quinta-feira, 16 de outubro de 2014

COLMEAL EM TRÁS-OS-MONTES (4)



A União Progressiva da Freguesia do Colmeal visitou o Nordeste Transmontano entre os dias 12 e 15 de Setembro. Numa região que encerra uma beleza particular e a torna única, com as suas magníficas paisagens onde a Natureza é rainha, os seus monumentos e as cidades cheias de história, passámos quatro magníficos dias.
Mas viajar não é só história, é também descobrir outras realidades, cheiros e sabores, é conhecer novas gentes, novas tradições… Tentámos nos nossos relatos anteriores e profusamente documentados com fotografias dar-lhes a conhecer, resumidamente, o que foram estes dias. Hoje vamos falar-lhes do quarto e último.












Bragança acordou embalada numa névoa matinal depois da estrondosa trovoada da noite anterior. Partimos em direcção a Mirandela, também conhecida por Princesa do Tua, onde fizemos uma pequena paragem para tomar café e nos permitiu apreciar um pouco do seu comércio tradicional, com destaque para os enchidos e para a cestaria. É uma bonita cidade situada nas margens do rio Tua e aqui podemos encontrar os melhores valores arquitectónicos do concelho, como sejam o Palácio dos Távoras, imponente construção nobre reedificada no século XVII ou o Palácio dos Condes de Vinhais. De referir ainda a cerca amuralhada da qual resta apenas a Porta de Sto. António e a velha ponte medieval, que continua a constituir uma incógnita quanto à data de construção. Em Mirandela nasceu ainda o conceito de cidade jardim, o que é bem patente nas suas bem cuidadas zonas ajardinadas onde o culto da flor invadiu graciosamente todos os espaços.






Passámos depois pela vila de Murça, conhecida especialmente pela lenda da “Porca de Murça” cuja estátua ainda hoje se pode ver no centro da vila e que é o seu “ex-libris”. É uma escultura celta que representa uma das suas divindades deste povo, o javali/urso/porca. Estas esculturas existem aos milhares, mas a de Murça é a que se encontra mais bem conservada.












Seguiu-se uma visita ao núcleo museológico da Cooperativa dos Olivicultores de Murça onde tivemos oportunidade de degustar o famoso azeite Porca de Murça.
De uma cuidada e calculada mistura de azeitonas das variedades tradicionais transmontanas, colhidas em diferentes estados de maturação nasce este azeite único, totalmente natural e de extraordinária qualidade.
A principal característica da região de Trás-os-Montes é o contraste entre a montanha árida por onde os rios correm apressados e os vales férteis onde as águas correm com serenidade. As diferenças bruscas de altitude dividem a região em duas zonas distintas: a Terra Fria e a Terra Quente, onde a oliveira se expande até um máximo de 700 metros e a partir do século XVI começou a ter importância económica.
Desde então a mancha olivícola tem crescido, fundamentalmente porque o azeite é o mealheiro da economia rural assente no minifúndio, se bem que hoje, os novos olivais já sejam o resultado de novas tecnologias e mecanizados.












Apreciando a paisagem envolvente e com o rio por perto fomos aproximando-nos de Peso da Régua onde o almoço nos aguardava.
Cidade moderna, que apenas conheceu a sua condição de concelho após a época pombalina, no ano de 1836. Toda a importância que lhe é reconhecida se inicia com a criação da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, pelo Marquês de Pombal em 1756. Tendo mandado delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito – Marcos de Feitoria – determinando assim as áreas de produção dos melhores vinhos, Portugal criava no Douro a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. A partir daí, e por via do comércio e sua centralização local, passou a ser o centro da Região, o local onde todos chegavam e de onde tudo partia.














Na visita que a seguir ao excelente almoço efectuámos ao Museu do Douro muito mais ficamos a saber e a conhecer do seu património histórico, ouvindo as explicações detalhadas sobre os vários núcleos, como o território, o rio, a vinha, o vinho, a fauna e flora, os rabelos e as quintas seculares. E descobrimos que afinal havia outro… rio Ceira, este afluente do Douro.










Depois de uma fotografia de grupo para mais tarde recordar voltámos ao autocarro e começámos o nosso incontornável regresso a Lisboa. Paisagens e localidades já nossas conhecidas como Aveiro, a sua ria e os campos de cultivo, Coimbra e a “cabra” lá no alto, as celuloses e os seus odores inconfundíveis, os ninhos de cegonhas com vista privilegiada lá do alto dos postes, a lezíria e a grande cidade que nos aguardava já ao cair da noite. A boa disposição esteve sempre presente.
Foram quatro dias de excelência. Só possíveis graças à sua participação.
OBRIGADO por ter estado connosco.
Foram quatro dias UNIK…os.

UPFC
Fotos de A. Domingos Santos
Apoio Turismo de Bragança 

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