segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL - CONCELHO DE GÓIS"



INTRODUÇÃO


Avô como se chamavam os seus avós? E os pais deles? O avô ainda os conheceu? E quando e onde é que eles nasceram? 

Foi com perguntas como estas que há quase cinquenta anos comecei as minhas recolhas de informação e de motivação sobre uma temática de investigação de quem eram os meus antepassados. 

Inicialmente apenas recolhi informação transmitida verbalmente, socorrendo-me também de alguns elementos que o meu avô Alfredo tinha registado ao longo dos anos, posteriormente fui recolhendo elementos de conversas que fui mantendo sobre o tema quer com familiares, quer com outros amigos, e mais recentemente recolhendo elementos nos Arquivos Distritais, nomeadamente no de Leiria e no da Universidade de Coimbra. 

Com o decorrer dos anos, o “bicho” da investigação genealógica, foi-se aperfeiçoando e alargando, depois considerando que para o estudo dos meus antecedentes, as investigações me levavam a conhecer muitos dos nascimentos/batismos realizados na freguesia do Colmeal, pensei e porque não registar numa publicação, os elementos de que dispunha, para que os possíveis interessados noutras famílias da freguesia do Colmeal os possam mais facilmente consultar. 

Foi assim que nasceu a presente publicação que apresenta a Totalidade dos nascidos/batizados na Freguesia do Colmeal, desde 1739, até ao ano de 1896 (ano até ao qual os elementos já se encontram no Arquivo Distrital de Coimbra). 

Constam ainda desta publicação muitos dos ascendentes anteriores a 1739 ou seus descendentes, especialmente dos meus familiares diretos. Faltarão certamente alguns dos filhos dos casais descritos, nascidos após 1896, bem como os seus descendentes. 

Do total de nascimentos/batismos consultados e descritos, verifica-se que na freguesia do Colmeal, 23% são do Colmeal, 16% do Carvalhal, 14% do Soito, 13% da Malhada, 12% de Ádela, 8% de Aldeia Velha, 5% do Sobral, 2% de Carrimá, 2% do Roçaio, 2% do Açor, 1% da Foz da Cova, 1% do Saião e os restantes do Salgado e Vale de Asna. São ainda referidos como locais de nascimento Belide, Casal da Fonte do Bispo, Coiços, Cortada, Foz de Carrimá, Loural, Ponte, Portal da Malhada, Porto Dão do Carvalhal, Ribeira de Ádela, Safredo, Vale de Égua, Vale do Safredo e Vergadinha da Malhada, da freguesia do Colmeal. Por uma questão de investigação de antecedentes, são ainda referidas muitos nascimentos ocorridos nas mais diversas localidades, quer das restantes freguesias do concelho de Góis, quer dos concelhos de Pampilhosa da Serra, Arganil, Figueiró dos Vinhos, Lisboa, Almada, etc.

Introdução de ajuda técnica ao leitor na interpretação da presente publicação.
Para facilidade de leitura, interpretação e organização escrita, agruparam-se os diversos indivíduos constantes nesta publicação, em grupos, que se designaram por famílias, num total de 152.
A designação da família, em geral refere-se ao apelido da primeira pessoa com que se iniciou a descrição da família.
Cada família será composta por um gráfico, a que se segue uma descrição individual de cada indivíduo, mais ou menos completa, função do conhecimento que o autor teve das referências biográficas e relações familiares desse indivíduo.
Tem o autor a noção que um trabalho desta envergadura, que engloba mais de 10.500 indivíduos (dos quais 1040 na condição de padrinhos) está sujeito às mais diversas incorreções, quer devidas ao facto de parte da recolha de dados ter sido verbal, quer devido à dificuldade de interpretação/leitura dos livros consultados, livros esses escritos em caligrafia manual, com as inerentes dificuldades de interpretação, resultantes do facto de muitas vezes se escreverem os registos de batismo com as mais diversas e estranhas abreviaturas. São exemplo os apelidos Domingues e Domingos, bem como Francisco e Fernandes.
Sugere-se assim que os eventuais leitores desta publicação que queiram conhecer os seus antepassados dentro do período temporal estudado, desde 1739 até 1896 ou em certas famílias até à atualidade, comecem por procurar no índice, os indivíduos mais antigos de que conheçam a identidade, ( por exemplo os avós ou os bisavós ) e a partir daí tentarem navegar na publicação descobrindo como aconteceu ao autor, que nos seus conhecidos ou na porta ao lado havia familiares mais ou menos afastados com que nem sonhava.
Boas descobertas e alegre-se quando descobrir mais um familiar que nunca pensou que existia.
Julho de 2014

O autor 

Fernando Pinto Caetano 


Prefácio


Costumava falar de genealogia a propósito da utilização dos métodos qualitativos em ciências sociais. Mas, com exceção para “ A História genealógica da Casa Real Portuguesa”, em quinze volumes, nunca me tinha confrontado com uma obra genealógica que reconstitui cerca de cento e cinquenta e duas famílias, e integra mais de dez mil e quinhentos indivíduos. É o caso de “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, da autoria de Fernando Pinto Caetano. Conforme consta da introdução, o livro refere-se à totalidade dos nascidos/batizados, e a alguns dos seus ascendentes e descendentes, na antiga freguesia do Colmeal (Góis), de 1739 a 1896. Surpreendida perante uma tão extraordinária narrativa, aceitei com agrado o convite com que me honrou para sobre ela escrever algumas palavras. 

Acontece, porém, que a obra e os seus protagonistas falam por si próprios, não carecendo de apresentação. Falam os nossos mais antigos, deambulando lestos ou cansados, conforme a idade e os motivos da deslocação, pelos caminhos inóspitos da serra, e pelas terras próximas ou distantes onde casam. Mais recentemente, falam os seus descendentes, nascendo e casando um pouco por toda a parte, na diáspora interna e externa. A todo o tempo, falam o autor e o livro, deambulando por arquivos e fontes, revivendo de terra em terra as vidas que antecederam e fundam as nossas, antecedendo e fundando as dos vindouros. 

A genealogia é uma ciência que estuda a origem, a evolução e a reprodução das famílias, e dos respetivos apelidos. Por essa razão, também é conhecida como História da Família, podendo ocupar-se apenas do levantamento dos antepassados e descendentes ou abranger as suas trajetórias e biografias. De qualquer modo, evocando componentes da memória familiar ou individual, acaba sempre por revelar, como a obra em apreço demonstra, singularidades e regularidades sociais, logo dimensões da vida coletiva. Neste registo, é uma ciência próxima e complementar da História, da Sociologia e da Demografia, resultando da articulação entre todas importantes sinergias. 

Num outro registo de natureza mais afetiva e identitária, a genealogia é uma forma de preservação da memória familiar, de reatamento e alargamento dos laços de parentesco que o tempo, a mobilidade geográfica e o quotidiano apressado fazem descurar. Neste sentido, tornando presentes os ausentes e facilitando a sua aproximação, a genealogia promove o enriquecimento relacional e o reforço da identidade das pessoas e comunidades. E como só se ama o que se conhece, é também um modo de intensificação dos afetos que nos prendem aos outros e aos lugares. 

Pessoalmente, ainda expectante de muitas outras descobertas, gostei de saber que os meus antepassados “Almeida” eram de Malhô (Cabril) e Fajão, no vizinho concelho da Pampilhosa da Serra; ou que a minha antepassada Maria Rosa, a quem remonta o sobrenome “Martins”, que o meu pai ainda tinha, atravessou o Ceira descendo do Carvalhal para casar subindo no Sobral. Como gostei de saber que na minha família de Ádela, de onde me vem o sobrenome “Paula”, há ascendentes de Soito, Roçaio, Boiças e Caratão de Celavisa. Ato contínuo, senti-me logo muito mais próxima dessas terras e curiosa em relação às que não conheço. Foi assim como se o livro me trouxesse notícias de familiares distantes, exatamente como fazia o avô do autor, que recordo a chegar, e a ver-se rodeado de mulheres impacientes de saudade e solidão:

- “Ó primo … Ó “ti” Alfredo, trás carta do meu homem …, do meu filho …, do meu pai …, do meu namorado … do meu irmão?” Umas vezes trazia, e era uma alegria se as novas eram boas, outras não, e ficavam ambos tristes. Até a mim o primo Alfredo trouxe notícias que então considerei boas e más, avultando entre as últimas a ordem expressa do meu pai para fazer a admissão ao liceu. Muitas cartas foram precisas para resolver o assunto! Cartas que iam e vinham embaladas no bornal farto do primo Alfredo, enquanto ele caminhava pela serra. Decorriam os anos cinquenta do século passado.

Depois de esta incursão pela memória pessoal, que também é suposto a genealogia suscitar, resta-me mencioná-la como forma de autoconhecimento, uma vez que a família é o nosso primeiro contexto de socialização, dependendo dessa experiência muito dos adultos que somos. Por outro lado, ao individualismo, à globalidade e à efemeridade, que informam os tempos de hoje potenciados pela internete e pelas redes sociais, a genealogia contrapõe a coletividade, a proximidade, a localidade e a continuidade que são próprias das relações familiares e grupais. A uma certa estandardização e homogeneidade contrapõe singularidade. 

Serve este discurso sobre genealogia para contextualizar e salientar a importância do trabalho de Fernando Pinto Caetano, a quem ficamos a dever o conhecimento dos nossos antepassados, mas também a honra e o orgulho de sermos das poucas comunidades que gozam desse privilégio. O autor está de parabéns pela qualidade e pela monumentalidade da sua obra, os colmealenses igualmente, pelo que a mesma representa para a visibilidade das suas terras, para a solidariedade acrescida, e para a valorização do seu património cultural, um legado que os nossos descendentes agradecerão. 

A obra de Fernando Pinto Caetano, engenheiro de formação e profissão, historiador e genealogista por devoção e dedicação, é ainda um contributo muito importante para a democratização da genealogia, um género que, durante séculos, apenas foi cultivado nos meios aristocráticos, por razões de linhagem, sucessão e herança. Sendo certo que a genealogia tem vindo a ganhar terreno como meio de apropriação da palavra e de inclusão na história, Fernando Pinto Caetano tem, neste contexto já de si proativo e emancipatório, o mérito da amplitude do seu trabalho e da generosidade com que o partilha. 

Aliás, não deixa de ser uma coincidência interessante que “GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS” venha a lume no ano em que se comemoram os novecentos anos do concelho de Góis. Nada mais oportuno do que, a propósito e a par com a evocação das grandes figuras e feitos da rica história de Góis, se lembrem também os cidadãos maioritariamente anónimos que contribuíram para a formação dessa mesma história, povoando e habitando o concelho, partindo e honrando longe o seu nome, voltando sempre. 

Sem ser capaz de imaginar a imensidão do trabalho de pesquisa e escrita – a escrita usada como poder e, formalmente, como utensílio organizador do pensamento e da informação – no que toca à leitura, posso dizer que é muito estimulante e socialmente discursiva. 

Será que Malhô ainda existe? E Caratão de Celavisa? Com ou sem residentes permanentes? Por que é que esta ou aquela pessoa, que conheci ou de que tanto ouvi falar, não consta? Já sei …, está na família tal ou tal. Não, nasceu depois de 1896, e os nascidos depois desta data só constam em algumas famílias. Possivelmente é isso! E este César, quem seria? Ah!, se era gémeo do Alfredo, então deve ter falecido de tenra idade, numa época em que a mortalidade infantil era grande. E os nomes?! Note-se como evoluem de repetitivos e clássicos, em sintonia com as normas de patronímio então vigentes, para diversificados e urbanizados, em consequência dos processos migratórios que cedo envolveram a freguesia. E que dizer da irregularidade dos apelidos, que podem ser diferentes de filho para filho, as raparigas não os terem ou a mesma pessoa adotar e usar vários? O que isto deve ter complexificado a investigação! 

Reparando nas muitas terras que são mencionadas, penso, por um lado que o casamento era geograficamente endogâmico, verificando-se dentro da localidade de residência ou entre localidades próximas, mas também exogâmico entre distantes, o que aponta para uma mobilidade regional significativa. E os casamentos?! Seriam por enamoramento ou haveria endogamia social, com vista ao reforço dos minipatrimónios possuídos ou da força de trabalho das unidades de produção familiares? E os nascimentos?! Se as casas que restam dos finais do século dezanove e princípios do vinte tendem para ser pequenas, como seriam as anteriores para nelas caberem tantos filhos? E do que é que viviam, se os terrenos cultiváveis ainda hoje são tão exíguos e pouco férteis? Para além dos habitualmente referidos, que fatores e métodos terão contribuído para a progressiva e drástica redução da natalidade? Olha!, nascimentos na Ribeira de Ádela e outros sítios recônditos?! Afinal, os atuais recém-chegados só estão a retomar uma dispersão do povoamento que já existiu. Muito curioso! Quem sabe se promissor?

Enfim, insisto, uma leitura muito estimulante, a confirmar a relevância da genealogia para a compreensão do Homem e das suas raízes, e para o entrelaçamento do presente com o passado na senda do futuro.

“GENTES E FAMÍLIAS DA FREGUESIA DO COLMEAL-CONCELHO DE GÓIS”, é uma obra notável, cujo valor e interesse os leitores e, muito especialmente, os colmealenses, saberão reconhecer. Por mim, visualizando-me ponto minúsculo na teia infinda da existência e raminho frágil das árvores e universos em que me insiro, agradeço a emoção renovada da pertença a um devir intemporal, que acolhe e atribui sentido à minha temporalidade. Na esperança do reencontro! 

Açor, 3 de julho de 2014.

Lisete de Matos



4 comentários:

Anónimo disse...

Fernando, Parabéns pelo excelente trabalho e dedicação que concerteza irá agradar a todos.
Bela João

Anónimo disse...

Excelente iniciativa! Parabéns!
Onde podemos adquiri-lo?
Deonilde Almeida

fernando Caetano disse...

Pode entrar em contacto com o autor/editor pelo telemovel 964022719

Iolarte disse...

Parabéns pelo excelente trabalho. Não é para qualquer um que toma este tipo de iniciativa. Adorei imenso descobrir os meus antepassados, principalmente, da minha bisavó, no seu livro.
Iolanda Neves