casa dos meus tios António e Felismina. De visita aos meus primos Maria Amélia, Zé e Manel, fiquei a saber que também ali havia quem andasse à azeitona. Há pouca este ano, mas mandam a tradição e o espírito de poupança que não se desperdice! Grão a grão enche a galinha o sarrão.


Já perto de casa, os castanheiros apresentavam-se despidos das folhas, dos ouriços e das castanhas que atapetam o chão, os ervideiros carregadinhos de medronhos vermelhos e flores esbranquiçadas. Um fascínio! Outro, os dióspiros quase maduros.




Por toda a parte, há flores de verão tardias que teimam em resistir, como as pessoas, e flores de inverno precoces que o calor prolongado espevitou. Entre outras, no primeiro caso estão as aboboras ou os amores-perfeitos silvestres que me ofereceram em Aldeia Velha, no segundo, as cameleiras e os azevinhos.






Sempre atrevidos e sedutores, os “tertulhos” abundam. Realmente, uma tentação!




Na noite que cedo ofusca a serra neste tempo, ainda me esperava pachorrenta uma salamandra pintada do espanto de me rever.


Natureza, simplicidade e diversidade, produtos, aromas e sabores, recursos, belezas e riquezas da serra.

Açor, 24 de Novembro de 2014

Lisete de Matos

5 comentários:

Manuela disse...

Muito obrigada Lisete por partilhares connosco estas belezas naturais da nossa serra.

Lemos disse...

Parabéns.

Uma boa e linda, composição de imagens.

Lemos

Anónimo disse...

Imagens lindas - quase lhes sentimos o cheiro a ervas molhadas...
Muito obrigada, Lisete!

Deonilde Almeida

António Santos disse...

Sensibilidade, simplicidade, ternura e bom gosto.

Anónimo disse...

Parabéns pelas imagens, pelas pelas palavras, e pela partilha que a todos enriquece.